Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

8 de Dezembro de 2011

 

PADROEIRA DE MOÇAMBIQUE E PORTUGAL

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ditosa Virgem, cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

Is 61, 10

Antífona de entrada: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas jóias.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja dirige o seu olhar, na presente solenidade, para Aquela criatura escolhida por Deus para ser a Porta pela qual entra no Mundo a Redenção. Ela própria é a primeira redimida mesmo antes de vir a Terra o Redentor. É concebida Imaculada, sem contrair o pecado original, em previsão dos méritos do seu Filho, Jesus Cristo. No tempo de Advento, que estamos a percorrer, olhemos agradecidos, e admirados, para esta Porta que se abre na Terra para que venha o Céu até nós.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na leitura do livro do Génesis, que vamos escutar, o Espírito Santo nos transmite verdades que estão na origem da nossa situação terrena. Recordaremos o pecado dos nossos Primeiros Pais, e o amor de Deus por nos que permanece intacto apesar da nossa recusa. O Senhor promete um Salvador, e aparece já anunciada a presença da Mulher pela qual chegará ao Mundo o Redentor que vence o mal e o demónio

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. (...) O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. (...) A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72), 9; Is 49, 23; Miq 7, 17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Neovulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se quisesse designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

Salmo Responsorial    Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: No salmo que vamos rezar repetiremos “Cantai ao Senhor um cântico novo”; e de facto a maior “novidade” que aconteceu na Terra desde o início da Criação foi a concepção da criatura nova, Maria, que inaugura a Nova Criação da Humanidade redimida

 

 

Refrão:        Mostrai-nos o vosso amor

                e dai-nos a vossa salvação.

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Escutemos o que diz o Senhor:

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo recorda-nos o Projecto divino para o homem, que foi destruído pelo pecado dos nossos Primeiros Pais, e restaurado por Jesus Cristo e em Jesus Cristo, com a perfeita cooperação de Maria

 

Efésios 1, 3-6.11-12

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus; estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4; Rom 12, 1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8, 15-29; Gal 4, 5-7; 1 Jo 3, 1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.

A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20, 20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1 Pe 2, 5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos, demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7, 10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 28

 

Monição: Aclamemos o Evangelho com coração agradecido ante o mistério da Encarnação do Filho de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco;

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Sugestões para a homilia

 

A Imaculada Conceição de Maria, admirável obra divina

O Mistério da Imaculada Conceição e a santidade

Nossa Senhora Imaculada, exemplo e caminho para nós

 

A Imaculada Conceição de Maria, admirável obra divina

A Igreja desde tempo imemorial compreendeu que A Mãe de Cristo, a quem S. Gabriel designa como “Cheia de Graça”, deveria ser imune de todo pecado, mesmo o original. A dificuldade consistia em tornar compatível esta verdade com a necessidade da Redenção para todos os descendentes de Adão. A argumentação dos teólogos acabou por encontrar a luz que torna compatíveis as duas verdades. Compreenderam que Maria, de facto, não contraiu o pecado original e foi preservada por Deus, em previsão dos méritos futuros de Jesus Cristo. De este modo, também Nossa Senhora foi redimida. Assim como é possível salvar uma pessoa curando-lhe a ferida que recebeu; também é possível salva-la evitando que receba a ferida. Este segundo caso seria o exclusivo de Nossa Senhora. A formulação dogmática da verdade da Imaculada Conceição, só tomaria a sua forma definitiva no dia 8 de Dezembro de 1854, quando o Beato Pio IX proclamou este admirável dogma da fé católica com a Bula Ineffabilis Deus. A festividade já era celebrada no Oriente desde o século VIII e, um século depois, em muitos lugares do Ocidente.

O Beato João Paulo II dizia a 8 de Dezembro de 2004 “ No dia de hoje, contemplamos a humilde jovem de Nazaré, santa e imaculada na presença do Deus da caridade (cf. Ef 1, 4), aquela «caridade» que, na sua fonte originária, é o próprio Deus, uno e trino.

A Imaculada Conceição da Mãe do Redentor é uma obra sublime da Santíssima Trindade! Na Bula Ineffabilis Deus, Pio IX recorda que o Todo-Poderoso estabeleceu «com um só e único decreto a origem de Maria e a encarnação da Sabedoria divina» (Pii IX Pontificis Maximi Acta, Pars prima, pág. 559)”. Olhamos para esta “Obra sublime” e bem podemos dizer com o Salmista: “Isto foi obra do Senhor e é um prodígio aos nossos olhos” (Salmo 117, 3).

As obras de Deus caracterizam-se por que só Ele as pode realizar e pela sua grandeza e beleza maravilhosas.

