Solenidade do Pentecostes

 

Missa do Dia

12 de Junho de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Amor de Deus foi derramado, M. Carvalho, NRMS 82-83

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou:

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste dia de Pentecostes, que se celebra cinquenta dias após a Páscoa, o que a Liturgia nos quer fazer compreender é que o Espírito substituiu a antiga lei apresentada a Moisés no Monte Sinai e se transformou na nova e única lei para o cristão.

A partir do Pentecostes todos os que se deixam transformar pela palavra do Evangelho e do Espírito falam uma língua que todos entendem e que a todos une: a linguagem do amor que converte a humanidade numa só família onde todos se compreendem e se amam.

Essa mudança iniciou-se precisamente com a ressurreição de Jesus e terá de se desenvolver através de cada um de nós, pela acção do Espírito, que sopra em todos os baptizados.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta leitura é um relato cheio de simbolismo em que Deus entrega o Seu Espírito aos doze Apóstolos como base de qualquer comunidade cristã, pois o Espírito Santo faz lembrar, compreender e continuar o testemunho de Jesus.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), lab.24c.29bc-30.31.34

 

Monição: Neste salmo o mistério da vida é visto como o mistério da respiração: é sopro de Deus que cria, vivifica e renova toda a terra.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo escreve aos cristãos de Corinto lembrando-lhes que todas as qualidades que possuem não foram concedidas para alimentar separações, mas para apoiar a unidade.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Espírito Santo é labareda que inflama de amor o coração do homem em que penetra e impulsiona-o a transmiti-lo a todos com quem contactar.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

A descida do Espírito Santo

Fonte de unidade

E riqueza universal da Igreja de Cristo

A descida do Espírito Santo

Celebramos hoje a festa do Pentecostes como dom do Ressuscitado, o envio do Espírito Santo prometido por Jesus aos seus discípulos.

Lucas e João, cada um à sua maneira, completam-se para tentarem fazer-nos compreender por meio de símbolos, como se deu essa efusão do Espírito sobre os Apóstolos.

Lucas, quando coloca a descida do Espírito Santo cinquenta dias após a Páscoa, como acontecera com o povo israelita na sua comemoração da saída do Egipto, quer ensinar-nos uma só coisa: indicar que o Espírito substituíra a antiga lei e passara a ser a nova lei para o cristão. Assim, para ser entendido pelos seus contemporâneos orientais serviu-se de imagens semelhantes para evocar a vinda do Espírito sobre os Apóstolos. Daí o apresentar a Sua descida acompanhada de trovões e relâmpagos de idêntico modo como fora apresentada por Deus a antiga lei a Moisés, no Monte Sinai.

Por seu lado, S. João manifesta a efusão do Espírito Santo no próprio dia de Páscoa, no primeiro encontro de Jesus com os seus Apóstolos, mediante o gesto de soprar sobre eles. Ora, o mistério pascal é único e constituído pela Morte, Ressurreição, Ascensão e dom do Espírito Santo e, decerto, aconteceram em simultâneo. Jesus deu o seu Espírito no mesmo instante em que entrou na glória do Pai, conforme nos narra S. João. São duas maneiras de apresentar a mesma realidade como fonte de unidade para o cristão.

Fonte de unidade

Na realidade, na Igreja primitiva a efusão do Espírito era acompanhada pelos crentes com manifestações de louvar e exaltação tais que os levava a pronunciar palavras estranhas noutras línguas. Por isso S. Lucas se referia ao dom das línguas por eles recebidas, mas como dom simbólico e sinal do universalismo da Igreja.

O Espírito destina-se a todos os povos e perante este dom não existem barreiras de língua, raça ou nação. Todo aquele que se deixa transformar pela palavra do Evangelho e pelo Espírito fala a língua do amor que transforma a humanidade numa mesma e única família, em que todos se entendem e se amam, distribuindo a cada um determinados dons que constituem a riqueza universal da Igreja de Cristo.

E riqueza universal da Igreja de Cristo

Por isso S. Paulo escreve aos cristãos de Corinto lembrando que os dons e qualidades que cada um possui foram concedidos não para criar divisões e discórdias, mas para favorecer a unidade com a multiplicidade desses dons. Eles devem ser colocados ao serviço de todos, adverte, porque a sua origem é obra do Espírito Santo.

Ao celebrarmos hoje a dádiva da vinda do Espírito Santo que recebemos no dia do nosso Baptismo e confirmamos com a recepção da santa unção do Crisma, temos a obrigação de agradecer a Deus as qualidades com que fomos cumulados pelo mesmo Espírito e colocá-las ao serviço de todos de modo a criarmos condições para que o amor entre no coração de cada homem.

Não podemos conservar os dons recebidos, mas temos obrigação de os comunicar a todos aqueles que fazem parte do nosso universo familiar, social e comunitário.

Será assim que tenho procedido? Que interpelação me faz hoje o Espírito à minha actuação como cristão?

 

 

Fala o Santo Padre

 

«A Igreja vive constantemente da efusão do Espírito Santo, sem o qual ela esgotaria as próprias forças.»

 

Amados irmãos e irmãs!

Cinquenta dias depois da Páscoa, celebramos a solenidade de Pentecostes, na qual recordamos a manifestação do poder do Espírito Santo, o qual  como vento e como fogo  desceu sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo e tornou-os capazes de pregar com coragem o Evangelho a todas as nações (cf. Act 2, 1-13). O mistério do Pentecostes, que justamente nós identificamos com aquele acontecimento, verdadeiro "baptismo" da Igreja, não termina com ele. De facto, a Igreja vive constantemente da efusão do Espírito Santo, sem o qual ela esgotaria as próprias forças, como uma barca à vela à qual faltasse o vento. O Pentecostes renova-se de modo particular em alguns momentos fortes, tanto a nível local como universal, em pequenas assembleias ou em grandes convocações. Os concílios, por exemplo, tiveram sessões gratificadas por especiais efusões do Espírito Santo, e entre eles está certamente o Concílio Vaticano II. Podemos recordar também o célebre encontro dos movimentos eclesiais com o Venerável João Paulo II, aqui na Praça de São Pedro, precisamente no Pentecostes de 1998. Mas a Igreja conhece numerosos "pentecostes" que vivificam as comunidades locais:  pensemos nas Liturgias, em particular nas que foram vividas em momentos especiais para a vida da comunidade, nas quais a força de Deus se sentiu de modo evidente, infundindo alegria e entusiasmo nos corações. Pensemos em tantos congressos de oração, nos quais os jovens sentem claramente a chamada de Deus a radicar a sua vida no seu amor, também consagrando-se inteiramente a Ele.

Portanto, não há Igreja sem Pentecostes. E gostaria de acrescentar:  não há Pentecostes sem a Virgem Maria. Foi assim no início, no Cenáculo, onde os discípulos "eram assíduos e concordes na oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e de seus irmãos"  como nos refere o livro dos Actos dos Apóstolos (1, 14). E é sempre assim, em todos os lugares e tempos. Disto também eu fui testemunha há poucos dias, em Fátima. O que viveu, de facto, aquela imensa multidão, na esplanada do Santuário, onde todos éramos realmente um só coração e uma só alma? Foi um renovado Pentecostes. No meio de nós estava Maria, a Mãe de Jesus. É esta a experiência típica dos grandes Santuários marianos  Lourdes, Guadalupe, Pompeia, Loreto  ou também dos mais pequenos:  onde quer que os cristãos se reúnam em oração com Maria, o Senhor doa o seu Espírito. […]

Papa Bento XVI, Regina Caeli, Domingo, 23 de Maio de 2010

 

Oração Universal

 

Na unidade e riqueza universal da Igreja de Cristo,

supliquemos a Deus nosso Pai,

que fortaleça todos os cristãos

com os dons do Espírito Santo, rezando:

 

Enviai sobre nós, Senhor, os dons do vosso Espírito.

 

1.     Por todas as Igrejas do Oriente e do Ocidente,

para que dóceis aos dons do Espírito

se unam no mesmo amor de Cristo,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que fiéis aos dons recebidos

os ponham a render ao serviço do amor,

oremos, irmãos.

 

3.     Pelos cristãos do mundo inteiro,

para que se deixem transformar

pela palavra do Evangelho

e pela acção do Espírito Santo,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que os muitos dons

das diferentes pessoas da comunidade eclesial,

se traduzam em ministérios de serviço a todos,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que todos nós aqui reunidos

a celebrar a vinda do Espírito Santo

sejamos enriquecidos pelas qualidades

de cada membro desta comunidade,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, a nossa oração

e a todos concedei os dons do Vosso Espírito,

para benefício de toda a comunidade humana.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou sobre mim, Az. Oliveira, 58

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PREFÁCIO

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Que o pão de Deus, Corpo de Cristo, que vamos receber, nos alimente e fortaleça com os dons do Espírito Santo para benefício e partilha do amor por todos os nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede, venha a mim, M. Carneiro, 82-83

Actos 2, 4. 11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá-lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça-feira depois do Pentecostes, pode dizer-se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Fortalecidos pelos dons do Espírito Santo saibamos pô-los a render comunicando-os a cada um dos nossos irmãos, para consolidação da unidade, da paz e do amor entre todos os homens.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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