Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Aurora

25 de Dezembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Hoje sobre nós resplandece uma luz, M. Faria, NRMS 4 (I)

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Antífona de entrada: Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Apareceu a aurora de um novo dia. Revela-se em nós a reaparição mais esclarecida da luz de Cristo, salvação para todos os homens.

É com esse espírito que poderemos anunciar esta graça recebida como mensagem de alegria a partilhar com todos os nossos irmãos e dar graças a Deus, tal como fizeram os pastores, depois de visitarem o presépio de Belém.

O Natal não é acontecimento do passado. Ele constitui mistério actual em que todos os homens são convidados a receber Jesus como irmão. Ele acompanha-nos em todos os momentos da nossa vida. Por Ele dêmos graças a Deus por tão grande dom e peçamos perdão pelas nossas infidelidades.

 

Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que, inundados pela nova luz do Verbo Encarnado, resplandeça em nossas obras o que pela fé brilha em nossos corações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Não só o povo israelita mas todos os povos são convidados a participar nos dons gratuitos de Deus, no banquete do Senhor com o seu povo.

 

Isaías 62, 11-12

11Eis o que o Senhor proclama até aos confins da terra: «Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador. Com Ele vem o seu prémio e precede-O a sua recompensa. 12Serão chamados ‘Povo santo’, ‘Resgatados do Senhor’; e tu serás chamada ‘Pretendida’, ‘Cidade não abandonada’».

 

A leitura recolhe dois versículos do III Isaías, referidos à Jerusalém restaurada após o exílio. «Até aos confins da terra»: a perspectiva universalista típica da última parte de Isaías corresponde bem à realidade de um «Natal para todos».

«Filha de Sião, Filha de Jerusalém», forma poética de o profeta se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (Gal 4, 26; 6, 16; Hebr 12, 22; Apoc 14, 1; 21). «Sião» (etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus, a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a Arca da Aliança. Quando Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hebr 12, 22 e Apoc 14, 1. Actualmente a Arqueologia veio esclarecer estes locais.

 

Salmo Responsorial    Salmo 96 (97), 1 e 6.11-12

 

Monição: As intervenções de Deus na história abrem horizontes de esperança: todos rejubilam e celebram a Sua memória de santidade, porque nasceu o Senhor.

 

Refrão:        Hoje sobre nós resplandece uma luz:

nasceu o Senhor.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

 

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

A luz resplandece para os justos

e a alegria para os corações rectos.

 

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome Santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo relembra o acontecimento marcante em Jesus Cristo: uma radical mudança no modo de viver, o amor de Deus, a salvação pela graça, o dom do Espírito e a esperança da realização final.

 

Tito 3, 4-7

Caríssimo: 4Ao manifestar-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, 5não pelas obras justas que praticámos, mas em virtude da sua misericórdia, pelo baptismo da regeneração e renovação do Espírito Santo, 6que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, 7para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.

 

Esta belíssima síntese soteriológica bem podia ser uma espécie de fórmula de fé corrente na Igreja primitiva que tenha sido inserida na Carta.

5 O «banho de regeneração e renovação do Espírito Santo» é o Baptismo, que nos faz nascer de novo (Jo 3, 3.5) e que nos torna «nova criatura» (Gal 6, 15; 2 Cor 5, 17). O Natal é ocasião propícia para meditar também no nosso natal, o Baptismo, e para daí tirar consequências práticas: «reconhece, ó cristão, a tua dignidade; tornado participante da natureza divina, não regresses à antiga baixeza duma vida depravada; lembra-te de que Cabeça e de que Corpo és membro. Pelo Baptismo, tornaste-te templo do Espírito Santo» (S. Leão Magno, Homilia para o dia de Natal).

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 14

 

Monição: O Senhor ama de tal modo os homens que lhes dá o Seu próprio Filho para promover a paz. Por isso, glorificamos a Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens por Ele amados.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 15-20

15Quando os Anjos se afastaram dos pastores em direcção ao Céu, começaram estes a dizer uns aos outros: «Vamos a Belém, para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer». 16Para lá se dirigiram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria guardava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado.

 

A leitura mostra a reacção dos pastores perante o anúncio do nascimento de Jesus que bem pode marcar a atitude do cristão ao tomar consciência do Natal de Jesus: a decisão (tão presente nos nossos vilancetes), de ir a Belém, apressadamente, sem delongas nem escusas ao encontro pessoal com Jesus, Maria e José

18 Os «pastores» contaram as maravilhas daquela noite, mas os conterrâneos não os deveriam tomar muito a sério. Como poderia o Messias revelar-se a gente tão miserável, mal conceituada e tida por pecadora?

19 «Maria» ensina-nos a viver o mistério do Natal no recolhimento, ponderação e intimidade com Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

Os pobres são os primeiros a ser chamados

Para dar a conhecer a Salvação

Os pobres são os primeiros a ser chamados

Após o anúncio do Anjo, os pastores rapidamente se dirigem a Belém. A mensagem recebida convida-os a porem-se a caminho. E eles não hesitam. Os mais pobres de entre todos os homens são os primeiros a escutar e a acolher a mensagem de Natal.