A Imaculada Conceição de Nossa Senhora, é obra exclusiva de Deus porque reúne as duas condições: Só Deus pode perdoar o pecado e outorgar a graça; e representa a admirável beleza do triunfo do bem sobre o mal e o mistério da mais sublime santidade.

Olhando para a Virgem Imaculada compreendemos bem o sentido de uma pequena história de que tive conhecimento. Contava um cónego da Basílica de S Pedro, o Con. Eusticio Fognani, que quando ele era pároco em San Lorenzo in Lucina, igreja situada no centro de Roma, por volta do ano 1945-46, depois da II Guerra Mundial; uma pedinte foi ter com ele para lhe encarregar que celebrasse uma Missa. A mulher, quis oferecer um donativo, e tirou dum saquinho muitas moedas, bastantes de ouro, das que eram usadas em Itália antes do conflito bélico, e as entregou ao padre. O Senhor pároco ficou surpreendido pela generosidade da mendiga, e perguntou-lhe qual era a intenção que desejava para a Missa: por um familiar defunto, pela sua mãe, etc. A resposta da mulher foi: "Voglio ringraziare Dio per aver fatto cosí bella la Madonna"( quero dar graças a Deus por ter feito tão formosa Nossa Senhora). Aquela pedinte tinha razão, e ensina-nos a ser filhos agradecidos.

O Mistério da Imaculada Conceição e a santidade

A santidade, ensina São Tomas, está composta de dois elementos ou dimensões: um elemento negativo que consiste no afastamento do pecado que é o único mal; e o elemento positivo que é a aproximação de Deus, sumo Bem. O elemento negativo é uma condição necessária; mas a santidade, propriamente dita, consiste na união com Deus. As duas dimensões são efeito da graça santificante, que apaga os pecados, e sobrenaturaliza o homem fazendo-o participar da Vida divina.

No mistério da Imaculada Conceição de Maria realiza-se, numa criatura, a maior santidade possível. Em primeiro lugar, esteve tão afastada do pecado que nem sequer contraiu o pecado original, nem algumas das suas consequências. Como diz um conhecido autor espiritual, “Ela é a mulher de que fala o Génesis na primeira Leitura da Missa. Depois do pecado original, Deus disse à serpente: Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a dela. Maria é a nova Eva, de quem nascerá uma nova linhagem, que é a Igreja. Em virtude dessa escolha, a Santíssima Virgem recebeu uma plenitude de graça maior do que a que se concedeu a todos os anjos e santos juntos; encontra-se numa posição singular e única entre Deus e as criaturas (…) Esta preservação do pecado em Nossa Senhora é, em primeiro lugar, plenitude de graça totalmente singular e qualificada; a graça em Maria – ensinam os teólogos – suplantou a natureza. NEla tudo voltou a ter o seu sentido primigênio e a perfeita harmonia querida por Deus. O dom pelo qual esteve isenta de toda a mancha foi-lhe concedido como preservação de algo que não se contrai. Livre de todo o pecado actual, não teve nenhuma imperfeição – nem moral nem natural –, não teve nenhuma inclinação desordenada nem pôde ser assaltada por verdadeiras tentações internas; não teve paixões descontroladas; não sofreu os efeitos da concupiscência. Jamais esteve sujeita ao demónio em coisa alguma”. (Francisco Fernandez Carvajal “Falar com Deus”, vol.VII, nº54).

A união com Deus de Maria é tal, que até fisicamente, como acontece com todas as mães, o seu coração, durante a gravidez, foi, por algum tempo, o coração do Filho de Deus, pois antes de desenvolver-se o coração do filho o da mãe é o único para os dois seres. Mas maior ainda é a sua união com Deus pela graça recebida na sua concepção. Desde o primeiro instante da sua existência Deus a tornou “Cheia de graça”, que é o mesmo que plena de santidade.

Quanto nos deve consolar saber que a santidade de Nossa Senhora, e todas as graças que de Deus recebeu, são, podemos dizer, para nós. Porque é Mãe de Deus e Imaculada para que nos sejamos redimidos.

Pode ajudar-nos ter presente o que quis plasmar um bom artista contemporâneo numa das suas obras. Pediram-lhe para esculpir uma imagem da Imaculada Conceição para um centro de reabilitação de tóxico-dependentes. Em lugar da imagem tradicional que esmaga com o seu pé a serpente, fê-la a esmagar, com os pés, diferentes objectos que simbolizam essa e outras pragas sociais. Com a ajuda de Nossa Senhora Imaculada, podemos vencer todos os pecados e alcançar a santidade.

Nossa Senhora Imaculada, exemplo e caminho para nós

O Apóstolo João nunca esqueceria as palavras pronunciadas por Jesus desde a Cruz, e referidas a Nossa Senhora: “Eis a tua mãe”. O Senhor continua a dizer-nos as mesmas palavras a todos nós, para que olhemos continuamente para Maria e para que, como João, A recebamos como Mãe.

Todos os gestos e palavras de Nossa Senhora são exemplo para nós e luz que ilumina a nossa vida. Quanto nos alegra e estimula contemplar Nossa Mãe Imaculada, tão pura, tão bela e tão santa e, ao mesmo tempo, tão humana, tão compreensiva e tão carinhosa. Só com olhar para Ela já sentimos desejos de ser santos, de nos purificar, de amar mais a Deus.

Contemplamos Nossa Senhora quando olhamos para as suai imagens (sempre devemos ter uma por perto, como os bons filhos), quando rezamos orações, quando pensamos Nela ou conversamos com Ela, quando beijamos o terço ou uma medalha ou imagem, quando lhe oferecemos uma flor, um sacrifício, etc.

A nossa devoção e as nossas devoções marianas nos permitem ir pela vida agarrados, como as crianças pela mão da mãe, e costuma-se dizer “cum sanctis sanctus eris”, se convives com pessoas santas tornar-te-ás santo.

A presença procurada de Nossa Senhora é uma defesa contra as tentações semelhante às antigas armaduras dos soldados medievais e cria na alma um verdadeiro e profundo aborrecimento ao pecado. Nós não somos imaculados mas estando com Maria, vamo-nos tornando “imaculados”, purificados.

Essa purificação cria na alma, uma maior sensibilidade para as coisas de Deus. A alma sente-se atraída para uma união cada vez mais perfeita e experimenta um maior desejo de Deus.

Compreendemos que os teólogos costumem identificar a sincera devoção filial a Maria como um sinal de predestinação.

É conhecido o episódio da vida de S. João Maria Vianney, que recolhe Garrigou-Lagrange no seu livro “A vida eterna e a profundidade da alma”. Conta que uma mulher viúva entrou por primeira vez na igreja paroquial do santo e em quanto rezava banhada em lágrimas, S. João Maria aproximou-se de ela e, inspirado por Deus, disse-lhe: “Senhora, a vossa oração foi escutada. O vosso marido salvou-se”. A mulher olhou para ele sem conseguir articular palavra e o santo continuou: “Lembra-se de que o seu marido, um mês antes de morrer cortou a mais bela rosa do jardim disse «leva-a ao altar da Santíssima Virgem»…Ela não o esqueceu”. De facto a Nossa Senhora nada esquece dos pormenores de amor que temos para com Ela, e inunda de graças, alcançadas pela sua intercessão, as nossas almas para que sejamos santos.

Façamos hoje o propósito de cuidar com mais amor as nossas devoções marianas, e como o Bem-aventurado João Paulo II, procuremos ser “todo de Maria” e fazer tudo com Maria. Assim a nossa vida será uma contínua glorificação do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Fala o Santo Padre

 

 «Em Maria Imaculada nós contemplamos o reflexo

da Beleza que salva o mundo: a beleza de Deus.»

O mistério da Imaculada Conceição de Maria, que hoje celebramos solenemente, recorda-nos duas verdades fundamentais da nossa fé: antes de tudo, o pecado original e, depois, a vitória da graça de Cristo sobre ele, vitória que resplandece de modo sublime em Maria Santíssima. A existência do que a Igreja chama "pecado original", infelizmente é de uma evidência esmagadora, basta olharmos à nossa volta e, em primeiro lugar, dentro de nós. Com efeito, a experiência do mal é tão consistente que se impõe por si só e suscita em nós a pergunta: de onde provém? Especialmente para o crente a questão é ainda mais profunda: se Deus, que é Bondade absoluta, criou tudo, de onde vem o mal? As primeiras páginas da Bíblia (Gn 1-3) respondem exactamente a esta pergunta fundamental, que interpela todas as gerações humanas, com a narração da criação e da queda dos progenitores: Deus criou tudo para a existência, em particular criou o ser humano à sua imagem; não criou a morte, mas ela entrou no mundo por inveja do demónio (cf. Sb 1, 13-14; 2, 23-24), que ao revoltar-se contra Deus, atraiu para o engano também os homens, induzindo-os à rebelião. É o drama da liberdade, que Deus aceita até ao fim por amor, prometendo contudo que haverá um filho de mulher que esmagará a cabeça da antiga serpente (Gn 3, 15).

