30.º Domingo Comum

23 de Outubro de 2011

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

 

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Confiarei no meu Deus, F da Silva, NRMS 106

Salmo 104, 3-4

Antífona de entrada: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Fomos criados para conhecer, servir e amar a Deus nesta vida e viver em comunhão de Verdade e de Amor com a Santíssima Trindade, com Nossa Senhora, os Anjos e os Santos do Paraíso para sempre.

Deus quer que esta nossa felicidade eterna comece, de algum modo, na terra, para continuar eternamente no Céu, embora elevada a um grau infinito. Participamos desde o Baptismo na Verdade que é Deus, pela fé da Igreja, e da Sua Vida de Amor, pela graça baptismal.

Amar é a nossa vocação temporal e eterna, e o amor é a síntese de toda a Lei cá na terra.

A Igreja celebra neste Domingo o Dia Mundial das Missões, lembrando que este incêndio do amor de Deus deve ser ateado em todos os corações, tornando as pessoas participantes desta felicidade na terra e no Céu.

 

Acto penitencial

 

Por vezes, a vida cristã de muitas pessoas está cheia de devoções ao seu gosto, mas falta-lhes compreender que ela se concentra no amor. Somos até capazes de viver iludidos com práticas de religiosidade e desinteressados da salvação dos outros, o que constituiria a negação do amor ao próximo.

Reconheçamos este engano na vida de cada dia e peçamos ao Senhor arrependimento e força para mudar de vida.

Manifestemos diante do Senhor e esta assembleia de eleitos que somos pecadores.

 

 (Tempo de silêncio)

 

•   Senhor Jesus: Tornamos mais pesada a cruz dos outros,

    por causa da nossa insensibilidade e frieza de coração.

    Senhor, tende piedade de nós.

 

    Senhor, tende piedade de nós.

 

•   Cristo: Desinteressamo-nos pela salvação das pessoas,

    e vivemos com indiferença as suas dores e problemas.

    Cristo, tende piedade de nós.

 

    Cristo, tende piedade de nós.

 

•   Senhor Jesus: somos insensíveis perante os sofrem

    e refugiamo-nos na preguiça para não os ajudar.

    Senhor, tende piedade de nós.

 

    Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor garante-nos que não aceita a perpetuação de situações intoleráveis de injustiça, de arbitrariedade, de opressão, de desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos mais pobres e dos mais débeis.

O texto do Deuteronómio convida-nos a um corajoso exame de consciência sobre o modo como tratamos os nossos irmãos de condição mais humilde.

 

Êxodos 22, 21-27 (20-26)

Eis o que diz o Senhor: 21«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás, porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto. 22Não maltratarás a viúva nem o órfão. 23Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor; 24inflamar-se-á a minha indignação e matar-vos-ei ao fio da espada. As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos, os vossos filhos. 25Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros. 26Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol, 27pois é tudo o que ele tem para se cobrir, é o vestuário com que cobre o seu corpo. Com que dormiria ele? Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso».

 

Estas prescrições legais pertencem àquela parte do Êxodo chamada pelos críticos Código da Aliança (Ex 20, 22 – 23, 19; certamente pelo facto de que em 24, 7 se chama «Livro da Aliança»); estamos na sua primeira parte, que se compõe de leis casuísticas (os mixpatîm, ou leis formuladas de modo condicional: «se…», reflectindo uma certa primitiva jurisprudência), a que se segue uma 2ª parte, as leis apodícticas (Ex 22, 17 – 23, 19, umas leis formuladas no modo imperativo, em hebraico ditas devarîm). Estas leis, que correspondem a outros códigos legais semitas do Antigo Médio Oriente, têm a particularidade de serem apresentadas como algo que faz parte das exigências da Aliança de Deus. Com a canonização dessas leis, toda a vida do povo, em todos os campos – sócio-político, pessoal e institucional, particular e familiar, cultual e profano –, adquire um carácter religioso. Note-se ainda a extraordinária humanidade e sábia pedagogia destas normas para virem a preparar a Lei evangélica do amor. 

25-26 Ainda hoje os árabes, de igual maneira, usam como manta para se agasalharem de noite o mesmo manto ou capa com que se cobrem durante o dia.

 

Salmo Responsorial    Sl 17 (18), 2-3.7.47.51ab (R. 2)

 

Monição: O salmista proclama a protecção que o Senhor tem usado para com ele nos momentos difíceis da vida e canta cheio de confiança e alegria.

Façamos nossa esta bela oração, pois também nós podemos proclamar a protecção especial do Senhor para connosco.

 

 

Refrão:        Eu Vos amo, Senhor: sois a minha força.

 

Eu Vos amo, Senhor, minha força,

minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.

Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,

meu protector, minha defesa e meu salvador.

 

Na minha aflição invoquei o Senhor

e clamei pelo meu Deus.

Do seu templo Ele ouviu a minha voz

e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

 

Viva o Senhor, bendito seja o meu protector;

exaltado seja Deus, meu salvador.

O Senhor dá ao Rei grandes vitórias

e usa de bondade para com o seu Ungido.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo Apóstolo dirige-se à comunidade cristã de Tessalónica a qual, apesar da hostilidade e da perseguição, aprendeu a percorrer, com Cristo e com ele, o caminho do amor e do dom da vida; e o seu exemplo – cumprido na alegria e na dor – tornou-se verdadeira semente de fé e de amor, que deu frutos em outras comunidades cristãs do mundo grego.

O nosso testemunho de um cristianismo vivido com toda a generosidade pode ajudar a atear no mundo o fogo do amor de Deus.

 

1 Tessalonicenses 1, 5c-10

Irmãos: 5cVós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem. 6Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; 7e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia. 8Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela. 9De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro 10e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira divina que há-de vir.

 

Este texto é a continuação do de há oito dias.

6 Em Act 17, 5-9 faz-se uma descrição duma dessas muitas tribulações.

7 «Macedónia e Acaia». Eram as duas províncias da administração romana em que então se dividia a Grécia. S. Paulo estava a escrever da Acaia, pois estava em Corinto; Tessalónica (cujo nome procedia da mulher de Cassandro, general de Alexandre, fundador da cidade) ficava na Macedónia.

10 «Ira divina que há-de vir». A ira divina é uma imagem para falar do estrito juízo de Deus a que ninguém pode escapar; há-de vir, isto é, há-de manifestar-se no fim do mundo, por ocasião do Juízo final. Para nós a ira é uma paixão; mas, quando na S. E. se refere a Deus, designa a sua justiça punitiva. Jesus, pela sua obra redentora, livrou-nos do castigo divino merecido.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 15, 20

 

Monição: A Santíssima Trindade habita em nós como num templo se procurarmos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Alegremo-nos com esta consoladora promessa e aclamemos jubilosamente o Evangelho que no-la anuncia.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra, diz o Senhor;

meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 22, 34-40

Naquele tempo, 34os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, 35e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: 36«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» 37Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. 38Este é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. 40Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

 

A questão posta a Jesus tinha como base a multiplicidade de leis mosaicas, ao todo 613.

37 «Jesus respondeu», citando uma passagem do A.T. (o texto é mais exacto em Mc 12, 29-30), que todo o judeu piedoso recitava duas vezes por dia – a chamada Xemá – e que muitos escreviam e metiam dentro das filactérias ou caixinhas que atavam à testa, ao braço esquerdo ou às costas da mão (cf. Dt 6, 4-9).

38-39 «O primeiro mandamento… O segundo…». Sendo inseparáveis estes dois preceitos, há neles uma jerarquia: devemos amar a Deus mais do que a ninguém e dum modo incondicional; ao próximo, como consequência e efeito do amor a Deus. Se amasse ao próximo por ele mesmo, e não por amor a Deus, esse amor impediria o cumprimento do primeiro mandamento e deixaria de ser autêntico amor ao próximo, pois entrar-se-ia pelo caminho de pouco se interessar pela sua salvação eterna e de vir a reduzir o próximo a uma determinada classe de pessoas, as que agradam ou oferecem vantagens, ou de o equiparar ao amor a um cachorrinho ou a um gato de estimação.

 

Sugestões para a homilia

 

• Somos o rosto de Deus

Profundamente humanos

Deus está do lado dos fracos

Protege os mais débeis

• O Amor no centro da vida

Amar a Deus

Amá-l’O nos irmãos

Atear incêndio do Amor.

 

1. Somos o rosto de Deus

 

Jesus Cristo passou visivelmente pela terra há dois mil anos e ensinou-nos o caminho do Céu.

As pessoas conhecem-n’O hoje por aqueles que afirmam que O seguem na vida e na doutrina. É pelo testemunho de vida dos cristãos que as pessoas hão-de vir ao encontro de Jesus Cristo. Nós somos o Seu rosto, perante as pessoas que vão connosco a caminho do Céu.

Por isso, temos necessidade de meditar na Sua vida e de procurar imitá-lo.

 

• Profundamente humanos com todos. «Eis o que diz o Senhor: “Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás [...]. Não maltratarás a viúva nem o órfão.”»

Abandonados a nós mesmos, facilmente transformamos o mundo numa selva na qual o mais forte devora o mais débil. Verificamos isto mesmo ao longo da história e nos nossos dias.

Foi o homem pecador, seduzido pelo demónio, que instituiu no mundo a exploração dos mais fracos, a degradação da mulher em todas as suas formas, e a falta de respeito pela vida.

Ainda hoje, quando o homem se afasta de Deus, rapidamente implanta no mundo a opressão sobre os seus irmãos.

São pessoas paganizadas as que implantam o aborto legalizado e pago com o dinheiro público, oprimem os outros com leis injustas, e degradam a mulher em redes de pecado e de crime.

A posição social, profissional, económica ou familiar não nos pode servir de motivo para oprimir os outros, os que estão em condição inferior, para os tratar injustamente e sem amor.

Sentir-se superior, elevar-se diante dos outros, desagrada ao Senhor e é uma ilusão, porque somos todos fundamentalmente iguais. Não há razão para complexos de superioridade.

Os povos acabam sempre por derrubar os que se fazem super-homens e rejeita-os.

Estamos todos ao serviço uns dos outros e vivemos já na terra a comunhão a que somos chamados a viver eternamente no Céu.

A fé ensina-nos que temos uma dignidade infinita porque somos todos – ou podemos ser – pela Baptismo filhos de Deus.

Portar-se com altivez, falar aos outros com sobranceria é uma tentação para quem alcança posições de mando.

 

• Deus está do lado dos mais fracos. «Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor; inflamar-se-á a minha indignação e matar-vos-ei ao fio da espada

À primeira vista, parece que nada acontece àqueles que oprimem os outros e vivem insensíveis perante o sofrimento que lhes causam.

Mas com exemplos tirados da vida corrente, o Senhor ensina-nos o quanto Lhe desagrada o comportamento de insensibilidade para com os problemas alheios e como isto acarretará a nossa infelicidade.

Deus é misericordioso para com todos, mas o coração daquele que assim procede fecha-se, endurece e insensibiliza-se à graça. Não é Deus se afaste dele, mas ele mesmo se fecha ao Seu amor.

O modo de proceder do nosso Deus desconcerta-nos, porque os homens costumam estar quase sempre do lado dos mais fortes, mas é convite a que também nós procedamos deste modo.

Estejamos atentos ao nosso modo de proceder, pois quando experimentamos dificuldades na vida espiritual, insegurança nas tentações, falta de alegria e paz, havemos de pensar se tudo isto acontece pelo trata desumano que damos aos outros, pela insensibilidade que alimentamos perante o desamparo.

 

• Protege os mais débeis. «Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol, pois é tudo o que ele tem para se cobrir, é o vestuário com que cobre o seu corpo. Com que dormiria ele

São exemplos de profunda humanidade os que o Senhor nos dá. Na antiguidade. A par de uma carência de agasalhos, havia estas espécies de penhor, por dívidas. Uma pessoa a quem fosse penhorada a capa teria de passar a noite a tiritar de frio.

Hoje, que estas situações acabaram, outras estão a surgir.

Há os que não têm trabalho para sustentar a família, que foram vítimas de injustiças, quer porque foram excluídos para deixar o lugar a outros, quer porque a empresa foi conduzida à falência por má administração ou mesmo fraudulentamente.

Os injustiçados que vêem os seus direitos de rastos pelos tribunais, vítimas de pessoas que se servem da sua influência para adiar as decisões ou fazê-las reverter em seu favor.

Pessoas vítimas de calúnias, que perdem a saúde e a alegria, pelo sofrimento que estas lhes causam.

Como podemos ser instrumentos de Deus no mundo, protegendo os mais débeis?

Há-de havê-los sempre na sociedade, por causa dos pecados dos homens que abusam da força ou da situação dos menos dotados.

