3º Domingo do Advento

11 de Dezembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Às vezes – nas horas em que temos mais dificuldades, pedimos e parece-nos que não somos atendidos – somos tentados a pensar que o Senhor Se esqueceu de nós.

Deus tem um projecto de felicidade, de vida diferente para cada um dos Seus filhos.

Queremos que este projecto se realize? Que temos de fazer para que isto nos aconteça?

O Advento é um tempo especial de graça, na medida da nossa fidelidade aos apelos do Senhor.

 

Acto penitencial

 

O reconhecimento dos nossos pecados e faltas de generosidade – com o consequente pedido de perdão – é um gesto pelo qual manifestamos ao Senhor a nossa boa vontade de receber os seus dons.

Imploremos a misericórdia e paciência do Senhor para connosco, pedindo perdão para as nossas faltas de cada dia.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para o nosso mau humor no trabalho, na família e no convívio

    que torna mais pesada a vida daqueles que a partilham connosco,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para o pessimismo com que encaramos as dificuldades da vida,

    como se não tivéssemos o Pai do Céu que vela por todos nós,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a nossa falta de esperança perante os defeitos e pecados,

    porque estamos a contar apenas com as nossas débeis forças,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías apresenta aos habitantes de Jerusalém – e a ada um de nós – a missão que será confiada ao redentor do mundo e, por Ele, a cada um de nós.

Nós que fomos ungidos pelo Espírito Santo, procuremos cumprir esta missão com generosidade.

 

 

Isaías 61, 1-2a.10-11

1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, 2aa promulgar o ano da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

 

O texto da leitura é tirado daquilo que poderíamos chamar o cerne do Terceiro Isaías (Is 60, 1 – 64, 11): no centro de Is 56 – 66 situa-se o anúncio da salvação para todas as nações a partir da nova Jerusalém (Sião) ideal (símbolo de uma nova ordem universal: cf. Apoc 21, 1 – 22, 5). E é em Is 61 que está o cume deste esplendoroso anúncio: o capítulo começa com os primeiros versículos que integram a leitura de hoje, em que aparece a falar, num denso monólogo, o mensageiro da boa nova libertadora. Por um lado, estes dois vv. têm grande afinidade com os poemas messiânicos do Servo de Yahwéh (cf. Is 49, 1-6 e 42, 1) e, por outro lado, o sentido profético destas palavras aparece realçado na parafraseada tradução aramaica (Targum), de que Jesus se teria servido na sinagoga de Nazaré. Com efeito, esta acrescentava no início deste texto: «Assim diz o profeta»; deste modo, o texto na boca de Jesus adquiria uma força surpreendente, ao pôr em evidência que Ele era o profeta-mensageiro de que falava Isaías – «hoje cumpriu-se esta Escritura…» (Lc 4, 21) – e o próprio Messias, isto é, o Ungido (Cristo) pelo Senhor.

«Anunciar a boa nova aos pobres». Estes pobres – em hebraico, anavim, um termo técnico do A. T. – não são propriamente os que sofrem de miséria material ou moral, mas os que vivem numa piedosa atitude de indigência e humildade diante de Deus, isto é, os que confiam na bondade e misericórdia de Deus e não nos seus próprios bens ou merecimentos. «Um ano de graça» encerra uma alusão ao ano sabático (cf. Ex 21, 2-11; Jer 34, 14; Ez 46, 17), ou antes ao ano jubilar, cada ano cinquenta, em que os escravos eram restituídos à liberdade e a propriedade regressava aos seus antigos donos (cf. Lv 25).

10-11 «Exulto de alegria»… O texto adapta-se bem ao tema tradicional da alegria para este «Domingo Gaudete». A alegria a que se refere – uma alegria comparável à dos noivos na sua festa nupcial e à do lavrador em face duma boa colheita – corresponde à maravilhosa restauração de Jerusalém; é a alegria messiânica, pois o horizonte do oráculo é claramente escatológico, isto é, o de uma intervenção de Deus em ordem à salvação definitiva. É, pois, coerente que a Liturgia veja nesta alegria a da Igreja pelo nascimento de Cristo.

