19º Domingo Comum

7 de Agosto de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da Vossa aliança, Az. Oliveira, NRMS 53

 

Salmo 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Vivemos numa civilização do ruído. A sociedade começa a preocupar-se com este mal.

Para além dos ruídos necessários, de algum modo – dos meios de transporte, das máquinas – nós mesmos recorremos a outros, como se fossem uma droga: a TV e as aparelhagens sonoras, sem controle nem respeito pelos outros, as noites de discoteca, bombardeando o sistema nervoso, e muitos outros eventuais. É um dos meios mais perigosos para a saúde de poluição do ambiente.

A saúde das pessoas começa a ressentir-se. Estão na ordem do dia as dores de cabeça, as depressões e a irritabilidade entre as pessoas que podem ter aqui a sua origem.

Que nos diz o Senhor sobre este problema? Até que ponto pode ele afectar a nossa vida de relação com Deus?

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente que também nós, muitas vezes temos faltado ao respeito e aos direitos dos outros por este meio, e nos refugiamos no ruído, porque temos medo de ouvir a voz da nossa consciência e de nos encontrarmos com Deus.

Peçamos, com toda a sinceridade, perdão ao Senhor, e prometamos, com a sua ajuda, fazer esforço por emendar a nossa vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a nossa falta de respeito pela saúde e direitos dos outros,

    impondo uma poluição sonora que prejudica a saúde de todos,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para o ruído em que procuramos, por vezes, viver mergulhados,

    por medo de ouvir a voz de Deus que fala em nossa consciência,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a falta de oração bem feita em cada dia, porque nos custa

    guardar silêncio e falar confiadamente com o nosso Deus,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Elias, fugido de Jezabel, esposa do rei Acaz, vai até ao Monte Horeb, para ali se encontrar com Deus e ser por Ele confortado.

Cada um de nós tem necessidade de procurar frequentemente o silêncio para se encontrar com Deus, e d’Ele receber luz e conforto.

 

1 Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, 9ao profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. 11O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. 12Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. 13aQuando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.

 

Temos aqui parte do relato da fuga do profeta Elias da perseguição do rei Acab, o 7º rei do reino do Norte, instigado pela sua mulher Jezabel, filha do rei de Tiro, que tinha jurado matá-lo, como desforra pelo extermínio dos sacerdotes do deus Baal (cf. 1 Re 18). O profeta, perseguido pela sua absoluta fidelidade ao único Deus da aliança, aparece-nos numa atitude de regresso às fontes da fé, precisamente onde a aliança mosaica tinha sido firmada, «a montanha de Deus», assim chamada, pois ali Ele se revelara (cf. Ex 19).

8 «O Horeb»: nome que na tradição deuteronómica (a que pertence este livro), bem como na tradição eloísta é dado ao «Sinai» dos escritos da tradição javista e sacerdotal.

11-12 «Uma ligeira brisa». Esta aparição divina tem certa semelhança com a que se relata em Ex 33, 21-23. Deste modo representa-se, por um lado, a imaterialidade divina, pois o Senhor não estava na «forte rajada de vento», nem no «terramoto» nem no «fogo», que não passam de sinais anunciadores da presença divina, a qual é algo que transcende estes fenómenos sensíveis tão violentos. Por outro lado, o relato pode dar a entender uma profunda lição: a vitória de Deus sobre o mal não tem de ser precipitada, de modo fulminante, repentina e espectacular, mas é preciso saber esperar a hora de Deus, da sua misericórdia; Elias terá de dominar o seu desespero e o seu zelo amargo, pois o Senhor diz-lhe: «desanda o teu caminho» (v. 15); Eliseu haveria de suceder-lhe para continuar e completar a sua obra.

13 «Elias cobriu o rosto», numa atitude de respeito e de temor, não fosse ver a Deus e morrer (cf. Gen 16, 13; Is 6, 5).

 

Salmo Responsorial    Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: O salmo que a Liturgia nos convida a cantar, como resposta ao que o Espírito Santo despertou em nós pela proclamação da primeira leitura, é um acto de confiança no Senhor.

Ele nos tem valido em todas as dificuldades e, por isso, recorremos ao Seu Amor com toda a confiança filial.

 

 

Refrão:        Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

e dai-nos a vossa salvação.

 

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis

e a quantos de coração a Ele se convertem.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo manifesta, na carta aos Romanos, um grande amor ao povo de Israel ao qual ele mesmo pertence.

Está disponível para aceitar todos os sacrifícios, para que os Hebreus se encontrem com Jesus Cristo, Salvador prometido, unidos numa só fé.

Convida-nos também a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece no silêncio de cada dia.

 

Romanos 9, 1-5

Irmãos: 1Eu digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: 2Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. 3Quisera eu próprio ser separado de Cristo por amor dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, 4a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, 5a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos.

 

Neste Domingo, entramos na última parte do ensino doutrinal da epístola, que temos vindo a seguir, em retalhos selectos, desde o 9º Domingo Comum. Nesta secção, que vai do capítulo 9 ao 11, S. Paulo pretende dar a explicação para um facto verdadeiramente estranho, a saber, como se explica que os judeus, que eram os primeiros destinatários da salvação messiânica, tenham ficado de fora, na sua maior parte? Isto não se pode dever a que Deus tenha falhado às suas promessas, mas deve-se a que Israel se tenha negado a crer, como aliás também os profetas já tinham anunciado (cf. cap. 9 e 10); e, de qualquer modo, a sua infidelidade não é total, nem definitiva (cf. cap. 11).

2-3 «Sinto grande tristeza». S. Paulo desabafa deixando ver a profunda pena que sente pelo facto de os seus irmãos de raça permanecerem excluídos da salvação messiânica, chegando ao ponto de usar uma expressão que não se pode entender à letra: «Quisera eu próprio ser separado de Cristo». Anátema/maldito tem que se entender como força de expressão, que faz lembrar o dito de Moisés, «senão, risca-me do livro que escreveste» (Ex 32, 32); esta maneira de dizer significa que ele estava disposto a suportar os maiores sacrifícios para conseguir a salvação eterna dos seus irmãos de raça, os judeus. De facto, não há lugar para dúvida de que Paulo amava mais Cristo do que tudo e todos, por isso exclama: «Se alguém não ama o Senhor, seja anátema» (1 Cor 16, 22).

4 «A glória». Aqui significa a manifestação sensível da presença divina no meio do seu povo, especialmente no tabernáculo e no templo (cf. Ex 40, 34-35; 1 Re 8, 10-11).

5 «Cristo... é Deus bendito.» Temos aqui uma das mais claras afirmações da divindade de Cristo que há em todas as Escrituras. Não há dúvida de que esta doxologia se refere a Cristo, como se depreende do contexto. Em Hebr 13, 21 temos uma outra doxologia referida a Cristo; e em Tit 2, 13 temos mais uma afirmação da divindade de Cristo, semelhante em clareza.

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 129 (130), 5

 

Monição O nosso Deus é cheio de bondade, e nós pomos n’Ele toda a nossa confiança, porque sabemos que nos ajuda sempre.

Manifestemos estes sentimentos filiais, aclamando O Evangelho que nos ensina estas maravilhas.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 14, 22-33

22Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-lo na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. 23Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. 24O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 26Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. 27Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». 28Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». 29«Vem!» disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. 30Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 32Logo que saíram para o barco, o vento amainou. 33Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

 

A tempestade no Lago de Genesaré, a que se referem os Evangelhos é um fenómeno muito frequente e perigoso para as embarcações ainda hoje. O lago de 13 por 21 Km tomou este nome pelo seu formato de harpa (kinnéret).

23 «Subiu a um monte, para orar a sós». Jesus não teria necessidade de se retirar para se recolher em oração, como é sublinhado pelos evangelistas (cf. Mc 1, 35; 6, 47; Lc 5, 16; 6, 12); esta insistência acentua que o ensino de Jesus não consta só das suas palavras (cf. Mt 6, 5-6), mas também do seu exemplo, pois nós bem precisamos de tempos de recolhimento para a oração.

25 «Na quarta vigília da noite». Uma referência à divisão romana da noite, adoptada pelos judeus: do pôr ao nascer do Sol havia quatro vigílias que eram mais longas no Inverno e mais curtas no Verão.

24-33 O caminhar de Jesus sobre as águas do lago de Genesaré, após a 1ª multiplicação dos pães, é relatado também por Marcos e João. Em Mateus, com razão chamado «o Evangelho eclesiástico», pode ver-se mais claramente uma alusão à vida da Igreja. Como a barca dos Apóstolos, também a Igreja se vê perseguida, «açoitada pelas ondas e pelo vento contrário», mas Jesus, que vela por ela, vem em seu socorro, com palavras de ânimo – «não tenhais medo!» – (palavras tão repetidas por João Paulo II). No relato reflecte-se a trajectória dos discípulos do Senhor ao longo dos tempos: sujeitos ao medo e à dúvida avançam, pelo caminho da súplica, até chegarem à segura confissão de fé: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!». Só Mateus apresenta Pedro indo ao encontro de Cristo sobre o mar, evidenciando-se assim o seu importante papel na direcção da barca da Igreja.

 

Sugestões para a homilia

 

• O Deus do silêncio

Deus chama-nos a estar com Ele

Falsas imagens de Deus

A verdadeira imagem de Deus

• Procuremos o Senhor onde Ele nos fala

A lição dos Apóstolos

Procuremos o silêncio

 

Depois de Elias ter posto fim ao culto idolátrico de Baal, Jezabel ameaçou-o de morte, pelo que o profeta fugiu para fora dos seus domínios.

Andou um longo caminho, e deitou-se à sombra duma árvore, pedindo a Deus a morte e adormeceu profundamente.

Foi despertado por um anjo que lhe trouxe pão e uma bilha de água. Alimentou-se e caminhou durante quarenta dias até ao Monte de Deus – o Monte Horeb – onde o Senhor marcara encontro com ele. É neste contexto que se desenrola tudo o que foi proclamado na primeira leitura.

1. O Deus do silêncio

a) Deus chama-nos a estar com Ele. «O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: “Sai e permanece no monte à espera do Senhor”.»

Vivemos numa civilização do ruído, onde é difícil ouvir o que o Senhor nos quer dizer. Ao chamar Elias ao Monte, parece sugerir-nos que Ele precisa de silêncio para nos falar.

Temos necessidade, não apenas de silêncio físico – de ausência de ruídos externos – mas também de silêncio interior. Se não pusermos de parte as preocupações em que vivemos mergulhados – o ruído do desporto, das muitas coisas inúteis que ocupam o nosso pensamento – não conseguimos rezar. Podemos pronunciar palavras mecanicamente, mas não atendemos ao que dizemos.

É preciso fugir desta agitação constante e inútil de notícias banais, e deixar as preocupações sem importância fora da porta da Igreja.

O adro, embora sirva também para lugar de convívio, é uma zona onde fazemos silêncio, preparando-nos para falar com Deus.

Queremos, de facto, encontrar-nos com Deus e falar com Ele dos nossos problemas, quando vimos à igreja?

 

b) Falsas imagens de Deus. «Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento

Deus não Se manifesta na forte rajada de vento. Pretendem dar-nos uma imagem de um Deus que nos assusta, nos mete medo, mantendo-nos encolhidos.

Até alguns pais, com a melhor das intenções, falam repetidas vezes aos filhos de um Deus que só castiga, e nunca sorri, contente, quando a criança faz o bem.

A imagem de Deus é totalmente oposta a esta. Deus é o melhor dos pais, e ama-nos com loucura. Persegue-nos com o Seu Amor durante a vida inteira, dá-nos muitas oportunidades de Salvação e aceita a nossa liberdade quando Lhe fechamos a porta na última oportunidade da vida.

Deus não está no tremor de terra. Ele simboliza a insegurança, quando se Deus fosse um estranho para nós e nós para Ele.

É verdade que não dispomos da nossa vida, no sentido de que não podemos prolongar a vida até quando quisermos. Encontramo-nos expostos a doenças e perigos.

Mas nada acontece sem que Ele o permite, quando o faz, é porque daí pode advir um bem para nós. Tudo concorre para o bem daqueles que amam Deus (cf.) S. Paulo).

Deus não se manifesta no fogo. Temos de começar o nosso encontro com Deus fazendo esforço por apagar o fogo das paixões: da gula, da sensualidade, da inveja, do apego às coisas. Se não tivermos cuidado com as conversas e programas de TV, perderemos toda a disposição para rezar.

O Senhor convida-nos também a queimar tudo o que é inútil, que nos estorva, para cuidarmos da vida eterna.

 

c) A verdadeira imagem de Deus. «Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta

Deus manifesta-se no silêncio, figurado nesta ligeira brisa. O ar fresco enche-nos os pulmões, purifica o ar, e causa-nos boa disposição.

A verdadeira imagem que havemos de ter acerca de Deus é a de um Pai que gosta de conversar connosco na intimidade.

Quando chega o momento de estar com Ele, o sentimento mais natural é o da alegria e felicidade. Perguntamos então a nós próprios: “de que Lhe vou falar hoje? Que problemas gostaria de Lhe apresentar?”

Sairemos deste encontro com Ele “refrescados”, rejuvenescidos, felizes porque sentimos a fortaleza que nos vem da Sua amizade.

2. Procuremos o Senhor onde Ele nos fala

a) O exemplo de Jesus. «Jesus [...] subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho

Jesus procura o silêncio antes dos grandes acontecimentos da Sua vida e depois de um intenso dia de trabalho.

Preparou a Vida Pública com 40 dias de oração e de jejum no deserto;

permaneceu em oração durante uma noite, antes de escolher os Doze Apóstolos;

recolheu-Se em oração no Jardim das Oliveiras, antes da Paixão e Morte.

Mas durante a oração não Se alheia dos problemas dos Doze. Vê que estão em dificuldade com o mare e vai ao encontro deles para os ajudar. (As almas contemplativas são as que mais nos ajudam no seu recolhimento. O Papa quis uma comunidade de religiosas contemplativas dentro dos aposentos do Vaticano).

 

b) A lição dos Apóstolos. «Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo

Os Apóstolos aprenderam esta lição do Mestre. Instituem os Diáconos para se poderem dedicar mais ao serviço da pregação e da oração.

S. Paulo preparou no silêncio da Arábia, durante dois anos, a sua missão evangelizadora.

Procuremos a ajuda do Senhor, quando precisarmos dela. Isto não nos dispensa de fazermos tudo o que pudermos, para resolver os problemas.

Em pleno mar, quando lhe parece que se vai afundar nas águas, Simão Pedro chama por Jesus, pedindo ajuda.

 

c) Procuremos o silêncio. «Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: “Tende confiança. Sou Eu. Não temais”

Temos necessidade de silêncio, para nos recompormos e nos encontrarmos com Deus no dia-a-dia.

– Silêncio na vida individual. No meio do nosso trabalho, antes de adormecer, numa caminhada, podemos procurar encontrá-l’O e falar-Lhe. Ele está dentro de nós como num templo. 

– Na vida de família. Temos necessidade de criar espaços de silêncio, para que possa haver diálogo com Deus e uns com os outros.

Também na Liturgia o silêncio tem um lugar indispensável, sobretudo depois da Sagrada Comunhão. Quando recebemos o Senhor, chegamos a falar com Ele?

Maria ensina-nos como o silêncio é precioso, guardando as palavras de Jesus e os acontecimentos no seu Coração Imaculado.

 

Fala o Santo Padre

 

«Também a nós o Senhor estende continuamente a mão»

 

Caros irmãos e irmãs

 

[…] O Evangelho do Domingo hodierno […] descreve o modo como, depois da multiplicação dos pães, o Senhor vai à montanha para permanecer a sós com o Pai. Entretanto, os discípulos encontram-se no lago e com a sua miserável barquinha fadigam em vão para enfrentar o vento contrário. Talvez já ao evangelista este episódio se parecia com uma imagem da Igreja do seu tempo: como pequena barca, que era a Igreja nessa época, encontrava-se contra o vento da história e como parecia que o Senhor a tinha esquecido. Também nós podemos ver nisto uma imagem da Igreja do nosso tempo, que em muitas partes da terra se encontra a sofrer no seu caminho, não obstante o vento contrário, e parece que o Senhor está muito distante. Mas o Evangelho oferece-nos resposta, consolação e ânimo, enquanto ao mesmo tempo nos indica um caminho. Com efeito, ele diz-nos: sim, é verdade, o Senhor encontra-se junto do Pai, mas precisamente por isso não está distante, mas vê cada um, porque quem se encontra junto de Deus não se afasta, mas está perto do seu próximo. E na realidade o Senhor vê-os e no momento oportuno caminha na sua direcção. E quando Pedro, indo ao seu encontro, corre o risco de afogar, Ele toma-o pela mão e salva-o levando-o ao barco. Também a nós o Senhor estende continuamente a mão: e fá-lo mediante a beleza de um Domingo, fá-lo através da solene liturgia, fá-lo na oração com que nos dirigimos a Ele, fá-lo no encontro com a Palavra de Deus, fá-lo em múltiplas situações da vida diária Ele estende-nos a mão. E somente se nós tomarmos a mão do Senhor, se nos deixarmos orientar por Ele, o nosso caminho será justo e bom.

Por isso queremos pedir-lhe a fim de que consigamos sempre de novo encontrar a sua mão. E, ao mesmo tempo, isto implica uma exortação: que, em seu nome, também nós estendamos a nossa mão aos outros, àqueles que têm necessidade dela, para os conduzir através das águas da nossa história! […]

 

Papa Bento XVI, Angelus, Bressanone, 10 de Agosto de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Embora o Senhor esteja atento às nossas necessidades,

gosta que lhas apresentemos, cheios de confiança filial.

Batamos suavemente à porta do Seu Coração divino,

Para Lhe falarmos das necessidades de todas as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos e Sacerdotes

    nos ensinem a encontrar Deus no silêncio,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

2. Para que todos os jovens, no meio da agitação,

    saibam falar com o Senhor que os torna felizes,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

3. Para que os pais fomentem o silêncio na família,

    onde se possam encontrar com Deus e falar-Lhe,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

4. Para que Deus fomente vocações contemplativas

    que velem pelas pessoas na vida de cada dia,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

5. Para que todos os que vivem com medo de Deus

    compreendam que Ele é o melhor dos pais e nos ama,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

6. Para que as almas dos nossos amigos e conhecidos

    entrem, quanto antes, na intimidade com Deus,

    oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, o que não sabemos pedir!

 

Senhor, que estais sempre atento aos nossos problemas

e nos ajudais mesmo sem nos apercebermos disso.

Fazeis que Vos sirvamos com generosidade e confiança.

para que no fim desta caminhada estejamos convosco,

na unidade do Pai, e do Filho e do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Deus falou-nos e recolhemos em nosso coração as Sua Palavra, para a meditarmos e pormos em prática.

No profundo silêncio em que vamos ficar agora, Ele preparará para nós um Banquete com o Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Luis, NCT nº 297

 

Saudação da Paz

 

A paz começa no silêncio do coração de cada um de nós. Se nos recolhermos e evitarmos palavras inúteis, será mais fácil vivermos em mútua paz e concórdia.

Peçamos coragem para realizar este ideal.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Cada um de nós que vai comungar, disporá de alguns minutos de intimidade com Deus, para Lhe falar a sós dos seus problemas.

Façamos silêncio dentro de nós e apresentemos-Lhe confiadamente tudo o que nos preocupa.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

 

Salmo 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Ou

Jo 6, 52

O pão que Eu vos darei, diz o Senhor, é a minha carne pela vida do mundo.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levemos para a vida o tesouro do silêncio, procurando um encontro íntimo e frequente com Deus, e ajudemos os outros a consegui-lo também.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-VIII: Manifestações do amor de Deus.

