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A  VIRGEM  SANTA  MARIA,  RAINHA

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Nossa Senhora de Agosto é a grande festa da Assunção. Com que alegria celebramos esse dia em que a Nossa Mãe subiu ao Céu em corpo e alma! Alegria por Ela e por nós, que um dia lhe seguiremos a sorte, a maravilhosa sorte dos filhos de Deus. Mas em Agosto festejaremos também a sua coroação como Rainha do Céu e da Terra, outro modo de exaltar a sua função maternal de Medianeira junto do seu Filho, o Mediador por excelência, e em união connosco, mediadores também uns dos outros, por força do sacerdócio comum e do sacerdócio ministerial na Igreja.

Quem estranhe tanta mediação recíproca não se apercebe de que somos, em Cristo, uma verdadeira família sobrenatural. E o que é uma família, senão uma rede de amor, uma rede de intercessões mútuas, em que todos e cada um cuidam de cada um e de todos? Em que cada um «intercede» pelos outros quando a necessidade ou a delicadeza o exige? Não se recorre à mãe quando o pai se faz rogado? Não procura o irmão mais velho suavizar a severidade com que os pais castigam o mais novo? Não se dá em qualquer família uma espécie de jogo de indulgências, desagravos, mediações, segundo a lógica do amor mútuo? E não havia de ser assim a grande Família que é a Santa Igreja? E quem melhor do que a Rainha dos céus – a «Omnipotência Suplicante» - obterá para nós os dons que Deus, nosso Pai, deseja ardentemente conferir-nos e que só merecemos em espírito de humildade e gratidão?

Que bondade a do Senhor em nos dar a Sua Mãe como Mãe nossa! Que confiança havemos de ter n’Aquela que Ele coroa como Rainha do Céu! E não se trata apenas de um título honorífico, mas de uma autêntica função real: não veio Ela a Fátima com o sinal dessa realeza, levando ao peito a esfera de ouro, símbolo inequívoco do seu poder universal? Não veio falar de «política»: de Portugal, de nações em perigo e de outra ameaçadora? Não veio avisar-nos de guerras e destruições e aconselhar-nos o meio de evitarmos desgraças sem conta?

Verdadeira Rainha, o seu dom de governo manifesta-se desde a primeira notícia que d’Ela nos dá o Evangelho. Pois qual é o principal talento do bom governante, senão o de resolver rápida e acertadamente problemas imprevistos? Para os problemas comuns estão os burocratas, os seus códigos e os manuais… E, tão jovem ainda, vemo-la enfrentar uma questão nunca vista – ser Mãe de Deus! – com um espírito prático («Como será isso?») e uma determinação acertadíssima e imediata: – «Faça-se!»

Mas não só. Após uma decisão tão extraordinária, que deixaria qualquer outra perturbada por muito tempo, prescinde dos seus problemas pessoais (como explicar a José?) e logo segue a insinuação do Anjo a respeito da sua santa prima Isabel. Nada a faz hesitar, porque a missão do governante é servir: «Eis aqui a escrava do Senhor!» Quanto a si mesma, só um cântico de gratidão - pela chegada do Salvador do mundo.

Com igual decisão a voltamos a ver nas Bodas de Caná: «Fazei o que Ele vos disser». E assim «adianta a hora» do Senhor, que ainda não chegaria se não fosse pelo seu poder materno.

Assim a vemos, de pé, junto do seu Filho crucificado, a única a oferecê-Lo ao Pai, com fortaleza de Rainha. E assim a vemos depois, Mãe da Igreja, unindo maternalmente o Colégio Apostólico na expectativa do Paráclito.

Que bem fizeram os nossos monarcas ao depor a seus pés a coroa real! Rainha do Céu, salvai-nos e salvai Portugal!

 

 

 

 


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