aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

DOCUMENTÁRIO SOBRE

JOÃO PAULO II

 

Bento XVI lembrou no passado 9 de Abril o seu predecessor, João Paulo II (1920-2005), como um “grande contemplativo e um grande apóstolo de Cristo”.

 

O Santo Padre falava depois da projecção do documentário «Peregrino vestido de branco», a que assistiu na companhia de vários cardeais, no Vaticano, e do realizador da obra, o polaco Jaroslaw Szmidt.

Agradecendo ao cineasta, Bento XVI disse que o falecido Papa polaco foi “escolhido” e “protegido” por Deus para “introduzir a Igreja no terceiro milénio”.

O Papa considerou que, no vasto conjunto de produções evocando a vida do seu antecessor, o referido documentário se distingue pela “seriedade” com que foi preparado e pela sua “qualidade”, destacando as entrevistas a “íntimos colaboradores” de João Paulo II” e os testemunhos de “personalidades ilustres” que fazem “emergir fielmente tanto a personalidade do Papa como a sua incansável acção”.

«Peregrino vestido de branco» passa em revista momentos fundamentais do pontificado de João Paulo II, Karol Wojtyla, eleito em 1978, com entrevistas a líderes religiosos e personalidades do mundo dos media, da cultura, da ciência e da política.

 

 

REAFIRMAM-SE ORIENTAÇÕES

PARA CASOS DE ABUSOS SEXUAIS

 

A Santa Sé reafirmou no passado dia 16 de Maio que o tratamento dos “delitos de abuso sexual de menores” por parte dos clérigos compete “em primeiro lugar ao bispo diocesano”.

 

Numa circular da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) enviada às Conferências Episcopais para ajudar na preparação de “linhas directrizes” para estes casos, faz-se um “breve relatório da legislação canónica em vigor”, segundo a qual, quando uma acusação for considerada “digna de crédito”, se indica que o caso seja remetido à CDF.

As medidas canónicas aplicadas contra um clérigo reconhecido culpado de abuso sexual de um menor são geralmente de dois tipos: “Medidas que restringem o ministério público de modo completo ou pelo menos excluindo os contactos com menores” e “penas eclesiásticas, de entre as quais a mais grave é a demissão do estado clerical”.

A Santa Sé prevê que se exclua o regresso do clérigo ao ministério público “se o mesmo for perigoso para os menores ou escandaloso para a comunidade”.

Em 2010, Bento XVI reviu as normas actualmente em vigor, modificando o tempo de prescrição dos delitos, que passou a ser de 20 anos, especificando-se também o “delito canónico da aquisição, detenção ou divulgação de material pedopornográfico”.

Aos bispos, é indicado que “as linhas directrizes preparadas pela Conferência Episcopal” devem levar “em consideração as leis civis do país”, especialmente no tocante à eventual obrigação de avisar as autoridades civis, e que “a pessoa que denuncia o delito dever ser tratada com respeito”.

 

 

NOS 50 ANOS DA

MATER ET MAGISTRA

 

Bento XVI defende que o mundo precisa de uma “nova era de evangelização social, que evidencie as implicações de uma justiça que deve ser realizada universalmente”.

 

Esta convicção foi expressa pelo Papa durante uma audiência concedida a todos os participantes do Congresso Internacional sobre “Justiça e Globalização”, que assinala os 50 anos da encíclica Mater et Magistra, e que decorreu no Vaticano de 16 a 18 de Maio passado.

Aquele documento, publicado por João XXIII a 15 de Maio de 1961, é considerado como um marco importante da Doutrina Social da Igreja, na resposta aos problemas sociais da época e, para Bento XVI, conserva ainda hoje “grande actualidade”.

“Sem um pensamento moral” que favoreça o desenvolvimento de uma “cultura humanista aberta à transcendência”, alicerçada em Cristo e na “lei nova do Evangelho”, não será possível ao homem de hoje “aceder ao conhecimento do verdadeiro bem humano” – sublinhou o Papa aos 200 participantes do Congresso.

O Papa lembrou ainda que, tal como em 1961, “a verdade, o amor e a justiça indicados pela Mater et Magistra, juntamente com o princípio do destino universal dos bens, podem ser “pilares para interpretar e solucionar os desequilíbrios actuais”.

Como principais pontos de alerta, Bento XVI apontou a área económica, onde “após uma fase mais aguda da crise, se voltaram a praticar com frenesim contratos de crédito que conduzem a uma especulação sem limites”.

Situações que, acrescentou ainda, “se repetem em áreas como a distribuição equitativa dos alimentos, da água e da terra, empobrecendo ainda mais aqueles que já se debatem com situações de grave precariedade”.

 

 

PAPA PEDE ORAÇÕES

PELA IGREJA NA CHINA

 

Na audiência geral da quarta-feira dia 18 de Maio passado, na Praça de São Pedro, Bento XVI pediu orações pela Igreja Católica na China, tendo lembrado os fiéis perseguidos e impedidos de exprimirem livremente a sua fé.

 

“A Igreja na China, sobretudo neste momento, precisa da oração da Igreja universal”, sublinhou Bento XVI

Depois de lembrar que alguns bispos presentes na China “sofrem e estão sob pressão no exercício do seu ministério episcopal”, o Papa manifestou-lhes a “proximidade” da Igreja, que também estendeu aos padres e a “todos os católicos que encontram dificuldades na livre profissão da fé”.

Bento XVI recordou que a Igreja Católica dedica o dia 24 de Maio à memória litúrgica de Maria Auxiliadora, “venerada com grande devoção no Santuário de Sheshan, em Xangai".

“Convido, em primeiro lugar, todos os católicos chineses a continuarem e a intensificarem a sua oração”, disse o Papa, assinalando que na China “Cristo vive a sua paixão”, um paralelismo entre o sofrimento experimentado por Jesus antes da sua morte, como narrado na Bíblia, e as dificuldades vividas pelos fiéis.

Para Bento XVI, os católicos na China “têm direito” e “necessidade” das preces da Igreja Católica de todo o mundo, para que possam anunciar "sem impedimento" a mensagem cristã.

Referindo-se à existência de duas estruturas eclesiais na China – uma leal à Santa Sé e outra dependente da hierarquia estatal –, Bento XVI sublinhou que os fiéis “querem a unidade com a Igreja universal, com o Pastor supremo”.

“Com a oração possamos obter para a Igreja na China que permaneça una, santa e católica, fiel e firme na doutrina e na disciplina eclesial”, disse Bento XVI, que fez votos para que as preces ajudem os fiéis a superar “a tentação de um caminho independente de Pedro”, isto é, do Papa.

 

 

RELAÇÕES ENTRE

CRISTÃOS E MUÇULMANOS

 

 Cristãos e muçulmanos acreditam que o segredo para uma convivência pacífica entre as duas religiões estará numa “educação que favoreça a abertura e que não forme identidades antagónicas”.

 

Num comunicado conjunto, emitido pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e o Real Instituto para Estudos Inter-religiosos da Jordânia, destaca-se a importância das “escolas, institutos e universidades, onde cristãos e muçulmanos estudam juntos, uma experiência para continuar e preservar”.

As duas entidades, lideradas respectivamente pelo cardeal Jean-Louis Tauran e o professor Kamel Abu Jaber, estiveram reunidas nos passados dias 18 e 19 de Maio em Roma, para debaterem ideias que permitam “fortalecer os laços” entre os dois credos que, apesar de diferentes, “partilham valores básicos”.

Em termos humanos, foram destacados pontos comuns como “o carácter sagrado da vida, a dignidade humana e todos os direitos fundamentais que daí derivam”.

“Quanto aos valores religiosos, alguns deles são comuns, outros são específicos de cada comunidade, e importa sobretudo realçar pontos de união e respeitar diferenças” – sublinha ainda o mesmo documento.

Os representantes das duas religiões combinaram agora novo colóquio para daqui a dois anos, iniciativa que será precedida por um encontro preparatório.

 

 

PAPA CONVERSA

COM ASTRONAUTAS

 

Bento XVI conversou no passado sábado 21 de Maio com o grupo de astronautas da Estação Espacial Internacional, por motivo da última missão do vai-vém Endeavour.

 

O Papa encontrava-se numa sala do Palácio Apostólico do Vaticano e podia ver os astronautas num écran de televisão, enquanto estes só podiam escutar a sua voz por canal áudio.

Durante a conversa, Bento XVI fez cinco perguntas. Na primeira, perguntou: “Quando contemplais a Terra lá de cima, tendes perguntado como vivem aqui em baixo as nações e as pessoas, ou como pode a ciência contribuir para a causa da paz?”

 O astronauta norte-americano Mark Kelly respondeu que, do espaço, não se vêem as fronteiras entre os países, mas apercebem-se de que os povos lutam e que há muita violência.

  Depois de sublinhar “a responsabilidade que todos temos ante o futuro do nosso planeta”, o Papa perguntou como viam a situação da Terra a partir desse “ponto extraordinário de observação”.

O astronauta norte-americano Ron Garan reconheceu “como é inexprimivelmente belo o nosso planeta e ao mesmo tempo podemos observar que é frágil”.

 Bento XVI perguntou se, no seu intenso trabalho de investigação, meditavam sobre o mistério da criação e se de vez em quando dirigiam uma oração ao Criador. O astronauta italiano Roberto Vittori, que tinha recebido antes de partir para o espaço uma medalha de Bento XVI, na qual se representa a criação do homem, de Miguel Ângelo, assegurou que ao ver a beleza do planeta “rezo por mim, pelas nossas famílias, pelo nosso futuro”.  

 Na última pergunta, o Papa dirigiu-se ao astronauta italiano Paolo Nespoli, a quem assegurou que tinha rezado pela sua mãe, recentemente falecida, e perguntou-lhe como tinha vivido este tempo de dor, e se na Estação se sentem isolados.

Nespoli agradeceu as orações do Pontífice e reconheceu que estando fora do mundo “temos um ponto de vantagem para olhar para a Terra e para sentir tudo o que nos rodeia”.

O Santo Padre concluiu agradecendo “esta maravilhosa oportunidade de encontro e de diálogo. “Ajudastes-me e a muitas outras pessoas a reflectir juntos sobre temas importantes que dizem respeito ao futuro da humanidade. Desejo-vos o melhor para o vosso trabalho e para o êxito da vossa grande missão ao serviço da ciência, da colaboração internacional, do progresso autêntico e da paz no mundo”.

 

 

PRÓXIMAS VIAGENS DO PAPA

 

Foi divulgado o calendário das viagens de Bento XVI, com destaque para a Croácia, Espanha e Alemanha.

 

O Papa vai visitar a Croácia, nos dias 4 e 5 de Junho, numa viagem em que visitará o túmulo do beato Cardeal Alojzije Stepinac, mártir do regime comunista.

Duas semanas depois, a 19 de Junho, tem lugar a visita pastoral à diocese de São Marino-Montefeltro.

Em Agosto, será a terceira viagem de Bento XVI à Espanha, para participar na Jornada Mundial da Juventude, em Madrid, de 18 a 21 de Agosto.

O mês de Setembro tem duas viagens apostólicas marcadas: no dia 11, a Ancona (Itália), para a conclusão do congresso eucarístico internacional, e de 22 a 25 para a terceira visita à Alemanha, com passagens por Berlim, Friburgo e Erfurt.

A última viagem prevista para 2011 será a segunda de Bento XVI a solo africano, tendo como destino o Benim, de 18 a 20 de Novembro, para a celebração dos 150 anos da evangelização deste país.

Nessa ocasião, o Papa vai entregar aos bispos africanos a Exortação apostólica fruto do Sínodo especial para a África que decorreu no Vaticano, em Outubro de 2009.

 


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