Santíssimo Corpo e Sangue De Cristo

23 de Junho de 2011

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nesta Santa Eucaristia, H. Faria, NRMS 103-104

Salmo 80, 17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando Nosso Senhor envia os seus discípulos a anunciar o Evangelho a todas as criaturas de todos os tempos, conforta-os com estas palavras: «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos».

Hoje celebramos com o coração transbordante de alegria o cumprimento de essa promessa do Senhor. Jesus está aqui connosco na Sagrada Eucaristia, e é o nosso alimento, o nosso conforto, o nosso Rei e Senhor, o nosso Amigo, o nosso Médico e o nosso Amor.

Procuremos hoje, de um modo especial, manifestar-Lhe o nosso agradecimento, e peçamos, desde já, que aumente a nossa fé para que saibamos apreciar o grande Tesouro que foi confiado à Igreja.

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue, que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Maná com que a Providencia de Deus alimentou o Povo de Israel no deserto era uma imagem da Eucaristia, o divino alimento dos filhos de Deus que nos dá a vida eterna.

 

Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: 2«Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. 3Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. 14bNão te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, 15e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti 16ae, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».

 

A leitura é tirada da parte central do Deuteronómio, o 2º discurso de Moisés (Dt 4, 44 – 28, 68), na passagem que recorda como Deus forjou a alma do povo com as provações sofridas no deserto, acompanhadas de uma amorosa providência, para o socorrer na fome e na sede.

3 «O maná». É figura e símbolo da Eucaristia (cf. Jo 6, 31-33.49-52), figura muitíssimo expressiva, pois é chamado «pão do céu» (Ex 16, 4), «pão dos Anjos» (Sab 16, 20), «pão dos fortes» (Salm 77, 25), «um pão já pronto, sem trabalho, dado do céu, capaz de produzir todas as delícias e bom para todos os gostos», segundo a releitura deráxica do autor do livro da Sabedoria (Sab 16, 20-21). Na actualização cristã feita no discurso eucarístico de S. João, temos que, assim como o maná alimentou providencialmente o antigo Povo de Deus na sua penosa travessia pelo deserto a caminho da terra prometida, assim também, com uma Providência mais maravilhosa ainda, é alimentado pela Sagrada Eucaristia o novo Povo de Deus no peregrinar desta vida a caminho do Céu.

«Foi para te fazer compreender...»: Com o maná, Deus não só alimentava o seu povo, como o educava, fazendo-o compreender a especial providência e amor que lhe mostrava; o êxito da nossa vida não depende apenas dos recursos naturais – «nem só de pão vive o homem» (v. 3). O maná não era uma comida que propriamente chovia do céu, mas uma providência divina, com base na própria natureza, pois ainda hoje se podem apanhar no Sinai, de fins de Maio até fins de Julho, umas bolinhas transparentes, com uma tonalidade parda amarelenta, de sabor doce, que os beduínos aproveitam como guloseima. Trata-se duma secreção duma espécie de uma espécie de tamareira (tamarix mannifera), quando picada por um insecto (actualmente em vias extinção); a secreção, com a fresca da noite, coagula em pequenos grãos que podem cair ao chão e se derretem com o calor do dia.

 

Salmo Responsorial     Sl 147, 12-13.14-15.19-20(R. 14 ou Aleluia)

 

Monição: Se os israelitas deviam louvar o Senhor pelos benefícios imerecidos que de Ele receberam; nós os cristãos, deveremos viver numa continua acção de graças, em especial pelo dom da Eucaristia.

 

Refrão:        Jerusalém, louva o teu Senhor.

 

Ou:               Aleluia.

 

Glorifica, Jerusalém, o Senhor,

louva, Sião, o teu Deus.

Ele reforçou as tuas portas

e abençoou os teus filhos.

 

Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras

e saciou-te com a flor da farinha.

Envia à terra a sua palavra,

corre veloz a sua mensagem.

 

Revelou a sua palavra a Jacob,

suas leis e preceitos a Israel.

