aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

 

FÁTIMA

 

CONTINUA O DIFERENDO

ENTRE MISERICÓRDIAS E CEP

 

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP), reunida em assembleia-geral, em 27 de Novembro passado, colocou como condição para o diálogo com a Conferência Episcopal (CEP) a “revogação, expressa ou tácita”, do Decreto Geral dos bispos sobre o estatuto canónico daquelas instituições.

 

Segundo o Decreto Geral, publicado na revista «Lumen», órgão oficial da CEP, as Misericórdias portuguesas “têm de prestar contas de administração todos os anos à autoridade eclesiástica”, admitindo-se que a mesma possa “remover os dirigentes das Misericórdias”.

Na sua última assembleia plenária, a CEP anunciara ter aprovado as “Bases de um Compromisso” com a União das Misericórdias para tentar concluir o diferendo que opõe as duas partes (ver neste número Secção “Documentação”).

Posteriormente, a UMP e as Santas Casas de Misericórdia de Portugal manifestavam a sua disponibilidade para subscrever esse acordo, “logo que a CEP crie as condições necessárias para que as Bases do Compromisso venham a produzir inequívocos efeitos na Ordem Jurídica Canónica, nomeadamente perante terceiros”.

Reunida em Fátima, a UMP repetiu esta posição, recomendando ao presidente do Secretariado Nacional que “o estabelecimento das bases de qualquer acordo com a CEP” seja “condicionado à revogação, expressa ou tácita, do aludido Decreto Geral, e formalizado por um novo Decreto Geral ou diploma de equivalente valor legislativo”.

O diferendo surgiu depois de os Bispos publicarem um Decreto Geral sobre as Misericórdias, afirmando que as mesmas são “associações públicas de fiéis”, subordinadas, por isso, às autoridades da Igreja. O texto foi aprovado pela Congregação para os Bispos, da Santa Sé, no mês de Junho passado.

O entendimento do episcopado tem sido contestado por vários dirigentes da UMP, para quem estas instituições deveriam ser consideradas como “associações privadas de fiéis”, à luz do Código de Direito Canónico de 1983.

As associações privadas de fiéis são as que resultam da livre iniciativa destes; embora gozando de maior autonomia que as públicas, as associações privadas também estão sujeitas à vigilância da autoridade eclesiástica.

Actualmente a UMP integra e coordena aproximadamente cerca de 400 Santas Casas de Misericórdia, em Portugal, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, e apoia a fundação e recuperação de Misericórdias nos Países de Língua Portuguesa (Angola, São Tomé, Moçambique e Timor-Leste) e ainda nas comunidades de emigrantes.

 

 

PORTO

 

FALECEU

D. JÚLIO TAVARES REBIMBAS

 

D. Júlio Tavares Rebimbas, antigo Bispo do Algarve, depois auxiliar do Patriarca de Lisboa, primeiro prelado de Viana do Castelo e finalmente arcebispo-bispo do Porto, faleceu no passado dia 6 de Dezembro, aos 88 anos. O funeral celebrou-se no dia seguinte, na Sé, seguindo o cortejo fúnebre para Murtosa (diocese de Aveiro), terra natal do prelado, onde ficou sepultado em jazigo de família.

 

“Em todos estes relevantes cargos eclesiais, o Senhor D. Júlio foi um dedicado Pastor do Povo de Deus, concretizando o espírito e as determinações do Concílio Vaticano II, quer nas iniciativas que tomou quer no seu modo cordial e próximo de estar e proceder com todos", escreve o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, em texto publicado no site da diocese.

"Foi constante amigo do seu clero e deixou em todas as Dioceses que serviu um rasto de gratidão e simpatia, inteiramente merecidas”, acrescenta.

Depois de recordar que D. Júlio Tavares Rebimbas residia na Casa Diocesana de Vilar, "estrutura de grande importância para a actividade pastoral, que edificou e bem denota o seu empenho e clarividência", D. Manuel Clemente sublinha que a "Diocese do Porto está profundamente grata" ao arcebispo-bispo, "guarda no coração o seu testemunho e pede a Deus a maior recompensa dos seus muitos e generosos trabalhos”.

D. Júlio Tavares Rebimbas nasceu na Murtosa em 21 de Janeiro de 1922. Ordenado sacerdote em 1945 para a recém criada diocese de Aveiro, onde chegou a ser pároco de Ílhavo e Vigário Geral, recebeu a ordenação episcopal em 1965, para bispo do Algarve, participando no Concílio Vaticano II. Nomeado arcebispo de Mitilene e auxiliar de Lisboa em 1972, em 1977 recebeu a responsabilidade de se tornar o primeiro bispo de Viana do Castelo.

Em 1982 foi nomeado arcebispo-bispo do Porto, tendo recebido João Paulo II na sua estadia na cidade; resignou em 1997, aos 75 anos, passando a viver na Casa Diocesana do Vilar, por ele mandada edificar.

 

 

BRAGA

 

PROJECTO “DOURO RELIGIOSO”

 

O “Inventário do Património Religioso do Douro”, apresentado no passado dia 17 de Janeiro, já identificou 92 imóveis considerados “relevantes para serem visitados e conhecidos” em Lamego, Bragança, Porto e Vila Real, as quatro dioceses envolvidas.

 

O levantamento nos municípios destes territórios levou ainda à inventariação de 313 objectos móveis (esculturas, pinturas e altares), sendo a grande maioria (276) em suporte de madeira.

“Foi feito um levantamento de tudo quanto é relevante para ser visitado e ser conhecido. Estas informações irão integrar guias turísticos do Douro em suporte áudio e texto. Haverá ainda panfletos sobre cada um dos monumentos identificados como sendo de relevância para a cultura, para a arte e para o turismo”, disse o presidente da Cooperativa Turel – Turismo Cultural e Religioso, Cón. José Paulo Abreu, de Braga.

Em conferência de imprensa, o sacerdote referiu que serão estabelecidas três rotas: a das Vistas Maravilhosas (capelas com miradouros), a do Douro Maravilhoso (lendas e tradições) e o Douro a Sete Chaves, relativa aos monumentos que habitualmente não estão abertos ao público.

O "Inventário do Património Religioso do Douro" está inserido no Projecto “Douro Religioso – Conhecer, Visitar, Reconhecer”.

A apresentação juntou, em parceria, a Turel, a Diocese de Lamego, o Turismo do Porto e Norte de Portugal e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.

A sessão decorreu na embarcação "Milénio do Douro" da empresa Douro Azul, no Cais de Gaia.

Este projecto, que representa um investimento de 378 mil euros, iniciou-se em Outubro de 2010 e termina em Agosto/Setembro deste ano, com a realização de um seminário para fazer um balanço dos resultados de inventariação, sinalização e divulgação.

“Temos ainda sublinhado outro tipo de património que é a música, estando a decorrer ciclos de concertos que se iniciaram na fase das vindimas, prosseguiram na época do Natal e Ano Novo e terminam na Páscoa”, disse o Cón. José Paulo Abreu.

 

 

FÁTIMA

 

APOSTOLADO MUNDIAL DE FÁTIMA,

ASSOCIAÇÃO PÚBLICA INTERNACIONAL

 

O Conselho Pontifício para os Leigos confirmou o Apostolado Mundial de Fátima (World Apostolate of Fatima – W.A.F.) – antigo “Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima” – como associação pública internacional de fiéis, revelou o Santuário de Fátima.

 

Mons. Josef Clemens, secretário do Conselho Pontifício para os Leigos, em carta dirigida ao presidente da associação, sublinhou que “a aprovação definitiva dos Estatutos marca um momento novo para o Apostolado Mundial de Fátima e é nossa esperança que isso traga o entusiasmo da nova evangelização às vossas actividades”.

O decreto de aprovação destaca que “os membros do Apostolado Mundial de Fátima, espalhados por numerosos países de todo o mundo, comprometem-se a ser testemunhas da Fé Católica nas suas famílias, no trabalho, nas paróquias e comunidades, participando assim na tarefa da «Nova Evangelização»”.

Nas palavras de Nuno Prazeres, Director do Secretariado Internacional, “a associação tem efectivamente desenvolvido nos últimos anos uma série de iniciativas para melhor responder a este compromisso”.

“O Apostolado Mundial de Fátima está activamente presente em mais de 60 países e conta com milhares de associados que se consagram ao Coração Imaculado de Maria e se comprometem a oferecer os sacrifícios diários de acordo com os seus deveres cristãos, a rezar o Terço todos os dias, a usar o escapulário de Nossa Senhora do Carmo e a praticar a devoção dos Cinco Primeiros Sábados do mês, tal como foi pedido por Nossa Senhora”, acrescenta.

Desde Julho de 2009, o Secretariado Internacional do Apostolado Mundial de Fátima coordena a recitação do Rosário, uma vez por mês, na Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima.

Este Rosário, às 18h30, é oferecido pelas intenções dos membros da associação, de modo particular, pelo respeito da vida humana, desde a concepção à morte natural.

 

O Apostolado Mundial de Fátima é uma Associação Pública Internacional de Fiéis da Igreja Católica, com Decreto de aprovação emitido pelo Conselho Pontifício para os Leigos no dia 7 de Outubro de 2005, Festa de Nossa Senhora do Rosário.

Fundado em 1947, nos Estados Unidos da América, pelas mãos do Padre Harold Colgan e de John Haffert, nasceu com o nome de Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima. Cresceu rapidamente e instalou-se pelo mundo inteiro, transformando-se num grande movimento internacional. Conta com milhões de membros e vários centros nacionais.

Tem como objectivos principais a promoção da autêntica doutrina da Igreja Católica, a adesão aos princípios básicos do Evangelho, a santificação pessoal dos membros através do fiel cumprimento da mensagem de Nossa Senhora de Fátima e a promoção do bem comum, através da difusão desta mesma mensagem (Estatutos, art. II, 1-3).

A sede internacional do Apostolado Mundial de Fátima está situada em Fátima, na Domus Pacis (Casa da Paz).

Outras informações em www.worldfatima.com.

 

 

LISBOA

 

REABRE IGREJA

DE S.VICENTE DE FORA

 

A igreja do Mosteiro de São Vicente de Fora reabriu ao público no dia de S. Vicente, 22 de Janeiro passado, numa cerimónia presidida pelo Cardeal Patriarca, D. José Policarpo.

 

“Quisemos que a reabertura desta Igreja, dedicada a São Vicente, Padroeiro da Diocese e protector da Cidade de Lisboa, se realizasse na solenidade litúrgica do Mártir São Vicente. Esta circunstância permite um gesto de grande significado histórico: venerar, nesta Igreja, as relíquias do Santo Mártir de Saragoça”, disse o Patriarca de Lisboa.

Dedicado ao mártir São Vicente, o mosteiro erguido no século XII e depois reconstruído mais tarde, situava-se longe da povoação do Castelo, por isso lhe chamaram São Vicente de Fora.

Actualmente o mosteiro está entregue ao Patriarcado de Lisboa, sendo propriedade do Estado português.

O edifício alberga a Cúria de Lisboa, com os serviços pastorais e demais serviços necessários para o funcionamento de uma diocese.

O Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa tem aí a sede e dispõe de um núcleo museológico: ao lado da igreja, pode ver-se uma exposição sobre as fábulas de La Fontaine – em azulejo –, uma exposição arqueológica com os achados no aterro que se encontrava nos terrenos do mosteiro e ainda algumas peças encontradas na vida do mosteiro.

“A exposição mais emblemática diz respeito ao espólio do Patriarca de Lisboa: numa linha contínua histórica, os visitantes podem saber a história da Igreja inserida na história mundial e nacional”, assinala um comunicado do Patriarcado.

Em toda a exposição encontram-se objectos pertencentes aos Patriarcas de Lisboa, desde o início da entrega do título até aos momentos actuais.

A igreja do Mosteiro de São Vicente de Fora, que começou a ser construída em 1582, foi alvo de obras depois de se ter registado o desprendimento de estuques do tecto e de troços de alvenaria no Verão de 2008.

“O Patriarcado, com o acompanhamento técnico do Estado, empenhou-se na solução dos problemas de fundo que danificavam a igreja, originados por infiltrações de água e de outros agentes que, em resultado de inadequadas intervenções e ausência de manutenção, tinham danificado gravemente o Templo e punham em causa a segurança dos utilizadores”, diz o comunicado.

 

 

PORTO

 

MEDALHA DA CIDADE

PARA D. MANUEL CLEMENTE

 

A Câmara Municipal aprovou no passado dia 25 de Janeiro a atribuição da «Medalha Municipal de Honra da Cidade» a D. Manuel Clemente, bispo da diocese, distinção que vai ser entregue nas cerimónias de comemoração do 25 de Abril.

 

Segundo o regulamento da autarquia, esta Medalha destina-se a galardoar “quem tenha prestado à Cidade do Porto serviços ou concedido benefícios de excepcional relevância ou se tenha distinguido, pelo seu valor, em qualquer ramo da actividade humana (ou ainda por relevante acto de coragem ou abnegação)”.

A atribuição da «Medalha de Honra da Cidade» confere ao agraciado singular título de «Cidadão do Porto».

D. Manuel Clemente, bispo do Porto desde 2007 e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, foi o vencedor do «Prémio Pessoa» 2009.

O prelado nasceu em Torres Vedras a 16 de Julho de 1948, é licenciado em História e Teologia e doutorado em Teologia Histórica.

Em 1975 começou a leccionar na Universidade Católica Portuguesa, tornando-se depois director do Centro de Estudos de História Religiosa dessa instituição.

Em Junho de 1979 foi ordenado padre; 20 anos depois, em Novembro de 1999, foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa e em de Janeiro de 2000, ordenado na igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos).

 

 

BRAGANÇA

 

INVENTÁRIO DO

PATRIMÓNIO CULTURAL

 

Um trabalho de inventário, levado a cabo pela Associação Terras Quentes, já permitiu identificar 11.275 peças de arte sacra com interesse histórico, artístico e religioso para a Diocese de Bragança-Miranda.

 

Os resultados da primeira fase dos trabalhos foram apresentados no Sábado, dia 22 de Janeiro, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.

A cerimónia contou com a presença do bispo de Bragança-Miranda, D. António Moreira, que chamou a atenção para a urgência e importância deste inventário.

“Os bens da Igreja são bens de toda a população. São resultado do esforço e comparticipação de muita gente da nossa região. É importante que fique registado”, considerou o bispo da diocese.

A Associação Terras Quentes, que se dedica à defesa do património arqueológico, iniciou este trabalho em 2004, com um investimento de cerca de 560 mil euros, comparticipado em 55 por cento pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Conta ainda com o apoio de diversas autarquias locais e de instituições educativas, como a Universidade do Porto e o Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa.

A título de exemplo, este projecto já permitiu a recuperação de uma imagem, no valor de várias dezenas de milhares de euros, que estava num antiquário em Lisboa. A peça pertencia à paróquia de São Pedro, em Macedo de Cavaleiros.

 

 

LISBOA

 

EMPRESÁRIOS CRISTÃOS

QUEREM TRAVAR CRISE

 

A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) assinou no passado dia 26 de Janeiro um protocolo com a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), comprometendo os seus membros a serem mais pontuais no pagamento a fornecedores.

 

“É um compromisso da sociedade civil, de empresas para empresas, e ficamos muito felizes pela adesão da CIP, que tem sob associação neste momento quase 200 mil empresas”, realça António Pinto Leite, presidente da ACEGE.

A medida pretende contribuir para uma maior estabilidade económica nas empresas e, consequentemente, travar a marcha do desemprego no país.

Os líderes das duas associações estiveram reunidos na Igreja de S. Nicolau, em Lisboa, para um almoço/debate promovido pela ACEGE, onde reflectiram sobre “o papel das empresas no combate à pobreza e ao desemprego”.

“Pagar a horas é o mínimo ético de um empresário e, em particular, de um empresário cristão”, sublinhou o líder da ACEGE.

O dano social mais visível é “o desemprego estrutural que afecta o país, e que as empresas têm a responsabilidade de combater”, acrescentou António Saraiva, presidente da CIP.

Para aquele responsável, o combate deve ser feito em duas frentes: criando riqueza e desenvolvendo o mercado de trabalho.

O presidente da CIP considera mais urgente que a própria sociedade, empresas e cidadãos, dêem “sinais positivos de cidadania” e mostrem que querem lutar para levantar a economia e o país.

“Lamentavelmente, há quem esteja habituado a estar no desemprego” avisa, desafiando as populações a serem mais proactivas e menos dependentes dos subsídios estatais.

 

 

BEJA

 

VOLUNTARIADO DA

VIDA CONSAGRADA

 

No âmbito do Ano Europeu do Voluntariado, o bispo de Beja, D. António Vitalino, recorda a importância daqueles que consagraram a sua vida a Deus, definindo-os como “voluntários do Reino de Jesus Cristo”.

 

“Uma diocese sem a vida destes homens e mulheres é bem diferente daquelas cuja presença é significativa. Não esqueçamos estes voluntários consagrados, profissionais a tempo inteiro da realização plena do ser humano”, sublinha o prelado, na sua habitual nota semanal para a Rádio Pax de Beja.

Retomando o tema do Dia do Consagrado (2 de Fevereiro), D. António Vitalino defende que “a sociedade civil e o Estado, com dinheiro, conseguem fazer progredir um país”, mas sem a participação das comunidades religiosas “nunca o progresso será integral”.

O bispo de Beja deixa ainda algumas sugestões para viver este Ano Europeu do Voluntariado: “Precisamos de fortalecer os laços da família, do convívio fraterno, da atenção aos outros, da ajuda gratuita, da descoberta da dignidade do outro”, conclui.

 

 

LISBOA

 

ESTATIZAÇÃO CONTRA

LIBERDADE DE ENSINO

 

O Reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, afirmou que actualmente se assiste “a uma forte tendência para a estatização do ensino, que contraria a liberdade de ensino consagrada na Constituição”. 

 

Braga da Cruz falava na sessão académica do Dia Nacional da UCP, 4 de Fevereiro passado, realizada naquele estabelecimento de ensino, em Lisboa.

O Reitor realçou ser objectivo da Universidade "chamar a atenção para a doutrina da Igreja sobre a educação, que não se coaduna nem com a defesa do primado da «escola pública», nem com o monopólio tendencial do Estado na educação”.

Segundo o Reitor da UCP, em Portugal existem "tentativas de diminuição do financiamento ao ensino particular e cooperativo, reduzindo desse modo a liberdade de escolha dos poucos que ainda a tinham, precisamente dos mais desfavorecidos, em vez de se avançar para a plena instauração da liberdade de ensino”.

O Estado, acrescentou, tem vindo a “colocar escolas e a oferecer cursos desnecessariamente, onde já existiam previamente iniciativas congéneres não estatais, estabelecendo com elas uma concorrência desleal pela desigualdade de propinas praticadas”.

Manuel Braga da Cruz considera que este “progressivo estrangulamento da iniciativa privada e social, numa área de tamanha importância económica, social e cultural, contraria quer o espírito europeu, que fez seu o princípio da subsidiariedade, quer as orientações da Comissão Europeia”.

Perante estes factos, adiantou o Reitor, é intenção da UCP "apresentar proximamente à Comissão Europeia uma exposição sobre as tendências crescentes que contrariam a livre concorrência entre instituições de ensino superior no Espaço Europeu”.

No seu discurso sobre as questões da educação, Manuel Braga da Cruz realçou que se impõe uma revisão “do sistema de financiamento do Ensino Superior, que deverá contar muito mais com a comparticipação dos alunos e suas famílias, através do aumento das propinas de quem pode, para elevar os apoios sociais a quem não pode”.

Este ano, o dia da UCP, celebrado a 6 de Fevereiro, é subordinado ao lema «Pelo primado da família na educação».

 

 

LISBOA

 

CARDEAL WALTER KASPER

E CELIBATO SACERDOTAL

 

O Cardeal alemão Walter Kasper, considera que os “tempos mudaram” desde que pediu um estudo sobre a necessidade do celibato obrigatório para os padres, em 1970, afirmando nunca ter pedido a abolição da prática da Igreja.

