2º Domingo da Páscoa

1 de Maio de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, cantai hinos, F. Silva, NRMS 97

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou:

4 Es 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Por expressa vontade do Senhor, manifestada a uma religiosa da Polónia que já foi canonizada por João Paulo II – Santa Faustina Kowalska – o 2º Domingo da Páscoa deve ser celebrado como a Festa d Misericórdia Divina.

João Paulo II, de saudosa memoria, depois de ter escrito uma Encíclica sobre este atributo divino – Rico em misericórdia, de 30.XI.1980 – e instituiu a festa em 23 de Maio de 2000.

Como pode chegar ao coração dos homens de hoje – orgulhosos, sem pecados, segundo afirmam, aburguesados, sem esperar nada desta vida, esta mensagem da Divina Misericórdia que nos conduz à felicidade?

Esperamos encontrar luz para estas interrogações na Palavra de Deus que vai ser proclamada.

 

Acto penitencial

 

E no entanto, as pessoas, mesmo as mais afastadas, mostram-se carentes deste dom de Deus e são tocadas pelos sinais de misericórdia.

Como acolho eu a misericórdia que o Senhor me oferece em cada momento? Sinto necessidade dela? Ou encaro-a como uma manifestação de inferioridade e de fraqueza?

Peçamos ao Senhor nos faça sentir esta necessidade, ajudando-nos a reconhecer os nossos pecados de cada dia. 

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a dureza e insensibilidade que manifestamos

    perante os pecados e defeitos dos nossos irmãos,

    Senhor, misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a complacência orgulhosa que nos leva

    a não sentir necessidade de sermos perdoados,

    Cristo, misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a desconfiança de Deus que nos amargura

    e nos faz perder a vontade de nos emendarmos,

    Senhor, misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração Colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No texto do Livro dos Actos dos Apóstolos temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua mensagem de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.

 

 

Actos 2, 42-47

42Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações. 43Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. 44Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. 45Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. 46Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, 47louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se.

 

Esta é a primeira das três maiores «descrições sumárias» de Actos da primitiva comunidade cristã de Jerusalém. As outras duas mais desenvolvidas estão em Act 4, 32-35; e 5, 12-16. Nestas descrições focam-se três aspectos da vida dos primeiros cristãos de Jerusalém: a sua vida religiosa, o cuidado dos pobres e os prodígios realizados pelos Apóstolos, insistindo-se ora num, ora noutro aspecto; aqui insiste-se na vida religiosa. Os relatos sumários são breves resumos da vida da Igreja, que não se reduzem a estes três relatos maiores. Os críticos vêem nalguns deles uma descrição um tanto idealizada, pois é feito um juízo global a partir de casos concretos, como quando se diz que ninguém tinha nada seu (4, 42), ou que todos eram curados (5, 16), etc. A credibilidade do conteúdo destes sumários é no entanto confirmada pelo facto de que a clara visão idílica de alguns elementos não leva o autor a deformar a realidade, pois não esconde acontecimentos que podiam embaciar essa visão tão optimista (por ex., o caso de Ananias e de Safira, em Act 5, 1-11).

42 «O ensino dos Apóstolos». Os Apóstolos não se limitavam a pregar o primeiro anúncio (kérigma), em ordem à conversão inicial e ao Baptismo (cf. Act 2, 14-41); dedicavam-se também a uma instrução catequética dos que já tinham a fé.

«A comunhão fraterna», isto é, havia uma grande unidade de espíritos e de corações («um só coração e urna só alma» Act 4, 32); a tradução latina da Vulgata interpretou a expressão no sentido da comunhão eucarística («comunhão da fracção do pão»), uma vez que, de facto, este Sacramento é o fundamento da união de todos os cristãos entre si: 1 Cor 10, 17.

«Fracção do pão»: partir do pão era o nome primitivo dado à celebração da Eucaristia, um nome tirado do gesto de Jesus de partir o pão na Última Ceia. Com toda a probabilidade, temos aqui uma referência à celebração eucarística, designada desta maneira em 1 Cor 10, 16-17 e Act 20, 7.

44 «Tinham tudo em comum». Esta atitude extraordinariamente generosa ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental… Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Esta atitude cristã nada tem que ver com a colectivizarão de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, pois aqui era respeitada a liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum, por isso em Actos se louva o gesto de Barnabé (Act 4, 36-37) e se censura a fraude de Ananias (Act 5, 4). Daqui se conclui que o «todos» do texto é uma generalização.

46 No princípio, os cristãos de Jerusalém continuavam a participar nos actos de culto judaico, acrescentando a essas práticas um novo rito que celebravam nas casas particulares: a Eucaristia, que, como é óbvio, não podiam celebrar no Templo. O original grego sugere mesmo que esta se celebrava, ora numa casa, ora noutra. Pode-se perguntar se a celebrariam diariamente. Não é certo, mas a sua celebração no «primeiro dia da semana» consta-nos de Act 20, 7.11; 1 Cor 16, 2; cf. Didaquê, 14, 1, dia que já na época apostólica se começa a chamar «dia do Senhor», isto é, Domingo (cf. Apoc 1, 10).

«Com alegria». S. Lucas sublinha frequentemente esta alegria dos primeiros cristãos: (Act 5, 41; 8, 8.39; 13, 48-52; 15, 3; 16, 34), bem como o tom de louvor que havia na sua vida de oração (v. 47; cf. 3, 8.9; 4, 21; 10, 46; 11, 18; 13, 48; 19, 17; 21, 20).

 

Salmo Responsorial           Sl 117 (118), 2-4.13-15.22-24 (R. 1)

 

Monição: Os israelitas costumavam cantar este salmo como acção de graças, depois de uma grande provação vencida.

Nós celebramos a grande prova da Paixão e Morte do Senhor, e vitória da Sua ressurreição.

 

Refrão:        Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                     porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:               Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                     o seu amor é para sempre.

 

Ou:               Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

 

Empurraram-me para cair,

mas o Senhor me amparou.

O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória,

foi Ele o meu Salvador.

Gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos:

a mão do Senhor fez prodígios.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro, na sua primeira carta à Igreja universal, recorda aos cristãos que a identificação de cada fiel com Jesus Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – nos conduzirá à ressurreição.

É um chamamento a que procuremos viver com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos no Mestre que misericordiosamente nos conduz à salvação definitiva.

 

 

1 São Pedro 1, 3-9

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, 4para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece, reservada nos Céus para vós 5que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. 6Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, 7para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. 8Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n'Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.

 

Em todos os domingos pascais deste ano A vamos ter como 2ª leitura um trecho da 1ª Carta de Pedro. Estes vv. têm um certo aspecto de hino trinitário de sabor baptismal (v. 3): dão-se graças ao Pai (v. 3-5; cf. Ef 2, 4; Col 1, 12), pela obra salvadora do Filho (v. 6-9); a referência ao Espírito Santo é deixada fora da leitura de hoje (vv. 10-12).

3-4 «Nos fez renascer pela Ressurreição». A Ressurreição de Jesus, facto realmente sucedido «ao terceiro dia», tem uma dimensão existencial que nos afecta «hoje, agora»: pela união a Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos para uma vida nova (cf. Rom 6, 4-11), «renascemos para uma esperança viva» (cf. Jo 1, 13; 3, 5-7; Gal 6, 15; Tit 3, 5); é assim a esperança cristã, não uma mera utopia: o seu objecto material é a verdadeira vida, a vida eterna: «uma herança que não se corrompe... herança reservada nos Céus para vós» (vv. 3-4).

6 «Isto vos enche de alegria». A esperança na «herança» e «salvação» eternas é fonte de alegria no meio das «diversas provações» pelas que «é preciso passar». Isto não tem nada de alienante, uma vez que o objecto da esperança, o Céu, tem existência real e está ao nosso alcance: a certeza da esperança é firmíssima e não nos deixa confundidos, uma vez que Deus é «omnipotente, infinitamente misericordioso e fidelíssimo às suas promessas», havendo apenas a recear de nós próprios, que podemos vir a ser infiéis a Deus e a seu plano salvador. Esta esperança no Céu é algo que responsabiliza os cristãos mais fortemente do que os demais cidadãos, uma vez que eles sabem que não podem chegar ao Céu se não se preocupam pelo bem dos seus semelhantes, incluindo o que respeita ao bem-estar material (cf. Mt 25, 34-46).

«Sem O verdes ainda, acreditais n’Ele». É fácil descobrir nestas palavras uma alusão ao que, na Missa de hoje, Jesus diz a Tomé: «felizes os que acreditam sem terem visto».

A vida cristã, vida de ressuscitados com Cristo, é uma vida teologal, vida de fé, esperança e amor, a qual nos leva a estar «cheios de alegria inefável», já agora.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 20, 29

 

Monição: Na aparição aos Apóstolos no Cenáculo, Jesus Ressuscitado anima-nos a ter confiança nele e aceitarmos a mediação da Igreja na nossa fé.

Manifestemos a vontade de seguir estes ensinamentos, aclamando O Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Senhor a Tomé:

«Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata de uma mera saudação, a mais corrente entre os Judeus, mesmo ainda hoje. A insistência joanina nestas palavras do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) – que, embora habituais, nunca são registadas nos Evangelhos! – é grandemente expressiva. De facto, com a sua Morte e Ressurreição Jesus acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13). «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor; ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa sopro). Esta efusão do Espírito Santo não aparece como a mesma que se dá 50 dias depois, na festa do Pentecostes. Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo, iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que já estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes os pecados…»: não se trata de um mero preceito da pregação do perdão dos pecados que Deus concede a quem confia nesse perdão (interpretação protestante); é uma das poucas passagens da Escritura cujo sentido foi solenemente definido como verdade de fé: estas palavras «devem entender-se do poder de perdoar e reter os pecados no Sacramento da Penitência» (DzS 913); o mesmo Concílio de Trento também se baseia nestas palavras para falar da necessidade de confessar todos os pecados graves depois do Baptismo, uma doutrina que tem vindo a ser reafirmada pelo Magistério: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); cf. Motu proprio de João Paulo II Misericordia Dei (7.4.2002) e Código D. C., nº 960.

«Ser-lhes-ão perdoados»: esta expressão é muito forte, pois temos aqui o chamado passivum divinum, isto é, o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus; sendo assim, a expressão corresponde a «Deus lhes perdoará», e «serão retidos» equivale a «serão retidos por Deus», isto é, Deus não perdoará.

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê porque Deus, que revela, não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Tanto Tomé, naquela ocasião, como nós, agora, temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca ou caminhada sem uma base doutrinal, um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, mas o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

• A Igreja evangelizada e evangelizadora

Uma comunidade fiel

Os novos sinais

Os meios de que dispomos

A escola da misericórdia divina

A paz

O perdão dos pecados

A ajuda fraterna

 

Servindo-Se dos acontecimentos – uma descristianização acelerada, leis pagãs, crescimento da violência – o Senhor está a pedir-nos com urgência uma Nova Evangelização.

Trata-se de uma refontalização, isto é, uma imitação do que fazia a Igreja primitiva, sem perdermos toda a riqueza de uma tradição de dois mil, anos. A Igreja fala-nos de novos métodos, novas testemunhas, novos sinais e nova linguagem.

1. A Igreja evangelizada e evangelizadora

a) Uma comunidade fiel. «Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações

A Igreja primitiva não era uma comunidade de santos, mas de pessoas que lutavam pela santidade, embora tivessem defeitos e quedas. Ali estava Pedro que pouco antes negara o Mestre, a maior parte dos Apóstolos que abandonaram Jesus na hora da Paixão; o casal Ananias e Safira que tentaram enganar Pedro, fingindo que eram generosos.

Mas procuravam com toda a diligência:

– crescer na fé, alimentando-a com os ensinamentos dos Apóstolos;

– celebravam a fé na Eucaristia – aqui denominada como “fracção do pão”;

– e ajudavam-se uns aos outros nas dificuldades espirituais e materiais;

– difundiam a Boa Nova da salvação, levando muitos à conversão ao cristianismo.

A Igreja insiste com os cristãos para que participem na Missa Dominical, como a mãe insiste com o filho pequeno para que se alimente. E quanto menor é a vontade de comer, maior deve ser o esforço.

Além disso, em momentos de crise, como a dos discípulos de Emaús e a de Tomé, ajudavam-se mutuamente.

O Senhor chamou-nos a fazer parte de uma família solidária na qual todos devemos estar atentos uns aos outros.

