Solenidade de todos os santos

1 de Novembro de 2011

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os santos resplandecem como luz, J. Santos, NRMS 63

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Festa de Todos os Santos que hoje celebramos, deve ser para todos nós particularmente querida. É a Festa de todos aqueles que nos precederam e já atingiram a meta para a qual todos fomos criados – a felicidade eterna do Céu. Esperamos encontrar entre eles todos os nossos antepassados. Estamos assim a celebrar uma Festa de Família.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Apóstolo S. João, numa visão profética e misteriosa, contemplou a multidão inumerável dos eleitos. Além dos provenientes de todas as Tribos de Israel, viu “uma multidão imensa, que ninguém podia contar”. Eram Todos os Santos.

 

Apocalipse 7, 2-4.9-14

2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

 

Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.

2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.

11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante povo da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.

12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.

«Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

 

Salmo Responsorial    Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

 

Monição: Exprimindo a alegria que devemos sentir neste dia de Festa em honra de Todos os Santos, associamo-nos à geração dos que procuram e louvam o Senhor.

 

Refrão:        Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

o que não invocou o seu nome em vão.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face de Deus.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Pelo Baptismo somos chamados e de verdade passamos a ser filhos de Deus e, como tais, amados pelo pai do céu. Esta realidade maravilhosa será manifesta, em toda a sua luz e plenitude no dia da ressurreição.

 

1 São João 3, 1-3

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

 

A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.

1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.

2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é», esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).

3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 5, 1-12

 

Monição : Os nossos irmãos, os Santos, seguiram pelos caminhos apontados por Jesus. Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, proclamou-os solenemente no “Sermão da Montanha”. São os caminhos das Bem-aventuranças. Como pois é acertado segui-los com atenção e generosidade!

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados

e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas, pelo contrário, dum ideal de vida para almas fortes e generosas. As bem-aventuranças correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.

«Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceita e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. Casciaro). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.

4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.

5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.

6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.

8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela a ser referida aqui.

9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que os pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

 

Sugestões para a homilia

 

1. “Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa”.

2. Importância da celebração da Festa de Todos os Santos.

3. Somos convidados a ser santos também.

4. As Bem-aventuranças são caminhos de santidade.

1. “ Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa”.

A fome de felicidade com que todos nascemos e ao longo da vida sempre sentimos, só na eternidade, para a qual todos fomos criados, será plenamente satisfeita. Esta certeza está assegurada por Quem nos ama com Amor infinito, que, como tal, não nos engana, nem nos pode enganar. Por isso proclama: “alegrai-vos e exultai!”

2. Importância da celebração desta Festa de Todos os Santos.

Estamos a celebrar a Festa de todos aqueles que nos precederam e que já estão a saborear as presenças amorosas de Deus, de Maria Santíssima e demais Santos – a maravilhosa realidade da felicidade eterna. São todos aqueles, cujas imagens veneramos em todos os altares do mundo e ainda de todos os outros, cujos nomes desconhecemos, entre os quais esperamos encontrar todos os nossos antepassados. Por isso, esta Festa deve ser grande para todos nós. Estamos a celebrar a Festa dos nossos antepassados, dessa multidão imensa que ninguém pode contar, como nos narra a primeira Leitura da Missa de hoje, do Livro do Apocalipse de S. João.

3. Somos convidados a ser santos também.

Ao celebrarmos esta Festa, somos também particularmente convidados a reflectir mais madura e seriamente na nossa própria salvação.

Não saímos do nada para voltar ao nada. Deus não brinca com as Suas criaturas. E as mais perfeitas que Ele criou, depois dos Anjos, somos nós. Somos mesmo os eleitos por Deus, desde toda a eternidade. Dentre tantos outros biliões de seres humanos possíveis, escolheu-nos a nós. E ao fazê-lo, propôs para cada um, projecto individual de amor. Esse projecto é de verdadeiro Amor, de felicidade, de santidade. De facto seremos tanto mais felizes, quanto mais santos. Todos, sem excepção, fomos criados por Deus para ser santos, isto é, para sermos felizes, para fazermos parte dessa multidão imensa a que se refere o  já citado Livro do Apocalipse. Por isso, não só nos criou à Sua imagem e semelhança, mas, pela Sacramento do Baptismo, nos elevou à honra inimaginável de filhos Seus, como nos lembra a Primeira Epístola de São João, na segunda Leitura da Missa de hoje.

4. As Bem-aventuranças, são caminhos de santidade.

Para atingirmos a felicidade que tanto desejamos, o Senhor indica-nos o caminho que devemos percorrer: o das Bem-aventuranças. Como é importante estarmos atentos a estes caminhos que nos são apresentados, com tanta sinceridade e clareza, pelo Senhor que nos ama com Amor infinito!

 O mundo indica outros caminhos muito contrários, mas dos quais a experiência confirma que quem os segue acabará por se sentir profundamente enganado. Com tanta facilidade se apercebem da sua fragilidade e finitude. Razão tem S. Paulo para considerar os bens deste mundo como lixo quando comparados com o Amor de Jesus.

Os santos confirmam que vale a pena seguir os caminhos apontados pelo Senhor. Faz-nos bem imaginar essa claque imensa que do Céu nos grita, especialmente no dia de hoje, com todo o entusiasmo, para não deixarmos enganar com os horizontes ilusórios das coisas terrenas. Os bens deste mundo só serão válidos na medida em que forem ocasião de uma maior aproximação de Deus, nosso Senhor e Pai amorosíssimo.

Entre os Bem-aventurados do céu, temos santos de todas as idades, profissões e posições sociais: Santo Antão com 104 anos de idade; os Pastorinhos de Fátima, com 7 e 10 anos; S. Domingos Sábio, com 15 anos; Santa Zita, criada de servir; S. Luís, Rei de França; S. Tomás Moro, Chanceler do Rei Henrique VIII da Inglaterra; Santa Isabel, Rainha de Portugal; casados, como os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus; viúvas, como Santa Brígida, etc, etc,. A santidade é verdadeiramente para todos, sem excepção.

A santidade é o que de mais importante e urgente temos a procurar na vida. Não devemos deixar para amanhã o que podemos, neste campo, fazer hoje. Foi com uma correspondência sincera e imediata a apelos como este, que muitos santos chegaram ao Céu. Ninguém diga que ainda é muito novo ou demasiado velho para pensar na santidade. Ninguém se julgue já tão santo ou tão pecador para ficar indiferente, para nada fazer. Por maiores que sejam os nossos pecados, infinitamente maior é a misericórdia infinita do Senhor. Que o diga Santo Agostinho, que só descobriu o Amor do Senhor aos 32 anos, S. Paulo, que de perseguidor da Igreja, se tornou num grande apóstolo e santo. E, como eles, tantos e tantos outros.

Que eles intercedam junto de Deus por todos nós, para que nenhum se deixe enganar nos caminhos da vida e assim, todos tenhamos a dita de um dia também fazermos parte da Festa de Todos os Santos e exultarmos de alegria por toda a eternidade.

 

Fala o Santo Padre

 

“Cada Santo é diferente do outro, com a singularidade da própria personalidade humana

e do seu carisma espiritual.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

Celebramos hoje com grande alegria a festa de Todos os Santos. Visitando um viveiro botânico, permanece-se admirados diante da variedade de plantas e flores, e é espontâneo pensar na fantasia do Criador que tornou a terra um maravilhoso jardim. Análogo sentimento nos surpreende quando consideramos o espectáculo da santidade: o mundo parece-nos um "jardim", onde o Espírito de Deus suscitou com admirável fantasia uma multidão de santos e santas, de todas as idades e condições sociais, de todas as línguas, povos e culturas. Cada um é diferente do outro, com a singularidade da própria personalidade humana e do seu carisma espiritual. Mas todos têm impressa a "marca" de Jesus (cf. Ap 7, 3), ou seja, o distintivo do seu amor, testemunhado através da Cruz. Estão todos na alegria, numa festa sem fim, mas, como Jesus, conquistaram esta meta passando através da fadiga e da prova (cf. Ap 7, 14), enfrentando cada qual a própria parte de sacrifício para participar na glória da ressurreição.

A solenidade de Todos os Santos foi-se afirmando ao longo do primeiro milénio cristão como celebração colectiva dos mártires. Já em 609, em Roma, o Papa Bonifácio IV tinha consagrado o Panteão dedicando-o à Virgem Maria e a todos os Mártires. Aliás, podemos ver este martírio em sentido lato, ou seja, como amor a Cristo sem hesitações, amor que se expressa na doação total de si a Deus e aos irmãos. Esta meta espiritual, para a qual todos os baptizados se sentem propensos, alcança-se seguindo o caminho das "bem-aventuranças" evangélicas, que a liturgia nos indica na solenidade de hoje (cf. Mt 5, 1-12a). É o mesmo caminho traçado por Jesus e que os santos se esforçaram por percorrer, conscientes dos seus limites humanos. Na sua existência terrena, de facto, foram pobres em espírito, sofredores pelos pecados, mansos, famintos e sedentos de justiça, misericordiosos, puros de coração, artífices de paz, perseguidos por causa da justiça. E Deus participou-lhes a sua mesma felicidade: pregustaram-na neste mundo e, no além, gozam dela em plenitude. São agora confortados, herdeiros da terra, saciados, perdoados, vêem Deus do qual são filhos. Numa palavra: "é deles o Reino dos céus" (cf. Mt 5, 3.10).

Neste dia sentimos reavivar em nós a atracção para o Céu, que nos estimula a apressar o passo da nossa peregrinação terrena. Sentimos acender nos nossos corações o desejo de nos unirmos para sempre à família dos santos, da qual já agora temos a graça de fazer parte. Como diz um célebre canto espiritual: "Quando vier a multidão dos teus santos, como gostaria, Senhor, de estar entre eles!". Possa esta bonita aspiração arder em todos os cristãos, e ajudá-los a superar todas as dificuldades, qualquer receio, todas as tribulações! Queridos amigos, ponhamos a nossa mão na mão materna de Maria, Rainha de todos os Santos, e deixemo-nos conduzir por ela rumo à pátria celeste, na companhia dos espíritos bem-aventurados "de todas as nações, povos e línguas" (Ap 7, 9). E unamos já na oração a lembrança dos nossos queridos defuntos que amanhã comemoraremos.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 1 de Novembro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Na grande solenidade com que nos unimos a Todos os Santos,

Oremos ao Senhor que pode e quer saciar

A nossa fome de felicidade e de vida,

Dizendo, com alegria:

 

R. Por intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

   

 

 

Pela Santa Igreja de Deus

Para que, no dia da manifestação de Jesus Cristo,

Apareça resplandecente em todos os seus membros,

Oremos, irmãos.

 

 

R. Por intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

 

 

Pelos bispos, presbíteros e diáconos,

Para que venham um dia a contemplar no Céu

Aquele que na terra os chamou ao seu serviço,

Oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

 

 

Pelos nossos governantes

Para que Deus lhes dê o dom da sabedoria,

Da prudência, do desapego e da verdade,

Oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

 

Pelos que andam cansados e oprimidos,

Para que sintam a presença de Jesus

E n’Ele encontrem descanso, alívio e força,

Oremos, irmãos.

 

R. Por intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

 

 

Por todos nós que celebramos esta solenidade,

Para que Deus nos junte aos seus eleitos,

E um dia nos mostre o rosto de Cristo glorioso,

Oremos, irmãos.

   

R. Por intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

 

 

Deus eterno e omnipotente,

Dignai-vos ouvir as nossas súplicas

E conduzir-nos, pelo vosso Espírito,

Para a bem-aventurança que nos prometeis.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra de Todos os Santos e fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da nova Jerusalém, nossa mãe

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão está o verdadeiro Pão do Céu, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é penhor da Vida eterna. N’Ele encontramos também toda a força de que precisamos para seguirmos sempre com determinação e generosidade os caminhos das Bem-aventuranças. Vamos recebê-lO com muita fé, esperança e amor.

 

Cântico da Comunhão: Louvai, nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Mt 5, 8-10

Antífona da comunhão: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

 

Cântico de acção de graças: Bem- Aventuranças, B. Salgado, NRMS 7 (I)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os Santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com o propósito de levarmos muito a sério o convite à santidade que a Festa de Todos os Santos nos dirige, seguindo com atenção e generosidade os caminhos certos que o Senhor nos propõe nas Bem-aventuranças, ide em paz e Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Nós vos louvamos, ó Deus, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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