1º Domingo do Advento

27 de Novembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, mostrai-nos o vosso rosto, Az. Oliveira, NRMS 56

Salmo 24,1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com o 1º Domingo do Advento, começamos hoje um novo Ano Litúrgico. Durante estas quatro semanas, os paramentos são de cor roxa, como chamada à penitência, ao trabalho intenso de preparação do Natal, e na Missa não se reza o Glória.

Ao longo de milhares de anos – simbolizados nas quatro semanas do Advento – Deus preparou a humanidade para a vinda do redentor prometido depois da queda dos nossos primeiros pais.

Foi-nos dando, pelos profetas, sinais para reconhecermos o Senhor quando Ele vier:

• O Senhor virá, porque Deus nunca falta às Suas promessas.

• Será descendente do Povo de Deus, fundado por Abraão, pai dos crentes e será descendente do rei David.

• Nascerá de Maria sempre Virgem.

• Nascerá em Belém, terra natal de David.

Celebramos, pois, a iniciativa do Senhor para a nossa Redenção, libertando-nos da escravidão da serpente infernal, restituindo-nos a graça de Deus e a filiação divina que nos fora roubada e abrindo-nos as portas do Céu. Caminhamos para o Natal do Senhor e para ele nos queremos preparar.

Queremos de facto, ser libertados, ou estamos contentes com a situação em que o pecado dos nossos primeiros pais nos deixou?

 

Acto penitencial

 

Como desejamos viver este Advento, que pode ser o último da nossa vida? Que defeitos sentimos a necessidade de corrigir e pecados a evitar?

Peçamos ao Senhor que nos ajude a vencer a rotina e o sono que nos impedem de ouvir os Seus apelos de Pai.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías, profeta dos tempos de Babilónia, dirige um apelo dramático ao Senhor, o Deus que é “pai” e “redentor”, para que venha mais uma vez ao encontro de Israel e o liberte do pecado, recriando um Povo de coração novo. Ele confia que Deus é. Por essência, amor e misericórdia.

 

Isaías 63, 16b-17.19b; 64, 2b-7

13bVós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome. 17Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança. 19bOh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! 2bMas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. 3Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. 4Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos. Estais indignado contra nós, porque pecámos e há muito que somos rebeldes, mas seremos salvos. 5Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. 6Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. 7Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos.

 

O texto desta leitura, tirado do Terceiro Isaías (Is 56 – 66), é um veemente e comovente apelo à misericórdia de Deus, de grande afinidade com alguns Salmos, e também um hino ao seu amor de Pai.

16b «Nosso Pai». Já no A. T. Deus é designado Pai, mas é no N. T. que se revela o sentido profundo da sua paternidade e sobretudo a nossa condição de «filhos no Filho». «E nosso Redentor» (goél, em hebraico). A Deus é dado o mesmo nome que se dava ao parente mais próximo encarregado de defender a pessoa oprimida e necessitada: o goél tinha obrigação de resgatar quem caísse na escravidão, de resgatar uma propriedade, de vingar o sangue dum parente assassinado, e até de obviar à falta de filhos de uma viúva dum parente, casando com ela. Quando se designa a Deus Redentor (goél) de Israel, indica-se que Yahwéh é o responsável pela defesa do povo que elegeu para si. Chamar-lhe Redentor é apelar para a sua segura defesa e protecção.

19 «Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!» A Liturgia do Advento aplica este texto à vinda de Deus à terra no mistério da Incarnação: Jesus Cristo é o próprio Deus que vem resgatar-nos do pecado e da perdição eterna.