 

b) Os novos sinais. «Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um

Muitas pessoas já não entram na igreja para nos verem rezar. Precisam de encontrar os sinais do cristianismo na vida diária:

– na seriedade e alegria com que trabalhamos ou fazemos negócios;

– na caridade vivida no interesse pelos outros, animando-os e ajudando-os;

– na alegria da vida de família e dedicação de uns aos outros. A família está em crise porque deixou de ser o lugar de encontro, de repouso e partilha, para se tornar num espaço onde tomamos algumas refeições e dormimos.

O mundo em que nos é dado viver tem necessidade de novas testemunhas da fé. Muitas pessoas não entram nos nossos templos nem escutam ou lêem a Palavra de Deus. É preciso que alguém vá ao seu encontro, encarnando a Mensagem de Salvação.

O grande sinal que as pessoas esperam dos cristãos é o da caridade, da misericórdia, da compreensão. Esta é a única linguagem que são capazes de entender: a misericórdia, a caridade desinteressada.

As pessoas são sensibilizadas pela caridade generosa, não a dos que dão esmolas, mas dos que dão o coração e a vida:

– a beata Teresa de Calcutá, que continua a sua doação através da noite dos sentidos com a qual Deus purifica os grandes místicos (Santa Teresa de Ávila, santa Teresa da Lisieux, S. João da Cruz, e tantos outros);

– o Servo de Deus João Paulo II que poderia ter deixado a cruz do papado, mas decide morrer nela. É o Papa mártir da terceira parte do segredo de Fátima;

– S. Pio de Pietrelcina (o Padre Pio), perseguido e sofrendo as dores da Paixão de Jesus durante grande parte da sua vida.

Encontramos vislumbres desta misericórdia no amor dos pais, em tantas pessoas que se gastam à cabeceira dos doentes, especialmente terminais, nos missionários e missionárias do mundo e em tantos cristãos anónimos que se entregam a exercitar as obras de misericórdia.

 

c) Os meios de que dispomos. «Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração

São exactamente os mesmos dos primeiros cristãos, com a diferença de que eles lutavam contra maiores dificuldades. Havia perseguições violentas a todos os que abraçavam o cristianismo. Isto acontecia no mundo judaico (Estêvão e outros), como no pagão.

Frequentavam o Templo e davam mútuo testemunho da fé e do amor de Deus. Uma das vantagens da participação na Missa Dominical é precisamente o encorajamento mútuo. Tomamos consciência de que no vivemos a fé isoladamente, mas somos uma família.

Quanto tempo disponibilizamos para a oração? Lemos e meditamos a Palavra de Deus na Bíblia?

A nossa felicidade em sermos cristãos é tão grande que sentimos necessidade de ajudar os outros a encontrar Jesus Cristo na sua vida?

2. A escola da misericórdia divina

Ao longo da Sua vida, especialmente mais visível na Sua vida pública, Jesus pratica e ensina-nos os verdadeiros caminhos da misericórdia.

– Conta-nos a parábola dos dois devedores, um dos quais, depois de ter sido perdoado de uma avultada quantia, não foi capaz de perdoar uma pequena dívida;

– A parábola do amor gratuito, no exemplo do bom samaritano que, sem qualquer obrigação humana, transtorna a sua vida e investe no socorro ao infeliz assaltado pelos ladrões;

– nas parábolas da misericórdia (cap. XV de S. Lucas), com especial relevo para a do filho pródigo. Aí aprendemos que a maior alegria de Deus é perdoar os nossos pecados;

– na Cruz tenta desculpar e pedir perdão ao Pai para os que O maltratam e lhe dão a morte, «porque não sabem o que fazem»; e oferece prontamente o perdão a Dimas, o bom ladrão.

– Uma vez ressuscitado, distribui generosamente a misericórdia por todos s que a querem acolher. Ela é manifestada de diversos modos

 

a) A paz. «Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa [...],veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes: «”A paz esteja convosco”.»

Os Apóstolos refugiados no Cenáculo no vivem em paz, porque lhes falta Jesus Cristo. Por isso, estão mergulhados na tristeza, bem como os fugitivos de Emaús; e, por isso, estão tristes. «Alegraram-se ao ver o Senhor.»

A alegria que o Senhor nos promete não é a de animal são, a de quem satisfaz todos os caprichos dos sentidos, mas a união com a vontade de Deus que traz necessariamente a paz.

O Evangelho diz-nos significativamente que estão com as janelas fechadas. É um facto e um símbolo: estão sem esperança e tentam impedir a entrada de alguém. Jesus vence este obstáculo.

Refugiaram-se ali, com a segurança possível, por medo dos judeus. A cidade está muito agitada, depois de tudo o que aconteceu. O medo, a insegurança e a falta de paz são inseparáveis.

Por isso, Jesus Ressuscitado oferece-lhes misericordiosamente este dom, no primeiro momento do encontro. 

 

b) O perdão dos pecados. «soprou sobre eles e disse lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.»

A misericórdia divina exige como condição a conversão pessoal, o esforço para mudar de vida. Recusar-se a isso é não aceitar a misericórdia do Senhor. O filho pródigo muda de vida; o rico avarento é posto de parte porque tem um coração insensível às dores alheias.

Converter-se é voltar as costas ao descaminho de antes e voltar-se para Deus. Ele pede-nos a boa vontade de lutarmos e recomeçarmos sempre, sem desânimo.

As muitas práticas que Ele sugere a santa Faustina são outros tantos meios para manifestarmos esta boa vontade:

– a Imagem da Misericórdia Divina,

– o Terço da Misericórdia,

– a Festa da Misericórdia. "Por todo o mundo, o segundo Domingo da Páscoa irá receber o nome de Domingo da Divina Misericórdia, um convite perene para os cristãos do mundo enfrentarem, com confiança na divina benevolência, as dificuldades e desafios que a humanidade irá experimentar nos anos que virão" (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Decreto de 23 de Maio de 2000).

– a Novena e

– a Oração das 3 horas da tarde – a hora da Sua morte.

Esses meios especiais são, segundo os devotos, um acréscimo aos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação que foram dados à Igreja.

 

c) A ajuda fraterna. «Disseram lhe os outros discípulos: “Vimos o Senhor”.»

O Senhor recomenda-nos: «Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36).

Os Apóstolos ficaram profundamente marcados pelo exercício da misericórdia, manifestada na ajuda fraterna.

– Os dois discípulos de Emaús correm, de noite, da sua casa para Jerusalém, pois querem ajudar na fé na Ressurreição de Jesus os que ficaram no Cenáculo;

– os que estão com Tomé fazem esforços para o convencer da verdade da Ressurreição.

– Toda a evangelização a que se vão entregar depois do Pentecostes é um exercício constante de misericórdia para com todas as pessoas de boa vontade: Enfrentam perigos e ameaças, sofrimentos físicos e calúnias para ajudar as outras pessoas. 

A expressão máxima da misericórdia de Jesus é a Sua entrega a cada um de nós no Sacramento da Eucaristia, no qual se entrega a cada um de nós.

Invoquemos Nossa Senhora, a quem rezamos tantas vezes como Mãe d Misericórdia, Mãe de Jesus misericordioso. Tenhamos especial devoção à Salve Rainha.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Durante o Jubileu do ano 2000, o servo de Deus João Paulo II estabeleceu que em toda a Igreja o Domingo depois da Páscoa, além de ser Domingo in Albis, fosse denominado também Domingo da Misericórdia Divina. Isto aconteceu em coincidência com a canonização de Faustina Kowalska, humilde Irmã polaca, nascida em 1905 e falecida em 1938, mensageira zelosa de Jesus Misericordioso. Na realidade a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus, o rosto com o qual Ele se revelou na Antiga Aliança e plenamente em Jesus Cristo, encarnação do Amor criador e redentor. Este amor de misericórdia ilumina também o rosto da Igreja, e manifesta-se quer mediante os Sacramentos, em particular o da Reconciliação, quer com as obras de caridade, comunitárias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada por amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10). Da misericórdia divina, que pacifica o coração, brota depois a paz autêntica no mundo, a paz entre os povos, culturas e religiões diversas.

Como a Irmã Faustina, João Paulo II fez-se por sua vez apóstolo da Misericórdia Divina. Na noite do inesquecível sábado, 2 de Abril de 2005, quando fechou os olhos para este mundo, era precisamente a vigília do segundo Domingo de Páscoa, e muitos notaram a singular coincidência, que unia em si a dimensão mariana o primeiro sábado do mês e a da Misericórdia Divina. De facto, o seu longo e multiforme pontificado tem aqui o seu ápice; toda a sua missão ao serviço da verdade sobre Deus e sobre o homem e da paz no mundo resume-se neste anúncio, como ele mesmo disse em Cracóvia-Lagiewniki em 2002: "Fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos". A sua mensagem, como a de Santa Faustina, reconduz portanto ao rosto de Cristo, revelação suprema da misericórdia de Deus. Contemplar constantemente aquele Rosto: esta é a herança que ele nos deixou, e que nós com alegria acolhemos e fazemos nossa.

Papa Bento XVI, Regina Caeli, Domingo, 30 de Março de 2008

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos e irmãs, com plena confiança

na  misericórdia infinita do nosso Deus e Senhor,

pedindo-Lhe que atenda as nossas humildes preces.

Rezemos (cantando):

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

1.     Para que o Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos

anunciem sempre o amor misericordioso de Deus,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

2.     Pelos sacerdotes que se dedicam generosamente

a administrar o Sacramento da Reconciliação,

instituído para fazer chegar até nós a misericórdia,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

3.     Pelos que entregam toda a sua vida na Igreja

para anunciar e difundir a misericórdia de Deus,

sem esperar por qualquer recompensa humana,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

4.     Para que todos e cada um de nós aqui presentes,

sejamos testemunhas desta misericórdia

na família, no trabalho em todos os outros lugares,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

5.     Para que todas as pessoas afastadas de Deus

acolham a mensagem da misericórdia divina,

e experimentem a alegria e a paz duma vida nova,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

6.     Para que as pessoas generosamente empenhadas

na acção da Igreja junto dos mais carenciados

tornem visível o rosto misericordioso do Pai,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

7.     Para que as almas de todos os fieis defuntos

pela misericórdia de Deus descansem em paz

e intercedam por nós junto da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

Senhor, que nos ofereceis, como dom precioso,

a Vossa infinita misericórdia para nos salvarmos:

ajudai-nos a acolhê-la com generosa gratidão,

para Vos contemplarmos eternamente no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo. 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Cristo ressuscitado reuniu-nos aqui para celebrar a Páscoa semanal, o encontro dos cristão no primeiro dia a Semana, chamado Dia do Senhor.

Como no caminho de Emaús, explicou-nos as Escrituras em tudo o que se refere a Ele, único Salvador do mundo.

Vai agora realizar o mesmo gesto da Última Ceia, transubstanciando o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, para nosso alimento.

Participemos, agradecidos, neste grande mistério da nossa fé.

 

Cântico do ofertório: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A paz é uma saudação evangélica. Jesus Cristo dirigiu-a aos Apóstolos na tarde do Domingo de Páscoa e oito dias depois.

O Senhor deseja que ela reine entre todos nós. Com a disposição de realizarmos a Sua divina vontade,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Como na sagrada Comunhão recebemos o Corpo e Sangue do Senhor, só deve aproximar-se da mesa eucarística quem estiver na graça de Deus, em amizade com o Senhor.

Seguindo o conselho de S. Paulo aos fiéis de Corinto, examinemo-nos cuidadosamente se estamos em condições de poder comungar: em graça, com fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês, acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor envia-nos agora como arautos da Sua Divina Misericórdia. Para nos desempenharmos convenientemente desta missão, temos de começar pelo testemunho da nossa vida, lembrando as palavras de Jesus no Sermão da Montanha: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.»

 

Cântico final: Cristo ressuscitou vencedor, M. Carneiro, NRMS 97

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 2-V: Pequenas conversões: a oração.

Act 4, 23-31 / Jo 3, 1-8

Disse Jesus a Nicodemus: Não te admires de eu te ter dito: Vós tendes de nascer de novo.

Jesus fala de um novo nascimento: pela água e pelo Espírito santo (Ev.). Com efeito, a pessoa que é baptizada torna-se um filho de Deus adoptivo, que participa da sua natureza divina, que é membro de Cristo e seu co-herdeiro, que é templo do Espírito Santo (CIC, 1265).