Juntemos à sua a nossa voz, denunciando as injustiças e prontifiquemo-nos a defendê-los, todas as vezes que isso for possível.

 

2. O Amor no centro da vida

 

A pergunta que fizeram a Jesus era embaraçosa naquela época, porque a casuística tinha elevado as prescrições da Lei a 613 e não era fácil eleger a que estava acima de todas.

Na Sua pregação, Jesus ensinou que o homem não era para o sábado, mas o sábado para o homem

 

• Amar a Deus. «’Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento

Amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro Mandamento da Lei e a razão de ser dos outros nove. Tudo quanto fazemos na vida há-de ser movido por este amor.

Não podemos imaginar uma vida agradável ao Senhor sem um esforço constante para fomentar a intimidade com Deus, pela fidelidade aos mandamentos, pela oração e pelo apostolado.

Um modo prático de viver este mandamento é renovar a intenção muitas vezes ao dia. Foi isto que o Anjo da Guarda de Portugal ensinou aos três Pastorinhos: “Dizei assim, sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó meu deus, é por Vosso amor...”

Temos de dar testemunho da nossa fé sendo profundamente piedosos.

“Tudo por Amor. Assim não há coisas pequenas:” (S. Josemaria, Caminho).

Os amores e os interesses humanos hão-de estar centrados neste amor. Não faz sentido ofender a Deus para manifestar amor a qualquer pessoa. Quando isto acontece, o amor que se manifesta não é verdadeiro amor.

O amor a Deus concretiza-se em fazer a Sua vontade; e isto nem sempre agrada aos nossos sentidos, por causa da desordem que o pecado original introduziu em nós.

Também o amor humano exige sacrifício heróico. Não se alimenta só de consolações.

 

• Amá-l’O nos irmãos. «‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’»

O Senhor planeou que iniciássemos na terra a vida de comunhão com os nossos irmãos.

Amamos tudo o que Deus ama. De outro modo, não O amaríamos com sinceridade. Sabemos que o homem é o único ser criado que Deus ama em razão de si mesmo. (cf, Concílio Vaticano I, Const. Pastoral Gaudium et Spes).

Este amor concretiza-se em desejar o maior bem às pessoas, porque amar é querer bem.

Mas como não somos exclusivamente espirituais, devemos transparecer este amor com boas obras. Não se trata apenas de parecermos simpáticos, mas de vivermos em comunhão de alegrias e sofrimentos com as outras pessoas.

Por vezes, este amor mistura-se com a dor, porque exige de nós sacrifícios e pode, por sua vez, mortificar os outros. Quando o médico trata um doente, vê-se obrigado, por vezes, a molestá-lo. E as mães conhecem bem o quanto sofrem pelos seus filhos.

Quando se trata do amor ao próximo, é preciso levantar o olhar para o alto, como quem guia um veículo olhando sempre em frente. Às vezes, os pais entendem como amor o fazer todas as vontades aos filhos. Se um médico fizesse todas as vontades ao doente, e pusesse de lado os medicamentos que eles se recusam a tomar, abandonava-o à sua doença e à morte.

 

• Propagar este incêndio do Amor. «recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; [...] partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus

O bem supremo para todas as pessoas é a comunhão eterna com Deus. Nunca podemos esquecer esta orientação fundamental da nossa vida.

Amamos as pessoas quando lhes damos a conhecer Deus e as ensinamos a amá-l’O, cumprindo a Sua Lei.

Por isso, a evangelização missionária está no coração da Igreja e dos cristãos e constitui o testamento de Jesus, momentos antes de subir ao Céu. (cf S. Mateus, 28, 19).

Evangelizar não é mais uma devoção entre muitas outras. É uma preocupação nuclear para a nossa vida de filhos de Deus.

O nosso amor a Deus não seria verdadeiro, sincero, enquanto não procurássemos que Ele seja conhecido e amado por todas as pessoas. Ele é um Pai magnânimo e quer que todas as pessoas se sentem à Sua mesa na felicidade eterna do Céu.

Como poderemos viver este mandamento do Senhor?