1-2a.5-6 «Pecámos». Os primeiros versículos do capítulo 64 são obscuros, traduzidos de diversos modos (a versão litúrgica atém-se basicamente ao texto oficial da Neovulgata). Uma ideia, porém, fica clara: o reconhecimento das culpas é o ponto de partida para o veemente apelo do Profeta à misericórdia divina. Também não se poderia exprimir com mais veemência a repugnante situação de impureza do pecador perante Deus: «as nossas acções justas eram todas como veste imunda» (a Vulgata traduz à letra o original hebraico bem expressivo e realista – «pannus menstruatæ» –, que, para não ferir a sensibilidade de algum leitor, a Neovulgata suavizou para «pannus inquinatus», «um trapo sujo»). A confissão humilde dos nossos pecados é também uma atitude básica para preparar o Natal, aliás este poderia ficar reduzido a um bonito folclore, mas vazio.

8 «Nós o barro...» Esta imagem tão frequente na Escritura (cf. Is 29, 16; 30, 14; 45, 9; Jer 18, 1-6; 19, 1-13; Sir 33, 13; Rom 9, 9-20-21) é muito expressiva, pois, por um lado, exprime a fragilidade do homem, por outro, o domínio total de Deus sobre nós. Pode-se tirar partido da imagem para falar da docilidade à acção do Espírito Santo na alma, a fim de que Deus possa moldar-nos segundo a imagem de Cristo, que quer «nascer» em nós.

 

Salmo Responsorial    Sl 79, 2ac e 3b, 15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: O salmista dirige-se a Deus, Pastor de Israel, em nome do Povo de Deus, devastado e oprimido. Efraím e Manassés eram filhos de José e as suas tribos representavam o Reino do Norte; a de Benjamim lembra Israel contemplado a partir de Jerusalém.

Fala-se de conversão, pedindo ao Senhor que restaure a antiga grandeza do Povo de Deus.

 

Refrão:        Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

                mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.

Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes;

e não mais nos apartaremos de Vós:

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, recorda como Deus Se faz presente na história e na vida de uma comunidade crente, através dos dons e carismas que gratuitamente derrama sobre o seu Povo. Sugere também aos crentes que se mantenham atentos e vigilantes, a fim de acolherem os dons de Deus.

 

1 Coríntios 1, 3-9

Irmãos: 3A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. 5Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo. 7De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 8Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. 9Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

S. Paulo, nas suas cartas, utiliza o formulário epistolar greco-romano. A leitura de hoje contém a segunda parte (vv. 3-9) do início (a præscriptio) da sua carta, deixando de parte os vv. 1-2 (o remetente, a superscriptio – «Paulo e Sóstenes», e os destinatários, a adscriptio: «à Igreja de Deus que está em Corinto…»). A nossa leitura começa no v. 3, com a saudação (salutatio). A saudação judaica era «a paz!» (a que muitas vezes acrescentavam «a bênção»; a sudação entre os gregos era «alegra-te!» khaire / khairein; entre os romanos era «tem saúde!, salutem). Paulo utiliza simultaneamente a saudação grega e a judaica, mas dando-lhes um novo sentido, o sentido cristão; assim não diz khairein (alegria), mas sim kháris (graça); e a sudação «paz» é especificada acrescentando «da parte de Deus… e do Senhor Jesus», pondo assim em evidência o dom gratuito da salvação que vem de Deus por Jesus. Como era corrente à saudação segue-se um agradecimento, mas aqui é «a Deus» que Paulo agradece os dons concedidos à comunidade de Corinto (vv. 4-7).

7-8 «Esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo». É a manifestação que corresponde ao «dia de Nosso Senhor Jesus Cristo», o dia da segunda e última vinda de Jesus, para o julgamento final de todos os homens (cf. Mt 25, 31-46). Em cada festa de Natal toda a Igreja recorda e revive a primeira vinda do Senhor e antecipa e prepara a sua segunda vinda (a parusía, assim chamada noutros lugares), ou manifestação [apokálypsis]. Pensa-se que S. Paulo, nalgum momento, poderia mesmo ter chegado a participar da esperança que havia entre os primeiros cristãos de uma vinda próxima de Jesus; com efeito, sendo estes conscientes de que em Jesus se dava o culminar da história da salvação, não podiam imaginar que Ele pudesse tardar a sua manifestação definitiva; com efeito, do plano teológico era fácil resvalar para o plano cronológico; mas isto nunca foi objecto propriamente do ensino apostólico.

