aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

 

 

FÁTIMA

 

PLANOS DA

CONFERÊNCIA EPISCOPAL

 

Os bispos vão reduzir a estrutura da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) através da eliminação de algumas das suas nove Comissões, anunciou no passado 15 de Julho o porta-voz, Pe. Manuel Morujão.

 

A CEP quer que as Comissões “possam ser mais eficazes” e “ágeis”, explicou o padre Manuel Morujão no final da reunião do Conselho Permanente da CEP, que decorreu no Santuário de Fátima.

O padre Manuel Morujão apontou a conclusão da remodelação para Novembro, mês em que se realiza a próxima Assembleia plenária do episcopado, na qual serão também eleitos os bispos responsáveis pelas comissões.

A estrutura da Conferência Episcopal inclui actualmente as Comissões da Educação Cristã, Pastoral Social, Laicado e Família, Vocações e Ministérios, Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais (três sectores reunidos num só departamento), Liturgia, Mobilidade Humana, Missões e, por fim, Doutrina da Fé e Ecumenismo.

O porta-voz confirmou que por Outubro vai ser realizada uma “sondagem ao povo português sobre como se situa perante a Igreja e que expectativas tem”.

A Universidade Católica Portuguesa ficará responsável pelo estudo, que pretende abarcar toda a população, independentemente das crenças religiosas.

O Conselho Permanente do episcopado é um órgão delegado da Assembleia dos bispos católicos, com funções de preparar os seus trabalhos e dar seguimento às suas resoluções, reunindo ordinariamente todos os meses.

A sua constituição actual é a seguinte: D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa (presidente da CEP); D. Manuel Clemente (vice-presidente), bispo do Porto; D. Jorge Ortiga (vogal), arcebispo de Braga; D. António Marto (vogal), bispo de Leiria-Fátima; D. Gilberto Canavarro Reis (vogal), bispo de Setúbal; D. António Francisco dos Santos (vogal), bispo de Aveiro; D. Manuel Quintas (vogal), bispo do Algarve.

 

 

BRAGANÇA

 

NOVO BISPO

 

O Santo Padre nomeou no passado dia 18 de Julho bispo de Bragança-Miranda o padre José Manuel Garcia Cordeiro, de 44 anos, pertencente ao clero da mesma diocese e actualmente reitor do Pontifício Colégio Português em Roma.

 

Sucede ao bispo D. António Montes Moreira, que apresentara ao Papa a renúncia ao cargo por ter completado 75 anos a 30 de Abril de 2010.

A ordenação episcopal do novo bispo e a sua tomada de posse está marcada para o domingo 2 de Outubro, na catedral de Bragança.

O Pe. José Manuel Cordeiro, o mais jovem elemento do episcopado português, nasceu em 1967 em Luanda (Angola), tendo vindo para Portugal em 1975 com a família.

Ordenado sacerdote para a diocese de Bragança-Miranda em 1991, foi pároco, formador no Seminário da diocese transmontana e capelão do Instituto Politécnico de Bragança.

De 1999 a 2001 frequentou o Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, em Roma, obtendo a licenciatura em Liturgia, disciplina em que se doutorou no ano de 2004, no mesmo Instituto. Vice-reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, entre 2001 e 2005, foi nomeado a seguir reitor do mesmo, cargo que ocupava até hoje.

Em 2004 iniciou a carreira docente no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo e em 2010 o Papa Bento XVI nomeou-o consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Tornou-se conhecido por várias vezes comentar as celebrações litúrgicas na TV.

O território da diocese de Bragança-Miranda pertenceu à arquidiocese de Braga até 1545, ano em que o Papa Paulo III criou a diocese de Miranda do Douro. Dois séculos mais tarde, o Papa Clemente XIV desmembrou a Diocese em duas: a de Miranda e a de Bragança.

A delimitação actual da diocese data de 1922, ano em que o Papa Pio XI criou a diocese de Vila Real; a diocese de Bragança-Miranda passou então a coincidir com os limites civis do distrito de Bragança.

 

O desafio fundamental da diocese de Bragança-Miranda deve ser a valorização dos sacramentos “como actos religiosos”, afirmou o prelado emérito, D. António Montes Moreira, ao conhecer-se a nomeação do seu sucessor.

O bispo salientou que “frequentemente os sacramentos são vistos mais numa perspectiva social do que religiosa”, fenómeno que se manifesta “nos crismas, nas comunhões e ainda mais nos casamentos”.