 

Salmo Responsorial    Lc 1, 46-48.49-50.53-54 (R. Is 61, 10b)

 

Monição: Perante a grandeza da missão que o Senhor nos confia no fundo – semeadores de paz e de alegria – a Liturgia convida-nos a entoar o Magnificat – cântico de Nossa Senhora – em casa de Isabel – e a revestirmo-nos dos sentimentos da Mãe de Deus e nossa Mãe.

 

Refrão:        Exulto de alegria no Senhor.

Ou:               A minha alma exulta no Senhor.

 

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

 

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

 

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu-os de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo na Primeira carta aos fiéis de Tessalónica – e a todos nós –, ensina como se hão-de comportar para serem no mundo fermentos de esperança.

Pede-lhes que sejam uma comunidade “santa” e irrepreensível, isto é, que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito e aos desafios de Deus.

 

1 Tessalonicenses  5, 16-24

Irmãos: 16Vivei sempre alegres, 17orai sem cessar, 18dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. 19Não apagueis o Espírito, 20não desprezeis os dons proféticos; 21mas avaliai tudo, conservando o que for bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.

 

A leitura contém em parte recomendações finais da Carta. Entre os conselhos, S. Paulo insiste na alegria – «Vivei sempre alegres» – (v. 16), que é uma virtude profundamente cristã, consequência lógica da nossa condição de filhos de Deus. Daqui os apelos constantes do N. T. a viver a alegria: Filp 2, 18; 3, 1; 4, 4; 2 Cor 2, 11; 7, 4; Col 1, 24; Mt 5, 12; Jo 15, 11; 16, 22.24. 17, 13.

18 «É esta a vontade de Deus»: que estejamos sempre alegres, rezemos sem cessar e demos acções de graças sempre; e isto «em Cristo Jesus», pois a vontade de Deus comunicada a nós pela palavra e exemplos de Jesus torna-se coisa praticável mediante a obra redentora do Senhor que nos dá forças para tanto com a sua graça.

19-21 «Não apagueis o Espírito... mas avaliai tudo, conservando o que é bom». Há aqui uma referência aos dons carismáticos – atribuídos ao Espírito Santo –, dons concedidos aos fiéis para o bem espiritual dos outros, concretamente ao dom da profecia; mais do que para adivinhar, este servia para «edificar, exortar e consolar» (cf. 1 Cor 14, 1-15). Parece que esta exortação vai dirigida aos chefes da comunidade, para que não se oponham sistematicamente aos carismas suscitados por Deus nos fiéis, uma recomendação fortemente expressiva, pois o Espírito Santo é por excelência luz e fogo. Não é a Hierarquia quem programa a acção do Espírito Santo, «que sopra onde quer» (Jo 3, 8), mas ela tem a missão de avaliar e discernir a genuinidade dos carismas (cf. Lumen Gentium, n.º 12).

23 «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível». A totalidade do ser da pessoa a tornar-se santa é expressa segundo uma concepção tricotómica do ser humano, como sendo composto de três princípios, à maneira da filosofia grega, a saber, o espírito, ou o princípio superior de vida intelectual (nous, que Filon substituiu por pneuma, a mesma designação que também Paulo adoptou), a alma, ou o princípio de vida sensitiva (psykhê), e o corpo, o elemento puramente material (sôma). Não é de excluir que aqui S. Paulo se tenha servido do modelo antropológico grego tripartido, mas fá-lo sem se comprometer com este modelo, pois não é um filósofo especulativo; o que lhe importa é utilizar a linguagem corrente, para se fazer entender; é assim que ele utiliza diversos modelos antropológicos, gregos ou semíticos, ao correr da pena.

24 «É fiel Aquele que vos chama». Aqui está o firme garantia da perseverança na graça e na vocação cristã. S. Paulo, na linha da doutrina já revelada no A. T., insiste frequentemente na fidelidade divina: 1 Cor 1, 9; 10, 13; 2 Cor 1, 18; Filp 1, 6; 2 Tes 3, 3; 2 Tim 1, 12…

 

Aclamação ao Evangelho        Is 61, 1

 

Monição: Somos felizes pela vocação a que o Senhor nos chamou e pela missão que a Sua bondade infinita houve por bem confiar-nos.

Manifestemos a nossa gratidão, cantando.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 6-8.19-28

6Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» 20Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». 21Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?», «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». 22Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» 23Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». 24Entre os enviados havia fariseus 25que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: 27Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». 28Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

 

O texto evangélico é extraído das referências a João Baptista que aparecem no Prólogo do IV Evangelho e do início da narrativa joanina.

