S. João Baptista

Missa da Vigília

23 de Junho de 2011

 

Solenidade

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Lc 1, 15.14

Antífona de entrada: Será grande aos olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se hão-de alegrar pelo seu nascimento.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao solenizarmos a Vigília do Nascimento de São João Baptista, que desde o seio materno foi escolhido para ser enviado como precursor de Jesus, nós comemoramos e celebramos na realidade a Cristo, como cumprimento de todas as promessas anunciadas pelos Profetas ao longo da História da Salvação.

Ele veio preparar o caminho do Messias, recomendando a mudança de vida e a confissão dos próprios pecados para O receberem como Filho de Deus e Redentor do homem. Deu testemunho da verdade sem condescendências; denunciou as transgressões dos mandamentos de Deus e pagou com a vida o seu serviço a Cristo.

É, pois, uma oportunidade para interiormente reconhecermos as nossas infidelidades e prometermos com sinceridade mudar de vida para melhor testemunharmos a Cristo Nosso Senhor.

 

Oração colecta: Conduzi, Senhor, a vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por ele anunciado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Quando Deus incumbe alguém de uma missão, assegura ao mesmo tempo a Sua presença e torna-se o Emanuel, Deus-com. João Baptista também foi escolhido e consagrado para a missão antes que saísse do seio materno.

 

Jeremias 1, 4-10

4No tempo de Josias, rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus, mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo, para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão, tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arruinar e demolir, para edificar e plantar».

 

Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: «antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (cf. Lc 1, 44).

6 «Mas eu não sei falar». É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: «Eu estarei contigo!» (v. 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 70 (71), 1-2. 3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)

 

Monição: Neste salmo vincamos a confiança no Senhor que nos protege e sustenta desde o seio materno, a fim de anunciarmos as maravilhas operadas ao longo da nossa existência.

 

Refrão:        Desde que nasci Vós me sustentais.

 

Em Vós, Senhor, me refugio:

jamais serei confundido.

Pela Vossa justiça defendei-me e salvai-me;

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um abrigo seguro,

e fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio.

Meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a Vossa justiça,

dia após dia a Vossa salvação.

Desde a juventude, ó Deus, Vós me ensinastes,

e até hoje sempre anunciei os Vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A fé do cristão em Jesus é um compromisso permanente mediante o seu testemunho de vida. Assim manifesta pouco a pouco o próprio Cristo, que comunica a alegria da ressurreição.

 

1 São Pedro 1, 8-12

Caríssimos: 8Vós amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda. Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que tempos e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os próprios Anjos desejam contemplar.

 

8-9 «Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele...» Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.

10 «Os profetas», mais provavelmente os do Antigo Testamento.

12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1 , 7 ; Lc 1, 1 7

 

Monição: Jesus, Palavra de Deus, é a luz que ilumina a consciência de todo o homem e o prepara para a vinda do Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Ele veio para dar testemunho da luz

e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 5-17

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, 9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor».

 

A leitura corresponde ao início do chamado Evangelho da Infância de Lucas. O teólogo genial que é S. Lucas, não prescinde do seu génio de historiador e começa por situar na História o acontecimento: «Nos dias de Herodes, rei da Judeia» (v. 5). «Zacarias», era um nome corrente entre judeus, que significa «Yahwéh recordou-se «. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa «Deus é a plenitude», ou «Deus jurou». Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.

6 «Ambos justos aos olhos de Deus». A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.

9-10 «Para oferecer o incenso». Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada «o Santo», onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus: a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.

14-17 «Terás alegria…» Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético); será instrumento para a salvação de muitos (v. 16); preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva «pré-cristã» e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: «irá à frente do Messias» (como seria de esperar), mas «irá à frente de Yahwéh».

 

Sugestões para a homilia

 

A missão de cada homem está definida por Deus

E voltada para preparar o acolhimento do Messias

Vivendo e transmitindo a Sua mensagem

A missão de cada homem está definida por Deus

«Antes de te formar no ventre materno Eu te escolhi, te consagrei e instituí profeta entre as nações», lemos na primeira leitura desta Vigília.

Esta palavra dirigida a Jeremias e aplicada de igual modo a João Baptista não deixa de ser a mesma palavra que é dirigida hoje a cada um de nós, baptizados em água e no fogo do Espírito, para prepararmos e anunciarmos, com a vida, a vinda do Messias ao coração de cada um daqueles com quem contactarmos.

Como João Baptista havemos de ir ao encontro daqueles a quem Deus nos enviar e dizer tudo o que deve ser dito: anunciando a verdade sem condescendências, denunciando as injustiças e as infidelidades aos mandamentos, proclamando a vinda do Senhor.

Para tal, a nossa vida terá de ser conforme a do precursor que soube acolher a Palavra, escutando-a com atenção, contemplando-a no coração e reflectindo-a numa vida de pobreza evangélica, coerente, paciente, serena e prudente, voltada para o acolhimento do Mestre.

E voltada para preparar o acolhimento do Messias

A dimensão essencial de João Baptista foi a vivência do «envio», do serviço na preparação do acolhimento do Messias. Não se atemorizou como seu pai Zacarias “quando lhe apareceu o Anjo do Senhor à direita do altar do incenso.” “Muitos se alegrarão com o seu nascimento”, diz o texto.

Então, cada um de nós baptizado, não tem razão para andar atormentado, atarefado e inquieto com a sucessão dos acontecimentos diários. Eles são uma oportunidade de, à semelhança de João, os colocarmos nas mãos e no coração de Jesus ressuscitado que tudo acolhe, transforma, purifica, satisfaz e pacifica.

Mais que falar, teremos de testemunhar vivencialmente esta certeza da presença do Mestre no meio de nós. Com esta atitude de serenidade interior e exterior seremos testemunhas vivas que contrariarão o “espírito do mundo” e promoverão o “espírito de Cristo” vivendo e transmitindo a Sua mensagem.

Vivendo e transmitindo a Sua mensagem

Por isso S. Pedro na sua primeira epístola nos diz ainda hoje que “amamos Cristo sem o termos visto, e acreditamos n’Ele sem O vermos ainda”, porque assim com o exemplo da nossa fé O mostraremos vivo no meio de nós. Deste modo, conseguiremos promover em nós e nos outros a possibilidade de melhor demonstrarmos a compreensão das maravilhas que Ele vai operando nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia.

Este espírito de missão levar-nos-á a amar verdadeiramente, pois amar é comunicar, colaborar e comungar numa relação de proximidade que gera a obediência na observância dos desejos e ânsias do próximo, sabendo «dar tempo ao tempo» numa espera paciente que leva ao conhecimento da Palavra Incarnada, à colaboração eficaz e à comunhão afectiva e efectiva.

Que seja esse o nosso propósito como recordação de São João Baptista e cumprimento da nossa missão neste mundo.

 

 

Oração Universal

 

Cientes da nossa missão no mundo,

peçamos a Deus nosso Pai,

por intercessão de São João Baptista,

que nos ajude a realizá-la sem temor algum,

 rezando:

 

Ouvi, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Pela Santa Igreja de Deus,

para que a ajude a ser dócil

à missão que o Senhor lhe confiou,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que fiéis aos dons recebidos

os ponham a render ao serviço da evangelização,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos os cristãos,

para que a sua vivência se reja

segundo o “espírito de Cristo”

e não pelos critérios do mundo,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que a celebração desta Vigília

nos consciencialize da missão

que o Senhor nos confiou,

oremos, irmãos.

 

5.     Pelos jovens,

para que tornem a presença de Cristo

efectiva nas suas vidas

na completa abertura do coração

à Sua Palavra,

oremos, irmãos.

 

Escutai, Senhor, a nossa oração

e concedei que sejamos colaboradores activos

no testemunho das maravilhas

operadas pelo Senhor no quotidiano de nossas vidas.

Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo do Senhor fortifique em nós a humildade e o espírito de serviço, à semelhança do que foi demonstrado por São João Baptista no anúncio da vinda do Messias.

 

Cântico da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu, Az. Oliveira, NRMS 63

Lc 1, 16

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo, nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Esta Missa pode utilizar-se também como votiva.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A fidelidade ao espírito de missão de São João Baptista foi fortalecida pelo seu isolamento no deserto, vivendo em contemplação. Que o seu exemplo nos fortaleça a escutar a Palavra, a contemplá-la e a vivê-la como continuação da Paixão e ressurreição de Cristo, perante os obstáculos, dificuldades, anseios, problemas e dores, numa vivência de missão coerente com a vontade de Deus.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial