4º Domingo da Páscoa

DIa MUndial De oração pelas vocações

15 de Maio de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

 

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O quarto Domingo da Páscoa vem a ser celebrado desde Paulo VI como o Dia Mundial de Oração pelas vocações de consagração a Deus, um Domingo chamado do Bom Pastor pelo Evangelho de São João para o dia de hoje, em que o próprio Jesus se apresenta como o Bom Pastor. Rezemos para que tenhamos quem siga o Bom Pastor numa entrega total ao serviço das almas.

Comecemos dispondo os nossos corações, com humildade e contrição. (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Monição à Liturgia da Palavra:

 

Na primeira leitura temos a parte final do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes, que tem como efeito a adesão dos ouvintes a Cristo pela fé e pelo Baptismo. O mesmo Apóstolo, na sua primeira Carta, exorta os cristãos que sofrem a seguir o exemplo de Cristo, o “Pastor e Guarda das nossas almas”, que nos fala no Evangelho.

 

Primeira Leitura

 

Actos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, 14aPedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 36«Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». 37Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» 38Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, 39porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». 40E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

 

Temos hoje a continuação da leitura do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. E continuaremos em todos os domingos pascais a ter trechos dos Actos dos Apóstolos como 1ª leitura.

36 «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus». É evidente que Jesus não é feito Senhor, isto é, Deus e Messias, só após a prova a que foi sujeito (a Sua Paixão e Morte), mediante a Sua Ressurreição e glorificação. No plano divino, era a Ressurreição de Jesus que devia manifestar plenamente a sua condição e poder divinos e fazê-Lo entrar no gozo perfeito da glória que Lhe competia como Pessoa divina e Messias (cf. Lc 24, 26). O verbo grego «epóiêsen» (fez) parece ser a tradução do verbo hebraico «xamó»: «colocou-O como».

38 «O Baptismo em nome de Jesus Cristo». É chamado assim, «em nome de Jesus», para o distinguir de outros baptismos correntes na época, como o de João e o dos prosélitos. Chama-se «de Jesus», não só por ter sido instituído por Jesus, mas também porque nos faz pertencer a Cristo, incorporando-nos n’Ele (cf. Rom 6, 3; Gal 3, 27). Esta expressão nada nos diz da fórmula ritual usada na administração do Sacramento, que seria a trinitária, como que consta de Mt 28, 19, exigida para a validade.

«Recebereis o dom do Espírito Santo». Não se designam aqui os chamados «sete dons do Espírito Santo», mas sim o dom (que é) o Espírito Santo (trata-se de um «genitivo epexegético, ou de aposição», como lhe chamam os gramáticos). Não é fácil de saber se o texto se refere à recepção do Espírito Santo mediante o Baptismo, ou mediante a imposição das mãos no Sacramento da Confirmação (cf. Act 8, 17; 19, 6).

39 «Quantos de longe». É uma referência aos gentios (cf. Act 22, 21; Ef 2, 13).

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6

 

Refrão:        O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:               Aleluia.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

1 São Pedro 2, 20b-25

Caríssimos: 20bSe vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. 21Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. 23Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. 24Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. 25Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

 

Os vv. 21b-25 formam um hino a Cristo, muito belo, com uma alusão final ao cumprimento da profecia do Servo de Yahwéh (4º canto: Is 52, 13 – 53, 12) e ao Bom Pastor (cf. Jo 10, 11-16; 21, 15-19); também se pode ver uma alusão a Ez 34, 11-16, onde é o próprio Deus que vem apascentar as suas ovelhas dispersas (alusão em que se pode ver um deraxe cristológico, isto é, a aplicação a Jesus do que no A. T. se diz de Yahwéh).

Os conselhos que aqui temos são dirigidos particularmente aos escravos (cf. v. 18). Não sendo possível então acabar com uma ordem social injusta, como era a escravatura, Pedro não desiste de ajudar os escravos a santificarem-se na condição a que estão sujeitos, imitando a Cristo – seguindo os seus passos – sofredor e obediente até à morte: sendo inocente «sofreu por vós» (v. 21), suportou os nossos pecados… pelas suas chagas fomos curados» (v. 24). Portanto, se os que são escravos forem tratados de modo injusto, que se deixem de lamentações inúteis, mas suportem tudo como Jesus, que «Se entregava Àquele que julga com justiça», que «não pagava com injúrias» e «não respondia com ameaças» (v. 23). Esta exortação mantém actualidade para nós, hoje, já que é frequente ter de «suportar sofrimentos por fazer o bem» (v. 30). E «isto é uma graça aos olhos de Deus» (v. 20b).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 14

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 1-10

Naquele tempo, disse Jesus: 1«Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. 4Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. 5Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». 6Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. 7Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

 

No capítulo 10 de S. João podem ver-se duas parábolas, as únicas do IV Evangelho: a parábola do pastor e o ladrão (1-6) e a do pastor e o mercenário (11-13), ambas explicadas por Jesus. Neste ano, temos a primeira.

