Natividade da Virgem Santa Maria

8 de Setembro de 2011

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva, NCT 630

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A família cristã está em festa. Faz anos a nossa terna e boa Mãe do Céu. Ela foi a escolhida por Deus para ser a Mãe do nosso Redentor. Ela é a Mãe de Jesus, Deus e Homem verdadeiro, Cabeça do Corpo místico a cujo corpo todos pertencemos pelo Baptismo.

Queremos celebrar com fé, alegria e profunda gratidão a Natividade de Nossa Senhora. Vamos fazê-lo da forma que seja mais do agrado desta nossa tão boa e querida Mãe.

 

Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O povo de Israel vivia atormentado com ameaças de guerra provocadas constantemente pelos povos vizinhos. O Profeta Miqueias anuncia-lhes que depois destas ameaças, em Belém-Efratá surgirá «aquele que há-de reinar sobre Israel». Essa esperança começaria a ser concretizada com o nascimento de Nossa Senhora, Mãe do Redentor tão esperado.

 

Miqueias 5, 1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a duma outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…», à letra: «pequena para as que estão entre as milhares (ou famílias) de Judá». S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de dois recursos próprios da hermenêutica judaica. Por um lado, transforma a afirmação de Miqueias numa interrogação – «porventura és pequena…? –, o que lhe permite dizer que de modo nenhum é a mais pequena; por outro lado, com a técnica deráxica chamada al-tiqrey («não leias»), lê a palavra hebraica alfey («milhares») com outras vogais, a saber, al-lufey («as principais [príncipes] de»), tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, mas só as consoantes. É assim que Mateus pode dizer, sem falsear o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais (cidades) de Judá» (Mt 2, 6).

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há-de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar a alguns comentadores numa alusão à célebre profecia da virgem que concebe de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus, a razão da escolha deste texto para a Liturgia de hoje.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do aoristo proléptico), dada a nossa íntima união a Cristo já glorificado.

 

Salmo Responsorial    Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)

 

Monição: Por maiores que sejam as dificuldades da vida, todas serão vencidas com a ajuda sempre amável e atenta do nosso Deus. Quem n’Ele confia, pode sempre exultar de alegria.

 

Refrão:        Exulto de alegria no Senhor.

 

Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.

 

E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Apesar do afastamento de Deus pelo pecado, aos nossos primeiros pais foi-lhes prometido por Deus, um Redentor. Para a concretização de tão grandiosa promessa, o mesmo Senhor escolheu Maria, Mãe do Messias tão desejado pela humanidade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia Gregoriano

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.

 

 

Evangelho *

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23;     forma breve: São Mateus 1, 18-23

 [1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».

 

«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não correspon­de a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada uma daquelas pessoas da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), mas não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora sem documentar que descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois, ou mais tarde se faltava tempo para ser fértil.

 «Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, uma vez que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias; em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e, assim, o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel (se é que ele não esteve mesmo ali); poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se prestava a indicar que este não nasceria de germe paterno!). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa, muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) O chamarás».

 

Sugestões para a homilia

 

1. Motivos porque devemos celebrar o aniversário natalício de Nossa Senhora.

2. Como escolher a “prenda de anos” a entregar a Nossa Senhora.

3. Eis a “prenda de anos” que Nossa Senhora espera e aprecia.

1. Motivos porque devemos celebrar o aniversário natalício de Nossa Senhora.

É apanágio dos bons filhos celebrarem, dentro das suas possibilidades, mas sempre com muito carinho e verdadeiro amor filial, o aniversário natalício de suas mães.

Maria Santíssima é verdadeiramente nossa Mãe. Ela é Mãe de Jesus, no Qual todos estamos enxertados pelo Baptismo, fazendo com Ele um só Corpo místico. Ela Mãe de Jesus, Cabeça deste Corpo é consequentemente Mãe de todo o Corpo, do qual fazemos parte. Além disso, o próprio Jesus, no Calvário, do alto da Cruz o confirmou ao afirmar ao Apóstolo João, quando lhe apresentou Nossa Senhora dizendo: “Eis a tua Mãe”.

Ao longo dos vinte séculos de cristianismo, temos tido manifestações do terno e atento carinho que Nossa Senhora a todos dedica. As aparições da Mãe de Deus reconhecidas pela autoridade da Igreja, são reveladoras desses cuidados maternais.

Não temos dúvida, a Mãe de Jesus é nossa querida Mãe do Céu.

Como celebramos em 8 de Dezembro a Sua Imaculada Conceição, nove meses depois, isto é em 8 de Setembro, comemoramos o Seu Nascimento.

Eis os motivos que nos levam a celebrar com entusiasmo, alegria e profundo amor filial esta tão querida efeméride.

2. Como escolher a “prenda de anos” a entregar a Nossa Senhora.

Como bons filhos, queremos que esta celebração seja do Seu agrado. Enquanto que com as mães da terra nem sempre seja fácil acertar com o que elas mais apreciam, o mesmo não se verifica com a nossa terna Mãe do Céu. Sabemos que o que Ela mais deseja é a nossa verdadeira e real felicidade. A Mãe quer ver-nos felizes. Por isso a todos pede uma grande fidelidade e enternecido amor a Deus, nosso Pai: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está tão ofendido”, nos diz, em bom português, na Sua mensagem de Fátima. Pede-nos assim que sempre cumpramos com diligência e dedicação a Santíssima vontade de Deus, expressa nos Seus mandamentos. E pede-nos mais. Como quer que todos se salvem, sejam felizes, roga também que rezemos uns pelos outros, afirmando mesmo “que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Nossa Senhora, em Fátima, como em todas as restantes aparições, vem lembrar os caminhos do Evangelho de Seu divino Filho: penitência e oração, que são caminhos certos da verdadeira libertação e consequente alegria de viver.

3. Eis a “prenda de anos” que Nossa Senhora espera.

Se queremos celebrar o aniversário de Nossa Senhora como Ela pretende, façamos o propósito de viver sempre na graça de Deus, recorrendo com assiduidade ao Sacramento da alegria que é o da Penitência e a um sério plano de vida espiritual que contemple todos os momentos da nossa existência, o que poderá ser combinado com o respectivo Director espiritual, que, para assunto tão sério, todos, dentro das suas possibilidades, deverão possuir.

Nossa Senhora, na já citada mensagem de Fátima, pede-nos ainda a Consagração ao Seu Imaculado Coração, a reza diária do Terço em família e a Comunhão reparadora dos Primeiros Sábados.

Feliz de quem, livre e generosamente estiver disposto a corresponder e divulgar estes pedidos tão concretos e incisivos, que nossa terna e boa Mãe do Céu nos faz. Além de lhe estar a ofertar o presente de aniversário que mais aprecia, estará no caminho de, com a Sua Protecção, se poder encontrar com Ela e todos os Santos, um dia para sempre no reino dos Céus, contemplando os esplendores da Santíssima Trindade. 

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Ao celebrarmos o nascimento de Nossa Senhora

Que deu ao mundo Jesus Redentor e Salvador

Invoquemos reconhecidamente o nosso Deus,

Dizendo cheios de fé:

R. Ouvi-nos Senhor.

 

1.     Pela Santa Igreja

Para que anuncie a todos aqueles que a escutam

O poder intercessor de Nossa Senhora junto de Deus,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos Senhor.

 

2.     Pelo povo de Israel

Para que, por intercessão de Nossa Senhora

Descubram em Jesus o Messias prometido.

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

3.     Conscientes do que Nossa Senhora nos pede,

Façamos propósitos sérios de conversão

Seguindo os caminhos que a mesma Mãe do Céu nos aponta,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

4.     Para que, correspondendo aos apelos maternais de Nossa Senhora

Rezemos e nos sacrifiquemos pela conversão dos pecadores,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

5.     Por todos os que já partiram para a eternidade,

Para que em breve possam todos viver no céu

O aniversário de Nossa Senhora,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

Deus Pai e Senhor do Céu e da Terra

Ouvi as orações do vosso povo

Que celebra a festa da Natividade de Nossa Senhora

E por Sua intercessão e auxílio

Enriquecei-o com os dons da vossa graça.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

 Que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Santíssima, M. Faria, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade: p. 486 [644-756] ou II, p. 4 7

 

Santo: F. dos Santos, NCT 84

 

Monição da Comunhão

 

Jesus é o Bendito fruto do ventre puríssimo de Nossa Senhora, pelo que podemos dizer com verdade que a Carne de Jesus é Carne de Maria. Recebamo-lO com muito amor e também reconhecimento pela humilde e importantíssima colaboração de Sua Mãe, Maria Santíssima.

 

Cântico da Comunhão: Como é suave Senhor, M. Luis, NRMS 36

 

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.

 

Cântico de acção de graças: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

 

Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos viver com muita fé, alegria e entusiasmo esta linda Festa de Aniversário da nossa querida Mãe do Céu. Com generosidade vamos oferecer-Lhe a prenda que Ela, de cada um mais aprecia.

Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Avé Maria, farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74

 

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 9-IX: Consequências da cegueira espiritual.

1 Tim 1, 1-2. 12-14 / Lc 6, 39-42

Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: Poderá um cego guiar outro cego?

A cegueira interior impede ver as coisas como Deus as vê. S. Paulo reconhece a sua ignorância que o levou a ser «blasfemo, perseguidor e insolente. Contudo, alcancei misericórdia» (Leit.). Com a sua conversão caíram-lhe as escamas dos olhos e já pode descobrir Jesus. No fim da sua vida dirá: «Para mim, viver é Cristo».

De igual modo, a cegueira espiritual tende a descobrir demasiados defeitos nos outros e muito poucos em nós. Para ‘vermos melhor’ os outros, sigamos o conselho do Senhor: «retira primeiro a trave da tua vista» (vai eliminando os teus defeitos).

 

Sábado, 10-IX: A misericórdia divina e a conversão.

1 Tim1, 15-17 / Lc 6, 43-49

Cristo veio ao mundo salvar os pecadores, e eu sou o primeiro deles.

«Jesus convida os pecadores para a mesa do reino (Leit.): ‘Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores’. Convida-os à conversão… mas por palavra e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do seu Pai para com eles» (CIC, 545).

Para acolhermos a misericórdia divina, procuremos melhorar o nosso interior: «o homem bom tira o que é bom do bom tesouro que é o seu coração» (Ev.); e cumprir a vontade de Deus, semelhante ao homem que, na construção da sua casa, assentou os alicerces sobre a rocha (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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