29.º Domingo Comum

16 de Outubro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aclamai o Senhor terra inteira, J. Santos, NRMS 98

Salmo 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos a chegar ao fim do ano litúrgico que, em muitas terras, coincide com o fim do ano agrícola. Tanto um como o outro são tempo de colheita e de balanço.

A isso nos convida também a Palavra de Deus neste domingo, a meditar na soberania de Deus.

 

Acto penitencial

 

Caímos facilmente na tentação de atirar as culpas do mal-estar do mundo para os ombros dos outros: dos Bispos, padres e religiosos.

Procuramos proceder como se não tivéssemos qualquer responsabilidade nos destinos da terra em que vivemos.

Examinemos a nossa consciência, para descobrirmos os nossos deveres e peçamos perdão pelas omissões.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para as nossas faltas de fé e pessimismo diante todos os males,

    que nos servem de desculpa para continuarmos sem fazer nada,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para as faltas de amor ao próximo nas necessidades que sofre,

    não oferecendo a nossa ajuda para que se vejam livres delas,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a nossa falta de esperança que manifestamos nas palavras,

    como se nada nesta vida tivesse remédio e pudesse mudar,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías recorda aos judeus exilados em Babilónia que Deus é o verdadeiro Senhor da história e que é Ele quem dirige a caminhada do seu Povo rumo à felicidade e à realização plena. Chama Ciro, um estrangeiro que não pertencia ao povo de Deus, para lhe dar a liberdade.

Os homens que actuam e intervêm na história são apenas os instrumentos de que Deus se serve para concretizar os seus projectos de salvação.

 

Isaías 45, 1.4-6

1Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada: 4«Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias. 5Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias, 6para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».

 

A leitura é tirada do Segundo Isaías; apresenta o rei Ciro da Pérsia, que em 539 acabou com o reino de Babilónia. Este é chamado, à maneira dos reis do povo escolhido, como o «Ungido» de Yahwéh. Ele permitiu que os exilados hebreus regressassem à pátria, e reconstruíssem o templo de Jerusalém. Nesta passagem, o profeta dá-lhe os grandiosos títulos de «Pastor» e «Ungido» do Senhor. É saudado como instrumento de Deus para libertar Israel e difundir a fé em Yahwéh, o único Deus. Também no Evangelho se fala doutro imperador pagão, Tibério César, mas sem que seja elogiado, ou condenado.

 

Salmo Responsorial    Sl 95 (96), l.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7b)

 

Monição: Que todos os nossos actos aclamem a glória e o poder do Senhor.

 

Refrão:        Aclamai a glória e o poder do Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira.

Publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

O Senhor é grande e digno de louvor,

mais temível que todos os deuses.

Os deuses dos gentios não passam de ídolos,

foi o Senhor quem fez os céus.

 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,

dai ao Senhor glória e poder.

Dai ao Senhor a glória do seu nome,

levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.

 

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,

trema diante d’Ele a terra inteira.

Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,

governa os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Segunda Carta aos tessalonicenses, S. Paulo dá graças ao Senhor pela comunidade que ali formou porque soube colocar Deus no centro do seu caminho e, apesar das dificuldades, comprometeu-se e vive na fidelidade. Eleita por Deus para ser sua testemunha no meio do mundo, vive ancorada numa fé activa, numa caridade esforçada e numa esperança inabalável.

 

1 Tessalonicenses 1, 1-5b

1Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco. 2Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações. 3Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai. 4Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos. 5bO nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a acção do Espírito Santo.

 

É este o início daquele que é muitíssimo provavelmente primeiro de todos os escritos do Novo Testamento, e dos que são mais fáceis de datar: pelo ano 51, S. Paulo, em Corinto, recebe, através de Timóteo, boas notícias da comunidade fundada há pouco, no decurso desta 2.ª viagem apostólica, e escreve esta carta cheia de carinho, para os confirmar na fé. Temos a breve saudação inicial (v. 1), à boa maneira clássica; junto a Paulo estavam dois dos seus companheiros da 2ª viagem, Silvano (Silas) e Timóteo. Chamamos a atenção para o facto de que nas palavras de acção de graças a Deus pela fidelidade dos Tessalonicenses (vv. 3-10), o Apóstolo, uns 20 anos após a Morte e Ressurreição de Cristo, alude ao mistério central da nossa fé, ao referir o «Pai», ao Filho, «o Senhor Jesus» (v. 3) e ao «Espírito Santo» (v. 5).

 

Aclamação ao Evangelho        Filip 2, 15d.16a

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Vós brilhais como estrelas no mundo,

ostentando a palavra da vida.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 22, 15-21

Naquele tempo, 15os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. 16Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te preocupares com ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. 17Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?» 18Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: 20«De quem é esta imagem e esta inscrição?» 21Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

 

A questão proposta era uma hábil cilada em que Jesus deveria cair: se dissesse que se devia pagar o tributo a Tibério César, ali estavam os «fariseus» para O desacreditarem perante o povo, pois apoiava o domínio romano, ao qual os fariseus se opunham tenazmente; se Jesus dissesse que não, ali tinha os «herodianos», que O iriam denunciar a Pilatos como rebelde e agitador do povo contra os Romanos, pois os partidários de Herodes apoiavam o domínio romano.

19 «A moeda do tributo». Era o denário, que tinha a efígie do imperador com a inscrição: «Tibério César, filho do divino Augusto».

21 Jesus evita cair na armadilha, dando uma resposta que transcende a pergunta: a pergunta era política; a resposta é de ordem moral e religiosa e muito mais ampla. Se é certo que Jesus declara: «dai a César o que é de César», também é verdade que restringe imediatamente esta declaração, ao afirmar um princípio superior: «dai a Deus o que é de Deus». É como se dissesse: dai a César o que lhe pertence, mas não mais do que aquilo que lhe pertence, pois há direitos superiores e prioritários, os de Deus, Yahwéh, a quem César tem de servir.

 

Sugestões para a homilia

 

a. A Palavra de Deus fala-nos hoje da soberania de Deus: a 1ª leitura e o Evangelho falam-nos da soberania de Deus na condução da história do mundo; a 2ª leitura, da soberania de Deus na vida espiritual e na acção pastoral da Igreja.

A primeira leitura dá-nos um exemplo dessa soberania na libertação do Povo de Deus do cativeiro da Babilónia. Humanamente falando, esse cativeiro terminou porque um rei estrangeiro conquistou a Babilónia e deu a liberdade aos prisioneiros. O profeta Isaías ensina que esse rei, Ciro, foi o instrumento de que Deus quis servir-se para realizar os seus planos. Sem haver conhecido o verdadeiro Deus, Ciro entra no plano de Deus ao libertar do cativeiro da Babilónia o Povo de Israel. Por isso, o profeta lhe chama mesmo o «Ungido do Senhor». «Deus é, em tudo e sempre, o Senhor».

A Providência de Deus está dentro e acima das acções dos homens. A acção constante da Providência não se capta na hora da execução, é algo em que se acredita, e só mais tarde, ao olhar os acontecimento do fim para o princípio, é que se descobre que andou ali a mão de Deus. «Ele é, em tudo e sempre, o Senhor».

 

O Evangelho relata outra faceta dessa soberania absoluta de Deus. Dois partidos opostos (fariseus e herodianos) tentam comprometer Jesus na relação entre a fé e a política, apresentando-as como atitudes antagónicas. Jesus explica que uma não exclui a outra: Deus é o Senhor de tudo e só a Ele adoramos, mas não se alheia da actividade cívica e política, e o cristão deve ver aí um meio de ajudar a construir um mundo mais justo. Não afasta Deus do seu coração, mesmo quando dá o seu voto e o contributo dos impostos justos. Faz tudo isso com os olhos em Deus, único juiz e Senhor da história. Mantém, porém um espírito lúcido e autónomo acerca dos actos governativos e, quando sentir que eles se afastam da lei de Deus e da justiça social, aquela fidelidade a Deus levá-lo-á a declarar a sua oposição a tais actos. César nunca é divino, nunca é absoluto, é somente César, actividade humana, e os seus actos estão também sujeitos a Deus. Ao destruir a divinização da política, o cristão fez cair um dos mais poderosos ídolos da antiguidade e tornou humana a actividade política.

 

b. A segunda leitura convida a fazer uma reflexão sobre a soberania de Deus na vida espiritual e na acção pastoral da Igreja.

Paulo lembra que tudo o que se passou com os tessalonicenses, desde a sua pregação inicial até ao seu desenvolvimento, é obra do Espírito Santo. Na verdade, nós somos «servos necessários» na pregação da Palavra e na administração, mas a adesão interior das pessoas e a eficácia espiritual é obra da graça.

A Igreja é a vinha querida por Deus, como lembramos há dias, mas o viticultor é Deus. Nesse aspecto, confessamos a soberania de Deus e reconhecemo-nos a nós como «servos inúteis». Também aqui, «só Deus é o Senhor, só Ele é santo».

É essa soberana que proclamámos no «Glória» e que iremos cantar no «Sanctus» e na doxologia conclusiva da anáfora eucarística.  

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL 2011

 

«Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21)

 

Por ocasião do Jubileu do Ano 2000, o Venerável João Paulo II, no início de um novo milénio da era cristã, afirmou com força a necessidade de renovar o empenho de levar a todos o anúncio do Evangelho «com o mesmo entusiasmo dos cristãos da primeira hora» (Carta ap. Novo millennio ineunte, 58). É o serviço mais precioso que a Igreja pode prestar à humanidade e a cada pessoa que está em busca das razões profundas para viver em plenitude a própria existência. Por isso, o mesmo convite ressoa todos os anos na celebração do Dia Missionário Mundial. Com efeito, o anúncio incessante do Evangelho vivifica também a Igreja, o seu fervor, o seu espírito apostólico, renova os seus métodos pastorais a fim de que sejam cada vez mais apropriados às novas situações — inclusive as que exigem uma nova evangelização — e animados pelo impulso missionário: «A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade cristãs, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos também encontrará inspiração e apoio, no empenho pela missão universal» (João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 2).

Ide e anunciai

Este objectivo reaviva-se continuamente através da celebração da liturgia, em especial da Eucaristia, que se conclui sempre evocando o mandato de Jesus ressuscitado aos Apóstolos: «Ide...» (Mt 28, 19). A liturgia é sempre uma chamada «do mundo» e um novo início «no mundo» para testemunhar o que se experimentou: o poder salvífico da Palavra de Deus, o poder salvífico do Mistério pascal de Cristo. Todos aqueles que encontraram o Senhor ressuscitado sentiram a necessidade de O anunciar aos outros, como fizeram os dois discípulos de Emaús. Eles, depois de ter reconhecido o Senhor ao partir o pão, «partiram imediatamente, voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os onze» e contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho (Lc 24, 33-35). O Papa João Paulo II exortava a estarmos «vigilantes e prontos para reconhecer o seu rosto e correr a levar aos nossos irmãos o grande anúncio: “Vimos o Senhor”!» (Carta ap. Novo millennio ineunte, 59).

A todos

Todos os povos são destinatários do anúncio do Evangelho. A Igreja «por sua natureza é missionária, visto que, segundo o desígnio de Deus Pai, tem a sua origem na missão do Filho e na missão do Espírito Santo» (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Ad gentes, 2). Esta é «a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar» (Paulo vi, Exort. ap. Evangelii nutiandi, 14). Consequentemente, nunca pode fechar-se em si mesma. Enraíza-se em determinados lugares para ir além. A sua acção, em adesão à palavra de Cristo e sob a influência da sua graça e caridade, faz-se plena e actualmente presente a todos os homens e a todos os povos para os conduzir rumo à fé em Cristo (cf. Ad gentes, 5).

Esta tarefa não perdeu a sua urgência. Aliás, «a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, ainda está bem longe do seu pleno cumprimento... uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão ainda está no começo e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço» (João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 1). Não podemos permanecer tranquilos com o pensamento de que, depois de dois mil anos, ainda existam povos que não conhecem Cristo e ainda não ouviram a sua Mensagem de salvação.

Não só mas aumenta o número daqueles que, embora tendo recebido o anúncio do Evangelho, o esqueceram e abandonaram, já não se reconhecem na Igreja; e muitos âmbitos, inclusive em sociedades tradicionalmente cristãs, hoje são refratários a abrirem-se à palavra da fé. Está em acto uma mudança cultural, alimentada também pela globalização, de movimentos de pensamento e de relativismo imperante, uma mudança que leva a uma mentalidade e a um estilo de vida que prescindem da Mensagem evangélica, como se Deus não existisse e exaltam a busca do bem-estar, do lucro fácil, da carreira e do sucesso como finalidade da vida, inclusive em detrimento dos valores morais.

Co-responsabilidade de todos

A missão universal envolve todos, tudo e sempre. O Evangelho não é um bem exclusivo de quem o recebeu, mas é um dom a partilhar, uma boa notícia a comunicar. E este dom-empenho está confiado não só a algumas pessoas, mas a todos os baptizados, os quais são «raça eleita... nação santa, povo adquirido» (1 Pd 2, 9), para que proclame as suas obras maravilhosas.

Estão envolvidas também todas as suas actividades. A atenção e a cooperação na obra evangelizadora da Igreja no mundo não podem ser limitadas a alguns momentos ou ocasiões particulares, e nem devem ser consideradas como uma das tantas actividades pastorais: a dimensão missionária da Igreja é essencial e, portanto, deve estar sempre presente. É importante que tanto cada baptizado como as comunidades eclesiais se interessem pela missão não de modo esporádico e irregular, mas de maneira constante, como forma de vida cristã. O próprio Dia Missionário não é um momento isolado no decorrer do ano, mas uma ocasião preciosa para nos determos e reflectirmos se e como correspondemos à vocação missionária; uma resposta essencial para a vida da Igreja.

Evangelização global

A evangelização é um processo complexo e inclui vários elementos. Entre estes, uma atenção peculiar da parte da animação missionária sempre foi dada à solidariedade. Este é também um dos objectivos do Dia Missionário Mundial que, através das Pontifícias Obras Missionárias, solicita a ajuda para a realização das tarefas de evangelização nos territórios de missão. Trata-se de apoiar instituições necessárias para estabelecer e consolidar a Igreja mediante os catequistas, os seminários, os sacerdotes; e também de oferecer a própria contribuição para o melhoramento das condições de vida das pessoas em países nos quais são mais graves os fenómenos de pobreza, subalimentação sobretudo infantil, doenças, carência de serviços médicos e para a instrução. Isto também faz parte da missão da Igreja. Anunciando o Evangelho, ela toma a peito a vida humana em sentido pleno. Não é aceitável, afirmava o Servo de Deus Paulo VI, que na evangelização se descuidem os temas relativos à promoção humana, à justiça e à libertação de todas as formas de opressão, obviamente no respeito pela autonomia da esfera política. Não se interessar pelos problemas temporais da humanidade significaria «esquecer a lição que vem do Evangelho sobre o amor ao próximo que sofre e está em necessidade» (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 31.34); não estaria em sintonia com o comportamento de Jesus, o qual «percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todas as enfermidades e doenças» (Mt 9, 35).

Assim, através da participação co-responsável na missão da Igreja, o cristão torna-se construtor da comunhão, da paz, da solidariedade que Cristo nos concedeu, e colabora para a realização do plano salvífico de Deus para toda a humanidade. Os desafios que ela encontra chamam os cristãos a caminhar juntamente com os outros, e a missão faz parte integrante deste caminho com todos. Nela conservamos, embora em vasos de barro, a nossa vocação cristã, o tesouro inestimável do Evangelho, o testemunho vivo de Jesus morto e ressuscitado, encontrado e acreditado na Igreja.

O Dia Missionário reavive em cada um o desejo e a alegria de «ir» ao encontro da humanidade levando Cristo a todos. Em seu nome concedo-vos de coração a Bênção Apostólica, em particular àqueles que mais trabalham e sofrem pelo Evangelho.

 

Bento XVI, Vaticano, 6 de Janeiro de 2011, Solenidade da Epifania do Senhor

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Elevemos confiadamente ao Céu as nossas preces,

pela mediação de Jesus Cristo, nosso Redentor,

implorando a graça de todas as pessoas alcançarem

as riquezas que Deus nos oferece na Sua Igreja.

Oremos (cantando):

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

1. Para que todas as pessoas acolham o convite

    do Santo Padre que nos convida a todos à missão,

    oremos, irmãos:

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

2. Para que todos os jovens da nossa comunidade

    vejam a alegria e valor da vocação missionária,

    oremos, irmãos:

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

3. Para que os pais compreendam e ajudem os filhos

    a seguir o caminho por onde o Senhor os chama,

    oremos, irmãos:

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

4. Para que todos nós aqui reunidos nesta Eucaristia

    vejamos a urgência de dar a conhecer Jesus Cristo,

    oremos, irmãos:

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

5. Para que os missionários que andam pelo mundo

    sejam confortados pela nossa compreensão e ajuda,

    oremos, irmãos:

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

6. Para que todos os que já partiram para a eternidade

    contemplem, desde  já, a glória da Santíssima Trindade,

    oremos, irmãos:

 

    Senhor Jesus: fazei-nos Vossas testemunhas!

 

Senhor que nos ensinastes, na Vossa misericórdia,

que o melhor modo de agradecer a fé será testemunhá-la:

tornai-nos fieis aos nossos compromissos baptismais,

para vivamos em comunhão convosco eternamente.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A alegria do Senhor é encontrar-Se connosco e celebrar nesta intimidade o Sacrifício do Altar.

Distribuiu connosco generosamente o Pão da Palavra, inundando de Luz os caminhos da nossa vida. Propõe-Se agora preparar para nós o Alimento divino do Seu Corpo e Sangue, a partir do pão e do vinho que acabámos de trazer ao altar.

Alegremo-nos e avivemos a nossa fé, para vivermos intensamente estes momentos.

 

Cântico do ofertório: A fé em Deus, F. da Silva, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Dar a Deus o que é de Deus, ensina-nos o Senhor. A Ele pertence inteiramente o nosso coração. Não podemos, portanto, guardar nele qualquer ressentimento contra os nossos irmãos que partilham connosco a mesma filiação divina.

Manifestemos esta generosidade, exprimindo-o entre nós com o sinal litúrgico da reconciliação e da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Deus acolhe-nos na Sua Casa – neste templo – para nos servir o Alimento divino do Seu Corpo e Sangue.

Para participarmos nesta refeição divina, é necessário que estejamos preparados. Examinemos a nossa consciência para verificarmos se nos encontramos na graça de Deus.

Depois, aproximemo-nos com fé, amor e devoção do próprio Senhor que Se nos dá em alimento.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Salmo 32, 18-19

Antífona da comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

 

Ou

Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor pelo bem, F. da Silva, NRMS 98

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus será o nosso programa para a semana que agora começa.

Dar a César o que é de César, leva-nos a cumprir os nossos deveres de cidadãos do mundo, como todas as outras pessoas; dar a Deus o que é de Deus lembra-nos a urgência de reconduzirmos ao Coração de Jesus Cristo os que d’Ele se afastaram.

 

Cântico final: Ide por todo mundo, M. Faria, NRMS 23

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-X: O segredo da felicidade.

Rom 4, 20-25 / Lc 12, 13-21

Depois, direi à minha alma: Ó alma, tens muitos bens em depósito para largos anos. Descansa, come, bebe e regala-te.

Este homem rico pensou ter encontrado a felicidade na acumulação de bens materiais. No entanto, «a verdadeira felicidade não reside nem na riqueza ou no bem estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por útil que seja, como as ciências, as técnicas e as artes, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor» (CIC, 1723). O importante continua a ser: «tornar-se rico aos olhos de Deus» (Ev.).

Abraão acreditou em Deus e teve uma descendência numerosíssima (Leit.).

 

3ª Feira, 18-X: S. Lucas: O contributo de S. Lucas.

2 Tim 4, 9-17 / Lc 10, 1-9

Escolhestes S. Lucas para revelar, com a sua palavra e com os seus escritos o mistério do vosso amor pelos pobres.

S. Lucas transmitiu-nos, com a sua palavra e os seus escritos (Oração), os ensinamentos de Jesus (no seu Evangelho) e a vida da primitiva cristandade (nos Actos dos Apóstolos). Acompanhou igualmente S. Paulo nas suas viagens apostólicas, encontrando-se a seu lado na prisão em Roma (Leit.).

A ele devemos um melhor conhecimento da vida de Jesus, especialmente da sua infância, de algumas parábolas (o filho pródigo, o bom samaritano…). Dele também ficámos com mais algumas referências à vida de Nossa Senhora.

 

4ª Feira, 19-X: Virtudes de um bom combate.

Rom 6, 12-18 / Lc 12, 39-48

Não reine o pecado no vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus desejos.

«Os últimos tempos em que nos encontramos são os da efusão do Espírito Santo. Trava-se desde então um combate decisivo entre a ‘carne’ e o Espírito: É preciso ter passado pela escola de Paulo para dizer: ‘Que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal (Leit.) (CIC, 2819).

Para este combate decisivo não podemos tomar a atitude do servo brigão, destemperado na bebida e na comida, descuidado (Ev.). Por causa dele, a casa (a nossa vida) é arrombada. Devemos sim imitar o servo fiel e prudente que faz aquilo que deve, cumprindo os seus deveres (Ev.).

 

5ª Feira, 20-X: A energia transformadora do Espírito Santo

Rom 6, 19-23 /  Lc 12, 49-53

Eu vim lançar fogo à terra e só quero ele se tenha ateado.

«O fogo simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo… aquele Espírito do qual Jesus dirá: ‘Eu vim trazer fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado’ (Ev.)» (CIC 696).

O Espírito Santo é quem nos dará a energia sobrenatural para darmos o salto de ‘escravos do pecado’ para ‘escravos de Deus’ (Leit.). É Ele igualmente que nos há-de dar a energia para transmitirmos aos outros a Boa Nova, como aconteceu no dia de Pentecostes: esperamos receber ‘umas línguas à maneira de fogo’.

 

6ª Feira, 21-X: A interpretação dos sinais.

Rom 7, 18-25 / Lc 12, 54-59

Que homem infeliz que eu sou! Quem me há-de libertar deste corpo que me leva à morte?

S. Paulo descreve esta realidade: «Na verdade, o bem que eu quero, não o faço, mas o mal que não quero é que pratico» (Leit.). Quem nos pode libertar desta triste realidade? «O Espírito Santo é o mestre interior. Fazendo nascer o ‘homem interior’ (Leit.), a justificação implica a santificação de todo o ser» (CIC, 1995).

Como podemos discernir melhor a vontade de Deus? «…O homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os sinais dos tempos (Ev.), graças á virtude da prudência, aos conselhos das pessoas sensatas e à ajuda do Espírito Santo e dos seus dons» (CIC, 1788). E à Nª Sª do Bom conselho.

 

Sábado, 22-X: Como aumentar os frutos na nossa vida.

Rom 8, 1-11 / Lc 13, 1-9

Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira mas não o encontrou.

A figueira é o símbolo de cada um de nós. E o Senhor procura constantemente em nós bons frutos: virtudes, boas acções, etc. Como poderemos produzir melhores frutos? O adubo fertilizante (Ev.) é símbolo do Espírito Santo, Senhor que dá a vida. Quando somos dóceis, o Espírito Santo reside nos nossos corações, como num templo. Passamos a ser orientados por uma «nova lei»: a lei do Espírito, que dá a vida em Cristo Jesus (Leit.) (CIC, 782).

Em Nª Senhora Deus encontra o fruto bendito do seu ventre, como repetimos constantemente em cada Ave-Maria.

 

 

 

 

 

Celebração:                           Fernando Silva

Homilia:                                 D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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