Não fez assim com nenhum outro povo,

a nenhum outro manifestou os seus juízos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo explica, na sua carta aos Coríntios que a comunhão eucarística é o fundamento da fraterna unidade que vivemos os fieis cristãos. Peçamos ao Senhor na sagrada comunhão que fortaleça a nossa caridade e faça desaparecer os obstáculos que eventualmente impeçam essa unidade entre nós.

 

1 Coríntios 10, 16-17

Irmãos: 16Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? 17Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do único pão.

 

Para a perfeita compreensão deste texto, precisamos de ter presente o contexto em que fala S. Paulo. O Apóstolo está a dar resposta à questão posta sobre se podiam comer ou não as carnes de animais que antes tinham sido imoladas nos templos idolátricos e depois comidas em banquetes sacrificiais promovidos pelos devotos, ou vendidas no mercado (1 Cor 8, 1 – 11, 1). Depois de ter exposto os princípios gerais (cap. 8), ilustrados com dois exemplos (o de Paulo e o da história de Israel: 9, 1 – 10, 13), passa a dar soluções práticas para o problema. O nosso texto é um pequeno extracto (vv. 16 e 17) daquela parte (vv. 14-22) em que Paulo apresenta a primeira razão teológica que fundamenta a proibição absoluta de participar nos banquetes sacrificiais, a saber: o culto pagão e o culto cristão são incompatíveis, uma vez que pela comunhão num sacrifício oferecido à divindade fica-se em contacto com a divindade à qual é oferecido esse sacrifício, por isso, «não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios» (v. 21); de facto, «aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus» (v. 20).

16 «Comunhão com o Sangue de Cristo… com o Corpo de Cristo». S. Paulo não diz simplesmente «comunhão com Cristo», o que bastava para a condenação da participação nos banquetes idolátricos, mas, ao fazer menção explícita do Corpo e do Sangue de Cristo, deixa ver que a união que se dá com Jesus na Santíssima Eucaristia não é apenas uma união de tipo moral, espiritual ou mística com o Cristo celeste, mas uma união imediata com Jesus ressuscitado realmente presente entre nós com o seu Corpo e o seu Sangue, isto é, em pessoa, embora de modo sacramental, apenas sensível em sinais, as espécies do pão e do vinho.

«O cálice de bênção que nós abençoamos»: a expressão é uma forma de se referir às palavras da consagração, inseridas já nalgum formulário litúrgico primitivo, em relação com Ceia do Senhor, onde Jesus concluiu a instituição da Eucaristia precisamente com a consagração da terceira taça, assim denominada no hagadá da Páscoa: «o cálice da bênção».

«O pão que partimos». Referência à celebração eucarística (cf. Act 2, 42.46; 20, 7.11), pois nela se partia o pão imitando o gesto de Jesus na Última Ceia, gesto que ainda hoje se mantém na fracção da Hóstia, antes da Comunhão.

«Formamos um só corpo, porque participarmos...» A Sagrada Eucaristia não é mero sinal significativo de unidade – todos comem do mesmo pão –, mas é sobretudo um sinal que produz a unidade; precisamente porque contém Jesus Cristo, cimenta a unidade inaugurada no Baptismo.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 51

 

Monição: O Senhor é o Pão vivo que alimenta a vida da graça dos baptizados e leva essa vida a sua plenitude eterna. Recebamos a sagrada comunhão com fé, agradecimento e amor, e escutemos as consoladoras palavras do Senhor, no santo Evangelho, com iguais disposições.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 51-58

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 51«Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne pela vida do mundo». 52Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». 53Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. 55A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. 56Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim, e Eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. 58Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

 

Se os versículos anteriores deste Discurso do Pão do Céu se podem interpretar também no sentido de que Jesus é um alimento espiritual para fé dos que crêem nas suas palavras (assim no v. 35), a verdade é que, a partir deste v. 51, o discurso tem um sentido nítida e indiscutivelmente eucarístico, deixando mesmo de se usar a expressão «pão da vida» (vv. 35.38), para se falar agora do «pão vivo».

51 «O pão vivo… que eu hei-de dar: este «dar» não é um dar qualquer, mas um oferecimento «pela vida» (salvação) «do mundo». A referência à morte de Cristo (cf. Jo 3, 15-16) e à instituição da Eucaristia (cf. 1 Cor 11, 24; Lc 22, 19) é fácil de descobrir. O realismo eucarístico das palavras de Jesus não pode ser mais claro: o pão vivo é a «carne» (não simplesmente corpo) de Jesus e simultaneamente o sangue» que é preciso beber (o que não podia ser mais chocante para a fé e a cultura judaica: cf. Lv 17, 10-14; Act 15, 20); perante o escândalo dos ouvintes (v. 52), Jesus não desfaz um mal-entendido como costumava fazer, não apela para um sentido metafórico, nem suaviza as suas palavras, mas antes as reforça com mais clareza. Por outro lado, nos vv. 54, 56, 57 e 58, emprega-se um verbo que exprime, com realismo, o próprio do acto de comer com os dentes (mastigar – trôgô) e que se traduz bem por «comer realmente»; também o adjectivo «verdadeiro» (v. 55: alêthês) tem em S. João uma força particular, pois equivale a genuíno (o que é verdadeiro, isto é, o que corresponde à sua designação, apesar das aparências). Com efeito, neste Evangelho o adjectivo alêthês distingue-se de alêthinós (cf. Jo 1, 9) que encerra a ideia de exclusividade (o que é real, em oposição a putativo).

52 «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?» Os ouvintes aparecem como quem entende as palavras de Jesus no sentido próprio e não no sentido figurado de adesão pela fé. De facto, comer a carne de alguém, em sentido figurado, seria, pelo contrário, ter ódio ou perseguir alguém, nunca aderir a alguém! Jesus tem o costume de desfazer equívocos, quando os ouvintes interpretam em sentido próprio o que tinha um sentido figurado (cf. Jo 3, 4-5; Mt 16, 6-12). A insistência de Jesus produz escândalo nos ouvintes, ao afirmar que não se pode conseguir a vida eterna, se não se comer a sua Carne e não se beber o seu Sangue. E é que não se trata apenas de algo já de si simplesmente espantoso, pois beber o sangue era algo proibido pela Lei de Moisés (cf. Lv 17, 10-14) e sumamente repugnante para um judeu (cf. Act 15, 20).

54 «E Eu o ressuscitarei». Eis o comentário de S. Tomás de Aquino: «O Verbo dá a vida às almas, mas o Verbo feito carne vivifica os corpos. É que, neste Sacramento, não se contém só o Verbo com a sua divindade, mas também com a sua humanidade; portanto, não é só causa da glorificação das almas, mas também dos corpos» (Super Ev. Jo. Lectura).

56-58 A Teologia explicita os efeitos do Sacramento da Eucaristia, aqui indicados, como a «graça sacramental», concretamente: a) a «graça unitiva» (v. 56); b) a «graça nutritiva e transformativa» (v. 57); c) e o «penhor da vida eterna e da gloriosa ressurreição final» (v. 58).

 

Sugestões para a homilia

 

A solenidade do Santíssimo corpo e Sangue de Cristo

Mistério da Fé

Mistério de Amor

A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

A Igreja celebrou, desde os primeiros tempos, com profunda devoção e piedade a instituição da Sagrada Eucaristia na Solenidade da Quinta-feira Santa. Mas a Missa da Ceia do Senhor situada da Semana Santa, e por isso dentro do ambiente penitencial próprio da Quaresma, não permitia as manifestações de festiva alegria com que o povo cristão desejava louvar o Santíssimo Tesouro que mora no coração da Igreja.

É sabido que o culto público à Sagrada Eucaristia fora da Missa só começa a desenvolver-se no século XII, junto com a devoção crescente à Humanidade Santíssima de Nosso Senhor.

O desejo de adorar o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor floresceu também como reacção perante as doutrinas antieucarísticas das seitas cátaras espalhadas pelo sul de França e norte de Itália. Também em desagravo perante as teorias do Mestre Berengario de Tours que negava a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Além de serem condenadas as suas afirmações, introduziu-se, desde então, na Santa Missa o costume de elevar o Corpo e o Sangue do Senhor depois da consagração.