Os sábios, os instruídos e ricos deste mundo dedicam todo o seu tempo às suas próprias coisas. Não têm tempo para os outros, por se encontrarem demasiado ocupados consigo mesmos. O próximo, os pobres, Deus, não têm espaço nas suas vidas, para que os outros a penetrem.

Aqueles que acolhem o nascimento de Jesus, que começa naquele pobre curral, e se deixam atrair pelo amor de Cristo vêem a sua luz e procuram com toda a alegria transmiti-la aos outros. Assim o fazem os pastores e glorificam a Deus por terem recebido tal anúncio e poderem dar a conhecer a Salvação.

Para dar a conhecer a Salvação

São eles que iniciam a participação daquilo que lhes tinha sido anunciado: a Salvação para todos os homens. É precisamente a partir deste pequeno estábulo que Jesus edifica a nova comunidade, que os Anjos cantam na hora do seu nascimento: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por Ele amados». Isto significa que todos aqueles que entregam a sua vontade à d’Ele, se tornam homens de Deus, homens novos e mundo novo.

Assim, neste dealbar do dia, o Senhor convida-nos a pormo-nos a caminho, a sairmos dos nossos desejos e interesses, a fim de ir ao Seu encontro adorando-O e glorificando-O, anunciando a Salvação e a paz para todos os homens. A pormo-nos ao serviço de quantos vivem marginalizados e nos quais Ele nos espera.

Tenho a consciência daquilo que o nascimento de Jesus exige de mim? Será que tenho tempo para o próximo que necessita da minha palavra, do meu afecto? Para o doente que precisa de ajuda? Para o refugiado que procura asilo? Para o desempregado que procura trabalho que lhe garanta o mínimo para o seu sustento? Tenho tempo para Deus? Deixo-o entrar na minha vida ou apenas me preocupo neste dia com os meus pensamentos, os meus anseios, a minha ocupação ou distracção e não encontro espaço para alojar o Deus Menino no meu coração?

Que o exemplo da vigilância e alegria dos pastores, o amor demonstrado por Maria e a fidelidade de S. José nos estimulem a recebê-l’O e a podermos “chamar-nos e sermos realmente filhos de Deus”; homens e mulheres que vêem a Sua luz e a transmitem com alegria a todos aqueles com quem contactam no seu dia-a-dia.

 

 

Oração Universal

 

O Senhor continua a vir até nós

em forma de Palavra, de luz, de notícia.

Criemos espaço para O receber

e apresentemos-Lhe as nossas intenções,

dizendo (ou cantando):

 

Senhor, abri o nosso coração à vossa presença.

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que estejam atentos à presença de Jesus

nos irmãos mais carenciados,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelas nossas comunidades cristãs,

para saibam acolher com alegria

a vinda do Senhor Jesus,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos nós aqui presentes

para que, como os pastores,

saibamos glorificar e louvar a Deus

por tudo o que nos foi anunciado,

oremos, irmãos.

 

4.     Por todos os homens,

para que encontrem tempo suficiente

para se dedicarem a Deus e aos irmãos,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que renunciemos ao ódio,

à inveja, ao egoísmo e vivamos

o espírito de Natal todos os dias do ano,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Pai,

concedei-nos a graça de sabermos

anunciar com alegria

a presença de Jesus Cristo no meio de nós,

como Salvação e paz para todos os homens.

Ele que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Monição do ofertório

 

Que o pão e o vinho que levamos ao vosso altar sejam sinal da presença de todas as nossas intenções, anseios, carências e fragilidades. Que, com o poder da vossa infinita misericórdia, se transformem em graça de salvação para todos os necessitados.

 

Cântico do ofertório: Exultemos no Senhor, F. da Silva, NRMS 52

 

Oração sobre as oblatas: Sejam as nossas oferendas, Senhor, dignas do mistério do Natal que hoje celebramos; e assim como o vosso Filho feito homem Se manifestou como Deus, também estes frutos da terra nos tornem participantes dos dons divinos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Pelo mistério do Verbo encarnado, nova luz da vossa glória brilhou sobre nós, para que vendo a Deus com os nossos olhos, aprendamos a amar asa coisas invisíveis.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: M. Luis, NCT nº 297

 

Monição da Comunhão

 

Na comunhão que vamos receber saibamos fazer o acolhimento sincero e o renascimento de Jesus no nosso coração, a fim de que O possamos anunciar com toda a alegria, louvando e agradecendo o imenso amor de Deus por todos nós.

 

Cântico da Comunhão: Nasceu hoje, de Maria, J. Santos, NRMS 108

cf. Zac 9, 9

Antífona da comunhão: Alegra-te, filha de Sião. Exulta, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, o Santo de Israel, que vem salvar o mundo.

 

Cântico de acção de graças: Canta, povo de sião, F. dos Santos, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 47

 

Oração depois da comunhão: Ao celebrarmos com santa alegria o nascimento do vosso Filho, nós Vos pedimos, Senhor, a graça de conhecer este mistério com fé viva e de o viver com ardente caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ponhamo-nos a caminho neste Dia tão Santo do nascimento de Jesus. Saibamos atingir a humildade e o coração de Deus que por amor nos concedeu o Seu Filho. Que esta alegria nos toque profundamente e torne mais luminoso este nosso mundo tão necessitado de paz e serenidade.

 

Cântico final: Entrai, pastores, entrai, M. Faria, NRMS 4 (II)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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