22º Domingo Comum

28 de Agosto de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aproximai- vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

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Salmo 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para àqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir a “loucura da cruz”: o acesso a essa vida verdadeira e plena que Deus nos quer oferecer passa pelo caminho do amor e do dom da vida, pelo caminho da cruz.

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura, um profeta de Israel (Jeremias) descreve a sua experiência de “cruz”. Seduzido por Jahwéh, Jeremias colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e dos seus projectos. Nesse “caminho”, ele teve que enfrentar os poderosos e pôr em causa a lógica do mundo; por isso, conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição… É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Jahwéh no seu coração e vivem em coerência com os valores de Deus.

 

Jeremias 20, 7-9

7Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; 8porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!» E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. 9Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, Não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.

 

Este texto é uma parte de uma das chamadas «confissões de Jeremias», as dolorosas lamentações do Profeta numa situação tremendamente dramática, após a trágica morte do rei Josias; prisioneiro da paixão por Deus, que o leva ao cumprimento fiel da sua espinhosa missão profética, Jeremias sente a repugnância instintiva do sofrimento que este desempenho lhe causa, pois isto era o pretexto para os seus adversários o acusarem de ser ele o culpado de todas as desgraças que desabavam sobre o povo, desgraças que haviam de culminar na conquista e destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a. C. e no exílio de Babilónia. Jeremias chega ao ponto de, em dolorosos desabafos, amaldiçoar a sua vida, mas, ao mesmo tempo, mostrando uma inquebrantável confiança em Deus. Deixou-nos os mais belos textos literários que exprimem o drama da dor humana de um homem de fé: a fina e delicada sensibilidade de Jeremias como que se revolta, chega ao paroxismo e desata em doridos desabafos que se devem entender não como gritos de revolta, mas como queixumes ditados pela confiança e abandono nas mãos do Senhor. Deste texto depreende-se claramente a sobrenaturalidade da sua vocação profética: se este carisma fosse algo de imanente, não faria sentido que se queixasse a Deus de o ter seduzido – «Vós me seduziste, Senhor» (v. 7) – e de não conseguir dominar o impulso interior que o levava a profetizar: «mas havia no meu coração um fogo ardente… Procurava contê-lo, mas não podia» (v. 9). Pelas provações que teve de sofrer, o profeta celibatário, é considerado como uma figura de Cristo, casto e sofredor.

A notável obra do profeta de Anatot encontra-se muito desordenada, sem uma sequência natural, em parte ter sido mandada queimar pelo rei Joaquim; os seus oráculos, postos por escrito pelo seu secretário Baruc, foram recolhidos de modo muito disperso, como é fácil de verificar. As confissões de Jeremias encontram-se em: Jer 11, 18 – 12, 6; 15, 10-21; 17, 14-18; 18, 18-23; 20, 7-18.

 

Salmo Responsorial    Sl 62 (63), 2.3-4.5-6.8-9 (R. 2b)

 

Monição: Sem Deus a vida torna-se vazia. Por isso, a nossa alma tem sede de Deus vivo.

 

Refrão:        A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.

A minha alma tem sede de Vós.

Por Vós suspiro,

como terra árida, sequiosa, sem água.

 

Quero contemplar-Vos no santuário,

para ver o vosso poder e a vossa glória.

A vossa graça vale mais do que a vida;

por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

 

Assim Vos bendirei toda a minha vida

e em vosso louvor levantarei as mãos.

Serei saciado com saborosos manjares,

e com vozes de júbilo Vos louvarei.

 

Porque Vos tornastes o meu refúgio,

exulto à sombra das vossas asas.

Unido a Vós estou, Senhor,

a vossa mão me serve de amparo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A segunda leitura convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência de cada dia a Deus. Paulo garante que é esse o sacrifício que Deus prefere. O que é que significa oferecer a Deus toda a existência? Significa, de acordo com Paulo, não nos conformarmos com a lógica do mundo, aprendermos a discernir os planos de Deus e a viver em consequência.

 

Romanos 12, 1-2

1Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa, viva, agradável a Deus, como culto racional. 2Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.

 

Aqui S. Paulo começa a parte moral ou exortatória (12 – 15) da sua epístola, com a energia própria da sua autoridade de Apóstolo dos gentios. Foram precisamente estas palavras que deram ao pecador Agostinho para a sua conversão definitiva (Confissões).