Os monges cistercienses tornaram-se fervorosos propagadores do culto eucarístico, e atribui-se à Beata Maria de Oignies (+ 1213) influenciada pela sua espiritualidade, a introdução do costume de visitar o Santíssimo Sacramento. Mas a festividade do Corpus Christi, só foi instituída por primeira vez na diocese de Liège em 1246-47, como consequência das visões e revelações da beata Juliana de Mont-Cornillon (1193-1258), que formava parte do círculo de Maria de Oignes. Nessa altura era arcediago de Liège Jacques Pantaléon, que alguns anos mais tarde foi eleito Papa com o nome de Urbano IV, e no ano de 1264 instituiria a festa do Corpus Christi com âmbito universal. Clemente V contribuirá a estende-la, de modo prático, por toda a Igreja.

 

Parece ser que também contribuiu para a instituição da festividade o famoso milagre de Bolsena (1263) e o facto de o Papa Urbano IV ter recebido o corporal do milagre quando foi levado a Orvieto. São Tomás de Aquino, profundo devoto da Santíssima Eucaristia, foi encarregado pelo Papa de elaborar os textos litúrgicos para a celebração, os quais são uma peça mestra de piedade, doutrina e poesia.

Pelos motivos que antes referimos, a finalidade da nova festa era, e continua a ser, muito rica:

a) Louvar jubilosamente, “com hinos e cânticos” (sequência da Missa) o sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, num tempo litúrgico mais a condizer com a festividade.

b) Desagravar o Senhor no Santíssimo Sacramento, reparando pelas heresias, ofensas, e sacrilégios. Na sequência diz S. Tomás “Este é o Pão dos anjos, feito alimento dos caminhantes, verdadeiro pão dos filhos que não deve ser lançado aos cães”. São palavras que recordam a conversa entre o Senhor e a mulher cananea; mas também nos lembram que jamais podemos receber a sagrada comunhão sem estar na graça de Deus.

c) Agradecer ao Senhor a sua entrega por nos, procurando dar-Lhe nos também o nosso coração agradecido, o nosso tempo, e as nossas coisas. Deve parecer-nos sempre pouco o esplendor do culto eucarístico: templos, vasos sagrados, alfaias, solenidade da liturgia, etc.

d) Adorar com devoção a presença de Cristo nos nossos templos e em toda a nossa vida. Por isso a celebração do Corpus Christi, desde os seus começos incluía uma solene procissão eucarística pelas ruas das cidades e aldeias.

É com estas disposições interiores que nos desejamos, também hoje, celebrar a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

Mistério da fé

No momento central da Santa Missa, concluída a consagração, o celebrante proclama: “Mistério da fé”. Sobre o altar se encontra uma realidade misteriosa para os sentidos, a presença de Cristo, mas que é descortinada pelos olhos da fé.

São muitos os motivos de conveniência que podem encontrar-se para que Nosso Senhor tenha querido ficar connosco sob as espécies de pão e de vinho, mas é evidente que de essa maneira nos ajuda a crescer na fé.

A Sagrada Eucaristia é um continuo apelo a fazer actos de fé semelhantes ao do apóstolo Tomé: “meu Senhor e meu Deus”. Temos de acreditar nas palavras do Senhor ditas na Última Ceia, que os lábios dos sacerdotes tornam presentes, com toda a sua eficácia divina, quando consagram o pão e o vinho. Temos de adorar o Senhor nos sacrários, orar ante Ele, dedicar-Lhe os templos e tabernáculos mais dignos de que sejamos capazes. Temos de cuidar do seu culto com amor, como se cuida a quem mais se ama; e para tal é preciso que acreditemos firmemente que Ele está ali, naquela pequenina Hóstia branca, como fruto do seu Amor e pela força da sua Omnipotência.

A Eucaristia, pela sua proximidade de cada fiel é por isso uma contínua pergunta que Nosso Senhor lhe dirige: “Quem dizes tu que eu sou?”; e a nossa resposta, com os lábios e com a conduta, deve ser um acto de fé. Essa frequente repetição de actos de fé, que a presença eucarística de Nosso Senhor está continuamente a reclamar de nós, é a ocasião para que a nossa fé aumente, e assim também a de toda a Igreja.