Este novo nascimento exige uma nova vida que, no dia a dia, se traduz por pequenas conversões. Entre elas está um maior recurso à oração: «depois de terem rezado todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Leit.).

 

3ª Feira, 3-V: S. Filipe e S. Tiago: A Jesus por Maria.

1 Cor 15, 1-8 / Jo 14, 6-14

Há tanto tempo que estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me vê, vê o Pai.

«Toda a vida de Jesus é revelação do Pai: as suas palavras e actos, os seus silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e de falar. Jesus pode dizer: ‘Quem me vê, vê o Pai’ (Ev.)» (CIC, 516). E chegaremos à contemplação de Cristo através da meditação dos mistérios do Santo Rosário, neste mês de Maria.

Aproximar-nos-emos igualmente de Cristo através do Evangelho: «recordo-vos o Evangelho que vos anunciei «Leit.). O Apóstolos Filipe e Tiago foram fiéis ao Evangelho e procuraram transmiti-lo na Ásia Menor e em Jerusalém.

 

4ª Feira, 4-V: As palavras de vida.

Act 5, 17-26 / Jo 3, 16-21

O Anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou-os par fora e disse-lhes: Ide anunciar ao povo todas estas palavras de vida.

Deus não permite que se perca uma só das suas palavras, porque são palavras de vida (Leit.). Também nós não podemos perder um só dos seus ensinamentos, que constituem um autêntico tesouro, uma fonte de conselhos e exemplos para os diferentes momentos da nossa actuação.

Uma dessas palavras de vida é o amor que Deus nos tem: «Este amor de Deus chegará ao mais precioso de todos os dons: ‘Deus amou de tal modo o mundo, que lhe entregou o seu Filho único’ (Ev.)» (CIC, 219). Guardemos cuidadosamente este dom.

 

5ª Feira, 5-V: Fé e secularismo.

Act 5, 27-33 / Jo 3, 31-36

Já vos demos ordem formal de não ensinar em nome de Jesus. E vós enchestes Jerusalém da nova doutrina.

Também na época actual a cultura secularizante pretende impor-nos o mesmo silêncio. Quer construir uma ordem temporal sem Deus, que é o seu único fundamento. E assim acaba-se por cair nos mais ferozes ataques à dignidade humana: o aborto, a eutanásia, etc.: «Quem se recusa a crer no Filho, não terá a vida» (Ev.).

A nossa reacção há-de ser como a dos Apóstolos: «Deve obedecer-se antes a Deus de que aos homens» (Leit.). Todas as situações da nossa vida têm que ver com Deus e em todas elas não podemos prescindir da nossa fé.

 

6ª Feira, 6-V: A libertação das escravidões.

Act 5, 34-42 / Jo 6, 1-15

Então Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos convivas. E fez o mesmo com os peixes, tantos quantos eles quiseram.

«Ao libertar os homens dos males terrenos – a fome (Ev.) – Jesus realizou sinais messiânicos; no entanto, Ele não veio abolir todos os males deste mundo, mas libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado» (CIC, 549). É bom que o corpo esteja saudável, mas o melhor é que a alma esteja de boa saúde espiritual.

Assim se explica que os Apóstolos aceitem os castigos, cheios de alegria, «por causa do nome de Jesus» (Leit.). Nª Senhora trouxe-nos Jesus, o Salvador do mundo, para nos libertar das escravidões do pecado.

 

Sábado, 7-V: esperança no meio das dificuldades.

Act 6, 1-7 / Jo 6, 16-21

Como soprava intensa ventania, o mar ia-se encrespando. E tiveram medo. Mas Jesus disse-lhes: Sou eu, não temais.

Apesar de terem visto muitos milagres, realizados pelo Senhor, a fé dos Apóstolos fraqueja perante uma tempestade no lago (Ev.). Também a falta de atenção das viúvas do grupo aramaico levantou problemas na primitiva comunidade (Leit.).

Como Cristo fez a promessa de estar sempre na Igreja, nada devemos temer, porque Ele ajudará a encontrar soluções adequadas para os grandes problemas (a tempestade) e os pequenos problemas (a atenção das viúvas). Temos que confiar sempre no Senhor, porque está muito atento aos nossos problemas pessoais.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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