1 «Vos ofereçais a vós mesmos como vítima…». Este apelo, com que S. Paulo inicia a parte moral ou parenética da epístola, está em perfeita consonância com aquele de S. Pedro (cf. 1 Pe 2, 5): pode-se ver aqui uma bela exortação a exercitarmos a alma sacerdotal vivendo o «culto racional», isto é, espiritual, de que fala; é um obséquio da mente a Deus, próprio do sacerdócio baptismal, comum a todos os fiéis. «A vós mesmos», à letra, «os vossos corpos», não no sentido de «o organismo físico do corpo humano», mas no sentido de «a própria pessoa», como neste caso e noutros se entende o termo sôma.

2 «Não vos conformeis com este mundo», isto é, o mundo em oposição aos planos de Deus, não propriamente as realidades mundanas, mas o «mundanismo», que a 1ª de João sintetiza em «concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e estilo de vida orgulhoso» (1 Jo 2, 16). Conformar-se com este mundo é amoldar-se ao estilo de vida mundana, adoptar a sua escala de valores.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: No Evangelho, Jesus avisa os discípulos de que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas passa pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo tem de aceitar percorrer um caminho semelhante. Aclamemos Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 21-27

Naquele tempo, 21Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» 23Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». 24Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 25Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. 26Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? 27O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».

 

Aqui começa o que se pode considerar a 2ª parte do ministério de Jesus, em que Ele é apresentado em Mateus a caminho de Jerusalém (Mt 16, 21 – 20, 34), que é o caminho da Cruz, uma dura realidade que Ele «começou a explicar» (v. 21), depois que estavam suficientemente seguros de que Jesus era o Messias (cf. Mt 16, 16).

23 «Vai-te daqui, Satanás». Pedro faz o mesmo papel do diabo, ao tentar desviar Jesus da sua missão, por isso ouve a mesma resposta (cf. Mt 4, 10). E ouve estas duras palavras, depois de, pouco antes, ter sido proclamado «bem-aventurado» (Mt 16. 17); então, tinha-se deixado mover pelo espírito de Deus; e agora, pelo seu próprio espírito.

24-27 Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso renegar-se a si mesmo, renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

«Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir» (Jer 20, 7)

«Transformai-vos pela renovação espiritual» (Rom 12, 2)

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 21, 24)

«Pela perseverança que alcançaremos a salvação» (cf. Lc 21,19)

 

A liturgia de hoje centra a atenção sobre as consequências dolorosas do ministério profético e do seguimento de Jesus. Tanto Jeremias como Mateus chamam a atenção sobre o conflito que o profeta e também Jesus devem enfrentar.

«Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir» (Jer 20, 7)

A experiência do exílio marcou a vida do povo de Israel. Foi um momento muito doloroso que exigiu professar a sua fé no Deus da Aliança. É neste marco histórico que se situa o Profeta Jeremias.

A passagem da primeira leitura põe em destaque o clamor do profeta porque Deus o seduziu e o forçou, foi objecto de zombaria de todos e a palavra foi motivo de dor e desprezo. Por isso o profeta quis escapar da missão, mas a Palavra foi mais forte e venceu-o.

A maioria dos profetas bíblicos sofreu experiências similares às de Jeremias. São afastados pelos próprios irmãos e pelas autoridades correspondentes. Muitos deles sofreram a morte ou o desterro. No entanto, a fidelidade a Deus e a seu Povo foi mais forte que sua própria segurança e bem-estar. A Palavra de Deus age no profeta como um fogo abrasador que não o deixa tranquilo e o mantém sempre alerta no cumprimento de sua missão.

«Transformai-vos pela renovação espiritual» (Rom 12, 2)

A segunda leitura da carta de Paulo aos cristãos de Roma utiliza uma linguagem imperativa e de exortação. Fala-lhes não só como irmão na fé, mas com a autoridade de Apóstolo. Convida-os a fazer de seu corpo uma oferenda permanente a Deus. O verdadeiro culto não é o que se reduz a ritos externos, mas o que procede de uma vida recta e transparente. O corpo, veículo da vida interior, deve ser um canto de louvor e gratidão a Deus. Nisto consiste a conversão para Paulo: numa vida totalmente transformada pelo Espírito de Deus, na mudança de mentalidade, de valores, de horizonte. Só assim se poderão ter critérios de discernimento para buscar, encontrar e realizar a vontade de Deus.

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 21, 24)

No Evangelho deparamo-nos com um belo esquema catequético “sobre o discipulado como seguimento de Jesus até a cruz”. Jesus manifesta a seus discípulos que o caminho da ressurreição está estritamente vinculado a experiência dolorosa da cruz. O núcleo principal é o primeiro anúncio da paixão.

No entanto, os discípulos simbolizados pela pessoa de Pedro, não compreenderam esta realidade. Eles estão convencidos do messianismo glorioso de Jesus que corresponde às expectativas messiânicas do momento. Jesus recusa enfaticamente esta proposta, pois a vontade do Pai não coincide com a expectativa de Pedro e dos discípulos. Por isso Pedro aparece como instrumento de Satanás diante de Jesus para obstruir a sua missão.

Os discípulos são convidados pelo Mestre a continuarem o seu caminho porque ainda não alcançaram a maturidade própria de discípulos. Imediatamente Jesus lembra que o caminho do seguimento também compreende a cruz. Não existe verdadeiro discipulado se não se assume o mesmo caminho do Mestre. O anúncio do evangelho traz consigo perseguição e sofrimento. Tomar a cruz significa participar na morte e ressurreição de Jesus. Perder a vida por causa de Jesus habilita o discípulo para alcançá-la em plenitude junto de Deus.

«Pela perseverança que alcançaremos a salvação» (Lc 21, 19).

No Baptismo fomos consagrados sacerdotes e reis. Portanto a dimensão profética de nossa fé é intrínseca à consagração baptismal. Hoje não podemos prescindir do profetismo no seguimento de Jesus. E sabemos que as consequências do profetismo, vinculado estreitamente à missão evangelizadora, são a oposição, a perseguição, o desprezo e o martírio. Muitos homens e mulheres em distintas partes do mundo perderam a vida pela fé e pela defesa dos valores evangélicos. Se quisermos seguir a Jesus na fidelidade deveremos enfrentar muitas contradições, caminhar na contramão daquilo que propõe a ordem estabelecida, a cultura dominante e a globalização do mercado – que não é outra coisa senão a globalização da exclusão.

Desejaríamos viver um cristianismo cómodo, sem sobressaltos, sem conflitos. Mas Jesus é claro em seu convite: é preciso tomar sua cruz, arriscar a vida, perder os privilégios e seguranças oferecidos pela sociedade se quisermos ser fiéis ao Evangelho.

Como vivemos na nossa família e na comunidade cristã a dimensão profética do nosso baptismo? Estamos dispostos a correr os riscos exigidos pelo seguimento de Jesus? Conhecemos pessoas que viveram a experiência do martírio pelo Evangelho? Ainda estamos no tempo de martírios ou os mártires de hoje são de outro tipo?

Que a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, faça de cada um de nós verdadeiros missionários e nos ajude a perceber que "é pela perseverança que alcançaremos a salvação" (cf. Lc 21,19).

 

Fala o Santo Padre

 

«Com a sua morte e ressurreição, Jesus derrotou o pecado e a morte, restabelecendo o senhorio de Deus.»

 

 Amados irmãos e irmãs!

 

Também hoje, no Evangelho, em primeiro plano aparece o apóstolo Pedro, como também no passado domingo. Mas, enquanto no domingo passado o admirámos pela sua fé genuína em Jesus, por ele proclamado Messias e Filho de Deus, desta vez, no episódio seguinte, mostra uma fé ainda imatura e demasiado ligada à "mentalidade deste mundo" (cf. Rm 12, 2). De facto, quando Jesus começa a falar abertamente do destino que o aguarda em Jerusalém, ou seja, que deverá sofrer muito e morrer para depois ressuscitar, Pedro protesta dizendo: "Deus Te livre de tal, Senhor. Isso não há-de acontecer" (Mt 16, 22). É evidente que o Mestre e o discípulo seguem dois modos de pensar opostos. Pedro, segundo uma lógica humana, tem a convicção de que Deus nunca permitiria que o seu filho terminasse a sua missão morrendo na cruz. Jesus, ao contrário, sabe que o Pai, no seu imenso amor pelos homens, o enviou para dar a vida por eles, e que se isto exige a paixão e a cruz, é justo que assim seja. Por outro lado, Ele também sabe que a última palavra será a ressurreição. O protesto de Pedro, mesmo se pronunciado em boa fé e por amor sincero ao Mestre, tem para Jesus o tom de tentação, um convite a salvar-se a si mesmo, enquanto que é só perdendo a sua vida que Ele a receberá nova e eterna para todos nós.

Se, para nos salvar, o Filho de Deus teve que sofrer e morrer crucificado, certamente não foi por um desígnio cruel do Pai celeste. A causa foi a gravidade da doença da qual nos devia salvar: um mal tão sério e mortal que exigiu todo o seu sangue. De facto, com a sua morte e ressurreição, Jesus derrotou o pecado e a morte restabelecendo o senhorio de Deus. Mas a luta não terminou: o mal existe e resiste em todas as gerações, como sabemos, também nos nossos dias. O que são os horrores da guerra, as violências sobre os inocentes, a miséria e a injustiça que se abatem sobre os débeis, senão a oposição do mal ao reino de Deus? E como responder a tanta malvadez a não ser com a força desarmada e desarmante do amor que vence o ódio, da vida que não teme a morte? Foi esta a força misteriosa usada por Jesus, à custa de ser incompreendido e abandonado por muitos dos seus.

Queridos irmãos e irmãs, para cumprir plenamente a obra da salvação, o Redentor continua a associar a si e à sua missão homens e mulheres dispostos a assumir a cruz e a segui-lo. Portanto, assim como para Cristo, também para os cristãos levar a cruz não é facultativo, mas é uma missão que se deve abraçar por amor. No nosso mundo actual, onde parecem dominar as forças que dividem e destroem, Cristo não deixa de propor a todos o seu convite claro: quem quer ser meu discípulo, renegue o seu egoísmo e carregue comigo a cruz. Invoquemos a ajuda da Virgem Santa, a primeira que seguiu Jesus pelo caminho da cruz até ao fim. Ela nos ajude a seguir com decisão o Senhor, para experimentarmos desde já, mesmo na prova, a glória da ressurreição.


Papa Bento XVI, Angelus, Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, 31 de Agosto de 2008

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a Sua misericórdia,

por Jesus, que nos dá a vida e a vida em abundância,

dizendo cheios de confiança:

 

Senhor da vida, ouvi-nos!

 

1. Para que o Espírito Santo continue a guiar a Igreja

na sua missão de anunciar a Boa Nova a todos os povos, oremos ao Senhor.

 

2. Para que sustente as comunidades e as pessoas perseguidas

pela defesa dos direitos dos pobres e excluídos, oremos ao Senhor.

 

3. Para que ilumine os abatidos, dê esperança

aos que experimentaram o fracasso e ânimo aos desanimados da vida, oremos ao Senhor.

 

4. Para que nossa esperança na ressurreição seja sempre mais forte

que o nosso medo da morte, oremos ao Senhor.

 

5. Para que tenhamos sempre presente que só “ganha a vida”

quem “a entrega” no serviço ao próximo, oremos ao Senhor.

 

6. Para que as religiões do mundo reflictam sobre o significado da existência das demais religiões,

e todas se preparem para uma aproximação e mútua colaboração para construir

e salvaguardar a paz do mundo, oremos ao Senhor.

 

Deus, nosso Pai, enchei nossos corações de amor à vossa vontade e de confiança plena em Vós, para que assim sejamos fortes testemunhas da Boa Nova do reino no mundo, como discípulos de vosso Filho, não só por palavras, mas sobretudo com nossas boas obras. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Sois, Jesus, o meu Deus, M. Borda, NRMS 107

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Alimentados por e com Cristo sabemos a que esperança somos chamados.

 

Cântico da Comunhão: Somos todos convidados, F. da Silva, NRMS 40

 

Salmo 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

 

Ou

Mt 5, 9-10

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Regra suprema, a do Evangelho de hoje: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me». Partamos pois a seguir a Jesus motivados pelas palavras do Papa Bento XVI a semana passada em Madrid e com a alegria dos nossos jovens nas Jornadas Mundiais da Juventude que proclamaram alegremente a todos nós que querem estar “enraizados e edificados em Cristo e firmes na fé!”

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª Feira, 29-VIII: Martírio S. João Baptista: O seu testemunho.

Jer 1, 17-19 / Mc 6, 17-29

Ela voltou logo a toda a pressa para junto do rei…Quero que me dês, sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista.

«João Baptista precedendo Jesus dá testemunho d’Ele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (Ev.)» (CIC, 523).

Na sua pregação, nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou Deus: «Não tremas diante daqueles a quem te envio» (Leit.). Orientou a sua pregação para a conversão, como faria também Jesus na sua 1ª mensagem pública: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho». Ao recordarmos o seu martírio, enfrentemos com maior fortaleza os nossos ‘martírios diários e correntes’.

 

3ª Feira, 30-VIII: Libertação do pecado.

1 Tes 5, 1-6. 9-11 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio impuro.

Este homem que tinha o espírito de um demónio impuro (Ev.) representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado.

Infelizmente há muitas pessoas que se tornam escravas do pecado, porque «todo aquele que comete pecado é escravo do pecado». E também: «a presença do demónio torna-se cada vez mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus» (B. João Paulo II). Temos, no entanto, que colocar a nossa esperança em Cristo: «Cristo morreu por nós para que, vivos ou mortos, cheguemos à vida em união com Ele» (Leit.).

 

4ª Feira, 31-VIII: O Evangelho e a presença de Cristo.

Col 1, 1-8 / Lc 4, 38-44

Tenho de ir também às outras cidades para anunciar a Boa Nova do reino de Deus, porque para isto é que fui enviado.

A Boa Nova que Jesus tinha que anunciar (Ev.) é a mesma que encontramos no Evangelho proclamado na Celebração Eucarística. S. Paulo alegra-se de o Evangelho ter chegado à comunidade de Colossos (Leit.).

«Quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura é o próprio Deus que fala ao seu povo, é Cristo presente na sua palavra que anuncia o Evangelho» (SC, 45). Que se possa dizer de cada um de nós o mesmo louvor de S. Paulo: «Como em todo o mundo, assim também entre nós, o Evangelho tem estado a frutificar e a desenvolver-se» (Leit.).

 

5ª Feira, 1-IX: Agradar a Deus em tudo.

Col 1, 9-14 / Lc 5, 1-11

Não temos deixado de orar por vós e de pedir que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus.

Ao rezarmos o Pai-nosso pedimos ao nosso Pai Deus que a sua vontade se realize por completo na terra, como já se cumpre no Céu.

«Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e de uma vez para sempre…Só Jesus pode dizer: ‘Faço sempre o que é do seu agrado’» (CIC, 2824). É o que recomenda S. Paulo: que procuremos agradar ao Senhor em tudo (Leit.). E S. Pedro descobriu a vontade de Deus e cumpriu-a, ainda que ao princípio lhe custasse (Ev.).

 

6ª Feira, 2-IX: Restauração da imagem de Cristo.

Col 1, 15-20 / Lc 5, 33-39

Cristo é a imagem do Deus invisível, é quem tem a primazia sobre todas as criaturas.

«Foi em Cristo, imagem do Deus invisível (Leit.), que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Assim como foi em Cristo, redentor e salvador, que a imagem divina, deformada pelo homem pelo primeiro pecado, foi restaurada na sua beleza original e enobrecida pela graça de Deus» (CIC, 1701).

Precisamos restaurar a imagem de Cristo em nós. Mas não façamos ‘remendos’, isto é, misturas, que estraguem a restauração. Para isso, procuremos ler com atenção os Evangelhos, melhoremos as nossas disposições para recebê-lo na Comunhão.

 

Sábado, 3-IX: A reconciliação de Deus com os homens.

Col 1, 21-23 / Lc 6, 1-5

Mas agora, Deus reconciliou-nos consigo, pela morte de Cristo no seu corpo de carne, para nos apresentar diante d’Ele santos.

«Pelo sangue da sua Cruz, Ele, levando em si próprio a morte à inimizade (Leit.), reconciliou com Deus os homens, e fez da sua Igreja o sacramento da unidade do género humano e da sua união com Deus» (CIC, 2305).

Para que tal aconteça, o Apóstolo aponta duas condições; a primeira, uma fé sólida e firme (apoiada nos ensinamentos de Cristo e da Igreja); a segunda, a esperança no Evangelho (recordando todas as promessas de Cristo sobre a vida eterna: bem-aventuranças, Eucaristia, etc).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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