3º Domingo da Páscoa

8 de Maio de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aclamai o Senhor, terra inteira, M. Borda, NRMS 37

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje, neste terceiro Domingo da Páscoa, diante do altar, como aqueles primeiros discípulos à mesa de Emaús, reconhecemos também a Jesus presente na Eucaristia. Sentindo que por vezes no nosso dia a dia surge a escuridão da noite, pedimos igualmente: «Fica connosco, Senhor, porque sem Ti se faz noite na nossa vida!» 

Disponhamos os nossos corações, através dum acto de contrição, para que se faça dia no nosso coração. (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Monição à Liturgia da Palavra:

 

Vamos continuar a ouvir como nos domingos da Páscoa deste ano, na 1ª leitura, textos de Actos dos Apóstolos que nos dão o mais credível testemunho da Ressurreição de Jesus, bem como trechos da 1ª Carta de S. Pedro. No Evangelho de hoje temos o encantador relato da aparição de Jesus aos dois discípulos de Emaús; ponhamo-nos na pele daqueles dois homens desalentados que, em diálogo com o Senhor que se faz encontrado, se enchem de esperança.

 

 

Primeira Leitura

 

 

Actos, 2, 14.22-33

No dia de Pentecostes, 14Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 22«Homens de Israel, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. 23Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós deste-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. 24Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. 25Diz David a seu respeito: «O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. 26Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. 27Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. 28Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença». 29Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. 30Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, 31viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. 32Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. 33Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

 

A leitura corresponde a uma selecção de versículos do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. «Pedro» aparece aqui, como noutras vezes, na sua função de Chefe dos Apóstolos, falando em nome de todos e à frente de todos (cf. Act 2, 37-38; 5, 2-3.29; 1, 15).

22 «Jesus de Nazaré» Pedro, para anunciar Jesus como o Messias, parte da Sua humanidade, no aspecto mais humilde, um homem de Nazaré, terra desprezada (Jo 1 48); nos vv. seguintes estabelece a sua perfeita identidade com o Cristo da fé, o Senhor ressuscitado.

23 «Segundo o desígnio imutável e previsão de Deus». A morte na cruz, o grande «escândalo para os Judeus», não era mais do que o cumprimento do desígnio salvador de Deus, anunciado pelos Profetas.

24 «Deus ressuscitou-O. O grande sinal de que aquele homem de Nazaré já antes credenciado com «milagres, prodígios e sinais» (v. 22), era o Messias, Deus vindo à terra, é sem dúvida a Ressurreição. Esta apresenta-se como anunciada no Salmo 15 (16).

27 «Nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção». Citação do Salmo 15 (16), segundo a tradução dos LXX, que alguns chegam a considerar inspirada. O texto hebraico massorético não é tão expressivo, pois diz: «conhecer a cova», isto é, a morte; Pedro e depois Paulo (cf. Act 13, 35) dão-nos o sentido mais profundo, o cristológico do Salmo, ao explicitar que designa a ressurreição do Messias, sentido este que, em geral, os exegetas classificam de sentido plenário (intentado só por Deus), ou sentido típico (o salmista como tipo do Messias).

 

Salmo Responsorial    Sl 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11

 

Refrão:        Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida.

 

Ou:               Aleluia.

 

Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.

Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

 

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,

até de noite me inspira interiormente.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei.

 

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

 

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita.

 

Segunda Leitura

 

1 São Pedro 1, 17-21

Caríssimos: 17Se invocais como Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. 18Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver, herdada dos vossos pais, 19mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha, 20predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa. 21Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.

 

Esta leitura adapta-se maravilhosamente ao tempo pascal, falando-nos da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal e da Ressurreição de Jesus. Há mesmo exegetas que vêem nesta carta um fundo de homilia pascal ou baptismal. O trecho de hoje é tirado de uma secção inicial da Carta (1, 13 – 2, 10), uma série de exortações que têm como pano de fundo a libertação dos hebreus a caminho da terra prometida, símbolo do Baptismo e da vida cristã, o que faz pensar que formariam parte duma catequese ou homilia pascal-baptismal. Vejamos: «de ânimo preparado para servir» (v. 13; cf. Lc 12, 35) é dito no original com uma imagem («cingida a cintura da vossa mente»), que evoca a forma de celebrar a Páscoa (cf. Ex 12, 11, símbolo do Baptismo (cf. 1 Cor 10, 1-2.6); «sede santos» (v. 14-16) é uma exigência da aliança (cf. Lv 11, 44; 19, 2; 20, 7) e do Baptismo (cf. Rom 6, 4.11.19; 12, 2; Gal 3, 27); o santo temor de Deus (cf. 2 Cor 2, 11; Rom 2, 11) «no tempo da peregrinação» (cf. 1, 1.17; 2, 11; 4, 2, é a alusão à peregrinação pelo deserto no Êxodo) está na sequência de invocar a Deus como Pai (referência ao Pai-nosso, Mt 6, 9, recitado no rito do Baptismo e certamente matéria da instrução preparatória); o resgate pelo sangue de Cristo é mais do que uma referência ao custo da nossa redenção (1 Cor 6, 20; 7, 23; cf. Ef 1, 7; Hebr 9, 14; Apoc 1, 5), pois alude a Jesus como cordeiro pascal (Ex 12, 3-14; cf. Jo 1, 29.36; 19, 36; 1 Cor 5, 7; Act 8, 32-35); o amor fraterno (v. 22-25) é proposto como consequência de se ter purificado (cf. Ex 19, 10-11) e ter nascido de novo e por meio da palavra de Deus (cf. Tg 1, 18; 1 Jo 3, 9; Is 40, 8); esta mesma palavra é o «leite puro» (cf. Ex 3, 8; 1 Cor 3, 2) que os baptizados têm de desejar avidamente (2, 1-2; cf. Salm 34, 9); assim todos entram activamente na construção do edifício que é o novo Povo de Deus, figurado no antigo (2, 4-10).

17 «Pai... que... julga». Pode-se ver aqui uma alusão à recitação do Pai Nosso. Deus, que é o melhor dos pais, também é um Juiz imparcial; o sentido correcto da nossa filiação divina traz consigo o santo temor de Deus, o temor de desagradar a um Pai que nos julga e que calibra perfeitamente o valor de todos os nossos actos.

«Exílio neste mundo». Cf. 1 Pe 1, 1; 2, 11; 4, 2; Hebr 11, 13. Nestes textos inspirados fica patente a nossa condição não apenas de peregrinos da Pátria celeste, mas também a ideia de pena que envolve a nossa situação de «degredados filhos de Eva» neste «desterro» (cf. Salve Rainha).

18-19 «Libertados... com o Sangue precioso de Cristo». A obra salvadora de Jesus não consistiu numa mera libertação, como, por exemplo, a libertação do Egipto, pois foi um verdadeiro resgate, pagando Jesus o preço dessa libertação com o Seu Sangue, daí que esta obra libertadora se chama mais propriamente Redenção (cf. Ef 1, 7; Apoc 1, 5).

«Cordeiro sem defeito e sem mancha». Cf. Ex 12, 5; 1 Cor 5, 7; Jo 1, 29.36; 19, 36. Cf. também: Is 53, 7; Act 8, 32-35. Os primeiros textos falam de Jesus, Cordeiro imolado na nova Páscoa; os segundos, de Jesus manso «Cordeiro de Deus».

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 24, 32

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras,

falai-nos e inflamai o nosso coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 13-35

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais; podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios, traduzidos por duas léguas, que se traduzem nuns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios. Alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa (Abugoxe corresponde aos 160 estádios).

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopâs.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos…»: aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que os nossos são Pedro e João (cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «Mas a Ele não O viram»: se não se trata de um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34 (cf. 1 Cor 15, 5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a fracção do pão do v. 30) constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus): depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença. Comenta João Paulo II: «É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da 'fracção do pão'. Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais 'falam'. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente. Como sublinhei na encíclica Ecclesia de Eucharistia, é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. 'A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções'» (Carta Mane nobiscum Domine, 14).

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato põe-se em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

33 «Partiram imediatamente». «Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu Corpo e do seu Sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 24).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Introdução

 

Continuamos hoje as homilias de carácter mais doutrinal, que já começámos a oferecer para os 4 Domingos do Advento também da Quaresma.

Deus tinha feito ao povo de Israel promessas de salvação, ao longo dos séculos, através dos Profetas. Na primeira leitura, o discurso de Pedro aos judeus no dia do Pentecostes faz apelo ao cumprimento das profecias no que respeita a Paixão. Morte e Ressurreição de Jesus; e «de tudo isto nós somos testemunhas»

A Ressurreição de Jesus que celebramos em cada Domingo, tem no tempo pascal o seu ponto mais alto. Aos discípulos de Emaús Jesus explica pacientemente, como n’Ele se cumpriram as Escrituras. A sua Ressurreição é a prova real não sé da verdade dos seus ensinamentos, da eficácia salvadora da sua Morte para toda a Humanidade, mas sobretudo da verdade do seu ser divino e humano, isto é, do mistério que chamamos da Incarnação, em que se vai centrar a homilia de hoje, seguindo os ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica.

 

2.  O mistério da Incarnação

 

Assim se chama “o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Verbo”, o Filho eterno de Deus.

No Credo professamos a nossa fé acerca do mistério da pessoa de Jesus: “Desceu dos céus, e incarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem”.

O Evangelho segundo S. João diz, logo no início, qual é o mistério de Jesus: “No princípio já existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus [...] Sem Ele nada veio à existência […]. E o Verbo fez-se carne (= incarnou = fez-se homem) e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,1-3.14).

A Igreja sempre manteve a fé no mistério do ser divino-humano de Jesus Cristo, rejeitando todas as heresias, que desde o princípio foram surgindo, e explicitando a sua fé em vários Concílios Ecuménicos:

                 Contra os gnósticos, reafirma que Jesus é verdadeiro homem, e não apenas uma aparência de homem.

                 Contra Ario, define no Concílio de Niceia (325) que Jesus, o Filho, é o próprio Deus (assim professamos no Credo da Missa: “consubstancial ao Pai”).

                 Contra Nestório, a Igreja define no Concílio de Éfeso (431) que em Jesus só há uma pessoa, que é a divina e por isso Maria pode chamar-se Mãe de Deus.

                 Contra os monofisitas define no Concílio de Calcedónia (451) que em Jesus há duas naturezas perfeitas: é “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.

                 O Magistério da Igreja também afirma que em Jesus há uma alma humana, dotada de conhecimento e sentimentos humanos e também que tem duas vontades, em pleno acordo, a divina e a humana (III Concílio de Constantinopla, em 681).

                 Não é pois de estranhar que nos nossos dias proliferem seitas religiosas que se servem do nome de Jesus, mas já não o reconhecem como Deus feito homem, renovando assim heresias antigas e já superadas...

 

3. Como se realizou a Incarnação do Filho de Deus

 

No Credo proclamamos: “foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria”.

O Evangelho de S. Lucas conta a Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria e como se deu esse prodígio (ver Lc 1, 26-38). Quando lhe é anunciada a escolha que Deus tinha feito dela para que fosse a mãe do Messias – “eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David…”, Ela pergunta: “Como se fará isso, pois eu não conheço homem?”. O Anjo explica o plano divino: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Ela havia de ser mãe, sem a intervenção de homem algum, para que ficasse bem claro que o seu Filho não era um simples homem, mas Deus feito homem, que assumia a nossa natureza humana a partir só do elemento feminino. E Maria, uma vez elucidada acerca do mistério, dá o seu consentimento: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. E, “ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne”! E Deus veio à terra, entrou na nossa história humana – o acontecimento mais assombroso – sem que ninguém se apercebesse! “Coisa impensável, se não tivesse realmente acontecido! Que Deus, o infinitamente transcendente às suas criaturas, o imenso, o infinito, o eterno, se tivesse diminuído até ao ponto de se fazer homem é uma coisa que deixa o nosso coração e a nossa mente profundamente surpreendidos”.

“O evangelista S. Lucas deixa ver que conhece a concepção virginal e sobrenatural de Jesus e que crê firmemente nela. O mistério da sua Incarnação engloba três realidades: 1) que o menino é concebido virginalmente no seio de Maria; 2) que nenhum homem teve intervenção biológica alguma; 3) e que o menino, verdadeiro homem por ser filho de Maria, é ao mesmo tempo Filho de Deus, no sentido mais forte desta expressão, e, portanto, Deus como seu Pai. Estas três verdades são expressas na referida passagem do Evangelho de S. Lucas, não de maneira especulativa, mas com a simplicidade de quem conta factos dos quais está completamente seguro. Essa é a verdade que o evangelista apresenta a todas as pessoas, qualquer que seja a sua condição e cultura” (J. Casciaro, Jesus de Nazaré, Viseu, Ed. ISPV, 1999, pp. 28).

 

4. A Virgem Santa Maria

 

Neste mês de Maio, tradicionalmente dedicado à Virgem Maria, detenhamo-nos um pouco a considerar a sua eminente dignidade. Para levar a cabo a obra da salvação, Deus quis servir-se da cooperação livre de uma criatura humana: a Virgem Maria. Por isso, desde toda a eternidade, Deus predestinou-a para ser a Mãe do seu Filho. Para ser Mãe do Salvador, Maria “foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão” A SS. Trindade quis que Maria tivesse a plenitude da graça divina. Fez com que fosse concebida sem pecado original e que, além disso, nunca cometesse nenhum pecado, nem sequer venial, e que, portanto, fosse “toda santa”: a este singular privilégio chamamos “Imaculada Conceição”.

Porque é a Mãe de Jesus, e Jesus é uma pessoa divina – o Verbo de Deus feito homem –, Ela é verdadeiramente Mãe de Deus, a mais excelsa dignidade duma criatura!

A Igreja venera-a como a “sempre Virgem” e não apenas na sua maternidade. Deus escolheu para seu esposo o homem mais santo que houve na terra, S. José. Ele exerceu a função de pai de Jesus e velou pela honra de Maria, salvaguardando e testemunhando a sua perpétua virgindade. Não oferece dificuldade de maior que os Evangelhos falem dos “irmãos de Jesus”: não eram outros filhos da Virgem Maria (certamente também não o eram de José), mas trata-se de “familiares”, que então era corrente serem assim designados, como é o caso de Tiago e de José, que são chamados irmãos de Jesus em Mt 13, 35, mas que eram filhos da “outra Maria” (Mt 28, 1), como se diz em Mt 27, 56.

Maria colaborou de modo singular na obra da Redenção da humanidade, por isso, ela esteve junto à Cruz de Jesus e foi apresentada como nossa Mãe por Jesus moribundo. Com razão a Igreja lhe presta um culto singular, com numerosas festas litúrgicas e em muitos santuários por todo o mundo. “Deus deu-nos uma mãe na terra e outra no céu. O amor à Mãe de Deus e nossa Mãe deve ser para nós, depois de Deus, o primeiro amor. A melhor manifestação deste amor é imitá-la nas virtudes, sobretudo na sua fé, na sua obediência a Deus e no amor ao seu Filho. O amor a Nossa Senhora levar-nos-á ao amor a Jesus. Já Ela nos disse uma vez: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Porque a Santíssima Virgem é a nossa Mãe do Céu, devemos comportar-nos como bons filhos: rezando-lhe, falando com Ela confiadamente, lembrando-nos dela, logo de manhã, quando nos levantamos, invocando-a durante o dia, rezando as Três Ave-Marias ao deitar-nos; recorrendo a Ela sempre, porque Ela tudo pode, e nós somos uns necessitados”.

 

5.  Principais nomes ou títulos dados ao nosso Salvador

 

Nos escritos do Novo Testamento a pessoa do Salvador, enviado pelo Pai, é designada por vários títulos. Os títulos mais frequentes são: Jesus, Cristo, Filho de Deus e Senhor.

                 “Jesus”, em hebraico quer dizer “Deus salva”. Este foi o nome que Lhe deu o anjo Gabriel no momento da Anunciação a Maria. O próprio nome de Jesus indica que Deus está presente na pessoa do seu Filho, feito homem para nos libertar dos pecados.

                 “Cristo” é uma palavra grega que traduz a hebraica “Messias”, que quer dizer “Ungido”. Em Israel ungiam-se os sacerdotes, profetas e reis, e assim eram destinados à missão divina para que Deus os tinha enviado. Jesus é Sacerdote, Profeta e Rei por excelência.

