32.º Domingo Comum

6 de Novembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Chegue até Vós, Senhor, a minha súplica, F. Santos, NCT 213

Salmo 87, 3

Antífona de entrada: Chegue até Vós, Senhor, a minha oração, inclinai o ouvido ao meu clamor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Como seres inteligentes que somos, desejamos conhecer qual o sentido que tem a nossa vida.

Quem vai a conduzir um veículo deve colocar-se no lugar da frente, perscrutando o futuro, saber para onde vai, qual o caminho a seguir e dirigi-lo com precisão.

Seremos capazes de conduzir bem a nossa vida de olhos fechados, sem nos importarmos de saber para onde vamos e qual o caminho para chegar à meta desejada?

A Liturgia da Palavra deste 32.º Domingo do Tempo Comum ilumina-nos sobre o verdadeiro sentido da nossa vida na terra.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente que muitas vezes somos descuidados em conduzir bem a nossa vida para uma eternidade feliz.

Arrependamo-nos e, com a ajuda do Senhor, prometamos emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Vivemos como se, para além desta vida,

    nada mais houvesse a desejar, a preparar, nem a esperar.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Deixamo-nos cair facilmente em pecado grave

    e não nos preparamos para o encontro final convosco.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Somos cuidadosos nas coisas da terra,

    e não o temos sido em preparar a salvação eterna.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e misericordioso, afastai de nós toda a adversidade, para que, sem obstáculos do corpo ou do espírito, possamos livremente cumprir a vossa vontade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro da Sabedoria exorta-nos a adquirir a verdadeira ciência da vida, pois ela nos conduzirá à felicidade eterna.

Prepara-nos para receber esta ciência a humildade de quem sabe que precisa de aprender e a generosidade para colaborar com a graça divina.

 

Sabedoria 6, 12-16

12A Sabedoria é luminosa e o seu brilho é inalterável; deixa-se ver facilmente àqueles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram. 13Antecipa-se e dá-se a conhecer aos que a desejam. 14Quem a busca desde a aurora não se fatigará, porque há-de encontrá-la já sentada à sua porta. 15Meditar sobre ela, é prudência consumada e, quem lhe consagra as vigílias, depressa ficará sem cuidados. 16Procura por toda a parte os que são dignos dela: aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vem ao seu encontro em todos os seus pensamentos.

 

A leitura corresponde ao longo elogio da sabedoria (capítulos 6 a 9); a nossa leitura é o desenvolvimento de uma bela ideia inicial: a sabedoria deixa-se encontrar pelas almas rectas (Sab 1, 2).

14 «Sentada à sua porta». Como se vê, a sabedoria aparece personificada: é como uma pessoa fácil de encontrar, quando se procura, porque ela mesma, então, vem ao nosso encontro.

 

Salmo Responsorial    Sl 62 (63), 2.3-4.5-6.7-8 (R. 2b)

 

Monição: O salmista exprime o desejo profundo de se encontrar com Deus no Seu templo. Compara-se no seu anelo, À terra ressequida que suspira pela água. «Senhor, sois o meu Deus, desde a aurora Vos procuro.»

É uma bela oração para dirigirmos muitas vezes ao Senhor no silêncio do nosso coração.

 

Refrão:        A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.

A minha alma tem sede de Vós.

Por Vós suspiro,

como terra árida, sequiosa, sem água.

 

Quero contemplar-Vos no santuário,

para ver o vosso poder e a vossa glória.

A vossa graça vale mais que a vida;

por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

 

Assim Vos bendirei toda a minha vida

e em vosso louvor levantarei as mãos.

Serei saciado com saborosos manjares

e com vozes de júbilo Vos louvarei.

 

Quando no leito Vos recordo,

passo a noite a pensar em Vós.

Porque Vos tornastes o meu refúgio,

exulto à sombra das vossas asas.

 

Segunda Leitura*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis de Tessalónica, fala-nos dos últimos acontecimentos que porão fim á nossa caminhada na terra.

Por esta ciência devemos orientar toda a nossa vida, de tal modo que este momento supremo nos encontre preparados.

 

Forma longa: 1 Tessalonicenses 4, 13-18        Forma breve: 1 Tessalonicenses 4, 13-14

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido.

[15Eis o que temos para vos dizer, segundo uma palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.]

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (talvez apenas uns dois ou três meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1 Tes 1, 7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1 Tes 3, 1-2.6). 