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 84 (85), 8

 

Monição: O Senhor convida-nos, no Evangelho como discípulos de Jesus, a enfrentar a história com coragem, determinação e esperança, animados pela certeza de que “o Senhor vem”. Ensina, ainda, que esse tempo de espera deve ser um tempo de “vigilância” – isto é, um tempo de compromisso activo e efectivo com a construção do Reino.

Aclamemos o Evangelho que nos conforta com estas certezas, cantando Aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 13, 33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33«Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. 34Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; 36não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!»

 

O texto evangélico de hoje é o final do discurso escatológico de S. Marcos (Mc 13, 1-37), o Evangelista do ano B.

33 «Vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento». O momento em que Jesus «de novo há-de vir a julgar os vivos e os mortos» é-nos absolutamente desconhecido. Esta ignorância não nos deve assustar, mas sim estimular-nos a aproveitar bem o tempo, com sentido de urgência e a estar sempre preparados para comparecer diante do nosso Salvador, que aparecerá como Juiz remunerador; também aqui bem se aplica o célebre aforismo de «douta ignorância» (Sto. Agostinho). No seu Comentário ao Diatéssaron, 18, 15-17, Santo Efrém diz que o Senhor «quis ocultar-nos isto a fim de permanecermos vigilantes e para que cada um de nós possa pensar que este acontecimento se produzirá durante a sua vida. Ele disse muito claramente que há-de vir, mas sem precisar em que momento. E assim todas as gerações O esperam ardentemente». E a Liturgia do Advento desperta em nós esta atitude de espera ansiosa.

 

Sugestões para a homilia

 

• O Senhor virá

Um olhar para Senhor.

Um olhar para nós.

Uma súplica cheia de confiança

• Vigilância cristã

Desejo de acolher o Senhor

A vigilância, uma necessidade

Acolher o Senhor

O Senhor virá

a) Um olhar para Senhor. «Vós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome

Celebrar o Natal não é apenas fazer uma comemoração festiva, recordar um acontecimento agradável, mas torná-lo presente e real, pela Liturgia, de tal modo que possamos participar nele, como se vivêssemos nesse tempo.

Logo a seguir à queda dos nossos primeiros pais, perante a sua miséria extrema, Deus prometeu um Redentor.

Com sabedoria infinita, foi preparando as condições ideais para vinda do Filho de Deus ao mundo e expansão da Sua mensagem.

Quando Jesus nasceu, havia as condições reunidas:

– uma unidade de governo que facilitava viajar com relativa segurança por todo o mundo de então, para levar a Boa Nova. Roma estabelecera um só poder, garantido pelas Legiões Romanas.

– Uma linguagem comum. Quem falasse o grego comercial ou o latim, era facilmente entendido. Assim aconteceu com os Apóstolos e com o grande S. Paulo.

– Os hebreus – um pequeno resto – tinham deixado de sonhar com um Messias que fosse exclusivamente para eles.

– Os judeus estavam espalhados pelo mundo – por causa do comércio ou mesmo por sucessivas deportações – e tinham levado a todo o mundo a esperança na vinda do redentor. (O poeta romano Virgílio fala da chegada de uma idade de ouro).

– As pessoas estavam cansadas e desiludidas com as paixões, com os falsos deuses e a escravatura clamava por uma Mensagem que ensinasse a todas as pessoas que somos irmão.

Havia, pois uma grande expectativa pouco antes de Jesus vir ao mundo. A viagem dos reis magos é uma demonstração disso mesmo.

E nós? Queremos a sério que Jesus tome conta da nossa vida e que modifique o nosso comportamento? Ou parece-nos que não temos necessidade de mudar?

 

b) Um olhar para nós. «Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema

Aos poucos, as pessoas vão-se desiludindo da capacidade dos homens para construir um mundo melhor.

Escrevia António Aleixo: “Vós que lá do vosso império / Prometeis um mundo novo / Calai-vos, que pode o povo / Tomar a promessa a sério.”

Este mundo novo tem de ser construído por cada um de nós, de mãos dadas com o Senhor, pela conversão pessoal. O nosso Deus quer associar-nos à Sua vitória sobre o mal, com um pouco de esforço que façamos.

Há um cântico de Advento que nos ajuda a falar ao Senhor da nossa indigência e da necessidade que temos da Sua ajuda:

“Abri-vos depressa, ó céus, e as nuvens chovam o justo!”

“Não te irrites, Senhor, não Vos lembreis mais das minhas iniquidades. Eis que a cidade santa está deserta, Sião (a alma de cada um de nós) está desolada (sem boas obras).

A nossa vida devia ser um templo de santidade e é uma vida rotineira, tíbia, sem desejos de melhorar, de amar mais a Deus.

A melhor preparação para o natal é reconhecer que, de facto, temos muitas infidelidades e precisamos de mudar, com a ajuda de Deus.

Haverá alguém que não encontre pecados dentro de si? (O doente que, no hospital, já não sentia as picaduras das moscas, estava próximo da morte).

 

c) Uma súplica cheia de confiança. «Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança

A Liturgia da Igreja segue a pedagogia das mães: quando um filho não se alimenta, procura por todos os meios que o faça. Um dos recursos para recuperar o apetite é colocar à mesa uma pessoa junto de outros que comem.

A Igreja faz-nos escutar os suspiros e preces dos Patriarcas e Profetas do Antigo Testamento, que suspiram pela vinda do redentor, para nos ajudar a recuperar o desejo de Salvação em Jesus Cristo.

«O nosso texto apresenta em pano de fundo um Povo de coração endurecido, rebelde, indiferente, que há muito prescindiu de Deus e deixou de se preocupar em viver de forma coerente os compromissos assumidos no âmbito da Aliança. É um quadro que não difere significativamente daquilo que é a vida de tantos homens e mulheres dos nossos dias. Que lugar ocupa Deus na nossa vida? Que importância damos às suas propostas? As sugestões e os apelos de Deus têm algum impacto sério nas nossas opções e prioridades?» (Dehonianos).

Renovaremos esta súplica na oração deste Advento e acolheremos os apelos das leituras.

Vigilância cristã

a) Desejo de acolher o Senhor. «Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo

O Senhor oferece-nos na Igreja todos os mimos da Salvação, de tal modo que basta aceitar as Suas divinas ofertas.

A espiritualidade cristã fala-nos de três vindas de Cristo:

– A vinda histórica, que celebraremos no Natal. Ocorreu há dois mil e onze anos e nós tornamo-la presente e participamos nela pela Celebração do Natal.

– A vinda espiritual ou mística, pela nossa transformação em Jesus Cristo, corrigindo defeitos, emendando pecados e amando mais o Senhor com obras.

(Muitas pessoas preocupam-se apenas por fazer uma confissão rotineira o mais perto possível do Natal, para fazerem uma comunhão também rotineira. Em boa verdade, deviam preocupar-se em viver o Advento confessando-se e a comungar.).

A vinda escatológica, no fim dos tempos. Para nós, o encontro que vai definir a nossa eternidade será no momento da morte, quando formos julgados pelo Senhor e recebermos o prémio ou castigo eterno.

Estas três vindas estão unidas no mesmo objectivo: a conversão pessoal, a santificação.

 

b) A vigilância, uma necessidade. «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento.»

É uma recomendação muitas vezes repetida no Evangelho:

– na parábola dos talentos;

– no Evangelho do juízo final;

– na parábola das virgens prudentes e das virgens  e das néscias;

– na parábola do banquete do filho do rei.

– quando fala aos apóstolos sobre a ruína de Jerusalém e o fim do mundo.

«Em concreto, estar “vigilante” significa não viver de braços cruzados, fechado num mundo de alienação e de egoísmo, deixando que sejam os outros a tomar as decisões e a escolher os valores que devem governar a humanidade; significa não me demitir das minhas responsabilidades e da missão que Deus me confiou quando me chamou à existência…

Estar “vigilante” é ser uma voz activa e questionante no meio dos homens, levando-os a confrontarem-se com os valores do Evangelho; é lutar de forma decidida e corajosa contra a mentira, o egoísmo, a injustiça, tudo aquilo que rouba a vida e a felicidade a qualquer irmão que caminhe ao meu lado… Como me situo face a isto?»

 

c) Acolher o Senhor. «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento.»

O nosso desejo de Salvação manifesta-se sobretudo na aceitação da ajuda de Deus. Ele deixou-a na Igreja, para a recebermos em abundância.

Mas não podemos pensar apenas em nós. Recebemos dons e carismas que são para ajudarmos as outras pessoas. Ninguém é tão pobre que não possa dar uma ajuda a alguém.

«Qual o objectivo dos dons de Deus? Segundo Paulo, é “tornar firme nos crentes o testemunho de Cristo”. Os dons de Deus destinam-se a promover a fidelidade das pessoas e das comunidades ao Evangelho, de forma a que todos nos identifiquemos cada vez mais com Cristo. Os dons que Deus me concedeu destinam-se sempre a potenciar a minha fidelidade e a fidelidade dos meus irmãos às propostas de Jesus, ou servem, às vezes, para concretizar objectivos mais egoístas, como sejam a minha promoção pessoal ou a satisfação de certos interesses e anseios?» (Dehonianos).

Devemos estar atentos ao Senhor que vem ao nosso encontro, na pessoa dos que mais precisam.

É especialmente na Celebração da Santa Missa que o Senhor os acolhe, ensina, alimenta e nos faz arautos da sua mensagem junto das outras pessoas.

Maria acolhe o Senhor que vem salvar-nos, como nenhuma outra criatura. Medita os Patriarcas e os Profetas do AT e renova as suas preces, cantando salmos messiânicos.

Quando chega o momento da Anunciação, apenas porque saber com exactidão o que Deus quer d’Ela e, sem falsas humildades, acolhe o Senhor. A partir daqui, durante nove meses adora-o dentro de si e sonha com alegria com o dia de Natal.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada um, na hora que só Deus conhece,

será chamado a prestar contas da própria existência.»

Iniciamos hoje, com o primeiro Domingo do Advento, um novo Ano Litúrgico. Este facto convida-nos a reflectir sobre a dimensão do tempo. […] Todos dizemos que "nos falta o tempo", porque o ritmo da vida quotidiana tornou-se frenético para todos. Também a este propósito a Igreja tem uma "boa notícia" para dar:  Deus doa-nos o seu tempo. […] Sim: Deus doa-nos o seu tempo, porque entrou na história com a sua Palavra e com as suas obras de salvação, para a abrir ao eterno, para a tornar história da aliança. Nesta perspectiva, o tempo já é em si um sinal fundamental do amor de Deus:  um dom que o homem, como qualquer outra coisa, é capaz de valorizar ou, ao contrário, dissipar; de compreender no seu significado, ou descuidar com obtusa superficialidade. […]