6-8 «Um homem… chamado João» O único João de que se fala no IV Evangelho é o Baptista, sem nunca contar a sua vida e pregação (como os Sinópticos: cf. Lc 3, 1-22 par.); apenas se refere o seu testemunho a favor de Jesus (1, 15.19-35; 3,27-30; 5,33), a fim de que todos acreditassem.

19-28 Nesta secção deixa-se ver o prestígio excepcional do Baptista e a sua humildade, bem como o ambiente de expectativa messiânica. É interessante notar como o IV Evangelho abre com o testemunho de João (Baptista), e termina com o do Evangelista (João), ambos apontando Cristo como o Cordeiro de Deus imolado: 19, 35-36.

A propósito de Elias, ver Mal 3, 23; Sir 48, 10-11; Mt 11, 14; 17, 19; e de o Profeta, ver Dt 18, 15; Jo 6, 14; Act 3, 22.

19 «Os judeus». S. João costuma designar assim os chefes judaicos, e geralmente com uma conotação de inimigos de Jesus. Isto explica-se por escrever para cristãos vindos da gentilidade e a muitos anos de distância dos acontecimentos (estamos perto do ano 100), por isso não implica anti-judaísmo. Os «levitas» pertencentes à tribo sacerdotal de Levi; eram os auxiliares dos sacerdotes, e não podiam oferecer os sacrifícios.

20 «Ele confessou a verdade e não negou. Confessou...» Esta insistência do Evangelista põe em evidência a hombridade e rectidão do Baptista, assim como a especial força do seu testemunho. É também de supor que esta insistência tenha por objectivo animar os fiéis a confessarem a sua fé em Cristo, apesar do furor das perseguições.

21 «Elias… o profeta». Segundo a crença popular, Elias, elevado ao céu sem morrer (cf. 2 Re 2, 11-12), deveria regressar no fim dos tempos: Mal 3, 23 (4, 5); Sir 48, 10; Mt 17, 10-13. Note-se que não perguntam a João se ele é um profeta, mas o profeta. Com efeito, os judeus esperavam um profeta distinto do Messias para introduzir os tempos messiânicos, apoiados em Dt 18, 15. Também a Regra da Comunidade, daquela época, achada nas grutas do Mar Morto, fala da chegada de um novo profeta que acompanhará os dois Messias esperados pelos essénios: um, sacerdote, da tribo de Levi, e outro, rei, da tribo de Judá.

26 «Eu baptizo em água». Baptizar era mergulhar na água. Tratava-se dum banho ritual que significava a purificação legal de alguma impureza prevista pela Torá escrita ou oral. Na época, existia também o baptismo dos prosélitos, para incorporar um gentio no judaísmo, e ainda o baptismo dos essénios, um rito de iniciação e purificação dos adeptos que entravam na seita de Qumrã. O baptismo de João não era um rito de incorporação ou de iniciação, mas de conversão interior; as palavras de exortação do Baptista e o reconhecimento público e humilde dos pecados dispunham o penitente para vir a receber a graça de Cristo, que já vivia entre o povo, mas que o povo não conhecia na sua qualidade de Messias. Os profetas tinham anunciado uma purificação com a água nos tempos messiânicos: Zac 13, 1; Jer 4, 14; Ez 36, 25; 37, 23. O baptismo de João dispunha para a limpeza da alma, mas o Baptismo de Jesus concede eficazmente o perdão dos pecados (cf. Mt 3, 11; Mc 1, 4). Dadas as circunstâncias da época, o simbolismo do rito de baptizar era então muito mais evidente do que nos nossos dias, mas a eficácia do Baptismo de Jesus só se pode captar pela fé.

28 «Em Betânia, além Jordão», em frente de Jericó, na margem esquerda do rio (cf. Jo 10, 39-40), é diferente da terra de Lázaro (cf. Jo 11, 1.18), a uns três quilómetros a leste de Jerusalém.

 

Sugestões para a homilia

 

• A missão de Jesus e a nossa

O Senhor confia-nos uma missão

Recebemos para dar

A quem ajudar

• Servir, fonte de alegria

Como servir. Ser uma voz

Fortaleza no testemunho

Testemunhar a esperança

 

1. A missão de Jesus e a nossa

A missão de Isaías, que é profeticamente a de Jesus e, unidos a Ele, a nossa, dá-nos a visão verdadeira que devemos ter da nossa vida na terra.

