Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2004

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu hoje de Maria, J. Santos, NRMS 108

Is 9,6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Levantemos jubilosamente a cabeça e o coração, porque Deus manifestou a Sua bondade e o Seu amor aos homens e mulheres de todos os tempos, porque a Palavra de Deus encarnou e construiu a Sua tenda no meio de nós, cheia de verdade, de vida e de luz. No meio das sombras e das dores dos homens, irrompeu a cascata torrencial de Deus e o mundo alegrou-se ainda mais do que o lavrador num ano de boa colheita, ainda mais do que aquele que foi bafejado pela taluda do Natal, mais ainda do que o desempregado quando um bom emprego lhe bate à porta.

Na plenitude dos tempos, nasceu um Menino que, feito adulto, nos apresentou um estilo de vida diferente. Por isso, escolheu nascer e viver de uma maneira simples.

Esta é, pois, a celebração da Palavra que Se fez carne, ternura e compaixão.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías recorda ao seu povo, e a todos nós, que, no meio do abatimento, ressoa, porém, uma palavra de salvação. O Libertador vem trazer a paz ao Seu povo.

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

7 ss. Esta página maravilhosa do Dêutero-Isaías, que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: Cantemos ao Senhor um cântico novo, com arte e com alma, porque também nós vimos a salvação do nosso Deus.

 

Refrão:        Todos os confins da terra

viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Não há que enganar, a revelação divina expressa-se plenamente em Cristo. Se antes Deus falara de muitos modos, agora fala-nos pelo Seu próprio Filho.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, este célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é nele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulterior (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai, tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2, 22).

3 «Esplendor da glória de Deus». Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto dele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus. «Imagem do ser divino». À letra, «reprodução da sua essência». Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada; o Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza: «esplendor», ou luz e irradiação.

 

Aclamação ao Evangelho      

 

Monição: O Evangelho de hoje é um hino no qual se encerra todo o mistério do Natal e diz-nos que a vinda de Jesus na nossa carne é a prova de que «Deus é amor» e quer ter a sua morada no meio de nós.

 

Aleluia

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

Cântico: Aclamação – 1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Evangelho *

 

Forma longa: São João 1, 1-18            Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 6[Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.] 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15[João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.]

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos que se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1, 1 e em Jo 1, 1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência (»havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) – do que esta com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão desde os Santos Padres, o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1, 10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar penetra nas profundeza do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade. Note-se que não se diz que o Verbo era divino (theios), mas que era Deus (Theós).

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11, 36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a Sabedoria divina, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8, 22 ss; Sir 1, 4; 24, 8-9), a qual foi criada e nasceu.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8, 12; 14, 6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8, 12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam», ou «não a dominaram» (tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas).

6-8 S. João não se interessa, como os Sinópticos, por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (cf. Jo 1, 37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (cf. Jo 1, 16.19.29.35; 3, 27; 5, 33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19, 3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução preferível da Neovulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo».

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex 19, 5; Dt 7, 6), mas parece, dado o paralelismo com o v. anterior, designar a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2, 7), pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos do homem, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal (sem sangue) da Santíssima Virgem.

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-Se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15). «Habitou», literalmente significa: «ergueu a sua tenda no meio de nós». Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhniná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40, 34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada». A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc. «Filho Unigénito»: S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – Yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna e única do Verbo no Pai. «Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34, 6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo; por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2, 17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7, 37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe o pode fazer.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19, 21; Is 6, 5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14, 9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade. «O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Neovulgata), em vez de Filho Unigénito.

 

Sugestões para a homilia

 

Natal, um grande dom

Sem «salvadores» não há Salvador

Natal, um grande dom

Natal é uma palavra que se está a tornar ambígua. Nem todos a entendemos da mesma maneira. E, cada ano que passa, pode ficar mais confusa pela publicidade, pelos interesses comerciais e pela indiferença religiosa. Por isso, os cristãos temos que definir e valorizar o sentido desta festa.

O Natal tem de ser para os cristãos um grande dom. Celebramos a entrega de Deus, entrega que é total e para sempre. Oferece-Se a Si mesmo por meio de Jesus. «Porque Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único» (Jo 3, 16).

Jesus é uma dádiva de primeiríssima qualidade, a pessoa ideal por meio da qual Deus nos salva desde dentro da própria história. É a referência que nos deu para contrastar com o que somos e fazemos. Jesus é o homem novo, Aquele que passou toda a sua vida a fazer o bem.

Por isso, o Natal cristão faz-nos recordar e actualizar um pormenor importante: Deus quer estar connosco terra a terra, como companheiro de rua e de caminhos. Ele já veio e deixou a história fecundada com a sua semente. Já ninguém poderá apagar a sua presença. Já ninguém poderá eliminar o seu Evangelho. A vinda de Deus ao mundo como Redentor é o acontecimento de maior impacto que a história já alguma vez registou.

Sem «salvadores» não há Salvador

No fundo, toda a criatura humana precisa de encontrar-se com Ele.

O Natal é abrir o nosso coração, a fim de que a Palavra de Deus faça a sua morada no interior de cada um de nós, na nossa casa, no meio dos nossos vizinhos, no meio da nossa terra... É criar condições para acolher mais e melhor a presença de Deus e do seu Evangelho. Deus chega à nossa porta e toca a campainha.

Quer visitar-nos em pessoa. Mas Jesus não pode ser Salvador de nada nem de ninguém, se colocarmos o nosso interesse e a nossa confiança noutros «salvadores», como o dinheiro, o prazer, o prestígio...

O Natal cristão só se explica por amor: um amor extraordinário, indizível, sem limites, quase louco... Deus entrega-nos a sua divindade e recebe a nossa humanidade para Se colocar ao nosso serviço. Que maravilhosa iniciativa!

A nossa resposta, no entanto, deixou muito a desejar. Muitas vezes fomos renitentes à salvação. Não permitimos que Deus entrasse até ao mais íntimo recanto das nossas vidas. Por isso, foi custoso para Jesus desde o início. Fecharam-se-Lhe todas as portas. Teve que nascer fora da povoação, no meio de animais. Veio com toda a sua boa vontade, cheio de verdade, de vida, de luz, de solidariedade..., mas não foi recebido por muita gente: «A Palavra era a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a receberam... Veio para o que era seu, e os seus não O acolheram» (Jo 1, 4-5).

Também hoje nos custa aceitar e acolher Jesus. Julgamo-nos cristãos, mas não pomos a vida ao serviço do Reino de Deus, como Ele fez. Mesmo assim, o Natal é provocação e convicção de que aquilo que Deus fez por meio de Jesus também nós o podemos continuar a fazer.

 

 

Oração Universal

 

Com o coração iluminado pela presença de Jesus neste Natal,

cheios de amor e confiança, dirijamos a Ele as nossas preces,

Juntos digamos:

R. Verbo feito carne, permanecei entre nós.

 

1.  Pela Igreja,

para que apresente de maneira atraente a presença humana de Deus

e a verdade do Evangelho,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que o Natal

seja ocasião para vivermos com espanto o carinho de Deus,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que as mensagens natalícias

sejam autênticos eflúvios de luz que nos iluminem por dentro,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que nunca faltem profetas e missionários de Boas Novas,

oremos ao Senhor.

 

5.  Por todos os membros desta comunidade,

para que pratiquemos na vida o que acolhemos pela Palavra,

oremos ao Senhor.

 

6.  Para que a experiência de nos sentirmos filhos de Deus

fortaleça a nossa fraternidade com os que moram ao nosso lado,

oremos ao Senhor.

 

7.  Por todas as nossas intenções particulares,

oremos ao Senhor.

 

(outras intenções)

 

Ó Pai, vós que conheceis as duras penas

que os vossos filhos, peregrinos na fé, encontram no seu caminho,

sustentai os seus passos com a certeza

que na sua fraqueza age a força do Emanuel, Vosso Filho.

Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor. Amen.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Chegou a hora mais alta, M. Faria, NRMS 44

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Jesus personaliza a mais íntima comunhão entre Deus e os seres humanos. E o pão eucarístico evoca e simboliza essa história divino-humana de um amor comovedor que começa no Natal.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se Carne, Az. Oliveira, NRMS 47 e 52

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Exultemos de alegria no Senhor, J. Santos, NRMS 56

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus quis habitar no meio de nós, fazer-Se como um de nós, e fê-lo por meio de Maria. Tudo isto é mais do que suficiente para repetirmos: Feliz Natal! Que nos felicitemos e nos encorajemos a ser mensageiros do Evangelho.

Deus foi grande para connosco, irmãos. Deus apostou na humanidade. Dar-Lhe-emos glória, se vivermos em liberdade, amizade e santidade. Levemos para as nossas vidas o desafio comovedor e humano do nosso Natal. Paz para todos! Deus ama-nos!

 

Cântico final: Cantem, cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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