1-5 Para uma recta compreensão da parábola devem-se ter presentes os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos dispersavam-se pelas poucas pastagens daquelas zonas pobres. À noite, especialmente a partir da Primavera, eram recolhidos em recintos descobertos, rodeados de uma sebe ou pequeno muro. Nesta cerca, que faz de «aprisco», era frequente reunirem-se vários rebanhos, que ficavam a ser vigiados de noite por algum guarda pago, um «mercenário», ao passo que os pastores se albergavam em cabanas armadas nas proximidades. De manhã, cada pastor vinha à porta do recinto chamar as suas próprias ovelhas, que já lhe conheciam o grito habitual e que vão atrás dele para as pastagens. Quem não entrar pela porta, mas saltar o muro, é «ladrão e salteador», e «não vem senão para roubar, matar e destruir» (v. 10); não vem para apascentar o rebanho.

7-10 O sentido da parábola é claro e fica explicado pelo Senhor. Parte do dado de que o Povo de Deus é o rebanho de Yahwéh (Ez 34). Aqueles que, sem mandato divino, vieram antes de Jesus são «ladrões e salteadores» (v. 8), que cuidam só dos interesses próprios, inimigos e rivais de Jesus, causando destruição no rebanho (v. 10), ao passo que Jesus, e só Ele, que veio para dar a vida em abundância (v. 10), é o autêntico Pastor. Jesus apresenta-se como a «Porta» do redil, a porta por onde as ovelhas têm de passar para chegar à salvação e ter a vida eterna, «a vida em abundância» (v. 10). No v. 7, de acordo com os vv. 1-2, Jesus aparece como a porta que dá acesso ao aprisco, a sua Igreja; assim Jesus indica que só são legítimos pastores, os que passam por Cristo, recebendo d’Ele o mandato; os demais pastores só trazem ruína ao rebanho.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Introdução

 

Ouvíamos, na segunda leitura, São Pedro a dizer-nos que Jesus “suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da Cruz, a fim de que mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fostes curados. Jesus veio do Céu à Terra para restaurar no mundo o projecto de Deus transtornado pelo pecado e conduzir eficazmente a toda a Humanidade à união com Ele, como Cabeça do género humano, assumindo toda a realidade humana oferecendo-a filialmente ao Pai, numa oferta de valor infinito.

Como observa Bento XVI no seu recente livro, Jesus de Nazaré, II, p. 189, “onde o mundo, com todas as suas injustiças e crueldades que o inquinam, entra em contacto com o imensamente Puro, aí Ele, o Puro, revela-se o mais forte. Neste contacto, a sujidade do mundo é realmente absorvida, anulada, transformada por meio do sofrimento do amor infinito. Visto que no Homem Jesus está presente o bem infinito, agora, na história do mundo, está presente e activa a força antagonista de qualquer forma de mal; e o bem é sempre infinitamente maior do que toda a mole do mal, por mais temível que esta se apresente”.

 

 

2. A Paixão de Jesus nos Evangelhos

 

A Paixão de Jesus Cristo “é o momento da sua vida mais minuciosamente narrado pelos quatro evangelistas. Com efeito, a Paixão e Morte de Nosso Senhor constituem o ponto culminante da sua existência humana e da obra de Redenção, enquanto são o sacrifício expiatório que Ele próprio oferece a Deus Pai pelos nossos pecados.

Por sua vez, os sofrimentos tão tremendos de Nosso Senhor põem em relevo, da maneira mais expressiva, o seu infinito amor a todos e a cada um de nós, e a gravidade dos nossos pecados”.

“Conhecer alguns pormenores acerca desta forma de morte, usada na Antiguidade, ajudar-nos-á a entender melhor o muito que se humilhou e quis sofrer Jesus Cristo pelo nosso amor. A Crucifixão era uma pena reservada aos escravos para os delitos mais graves; era a forma de morte mais dolorosa e horrenda que se podia dar. A morte para um crucificado sobrevinha após uma dolorosíssima agonia, para a que contribuíam conjuntamente a perda de sangue, a febre produzida pelas feridas, a sede, a asfixia.

