aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

LEFEBVRIANOS:

ORDENAÇÕES ILEGÍTIMAS

 

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, afirmou no passado dia 4 de Julho que são “ilegítimas” as recentes ordenações sacerdotais na Fraternidade São Pio X, criada pelo falecido arcebispo Marcel Lefebvre.

 

Em resposta a questões de vários jornalistas sobre esta matéria, o director da sala de imprensa da Santa Sé disse que se mantém a posição assumida por Bento XVI, numa carta aos bispos católicos publicada em Março de 2009.

Na missiva, o Papa sublinhava que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X “não pode gozar de um estatuto canónico na Igreja e os seus ministros não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja” até que sejam esclarecidas todas as questões doutrinais.

Estas questões dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II (1962-65) e do magistério pós-conciliar dos Papas, matérias em que existem divergências com os lefebvrianos.

 

 

MOSTRA DO

ARQUIVO SECRETO DO VATICANO

 

O Vaticano apresentou no passado dia 5 de Julho, a mostra multimédia «Lux in Arcana – O Arquivo Secreto do Vaticano revela-se», na qual são apresentados ficheiros inéditos da II Guerra Mundial.

 

A exposição, a abrir ao público a partir de Fevereiro de 2012. Os documentos do pontificado de Pio XII não serão “revelações”, mas uma “memória”, sobretudo fotográfica, das vítimas da guerra (1939-1945) e, possivelmente, dos campos de concentração do regime nazi.

Entre as 100 obras escolhidas encontram-se a carta de Clemente VII ao parlamento inglês, sobre o casamento do rei Henrique VIII (1530), e o Dictatus Papae de Gregório VII (1073-1085), que estabelecia a primazia do poder do Papa sobre o poder político, um dos documentos mais antigos da mostra.

O Arquivo tem um site próprio, www.archiviosegretovaticano.va, no qual é possível encontrar parte do espólio com mais de mil anos.

O Arquivo, nos moldes em que existe, nasceu por iniciativa do Papa Paulo V, por volta de 1610, se bem que a sua história recue nos séculos, dado ter nascido, desde cedo, a tradição de os Papas guardarem a documentação que se referia ao exercício da sua própria actividade.

O documento mais antigo conservado no Vaticano é o famoso Liber Diurnus Romanorum Pontificum, livro de fórmulas da chancelaria pontifícia do século VIII.

 

 

SILÊNCIO E BELEZA,

FAVORECEM A MEDITAÇÃO

 

Bento XVI aludiu no passado dia 10 de Agosto às férias de muitos católicos para os convidar ao silêncio, condição que diz ser essencial para a oração, ao mesmo tempo que salientou a importância dos mosteiros como espaços propícios à espiritualidade.

 

“O silêncio é a condição ambiental que melhor favorece o recolhimento, a escuta de Deus, a meditação”, afirmou Bento XVI, que pediu aos fiéis de várias nacionalidades reunidos na residência pontifícia de Castel Gandolfo, que aproveitassem os dias de repouso “para entrarem tranquilamente na oração”.

Na sua intervenção, o Papa lembrou o relevo do silêncio na vida de santos que a Igreja Católica recordava naquela semana: a virgem e mártir Santa Benedita da Cruz (Edith Stein), co-padroeira da Europa, o diácono e mártir São Lourenço e a virgem Santa Clara, fundadora das Clarissas.

“No nosso mundo tantas vezes demasiado agitado, as comunidades monásticas, verdadeiros oásis do espírito, lembram-nos em particular a necessidade do silêncio nas nossas vidas, para realizar em nós uma autêntica harmonia espiritual e desta forma voltar o nosso olhar para Deus”, afirmou Bento XVI. Para o Papa, “o silêncio e a beleza do espaço onde vive a comunidade monástica – beleza simples e austera – constituem como que um reflexo da harmonia espiritual que a comunidade procura realizar”.

Os mosteiros, prosseguiu o Papa, “unem dois elementos muito importantes para a vida contemplativa: a beleza do criado, que remete à do Criador, e o silêncio, garantido pela distância em relação às cidades e às grandes vias de comunicação”.