13 S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3, 10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13). Paulo garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha)

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1 Cor 15, 30-31; 2 Cor 1, 8-9; 4, 14; Filp 2, 17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então viverem vivos, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1 Cor 15, 51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

16 A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cfr. Dan 7, 13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas, a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada avástasis. (Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 1954, pp. 29-34. J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19, 17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro). Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos, pois, «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyriou.

17 O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 24, 42a.44

 

Monição: Com divina solicitude, Jesus alerta-nos, no Evangelho para a necessidade de termos sempre acesa a lâmpada de graça, para acolhermos o Divino Esposo.

Aclamemos a Palavra Divina que enche de luz a nossa mente e de alegria o nosso coração peregrino.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Vigiai e estai preparados, porque,

na hora em que não pensais, virá o Filho do homem.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 25, 1-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: 1«O reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo. 2Cinco eram insensatas e cinco eram prudentes. 3As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, 4enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias. 5Como o esposo se demorava, começaram todas a dormitar e adormeceram. 6À meia noite ouviu-se um brado: ‘Aí vem o esposo; ide ao seu encontro’. 7Então, as virgens levantaram-se todas e começaram a preparar as lâmpadas. 8As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se’. 9Mas as prudentes responderam: ‘Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores’. 10Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo: as que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. 11Mais tarde, chegaram também as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta’. 12Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço’. 13Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».

 

Esta parábola das 10 virgens, referida apenas em Mateus, aparece-nos na segunda parte do discurso escatológico do Primeiro Evangelho (Mt 24 – 25). É ela uma exortação do Senhor à vigilância, a fim de mantermos acesa a luz da fé com o azeite da caridade. A parábola enquadra-se nos costumes nupciais judaicos da época; na última fase das festas nupciais, que em casa de cada um dos noivos já se vinham fazendo, tratava-se de o noivo, rodeado dos seus amigos, vir buscar a noiva a casa dela para a sua, a fim de todos juntos celebrarem as bodas. O cortejo do noivo era recebido fora de casa pelas amigas da noiva (raparigas solteiras, daqui a designação de virgens), enquanto a noiva aguardava dentro o encontro com o noivo. Sucede, porém, que este ritual não parece ser exactamente o desta parábola, pois parece que o banquete foi em casa da noiva (embora isto não seja dito) e, em vez dos archotes habituais, foram usadas candeias de azeite. Desta maneira, a lição da parábola torna-se ainda mais clara, uma vez que são as 10 jovens a esperar a vinda do esposo em casa da noiva; o noivo figura a Cristo, para cuja vinda os fiéis – as dez virgens – devem estar preparados, não lhes bastando estar na Igreja, a casa da noiva, embora esta não seja expressamente nomeada na parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

• A verdadeira sabedoria

Onde procurá-la

A alegria de quem a encontra

Merecer a Sabedoria

• A vigilância cristã

Aguardamos uma festa eterna

Estar preparado

Entrar ou não no banquete é fundamental

1. A verdadeira sabedoria

A Sabedoria aparece-nos aqui personificada: «deixa-se ver facilmente...» «Antecipa-se e dá-se a conhecer...» Quando alguém a procura «há-de encontrá-la à porta

A verdadeira sabedoria consiste em dar uma orientação verdadeira à nossa vida, orientando-a com a prudência cristã.

 

• Onde procurá-la. «A Sabedoria é luminosa e o seu brilho é inalterável; deixa-se ver facilmente àqueles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram.»

O mais elementar bom senso diz-nos que só temos interesse em procurar a verdadeira sabedoria onde podemos encontrá-la.

Quem nos ensinará qual a orientação que devemos dar à nossa vida, para que ela não seja uma aventura falhada?

Só a fé da Igreja nos pode mostrar uma perspectiva verdadeira da nossa vida.

Devemos, portanto, procurar o caminho para a vida eterna na Palavra de Deus que encontramos na Sagrada escritura e é proclamada para nó encontro que temos com o Senhor em cada Domingo.

A primeira condição para a encontrar não é o ter uma inteligência brilhante, mas um coração simples e humilde.

O Evangelho indica-nos o caminho da vida, da felicidade eterna. A tal ponto os primeiros cristãos estavam convencidos disto que chamavam ao cristianismo “a via”.

 

• A alegria de quem a encontra. «Meditar sobre ela é prudência consumada, e quem lhe consagra as vigílias depressa ficará sem cuidados.»