“A meditação da Paixão do Senhor tem feito muito muitos santos na história da Igreja. Poucas coisas haverá mais proveitosas para um cristão que contemplar devagar, com piedade e até com assombro, os acontecimentos salvadores da morte do Filho de Deus feito homem. A nossa mente e o nosso coração ficarão abatidos ao ver padecer Aquele por quem foram criados os anjos, os homens, os céus e a terra, Aquele que é o Senhor de toda a criação, o Todo-poderoso que se humilha até ao rebaixamento (inimaginável se realmente não tivesse sucedido). E padece tudo por causa do pecado… A ânsia de expiação de Nosso Senhor foi tal que não deixou parte alguma do seu corpo que não sentisse uma cruel dor: os seus pés e as suas mãos, perfurados com os cravos; a sua cabeça, atravessada com os duros espinhos da coroa; a sua face, ferida e cuspida; as suas costas, trituradas pela terrível flagelação; o seu peito, atravessado pela lança; enfim, os seus braços e as suas pernas, esgotadas pelas dores e fadigas até ao desfalecimento. E, juntamente com o seu corpo, toda a sua alma: inenarrável a dor interior pelo abandono e traição dos seus discípulos, o ódio dos do seu próprio povo, o escárnio e a brutalidade dos gentios, o misterioso abandono com que a divindade deixava padecer a alma de Cristo. A única razão que pode resumir o porquê da Paixão redentora de Jesus Cristo é o Amor: o amor imenso, infinito, inefável com que culminava nosso Salvador os seus anos de vida na terra” (J. Casciaro, o. c, p. 542).

O corpo morto de Jesus foi sepultado; a catequese primitiva sobre o Baptismo fundamenta-se neste facto, para ensinar com S. Paulo: “Fomos, pois, pelo baptismo sepultados com Ele, para participar na sua morte” (Rom 6, 4), aludindo ao rito, normal nos primeiros tempos da Igreja, que consistia na imersão do baptizado na água. Isto significava a morte completa para a vida de pecado. No entanto, o corpo morto de Jesus não se corrompeu, mas foi transformado com a Ressurreição.

 

3. Conclusão

 

Amor com amor se paga. Que é entregar toda a vida a Deus, que tudo fez por mim? A meditação do amor de Jesus manifestado na sua Paixão e Morte dolorosíssimas é o maior incentivo a despertar vocações de entrega total a Deus. Se não há quem se dedique todos a Deus para servir as almas, o Sangue de Cristo corre inutilmente para muitos. O Bom Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas, que precisar de pastores de almas que o tornem presente num mundo que foge de Deus. Na medida em que cada um de nós, na sua situação concreta, se esforçar por ser fiel à sua vocação baptismal, que é uma vocação de santidade, surgirão na Igreja as vocações de entrega total a Deus, que todos hoje pedimos por intercessão da Mãe do Bom Pastor, que é a Mãe da Igreja.

 

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 48º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

 

15 DE MAIO DE 2011 - IV DOMINGO DE PÁSCOA

Tema: «Propor as vocações na Igreja local»

 

 Queridos irmãos e irmãs!

O 48.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no dia 15 de Maio de 2011, IV Domingo de Páscoa, convida-nos a reflectir sobre o tema: «Propor as vocações na Igreja local». Há sessenta anos, o Venerável Papa Pio XII instituiu a Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais. Depois, em muitas dioceses, foram fundadas pelos Bispos obras semelhantes, animadas por sacerdotes e leigos, correspondendo ao convite do Bom Pastor, quando, «ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor» e disse: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 36-38).

A arte de promover e cuidar das vocações encontra um luminoso ponto de referência nas páginas do Evangelho, onde Jesus chama os seus discípulos para O seguir e educa-os com amor e solicitude. Objecto particular da nossa atenção é o modo como Jesus chamou os seus mais íntimos colaboradores a anunciar o Reino de Deus (cf. Lc 10, 9). Para começar, vê-se claramente que o primeiro acto foi a oração por eles: antes de os chamar, Jesus passou a noite sozinho, em oração, à escuta da vontade do Pai (cf. Lc 6, 12), numa elevação interior acima das coisas de todos os dias. A vocação dos discípulos nasce, precisamente, no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. As vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada são fruto, primariamente, de um contacto constante com o Deus vivo e de uma oração insistente que se eleva ao «Dono da messe» quer nas comunidades paroquiais, quer nas famílias cristãs, quer nos cenáculos vocacionais.

O Senhor, no início da sua vida pública, chamou alguns pescadores, que estavam a trabalhar nas margens do lago da Galileia: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens» (Mt 4, 19). Mostrou-lhes a sua missão messiânica com numerosos «sinais», que indicavam o seu amor pelos homens e o dom da misericórdia do Pai; educou-os com a palavra e com a vida, de modo a estarem prontos para ser os continuadores da sua obra de salvação; por fim, «sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai» (Jo 13, 1), confiou-lhes o memorial da sua morte e ressurreição e, antes de subir ao Céu, enviou-os por todo o mundo com este mandato: «Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações» (Mt 28, 19).

A proposta, que Jesus faz às pessoas ao dizer-lhes «Segue-Me!», é exigente e exaltante: convida-as a entrar na sua amizade, a escutar de perto a sua Palavra e a viver com Ele; ensina-lhes a dedicação total a Deus e à propagação do seu Reino, segundo a lei do Evangelho: «Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24); convida-as a sair da sua vontade fechada, da sua ideia de auto-realização, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela; faz-lhes viver em fraternidade, que nasce desta disponibilidade total a Deus (cf. Mt 12, 49-50) e se torna o sinal distintivo da comunidade de Jesus: «O sinal por que todos vos hão-de reconhecer como meus discípulos é terdes amor uns aos outros» (Jo 13, 35).

Também hoje, o seguimento de Cristo é exigente; significa aprender a ter o olhar fixo em Jesus, a conhecê-Lo intimamente, a escutá-Lo na Palavra e a encontrá-Lo nos Sacramentos; significa aprender a conformar a própria vontade à d’Ele. Trata-se de uma verdadeira e própria escola de formação para quantos se preparam para o ministério sacerdotal e a vida consagrada, sob a orientação das autoridades eclesiásticas competentes. O Senhor não deixa de chamar, em todas as estações da vida, para partilhar a sua missão e servir a Igreja no ministério ordenado e na vida consagrada; e a Igreja «é chamada a proteger este dom, a estimá-lo e amá-lo: ela é responsável pelo nascimento e pela maturação das vocações sacerdotais» (João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 41)Especialmente neste tempo, em que a voz do Senhor parece sufocada por «outras vozes» e a proposta de O seguir oferecendo a própria vida pode parecer demasiado difícil, cada comunidade cristã, cada fiel, deveria assumir, conscientemente, o compromisso de promover as vocações. É importante encorajar e apoiar aqueles que mostram claros sinais de vocação à vida sacerdotal e à consagração religiosa, de modo que sintam o entusiasmo da comunidade inteira quando dizem o seu «sim» a Deus e à Igreja. Da minha parte, sempre os encorajo como fiz quando escrevi aos que se decidiram entrar no Seminário: «Fizestes bem [em tomar essa decisão], porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade» (Carta aos Seminaristas, 18 de Outubro de 2010).

É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobretudo os adolescentes e os jovens – como Jesus fez com os discípulos – para maturarem uma amizade genuína e afectuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras; para compreenderem que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói a pessoa, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si mesmos; para viverem a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações. «Propor as vocações na Igreja local» significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente do seguimento de Cristo, que, rico de sentido, é capaz de envolver toda a vida.

Dirijo-me particularmente a vós, queridos Irmãos no Episcopado. Para dar continuidade e difusão à vossa missão de salvação em Cristo, «promovam o mais possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias» (Decr. Christus Dominus, 15). O Senhor precisa da vossa colaboração, para que o seu chamamento possa chegar aos corações de quem Ele escolheu. Cuidadosamente escolhei os dinamizadores do Centro Diocesano de Vocações, instrumento precioso de promoção e organização da pastoral vocacional e da oração que a sustenta e garante a sua eficácia. Quero também recordar-vos, amados Irmãos Bispos, a solicitude da Igreja universal por uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. A vossa disponibilidade face a dioceses com escassez de vocações torna-se uma bênção de Deus para as vossas comunidades e constitui, para os fiéis, o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades da Igreja inteira.

O Concílio Vaticano II recordou, explicitamente, que o «dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover sobretudo mediante uma vida plenamente cristã» (Decr. Optatam totius, 2). Por isso, desejo dirigir uma fraterna saudação de especial encorajamento a quantos colaboram de vários modos nas paróquias com os sacerdotes. Em particular, dirijo-me àqueles que podem oferecer a própria contribuição para a pastoral das vocações: os sacerdotes, as famílias, os catequistas, os animadores. Aos sacerdotes recomendo que sejam capazes de dar um testemunho de comunhão com o Bispo e com os outros irmãos no sacerdócio, para garantirem o húmus vital aos novos rebentos de vocações sacerdotais. Que as famílias sejam «animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade» (Ibid., 2), capazes de ajudar os filhos e as filhas a acolherem, com generosidade, o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada. Convictos da sua missão educativa, os catequistas e os animadores das associações católicas e dos movimentos eclesiais «de tal forma procurem cultivar o espírito dos adolescentes a si confiados, que eles possam sentir e seguir de bom grado a vocação divina» (Ibid., 2).

Queridos irmãos e irmãs, o vosso empenho na promoção e cuidado das vocações adquire plenitude de sentido e de eficácia pastoral, quando se realiza na unidade da Igreja e visa servir a comunhão. É por isso que todos os momentos da vida da comunidade eclesial – a catequese, os encontros de formação, a oração litúrgica, as peregrinações aos santuários – são uma ocasião preciosa para suscitar no Povo de Deus, em particular nos mais pequenos e nos jovens, o sentido de pertença à Igreja e a responsabilidade em responder, com uma opção livre e consciente, ao chamamento para o sacerdócio e a vida consagrada.

A capacidade de cultivar as vocações é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local. Invoquemos, com confiança e insistência, a ajuda da Virgem Maria, para que, seguindo o seu exemplo de acolhimento do plano divino da salvação e com a sua eficaz intercessão, se possa difundir no âmbito de cada comunidade a disponibilidade para dizer «sim» ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua messe. Com estes votos, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Papa Bento XVI, Vaticano, 15 de Novembro de 2010

 

Oração Universal

 

Obedecendo à recomendação do Divino Mestre

que nos manda pedir com perseverança as Vocações,

peçamos ao Senhor da messe que, urgentemente,

mande muitos e santos operários para a Sua Igreja.

Digamos: Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Para que as famílias – «igrejas domésticas»

sejam o primeiro seminário em que desabrochem

vocações Sacerdotais, Religiosas e Missionárias,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

2.  Para que os jovens descubram a beleza do sacerdócio

e se disponibilizem a seguir este caminho

com verdadeiro espírito de amor a Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

3. Para que os pais vejam na vocação dos filhos

uma bênção para o seu caminho de matrimónio

e colaborem generosamente no chamamento de Deus,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

4.  Para que os sacerdotes, religiosos e missionários

dêem testemunho de uma vivência alegre e confiante

da vocação a que foram chamados pelo Senhor,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

5.  Para que os sacerdotes encontrem naqueles fiéis

a quem servem com o sacerdócio ministerial

a compreensão, o carinho e a corresponsabilidade,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

 

Jesus Cristo, único Salvador do mundo,

constituído pelo Pai como Eterno Sacerdote,

e Vos dignais escolher homens frágeis,

para serem o Vosso rosto visível na terra:

Dai-nos muitos e santos sacerdotes

que sejam Pastores abnegados do Rebanho.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que é Deus convosco, na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Monição da Comunhão

 

Ouvimos Jesus no final do Evangelho de hoje: “Eu vim para que as minhas ovelhas tenham a vida e a tenham em abundância”. Chegou o momento em que, da forma mais plena, Ele se dispõe a nos comunica a vida divina, como alimento da nossa fé, da nossa esperança e do nosso amor. Mas sem sacerdotes, não teríamos realmente presente na Sagrada Eucaristia. Agradeçamos ao Senhor o dom do sacerdócio ministerial e, se nos sentimos preparados, aproximemo-nos para O receber. Peçamos que nunca faltem na Igreja sacerdotes santos.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ouvimos no Evangelho de hoje que o nosso Bom Pastor – entregue por nóscaminha à frente e as ovelhas seguem-no. Como ovelhas fiéis, vamos para casa. Sigamos os seus passos e vamos fazer todo o possível para que aqueles que o Senhor chama, correspondam à sua vocação numa entrega a Deus sem reservas. Vale a pena deixar tudo para seguir a Jesus, servindo-O nas almas, sobretudo quando tantas andam perdidas, como ovelhas sem pastor.

 

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-V: Os cuidados e os pedidos do bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 1-10

Ele chama as ovelhas pelos nomes e leva-os para fora… caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no.

«Deus chama a cada um pelo seu nome (Ev.). O nome de todo o ser humano é sagrado» (CIC, 2158). Ao chamar-nos pelo nosso nome, Deus convida-nos a uma maior intimidade com Ele, confere-nos mais graças, compromete-se a ajudar-nos mais.

Procura igualmente o que é melhor para nós. Assim fez com Pedro, pedindo-lhe que fosse bom Pastor também dos pagãos, contra a vontade dele (Leit.). Como bons filhos procuremos dizer-lhe: seja feita a vossa vontade ainda que eu não perceba bem porquê. Mas acredito que tudo é para bem!

 

3ª Feira, 17-V: Recuperação da dignidade na sociedade.

Act 11, 19-26 / Jo 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

Depois de Jerusalém passaram a Antioquia (Leit.). No tempo dos primeiros cristãos deu-se uma rápida expansão da Igreja, e assim há-de continuar. Para isso, contamos sempre com a ajuda do Senhor: «As minhas ovelhas escutam a minha voz… e ninguém as há-de arrebatar da minha mão» (Ev.).

Temos que continuar a levar a luz de Cristo a todas as pessoas, como fizeram os primeiros cristãos. Procuremos despertar os que estão acomodados, e que se recupere na sociedade a dignidade do ser humano nos campos em que se degradou.

 

4ªFeira, 18-V: As decisões da oração.

Act 12, 24-13, 5 / Jo 12, 44-50

Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.

Por este relato se vê que a Igreja é uma comunidade que reza. Ao rezar, escuta aquilo que o Espírito Santo lhe diz; celebra o culto do Senhor (Leit.).

Cada um de nós faz parte desta mesma comunidade. É igualmente na oração que descobriremos a presença do Senhor; que receberemos a luz, para que não haja trevas na nossa vida; que receberemos as palavras do Senhor, como vinda do Pai (Ev.). E que escutaremos o Espírito Santo, para que nos oriente; que nos decidiremos a anunciar a palavra de Deus aos outros (Leit.).

 

5ª Feira, 19-V: Continuar a missão de Jesus.

Act 13, 13-25 / Jo 13, 16-20

Quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.

Jesus é enviado pelo Pai e escolhe depois os Apóstolos: «A partir de então, eles serão os seus ‘enviados’ (é o significado da palavra grega apostoloi). Neles, Jesus continua a sua própria missão: ‘Tal como o Pai me enviou, assim eu vos envio a vós’ (Ev.)» (CIC, 858).

Assim fizeram Paulo e os seus companheiros, quando chegaram a Antioquia da Pisídia, ao falar ao povo na sinagoga, resumindo a história da salvação. Todos devemos continuar a missão de Jesus junto dos nossos conhecidos e amigos.

 

6ª Feira, 20-V: Como chegar à casa do Pai.

Act 13, 26-33 / Jo 14, 1-6

Em casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?

A Boa Nova apresenta uma extraordinária novidade, referida por S. Paulo: Jesus, o Filho Unigénito recuperou para nós a filiação divina adoptiva: «Tu és meu filho, eu hoje te gerei» (Leit.)

Só com as nossas forças não conseguiríamos chegar à casa do Pai (Ev.), isto é, à vida eterna em Deus. Mas Cristo é para nós um sinal de esperança: «Ninguém vai ao Pai senão por mim» (Ev.). Ele apresenta-se-nos como o «Caminho, a Verdade e a Vida»: seguindo os seus ensinamentos chegaremos à vida eterna.

 

Sábado, 21-V: Revelações: a vida da Trindade e a salvação de todos.

Act 13, 44-52 / Jo 14, 7-14

Como é que dizes: mostra-nos o Pai. Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?

Agradeçamos ao Senhor esta revelação da vida íntima da Santíssima Trindade: «O Filho de Deus comunica à sua humanidade o seu próprio modo de existir pessoal na Santíssima Trindade. E assim, tanto na sua alma como no seu corpo, Cristo exprime humanamente os costumes da Trindade (Ev.)» (CIC, 470). Toda a vida de Cristo é uma revelação do Pai: as suas palavras e actos, os silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e de falar (CIC, 516).

Além disto, Jesus também deu a conhecer a salvação a todos os homens, incluídos os pagãos, que ficaram extraordinariamente contentes (Leit.).

 

 

 

 

Celebração, Homilia e:Nota Exegética:     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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