DOCUMENTAÇÃO

 

CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

 

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E OS SANTUÁRIOS

 

 

Com a data de 15 de Agosto de 2011 e assinada pelos respectivos Prefeito e Secretário, Cardeal Mauro Piacenza e Mons. Celso Iruzubieta, a Congregação para o Clero enviou aos Reitores de Santuários de todo o mundo uma Carta com várias instruções.

Oferecemos aos nossos leitores um excerto.

 

A memória do amor de Deus, que se faz presente de modo eminente no Santuário, conduz ao pedido de perdão pelos pecados e ao desejo de implorar o dom da fidelidade ao depósito da fé. O Santuário é, igualmente, o lugar da permanente actualização da misericórdia de Deus. É um lugar hospitaleiro no qual o homem pode ter um encontro real com Cristo, experimentando a Verdade do seu ensinamento e do seu perdão, para aproximar-se dignamente e, portanto, frutuosamente, da Eucaristia. Para tal finalidade, convém favorecer e, onde for possível, intensificar a presença constante de sacerdotes que, com ânimo humilde e acolhedor, se dediquem generosamente em atender as confissões sacramentais.

Na administração do sacramento do Perdão e da Reconciliação, os confessores, que agem como «sinal e instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1465), ajudem os penitentes a experimentarem a ternura de Deus, a perceberem a beleza e a grandeza de Sua bondade e a redescobrirem nos próprios corações o desejo íntimo da santidade, vocação universal e meta última para todo o fiel (cf. Congregação para o Clero, O Sacerdote, ministro da misericórdia divina, 9 de Março de 2011, n. 22).

Os confessores, iluminando a consciência dos penitentes, ponham também em evidência o vínculo estreito que liga a Confissão sacramental a uma nova existência, orientada a uma decidida conversão. Por isso, exortem os fiéis a aproximarem-se deste sacramento com regular frequência e ardente devoção, a fim de que, sustentados pela graça que nele é dada, possam alimentar constantemente o seu fiel propósito de adesão a Cristo, progredindo na perfeição evangélica.

Os ministros da Penitência sejam disponíveis e acessíveis, cultivando uma atitude compreensiva, acolhedora e encorajadora (cf. Congregação para o Clero, O Sacerdote, ministro da misericórdia divina, nn. 51-57). Para respeitar a liberdade de cada fiel e também para favorecer a plena sinceridade pessoal no foro sacramental, é oportuno que estejam disponíveis, em locais apropriados (por exemplo, possivelmente, numa Capela da Reconciliação), confessionários providos de grade fixa. Como ensina o Beato Papa João Paulo II na Carta Apostólica Misericordia Dei (7 de Abril de 2002): «a sede para as confissões é regulada pelas normas estabelecidas pelas respectivas Conferências Episcopais, as quais deverão garantir que ela esteja colocada num lugar visível e seja também provida de grade fixa, de modo a permitir aos fiéis e aos próprios confessores, que o desejem, poder usá-los livremente» (n. 9, b – cf. cân. 964, § 2; Pontifício Conselho para a Interpretação dos textos Legislativos, Responsa ad propositum dubium: de loco excipiendi sacramentales confessiones [7 de Julho de 1998]: AAS 90 [1998] 711; O Sacerdote, ministro da misericórdia divina, n. 41).

Além disso, os ministros procurem fazer compreender os frutos espirituais derivados da remissão dos pecados. Com efeito, o sacramento da Penitência «realiza uma verdadeira “ressurreição espiritual”, restitui a dignidade e os bens da vida dos filhos de Deus, o mais precioso dos quais é a amizade com Deus» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1468).

Considerando o facto de que os Santuários são lugares de verdadeira conversão, pode ser oportuno potenciar a formação dos confessores para a assistência pastoral daqueles que não respeitaram a vida humana desde a concepção até ao seu termo natural.

Depois, os sacerdotes, ao dispensarem a misericórdia divina, cumpram devidamente este peculiar ministério aderindo fielmente ao ensinamento genuíno da Igreja. Sejam bem formados na doutrina e não descuidem de se actualizarem periodicamente sobre questões respeitantes, sobretudo, ao âmbito moral e bioético (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1466). Também no campo matrimonial, respeitem tudo o que o Magistério da Igreja ensina autorizadamente. Evitem, portanto, de manifestar, em sede sacramental, doutrinas privadas, opiniões pessoais ou apreciações arbitrárias que não estejam conformes com aquilo que a Igreja crê e ensina. Para a sua formação permanente, será útil animá-los a participar em cursos especializados, tais como, por exemplo, os que são organizados pela Penitenciaria Apostólica e por algumas Universidades Pontifícias (cf. O Sacerdote, ministro da misericórdia divina, n. 63).

 


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