Por conseguinte, desde o princípio "o eterno conselho" como diria Dante tem um "termo fixo" (Paraíso, XXXIII, 3): a Mulher predestinada para ser mãe do Redentor, mãe d'Aquele que se humilhou até ao extremo para nos reconduzir à nossa originária dignidade. Esta Mulher, aos olhos de Deus, desde sempre tem um rosto e um nome: "cheia de graça" (Lc 1, 28), como foi chamada pelo Anjo que a visitou em Nazaré. É a nova Eva, esposa do novo Adão, destinada a ser mãe de todos os remidos. Assim escrevia Santo André de Creta: "A Theotókos Maria, o refúgio comum de todos os cristãos, foi a primeira a ser libertada da primitiva queda dos nossos progenitores" (Homilia IV sobre a Natividade, pg 97, 880 a). E a liturgia hodierna afirma que Deus "preparou uma digna morada para o seu Filho e, em previsão da sua morte, preservou-a de toda a mancha de pecado" (Oração da Colecta).

Caríssimos, em Maria Imaculada nós contemplamos o reflexo da Beleza que salva o mundo: a beleza de Deus que resplandece sobre a face de Cristo. Em Maria esta beleza é totalmente pura, humilde, livre de qualquer soberba e presunção.[…]

Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 8 de Dezembro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Confiantes por podermos contar sempre com Maria

em todas as dificuldades que surgem na nossa vida,

e de que Ela gosta que lhe falemos delas para nos socorrer,

lembremos-lhe, com a maior confiança o que nos preocupa.

Oremos (cantando) com toda a esperança:

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

1. Para que o Santo Padre, com os Bispos a ele unidos,

sinta o conforto e a coragem da sua protecção materna,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

2. Para que as mães de família encontrem na Imaculada

o modelo da sua entrega generosa à vocação maternal,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

3. Para que os cristãos, onde a Igreja é perseguida,

encontrem na fidelidade da Imaculada a sua força,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

4. Para que os jovens escolham Maria, a sempre jovem,

como perfeito modelo da sua caminhada na terra,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

5. Para que as associações marianas da santa Igreja

se entreguem com generosidade à sua missão,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

 

6. Para que as almas dos fiéis defuntos em purificação,

pela mediação da Imaculada entrem na Vida Eterna,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

 

 

Senhor, que nos destes em Maria Virgem Imaculada

a Mãe solícita e abnegada de todos os momentos:

ensinai-nos a ajudai-nos a tê-l’A sempre presente,

para que Ela nos conduza à glória eterna do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: Gloriosa Rainha do mundo, C. Silva, NRMS 75

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério de Maria e da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça, fosse a digna Mãe do vosso Filho. Nela destes início à santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada da graça e modelo de santidade.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Hoje, Maria pede-nos uma prenda especial: que sejamos construtores da paz, perdoando e aceitando que nos perdoem aqueles a quem temos ofendido.

Com estes sentimentos,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Deus fez Imaculada Nossa Senhora porque haveria de receber Jesus. Nós recebemos também Jesus na Sagrada Comunhão. Examinemos a nossa alma para ver se estamos em condições de comungar, e se estivermos, preparemo-nos com a ajuda de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Como é bela e formosa, M. Luís, NRMS 33-34

 

Antífona da comunhão: Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Maria, porque de vós nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Canta um cântico novo, J. dos Santos, NRMS 10 (II)

 

Oração depois da comunhão: O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Voltemos aos nossos afazeres acompanhados de Maria, para proclamar como Ela em casa de Isabel, que o Senhor fez em nós coisas maravilhosas, e dar a conhecer Jesus com o bom exemplo e as nossas palavras.

 

Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

 

6ª Feira, 9-XII: O segredo da felicidade.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Oh! Se tivesses atendido às minhas ordens, o teu bem-estar seria como um rio, e a tua prosperidade, como as ondas do mar!

O segredo da nossa felicidade está ligado ao modo como acolhemos a palavra de Deus (Leit.). Mas infelizmente a situação referida pelo Senhor repete-se: Não fazer caso do que disseram João Baptista e o próprio Cristo (Ev.).

Preparemo-nos para acolher muito bem o Senhor, que é a própria Palavra de Deus. Aceitemos cada vez melhor os seus ensinamentos (CIC, 2086), tenhamos uma grande fé e plena confiança nos seus mandatos. E não sigamos os conselhos dos ímpios nem entremos pelos caminhos dos pecadores (S. Resp.).

 

Sábado, 10-XII: O fogo de Elias e o fogo do Messias.

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 10-13

Apareceu como um fogo o profeta Elias, e a palavra dele queimava como um facho ardente… Pela palavra do Senhor fez que o fogo descesse três vezes.

As Leituras recordam a figura do profeta Elias, que realizou grandes prodígios (Leit.), mas que foi mal recebido e maltratado (Ev.). O mesmo aconteceu como filho do Homem (Ev.).

Elias não só apareceu como um fogo (Leit.), como fez descer o fogo sobre o sacrifício do Monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo (CIC, 696). Jesus vem igualmente trazer fogo à terra, para que abandonemos a nossa vida tíbia, cheia de negligências e desleixos, e para que queime todas as impurezas do nosso coração.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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