                 “Filho de Deus”. Este título, quando na Bíblia se aplica aos anjos, ao povo escolhido, aos filhos de Israel e aos reis, significa uma filiação adoptiva dos homens com Deus. Quando nos Evangelhos, e no resto do Novo Testamento, se diz de Jesus que é Filho de Deus, isso significa que o próprio Jesus é Deus como o Pai, e que é Filho de Deus por natureza e não por adopção. Confessar que Jesus é Filho de Deus é fazer uma profissão de fé na divindade de Jesus Cristo.

                 “Senhor”. É a tradução grega do inefável nome de Deus com que se revelou a Moisés: YaHWéH (Ex 3, 14). Quando os gregos traduziam para a sua língua o nome hebraico de YaHWéH, empregavam a palavra “Kyrios” (Senhor). Aplicado a Jesus, o nome de “Kyrios”, ou “Senhor”, significa que Jesus é Deus como o Pai, pertencendo-lhe a mesma honra, o poder e a glória devidos a Deus Pai.

 

6.  Cristo é o único Mediador perfeito entre Deus e os homens. É Mestre, Sacerdote e Rei.

 

«Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina; por essa razão, Ele é o único Mediador entre Deus e os homens» (Catecismo, 480; cfr 1 Tm 2, 5 Heb 8, 6; 9, 15; 12, 24). No Novo Testamento é também apresentado como profeta e revelador, como sumo-sacerdote e como Senhor de toda a criação, que são outros aspectos da sua função salvífica do único mediador. 

Cristo, mais do que profeta, é o Mestre, que ensina por autoridade própria, uma autoridade desconhecida até então, que deixava surpreendidos os que o escutavam. O carácter supremo dos ensinamentos de Jesus fundamenta-se no facto de ser Deus e homem. Jesus não só ensina a verdade, mas Ele é a Verdade (Jo 14, 6) tornada visível na carne. Cristo, Verbo eterno do Pai, «é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. N’Ele o Pai disse tudo. Não haverá outra palavra além dessa» (Catecismo, 65).

Cristo é sacerdote, tema central da Epístola aos Hebreus; “com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que foram santificados” (Hb 10, 14), isto é, pelo único sacrifício da sua Cruz» (Catecismo, 1544). O sacerdócio de Cristo, sacerdócio eterno, é participado pelo sacerdócio ministerial e pelo sacerdócio dos fiéis, que nem se acrescentam nem se sucedem ao de Cristo (cf. Catecismo, 1544-1547).

Cristo é Rei. É-o não só enquanto Deus, mas também enquanto homem. A soberania de Cristo é um aspecto fundamental da sua mediação salvífica. Cristo salva porque tem o poder efectivo para o fazer. A fé da Igreja afirma a realeza de Cristo e professa no Credo que «o seu reino não terá fim». A realeza de Cristo não é metafórica, é real e comporta o poder de legislar e de julgar. É uma realeza que se fundamenta no facto de ser o Verbo encarnado e o nosso Redentor. O seu reino é espiritual e eterno. É um reino de santidade e de justiça, de amor, de verdade e de paz. Cristo exerce a sua realeza atraindo a si todos os homens pela sua morte e ressurreição (cf. Jo 12, 32). Cristo, Rei e Senhor do universo, fez-se o servidor de todos, não «veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para resgate pela multidão (Mt 20, 28)» (Catecismo, 786).

Todos os fiéis participam «destas três funções de Cristo, com as responsabilidades de missão e de serviço que delas resultam» (Catecismo, 783).

