24º Domingo Comum

11 de Setembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai Senhor a prece, M. Carneiro, NRMS 90-91

cf. Sir 36, 18

Antífona de entrada: Dai a paz, Senhor, aos que em Vós esperam e confirmai a verdade dos vossos profetas. Escutai a prece dos vossos servos e abençoai o vosso povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Palavra de Deus que a liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum nos propõe fala do perdão. Apresenta-nos um Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos que, dia a dia, caminham ao nosso lado.

 

 

Oração colecta: Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura deixa claro que a ira e o rancor são sentimentos maus, que não convêm à felicidade e à realização do homem. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão; e avisa que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento.

 

Ben-Sirá 27, 33 – 28, 1-9

33O rancor e a ira são coisas detestáveis, e o pecador é mestre nelas. 1, 1Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor, que pedirá minuciosa conta de seus pecados. 2Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas. 3Um homem guarda rancor contra outro e pede a Deus que o cure? 4Não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados? 5Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor, quem lhe alcançará o perdão das suas faltas? 6Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio; 7pensa na corrupção e na morte, e guarda os mandamentos. 8Recorda os mandamentos e não tenhas rancor ao próximo; 9pensa na aliança do Altíssimo e não repares nas ofensas que te fazem.

 

A condenação da ira e da vingança já aparece aqui, como que a preparar proximamente os espíritos para os ensinamentos de Jesus sobre o perdão das injúrias, como se lê no Evangelho de hoje. O livro de Jesus Ben Sira, ou Sirácida, foi escrito por volta do ano 180 a. C., em hebraico, e traduzido para grego pelo neto do autor, no Egipto, por volta do ano 130. O texto original hebraico, ainda foi conhecido por S. Jerónimo (que lamentavelmente não se deu ao trabalho de o traduzir, por não se tratar de um livro aceite pacificamente por todos), mas esteve perdido durante séculos, até que se pôde reconstituir a partir de vários manuscritos: o primeiro achado em 1896 na Guenizá da Sinagoga do Cairo, e outros achados em Qumrã e na fortaleza de Massadá (em 1964), para além de outros pequenos fragmentos hebraicos medievais.

 

Salmo Responsorial    Sl 102 (103), 1-2.3-4.9-10.11-12 (R. 8)

 

Monição: A Palavra de Deus hoje exorta-nos ao perdão, porque o próprio Deus foi o primeiro a perdoar-nos. Louvemo-l’O porque Ele é paciente e cheio de bondade para connosco.

 

Refrão:        O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades.

Salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

Não está sempre a repreender

nem guarda ressentimento.

Não nos tratou segundo os nossos pecados

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como a distância da terra aos céus,

assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.

Como o Oriente dista do Ocidente,

assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus devem ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.

 

Romanos 14, 7-9

Irmãos: 7Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. 8Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos.

 

O texto afirma a pertença radical de todos os fiéis, vivos ou falecidos, a Cristo. Ele conquistou-nos com o mistério da sua morte e ressurreição; ficámos a pertencer-lhe pelo Baptismo, que não é um mero rito, mas é um entrar numa comunhão de vida com Ele, para morrer e viver com Ele (cf. Rom 6). Recordem-se, a propósito, as palavras do mesmo S. Paulo em 2 Cor 5, 14-15: «O amor de Cristo urge-nos... Ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si mesmos mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles». Pode-se aproveitar esta ocasião para corrigir a lamentável gralha que aparece na última edição (1984) da «Celebração das Exéquias», nº 205: não é «nenhum de nós vive por si mesmo», mas sim: «nenhum de nós vive para si mesmo».

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 13, 34

 

Monição: O Evangelho fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos – de forma total, ilimitada e absoluta – o seu perdão. Os crentes são convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixarem que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a sua relação com os irmãos.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia Gregoriano

 

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:

amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

 

 

 

Evangelho

 

 

São Mateus 18, 21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» 22Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. 24Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. 25Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. 26Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. 27Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. 30Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. 31Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. 32Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. 33Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. 35Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

 

À pergunta de Pedro sobre quantas vezes deve perdoar, Jesus não se detém em casuística rabínica, mas responde com uma parábola que, para bom entendedor, queria dizer «sempre», «de modo que não encerrou o Senhor o perdão num número determinado, mas deu a entender que há que perdoar continuamente e sempre» (S. João Crisóstomo). O ensino da parábola reside no contraste hiperbólico entre a magnanimidade do senhor, que perdoa uma soma incalculável – dez mil talentos seriam umas centenas de milhões de contos – e a mesquinhez do criado para com um companheiro que lhe devia apenas cem denários; um denário equivalia ao salário dum dia e eram 12 gramas de prata; um talento podia corresponder a 36 quilos de prata. A misericórdia de Deus é infinita para com o pecador, mas este também deve ser misericordioso e perdoar a quem o ofende. A lei da caridade e do perdão é o cerne do «Reino dos Céus».

 

Sugestões para a homilia

 

Ir além da simples justiça e abrir o coração à misericórdia

O amor de Deus não tem limites

Ir além da simples justiça e abrir o coração à misericórdia

Todos os homens se sentem vítimas da injustiça e daí a tendência para responderem com a vingança e com o ódio. Lamec, filho de Caim, é o símbolo desta vingança sem limites: «Matei um homem porque me feriu e um rapaz porque me pisou. Se Caim foi vingado sete vezes, Lamec sê-lo-á setenta vezes sete» (Gen 4, 23-24). Mais tarde, segundo o Antigo Testamento, aparece a famosa lei «olho por olho, dente por dente» (Ex 21, 24), que em relação à atitude de Lamec significa uma grande humanização, lei que não significa restituir ao outro o mal que fez, mas sim que a punição seja feita com justiça. O Livro do Levítico dá mais um passo em frente: «Não te vingarás nem guardarás rancor aos filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Lev 19, 18). É nesta direcção, que vai a Leitura do Livro do Eclesiástico. O texto defende que é necessário ir além da simples justiça e abrir o coração à misericórdia. O perdão ao irmão é indispensável para se obter o perdão de Deus.

É nesse sentido que, a Leitura da Carta de Paulo aos Romanos, que nos ajude a esbater as diferenças de comportamento. O cristão deve ter sempre presente que não vive para o seu egoísmo, mas para o Senhor e para os irmãos.

O amor de Deus não tem limites

O Evangelho de Mateus continua o tema do perdão. Os rabinos, os guias espirituais de Israel, condenam a vingança, a ira, o rancor e exigem a reconciliação, mas restrita ao povo de Israel. Discutem o número de vezes que se deve perdoar. Todos estão de acordo que o limite é a quarta vez e daí em diante deve existir a punição. Pedro quer saber o que Jesus pensa sobre o assunto e Jesus respondeu-lhe: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete», isto é, sempre. E para melhor esclarecer o pensamento, conta a parábola dos "dois devedores". O interesse de Jesus é salientar a enorme distância que existe entre o coração de Deus e o coração dos homens. Não há nenhum pecado que Ele não perdoe. A par da misericórdia de Deus existe a mesquinhez do coração humano, que não sabe perdoar. O perdão de Deus não consiste numa esponja que apaga o acontecido. Isto não é perdão. O pecado é uma realidade séria, é uma destruição que atinge o íntimo da pessoa, que deve ser reparada. Deus manifesta a sua misericórdia e realiza o seu perdão quando transforma o ser humano e o conduz à conversão e quando o faz passar do egoísmo ao amor efectivo. O cristão, ainda correndo o risco de ser considerado parvo, é sempre ele que deve dar o primeiro passo da reconciliação. A parábola encerra com um gesto do Senhor, onde Deus aparece como vingativo. Mas não. É o "estilo" do tempo em que a parábola foi composta. O amor do Pai do Céu não tem limites.

 

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs

Neste dia, em que reconhecemos

a grandeza de Deus quando perdoa

e a do homem que aprende a perdoar, digamos com fé:

 

Senhor, venha a nós o vosso reino.

 

1. Pelos ministros e fiéis da nossa Diocese de N.,

para que aprendam a perdoar-se mutuamente,

como Cristo ensinou a Pedro,

oremos ao Senhor.

 

2. Pelos que detêm poderes de governo,

para que fomentem na sociedade

a concórdia, a solidariedade e a paz,

oremos ao Senhor.

 

3. Pelos fiéis das Igrejas cristãs,

para que superem todas as divisões

e cheguem à unidade da fé em Cristo,

oremos ao Senhor.

 

4. Pelos que vivem pensando apenas em si mesmos,

para que acreditem em Jesus, que morreu por todos

e nos ensina a viver para Ele e para os outros,

oremos ao Senhor.

 

5. Pelos membros desta assembleia celebrante

e por todos os emigrantes da nossa Paróquia,

para que ponham em prática a mensagem de Jesus sobre o perdão,

oremos ao Senhor.

 

Senhor de misericórdia infinita,

não limiteis a vossa indulgência

à nossa capacidade de perdoar,

mas ensinai-nos a descobrir em vosso Filho

a medida do vosso perdão.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, com bondade as nossas súplicas e recebei estas ofertas dos vossos fiéis, para que os dons oferecidos por cada um de nós para glória do vosso nome sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 84

 

Monição da Comunhão

 

Porque Deus nos ama pode perdoar-nos vezes sem conta. E uma vez perdoados entramos na comunhão do seu amor.

 

Cântico da Comunhão: Dou-vos um mandamento novo, F. da Silva, NRMS 71-72

 

Salmo 35, 8

Antífona da comunhão: Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! A sombra das vossas asas se refugiam os homens.

 

Ou:

O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é comunhão no Corpo do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Bendiz, minha alma o Senhor, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, concedei que este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo, para que não sejamos conduzidos pelos nossos sentimentos mas pela virtude vivificante do vosso Espírito. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Evangelho recorda-nos aquilo que quem faz a experiência do perdão de Deus, envolve-se numa lógica de misericórdia que tem, necessariamente, implicações na forma de abordar os irmãos que falharam. Não podemos dizer que Deus não perdoa a quem é incapaz de perdoar aos irmãos; mas podemos dizer que experimentar o amor de Deus e deixar-se transformar por Ele significa assumir uma outra atitude para com os irmãos, uma atitude marcada pela bondade, pela compreensão, pela misericórdia, pelo acolhimento, pelo amor.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-IX: Santíssimo Nome de Maria: Nª Sª e a Eucaristia.

1 Tim 2, 1-8 / Lc 7, 1-10

(O centurião): Eu não mereço que entres debaixo do meu tecto.

O centurião de Cafarnaum ficou duplamente ligado ao sacramento da Eucaristia: pelas palavras que disse a Jesus (Ev.), e que continuamos a repetir antes da Comunhão; e porque construiu a sinagoga de Cafarnaum, onde Jesus pronunciaria mais tarde a maravilha da Eucaristia. Repitamos com fé as suas palavras quando recebermos o Senhor.

No dia do Santíssimo Nome de Maria não esqueçamos igualmente a sua ligação com a Eucaristia. Ela foi o «primeiro Sacrário vivo da História», e recebeu Jesus no seu ventre bendito com toda a humildade e devoção.

 

3ª Feira, 13-IX: O doente, um sinal de Deus.

1Tim 3, 1-13 / Lc 7, 11-17

E vinha com ela bastante gente da cidade. Ao vê-la o Senhor compadeceu-se e disse-lhe: Não chores.

«A compaixão de Jesus para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos de toda a espécie são um sinal claro de que Deus visitou o seu povo…A sua compaixão para com todos os que sofrem vai ao ponto de identificar-se com eles: ‘Estive doente e visitaste-me’ (Ev.)» (CIC, 1503). Procuremos ver, com olhos de fé, a Cristo em cada doente.

Lembrando S. João Crisóstomo: «Mesmo que jejues ou, por assim dizer, te mates, se não te preocupas pelo próximo, pouca coisa fizeste, pois ainda estás muito longe da imagem de Jesus».

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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