“Uma função permanente do bispo é chamar a atenção para que os cristãos valorizem o interior”, frisa D. António Montes, religioso franciscano que esteve à frente da diocese transmontana entre 2001 e 2011.

O prelado nascido no concelho de Vila Real diz que procurou “fazer alguma coisa” para melhorar aquela que no seu entender é “a dimensão pastoral mais importante” e que se constitui como “uma batalha permanente” para tornar os cristãos “mais autênticos”.

 

 

LISBOA

 

NOVO DIRECTOR

DO ISDC

 

O Cón. Doutor João Seabra, do Patriarcado de Lisboa, é o novo director do Instituto Superior de Direito Canónico (ISDC), da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

 

A posse do cargo foi conferida no passado dia 28 de Julho pelo Reitor da Universidade, Prof. Manuel Braga da Cruz.

O Cón. João Seabra, de 61 anos, era Promotor de justiça e Defensor do vínculo no Tribunal Patriarcal de Lisboa, cargo que acumulava com o de chefe do serviço dos Legados Pios da diocese.

Substitui no cargo o Pe. Prof. Saturino Gomes, primeiro Director do Centro de Estudos de Direito Canónico constituído em 1989 na UCP e depois Director do sucessivo Instituto Superior de Direito Canónico, quando este foi erigido em 2004. Até agora era a alma do Instituto e das suas actividades.

O ISDC tem por finalidades, entre outras, promover e cultivar a ciência do direito canónico mediante a investigação científica e docência universitária; editar publicações de reconhecido valor científico no âmbito do direito canónico, eclesiástico e concordatário; ministrar cursos académicos de Licenciatura e Pós-Graduação.

 

 

FÁTIMA

 

LITURGIA E ORAÇÃO

 

Terminou no passado 29 de Julho o 37.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, no qual quatro especialistas portugueses deixaram apelos em favor da valorização da dimensão comunitária nas celebrações da Igreja Católica.

 

O bispo nomeado de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, afirmou na sua intervenção que a liturgia “requer uma comunidade, um povo que se reúne”.

Para este consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, “a liturgia prolonga para cada comunidade celebrante, cada comunidade que se reúne para celebrar o mistério de Cristo, toda a história de salvação que Deus começou com o seu povo e que hoje continua na sua Igreja”.

O termo liturgia designa, de forma genérica, os vários momentos de culto da Igreja Católica, como a celebração da missa e dos sacramentos, a recitação do chamado ofício divino, bênçãos e outros.

O cónego Luís Manuel Pereira da Silva, do Patriarcado de Lisboa, falou da “liturgia como lugar por excelência da oração cristã”, enquanto celebração da morte e ressurreição de Jesus, um “acontecimento incontornável”.

“Quase que podemos dizer que a Igreja não tem outra coisa para celebrar, outra coisa que seja motivo da sua oração que não seja o mistério pascal”, referiu o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

O padre Pedro Lourenço, também do Patriarcado de Lisboa, alertou para o facto de a liturgia ter deixado de ser “alimento ou fonte de espiritualidade”, frisando que “a espiritualidade litúrgica não deve ser reduzida à dimensão subjectiva e intimista”.

“Sem anular as legítimas correntes de espiritualidade, como forma de concretização da piedade”, indicou, “a espiritualidade litúrgica há de ser o substrato comum a qualquer forma de vida cristã”.

Já o cónego João da Silva Peixoto, professor na UCP e membro do clero do Porto, frisou o “carácter orante da celebração litúrgica”, apontando o dedo aos “equívocos no conceito de participação” que prejudicaram essa dimensão.

Para o sacerdote, em causa estão, desde o final do II Concílio do Vaticano (1962-1965), que reformou a liturgia católica, “a confusão de papéis entre os vários participantes, induzida por um democratismo mal entendido” e “a redução do conceito de participação activa ao de participação externa, promovendo um activismo exterior como ideal da pastoral litúrgica”.

Este responsável lamentou ainda o “excesso de palavras” na Missa, apelando a uma prioridade à “ordem do agir”, que passa por “celebrar, sem didactismos deslocados, interferências ruidosas, na linguagem sábia do rito”.

Este Encontro Nacional, iniciado no dia 25, foi dedicado ao tema “Liturgia – A Igreja em oração”, tendo contado com 1100 inscritos.