Rezando pelos que lançam no mundo a semente do Evangelho. Sem a oração, a boa semente não germina. Ao rezar pela causa missionária fazemos um acto de humildade, porque reconhecemos que a evangelização não é fruto de uma ciência humana, mas obra de Deus. Os que evangelizam não azem mais do que oferecer ao Senhor os cinco pães e dois peixes, ou encher a talhas de água. A partir daí, o Senhor fará o milagre de encher as redes de bom peixe.

Muitas pessoas – podiam ser muitas mais – entregam a sua vida à difusão do Evangelho. Além destas que dedicam a vida inteira a este amor, podemos e devemos evangelizar o nosso meio. O grande inimigo de Deus nos nossos dias é a ignorância religiosa.

Sentindo esta urgência, o Santo Padre escreveu para este dia uma Mensagem que nos anima a sermos generosos.

Podemos ter a certeza que a preocupação missionária agradará muito a Nossa Senhora, por Ela deseja que todos os homens se acolham à sua maternidade e cheguem à salvação. Por isso a invocamos como Rainha das Missões.

 

Fala o Santo Padre

 

“O amor pelo próximo nasce da escuta dócil da Palavra divina.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

A Palavra do Senhor, que há pouco ressoou no Evangelho, recordou-nos que no amor se resume toda a Lei divina. O Evangelista Mateus narra que os fariseus, depois de Jesus ter respondido aos saduceus fechando-lhes a boca, reuniram-se para o pôr à prova (cf. 22, 34-35). Um destes, um doutor da lei, perguntou-lhe: Mestre, na Lei, qual é o grande mandamento?" (v. 36). A pergunta deixa transparecer a preocupação, presente na antiga tradição judaica, de encontrar um princípio unificador das várias formulações da vontade de Deus. Era uma pergunta difícil, considerando que na Lei de Moisés são contemplados 613 preceitos e proibições. Como discernir, entre todos eles, o maior? Mas Jesus não hesita, e responde imediatamente: "Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. É este o maior e o primeiro mandamento" (vv. 37-38). Na sua resposta, Jesus cita o Shemá, a oração que o israelita piedoso recita várias vezes ao dia, sobretudo de manhã e à tarde (cf. Dt 6, 4-9; 11, 13-21; Nm 15, 37-41): a proclamação do amor íntegro e total devido a Deus, como único Senhor. O realce é dado à totalidade desta dedicação a Deus, enumerando as três características que definem o homem nas suas estruturas psicológicas profundas: coração, alma e mente. A palavra mente, diánoia, contém o elemento racional. Deus não é apenas objecto do amor, do compromisso, da vontade e do sentimento, mas também do intelecto, que portanto não deve ser excluído deste âmbito. É precisamente o nosso pensamento que se deve conformar com o pensamento de Deus. Mas depois Jesus acrescenta algo que, na realidade, não tinha sido perguntado pelo doutor da lei: "O segundo é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo como a ti mesmo" (v. 39). O aspecto surpreendente da resposta de Jesus consiste no facto de que Ele estabelece uma relação de semelhança entre o primeiro e o segundo mandamento, definido também esta vez com uma fórmula bíblica tirada do código levítico de santidade (cf. Lv 19, 18). E eis portanto que na conclusão do trecho os dois mandamentos são associados no papel de princípio-base no qual se baseia toda a Revelação bíblica: "Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas" (v. 40).

A página evangélica sobre a qual estamos a meditar realça que ser discípulos de Cristo significa pôr em prática os seus ensinamentos, que se resumem no primeiro e maior mandamento da Lei divina, o mandamento do amor. Também a primeira Leitura, tirada do Livro do Êxodo, insiste sobre o dever do amor; um amor testemunhado concretamente nas relações entre as pessoas: devem ser relações de respeito, de colaboração, de ajuda generosa. O próximo a ser amado é também o estrangeiro, o órfão, a viúva e o indigente, aqueles cidadãos que não têm "defensor" algum. O autor sagrado desce a pormenores específicos, como no caso do objecto dado em penhor por um destes pobres (cf. Êx 20, 25-26). Neste caso é o próprio Deus que faz de fiador na situação deste próximo.

