Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Vigília

24 de Dezembro de 2011

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 24 de Dezembro, antes ou depois das Vésperas I do Natal.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Não demoreis, ó Salvador, M. Borda, NRMS 31

cf. Ex 16, 6-7

Antífona de entrada: Hoje sabereis que o Senhor vem salvar-nos. Amanhã vereis a sua glória.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Após vivermos com toda a intensidade o tempo do Advento do Messias Salvador, eis que com toda a alegria vamos celebrar a actualização do Seu nascimento no meio de nós.

Só entenderemos o Natal se fizermos silêncio dentro de nós, abrindo assim o coração a um Deus que se quer aproximar do nosso íntimo. A grandeza do coração de Deus manifesta-se na debilidade desta Criança.

Que esta comemoração nos aproxime da verdadeira Palavra e que, feita carne num humilde presépio de Belém, se torne para nós incarnação de fraternidade, solidariedade, justiça, liberdade e vida eterna.

Com verdadeiro arrependimento pelas vezes que temos esquecido o dever para com o próximo, peçamos perdão ao Senhor, a fim de vivermos o efectivo nascimento de Jesus como fogo que queime de amor o mais profundo do nosso coração.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que todos os anos nos alegrais com a esperança da salvação, concedei-nos a graça de vermos sem temor vir um dia como Juiz Aquele que em alegria recebemos como Redentor, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías proclama a vinda de um Salvador que transformará Jerusalém, cidade santa, em fonte de luz e salvação para todas as infidelidades dos homens para com Deus.

 

Isaías 62, 1-5

2Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis da terra a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta»; mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Neste trecho temos um belo canto à Jerusalém (Sião), que o Profeta anseia por ver renovada após a prova do exílio de Babilónia.

1 «A sua justiça», ao aparecer paralela a «a sua salvação» (1b) e a «a tua glória» (v. 2), vê-se que se trata duma justiça que visa mais a acção de Deus que salva e glorifica Jerusalém, do que o simples restabelecimento dos direitos espezinhados. Esta «justiça que desponta como a aurora» é o prenúncio e a figura da vinda de Jesus Cristo à terra, o «Sol da Justiça» (cf. Mal 3, 20). A Vulgata (já não assim a Neovulgata) tinha personificado (na linha da Septuaginta) esta «justiça» e esta «salvação», traduzindo por «justo» e «salvador» (iustus eius et salvator eius). Se o profeta, em primeira intenção, visa a restauração de Jerusalém após o exílio, a profecia tem o seu pleno cumprimento com a vinda do Messias.

4-5 «Abandonada»: Jerusalém, durante o exílio, é comparada a uma esposa abandonada. Este anúncio feliz tem um cumprimento imediato e imperfeito com o regresso do cativeiro de Babilónia, mas o seu pleno cumprimento dá-se na Igreja, a nova Jerusalém (cf. Apoc 21, 2), a fiel «Esposa» de Cristo, «santa e imaculada» (Ef 5, 27). «O teu Construtor te desposará»: a Neovulgata, contra o que seria de esperar, manteve a tradução da Vulgata: «os teus filhos te desposarão», mas não assim as traduções modernas em geral (apesar da pontuação massorética); a confusão deve-se a que as mesmas consoantes hebraicas de bnyk, podem traduzir-se das duas maneiras, conforme as vogais adoptadas; a tradução grega dos LXX optou pela versão que fazia mais sentido, «o teu construtor», na linha tradicional de apresentar Deus como esposo do seu povo.

 

Salmo Responsorial    Sl 88 (89), 4-5.16-17. 27 e 29

 

Monição: À semelhança do povo de Israel nós louvamos a Deus como Pai misericordioso e salvador.

 

Refrão:        Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A fidelidade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

«Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David, meu servo:

‘Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo, na sinagoga, reafirma o nascimento histórico de Jesus, descendente de David, salvador de Israel como afirma João Baptista, cumprimento da promessa de Deus e centro de toda a vida cristã.

 

Actos 13, 16-17.22-25

Naqueles dias, 16Paulo chegou a Antioquia da Pisídia. Uma vez em que ele estava na sinagoga, levantou-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e vós que temeis a Deus, escutai: 17O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos pais e fez deles um grande povo, quando viviam como estrangeiros na terra do Egipto. 22Depois, com seu braço poderoso, tirou-os de lá. Por fim, suscitou-lhes David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, Deus fez nascer, segundo a sua promessa, um Salvador, Jesus. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’».