Muitos entendem-na como passar o tempo de qualquer maneira, procurando todas as oportunidades em que podem encontrar prazer dos sentidos, dinheiro para o proporcionar e poder que os engrandeça aos olhos dos seus semelhantes.

Totalmente oposta a esta é a visão que o Senhor nos dá da nossa existência terrena.

 

a) O Senhor confia-nos uma missão. «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu».

Ninguém está por acaso neste mundo. Cada pessoa que é chamada à vida pode não entrar nos planos dos pais, mas entra, com certeza, nos de Deus. O Senhor digna-Se contar com cada um de nós para realizar maravilhas no mundo, com a condição de que nos disponibilizemos a colaborar com Ele.

Também os doentes e os limitados em qualquer capacidade têm a sua missão em favor dos outros, porque fazemos parte de um corpo organizado. E no corpo, nenhum membro vive para si, mas para os outros. (A vida da beata Alexandrina – 45 anos de sofrimento, e desde os 18 até aos 51, imobilizada no leito, sofrendo a Paixão de Jesus misticamente todas as sextas-feiras, durante alguns anos, e caluniada, foi um precioso dom para toda a Igreja).

Temos necessidade de mudar a nossa visão da vida. Todos viemos ao mundo para servir, e nesta comunhão de serviço, nos prepararmos para a felicidade eterna.

 

b) Recebemos para dar. «O Senhor [...] me enviou».

Todos recebemos do Senhor muitos dons: a vida, a inteligência, as qualidades e aptidões, o ambiente cristão em que vivemos...

Toda a vocação se concretiza nisto: receber para dar aos outros, e não para felicidade ou glória próprias.

– O sacerdote não é ordenado para se promover social ou economicamente, mas para servir, no anúncio da Palavra, na Celebração da Eucaristia e na administração dos Sacramentos.

– Os casais são chamados a darem-se um ao outro e os dois aos filhos para, em última análise, se darem a Deus; 

– As pessoas consagradas, na oração, nas missões, ou em obras sociais, para ajudarem os mais carenciados;

– Os que recebem a vocação do celibato no mundo, não foram chamados para se dobrarem sobre si mesmos e fugirem às dificuldades da vida, mas para se darem aos mais necessitados: doentes, idosos e crianças.

Por que temos tantos problemas hoje, e continuamos a olhar para os outros (políticos, hierarquia da Igreja, etc.) como se deles nos viesse a solução?

 

c) A quem ajudar. «a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor

Na missão de Isaías concretizam-se aqueles que precisam da nossa ajuda.

Anunciar a Boa Nova aos pobres. A ignorância religiosa é o maior inimigo de Deus e do homem. Quando as pessoas perdem a referência de um Deus que é Pai e que há um conjunto de verdades para orientar a nos vida e de normas para viver, vivem desorientadas.

Assistimos hoje às consequências da ignorância religiosa as pessoas de todas as idades.

Curar os corações atribulados. Hoje há quem sofra muito, tanto física como moralmente. Todos os que dedicam aos doentes, por profissão ou voluntariado, cumprem esta missão. Precisa-se também de quem conforte e aconselhe os que não encontram rumo para as suas vidas. Recordamos as palavras de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que andais atribulados e Eu vos aliviarei».

Proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros. Libertar as pessoas que estão escravizadas pela droga, o álcool, a sensualidade, ou até problemas afectivos que não têm seguimento, é uma caridade urgente.

Promulgar o ano da graça do Senhor. É urgente ajudar as pessoas a recuperar, no Sacramento da Reconciliação e penitência, a graça, a alegria e a paz que perderam.

2. Servir, fonte de alegria

a) Como servir. «Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’».

• A primeira condição para bem podermos servir como Deus o quer é fazê-lo com humildade. Há modos de servir que humilham profundamente quem é servido: quando procedemos como quem dá uma esmola, ou encontra ocasião para manifestar a superioridade que julga possuir.

Para o fazer, temos de pôr de lado qualquer aparato para chamar a atenção. Jesus disse: «Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita

A um coração humilde todas as portas se abrem. Um “por favor”, “eu, no teu lugar, talvez procedesse deste modo ou daquele”, “compreendo muito bem as tuas dificuldades, e aqui estou para te ajudar, se o desejares”, são outras tantas formas de nos apresentarmos com humildade.

Quando pretendem julgar João Baptista mais do que é, ele responde com simplicidade: “Não sou!”

• O espírito de serviço pede-nos que vejamos na pessoa que servimos o mesmo Senhor. Ele mesmo no-lo disse: “O que fizestes ao mais pequenino destes foi a Mim que o fizestes.

• Procuremos ajudar as pessoas no que elas têm de mais urgente. Se não é possível chegar lá de uma só vez, pelo menos é a meta para onde caminhamos. Nesta linha de pensamento, nunca podemos esquecer que o mais urgente é a salvação eterna.

 

b) Fortaleza no testemunho. «Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: “Quem és tu?”»

(O Camaleão é um réptil conhecido por mudar a sua cor para se adaptar a um ambiente ou a uma situação. Esta estratégia o ajuda a se proteger de potenciais predadores e passar desapercebido por eles. Além desta característica, possui a capacidade de movimentar os dois olhos independentemente e também de enrolar a cauda para se agarrar. Por isso, sobe com facilidade em árvores e corre rápido no chão. É um bom mergulhador e também nada bem, podendo ficar submerso por longo tempo. Caso se sinta acossado, foge ou defende-se com dentadas e chicoteando com a cauda. De hábitos diurnos, costuma ao amanhecer colocar-se ao sol para caçar todo o tipo de insectos, como gafanhotos e outros artrópodes. O Camaleão alimenta-se de grandes quantidades de folhas verdes, e de frutos. Ingere também insectos.)

Para este animal, a capacidade de mudar de cor conforme o ambiente, é um recurso para melhor se disfarçar. O cristão nunca pode proceder como ele, adoptar o mimetismo como norma de comportamento, isto é, vestir a cor do ambiente no que pensamos, na linguagem, nas convicções.

Disse Jesus: «Quem me confessar diante dos homens, confessá-lo-ei diante de Meu Pai que está nos céus. Quem se envergonhar de Mim diante dos homens, envergonhar-Me-ei dele diante de Meu Pai que está nos céus

Esta cobardia dá pelo nome de respeito humano. É uma atitude que leva os católicos, para não passarem um mau bocado, a negar a Cristo.

João não se deixa levar por elogios descabidos feitos á sua pessoa, nem se diminui no papel que lhe foi confiado pelo Senhor. É “uma voz” que chama a atenção do mundo para a presença de Jesus no meio de nós.

 

c) Testemunhar a esperança. «Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias

O Evangelho apresenta-nos João Baptista, a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a “luz” do mundo. O objectivo de João não é centrar sobre si próprio o foco da atenção pública; ele está apenas interessado em levar os seus interlocutores a acolher e a “conhecer” Jesus, “aquele” que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para os homens.

Testemunharemos a esperança pela nossa alegria, apesar de suportarmos a mesma temperatura que os outros e enfrentarmos as mesmas dificuldades económicas, de saúde, de dificuldade em nos entendermos.

Perante o nosso optimismo e alegria, as pessoas hão-de interrogar-se: “Onde estará o segredo deste comportamento?” E, ao procurá-lo, encontrar-se-ão com Deus.

Na Celebração da Eucaristia, se avivarmos a nossa fé, ouviremos esta voz que nos chama ao optimismo e alegria permanente.

É preciso que as pessoas que nos aguardam em casa, no trabalho, à mesa do café, se apercebam de que estamos a chegar da Missa dominical.

Maria Santíssima, cheia de problemas, canta o Magnificat em casa de Isabel, porque confia no Senhor. Procuremos imitá-l’A.

 

Fala o Santo Padre

 

«A "proximidade" de Deus não é uma questão de espaço nem de tempo,

mas uma questão de amor: o amor avizinha!»