 

 

AVEIRO

 

MARIÁPOLIS NACIONAL

DOS FOCOLARES

 

O Centro Cultural e de Congressos de Aveiro transformou-se de 30 de Julho a 2 de Agosto num autêntico fórum de “comunhão evangélica e vida comunitária”, com a realização de uma Mariápolis nacional, promovida pelo Movimento dos Focolares.

 

“O objectivo final desta iniciativa é difundir entre as pessoas a ideia de que é possível, em pleno século XXI, construirmos um mundo mais unido, a partir do Evangelho”, explica Mário Matos, um dos responsáveis pelo evento

Aberta a pessoas de todas as idades, profissões e condições sociais, a Mariápolis propôs aos participantes um novo estilo de vida, baseado no cumprimento da vontade de Deus e no amor ao próximo. Filosofia que, de acordo com o carisma focolarino, mais do que ser transmitida através de palestras e dissertações, deve ser vivida e transmitida no dia a dia.

“As pessoas precisam de testemunhos autênticos, e essa é uma das maneiras que temos utilizado desde o início do nosso Movimento, pegando também na Palavra de Deus como uma leitura actual, na resolução de problemas”, acrescenta Mário Matos.

Para além desta temática, a edição deste ano foi dedicada à discussão de matérias como o sofrimento, “de que forma é que podemos passar para além dele, apoiados no exemplo de Cristo na Cruz”; e “a importância de viver bem o tempo presente”.

Desde o início dos trabalhos, passaram pelo auditório aveirense cerca de mil crianças, jovens e adultos, que agora vão continuar a ser apoiados pelo Movimento, através dos seus grupos paroquiais e diocesanos.

O Movimento dos Focolares foi fundado pela italiana Chiara Lubich em 1943, na cidade de Trento, para se constituir como uma força de renovação espiritual e social no contexto da II Guerra Mundial.

Nos anos seguintes, o seu carisma estendeu-se um pouco por todo o mundo, com a aprovação da Santa Sé e o apoio das diversas religiões e organismos internacionais.

 

 

LAMEGO

 

BISPO APOIA REFERENDO

A FAVOR DA VIDA

 

O Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho, tornou público no dia 4 de Agosto o seu “apoio incondicional” ao grupo de cidadãos que procura recolher as assinaturas necessárias para um referendo sobre o aborto e a eutanásia.

 

“A Comissão pró referendo Vida está a promover um conjunto de iniciativas que visam promover a alteração da actual lei do aborto, vigente em Portugal. Por este meio, gostaria de manifestar a esta Comissão o meu apoio incondicional nesta iniciativa, pois a vida é um valor absoluto que é necessário defender”, escreve D. Jacinto Botelho, num comunicado publicado na página da diocese na Internet.

“O prelado associa-se, desta maneira, a uma iniciativa popular que procura lutar contra o flagelo do aborto no nosso país, através da alteração da actual lei, que fragiliza a protecção da vida humana desde a sua concepção”, assinala, por seu lado, uma nota do Gabinete de Imprensa diocesano.

O gesto de D. Jacinto Botelho procura “encorajar todos aqueles que, dentro e fora da Igreja, promovem, incansavelmente, iniciativas que visam a protecção dos mais débeis”.

“O seu apoio dirige-se, particularmente, a todos os leigos que se encontram na primeira linha de apoiar a vida, com iniciativas concretas e corajosas, que têm ajudado tantas mães a não dar o dramático passo de abortarem os seus filhos”, acrescenta a nota.

No último dia 29 de Julho, vários líderes religiosos cristãos, judaicos e muçulmanos começaram a receber uma carta a solicitar o seu apoio à recolha de assinaturas para um referendo que vise garantir a “inviolabilidade da vida humana” na legislação portuguesa.

“Concorda que a legislação portuguesa garanta a Inviolabilidade da Vida Humana, desde o momento da concepção até à morte natural?” – é a pergunta proposta pela Comissão pró referendo Vida.

Esta Comissão tem a seguinte constituição: Leonor Ribeiro e Castro, Maria das Dores Folque, Vera de Abreu Coelho, Carlos Fernandes, Luís Botelho, Luís Paiva, Miguel Lima, Rodrigo Castro.

 

 

FÁTIMA

 

BISPO DESTACA

DIREITO A EMIGRAR

 

O bispo de Santiago (Cabo Verde), D. Arlindo Furtado, sublinhou na Missa da peregrinação internacional de 13 de Agosto a necessidade de reconhecer o “direito a emigrar”, afirmando que cada pessoa “não precisa necessariamente de nascer, crescer, viver e morrer no mesmo lugar”.