 

Temos aqui um pequeno extracto do primeiro discurso de Paulo em Actos: uma breve síntese da história da salvação, que culmina em Jesus Cristo. Foi seleccionada a parte do texto que põe em evidência que, de acordo com as promessas de Deus, «Jesus, é o Salvador de Israel», sendo «da descendência de David» (v. 23); o último elo da corrente profética que prepara a sua vinda é João.

16 Os «tementes a Deus» eram os gentios simpatizantes do judaísmo, que aderiam ao seu monoteísmo e esperança messiânica; embora não se sujeitassem às práticas da lei judaica, frequentavam a liturgia sinagogal.

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Na antífona de aleluia professaremos a nossa fé no nascimento de Jesus, salvador de toda a humanidade.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e sol de justiça:

vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte.

 

 

Evangelho *

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa São Mateus 1, 1-25       Forma breve: São Mateus 1, 18-25

[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; 4Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naásson; Naásson gerou Sálmon; Sálmon gerou, de Raab, Booz; 5Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. 6David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, durante o desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; 4Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 17Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações].

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. 25E não a tinha conhecido, quando Ela deu à luz um filho, a quem ele pôs o nome de Jesus.

 

S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pela linha do esposo, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes. Pensa-se que isto obedece a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, ao ser reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é já aludida na genealogia, que precede imediatamente a leitura de hoje, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo não se diz que José gerou, mas: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16, à letra «da qual foi gerado – entenda-se, por Deus – Jesus»).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»), e aquilo que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julga não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela a esclarecer o assunto? Mas pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da concepção de Jesus, poderia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns gramáticos modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7, 14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. (...) Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...». S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade, o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexivo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz», em vez de: «quando Ela deu à luz». De qualquer modo, esta afirmação não significa que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera, como é o caso de Jo 9, 18.

 

Sugestões para a homilia

 

Passagem das dores e das angústias

Chegou a salvação prometida

Deus fez nascer Jesus, o Emanuel

 

Passagem das dores e das angústias

Conforme acabamos de ouvir proclamar no Evangelho, José, esposo de Maria, deixa de se debater com as dores e angústias que o atormentavam depois que lhe apareceu o anjo do Senhor. Como a Maria, o anjo comunica-lhe que o fruto gerado no ventre materno da Senhora é fruto do Espírito Santo e será o Messias desde sempre prometido.

José dá-se conta de que o que está a acontecer é obra de Deus e que nela se cumpriam as profecias que antes não conseguira compreender.

Sim, tinham passado as suas dores e angústias, esclarecera-se o problema de Maria; mas agora descobria que todo o sentido da sua vida tinha mudado. O humilde carpinteiro, o jovem simples, que até então havia sido, acabava de morrer. Nascia um novo homem com um destino profundíssimo.

Agora José descobre que embarcar na canoa de Deus é embrenhar-se na sua labareda e queimar-se por dentro.

Será que cada um de nós já tomou consciência de que celebrar o nascimento de Jesus também implica para nós embarcar na sua barca e viver segundo a Sua Palavra feita carne, para cumprimento da salvação prometida para toda a humanidade?

Chegou a salvação prometida

O anjo anuncia aquilo que Isaías profetizara muitos anos atrás, segundo lemos na primeira leitura desta vigília. De facto, Jesus trará ao homem aquilo de que ele mais necessita, o que só Deus pode dar, o máximo que Deus pode dar: a salvação para todas as infidelidades. Salvação, em primeiro lugar, para o seu povo, para Israel, mas extensível a todos os povos. O anjo, ao manifestar-se a José, concretiza em que consistirá essa salvação. Jesus não vinha travar directamente uma batalha contra a fome no mundo, nem contra a dominação romana. Vinha travar uma batalha contra todo o pecado que corrompe o interior do homem, sabendo, isso sim, que estariam incluídas também a luta contra a fome, a opressão, o egoísmo, a idolatria da inteligência. Vinha transformar o homem, sabendo que, quando o homem for melhor, será também mais feliz. Jesus é o Emanuel, o Deus connosco.

Deus fez nascer Jesus, o Emanuel

É esse Deus connosco que hoje celebramos. É o Jesus Menino feito carne pelo poder de Deus que veio para nos proporcionar a verdadeira liberdade. A adesão a este Menino tem de ser actualizada no interior do nosso coração e queimá-lo por dentro, não apenas nesta noite de cada ano. Não! O nosso compromisso cristão passa pela vivência de um verdadeiro Natal diário através do acolhimento da Palavra que se fez carne em Jesus; pela Sua escuta atenta e pelo modo como a pomos em prática no nosso dia-a-dia; manifestar-se no amor que dedicamos a cada um dos nossos irmãos mais necessitados, aqueles que por dificuldades na vida necessitam de atenção, de ajuda, de acolhimento, de escuta atenta e de muita compreensão no complexo emaranhado desta nossa existência sobre a terra. É essa realização destacada que o Senhor nos pede hoje e na nossa vida diária.

Celebrar o Natal é tomarmos consciência do amor universal e gratuito com que Deus nos ama e quer que nos amemos. Assim, saibamos viver com sinceridade e esperança esta Santa e feliz noite de Natal e, de igual modo, todos os dias, por mais difíceis que sejam, do ano que se avizinha.

 

 

Oração Universal

 

Nesta santa vigília recordamos

a vinda do libertador de toda a humanidade.

Acolhamo-l’O no calor do nosso coração

e oremos, dizendo:

 

Nós vos rogamos, Senhor, ouvi as nossas preces.

 

1.     Pela Igreja, constituída por todos nós,

 para que ame a Deus e celebre em alegre gratidão

o nascimento de Jesus Menino,

oremos, irmãos.

 

2.     Para que todas as nações acolham e promovam a paz

com a mensagem salvadora de Jesus,

oremos, irmãos.

 

3.    Para que o Senhor auxilie os oprimidos,

e nos leve a pensar nos carenciados da comunidade

a que pertencemos, para que também eles possuam

com que celebrar o Natal,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que todos os homens acolham

com fraternidade e compreensão

todos os irmãos com quem convivem

 e procurem que, ao longo do ano, também eles possam viver

como seres humanos e como filhos de Deus,

oremos, irmãos.

 

5.    Para que possamos encontrar a Jesus

nas coisas mais simples de cada dia,

e em qualquer pessoa frágil e sem defesa

que precise de ser por nós acolhida,

oremos, irmãos.

 

6.     Para que saibamos agradecer

a glória de Deus manifestada em Jesus

como Pai misericordioso

e louvar o Seu grande amor por todos nós,

oremos, irmãos.

 

Senhor,

atendei as nossas preces

e que o nascimento de Jesus suscite

em todos os homens sentimentos de solidariedade,

amor, justiça, liberdade e paz.

Isto vos pedimos por intermédio de Jesus Cristo,

Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito o que vem, J. Santos, NRMS 44

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, ao vosso povo a graça de celebrar com renovado fervor a vigília da grande solenidade, na qual nos revelais o princípio da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria: Reunidos na vossa presença.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus faz-se nosso irmão e lembra-nos a dignidade de filhos de Deus existente em nós e nos outros. Que essa dignidade se concretize no interior do nosso coração comungando o Seu Corpo e Sangue, realmente presente sobre este altar.

 

Cântico da Comunhão: Vem Senhor Jesus, vem salvar-nos, J. Santos, NRMS 64

cf. Is 40, 5

Antífona da comunhão: Brilhará a glória do Senhor e toda a terra verá a salvação de Deus.

 

Cântico de acção de graças: A minha alma louva o Senhor, M. Carneiro, NRMS 76

 

Oração depois da comunhão: Fortalecei, Senhor, os vossos fiéis na celebração do nascimento do vosso Filho Unigénito, que neste divino sacramento Se fez nossa comida e nossa bebida, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A celebração desta sagrada vigília do nascimento de Jesus nos ajude a viver com um coração renovado e cheio do fogo do Espírito do Senhor. Celebrar o Seu nascimento é pôr de lado ressentimentos. É ir ter com quem se não anda bem. É vencer o egoísmo e amar com um amor que é partilha, doação e serviço. Concretizemos na vida todos estes sentimentos e propósitos.

 

Cântico final: Anunciai com brados de alegria, Az. Oliveira, NRMS 58

 

 

Nas Missas celebradas no dia do Natal, utilizam-se os formulários a seguir indicados, podendo-se escolher os textos mais aptos de uma das três Missas, conforme for pastoralmente mais oportuno para cada assembleia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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