Santa Maria Mãe de Deus

D. M. da Paz

01 de Janeiro de 2005

Na Oitava do Natal do Senhor

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Te cantamos, M. Borda, NRMS 10 (II)

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Ou:  cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Por ser a oitava litúrgica do Natal, celebramos a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. De facto a festa do Natal põe em realce dois aspectos complementares do mesmo mistério: a encarnação do Filho eterno de Deus Pai e a maternidade divina de Maria, que decorre da divindade de Jesus de Nazaré, de quem ela é a Mãe. Por isso, celebramos também o dia mundial da Paz; Deus ao vir à terra instaura um tempo em que a paz se torna possível porque a reconciliação também.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira palavra de Deus proposta para este ano que agora começa é uma palavra de bênção. A bênção de Deus é a condição para a paz. A bênção de Deus ilumina, pacifica, reconcilia e dá a paz.

 

Números 6, 22-27

22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».

 

24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, usada ainda hoje; é tripla e crescente: com três palavras a primeira; com 5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome das Três Pessoas da SS. Trindade. Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.

 

Salmo Responsorial    Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R. 2a)

 

Monição: Diante da grandeza da bênção de Deus o seu povo apenas pode aspirar dizendo: «Que Deus nos dê a Sua bênção», porque ela nos basta.

 

Refrão:        Deus Se compadeça de nós

e nos dê a sua bênção.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os seus caminhos

e entre os povos a sua salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Os Tempos chegaram à sua plenitude assim como uma mulher que chega ao tempo de dar à luz. A gestação chegou ao fim e a terra vai produzir o seu fruto. O Filho de Deus une em si a humanidade à divindade e nós já podemos chamar a Deus «Pai».

 

Gálatas 4, 4-7

Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.

 

4 Talvez tenha sido escolhido este texto para a solenidade de hoje, porque é a única vez que, em todas as suas cartas, S. Paulo menciona directamente a Virgem Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o pai, o que parece ser uma insinuação da maternidade virginal de Maria.

5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a da nossa filiação divina.

6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá» é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior parte não sabiam hebraico, parece querer manter o aramaico da mesma expressão carinhosa e familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra aramaica, original de Jesus.

 

Aclamação ao Evangelho       Hebr 1, 1-2

 

Monição: Depois do parto, segue-se essa bela imagem de Maria que recebe o menino nos seus braços e o deposita numa manjedoura. Os pastores contemplam e partem jubilosos. Unamos o nosso olhar ao seu para também nos unirmos pelos cânticos de louvor.

 

Aleluia

 

Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas.

Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho.

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

 

Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora do dia de Natal (ver notas supra).

16 «Encontraram Maria…» Neste dia de festa da Mãe de Deus, vemos como não A podemos separar de Jesus e de José e, com a simplicidade dos pastores, começamos o novo ano aprendendo a recorrer a Ela, como por instinto de filhos, pois, como diz S. Bernardo, «Ela consola os nossos receios, aviva a nossa fé, fortalece a nossa esperança, dissipa os nossos temores e dá ânimo à nossa pusilanimidade» (Hom. sobre a Natividade de Nª Srª).

21 Repetidas vezes se insiste em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente, significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh que salva».

 

Sugestões para a homilia

 

A liturgia da oitava do Natal é centrada na maternidade divina de Maria e no Dia Mundial da Paz, e, todos os anos é também enriquecida por uma Mensagem do Santo Padre a contribuir para a formação progressiva de uma cultura da paz. A oração do cristão encontra o seu princípio e fundamento na nossa união a Cristo, é uma expressão de amor aos homens, nossos irmãos e de comprometimento na construção de uma sociedade harmónica, como Deus a deseja, assente sobre os alicerces da justiça e da paz. Ao rezar pela paz, o cristão afirma a sua convicção de que a paz é um dom de Deus e que a escuta da Palavra de Deus nos alarga os horizontes da verdadeira construção da paz. Essa convicção de fé herdámo-la já do Povo de Israel e está claramente confessada na oração de bênção que nos refere o Livro dos Números. E o Novo Testamento dá uma articulada doutrina sobre a paz. Esta assenta no respeito pelo projecto de Deus para o homem e para a sociedade, tem como alicerces a verdade e a justiça, como atitudes fundamentais o amor e o perdão.

A paz é a tranquilidade da ordem, nenhuma verdade ou visão da verdade se podem impor, muito menos pela violência, embora todos tenhamos o direito de a propor, no contexto de uma sociedade de pessoas em diálogo; o perdão, sendo prioritariamente uma atitude pessoal, tem de ter uma expressão colectiva e social, na medida em que as sociedades são conduzidas por pessoas.

Porque todos desejamos uma sociedade alicerçada na justiça e na paz concebida como tranquilidade da ordem. A ordem é a harmonia da sociedade e quando ela assenta na justiça, no respeito pela dignidade de cada pessoa e não apenas na afirmação, mas na promoção da liberdade, a ordem oferece aos cidadãos a tranquilidade.

A construção da tranquilidade na ordem, supõe o cultivo de valores como a honestidade e desprendimento no serviço, a competência para bem exercer as funções próprias de cada um, a justiça nos julgamentos e a equidade na distribuição de bens e oportunidades. Uma ordem social que promova a tranquilidade é incompatível com a corrupção, com as desigualdades e as injustiças sociais, com a persistência da pobreza e da marginalidade. Nós cristãos encontramos em Cristo, Palavra eterna de Deus, a fonte da verdade. Proponhamos a nossa experiência da verdade com convicção, participando responsavelmente no debate sobre a sociedade que queremos construir.

 

Fala o Santo Padre

 

«Para o cristão, proclamar a paz é anunciar Cristo, que é a 'nossa paz'».

 

1. «Quando, porém, chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho» (Gl 4, 4).

Hoje, Oitava de Natal, a Liturgia apresenta-nos o Ícone da Mãe de Deus, Virgem Maria. O Apóstolo Paulo indica nela a «mulher», por intermédio da qual o Filho de Deus entrou no mundo. Maria de Nazaré é a Theotokos, Aquela que «deu à luz o Rei que governa o céu e a terra por todos os séculos» (Antífona de entrada; cf. Sedúlio). No início deste novo ano coloquemo-nos docilmente na sua escola. Desejamos aprender dela, a Mãe Santa, a receber na fé e na oração a salvação que Deus não cessa de conceder a quantos confiam no seu amor misericordioso. […]

3. «Um compromisso sempre actual: educar para a paz» este é o tema da Mensagem para o hodierno Dia Mundial da Paz. Ele vincula-se idealmente a quanto eu pude propor no início do meu Pontificado, reiterando a urgência e a necessidade de formar as consciências para a cultura da paz. Dado que a paz é possível, desejei repetir, ela é também um dever (cf. Mensagem, n. 4).

Diante das situações de injustiça e de violência que oprimem várias regiões do planeta, perante a insistência de conflitos armados, muitas vezes esquecidas pela opinião pública, torna-se cada vez mais necessário construir em conjunto caminhos para a paz; por isso, torna-se indispensável educar para a paz. Para o cristão «proclamar a paz é anunciar Cristo, que é a 'nossa paz' (Ef 2, 14); é anunciar o seu Evangelho, que é o 'Evangelho da paz' (Ef 6, 15); é exortar todos à bem-aventurança de ser 'obreiros da paz' (cf. Mt 5, 9)» (Mensagem, n. 3). […]

4. Em cada ano, neste tempo de Natal, voltamos idealmente a Belém para adorar o Menino deitado no presépio. Infelizmente, a Terra em que Jesus nasceu continua a viver em condições dramáticas. Mesmo noutras partes do mundo, não se aplacam os focos de violência e os conflitos. Porém, é necessário um esforço da parte de todos, a fim de que sejam respeitados os direitos fundamentais das pessoas, através de uma educação constante para a legalidade. Em vista desta finalidade, é preciso comprometer-se para ultrapassar «a lógica da simples justiça» e «abrir-se também à do perdão». Com efeito, «não há paz sem perdão!» (cf. Mensagem, n. 10).

Sente-se cada vez mais a necessidade de uma nova ordem internacional, que faça frutificar a experiência e os resultados alcançados ao longo destes anos pela Organização das Nações Unidas; uma ordem que seja capaz de dar aos problemas contemporâneos soluções adequadas, fundamentadas sobre a dignidade da pessoa humana, sobre um desenvolvimento integral da sociedade, sobre a solidariedade entre países ricos e países pobres, sobre a partilha dos recursos e dos resultados extraordinários do progresso científico e técnico.

5. «O amor é a forma mais alta e mais nobre de relação dos seres humanos» (Ibidem). Foi esta consciência que me orientou, ao redigir a Mensagem para este Dia Mundial da Paz. Deus nos ajude a construir todos juntos a «civilização do amor». Somente uma humanidade em que prevalecer o amor será capaz de fruir de uma paz genuína e duradoura.

Maria nos conceda este dom! Que Ela nos sustente e nos acompanhe no caminho árduo e exaltante da edificação da paz. Por isso rezamos com confiança, sem nos cansarmos Maria, Rainha da paz, ora por nós!

 

João Paulo II, na Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, 1 de Janeiro de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso, e imploremos a misericórdia

d’Aquele dá ao mundo a paz, dizendo:

Ouvi-nos Senhor.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que seja modelo fiel de dom para o bem da humanidade,

oremos, irmãos.

 

2.  Por todos os lideres políticos:

para que trabalhem diligentemente na construção de uma sociedade justa e

pacífica,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos pobre e doentes:

para que recebam as bênçãos abundantes de Deus,

oremos, irmãos

 

4.  Por cada um de nós:

para que durante este ano partilhemos generosamente as bênçãos de Deus,

oremos, irmãos

 

Senhor, Deus de todas as bênçãos, Vós ouvis as orações dos que vos

suplicam, dais-nos a prosperidade e a paz para podermos louvar-Vos em

todo o tempo. Por Nosso Senhor…

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Santa Maria, Mãe de Deus, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que dais origem a todos os bens e os levais à sua plenitude, nós Vos pedimos, nesta solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: assim como celebramos festivamente as primícias da vossa graça, tenhamos também a alegria de receber os seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na maternidade] p. 486 [644-756]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Maria colocou Jesus numa manjedoura profeticamente porque o seu Filho seria no futuro o alimento de todos os que se aproximam do altar. Correspondamos como os pastores com cânticos de louvor.

 

Cântico da Comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 66

Hebr 13, 8

Antífona da comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Recebemos com alegria os vossos sacramentos nesta solenidade em que proclamamos a Virgem Santa Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja: fazei que esta comunhão nos ajude a crescer para a vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Partamos desta celebração ricos da bênção de Deus e entusiasmados, como os pastores em anunciá-l'O por toda a parte contando o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino.

 

Cântico final: O Povo de Deus Te aclama, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Hermenegildo Faria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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