Ninguém como a Virgem Maria participou na tripla função de Cristo, sem que tenha participado de sacerdócio ministerial. Com a sua materna intercessão, também os nossos olhos se abrem para reconhecer a Jesus, o mistério da sua presença viva mas oculta e da nossa participação na sua missão salvadora.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus ressuscitado faz-se companheiro de viagem, para reavivar nos nossos corações o calor da fé e da esperança,»

 

Queridos irmãos e irmãs

O Evangelho deste domingo o terceiro de Páscoa refere-se à célebre narração dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Conta que dois seguidores de Cristo os quais, no dia depois do sábado, isto é, o terceiro após a sua morte, tristes e abatidos deixaram Jerusalém e dirigiam-se para uma aldeia pouco distante chamada Emaús. Ao longo do caminho aproximou-se deles Cristo ressuscitado, mas eles não o reconheceram. Vendo-os aflitos, Jesus explicou, com base nas Escrituras, que o Messias tinha que sofrer e morrer para alcançar a sua glória. Depois, entrou com eles em casa, sentou-se à mesa, abençoou o pão e partiu-o, e nesse momento reconheceram-n'O, mas ele desapareceu, deixando-os cheios de admiração diante daquele pão partido, novo sinal da sua presença. Imediatamente os dois voltaram para Jerusalém e contaram o que tinha acontecido aos outros discípulos.

A localidade de Emaús não foi identificada com certeza. Existem várias hipóteses, e isto é sugestivo, porque nos deixa pensar que Emaús representa na realidade todos os lugares: a estrada que nos conduz é o caminho de todos os cristãos, aliás, de todos os homens. Nas nossas estradas Jesus ressuscitado faz-se companheiro de viagem, para reavivar nos nossos corações o calor da fé e da esperança e partir o pão da vida eterna. No diálogo dos discípulos com o viandante desconhecido impressiona a expressão que o evangelista Lucas coloca nos lábios de um deles: "Nós esperávamos..." (24, 21). Este verbo no passado diz tudo: Acreditámos, seguimos, esperámos... mas acabou. Também Jesus de Nazaré, que se mostrou um profeta poderoso em obras e em palavras, falhou, e nós ficamos desiludidos. Este drama dos discípulos de Emaús surge como um espelho da situação de muitos cristãos do nosso tempo: parece que a esperança da fé tenha falhado. A própria fé entra em crise, por causa de experiências negativas que nos fazem sentir abandonados pelo Senhor. Contudo, esta estrada para Emaús, na qual caminhamos, pode tornar-se uma via de purificação e maturação do nosso crer em Deus. Também hoje podemos entrar em diálogo com Jesus, escutando a sua palavra. Também hoje Ele parte o pão por nós e doa-se a si mesmo como nosso Pão. Dessa maneira, o encontro com Cristo ressuscitado, que é possível também hoje, doa-nos uma fé mais profunda e autêntica, harmonizada, por assim dizer, através do fogo do evento pascal; uma fé robusta porque se alimenta não com ideias humanas, mas com a Palavra de Deus e a sua presença real na Eucaristia.

Este maravilhoso texto evangélico já contém a estrutura da Santa Missa: na primeira parte a escuta da Palavra através das Sagradas Escrituras; na segunda a liturgia eucarística e a comunhão com Cristo presente no Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. Ao alimentar-se nesta dúplice mesa, a Igreja edifica-se incessantemente e renova-se dia após dia na fé, na esperança e na caridade. Por intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que todos os cristãos e comunidades, ao reviver a experiência dos discípulos de Emaús, redescubram a graça do encontro transformador com o Senhor ressuscitado.

Papa Bento XVI, Regina Caeli, Domingo, 6 de Abril de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

oremos a Jesus ressuscitado

que caminha connosco sem O reconhecermos e peçamos que nos ilumine:

dizendo ou cantando com alegria:

 

Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

1.  Para que os ministros e fiéis da santa Igreja

testemunhem corajosamente e sem desânimos que Jesus está vivo no meio de nós

oremos, irmãos.

 

2.  Para que Deus conceda a paz ao mundo inteiro

sacie os que têm fome e sede de justiça

e se revele aos que ainda não O conhecem,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos jovens que fazem de Jesus o grande amigo

e pelas crianças da Primeira Comunhão

oremos, irmãos.

 

4.  Para que Deus enxugue as lágrimas dos que sofrem,

dos doentes, dos moribundos e dos aflitos,

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos nós reunidos nesta nossa assembleia

para que convidemos sempre Jesus a ficar connosco

oremos, irmãos.

 

Senhor Jesus Ressuscitado

Que nos resgatastes, não com ouro ou prata, mas com o vosso próprio Sangue

Aquecei o nosso coração com a vossa Palavra

E convidai-nos a comer à vossa mesa.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Os discípulos de Emaús reconheceram Jesus ao partir o pão. É na Eucaristia que se abrem os nossos olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Ao reconhecerem Jesus é quando os seus deixam de O ver; mas não deixa de estar presente, ressuscitado e glorioso, embora invisível; parece ausente, mas está bem presente. Adoremos o Senhor e se nos sentimos preparados, aproximemo-nos para O receber.

 

Cântico da Comunhão: Os discípulos exultaram de alegria, J. Santos, NRMS 97

Lc 24, 35

Antífona da comunhão: Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus ao partir o pão. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor pelo bem, F. da Silva, NRMS 98

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor, para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Assim com os discípulos de Emaús partiram imediatamente para comunicar a grande notícia da Ressurreição, também nós, como dizia o Beato João Paulo II, «quando fazemos uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-nos do seu Corpo e do seu Sangue, não podemos reservar para nós mesmos a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (Mane nobiscum Domine, 24).

 

Cântico final: Rainha dos Céus alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS 17

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-V: A procura e o seguimento do Senhor.

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus ali não estava… Subiram todos para as embarcações e forma a Cafarnaum, à procura de Jesus.

A multidão não procurava Jesus com a melhor das intenções (tinham saciado a fome: Ev.). E a verdade é que acabaram por encontrá-lo. Mas, às vezes, encontrar Cristo e segui-lo pode acabar em martírio, como foi o caso de Estêvão (Leit.).

Procuremos seguir o Senhor para que nos dê os alimentos de vida eterna (Ev.): o Pão e a Palavra. E nesta semana de oração pelas vocações consagradas, peçamos a Deus que muitas pessoas procurem o Senhor e se dediquem ao seu serviço. E que Deus as ajude a ultrapassarem as dificuldades que encontrarem.

 

3ª Feira, 10-V: O Pão que dá a vida ao mundo.

Act 7, 51- 8, 1 / Jo 6, 30-35

Depois atiraram-se a ele todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

 

Estêvão deixou-nos um exemplo de coerência com a fé, entregando a sua vida ao Senhor: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito» (Leit.). Nas situações normais e de hostilidade saibamos defender os valores humanos (a vida, a família, a educação, etc.).

Esta coerência de vida é a maior revolução que podemos levar a cabo no nosso tempo (S. Josemaria). Ao vivermos de acordo com a nossa fé estamos a promover a dignidade e a liberdade de cada pessoa. Para isso contamos com o poder da Eucaristia: «O Pão de Deus é o que desce do céu, para dar a vida ao mundo» (Ev.).

 

4ª Feira, 11-V: As perseguições e a expansão da Boa Nova.

Act 8, 1-8 / Jo 6, 35-40

 

Porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

Jesus apresenta-se como exemplo do cumprimento da vontade de Deus, ao mesmo tempo que nos revela qual é a vontade do Pai: que nenhum se perca e que todo o que n’Ele acreditar terá a vida eterna (Ev.).

É esta fé em Deus que leva a aceitar as contrariedades e a continuar a anunciar a Boa Nova. As perseguições que sofreram os primeiros cristãos acabaram por ajudar a levar a Boa Nova a muitos outros lugares: «os irmãos dispersos andaram de terra em terra a anunciar a boa nova da palavra» (Leit.).

 

5ª Feira, 12-V: Os alimentos para a vida eterna.

Act 8, 26-40 / Jo 6, 44-52

O eunuco exclamou: ‘Aí está água! Que me impede de ser baptizado? E Filipe baptizou-o.

Pelo Baptismo (Leit.) recebemos uma vida nova: uma participação na vida divina, uma pertença à família de Deus, etc.

Assim como na vida humana precisamos tomar alimentos para conservarmos a saúde e as forças, também precisamos tomar os alimentos adequados para alcançarmos a vida eterna. O desenvolvimento desta vida sobrenatural apoia-se nos alimentos que Deus nos proporciona para esse efeito: a palavra de Deus: «quem acredita possui a vida eterna» (Ev.); e a Eucaristia: «quem comer deste Pão viverá eternamente» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração, Homilia e:Nota Exegética:     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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