 

“Deus criou o mundo para toda a humanidade e está inscrito em cada um de nós o desejo de nos transferirmos de um lugar para outro por múltiplas razões, quer de ordem pessoal, quer por vários outros motivos circunstanciais”, indicou D. Arlindo Furtado.

Na missa conclusiva da Peregrinação Internacional do Migrante e Refugiado, que o Santuário acolhe anualmente a 12 e 13 de Agosto, reunindo vários milhares de pessoas, o prelado rezou para que os responsáveis políticos, económicos e culturais “assumam cabalmente o seu papel na sociedade” e “ninguém jamais se sinta forçado a emigrar por causa da perseguição, da guerra e da pobreza extrema”.

O bispo cabo-verdiano acrescentou que “o grande fenómeno da globalização hoje em curso favorece essa mobilidade, graças às informações disponíveis, à consciência dos próprios direitos a uma vida melhor, à facilidade dos meios de transporte, à percepção do planeta como uma aldeia global, em que a interdependência e a mútua corresponsabilidade são traços característicos”.

“Todos nós sabemos pela história e pela experiência própria que, no encontro de pessoas de diversas proveniências, pelo cruzamento de povos de línguas e culturas diferentes, cria-se habitualmente uma interacção dinâmica e enriquecedora, num dar e receber recíprocos, valorizando-se uns e outros”, assinalou D. Arlindo Furtado.

O emigrante, prosseguiu, “deve sentir-se confiante e decididamente positivo na construção do processo da sua integração”, apesar das “dificuldades normais que o acompanham, especialmente nos períodos iniciais”.

Do mesmo modo, acrescentou, “aqueles que acolhem o emigrante na sua terra, devem ter a consciência do mundo global em que vivemos, do destino comum dos bens e de que, qualquer um, em qualquer momento, por um motivo qualquer, poderá igualmente ser emigrante”.

A Igreja Católica em Portugal celebrou de 6 a 14 de Agosto a 39ª Semana Nacional das Migrações, este ano especialmente dedicada à comunidade cabo-verdiana, numa iniciativa organizada sob o lema “Uma só Família Humana”.

Segundo o último Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a comunidade cabo-verdiana é a terceira “mais expressiva” entre a população estrangeira residente em Portugal, com 43 979 cidadãos residentes (9,98% do total).

 

 

LISBOA

 

PAPA ELOGIA PATRIARCA

 

O Papa Bento XVI dirigiu uma Carta a D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, por ocasião do Jubileu Sacerdotal. Esta Carta foi lida na Eucaristia celebrada na tarde do dia 15 de Agosto, Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, no Mosteiro dos Jerónimos, com a presença de mais de 2000 jovens que a diocese levava às Jornadas Mundiais da Juventude em Madrid. Eis o texto da carta:

 

Ao nosso Venerável Irmão

CARDEAL DA SANTA IGREJA ROMANA, JOSÉ DA CRUZ POLICARPO

Patriarca de Lisboa

 

Ao celebrar-se a Solenidade da Assunção ao Céu da Virgem Santa Maria, queremos, Venerável Irmão, segundo costume fraterno, dirigir-te a palavra. Ao mesmo tempo, desejamos estar contigo por este escrito, pelo qual mais claramente se evidencie aquele acontecimento singular, a saber: o dia do quinquagésimo aniversário da tua recepção do presbiterado. Tal facto insigne da tua vida apostólica deve ser honrosamente proclamado por muitos.

Já nos antigos anais se recorda muita coisa notável dessa cidade em que sobressaem os primeiros varões e testemunhas do preclaro nome cristão. É de facto conveniente divulgar os salutares costumes tradicionais e os exemplos a imitar. Incitado por eles, do modo que te foi próprio, compareceste um dia para receber a sagrada ordenação e os dons do Salvador que devem ser largamente partilhados.

Desde o momento em que o Nosso Antecessor, Venerável Servo de Deus Paulo VI, te quis Bispo Auxiliar de Lisboa, agiste com múltiplas forças para que esta comunidade fruísse de benefícios mais abundantes, e depois recebeste-a, primeiro como Coadjutor e mais tarde para a governares de pleno direito, pois o Beato João Paulo II julgou-te seres aí mais útil como dispensador das riquezas de Cristo e fiel ministro da Igreja.

Conhecemos bem, Venerável Irmão, terem sido estes anos distinguidos pela sólida doutrina, pelo conhecimento preciso da disciplina eclesiástica, pelo intenso labor na ilustre Sé de Lisboa. Nela começara a manifestar-se os recursos, largamente difundidos, das tuas virtudes sacerdotais e episcopais. Tais recursos foram também oportunamente transmitidos a todo o País, enquanto Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. Nem queremos omitir o que costumas fazer nos Dicastérios Romanos, relatado justamente no Colégio dos Cardeais.

Queremos que estejas persuadido de que desejamos que o teu pastoreio se realize com a honra conveniente, o que comprovamos publicamente, em toda a parte, com esta Nossa Carta. Tendo por isso chegado esta feliz recordação da tua ordenação sacerdotal, vivamente nos congratulamos contigo. Pedimos principalmente ao próprio Divino Pastor, que seja para ti remunerador generoso dos teus méritos e igualmente sustentáculo do teu trabalho. Nós na verdade, com o maior afecto e relação fraterna, damos-te em primeiro lugar a Ti, Venerável Irmão, a Bênção Apostólica e a estendemos para que seja comunicada a toda a tua comunidade.

Dada em Castelo Gandolfo, no dia 3 do mês de Agosto, no ano de 2011, sétimo do Nosso Pontificado.

Bento XVI, Papa

 

 

MADRID

 

ENCONTRO DOS JOVENS

COM OS BISPOS

 

O arcebispo de Évora, D. José Sanches Alves, afirmou que o encontro do passado dia 18 de Agosto em Madrid, entre mais de 10 mil jovens portugueses e 17 prelados do episcopado nacional, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, teve muita alegria e patriotismo.

 

D. José Alves declarou que Portugal esteve “muito presente e vivo”, e sublinhou que “a juventude portuguesa e cristã mostrou que tem fé e acredita no futuro”.

“Ao viver esta manhã senti-me muito entusiasmado e acompanhado pelos jovens de Portugal”, salientou o arcebispo, acrescentando que a juventude católica “não está desanimada, como alguns querem fazer crer”.

O bispo do Porto, por seu lado, recordou as palavras de João Paulo II, que em 1985 deu início à Jornada Mundial da Juventude, e ressaltou que a Igreja tem de “quase recomeçar o cristianismo” na Europa.

O “novo ardor” na evangelização referido pelo Papa polaco “não se ganha de maneira especulativa nem individual mas com outros [fiéis] que partilham e projectam a fé comum”, notou D. Manuel Clemente.

D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, considera que a fé dos participantes no maior evento católico juvenil a nível mundial vai ficar positivamente marcada: “Nos momentos difíceis que terão ao longo da vida vai ficar sempre esta recordação das Jornadas Mundiais da Juventude e de um ou outro aspecto que os tenha tocado”.

 

 

AVEIRO

 

ESCOLAS CATÓLICAS

CONSEGUIRAM MAIS FINANCIAMENTO

 

O presidente da Associação Portuguesa das Escolas Católicas (APEC) considera que o acordo alcançado entre o Governo e o “Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado”, “não é óptimo, mas é uma vantagem”, face às restrições anteriormente previstas.

 

Em entrevista concedida no dia 22 de Agosto à Agência ECCLESIA, o padre Querubim Silva destaca sobretudo a “subida de 80.080 para 85.288 euros” no valor a atribuir às turmas do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, para o ano lectivo de 2011/12, no âmbito dos contratos de associação com o Estado.

Através deste tipo de acordos de financiamento, os estabelecimentos de ensino particular dão resposta às necessidades educativas dos alunos em zonas carecidas de escolas públicas.

O protocolo anterior, mediado pela Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), previa uma queda de 90 mil para 80.080 euros, já a partir de Setembro deste ano.

“Por não se sentirem suficientemente representados pela AEEP nas negociações anteriores”, explica o sacerdote, “cerca de 30 escolas com contrato de associação reuniram-se, criando o Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado (MEPEC)”.

A suavização dos cortes, agora alcançada, só foi possível graças a uma “negociação persistente” da parte do MEPEC e a uma “atitude dialogante do Governo”.

“Sabemos que os constrangimentos orçamentais não foram traçados para 2011/2012 por este Governo, foram pelo anterior, e o que a actual Secretaria de Estado fez foi esticar até ao máximo possível o benefício para as escolas com contrato de associação”, sublinha.

 

Outra medida “benéfica”, para o actual director do Colégio Diocesano de Nossa Senhora da Apresentação, em Calvão, no concelho de Vagos, insere-se no âmbito do número de turmas abrangidas, em cada escola particular, pelos contratos de associação.

“A redução de turmas que era, para algumas escolas, a liquidação completa, ficou-se por metade”, assinala o padre Querubim Silva, que considera a medida “sensata”, tendo em conta que o estudo de rede pedido pelo anterior Governo, onde se defendia que a oferta pública era suficiente para as necessidades educativas, “foi seriamente contestado”.

Por outro lado, os cortes podem ser feitos só para o próximo ano lectivo, “o que permite às escolas absorver um primeiro impacto negativo, que é o da restrição de financiamento e preparar as coisas para o corte das turmas”, aponta.

O presidente da APEC espera agora que Governo e escolas possam continuar a trilhar um “caminho de serenidade”, já que “posições irredutíveis não resolvem questão nenhuma”.

 

 

VIANA DO CASTELO

 

PRIMEIRA UNIDADE

DE CUIDADOS CONTINUADOS

 

A primeira unidade de Cuidados Continuados do concelho de Viana do Castelo, com um total de 32 camas, abre até final do ano e é construída com o apoio de donativos semanais de um euro.

 

“Tem sido um apoio muito importante. Estamos a falar de pessoas que nos dão o que podem, um euro por semana, para ajudar a construir este espaço, mas é pena que os mais abastados não o façam também”, explicou o padre Manuel Fraga.

O presidente do Centro Paroquial Promoção Social Cultural de Darque diz tratar-se de um investimento de três milhões de euros que, “até ao final do ano, entrará em funcionamento”.

Além das 32 camas para cuidados continuados, o edifício, em fase final de conclusão na freguesia de Darque, vai disponibilizar outras 32 camas para lar de idosos e condições para apoiar ao domicílio cerca de 100 pessoas.

“A população tem ajudado muito, podemos agradecer bem, porque sabem que também podem vir a precisar deste equipamento”, garante o pároco, admitindo a criação de cerca de meia centena de postos de trabalho.

 

 

LISBOA

 

GOVERNO DEVIA

PROTEGER AS PESSOAS

 

O presidente da Caritas Portuguesa admitiu no passado 25 de Agosto que esperava uma acção mais efectiva da parte do Governo, no combate às situações de carência no país.

 

“Parece que tudo está voltado para responder às exigências da troika, em ordem ao pagamento da dívida externa. É importante cuidarmos esse compromisso, mas o Governo deve dar prioridade à protecção às pessoas, não carregá-las com mais austeridade”, sublinhou Eugénio Fonseca.

Aquele responsável realçou ainda que “até agora, se não fosse a sociedade civil, nas suas organizações, e a Igreja Católica porque tem sob a sua orientação o maior número de instituições em Portugal, a situação seria muito mais dramática”.

Críticas que surgiram no seguimento de uma análise ao primeiro ano de funcionamento do Fundo Social Solidário (FSS), criado pela Conferência Episcopal Portuguesa para “prestar ajudas de emergência a situações de maior gravidade”.

A partir da acção conjunta da Caritas Portuguesa, da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Sociedade São Vicente de Paulo e da Comissão Justiça e Paz dos Institutos Religiosos, foi possível canalizar cerca de 323 mil euros para a resolução de necessidades básicas de mais de 3 mil pessoas e 1300 famílias.

No entanto, para Eugénio Fonseca, estes esforços revelam-se uma gota no oceano, já que “só em 2010 registou-se uma subida de 30 a 40 por cento no número de novos pedidos de ajuda”.

“Temos a Segurança Social sem recursos para este tipo de apoios mais directos e portanto, tudo tem sido mais difícil”, realçou.

Há depois “casos que não têm muitas vezes a ver com falta de verbas, mas sim com burocracias incontornáveis, que complicam a solução dos problemas”, acrescentou.

Neste âmbito, uma das áreas mais difíceis de atender tem sido “o acolhimento a pessoas em situação de grande dependência, sobretudo na área da saúde mental”.

Segundo Eugénio Fonseca, “a crise tem vindo a acarretar dificuldades a muitas pessoas no campo psíquico, que têm dificuldades em aceitar a situação em que ficaram e facilmente caem na depressão”.

A Caritas Portuguesa arrancou mesmo com um “programa de inter-ajuda pessoal”, para que os mais atingidos possam fazer terapia de grupo, libertem tensões e busquem soluções para os seus problemas.

“Um dos saldos desta crise terá de ser uma mudança de vida e, ainda mais no caso concreto de Portugal, que vive mais das ajudas externas do que daquilo que é capaz de produzir”, concluiu.

 

 

ROMA

 

NOVA DIRECÇÃO DO

COLÉGIO PORTUGUÊS

 

O padre José Fernando Caldas Esteves é o novo reitor do Pontifício Colégio Português, enquanto o cargo de vice-reitor vai ser ocupado pelo padre Paulo José Sequeira Figueiró.

 

O novo responsável máximo da instituição, que até agora desempenhava a função de vice-reitor, tem 37 anos de idade e 13 de ordenação sacerdotal, pertencendo à diocese de Viana do Castelo.

O novo reitor substitui o padre José Manuel Garcia Cordeiro, nomeado bispo de Bragança-Miranda pelo Papa Bento XVI, a 18 de Julho.

O vice-reitor tem 33 anos de idade e 9 de padre, frequentando a Universidade Gregoriana, tendo sido dispensado de responsabilidades pastorais na diocese da Guarda, a que pertence, para ocupar o novo cargo.

O Colégio foi fundado em 1898 para alojar os padres enviados para Roma pelos seus bispos ou superiores, com o objectivo de aprofundarem os estudos nas várias áreas do saber humano e teológico.

A instituição pertence à Conferência Episcopal Portuguesa, mas depende também da Santa Sé: o seu reitor é nomeado pela Congregação para a Educação Católica, sob proposta dos bispos de Portugal, enquanto que o vice-reitor e outros responsáveis são designados pelo episcopado nacional com o conhecimento do Vaticano.

O Pontifício Colégio Português acolhe actualmente cerca de 40 sacerdotes de mais de uma dezena de países.

 

 

VILA NOVA DE GAIA

 

SEMANA DE

ESTUDOS GREGORIANOS

 

A Casa-Museu Teixeira Lopes transformou-se, na primeira semana de Setembro, num local privilegiado para estudantes e curiosos da música erudita, com a realização da 15ª Semana de Estudos Gregorianos.

 

Tratava-se de uma iniciativa organizada pelo Centro Ward de Lisboa – Júlia d'Almendra que tem como principal objectivo “contribuir para a preservação, estudo e difusão do Canto Gregoriano”, classificado pelo Papa Pio X como “supremo modelo da Música Sacra”.

Com o apoio da Fundação Conservatório Regional de Gaia e a participação de “especialistas portugueses e estrangeiros”, alunos vindos de todo o país tiveram a oportunidade de aperfeiçoar os seus conhecimentos.

Entre os diversos cursos que foram postos à disposição das pessoas, encontravam-se três níveis de canto gregoriano, do inicial ao especializado; módulos de “preparação de cantores e directores de coros litúrgicos; e aulas para “organistas profissionais nas vertentes de acompanhamento do canto litúrgico e repertório de concerto”.

Foram abertos também cursos de preparação musical e pedagógica, direccionados a educadores de infância, “com vista ao ensino da Música a crianças em idade pré-escolar e escolar”.

Os eventos que compõem esta 15ª Semana de Estudos Gregorianos são acolhidos por diversas entidades religiosas e educativas do concelho de Nova de Gaia. Entre eles, contam-se o Seminário Redentorista de Cristo-Rei, a Escola Secundária António Sérgio e a Igreja de São Cristóvão de Mafamude.

 

 

LISBOA

 

ATENÇÃO À REFORMA DO

SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE

 

A Comissão Nacional Justiça e Paz considera que a presença do sector público no Sistema Nacional de Saúde (SNS) é indispensável e salienta que os cuidados médicos não podem estar sujeitos às regras do mercado.

 

“Um princípio que defendemos na reforma no SNS é o papel insubstituível do Estado: os cuidados de saúde não podem, por várias razões, ser objecto de comércio, como se de um qualquer bem se tratasse”, sublinha um documento da Comissão.

O texto “Serviço Nacional de Saúde – Um Modelo a Preservar, redigido em Maio pelo Grupo Economia e Sociedade, recusa a exigência de um pagamento por parte dos doentes “se os tratamentos de que necessitam são particularmente onerosos e não existe alternativa para eles”.

“À iniciativa privada caberá um papel complementar na prestação de alguns cuidados de saúde, mas não são os mecanismos de mercado” que podem determinar o SNS, refere o estudo, acrescentando que “a ausência de uma delimitação rigorosa de fronteiras entre o público e o privado ameaça o sistema no seu conjunto”.

O recurso generalizado a seguros privados de saúde é também alvo de crítica, por ser “bem mais dispendioso e menos capaz de responder às necessidades”, dado que as empresas “defendem o seu lucro, seleccionando as populações de menor risco, reduzindo ao máximo as prestações daqueles cuidados”.

Ao mesmo tempo que os privados têm “elevados lucros” com os cuidados médicos, o serviço público enfrenta “cortes orçamentais”, que podem conduzir “à perda ou ao enfraquecimento de valores tão fundamentais como o da coesão social”, denuncia a Comissão.

O documento acrescenta que “estão em risco princípios básicos” como a “equidade, solidariedade e inclusividade” e destaca que o SNS tem de debater-se com um “duplo desafio”, num tempo em que o “maior desemprego, pobreza e insegurança quanto ao futuro” induzem “maior procura de cuidados”.

“Por um lado, será obrigado a adoptar medidas de contenção de custos; por outro, terá que preparar-se para uma procura crescente, visto que, para muitas pessoas, a possibilidade de pagar cuidados privados de saúde deixará de existir”, explica o relatório.

O aumento da eficiência do SNS constitui “uma das vias possíveis para minimizar o impacto e a dimensão das restrições orçamentais e evitar que se tomem opções erradas, ditadas por políticas cegas de contenção de custos”.

As parcerias público-privadas, “opção insuficientemente ponderada”, e os prejuízos decorrentes das convenções entre o serviço de saúde e os operadores particulares são alguns dos domínios que “carecem de revisão urgente”, o mesmo acontecendo quanto à prescrição de genéricos.

“Mal se compreenderá” que a redução dos custos com medicamentos “possa ser entravado por interesses corporativos, mesmo que estes se apresentem sob a capa de sérias razões de natureza científica que, verdadeiramente, não existem”, aponta a Comissão.

O Grupo Economia e Sociedade sublinha também que “deveriam ser incentivadas propostas de iniciativas locais”, dado que “os cuidados de proximidade podem contribuir, de forma significativa, para reduzir a pressão sobre estruturas pesadas como são as hospitalares”.

 

 

VISEU

 

CELEBRAÇÃO DOS 500 ANOS

DAS CONCEPCIONISTAS

 

A diocese de Viseu iniciou no passado dia 1 de Setembro a celebração dos 500 anos da aprovação da regra da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva, religiosa descendente de pais portugueses.

 

A evocação iniciou-se com uma Missa na igreja do Convento de Santa Beatriz, na cidade de Visei, presidida pelo bispo D. Ilídio Leandro.

“Tudo passa e só Deus permanece – eis o segredo para que qualquer vocação se torne caminho de santidade, pessoal e comunitária e de acção para a transformação e a salvação do mundo”, afirmou o prelado na homilia

As celebrações dos cinco séculos da Ordem da Imaculada Conceição prosseguia a 17 de Setembro em Viseu, com uma representação teatral de homenagem a Santa Beatriz da Silva, no auditório do Centro Sócio-Pastoral.

Santa Beatriz da Silva nasceu em Ceuta cerca do ano de 1426, viajando para Campo Maior ainda jovem, transitando depois para a corte de Castela em 1447, como dama de honor da Infanta D. Isabel de Portugal.

Retirou-se da corte para um mosteiro de Toledo, onde permaneceu mais de 30 anos, e em 1484 fundou o Instituto que mais tarde tomou o título de Ordem da Imaculada Conceição de Nossa Senhora (Concepcionistas), aprovado pelo Papa Inocêncio VIII em 1489.

Depois de fazer a profissão religiosa faleceu em 1492 com fama de santidade, tendo sido canonizada pelo Papa Paulo VI a 3 de Outubro de 1976.

De 14 a 16 de Outubro decorre em Fátima um Congresso internacional dedicado à Ordem da Imaculada Conceição, congregação de vertente contemplativa que tem 148 mosteiros na Europa, Ásia e América, 74 dos quais em Espanha e dois em Portugal (Viseu e Campo Maior).

 


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