Dt 10, 12-22 / Mt 17, 22-27

Mas foi só aos teus antepassados que Ele dedicou o seu amor; depois deles, escolheu-vos a vós…de preferência a todos os povos.

«Israel pode descobrir que Deus só tinha uma razão para se lhe ter revelado e o ter escolhido, de entre todos os povos, para ser seu povo: o seu amor gratuito (Leit.)» (CIC; 218). É também por amor que Jesus entrega a sua vida: «Pedro rejeita este anúncio e os outros também não entendem (Ev.)» (CIC, 554).

A Santa Missa é uma das maiores manifestações do amor de Deus para connosco: «O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Estes hão-de matá-lo» (Ev.). Também a Sagrada Eucaristia manifesta este seu amor pelos homens.

 

3ª Feira, 9-VIII: S. Teresa Benedita da Cruz: Vencer os descuidos

Os 2, 16, 21-22 / Mt 25, 1-13

Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, por amor e misericórdia.

Celebramos hoje a Festa de uma das Padroeiras da Europa, S. Teresa Benedita da Cruz, nomeada pelo Papa João Paulo II. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com o Senhor, enchendo de azeite, no dia a dia, a lâmpada da sua vida (Ev.), que culminou com o martírio.

Evitemos os descuidos (como os das virgens insensatas: Ev.), consequência do ambiente aburguesado, desejoso apenas de conforto e comodismo. Venceremos estes descuidos indo ao encontro do Esposo na Santa Missa e na Comunhão.

 

4ª Feira, 10-VIII:S. Lourenço: A fecundidade do sofrimento.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, Diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio, poucos dias depois deste Papa, durante a perseguição de Valeriano. Com o seu martírio deu-nos um exemplo de fidelidade à Igreja (Oração).

Graças ao martírio de tantos outros, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: «quem semeia com largueza também colherá com largueza» (Leit.). Deus conta com a nossa colaboração na obra da Redenção, oferecendo as pequenas contrariedades, as dores, os sofrimentos, etc. É o nosso «grão de trigo» (Ev.), que dará muito fruto.

 

5ª Feira, 11-VIII: Ver os outros com os olhos de Cristo.

Jos 3, 7-10. 11. 13-17 / Mt 18, 21-19, 1

Assim vos há-de fazer também meu Pai celeste se cada um de vós não perdoar a seu irmão do íntimo do coração.

É inevitável que, no nosso dia, apareçam pequenos conflitos: na vida familiar, no relacionamento com os amigos, etc. O Senhor pede-nos que procuremos perdoar do íntimo do coração (Ev.).

«O amor ao próximo consiste precisamente no facto de que amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem sequer conheço… Aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Cristo. O seu amigo é meu amigo» (Deus é amor, 18).

 

6ª Feira, 12-VIII: A Lei de Deus e o arbítrio dos homens.

Jos 24, 1-13 / Mt 19, 3-12:

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído por Deus no princípio da criação (Ev.). Infelizmente o ambiente continua a desfigurar esta dignidade: «O valor da indissolubilidade do matrimónio é cada vez mais ignorado; reclamam-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto… não faltam tentativas para serem aceites modelos de casais onde a diferença sexual não resulta essencial» (B. João Paulo II).

O matrimónio instituído pelo Criador não põe estar sujeito ao arbítrio do homem nem ao arbítrio dos próprios cônjuges (Pio XI, Casti connubiii).

 

Sábado, 13-VIII: Estado de criança: conversão e vida nova.

Jos 24, 14-29 / Mt 19, 13-15

Deixai as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos Céus é daquelas que são como elas.

Tornar-se criança diante de Deus é a condição para receber a Revelação de Deus, pois Jesus revela-se aos pequeninos; e também para entrar no reino dos Céus (Ev.). É necessário «um coração contrito e confiante que nos faça voltar ao estado de criança» (CIC, 2785)

Tornar-se criança é: «renunciar à soberba, à auto-suficiência; reconhecer que sozinhos nada podemos, porque temos necessidade da graça, do poder do nosso Pai Deus, para aprender a caminhar e para perseverar no caminho» (J. Escrivá).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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