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A  EVANGELIZAÇÃO

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

Como deu início à evangelização Nosso Senhor? De modo nenhum… Ou melhor, baptizando-Se. E depois? Rezando, no longo retiro de quarenta dias no deserto. E depois? Pregando? Chamando discípulos? Também não… Perguntando a dois discípulos de João por que motivo O seguiam. Foram eles que O procuraram, e nem sabiam explicar-se. Só souberam responder: – «Mestre, onde moras?» Uma pergunta quase impertinente. Mas Jesus, amavelmente, compreendeu e aceitou a sua curiosidade: – «Vinde ver»…

Não foram precisos milagres; a simples conversa com Nosso Senhor convenceu-os imediatamente: – «Encontrámos o Messias!» E chamaram os irmãos, os amigos… Só mais tarde vieram as multidões, os prodígios, a pregação, as confidências profundas, os encargos, as missões, a Igreja.

A evangelização é tarefa de todos os fiéis. Como se faz? De muitas maneiras, mas sobretudo «de maneira nenhuma», ou seja: o essencial é o testemunho pessoal, a vida cristã empenhada em todos os aspectos da nossa existência. Não é preciso «ter jeito» para o apostolado. Não é necessário sequer sermos um «modelo de perfeição», pobres de nós. Basta que sejamos exemplo de fé e de luta espiritual, de esforço sincero e prático por melhorar, por avançar no caminho da santidade. Não consiste em pregar-nos a nós mesmos, mas a Cristo. E, além disso, sermos amigos de todos, inclusive daqueles que não nos querem bem, mas que têm tanto direito como nós ao Evangelho, à Boa Nova da Redenção.

Mas não temos obrigação de «dar a razão da nossa esperança», ou seja, de expormos convicta e convincentemente a fé que nos salva e o Amor que nos espera? Convictamente, sim, e para isso não cessemos de estudar a Palavra de Deus, tal como a Igreja no-la transmite; mas «convencer» os outros já não é connosco; é com o Espírito Santo e com cada alma…

Há muitas formas de evangelização; do que não se dispensa ninguém é do apostolado individual, por «contágio» de uma alegria de uma paz «como o mundo não dá». «Olhai como se amam!», exclamavam os pagãos. Não era apenas porque se amavam muito, mas porque se amavam sem distinção de classe, de raça, de língua, de sexo, de instrução, de nada. 

A caridade sincera e esforçada com quem nos cerca; a paz no meio das ocupações e preocupações da nossa vida, a naturalidade cristã do nosso comportamento familiar, profissional, social, tudo isso acompanhado pela oração e pela penitência – eis a evangelização indispensável de cada um dos fiéis, sem a qual, todas as outras «formas» de pouco valeriam.

 

 


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