O tempo litúrgico do Advento celebra a vinda de Deus[…]: primeiro convida-nos a despertar a expectativa da vinda gloriosa de Cristo; depois, aproximando-nos do Natal, chama-nos a acolher o Verbo que se fez homem para a nossa salvação. Mas o Senhor vem continuamente na nossa vida. Portanto, é oportuno como nunca o apelo de Jesus, que neste primeiro domingo nos é reproposto com vigor: "Vigiai!" (Mc 13, 33.35.37). Dirige-se aos discípulos, mas também "a todos", porque cada um, na hora que só Deus conhece, será chamado a prestar contas da própria existência. Isto exige um justo desapego dos bens terrenos, um arrependimento sincero dos próprios erros, uma caridade laboriosa em relação ao próximo e sobretudo uma entrega humilde e confiante nas mãos de Deus, nosso Pai terno e misericordioso. Ícone do Advento é a Virgem Maria, a Mãe de Jesus. Invoquemo-la para que ajude também nós a tornarmo-nos um prolongamento de humanidade para o Senhor que vem.

Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 30 de Novembro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste primeiro Domingo do Advento,

em que iniciamos a preparação para o Natal,

peçamos humildemente ao Pai do Céu

que nos conceda a graça de aproveitarmos

mais esta graça que Ele nos quer conceder.

Oremos (cantando), cheios de confiança filial:

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

1. Para que o Santo Padre, com o Colégio Apostólico, 

    anuncie, sem fadiga, a esperança da vida em Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

2. Para que todos saibamos viver este Advento

    de modo que nos leve ao encontro de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

3. Para que todos os pais e mães das famílias cristãs

    preparem os filhos para uma vida feliz para sempre,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

4. Para que todos nós estejamos sempre vigilantes,

    atentos a Jesus Cristo que passa em  nossas vidas,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

5. Para que os Pastores chamem à vigilância cristã

    tantas pessoas que não encontram sentido na vida,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

6. Para que o Senhor acolha nas Suas moradas eternas

    os nossos familiares e amigos que partiram desta vida,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Senhor! Por Vós esperamos!

 

Senhor, que nos mandais estar vigilantes,

na oração, trabalho e apostolado constante:

fortalecei a nossa vontade enfraquecida,

para que preparemos o Vosso nascimento

e assim tenhamos um mundo melhor

que nos ajude a caminhar para o Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Palavra de Deus despertou em nós a fome de que o Senhor venha ao nosso encontro para nos salvar.

Neste momento, a Liturgia recomenda-nos que estejamos vigilantes, para nos apercebermos da Sua vinda sacramental ao altar, pela conversão do pão e do vinho no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A saudação da paz não é uma ocasião para estreitar a mão dos amigos, mas, em realidade é um modo para dizer a quem está perto de nós que a paz de Cristo, presente realmente no altar, é também para todos os homens.

Com estes sentimentos,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Somente quem vive vigilante, guardando a graça de Deus como um tesouro, se pode aproximar da mesa da Eucaristia.

A nossa vigilância continuará, ensinando a verdadeira doutrina sobre a Eucaristia e ajudando as pessoas a comungar com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou, à porta chamo, F. da Silva, NRMS 22

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Não temas, povo de Deus, M. Borda, NRMS 56

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Preparemo-nos para ouvir muitas vezes, durante este Advento, o apelo que o Senhor nos dirige à conversão pessoal.

Levemos esta mensagem para a família, para o ambiente de trabalho e para todos os outros lugares em que nos encontrarmos.

 

Cântico final: O Senhor virá governar, F. da Silva, NRMS 7

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

Homilias Feriais

 

2ª Feira, 28-XI: Vamos com alegria para a casa do Senhor.

Is 2, 1-5 / Mt 8, 5-11

Vinde, pois! Subamos ao monte do Senhor, ao Templo do Deus de Jacob.

Todos os anos, no início do novo Ano Litúrgico, recebemos este convite para nos aproximarmos mais do Senhor (Leit.). Assim o fez também o centurião (Ev.).

O motivo que leva o centurião a aproximar-se do Senhor é a doença de um seu criado. Como todos somos pecadores, e sofremos de doenças na alma, queremos pedir-lhe que nos cure, pois para isso é que o Senhor vem à terra. E, além disso, precisamos de uma luz que nos ajude a caminhar neste mundo cheio de armadilhas: «Vinde, caminhemos à luz do Senhor» (Leit.).

 

3ª Feira, 29-XI: Com o Senhor haverá justiça e paz para sempre.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

Naquele dia sairá um ramo do tronco de Jessé, crescerá um rebento das suas raízes.

Com a vinda do Messias recebemos a promessa de um reino de justiça: «julgará os infelizes com justiça», e de paz: «não mais praticarão o mal nem a destruição» (Leit.). O Espírito Santo ajuda, tendo em conta a sua missão salvífica (CIC, 1286).

Para isso, precisamos viver a simplicidade: «Eu te bendigo, ó Pai, porque revelastes estas verdades aos pequeninos». E deixar-nos guiar pelo Espírito Santo (CIC, 1287), para que nos ilumine e deixemos de ser injustos para com Deus e para com o próximo, e deixemos de praticar o mal, por muito pequeno que nos pareça.

 

4ª Feira, 30-XI: S. André: Levar a Boa Nova até aos confins da Terra.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Vinde e segui-me e farei de vós pescadores de homens.

O Messias vem procurar instrumentos para a pregação da Boa Nova (Ev.). E um deles foi André, irmão de Simão Pedro, que, segundo a Tradição, chegou até à Grécia. O desejo do Messias constitui uma exigência para todos os baptizados: «A voz deles propagou-se a toda a Terra» (Leit.).

Como André não deixemos de expor a Boa Nova aos nossos familiares e amigos para despertar neles a fé no Messias vindouro: «a pregação faz-se expondo a palavra de Cristo» (Leit.), sobretudo através do bom exemplo de vida cristã.

 

5ª Feira, 1-XII: O melhor refúgio é o Senhor.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que é uma rocha eterna.

Durante o Advento somos convidados a confiar mais no Senhor do que ter confiança nos homens, do que fiar-se nos poderosos (S. Resp.).

Precisamos edificar a nossa vida sobre a rocha eterna, que é Cristo. Procuremos escutar ou ler as suas palavras e conselhos sobre os problemas que afectam diariamente o nosso trabalho, a nossa vida familiar, a construção de uma sociedade mais justa, etc. E, depois, procuremos incarnar esses conselhos, pondo-os em prática (Ev.) (CIC, 2826). Só assim o poderemos imitar e sermos igualmente uma ‘rocha’ para os que nos rodeiam.

 

6ª Feira, 2-XII: O Senhor é a minha luz e salvação.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Pois que se faça conforme a vossa fé. E os olhos deles abriram-se.

O Senhor é a Luz que dá a luz, que nos ilumina a todos. Com a sua vinda «os olhos dos cegos hão-de ver» (Leit.) (CIC, 439). Precisamos que o Senhor nos liberte da escuridão e das trevas, que inundam o mundo (CIC, 2088).

Peçamos ao Senhor que nos abra os olhos da fé para a luz divina, para vermos as pessoas e os acontecimentos como Ele os vê, por exemplo, a dor, o sofrimento, as contrariedades. Que Ele abra os nossos olhos para O descobrirmos igualmente naqueles que nos rodeiam, no trabalho e demais ocupações diárias.

 

Sábado, 3-XII: A felicidade e a esperança no Senhor

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35-10, 1. 6-8

Ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas

Jesus enche-se de compaixão por todas as nossas misérias e pelas carências do mundo (Ev. e Leit.). E traz-nos uma mensagem de esperança: «Felizes os que esperam no Senhor» (S. Resp.).

Ele promete que nos ouvirá e responderá aos nossos pedidos; exercerá a sua misericórdia e haverá uma grande fertilidade. Para isso, Ele e os seus discípulos hão-de proclamar a Boa Nova. E, como a seara é grande, é preciso pedir para que nunca faltem trabalhadores para a sua seara.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial