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A POESIA DO NATAL

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Porque será que nos apetece cantar ao Menino? E à sua Mãe bendita? E a S. José? E ouvir na alma o coro celestial dos Anjos? E pedir aos pastores que nos acompanhem com os seus vilancetes populares? Por uma razão muito simples e sublime: porque não nos aproximamos do tremendo Sinai, mas «do monte Sião, da Cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva, de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu, de Deus, Juiz do universo, dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição – e de Jesus, Mediador da Nova Aliança!»

É a nossa festa com Deus: finalmente juntos, depois de tão longa e dolorosa história! Ainda teremos de ver crescer o Menino, escutá-Lo e segui-Lo pelos caminhos da Palestina, até ao Calvário, para O vermos novamente e ouvi-Lo dizer-nos que é nosso Amigo e nunca mais se há-de separar de nós. E secarão de vez as nossas lágrimas. Como não havemos de cantar?

Poesia é a nossa expressão possível do mistério, mas este Mistério é tão belo e feliz, que só pode dar lugar a canções de uma leveza infantil, de roda e romaria campestre, de coração a bailar.

É nesta ocasião que melhor entendemos que o canto é um direito humano; mais do que uma arte de privilegiados. E é um direito, porque é um dever universal de gratidão e de felicidade. Quem não se alegra pelo Natal não merecia ser homem. Pois não se fez Homem Deus? Podia ser maior a nossa sorte?

Na igreja, cuidado, porque Sua Divina Majestade espera as nossas homenagens no altar e no sacrário. Nada de faltas de respeito. Mas lá fora e cá por dentro, cantemos à desgarrada como bem nos apetecer.

E podemos ter a certeza de que Nossa Senhora nos sorrirá, S. José se unirá às nossas vozes. Infantilidades? O primeiro Infante é Ele. E se nos entra o receio de ser humanos demais, lembremo-nos de que Deus nos criou à sua imagem, e portanto é humaníssimo, tão humano que não teve pejo em fazer-se Um de nós.

 

 

 

 


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