Este domingo, o terceiro do tempo do Advento, é chamado "Domingo gaudete", "alegrai-vos", porque a antífona de entrada da Santa Missa retoma uma expressão de São Paulo na Carta aos Filipenses que diz assim:  "Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito-vos:  alegrai-vos"! E acrescenta imediatamente a motivação:  "O Senhor está próximo!" (Fl 4, 4-5). Eis a razão da alegria. Mas o que significa "o Senhor está próximo"? Em que sentido temos que entender esta "proximidade" de Deus? O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Filipos, pensa evidentemente na vinda de Cristo, e convida-os a alegrar-se porque ela é uma certeza. Contudo, o próprio São Paulo, na sua Carta aos Tessalonicenses, adverte que ninguém pode conhecer o momento da vinda do Senhor (cf. 1 Ts 5, 1-2) e admoesta contra qualquer alarmismo, como se a vinda de Cristo fosse iminente (cf. 2 Ts 2, 1-2). Assim, já então, a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, compreendia sempre melhor que a "proximidade" de Deus não é uma questão de espaço nem de tempo, mas uma questão de amor: o amor avizinha! O próximo Natal recordar-nos-á esta verdade fundamental da nossa fé e, diante do Presépio, poderemos saborear a alegria cristã, contemplando no recém-nascido Jesus o rosto de Deus que por amor se fez próximo de nós.[…]

Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 14 de Dezembro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor, que nos ama e é o melhor dos pais,

chamou-nos à vida neste todos mundo e no outro

para que vivamos muito alegres e felizes,

muito embora levando a cruz de cada dia.

Confiados no Seu Amor infinito por nós,

peçamos-Lhe ajuda para viver com alegria.

Oremos (cantando):

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

    os caminhos da nossa vida!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

    para que nos ajude a difundir a fé, com alegria e optimismo,

    oremos, irmãos.

 

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

    os caminhos da nossa vida!

 

2. Pelos que perderam o sentido desta vida e desanimam,

    para que à luz da fé compreendam que Deus os ama,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

    os caminhos da nossa vida!

 

3. Pelas famílias que sofrem dificuldades de toda a ordem,

    para que o Pai do Céu as ajude e conforte na dor,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

    os caminhos da nossa vida!

 

4. Pelos doentes, desamparados e  incompreendidos,

    para que vejam no sofrimento um dom de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

    os caminhos da nossa vida!

 

5. Pelos casais que se encontram em perigo de rotura,

    para que saibam compreender, desculpar e perdoar,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

    os caminhos da nossa vida!

 

6. Pelos nossos irmãos defunto que são purificados,

    para o Senhor os faça comungar da alegria eterna,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, com alegria,

     os caminhos da nossa vida!

 

Senhor, que nos chamastes a esta vida presente,

para experimentarmos nela a comunhão e alegria

que será a nossa herança eterna no Paraíso:

ajudai-nos a viver com fidelidade no Vosso Amor,

para nos tornarmos dignos das Vossas promessas.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Como as multidões que escutavam João Baptista no deserto da Judeia, chamando a atenção para a aproximação de Jesus, também agora, depois de termos acolhido a Palavra de Deus, preparemo-nos para acolher o nosso Redentor sobre o altar da Celebração.

Transformará as nossas ofertas do pão e do vinho no Seu Corpo e Sangue. Preparemo-nos, com fé, para O receber e adorar.

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: F. Silva, NRMS99-100

 

Saudação da Paz

 

A paz com Deus, connosco e com os nossos irmãos é um dom que o Senhor nos oferece. Aceitemo-lo com agradecimento, perdoando e aceitando ser perdoados, exprimindo estes sentimentos pelo gesto litúrgico.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor não Se contentou em tornar-Se em tudo semelhante a nós, menos no pecado, pelo mistério da Incarnação.

Dá-Se-nos como Alimento Divino na Santíssima Eucaristia, fortalecendo-nos para caminharmos para o Céu.

Lancemos um último olhar à nossa consciência, para verificarmos se estamos em condições de O receber, e façamo-lo com fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: Povos que caminhais, J. Santos, NRMS 64

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos a verdadeira alegria na paz de consciência, para vivermos dignamente este Natal que se aproxima.

Levemos os nossos irmãos a reconciliar-se com Deus, para que também eles possam saborear a verdadeira alegria.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-XII: Cristo, luz do mundo.

Num 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

Eu vejo, mas não para já, e avisto, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro se ergue de Israel.

Balaão, inspirado pelo Espírito de Deus, anuncia o aparecimento de um Astro (Leit.), que é a estrela vista pelos Magos e que os conduziu até Jesus (CIC, 528).