A pessoa humana é dotada de inteligência e interroga-se a si mesma, procurando desvendar o sentido desta vida terrena. Enquanto não o encontra sente-se angustiada, como quem se encontra num labirinto e não sabe como sair de lá.

Uma vez encontrado o sentido da vida, a alma enche-se de uma paz e alegria indizíveis. Viveram esta experiência os grandes convertidos, como Santo Agostinho: «Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto até que repouse em Vós.»

A partir deste encontro, tudo na vida passa a ter um sentido claro: o dom da vida, o decair da vida mortal, os sacrifícios e provações que vêm ao nosso encontro, etc.

Quem fixa todo o seu ideal no prazer dos sentidos, no ter e no mando, vive numa insegurança muito grande e mergulhado na tristeza, ainda que compre “horas de alegria” nos divertimentos e prazeres.

Deus criou-nos para partilharmos eternamente a Sua própria felicidade, em comunhão com a corte celeste.

 

• Merecer a Sabedoria. «Procura por toda a parte os que são dignos dela: aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vem ao seu encontro em todos os seus pensamentos.»

O conhecimento do caminho de Deus é uma aventura que só terminará no termo dessa mesma peregrinação, depois da morte.

À medida que vamos aprofundando e vivendo a fé, novos horizontes se vão mostrando ao nosso olhar extasiado.

Passamos a encontrar uma lógica perfeita em todas as coisas criadas e a contemplação do universo ajuda-nos a conhecer a grandeza de Deus.

Daí que tem cada vez mais aquele que vai acolhendo e vivendo a dádiva da fé, da verdadeira Sabedoria que nos conduz à felicidade eterna.

O dom da ciência ajuda-nos a ver na obra da criação reflexos da Divina Sabedoria que se nos manifesta por meio delas.  

Não se trata, pois, de um merecer a sabedoria no sentido exacto da palavra. Ele é um puro dom de Deus. Mas é também verdade que, na medida da nossa fidelidade, o Senhor lhe acrescenta novos dons.

2. A vigilância cristã

A verdadeira sabedoria na condução da vida presente é-nos ensinada por Jesus na Parábola das dez virgens. Cinco delas sabem conduzi-la bem; as outras cinco encaram esta situação com leviandade.

 

• Aguardamos uma festa eterna. «O reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo.»

As dez virgens estão numa situação provisória. Saíram das suas casas e estão ali à espera de partir com o esposo para o festim das núpcias.

Devem estar preparadas, não só para partir num momento inesperado, como também levar consigo azeite que mantenha a iluminação das lucernas durante a festa.

Esta é a nossa situação na vida presente. Saímos das mãos de Deus, por um chamamento á vida que Ele nos dirigiu, de mãos dadas com o ministério da vida de nossos pais.

Não estamos aqui por acaso. Foi um chamamento de amor que nos tornou membros da comunidade humana e participantes da glória eterna no Céu.

Para tomar parte na festa existe apenas uma exigência: levar as lucernas acesas e mantê-las a iluminar o ambiente por toda a eternidade.

A luz da graça santificante que recebemos no Baptismo só se mantém acesa se a alimentarmos com o azeite das boas obras pessoais. Se alguma vez se apaga, pode reacender-se no sacramento da Reconciliação e Penitência.

A solidariedade nos caminhos da salvação não chega até ao ponto de suprirmos a nossa preguiça e desleixo com a diligência alheia. Não faltam pessoas que alardeiam o seu parentesco com pessoas importantes da Igreja. Isso de nada lhes vale. O azeito das boas obras tem de ser pessoal.

 

• Estar preparado. «As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias.»

Também na vida espiritual é preciso prever as lutas, fortalecendo a vontade com pequenas batalhas, para as enfrentar.

É preciso dar tempo à oração, à conversa íntima com o Senhor que nos familiariza com Ele e aumenta a nossa amizade.

Além disso, é preciso frequentar os sacramentos, especialmente o da Confissão e o da Eucaristia.

Deste modo, quando chega o momento escolhido por Deus, estaremos preparados. Muitas pessoas descuidam de tal modo a salvação que vivem como se ela dependesse da sorte, dum jogo de azar. Só assim se compreende que vivam habitualmente em pecado mortal, em situações de pecado, sempre à espera de terem a sorte de a morte coincidir com o momento em que estão na graça de Deus.

Faz-nos bem encontrarmo-nos com Deus na intimidade, todas as noites, a pedir-Lhe que lance um olhar à nossa vida, a ver se tudo está em ordem.

