Nossa Senhora do rosário

7 de Outubro de 2011

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Rainha do Santíssimo Rosário, S. Marques, NRMS 86

cf. Lc 1, 28.42

Antífona de entrada: Avé, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora do Rosário, no mês que a Igreja dedica à principal devoção mariana. Demos graças a Deus na nossa celebração, pelos abundantíssimos dons que nos faz chegar por meio desta oração, tão querida da Mãe de Deus, e façamos propósitos de rezar com mais fé e amor o Terço de cada dia.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz e com a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os discípulos, depois da Ascensão do Senhor, de modo natural se reúnem com Maria, a Mãe de Jesus, para rezar. Com a mesma naturalidade nasceu o Rosário e é rezado, nos cinco continentes, pelo povo cristão.

 

Actos 1, 12-14

Depois de Jesus ter subido ao Céu, os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.

 

Quando deixa de ter visibilidade a pessoa de Jesus, a sua Mãe ocupa um lugar digno de nota, logo na oração da Igreja nascente. Com Ela os primeiros que seguiram a Cristo, esperam o Espírito Santo, perseverando, «unidos em oração». Note-se também a importância dada à lista dos Apóstolos e como em todas as quatro listas que aparecem no N. T. Pedro é constantemente o cabeça de lista, embora estas não contenham os nomes sempre na mesma ordem.

 

Salmo Responsorial    Lc 1, 46-47.48-49.50-51.52-53.54-55 (R. Lc 1, 49)

 

Monição: Acompanhemos Nossa Senhora no seu cântico de louvor a Deus e rezemos com esse mesmo espírito a oração do Terço.

 

Refrão:        O Senhor fez em mim maravilhas:

                     santo é o seu nome.

 

Ou:               Bendita sejais, ó Virgem Maria,

                     que trouxestes em vosso ventre o Filho do eterno Pai.

 

A minha alma glorifica o Senhor,

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

 

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva,

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

 

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

 

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Encheu de bens os famintos

e aos ricos despediu de mãos vazias.

 

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 1, 28

 

Monição: As palavras que Deus dirige a Nossa Senhora por meio do Anjo, estão nos nossos lábios em cada Ave-Maria, procuremos pronunciá-las com a veneração e piedade com que o terá feito S. Gabriel.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

A festa de Nossa Senhora do Rosário

A oração do Rosário

Os frutos do Rosário

 

A festa de Nossa Senhora do Rosário

A leitura dos Actos dos Apóstolos que a pouco foi proclamada, apresenta-nos a Igreja, depois da ascensão do Senhor, reunida em oração com Maria, a Mãe de Jesus. Desde aquele momento histórico a oração com Maria e dirigida a Maria tornou-se inseparável do caminhar da Igreja e de cada um dos cristãos. Nosso Senhor quis que assim fosse, quando nos confiou à sua Mãe no Calvário. Prontamente surgiram na Igreja breves orações à Mãe de Deus, e especialmente repetiam-se as palavras dirigidas pelo Arcanjo São Gabriel a Virgem Maria. Os louvores que o Espírito Santo colocou no coração de Santa Isabel uniram-se aos do Anjo, e foi tomando forma, a pouco e pouco, a oração mariana que será com o Pai Nosso e o Gloria o alimento essencial da alma cristã. “A Ave-Maria, recitada desde sempre na Igreja e recomendada frequentemente pelos Papas e Concílios, tinha inicialmente uma forma breve; mais tarde, adquiriu a sua feição definitiva quando lhe foi acrescentada a petição por uma boa morte: rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte; em cada situação, agora, e no momento supremo de nos encontrarmos com o Senhor” (Francisco Fernandez Carvajal, Falar com Deus, VII, 34).

O Rosário tal e como hoje o conhecemos, é fruto de um longo processo de elaboração, que começa a tomar forma com São Domingos de Gusmão e a ordem por ele fundada. S. Domingos uniu à antiga tradição de rezar 150 Ave-Marias em substituição dos 150 salmos que os monges recitavam nos mosteiros, a pregação sobre os mistérios da vida de Nosso Senhor e de Maria. Com esta maneira de rezar inspirada por Nossa Senhora, segundo a tradição, combateu as seitas cataras e albigenses que estavam muito espalhadas pela França. A Ordem dos Pregadores desde o século XIII segue o caminho iniciado pelo seu fundador e vai dando forma a esta nova devoção de comprovada eficácia santificadora das almas e de altíssimo valor impetratorio. Será o Papa dominicano S. Pio V que definirá, já com exactidão o Rosário, com a solene bula Consueverunt Romani Pontifices (17 de Setembro de 1569) na qual resume e amplia também todas as indulgências concedidas até então a esta devoção mariana. O mesmo Romano Pontífice instituirá, mais tarde, a festa de Nossa Senhora das Vitorias, para agradecer a Nossa Senhora a vitória de Lepanto (7 de Outubro de 1571), atribuída à oração do Rosário. O seu sucessor Gregório XIII mudou a advocação da festa para Nossa Senhora do Rosário. Clemente XI, em 1716, estendeu a celebração à Igreja universal. A reforma litúrgica de 1913, que quis descarregar de festas os domingos, alterou a data da celebração do primeiro domingo de Outubro para o dia 7 do mesmo mês. 

A oração do Rosário

Não existe outra devoção mariana que tenha sido tão recomendada e praticada pelos santos e pelos Papas como o Rosário da Virgem Maria. Qual pode ser o motivo para que assim seja?

1º) A sua origem: A mais antiga tradição sustenta que Nossa Senhora apareceu a S. Domingos em Fangeaux (França) quando fazia uma vigília de oração numa pequena ermida. O santo terá sido confirmado na sua missão de fundador, na eficácia da obra empreendida para combater a heresia albigense em França, e recebeu de Nossa Senhora a “arma” que deveria empregar: o Rosário. Quando muitos séculos depois Nossa Senhora aparece em Lurdes, leva um terço no seu braço direito, e passa as contas em quanto o reza Bernadette. Nas aparições de Fátima se dá a conhecer como “a Senhora do Rosário”, também traz consigo o terço, e recomenda a todos os cristãos que o rezem diariamente.

2º) O seu valor trinitário e cristológico: Além das orações trinitárias que são rezadas no terço, a presença das três Divinas pessoas acompanha a contemplação dos 20 mistérios da vida de Jesus e de Maria. O Bem-aventurado João Paulo II lembrou-nos que “o Rosário é um dos percursos tradicionais da oração cristã aplicada à contemplação do rosto de Cristo. Paulo VI assim o descreveu: «Oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora, o Rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica. Na verdade, o seu elemento mais característico – a repetição litânica do “Alegra-te, Maria”– torna-se também ele louvor incessante a Cristo, objectivo último do anúncio do Anjo e da saudação da mãe do Baptista: “Bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42). Diremos mais ainda: a repetição da Avé Maria constitui a urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação dos mistérios; aquele Jesus que cada Avé Maria relembra é o mesmo que a sucessão dos mistérios propõe, uma e outra vez, como Filho de Deus e da Virgem Santíssima». (28)”(C.A. O Rosário da Virgem Maria, 18). O mesmo poderia ser dito do Espírito Santo que é quem torna “Cheia de graça” Nossa Senhora.

3º) A sua simplicidade e riqueza como caminho de contemplação: Qualquer pessoa pode rezar o Terço, e o pode fazer em qualquer lugar e ocupação que o permitir. Assim a alma de todos os fiéis, seja qual for a sua cultura, ocupação e circunstâncias, pode elevar-se até Deus ao ritmo das Ave-Marias. Com o terço na mão, contando pelos dedos ou só mentalmente, o cristão enquanto caminha pela cidade, no meio do trânsito, no comboio, etc. pode rezar e santificar esses tempos e actividades. O Rosário, com os seus vinte mistérios, é um voo da alma, que se eleva, como as grandes aves, descrevendo uma linha espiral. Nos mistérios da alegria contemplamos a vida oculta do Emanuel. A seguir nos elevamos até a vida pública com teofanias e manifestações da divindade de Jesus. Com Ele subimos, nos mistérios dolorosos, ao Calvário para oferecer o supremo sacrifício de amor e obediência ao Pai. Da Cruz, que abre as portas do Céu, penetramos na glória da vida Trinitária pela mão dos mistérios gloriosos. Todo o Evangelho é meditado, cada vez com mais profundidade, pela mão de Maria e como Ela o fez ao longo da sua vida. “Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: «Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o “rosário” que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena”(João Paulo II, C.A. O Rosário da Virgem Maria, 11).

 

4º) A sua força impetratória: A antiga tradição, antes referida, atribui a Nossa Senhora a origem da devoção do Rosário, que a terá sido indicada a S. Domingos como o meio eficaz para acabar com os males que assolavam a Igreja. O remédio foi eficaz para fazer desaparecer as heresias dos albigenses. Grandes ameaças para a fé desapareceram graças a esta “arma poderosa”. Entre outras, logo no início da sua difusão, o perigo da heresia aliada a motivos políticos, que conduziu à guerra. A batalha de Muret, contra as tropas partidárias dos albigenses, foi ganha por Simão de Monfort, cujo exército se preparou para combater com a reza do Terço. Em 1571 teve lugar a conhecida vitória de Lepanto, atribuída por S. Pio V a reza do Terço. O Príncipe Eugénio de Saboya, já em 1716, derrotou, de novo, a ameaça turca na batalha de Temesvar (na Roménia moderna). A vitória foi alcançada na festa de Nossa Senhora das Neves e o Papa Clemente XI a atribuiu à devoção a Nossa Senhora do Rosário. Não podemos esquecer as palavras de Nossa Senhora em Fátima, sobre a necessidade de rezar o Terço para alcançar a paz, a conversão dos pecadores, etc.

Os frutos do Rosário

A força que o Rosário transmite a quem o reza devotamente é experimentada todos os dias; mas pode ajudar-nos lembrar alguns exemplos comovedores:

1) O Bispo James Walsh, que esteve prisioneiro na China comunista de 1961 a 1973 escrevia mais tarde: “Encontrei no Rosário um salva-vidas que nunca falha. O meu grande alimento durante os doze anos de prisão foi o Rosário. Não tinha leituras religiosas, nem possibilidade de as obter; foi-me impossível celebrar a Santa Missa ou recitar o Breviário. Quê fazer nestas condições? A reposta foi rápida e automática: o Rosário pode ser rezado com os dez dedos como se reza com o terço.

Durante muitos anos tinha rezado as três partes do Rosário. Na prisão sempre pode rezar sei, quase sempre doze e por vezes dezoito Terços”.

2) Os missionários que chegaram ao Japão em 1865, descobriram um bom grupo de japoneses que tinham conservado a fé cristã, isolados do resto do mundo. Um dos meios de que se serviram para manter viva a fé foi o Terço. Os que não foram mortos nas perseguições o ensinaram aos filhos e o mesmo fizeram estes. A festa de Nossa Senhora do Japão, que se celebra naquelas terras a 17 de Março, recorda o descobrimento de aqueles cristãos descendentes da primeira evangelização.

3) O Cardeal Jonzas Andrys Backis, arcebispo de Vilnius (Lituânia), com ocasião do Congresso eucarístico internacional de Guadalajara, na sua homilia a 7 de Outubro de 2004, deu o seguinte testemunho: Os lituanos, disse, jovens, crianças e adultos confiaram desde sempre na protecção da Mãe de Deus mediante a reza do Terço. Durante a segunda guerra mundial, os alemães pediam aos lituanos um documento de identificação. Como muitos não tinham, mostravam o terço. Era suficiente para os identificar. Quando os soviéticos tomaram o poder e deportaram, para a Sibéria e outros lugares, famílias inteiras em carruagens de gado, por vezes o único que levavam consigo era o terço. Os presos lituanos faziam terços com migalhas de pão molhadas e deixadas secar e unidas por uma linha. Na minha família, disse o Cardeal, ainda conservamos um terço de essa época.

No Século que estamos a iniciar também existem perigos e ameaças e grandes desafios para todos os cristãos. O Beato João Paulo II queria que a Igreja do terceiro Milénio do Cristianismo começasse a caminhar “de terço na mão”, e orando pela Paz e pela Família. Retomemos hoje estas intenções tão prementes que o Santo Padre nos quis propor na sua Carta Apostólica O Rosário da Virgem Maria.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Todo-poderoso, e imploremos a misericórdia

d’Aquele que é o Deus Todo-Poderoso que fez maravilhas em Maria, dizendo:

 

Ouvi-nos Senhor.

 

1.  Pelos bispos, presbíteros e diáconos:

para que busquem apenas no Senhor a sua glória

e imitando assim a humildade de Maria,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos chefes das nações:

para que respeitem a dignidade de toda a pessoa humana,

temendo o Deus que derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes,

oremos, irmãos

 

3.  Para que nunca percamos a esperança perante as dificuldades da vida,

e sejamos sempre conscientes de que o Amor de Deus é mais forte que a morte,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que em todas as famílias

haja diálogo, paz, amor e felicidade com a oração do Rosário,

oremos, irmãos

 

5.  Para que todos nós vivamos nossa fé em Cristo ressuscitado

numa Comunidade que saiba repartir com os demais tudo o que é e o que tem,

oremos, irmãos.

 

Deus Eterno e Omnipotente, nós Vos agradecemos todas as graças que por intercessão de Maria

Santíssima e pela Vossa infinita misericórdia generosamente nos concedeis.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo …

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: Tudo vos damos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Tornai-nos dignos, Senhor, de Vos oferecer este santo sacrifício, de modo que, celebrando fervorosamente os mistérios do vosso Filho, mereçamos alcançar as suas promessas. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 [644-756] ou II, p. 487

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

 

Monição da Comunhão

 

Na Ave – Maria aclamamos Nossa Senhora como Cheia de Graça. Também ficaríamos nos “cheios de graça” se comungássemos com as devidas disposições. Peçamos a nossa Senhora que nos ajude a comungar com a alma dignamente preparada.

 

Cântico da Comunhão: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Antífona da comunhão: O Anjo do Senhor disse a Maria: Conceberás e darás à luz um Filho e o seu nome será Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor nosso Deus, que, ao anunciarmos neste sacramento a morte e a ressurreição do vosso Filho, O sigamos fielmente na sua paixão e mereçamos participar na alegria da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com a Palavra de Deus e o Pão que desce do Céu continuemos a caminhar na nossa vida quotidiana agarrados pela mão materna de Nossa Senhora. Manteremos essa mão firmemente agarrada se rezarmos o Terço todos os dias.

 

Cântico final: Caminhos de bênção, M. Faria, NRMS 10 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

27ª SEMANA

 

Sábado, 8-X: A obra-prima de Deus e o nosso refúgio.

Jl 4, 12-21 / Lc 11, 27-28

Feliz daquela que te trouxe no seio e que te amamentou ao seu peito.

Nossa Senhora ouviu um duplo louvor: duma mulher e de seu Filho Jesus, porque ouviu a palavra de Deus e a levou à prática (Ev.).

Temos possibilidade de louvar a nossa Mãe, quando recitamos a Ave-Maria, cujas palavras «deixam de certo modo transparecer o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra prima – a encarnação do Filho no ventre virginal de Maria… A repetição da Ave-Maria sintoniza-nos com este encanto de Deus» (B. João Paulo II). Deus e Ela são para nós um refúgio: «Mas o Senhor é um refúgio para o seu povo» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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