São Josemaria Escrivã deixou escrito o seguinte pensamento no seu livro Sulco: “A frequência com que visitamos o Senhor está em função de dois factores: fé e coração; ver a verdade, e amá-la”. (Sulco,818). É um bom motivo de exame para nós, porque podemos ter fé e estar tíbios no nosso amor; mas se não existe verdadeira fé não pode existir amor de espécie nenhuma, e seremos indiferentes à Eucaristia.

A procissão que hoje percorre as ruas de tantas povoações é um estímulo para que cresça a nossa fé e também para que, por vezes, se acenda por primeira vez na alma de pessoas que vivem cegas para a verdade sobrenatural. Com palavras de um conhecido escritor espiritual podemos considerar que “se hoje, em tantas cidades e aldeias onde se vive esse antigo costume de levar Jesus Sacramentado em procissão pelas ruas, alguém perguntasse, o ouvir também o rumor da multidão: “O que está acontecendo?”, poderiam responder-lhe com as mesmas palavras que se disseram a Bartimeu: É Jesus de Nazaré que passa. É Ele mesmo, que percorre as ruas recebendo a homenagem da nossa fé e do nosso amor. É Ele mesmo!” F. Fernandez Carvajal, Falar com Deus, VI, 40. A profunda manifestação de fé da procissão do Corpus Christi, foi sempre, e continua a ser hoje também, um despertador da fé em todas as almas.

Mistério de Amor

A Sagrada Eucaristia é a mais comovedora manifestação do Amor de Deus pelos homens. Por isso entendemos bem que o autor de Caminho se pergunte: ”Saber que me queres tanto, meu Deus, e... não enlouqueci?!” (Caminho, 425). Ele próprio costumava considerar que não existe outra explicação para que o Senhor tenha querido ficar ao nosso lado do que o seu Amor. Um amor que se compadece da nossa fraqueza. Somos como o profeta Elias, desanimado e caído no deserto à sombra dum junípero. A ele envia o Senhor um anjo que lhe traz pão cozido e água. O anjo lhe diz “ «Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho a percorrer.» Elias levantou-se, comeu e bebeu; reconfortado com aquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus” (1 Reis 19, 7). Também nós para percorrer o caminho da vida contamos com o Santo Viático (alimento para o caminho ou via em latim). Ele nos dá a força para caminhar até ao Céu.

Assim como a Eucaristia é um desafio constante para a nossa fé, também o é para o nosso amor. Contemplar o Amor grandioso de Deus por nós que envolve a Eucaristia, é um contínuo apelo a acender o amor nos nossos corações e corresponder na medida que nos for possível. Esse desejo de corresponder tem muitas manifestações práticas. É compreensível que o amor agradecido tenha cristalizado em manifestações materiais como são os templos, os tabernáculos, os ricos vasos sagrados e as magníficas custódias processionais que foram lavradas para honrar Nosso Senhor. As variadas devoções eucarísticas que foram surgindo ao longo dos tempos são consequência da fé, mas comandadas pelo amor.

Uma pessoa apaixonada, quase sem dar conta, pensa a toda hora de naquilo que ama. No nosso caso o amor a Nosso Senhor na Eucaristia fará com que conversemos com Ele todo o dia, procurando-O nos sacrários com o pensamento, cumprimentando-O quando passamos perto de uma igreja, unindo-nos às Missas que se estejam a celebrar no mundo em cada momento do dia, visitando-O e fazendo oração na sua presença, comungando com o desejo (comunhão espiritual) muitas vezes.

A procissão de este dia nos recorda, também, que o Senhor precisa de nós como “custódias vivas” que sejam almas eucarísticas e levem Jesus Cristo, nas suas vidas, a todos os lugares e ambientes. De essa maneira a Igreja será no mundo, especialmente por meio dos seus fiéis leigos, uma continua procissão do Corpus Christi que evangelizará diariamente a sociedade.

 

Fala o Santo Padre

 

[…] Celebra-se hoje a solenidade do Corpus Christi, [...] a festa da Eucaristia, dom maravilhoso de Cristo, que na Última Ceia quis deixar-nos o memorial da sua Páscoa, o sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, penhor de amor imenso por nós. Há uma semana os nossos olhares foram atraídos pelo mistério da Santíssima Trindade; hoje somos convidados a fixá-los na Hóstia sagrada: é o mesmo Deus! O mesmo Amor! É esta a beleza da verdade cristã: o Criador e Senhor de todas as coisas fez-se "grão de mostarda" para ser semeado na nossa terra, nos sulcos da nossa história; fez-se pão para ser repartido, partilhado, comido; fez-se nosso alimento para nos dar a vida, a sua própria vida divina. Nasceu em Belém, que em hebraico significa "Casa do pão", e quando começou a pregar às multidões revelou que o Pai o tinha enviado ao mundo como "pão vivo que desceu dos céus", como "pão da vida".

A Eucaristia é escola de caridade e de solidariedade. Quem se alimenta do Pão de Cristo não pode permanecer indiferente perante quem, também nos nossos dias, não tem o pão quotidiano. Muitos pais têm grande dificuldade de obtê-lo para si e para os próprios filhos. É um problema cada vez mais grave, que a comunidade internacional tem grande dificuldade de resolver. A Igreja não só reza "o pão nosso de cada dia nos dai hoje", mas, a exemplo do seu Senhor, compromete-se de todas as formas para "multiplicar os cinco pães e os dois peixes" com numerosas iniciativas de promoção humana e de partilha, a fim de que a ninguém falte o necessário para viver. [...]

 

Papa Bento XVI, Praça de São Pedro, Angelus, 25 de Maio de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs

Unidos aos cristãos de toda a terra,

demos graças a Deus pela Santa Eucaristia

e imploremos-Lhe que por meio de tão grande mistério

faça crescer a sua Igreja e derrame as suas graças sobre todos os homens

e em especial sobre aqueles que estão mais necessitados.

Oremos (cantando)

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

 

1.     Pelo Santo Padre, com os Bispos e Presbíteros do mundo

para que nos ensinem e preparem para receber a Eucaristia,

oremos ao Senhor

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

2.     Pelas crianças que fizeram ou vão fazer este ano a sua Primeira Comunhão

para que se deixem cativar pelo amor do Senhor Jesus,

oremos ao Senhor

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

3.     Pelos pais e catequistas que preparam as crianças para receber o Senhor

para que as ensinem a manter sempre um coração humilde e puro,

oremos ao Senhor

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

4.     Pelos sacerdotes que tornam presente Jesus na Eucaristia,

para que sejam santos, exemplarmente devotos do Santíssimo Sacramento,

e renovem hoje a sua entrega a Deus,

oremos ao Senhor

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

5.     Pelas famílias, berço das vocações,

para que acolham os filhos com amor

e dêem um bom testemunho de alegria quando Deus os chama,

oremos ao Senhor

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

6.     Por todos os que partiram desta vida e são purificados,

para que o Senhor os conduza à glória eterna do Céu,

oremos ao Senhor

 

Dai-nos, Senhor o Pão da vida

 

Senhor, que Vos dais aos fieis como Alimento:

ajudai-nos a tomá-lo com as devidas disposições,

para que nos guarde para a Vida que não tem fim.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio da Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

As palavras do oficial do exército romano que repetimos antes da comunhão: “Senhor eu não sou digno…” devem ajudar-nos a examinar a nossa alma. Se nos encontrarmos com as devidas disposições aproximemo-nos com fé e humildade para receber o nosso Deus e nosso Rei

 

Cântico da Comunhão: A minha carne é verdadeira comida, F. da Silva, NRMS 102

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Ó verdadeiro Corpo do Senhor, F. da Silva, NRMS 42

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor nos envia, acabada a celebração, para que com a força da Sagrada Eucaristia, trabalhemos para tornar presente Nosso Senhor, levando-O na nossa alma, nos ambientes, lugares e circunstâncias em que são o cenário da nossa vida.

 

Cântico final: Ao Deus do Universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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