É preciso que quando soar o pregão – “aí vem o esposo, vinde ao seu encontro” – tenhamos connosco as lucernas acesas e as boas obras para que assim continuem.

 

• Entrar ou não no banquete é fundamental. «As que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. [...] Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».

Há muitas coisas que podemos dispensar na vida, substituindo-as por outras. Quando, porém, se trata da salvação eterna, só há duas portas por uma das quais é forçoso entrar: subir ao Céu ou mergulhar para sempre no inferno; comunhão feliz com Deus, ou comunhão no ódio com o demónio.

Trata-se de uma opção fundamental da nossa vida que não se pode abandonar ao acaso, porque é uma opção para sempre.

Por isso, fazemos nossa a oração do salmo 62: «Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro. A minha alma tem sede de Vós. Por Vós suspiro, como terra árida, sequiosa, sem água.»

A santa Missa de cada Domingo proclama para nós esta verdade fundamental. A nossa salvação eterna é tão importante que, para a tornar acessível a cada um de nós, Jesus Cristo entregou a Sua vida à morte da Cruz.

Maria Santíssima, em Caná da Galileia, dá-nos a chave da verdadeira vigilância cristã: «Fazei tudo o que Ele vos disser

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos com toda a confiança, amor e alegria

ao nosso Deus que nos convida para as Bodas.

Apresentemos-lhe as dificuldades dos homens,

para que a todos nos ajude e dê a Sua bênção.

Oremos (cantando):

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que nos ajudem a estar vigilantes no amor,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

2. Pelos que se deixam enganar por falsa esperança,

    para que se preparem, para acolher bem o esposo,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

 

3. Pelos que hoje vão ser despertados para partir,

    para que o Senhor os ajude a estar preparados,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

4. Por todos nós, a participar aqui  na santa Missa,

    para que acolhamos a Palavra de Deus com amor,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

5. Pelos que ajudam dia a dia os doentes terminais,

    para que, com prudência delicada, os alertem,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

6. Por todos aqueles que deixaram esta vida terrena,

    para que o Senhor os receba nas Suas moradas,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a permanecer vigilantes!

 

Senhor, que nos mandais estar vigilantes,

para acolhermos o Divino Esposo que vem

para nos conduzir ao Banquete celeste:

ajudai-nos a viver sempre na graça de Deus,

para que tenhamos as lâmpadas acesas nas mãos

quando nos chamar a segui-l’O para sempre.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Somos peregrinos do Céu. Vamos a caminho, com a lâmpada de graça santificante iluminando o nosso caminho.

Depois dos ensinamentos que nos deu, na Liturgia da Palavra, Jesus vai preparar agora, pelo ministério do sacerdote, o Alimento Divino do Seu Corpo, para que possamos caminhar.

Agradeçamos tão grande solicitude e renovemos a nossa fé na Presença real, depois da Consagração do pão e do vinho que levámos ao altar.

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, com benevolência para o sacrifício que Vos apresentamos, a fim de participarmos com sincera piedade no memorial da paixão do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Teremos paz quando todas as pessoas aguardarem com as lâmpadas acesas, a chegada do Esposo Divino.

Nós queremos, desde já, viver esta recomendação divina, para que em paz caminhemos ao Seu encontro.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Foi para que pudéssemos caminhar sem descanso ao Seu encontro, que o Senhor instituiu este memorial da Sua Paixão, Morte e Ressurreição que é a Santíssima Eucaristia.

Não banalizemos este maná divino. Procuremos recebê-lo com fé, pureza amor e devoção, como O recebeu a Santíssima Virgem.

 

Cântico da Comunhão: Nesta santa Eucaristia, H. Faria, NRMS 103-104

Salmo 22, 1-2

Antífona da comunhão: O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.

 

Ou

Lc 24, 35

Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus ao partir o pão.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos damos graças, Senhor, pelo alimento celeste que recebemos e imploramos da vossa misericórdia que, pela acção do Espírito Santo, perseverem na vossa graça os que receberam a força do alto. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Também nós, nos caminhos da vida, temos uma palavra a dizer aos nossos amigos que muito os ajudará: “Estai preparados.”

Procuremos, ao longo da semana, viver e dirigir aos outros esta recomendação divina.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

32ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-XI: Ajudar os outros a chegarem ao Céu

Sab 1, 1-7 / Lc 17, 1-6

 

Se teu irmão cometer uma ofensa, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.

Os crentes constituem um Corpo Místico, no qual cada um se deve sentir responsável pelos demais: «Daí que, se algum membro padece, todos os membros sofrem juntamente; e, se algum membro recebe honras, todos se alegram» (LG, 7).

Podemos ajudar os outros a serem santos, seguindo os conselhos do Senhor: «Corrigir os seus defeitos: ’Se o teu irmão cometer uma ofensa, repreende-o’; e perdoá-lo sem medida: não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino (Ev.)» (CIC, 2845).

 

3ª Feira, 8-XI: A morte dos justos.

Sab 2, 23-3, 9 / Lc 17, 7-10

Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido, o saírem deste mundo considerou-se uma desgraça e, contudo, eles estão em paz.

Para quem não tem fé, a morte é uma desgraça, em vez de ser uma amiga, a chave da felicidade plena, a que possibilita a mudança de casa, pois «a vida não é tirada, mas transformada» (Prefácio dos defuntos).

Os justos que já estão na casa de Deus são comparáveis aos servos inúteis da parábola (Ev.): os que fizeram apenas o que deveriam fazer, procurando cumprir os seus deveres quotidianos. Mas foram castigados, sofreram penas, foram postos à prova, ofereceram sacrifícios, confiaram em Deus, etc. (Leit.).

 

4ª Feira, 9-XI: Dedicação da Basílica S.J. Latrão: Respeito pela casa de oração.

1 Cor 3, 9-11. 16-17 / Jo 2, 13-22

Tirai isto daqui: não façais da casa de meu Pai casa de comércio.

A Basílica de Latrão foi um dos primeiros templos a ser construído logo que acabaram as perseguições (século IV). É um sinal de amor e unidade com o Papa.

Cada templo há-de ser uma casa de oração (Ev.), um lugar onde damos culto a Deus. Para isso, devemos estar com o respeito e a compostura adequadas; chegar com pontualidade à Missa; cumprir os ritos como estão indicados; evitar conversas inúteis; rezar mais… Deste modo participaremos na construção do edifício: «Vós sois um edifício que Deus está a construir» (Leit.).

 

5ª Feira, 10-XI: O reino de Deus e a Sabedoria

Sab 7, 22-8, 1 / Lc 17, 20-25

O reino de Deus não vem de maneira visível, nem se dirá está aqui ou ali, pois o reino de Deus já está no meio de vós.

«O reino de Deus está diante de nós. Aproximou-se no Verbo Encarnado, foi anunciado através de todo o Evangelho, veio na morte e ressurreição de Cristo. O reino de Deus vem desde a Santa Ceia e, na Eucaristia está no meio de nós. O Reino virá na glória, quando Cristo o entregar a seu Pai» (CIC, 2816).

Cristo é também a Sabedoria: «é esplendor da luz eterna, imagem da Bondade de Deus» (Leit.). Precisamos da sua ajuda para alcançarmos o reino dos Céus: «Ela pode tudo, e tudo renova…Ao passar nas almas santas, prepara os amigos de Deus» (Leit.).

 

6ª Feira 11-XI: Sinais que conduzem a Deus.

Sab 13, 19 / Lc 17, 26-37

Por serem grandes e belas as coisas criadas é que se pode contemplar, por analogia, o seu Autor.

As coisas criadas são como sinais que nos ajudam a descobrir Deus (Leit.). Às vezes não é fácil porque, depois do pecado original e dos nossos pecados pessoais, não sabemos descobrir este vestígio de Deus, na Arte, na Ciência, na Moda, etc.

Também devemos evitar cair nos excessos, que nos podem afastar de Deus. Jesus recorda estes excessos nos dias de Noé, de Lot, relativamente às comidas e bebidas. O seu conselho é: «Quem procurar preservar a vida há-de perdê-la, e quem a perder há-de conservá-la» (Ev.).

 

Sábado, 12-XI: Oração paciente.

Sab 18, 14-16-19, 6-9 / Lc 18, 1-8

Uma vez que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que não venha moer-me indefinidamente.

Esta parábola da viúva inoportuna está centrada numa das qualidades da oração de petição: é preciso rezar sempre, com a paciência da fé (CIC, 2613). A paciência e a fé estão intimamente unidas: quem tem fé nunca desiste, e quem tem paciência torna mais firme a sua fé (S. Agostinho).

Não nos esqueçamos de pedir a Deus o dom da perseverança final, para alcançarmos a vida eterna. Assim ajudou Deus o povo eleito a chegar à terra prometida: «viu a terra enxuta surgir do que antes era água, do mar Vermelho aparecer um caminho praticável» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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