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A GRANDE FESTA

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

Diz-nos o Evangelho que quando o Senhor ressuscitado subiu ao Céu, os discípulos regressaram à cidade cheios de alegria (Lc 24, 52) Não deviam voltar cheios de saudade? Não. Como diz um fado, nem sempre a saudade é triste. Se eu sei que em breve me reunirei para sempre com quem amo, saudades tenho, mas com que alegria as sinto!

De saudade e festa é a vida do cristão. Se falta a primeira, não amo Cristo; se falta a segunda, não O conheço. Desconheço o Seu amor por mim, por nós, por cada um, pois Ele não quer ser feliz sem a companhia de todos os que o Pai lhe confiou.

A certeza absoluta desse amor é a alegria pascal e o motivo da toda a evangelização: como havíamos de calar-nos, se por todos Nosso Senhor morreu e ressuscitou e subiu ao Céu? Ainda que alguns não queiram acreditar em tão grande sorte, como podemos ocultá-la aos nossos irmãos?

No Domingo da Ressurreição os próprios Apóstolos duvidaram de se encontrarem novamente com Cristo, «por causa da alegria», diz S. Lucas (24, 41), porque era «bom demais», mas tiveram de render-se à evidência, e nunca mais se calaram.

«A ressurreição é um acontecimento dentro da história, que, todavia rompe o âmbito da história e a ultrapassa», diz Bento XVI. E por rompê-la e ultrapassá-la é que é uma festa, a grande festa da Humanidade. Em Jesus ressuscitado os homens, finalmente, «entram em comunhão com Deus e entre si; e, deste modo, podem viver definitivamente na plenitude da vida indestrutível».* Aliás, porque haveria o Criador de fazer-nos sonhar com a eterna felicidade, se não fosse porque no-la daria muito além do que sonhamos?

Após a Ascensão, os discípulos voltaram a Jerusalém cheios de alegria, porque, se a Ressurreição representava a vitória de Cristo sobre a morte, só a Ascensão lhes garantia que essa vitória era nossa também: nenhuma oferta se consuma enquanto não é aceite; e a oferta redentora de Cristo fora aceite definitivamente pelo Pai. O nosso destino ficava unido para sempre ao próprio destino do Senhor Jesus.

 

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* «Jesus de Nazaré II», pág. 222.                                                                                          

                                                                                                                  

 


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