Na segunda Leitura podemos ver uma aplicação concreta do máximo mandamento do amor numa das primeiras comunidades cristãs. São Paulo escreve aos Tessalonicenses, fazendo-lhes compreender que, apesar de os conhecer há pouco tempo, os aprecia e sente por eles afecto. Por isso indica-os como um "modelo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia" (1 Ts 1, 6-7). Não faltam certamente debilidades e dificuldades naquela comunidade fundada recentemente, mas é o amor que tudo supera, tudo renova, tudo vence: o amor de quem, consciente dos próprios limites, segue docilmente as palavras de Cristo, Mestre divino, transmitidas através de um seu fiel discípulo. "Vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor escreve São Paulo acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar das numerosas tribulações". "Partindo de vós, se divulgou a Palavra do Senhor, não apenas pela Macedónia e Acaia, mas propagou-se por toda a parte a fé que tendes em Deus" (1 Ts 1, 6-8). Os ensinamentos que tiramos da experiência dos Tessalonicenses, experiência que na verdade irmana qualquer comunidade cristã autêntica, é que o amor pelo próximo nasce da escuta dócil da Palavra divina. É um amor que aceita também provações duras pela verdade da palavra divina e precisamente assim o verdadeiro amor cresce e a verdade resplandece em todo o seu esplendor. Como é então importante ouvir a Palavra e encarná-la na existência pessoal e comunitária! [...]

As leituras que a liturgia oferece hoje à nossa meditação recordam-nos que a plenitude da Lei, como de todas as Escrituras divinas, é o amor. Portanto quem pensa que compreendeu as Escrituras, ou pelo menos uma parte delas, sem se comprometer a construir, mediante a sua inteligência, o dúplice amor de Deus e do próximo, na realidade demonstra que ainda está longe de ter compreendido o seu sentido profundo. […] Maria Santíssima, que ofereceu a sua vida como "serva do Senhor", para que tudo se cumprisse em conformidade com a vontade divina (cf. Lc 1, 38) e que exortou a fazer tudo quanto Jesus dissesse (cf. Jo 2, 5), nos ensine a reconhecer na nossa vida a primazia da Palavra, a única que pode dar a salvação. Assim seja!

Papa Bento XVI, Basilica Vaticana, 26 de Outubro de 2008

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Renovemos neste dia o nosso propósito

de amar ao nosso Deus sobre todas as coisas

e outras pessoas como a nós mesmos

e manifestemo-lo, pedindo por todos,

para que O conheçam, sirvam e amem.

Oremos (cantando):

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que ensinem às pessoas os caminhos do Amor,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

2. Pelos que dedicaram a vida à causa missionária,

    para que sintam o conforto da nossa colaboração,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

3. Pelos que sentem dificuldade em amar e perdoar,

    para que sejam movidos pelo exemplo de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

4. Pelos jovens que alimentam a vida na esperança,

    para que se entreguem ao Senhor que os chama,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

5. Por todos nós a celebrar o Mistério Pascal de Jesus,

    para que procuremos viver bem a vocação cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

6. Pelos missionários que Deus chamou à eternidade,

    para que os receba jubilosamente na luz da glória,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, os nossos missionários!

 

Senhor, que nos chamastes à Vossa família

e nos animais a viver como irmãos na terra,

enchei de generosidade o nosso coração

para que Vos sirvamos em santidade e amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Encerrada a Mesa da Palavra na qual Jesus Cristo iluminou a nossa vida, vamos agora tomar parte na Mesa da Eucaristia que Ele mesmo vai preparar, pelo ministério do sacerdote.

Para nós, os mais débeis e humildes do Seu povo, vai transubstanciar o pão e o vinho que levamos ao altar no seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor...

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A verdadeira paz só existe quando são respeitados os direitos de Deus e de todas as pessoas, porque ela é a tranquilidade na ordem.

Disponhamos o nosso coração para viver segundo as exigências do Evangelho e teremos a verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor protege os mais fracos que somos nós e alimenta-nos com o Seu Corpo e Sangue. Exige apenas de nós que nos apresentemos verdadeiramente preparados para O receber: na graça de Deus e com fé profunda e humildade.

Comunguemos com a pureza humildade e devoção com que recebia Jesus Nossa Senhora e os santos.

 

Cântico da Comunhão: Dou-vos um mandamento novo, F. Silva, NRMS 71-72

cf. Salmo 19, 6

Antífona da comunhão: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

 

Ou

Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Louvarei para sempre, M. Simões, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor quer salvar todas as pessoas para que participem eternamente da Sua mesma felicidade.

Animemo-nos a colaborar neste projecto grandioso de Jesus Cristo pelo qual morreu e ressuscitou.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

30ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-X: Olhar mais para Deus.

Rom 8, 12-17 / Lc 13, 10-17

Apareceu então uma mulher com um espírito, que a tornava enferma havia dezoito anos: andava curvada.

Esta mulher curvada (Ev.) é o símbolo daqueles que têm uma visão demasiado humana e não conseguem olhar para Deus. Tornam-se escravos dos bens terrenos.

Pelo contrário, o Espírito Santo liberta-nos destas escravidões e faz de nós filhos de Deus (Leit.). «A nossa justificação vem da graça de Deus. A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá, a fim de respondermos ao seu chamamento para nos tornarmos filhos de Deus, filhos adoptivos (Leit.), participantes da natureza divina e da vida eterna» (CIC, 1995). Nª Sª tinha o seu olhar constantemente em Deus.

 

3ª Feira, 25-X: O fermento do Evangelho.

Rom 8, 18-25 / Lc 13, 18-21

O reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha.

Todos somos enviados por Deus para sermos o fermento que faz crescer o amor de Deus no ambiente que nos rodeia. A força do fermento depende da união com Deus.

«Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus» (Leit.). Temos como missão levar a Boa Nova de Cristo, de uma forma credível, através da coerência de vida, aos ambientes da vida profissional, familiar e social. O Evangelho deve tornar-se, ele próprio, fermento da História, incarnando nas relações humanas, para que haja ambientes repletos de paz e solidariedade.

 

4ª Feira, 26-X: Como entrar pela porta estreita?

Rom 8, 26-30 / Lc 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse aos presentes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

A vontade de Deus é que todos se salvem. Mas temos que colaborar, sendo exigentes connosco próprios. O pedido de Jesus é um «apelo urgente à conversão: ‘Entrai pela porta estreita’ (Ev.)» CIC, 1036).

Aproveitemos bem todas as dificuldades: «Ora nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que o amam» (Leit.). O testemunho dos santos confirma esta verdade. Dizia S. Tomás Moro à sua filha, antes do martírio: ‘Nada pode acontecer-nos que Deus não queira. E, tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é na verdade muito bom’ (cit em CIC 313).

 

5ª Feira, 27-X: Deus está sempre do nosso lado.

Rom 8, 31-39 / Lc 13, 31-35

Devo seguir o meu caminho, pois não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.

Jesus tomou a firme resolução de se dirigir a Jerusalém (Ev.). Essa era a vontade do Pai: «Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-o à morte para morrer por todos nós (Leit.), para que fossemos reconciliados com Ele pela morte do seu Filho» (CIC, 603).

É consolador saber que Deus está sempre do nosso lado: «Se temos Deus por nós, quem poderá estar contra nós?» (Leit.). E também contamos com a ajuda de Nª Senhora, que Ele nos deixou para cuidar de nós.

 

6ª Feira, 28-X: Participação na construção da Igreja.

Ef 2, 19-22 / Lc 6, 12-19

E, em união com Ele, também sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, habitação de Deus.

A Igreja está fundada sobre os Apóstolos. Os Apóstolos S. Simão e S. Judas participaram activamente na construção da Igreja. Segundo a Tradição andaram pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio.

 Todos nós estamos integrados na construção da Igreja (Leit.): «Toda a Igreja é apostólica, na medida em que é ‘enviada a todo o mundo’. Todos os membros da Igreja, embora de modos diversos, participam deste envio» (CIC, 863). Pedimos a Nª Senhora, Mãe da Igreja, para que todos participamos activamente nesta construção.

 

Sábado, 29-X: O poder da humildade.

Rom 11, 1-2. 11-12. 25-29 / Lc 14. 1. 7-11

Pois todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será exaltado.

Em Cristo encontramos um exemplo desta afirmação: humilhou-se até à morte e Deus exaltou-o e lhe deu um nome que está acima de todo o nome. Pela sua humilhação também nós fomos salvos. O mesmo aconteceu com Nossa Senhora, que se apresentou como escrava do Senhor e a quem todas as gerações chamarão bem-aventurada (Magnificat).

Precisamos reconhecer as nossas misérias e pedirmos perdão pelos nossos pecados: «É esta a aliança que farei com eles, quando houver tirado os seus pecados» (Leit.). Assim atrairemos a misericórdia de Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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