“Não é por acaso que muitas pessoas, especialmente nos períodos de pausa, visitam estes lugares e neles se detêm alguns dias”, lembrou Bento XVI.

 

 

VERDADE

SÓ EM LIBERDADE

 

Durante a viagem para Madrid, no passado dia 18 de Agosto, para participar na Jornada Mundial da Juventude, Bento XVI quis responder a algumas perguntas dos jornalistas, explicando que só se pode chegar à verdade respeitando a liberdade; pelo contrário, o positivismo actual pretende impor valores pseudo-éticos.

 

Eis a pergunta que o porta-voz Padre Lombardi transmitiu ao Papa:

Santidade, os jovens do mundo de hoje vivem geralmente em ambientes multiculturais e multiconfessionais. A tolerância recíproca é mais necessária que nunca. Vossa Santidade insiste sempre sobre o tema da verdade. Não pensa que esta insistência sobre a verdade e acerca da única Verdade que é Cristo é actualmente um problema para os jovens? Não pensa que esta insistência os leva à contraposição e à dificuldade de dialogar e de procurar juntos os outros?

 

Santo Padre: A ligação entre verdade e intolerância, monoteísmo e incapacidade de diálogo com os outros, é um tema que retorna com frequência no debate sobre o cristianismo de hoje. E, naturalmente, é verdade que na história houve abusos do conceito quer da verdade quer do monoteísmo; mas foram abusos. A realidade é totalmente diferente. O argumento é errado, porque a verdade só é acessível na liberdade. Podem-se impor com violência comportamentos, observâncias, actividades, mas não a verdade! A verdade só se abre à liberdade, ao consenso livre, e por isso liberdade e verdade estão unidas intimamente, uma é condição para a outra. De resto, buscar a verdade, os valores verdadeiros que dão vida e futuro, não põe alternativa: não queremos a mentira nem o positivismo de normas impostas com uma determinada força; só os valores verdadeiros conduzem ao futuro e dizemos que é necessário, portanto, buscar os valores verdadeiros e não permitir o arbítrio de alguns, não deixar que se imponha uma razão positivista que nos diga, acerca dos problemas éticos e dos grandes problemas do homem: não existe uma verdade racional. Isto seria realmente expor o homem ao arbítrio de quantos detêm o poder. Devemos sempre estar em busca da verdade, dos valores verdadeiros; temos um núcleo nos valores, nos direitos humanos fundamentais; outros elementos essenciais semelhantes são reconhecidos e, exactamente estes, colocam-nos em diálogo uns com os outros. A verdade como tal é dialógica porque procura conhecer melhor, entender melhor e fá-lo em diálogo com os outros. Assim, buscar a verdade e a dignidade do homem é a maior defesa da liberdade.

 

 

LITURGIA E CATEQUESE

 

Bento XVI enviou uma mensagem aos participantes na 62.ª semana litúrgica italiana, que decorreu até ao dia 26 de Agosto passado, afirmando que a Igreja "não pode ser reduzida ao aspecto terreno e organizativo".

 

O documento sublinha que as celebrações católicas têm de “mostrar claramente que o coração pulsante da comunidade deve ser reconhecido para além dos delimitados e, embora necessários, confins do rito”.

“A liturgia não é aquilo que o homem faz, mas aquilo que Deus faz com a sua admirável e gratuita condescendência”, precisa o Papa.

A 62ª semana litúrgica nacional promovida pela Igreja Católica na Itália tinha como tema “Deus educa o seu povo. A liturgia, fonte inesgotável de catequese”.

A mensagem papal, enviada através do cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, indica que “Deus é o grande educador do seu povo, o guia amoroso, sapiente, incansável na e através da liturgia, acção de Deus no hoje da Igreja”.

Bento XVI acrescenta que a Liturgia “pode ser chamada como catequese permanente da Igreja, fonte inesgotável de catequese”, apelando a um aprofundamento da “dimensão educativa da acção litúrgica".

O Papa fez votos para que a semana litúrgica e outras iniciativas neste campo “se coloquem cada vez mais ao serviço do sentido genuíno da liturgia, favorecendo uma sólida formação teológico-pastoral em plena consonância com o Magistério e a tradição viva da Igreja”.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial