Solenidade do Pentecostes

Missa da Vigília

11 de Junho de 2011

 

Esta Missa diz-se na tarde do sábado, antes ou depois das Vésperas I do Pentecostes.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Espírito de Deus enche o universo, M. Simões, NRMS 58

Rom 5, 5; 8, 11

Antífona de entrada: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na véspera do último dia do Tempo Pascal, vigília do Pentecostes, é-nos recordada e aguardamos em radiosa esperança a vinda do Espírito Santo, conforme Jesus prometeu.

Desde o dia do Baptismo somos vivificados pela Sua acção e assim vamos construindo o mundo como um jardim que é dom de Deus. Nesta vigília tal acção torna-se mais intensa, pois estamos com vontade para receber a liberdade e o amor de Deus.

Saibamos abrir o nosso coração para divisar o fogo e alcançar esse amor transmitido pelo Espírito.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na festa de Pentecostes completais os cinquenta dias do mistério pascal, fazei que, pela acção do vosso Espírito, os povos dispersos se reunam de novo e todas as línguas proclamem numa só fé a glória do vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou:

 

Brilhe sobre nós, Deus omnipotente, o esplendor da vossa glória, e a luz da vossa luz confirme, com os dons do Espírito Santo, o coração daqueles que por vossa graça renasceram. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O texto de Ezequiel recorda os filhos de Israel que tinham transgredido. Eram como ossos ressequidos, mas serão corpos vivos pela acção do Espírito.

 

Ezequiel 37, 1-14

Naqueles dias, 1a mão do Senhor pairou sobre mim e o Senhor levou-me pelo seu espírito e colocou-me no meio de um vale que estava coberto de ossos. 2Fez-me andar à volta deles em todos os sentidos: os ossos eram em grande número, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidos. 3Disse-me o Senhor: «Filho do homem, poderão reviver estes ossos?» Eu respondi: «Senhor Deus, Vós o sabeis». 4Disse-me então: «Profetiza acerca destes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor. 5Eis o que diz o Senhor Deus a estes ossos: Vou introduzir em vós o espírito e revivereis. Hei-de cobrir-vos de nervos, encher-vos de carne e revestir-vos de pele. 6Infundirei em vós o espírito e revivereis. Então sabereis que Eu sou o Senhor».7Eu profetizei, segundo a ordem recebida. Quando eu estava a profetizar, ouvi um rumor e vi um movimento entre os ossos que se aproximavam uns dos outros. 8Vi que se tinham coberto de nervos, que a carne crescera e a pele os revestia; mas não havia espírito neles. 9Disse-me o Senhor: «Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e diz ao espírito: Eis o que diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra sobre estes mortos, para que tornem a viver». 10Eu profetizei, como o Senhor me ordenara, e o espírito entrou naqueles mortos; eles voltaram à vida e puseram-se de pé: era um exército muito numeroso. 11Então o Senhor disse-me: «Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eles afirmaram: ‘Os nossos ossos estão ressequidos, desvaneceu-se a nossa esperança, estamos perdidos’. 12Por isso, profetiza e diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando Eu abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».

 

A leitura é tirada da última parte da obra de Ezequiel, que, a partir do cap. 33, reúne oráculos de esperança e de renovação do povo (36, 16 – 39, 29) e de restauração templo e do culto (40 – 48).

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas do ressurgimento moral do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). Vê-se aqui um anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2.ª leitura de hoje, há-de insistir nesta ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104),1-2a.24.35c.27-28.29bc-30

 

Monição: O Espírito, sopro de Deus, cria, vivifica e renova tudo à face da terra.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto.

 

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

 

Todos de Vós esperam

que lhes deis de comer a seu tempo.

Dais-lhes o alimento e eles o recolhem,

abris a mão e enchem-se de bens.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Cegos pelo egoísmo, muitas vezes não conseguimos ver o caminho. Todavia, o Espírito Santo dirige-nos e orienta-nos conforme a vontade de Deus.

 

Romanos 8, 22-27

Irmãos: 22Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. 24É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê? 25Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança. 26Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos, em conformidade com Deus.

 

Neste texto deixa-se ver como «Paulo entende que a libertação do cosmos é consequência da libertação do homem. Embora não vejamos ainda com clareza os seus efeitos, aguardamos que se cumpram, assistidos pelo Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza» (Bíblia de Navarra, t. 5, p. 927).

22 «Toda a criatura geme». S. Paulo usa uma belíssima prosopopeia, propondo-nos a criação irracional a suspirar também pela restauração da ordem do mundo transtornado pelo pecado. Na medida em que os filhos de Deus santificam o mundo, todas as actividades terrenas, também estas participam da glória dos filhos de Deus. De qualquer modo, o texto é de difícil interpretação, sobre a qual não há acordo entre os estudiosos.

23 «Possuímos as primícias do Espírito», isto é, já possuímos o Espírito Santo, «mas sem que tenhamos ainda tudo o que esta posse desde já nos garante» (Pirot-Clamer). Embora já sejamos filhos adoptivos de Deus (vv. 14-15), vivemos «esperando a adopção filial» em plenitude, o que acontecerá só quando se vier a verificar «a libertação do nosso corpo», isto é, de tudo o que em nós é carnal, sujeito à corrupção e à morte (cf. 2 Cor 5, 1-5).

26 «Gemidos inefáveis». As íntimas moções da graça, as inspirações do Espírito Santo na alma, não se podem definir, nem sequer descrever.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A acção do Espírito Santo fará penetrar o amor de Deus em nossos corações.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 7, 37-39

37No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba: 38do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva». 39Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele. O Espírito ainda não viera, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

 

Em cada um dos oito dias da festa dos Tabernáculos, em solene procissão, o sumo sacerdote trazia, numa jarra de oiro, água da fonte de Siloé, para aspergir o altar do Templo, a fim de recordar a prodigiosa água do Êxodo e pedir chuva abundante (cf. Ex 17, 1-7). Pertenciam ao rito o canto de Is 12, 3 e a leitura de Ez 47. Não podia haver melhor enquadramento para as palavras de Jesus à multidão, que então se aglomerava: «se alguém tem sede, venha a Mim!». As palavras de Jesus parecem aludir a Ez 36, 25ss, onde se anuncia para os tempos messiânicos que o povo será purificado com uma água pura, recebendo um Espírito novo, que lhe transformará o coração de pedra em coração de carne. Essa água é o Espírito Santo, que brotando simbolicamente do peito do Senhor aberto pela lança (cf. Jo 19, 34), se derrama no Pentecostes (Act 2, 1-36) e se recebe nos Sacramentos da iniciação cristã. Nas palavras de Jesus também se pode ver uma evocação do convite da sabedoria divina em Sir, 24, 19 e Prov 9, 4-5.

Notar que gramaticalmente são possíveis duas pontuações diferentes dos vv. 37-38: a da Nova Vulgata (a que corresponde a tradução litúrgica), a saber, «Se alguém tem sede, venha a Mim; e quem crê em Mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura…», e a que corresponde à da Vulgata, «Se alguém tem sede, venha ter comigo e beba. Aquele que crê em Mim, como diz a Escritura, correrão das suas entranhas rios de água viva». Segundo a primeira interpretação, trata-se do seio do Messias: do peito de Cristo, atravessado pela lança, vem-nos o Espírito Santo, como fruto maravilhoso da árvore da Cruz. Na segunda interpretação, trata-se do seio do crente, a alma do homem santificado por Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

Seremos corpos vivos pela acção do Espírito Santo

Que cria, vivifica e renova

Orientando-nos para a vontade de Deus

Seremos corpos vivos pela acção do Espírito Santo

O profeta Ezequiel nesta leitura não se referia à ressurreição dos mortos, mas ao regresso do povo israelita deportado na Babilónia. Contudo, após alguns séculos de estudo e reflexão por parte dos rabinos, alcançou grande consideração e ajudou a fazer surgir no povo de Israel a convicção de que, com a vinda do Messias, todos os justos haveriam de ressuscitar para participarem na alegria do novo Reino.

Hoje poderemos aplicar esta profecia na libertação de todas as situações de morte em que os homens se podem encontrar: morte na família em que se descobre violência doméstica; morte em todos aqueles que escolhem o caminho da droga, corrupção, roubo ou desvios dos verdadeiros valores morais; morte nas comunidades e na sociedade quando se verificam intrigas, difamações, invejas.

Humanamente falando é quase impossível haver solução, mas pela acção do Espírito Santo poderemos voltar a ser corpos vivos.

Que cria, vivifica e renova

Pois, na realidade o Espírito que vem em auxílio da nossa fraqueza, como afirma S. Paulo na segunda leitura, cria, vivifica e renova toda a espécie de cegueira e de morte que possa existir em cada um de nós. Não sabemos como se processa tal modificação, mas todo o cristão que trabalha sob o impulso do Espírito Santo vai operando a transformação do cosmos e de todas as coisas em acontecimentos de amor que nos orientam para a vontade de Deus sobre o mundo.

Orientando-nos para a vontade de Deus

Quem tiver sede de Deus e acreditar nas palavras de Jesus conseguirá, como Ele próprio prometeu, que do seu coração corram rios de água viva para a vida eterna. Esse manancial é fruto da recepção do Espírito Santo por Ele enviado, que orienta a nossa acção coerente com a vontade e o plano de Deus para levar vida e liberdade onde existam apenas sinais de morte.

Que esta vigília ajude a sabermos acolher de todo o coração o fogo desse Espírito de amor e de vida que nos está prometido, a fim de que a nossa acção seja verdadeiramente frutuosa para toda a humanidade.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos ao Senhor do Universo

e peçamos-lhe que envie o Seu Espírito

sobre a Igreja e sobre o mundo, rezando

 

Enviai, Senhor, o vosso Espírito.

 

 

1.     Pelas Igrejas do mundo inteiro,

para que conduzidas pela acção do Espírito

vivam em concórdia e unidade,

oremos irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que sob a acção do Espírito Santo,

levem vida a quem se encontra em estado de morte,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos aqueles que vivem sob a opressão

de qualquer tipo de violência doméstica,

para que recobrem a vida pela acção do Espírito,

oremos, irmãos.

 

4.     Por todos os que percorrem caminhos desviantes

de qualquer valor moral,

para que o Espírito os ajude

a retomarem a liberdade e a paz,

oremos, irmãos.

 

5.     Pelas nossas comunidades eclesiais,

para que o Espírito as ajude a fugir

de intrigas, maledicências e invejas,

oremos, irmãos.

 

6.     Por todos nós aqui presentes,

para que o Espírito Santo nos ajude

a sermos exemplo e fermento de vida

para todos os que connosco privam,

oremos, irmãos,

 

Senhor, ouvi as preces que Vos dirigimos

e, pela acção do Espírito Santo,

ajudai-nos a concretizar no mundo

as maravilhas do Pentecostes.

Por Cristo nosso Senhor.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Derramai, Senhor, a bênção do Espírito Santo sobre os dons que apresentamos ao vosso altar, a fim de que a Igreja, pela participação neste sacramento, se inflame de tal modo no vosso amor que manifeste a todo o mundo o mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Pentecostes, como na Missa seguinte: p. 390 [606-718]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Todo aquele que se alimenta do Corpo do Senhor Jesus tem em si a fonte de água viva que assimila através do poder do Espírito Santo.

 

Cântico da Comunhão: Voltai-vos para o Senhor, S. Marques, NRMS 58

Jo 7,37

Antífona da comunhão: No último dia da festa, Jesus exclamava em alta voz: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Este sacramento que recebemos, Senhor, nos comunique o fervor do Espírito Santo que admiravelmente derramastes sobre os Apóstolos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Devemos aprender de Cristo que quanto mais doarmos a vida pelos outros e pelo bem, com maior abundância receberemos a vida como dom inefável do Espírito Santo, fonte de água viva.

 

Cântico final: Vamos proclamar pelo mundo inteiro, F. da Silva, 82-83

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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