5º Domingo da Páscoa

22 de Maio de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos, Cantemos, M. Faria, NRMS 68

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na leitura do Evangelho de hoje vamos ouvir o Senhor Jesus nas palavras da despedida antes de se entregar à Morte por nós, dizendo que o que vai fazer é preparar-nos um lugar. De facto, com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, o que Ele fez foi abrir-nos as portas do Céu para todos os que queiram abrir-se ao seu amor e ao seu perdão.

Num momento de recolhimento reconheçamos tão grande amor e peçamos-Lhe o seu perdão (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Monição à Liturgia da Palavra:

 

Na primeira leitura temos a narração da instituição dos diáconos pelos Apóstolos, para que estes pudessem estar mais disponíveis para a oração e a pregação do Evangelho S. Pedro também continua hoje a falar-nos da dignidade e missão dos cristãos, como pedras vivas na edificação da Igreja, participando todos do sacerdócio de Cristo de modo a fazermos de toda a sua vida uma oferta agradável a Deus, unidos a Cristo, único caminho para chegarmos ao Pai, como Ele nos diz no Evangelho.

 

Primeira Leitura

 

Actos 6, 1-7

Naqueles dias, 1aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. 2Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. 3Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. 4Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». 5A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.

 

Este é o texto que refere a instituição dos diáconos, como colaboradores dos Apóstolos e participantes de uma parte da sua missão.

1 «aumentando o número dos discípulos». A cada passo S. Lucas insiste no aumento dos cristãos. Outras insistências: Act 2, 41; 5, 14; 6, 7; 9, 31; 11, 21.24; 12, 24; 14, 1; etc.). Estes «helenistas» eram cristãos convertidos de entre os judeus emigrantes, que na diáspora falavam a língua grega e se encontravam agora na situação de retornados à Terra Santa. Pelos nomes gregos que têm, os primeiros 7 diáconos pertenceriam na generalidade a este grupo.

2-4 «Vamos dedicar-nos totalmente à oração…». Como a missão dos Apóstolos era ingente, impunha-se que estes não se dispersassem por actividades que outros podiam desempenhar. Foi a circunstância providencial para a primeira ordenação dos diáconos, que não eram meros agentes sociais, pois tinham também uma função sagrada, como a distribuição da Eucaristia, a pregação do Evangelho e a administração do Baptismo (cf. Act 8, 5.7.16); constituíam um verdadeiro grau da hierarquia, distinto do presbiterado (cf. 1 Tim 3, 8). A oração, a que se dedicavam intensamente os Apóstolos, não era apenas a oração oficial das reuniões comunitárias, mas a oração pessoal, a sós com Deus, segundo se deduz de Act 10, 9. Na oração intensa residia o segredo da sua eficácia apostólica e da transformação do mundo que operaram, um segredo cheio de actualidade.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1-2.4-5.18-19 (R. 22)

 

Refrão:        Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:               Venha sobre nós a vossa bondade,

                     porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l'O.

Louvai o Senhor com a cítara,

cantai-Lhe salmos ao som da harpa.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

Segunda Leitura

 

1 São Pedro 2, 4-9

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. 5E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». 7Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», 8«pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, à qual foram destinados. 9Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d'Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.

 

Temos aqui um texto de excepcional riqueza eclesiológica, em que os privilégios do antigo Povo de Deus são transpostos para o novo Povo de Deus, a Igreja, por meio dum método hermenêutico de actualização (deraxe) de textos do A. T., nomeadamente de Is 8, 14; Ex 19, 5-6; Os 1, 6.9; 2, 3.25. Esses privilégios são basicamente a eleição, a consagração e a missão de «anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou…». Este texto é o ponto de partida para um dos ensinamentos nucleares do Vaticano II, sobre o sacerdócio comum dos fiéis e a dignidade e missão dos leigos: todas as realidades mundanas diárias transformadas em oferta – «sacrifícios espirituais» (v. 5) – a Deus (LG 34).

4 «Cristo, a Pedra viva…». O termo grego, lithos, designa uma pedra trabalhada, preparada; Jesus é a pedra escolhida por Deus, mas rejeitada pelos homens, o alicerce e a pedra angular sobre a qual repousa todo o edifício da Igreja (cf. Mt 16, 18; 21, 42-46; cf. Salm 117 (118), 22; Is 8, 14; Act 4, 11).

5 «Vós mesmos, como pedras vivas, entrai…». Aqui temos uma das muitas imagens com que é representada a Igreja, «edifício de Deus» (cf. 1 Cor 3, 9.11), um edifício que cresce sempre, edificado por Deus, tendo Cristo como pedra angular e os Apóstolos como alicerce (cf. Ef 2, 19-22).

9 «Sacerdócio real…». Ex 19, 6 diz «reino de sacerdotes», que os LXX traduziram por «sacerdócio régio» (basileion hieráteuma); por sua vez, Apoc 1, 5 diz: «reis e sacerdotes»; 1 Pe 2, 9 segue a Septuaginta.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 14, 6

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;

ninguém vai ao Pai senão por mim.

 

 

Evangelho

 

São João 14, 1-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. 2Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. 3Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. 4Para onde Eu vou, conheceis o caminho». 5Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?» 6Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. 7Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». 8Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». 9Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: 'Mostra-nos o Pai'? 10Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. 11Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».

 

Temos na leitura uma pequena parte do chamado discurso do adeus, o início do capítulo 14 de S. João. As palavras de Jesus, «não se perturbe o vosso coração» aparecem com grande relevo, pois se repetem no v. 27.

2-3 Nestes versículos, que admitem diversas traduções, Jesus esclarece os seus discípulos de que a sua partida é para lhes abrir caminho para a casa do Pai, o Céu, a meta final para todos os fiéis, por isso diz que ali há «muitas moradas», isto é, lugar para todos (cf. Lc 16, 9; Jo 13, 36; 12, 26.32; 17, 24). A casa de Deus era o templo (2, 16-17) que se tornou o símbolo da comunhão com Deus na bem-aventurança eterna; neste sentido esta é a única vez que a expressão «moradas» aparece em todo o N. T., além da alusão em Heb 6, 19-20 (ver Henoc etiópico, 39, 4; 41, 2).

6-9 Jesus é o «caminho» não apenas pelos seus ensinamentos e exemplos, mas porque Ele mesmo se identifica com a «verdade» (é o Verbo, a expressão adequada do Pai – Jo 1, 1.14.18) e a «vida» (Jo 1, 4.14.16; 3, 16; 6, 47; 10, 9-10; 11, 25-26): Ele está no Pai e o Pai está n’Ele (vv. 10-11; 10, 38; 17, 21), fazendo Um com Ele (10, 30; 17, 11.21-22), por isso afirma que «quem Me vê, vê o Pai» (v. 9). Aqui radica o facto de Jesus ser não apenas caminho, mas o único caminho para o Pai, talvez por isso o cristianismo era designado inicialmente como o caminho (Act 9.2; 18, 25; 24, 22). Neste versículo a revelação de Jesus aos seus atinge o clímax e é uma das mais expressivas sínteses de todo o Evangelho.

12 A garantia das «obras maiores» dos discípulos (entendam-se as obras relativas à expansão da obra salvadora de Jesus) é a ida de Jesus para o Pai, que põe em acto o poder da sua mediação e o envio do Espírito Santo.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Introdução

 

Nas primeiras palavras deste texto do Evangelho, escutámos Jesus a dizer-nos: “Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus – no Pai –, acreditai também em Mim!” É que Jesus é o único Deus com o Pai, por isso acrescenta: “Acreditai-me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos nas minhas obras”. As obras de Jesus são os seus milagres que S. João também chama sinais visíveis daquilo que Jesus é de modo invisível, perfeito Deus e perfeito Homem. A grande obra de Jesus com que Ele nos deixa a prova irrefutável da sua divindade é a sua Ressurreição. Na sequência duma série de homilias doutrinais que aqui temos vindo a apresentar em quatro domingos de Advento, quatro da Quaresma e nos últimos dois domingos, hoje concentramo-nos na Ressurreição do Senhor.

Na profissão de fé, proclamamos que, após a sua Morte, Jesus desceu à mansão dos mortos. Esta expressão do Credo quer dizer, por um lado, que Jesus morreu realmente e, por outro, que com a sua morte redentora também abriu as portas do Céu àqueles justos que já tinham morrido antes dele. O valor salvador da morte de Jesus é para todos, mesmo para os que viveram antes de Cristo.

 

2.  A Ressurreição de Jesus e a sua credibilidade

 

Antes de mais devemos considerar que Ressurreição de Jesus não é uma ideia religiosa abstracta, mas é um fato realmente acontecido no tempo, ao terceiro dia, um facto proclamado pelos discípulos que O tinham seguido: “E nós somos testemunhas” (Act 10, 39.44), umas testemunhas que deram a vida como garantia de que era mesmo verdade.

Os incrédulos que se dedicaram a desacreditar esta verdade fundamental da fé e da vida cristã tiveram que pôr em causa os testemunhos do Novo Testamento, chegando alguns a fazer atrasar a redacção dos Evangelhos, uns cem anos depois da Morte de Jesus, a fim de dar tempo de se criar um mito à volta de uma figura notável, que a tradição popular teria divinizado (assim no séc. XIX o crítico D. F. Strauß).

Felizmente que a investigação histórica veio a poder datar com toda a segurança os primeiros testemunhos da Ressurreição. Assim, a 1ª Carta de S. Paulo aos cristãos de Tessalónica foi escrita em Corinto 20 anos após a Ressurreição de Jesus, sendo esta um facto que estava na base da pregação do Evangelho; e uns 6 anos depois, na 1ª Carta aos Coríntios o mesmo Paulo afirma: «Lembro-vos, irmãos, o Evangelho que vos preguei, o qual recebestes, no qual perseverais, pelo qual sereis também salvos, se o conservais como vo-lo preguei, de outra forma tereis acreditado em vão. Porque, antes de tudo, ensinei-vos o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as mesmas Escrituras; que foi visto por Cefas e depois pelos onze; que, a seguir, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maior parte dos quais ainda vive, e alguns já morreram; que, depois, foi visto por Tiago, e em seguida, por todos os apóstolos; que, por último, depois de todos, apareceu-me também a mim, como ao aborto» (1 Cor 15, 9). O próprio Evangelho de S. Marcos foi escrito na década de 60, havendo mesmo quem o considere dos anos 50!

Ora sucede que a Ressurreição estava na base de toda a pregação primitiva, que era dirigida aos judeus residentes em Jerusalém. Pergunta-se: Como era possível então pregar a judeus que Cristo era o Messias, se essa pregação da Ressurreição de Jesus incluía a pregação da sua Morte na Cruz, tida como uma maldição divina pelos Judeus (cf. Dt). Como poderia alguém atrever-se a pregar a judeus um Messias derrotado e vencido precisamente pelos romanos, que o Messias tinha a missão de derrotar, segundo a crença judaica. Se não fosse verdade a Ressurreição, a sua pregação teria sido a maior fraude de toda a história, uma fraude de que eram incapazes uns homens completamente desiludidos pelo fracasso da Morte de Mestre, os mesmos homens que foram ao ponto de O abandonar, de fugir espavoridos, de O negar cobardemente e mesmo ao ponto de O entregar aos inimigos, ao verem a sua causa completamente perdida? Só o facto da Ressurreição de Jesus permitiu a transformação daqueles homens completamente desanimados em heróicas testemunhas. A sua mudança interior não se pode explicar prescindindo do facto histórico das aparições do Senhor.

Mais ainda, se alguém quisesse inventar um falso testemunho da Ressurreição, que tivesse o mínimo de credibilidade, como se atrevia a pôr como primeiras testemunhas umas pobres mulheres da Galileia, quando o testemunho duma mulher não fazia fé em tribunal? Se os Evangelhos dão tanta importância às mulheres na Ressurreição, é porque pretendem contar o que realmente aconteceu e não propor umas lendas sagradas destituídas de credibilidade logo à partida.

 

3. A natureza da Ressurreição de Jesus

 

Mas a Ressurreição de Jesus não foi um regresso a esta vida terrena, mortal, não foi o que se poderia chamar uma ressuscitação, que fazem os médicos nos hospitais. Ela foi um mistério transcendente que não se pode verificar laboratorialmente. Jesus entra num novo tropo de vida, dizemos, na sua glória, em que já não está condicionado pelas dimensões do tempo e do lugar. Deixa-se ver só quando quer e como quer, de tal modo que nas suas aparições só é reconhecido quando diz quem é, como à Madalena, ou quando desaparece, como aos discípulos de Emaús...

Sendo a Ressurreição de Cristo um mistério transcendente, ninguém a observou e nenhum evangelista a descreve, no entanto ela teve manifestações historicamente comprovadas. Mas não se pode falar do túmulo vazio de modo simplista. O sepulcro vazio, não sendo uma prova directa, pois até leva a própria Madalena a pensar no roubo do corpo (Jo 20, 2.13), não deixa de ser um sinal essencial, como se depreende da própria leitura do Evangelho da Páscoa (Jo 20, 1-9). Com efeito, segundo expõe o Catecismo da Igreja Católica, “o discípulo que Jesus amava afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir as ligaduras no chão (Jo 20, 6), viu e acreditou (Jo 20, 8). Isto pressupõe que verificou, no estado do sepulcro vazio (Jo 20, 5-7), que a ausência do corpo de Jesus não tinha podido ser obra humana e que Jesus não tinha voltado simplesmente a uma vida terrena como tinha sido o caso de Lázaro (cfr Jo 11, 44)”.

Também não se pode demonstrar que as aparições do Ressuscitado se reduzam a meras experiências místicas interiores que tenham tomado corpo em formas narrativas mais ou menos dramatizadas. Não é crível que tenham sido tão fracos dramatizadores, pois, uma vez postos a dramatizar, não lhes era difícil mostrarem-se mais verosímeis, mais concordantes. Por outro lado, à hora da redacção dos Evangelhos, os Evangelistas, se não estivessem condicionados pela verdade dos relatos históricos, sentir-se-iam mais à vontade para levarem a cabo o seu trabalho redaccional recorrendo facilmente à harmonização dos textos, uma coisa que se lhes impunha para mais facilmente fazerem passar o que queriam. As divergências secundárias só reforçam a verdade do facto central, o que torna ridículo insistir nelas. 

 

4.  Viver com Cristo ressuscitado

 

Para concluir, chamo a atenção para um aspecto muito importante do mistério da Ressurreição e nunca suficientemente meditado: a Ressurreição de Jesus não é uma teoria, mas é um mistério de vida que nos toca e compromete a vida de cada um de nós, como comprometeu a vida dos primeiros Apóstolos e dos primeiros cristãos em ordem a uma entrega total e sem reservas ao amor de Deus e ao trabalho na difusão do seu Reino. Não crê na Ressurreição quem não se dispõe a viver uma vida de ressuscitado com Cristo e a ser uma testemunha da sua Ressurreição. Vale a pena! Vale a pena dar-se de todo a quem deu a Vida por nós, a quem nos dá a Vida. Vale a pena deixar de vez tanta mesquinhez, tanto cálculo terreno... “Uma vez que ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do Alto, onde Cristo se encontra” (Col 3, 1).

 

5.  A Ascensão aos Céus (ver: nº 665, 666 e 667 do Catecismo da Igreja Católica)

 

Actos dos Apóstolos falam de que durante 40 dias Jesus foi-se manifestando aos seus discípulos para os instruir e dar provas de que estava vivo e com os seus discípulos e para os enviar a todo o mundo a pregar a Boa Nova da salvação.

A Ascensão, para além indicar a glorificação de Cristo “à direita de Deus Pai” (a sua primazia acima de todas as criaturas), ensina-nos a pôr a nossa esperança no Céu, que é a meta que todos temos de alcançar.

Ainda que poderíamos chamar a Ascensão invisível de Jesus que pertence à sua glorificação e faz parte da sua Ressurreição. A Ascensão visível pôs termo às manifestações visíveis de Jesus. Mas Ele continua a estar presente entre os seus, porém de modo invisível. A Igreja celebra este acontecimento em quinta-feira da Ascensão, que em muitos países passou a celebrar-se no 7º Domingo de Páscoa.

 

6. De onde há-se vir a julgar os vivos e os mortos (ver: nº 675, 677, 680, 681, 682 do Catecismo da Igreja Católica)

 

Jesus veio a primeira vez na humildade do presépio e na humilhação da Cruz. Mas ele prometeu que há-de voltar uma segunda vez, no fim dos tempos, para instalar definitivamente o Reino de Deus, sendo vencido para sempre o poder do mal e do demónio. Não sabemos quando nem como se dará essa segunda vinda de Cristo; isto representa um apelo para estarmos sempre preparados para esse encontro com Ele.

A segunda vinda de Cristo à terra está relacionada com o fim deste mundo actual, com a ressurreição final e com o juízo universal. Cristo glorioso há-de retribuir a cada um segundo as suas obras, boas, ou más, e segundo a aceitação ou rejeição da sua graça e da sua misericórdia. Como afirma Bento XVI: “A imagem do Juízo final não é primariamente uma imagem aterradora, mas de esperança; a nosso ver, talvez mesmo a imagem decisiva da esperança. Mas não é porventura também uma imagem assustadora? Eu diria: é uma imagem que apela à responsabilidade... A graça não exclui a justiça. Não muda a injustiça em direito. Não é uma esponja que apaga tudo, de modo que tudo quanto se fez na terra termine por ter o mesmo valor. Contra um céu e uma graça deste tipo protestou com razão, por exemplo, Dostoëvskij no seu romance «Os irmãos Karamazov». No fim, no banquete, eterno, não se sentarão à mesa indistintamente os malvados junto com as vítimas, como se nada tivesse acontecido” (Spe Salvi, nº 44)

 

 

Oração Universal

 

1.  Pelo Santo Padre, Bispos e sacerdotes:

para que, à imitação de Maria, o Senhor os encontre em oração,

atentos e dispostos a um sim generoso e total,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelos nossos governantes:

para que, na acção cívica que desenvolvem,

não esqueçam os direitos cristãos dos súbditos,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos religiosos, pelos consagrados e pelos jovens em preparação vocacional:

para que eles possam vencer os obstáculos

e ver com clareza a vontade Deus na sua vida,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos pais e mães de família, por vezes em dificuldade no diálogo com os filhos:

para que o mistério da Anunciação os torne capazes de uma atenção mútua,

oremos ao Senhor.

 

5.  Pelos educadores em geral:

para que sejam prudentes e esclarecidos na orientação da juventude,

nos momentos chave da tomada de uma decisão,

oremos ao Senhor.

 

6.  Por todos aqueles que sentem na vida um chamamento à generosidade:

para que saibam ser decididos na resposta ao apelo divino, oremos ao Senhor.

 

7.  Por todos nós aqui presentes:

para que o Verbo Encarnado seja em todos os momentos

a força e o guia para o nosso agir no seguimento de Cristo,

oremos ao Senhor.

 

8.  Por todos quantos celebraram na alegria e na paz a Páscoa do senhor:

para que na sua vida todos experimentem sempre a bênção do Ressuscitado,

oremos ao Senhor.

 

 

Ó Deus, que nos reunistes a celebrar o mistério da Anunciação do Verbo:

ajuda-nos a trabalhar com decisão na salvação do mundo,

e dai-nos as graças de que precisamos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom, Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: “Da Missa de festa, Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, como no Evangelho de hoje a Filipe, também me interpela a mim: “Há tanto tempo que estou convosco e ainda não me conheces?”. É pela comunhão, que seja uma autêntica comunhão de vida com Jesus, que eu fico a conhecer tudo o que Ele é para mim. E vou a Ele como o doente ao Médico da vida, como imundo à fonte de misericórdia, cego à luz da eterna claridade, pobre e indigente até ao Senhor do Céu e da Terra (S. Tomás de Aquino).

 

 

Cântico da Comunhão: Fomos resgatados pelo Sangue, Az. Oliveira, NRMS 109

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor com tudo, M. Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos fazer de todas as actividades do nosso dia-a-dia, como nos dizia hoje o Apóstolo S. Pedro ofertas espirituais, num contínuo acto de louvor a Deus com que exercitamos o nosso sacerdócio baptismal, fazendo da nossa vida a continuação da Missa em que acabámos de participar.

 

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 23-V: Seremos uma digna morada de Deus?

Act 14, 5-18 / Jo 14, 21-26

 

Quem me ama, guardará as minhas palavras e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.

Sabemos que o fim da nossa existência é a união perfeita no Céu com a Santíssima Trindade. Mas Jesus revelou até onde pode chegar a ‘loucura’ do amor de Deus: «Mas já desde agora somos chamados a ser habitados pela Santíssima Trindade: ‘nós viremos a ele e faremos nele morada’ (Ev.)» (CIC, 260).

Procuremos afastar da nossa alma o que não condiz com o amor que Deus nos tem: abandonemos os ídolos, a fim de nos voltarmos para o Deus vivo (Leit.), fazendo da nossa alma uma digna morada para Deus.

 

3ª Feira, 24-V: Tirar partido do sofrimento.

Act 14, 19-28 / Jo 14, 27-31

Porque, diziam eles, temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus.

Paulo, acabado de ser apedrejado e dado como morto, vem dizer-nos que é necessário sofrer para entrar no reino dos Céus (Leit.). O demónio pretende tirar fruto do sofrimento, levando-nos ao desespero.

Nada devemos temer porque «A vitória sobre o ‘príncipe deste mundo’ (Ev.) foi alcançada, de uma vez para sempre, na ‘hora’ em que Jesus livremente se entregou à morte para nos dar a sua vida» (CIC, 2853). Recorramos também a Nossa Senhora, contra a qual o demónio nada pode.

 

4ª Feira, 25-V: União na Comunhão e na doutrina.

Act 15, 1-6 / Jo 15, 1-8

Se alguém permanecer em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.

Jesus revela-nos mais uma maravilhosa realidade: «Jesus fala duma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que o seguem: ‘Permanecei em mim como eu em vós’ (Ev.) (CIC, 787). É principalmente na Eucaristia que nos pomos em comunhão com Ele.

Essa comunhão há-de estender-se também ao campo doutrinal. Os Apóstolos, para decidirem sobre o problema da circuncisão «reuniram-se para examinar o assunto» (Leit.). Procuremos conhecer bem os ensinamentos do Senhor e dos seus Vigários na terra. Quem deles se afaste deixa de estar em comunhão com Ele.

 

5ª Feira, 26-V: Modos de permanecer no amor de Cristo.

Act 15, 7-21 / Jo 15, 9-11

Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor.

Jesus convida-nos a permanecer no seu amor. Para isso, teremos que imitar o amor de Cristo, que tem uma característica muito especial: a perseverança: «tendo amado os seus amou-os até ao fim».

Outra característica do seu amor é guardar os seus mandamentos: «Permanecei no meu amor. ‘Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor» (Ev.). Os Apóstolos tomaram uma decisão sobre a circuncisão e pediram a todos os cristãos que seguissem essa decisão (Leit.).

 

6ª Feira, 27-V: Características da Nova Lei.

Act 15, 22-31 / Jo 15, 12-17

É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

«A Lei nova é chamada Lei do amor, porque faz agir mais pelo amor infundido pelo Espírito Santo do que pelo temor; Lei de graça porque confere a força da graça para agir pela fé e pelos sacramentos; Lei da liberdade, porque nos liberta das observâncias rituais e jurídicas da Lei antiga (Leit.), nos inclina a agir espontaneamente sob o impulso da caridade e, finalmente nos faz passar da condição de escravo para a do amigo de Cristo: ‘porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai (Ev.)» (CIC, 1972).

 

Sábado, 28-V: Enfrentar as perseguições actuais.

Act 16, 1-10 / Jo 15, 18-21

O servo não é maior que o seu Senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós.

«Toda a vida de Cristo decorrerá sob o signo da perseguição. Os seus partilham-na com Ele (Ev.)» (CIC, 530). As perseguições actuais são de tipo diferente, mas igualmente dolorosas. Vivemos num ambiente secularizado, que procura ridicularizar os valores cristãos da vida, da família; que despreza a lei de Deus e os seus ensinamentos. Procuremos associar todos estes sofrimentos ao sacrifício de Cristo.

A melhor maneira de combater este ambiente, fruto da ignorância, é dar doutrina: «convencidos de que Deus nos chamava a anunciar-lhes a boa Nova» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração, Homilia e:Nota Exegética:     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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