Jesus é a luz do mundo, mas nem sempre é bem recebido: «Com que direito fazes tudo isto?» (Ev.). Mas Ele aproxima-se para dissipar as trevas, para reconduzir os pecadores ao caminho, para orientar os humildes na justiça, para guiar os pobres nos seus passos (S. Resp.).

 

3ª Feira, 13-XII: O reino de Deus aberto para todos.

Sof 3, 1-2. 9-13 / Mt 21, 28-32

Ai da cidade rebelde e impura! Não escutou nenhum apelo nem aceitou qualquer aviso. Não teve confiança no Senhor.

Deus lamenta-se, porque não é escutado nem têm confiança n’Ele (Leit.). Aconteceu o mesmo com os sacerdotes e anciãos do povo, que não deram crédito a João Baptista. Pelo contrário, os publicanos e as mulheres de má vida recebem o baptismo de penitência (Ev.).

O modo de bom acolhimento do Senhor é o que Jesus mostra na parábola: ouvir a sua palavra e procurar levá-la à prática: «para entrar no reino de Deus as palavras não bastam, exigem-se actos» (CIC, 546).

 

4ª Feira, 14-XII: Como obter bons frutos numa terra seca.

Is 45, 6-8. 18. 21-25 / Lc 7, 19-23

Ò céus, mandai o orvalho lá do alto, e as nuvens derramem a justiça, abra-se a terra, floresça a salvação.

A terra está seca, cheia de misérias e injustiças, não produz frutos bons (Leit.). Como resolver este problema? A profecia de Isaías é uma profecia claramente messiânica, tal como o Salmo: «Ó céus, dai-nos o justo, como orvalho» (S. Resp.).

O Senhor dará o que é bom: o orvalho, a justiça; e a nossa terra (cada um de nós) dará o seu fruto (S. Resp.). A vinda do Messias é um sinal de grande esperança, pela sua fertilidade: «Os cegos vêem, os coxos andam, os surdos ouvem e a Boa Nova é anunciada aos pobres» (Ev.).

 

5ª Feira, 15-XII: A mensagem de João Baptista.

Is 54, 1-10 / Lc 7, 24-30

Ainda que as montanhas se desloquem... o meu amor não te abandonará, a minha Aliança de paz não será abalada.

Deus faz uma promessa de fidelidade, estabelecendo connosco uma Aliança (Leit.). E, antes da sua vinda, envia-nos João Baptista, para preparar os seus caminhos.

A mensagem de João Baptista é um convite ao baptismo de penitência (Ev.), que uns receberam e outros rejeitaram. Procuremos abrir completamente as portas da nossa alma para a entrada do Senhor. Qual a penitência (conversão) que Ele espera de nós neste Advento: uma vida mais coerente com o Evangelho? Uma conduta mais exigente e forte, como a de João Baptista?

 

6ª Feira, 16-XII: O testemunho de João Baptista.

Is 56, 1-3. 6-8 / Jo 5, 33-36

João era a lâmpada que ardia e brilhava, e vós quisestes alegrar-vos um momento com a sua luz.

João Baptista, o último profeta antes da chegada de Cristo, foi uma lâmpada (Ev.), que iluminou os caminhos dos homens até à chegada da própria Luz. Foi ele que catequizou os primeiros discípulos e depois os orientou para Jesus: ajudou-os a chegar à casa de oração do Senhor (Leit.).

Como João Baptista todos temos uma missão semelhante: dar testemunho de Cristo, como lâmpada que brilha e ilumine os caminhos que a Ele conduzem, e dar testemunho da verdade (Ev.) a todos os que nos rodeiam e perguntam pelo Messias.

 

Sábado, 17-XII: O nome de Jesus.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

Jacob: O ceptro não há-de fugir a Judá… até que venha Aquele que lhe tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob anuncia aos seus filhos a vinda do Messias (Leit.). E na genealogia de Jesus Cristo, filho David e filho de Abraão, aparece o nome de Jacob no início (Ev.).

«Jesus, ‘Iavé salva’. O nome de Jesus contém tudo: Deus e o homem e toda a economia da salvação. Rezar ‘Jesus’ é invocá-lo, chamá-lo a nós» (CIC, 2666). Preparemo-nos para invocar o nome de Jesus, para que esteja sempre presente em todas as nossas acções e nos ajude a ultrapassar as dificuldades da nossa caminhada. Este nome está presente no centro das orações cristãs.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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