 

Walter Kasper, Presidente emérito do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, assinou nessa altura, tal como o actual Papa, Joseph Ratzinger, um memorando aos bispos alemães por um grupo de nove teólogos, entre eles Karl Rahner, Otto Semmelroth e Karl Lehmann, pedindo um estudo sobre a obrigatoriedade do celibato.

Em declarações à ECCLESIA, à margem das celebrações do dia nacional da UCP (4 de Fevereiro), o antigo membro da Cúria Romana esclarece que a intenção era “discutir” a questão, mas sem qualquer proposta de “abolir” essa disciplina eclesial.

“Entretanto, discutiu-se muito, houve três Sínodos mundiais que falaram do celibato e decidiu-se manter esta disciplina; eu próprio acredito que o celibato é um bem da Igreja”, assinala o cardeal Walter Kasper.

O Cardeal Kasper admite que a discussão “nunca está encerrada”, mas sublinha que a decisão da Igreja sobre esta matéria “está tomada” e que o actual Papa não pensa “mudar esta disciplina” do celibato obrigatório.

Walter Kasper esteve em Lisboa, para receber o doutoramento «honoris causa» outorgado pela Universidade Católica Portuguesa.

O Cardeal Kasper foi nomeado em 2001 pelo Papa João Paulo II para Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cargo que exerceu até Julho de 2010.

 

 

FÁTIMA

 

CAPELÃES DE PRISÕES

COM OU SEM ORDENADO

 

O responsável da Igreja Católica pela coordenação da assistência religiosa aos reclusos garantiu que não vai faltar apoio espiritual nas prisões, mesmo que os capelães não recebam qualquer remuneração por parte do Estado.

 

“Estamos, quer se receba, quer não se receba, porque vamos anunciar Jesus Cristo, encontrá-lo nos presos”, sublinhou o padre João Gonçalves, coordenador da Pastoral Penitenciária, à margem do VII Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, que decorreu em Fátima de 7 a 8 de Fevereiro passado.

Confrontado com esta questão pelos jornalistas presentes, o sacerdote da diocese de Aveiro precisou que “todas as prisões do país têm capelão”, apesar de “só sete ou oito estarem a receber um ordenado”.

“Não se pode dizer que sejamos assim um peso nas finanças do país”, disse o padre João Gonçalves.

Aquele responsável, que também desempenha a função de capelão no Estabelecimento Prisional de Aveiro, ressalva que os ordenados se justificam “por uma razão muito simples: há um direito que os reclusos têm em serem atendidos”.

A questão foi abordada ainda pelo presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo, o qual falou numa “atitude de renúncia”.

No encontro nacional, acrescenta o bispo auxiliar de Lisboa, abordou-se a possibilidade de “desligar o acompanhamento espiritual e religiosa da remuneração aos capelães”.

 

 

PÓVOA DE VARZIM

 

SANTUÁRIO EUCARÍSTICO

EM BALASAR

 

A cooperativa TUREL-TCR (Turismo Cultural e Religioso) está a promover um concurso arquitectónico destinado a projectar um Santuário dedicado à Santíssima Eucaristia na freguesia de Balasar, localidade intimamente ligada à vida da Beata Alexandrina (1904-1955).

 

Denominado «Arquitectura em Lugares Sagrados», o concurso conta com 130 alunos inscritos, divididos por 55 equipas de 8 universidades diferentes, revelou Varico Pereira, director técnico da TUREL.

Os trabalhos têm de ser entregues até ao próximo dia 20 de Maio.

A freguesia de Balasar (Póvoa de Varzim), no distrito do Porto e diocese de Braga, é conhecida por muitos católicos portugueses pelas peregrinações à casa e ao túmulo da Beata que ali viveu e morreu, elevada aos altares por João Paulo a 26 de Abril de 2004.

O Regulamento do concurso indica que os concorrentes devem ter em consideração “todo o espaço disponível para utilizar e quais as melhores soluções, não esquecendo os serviços de apoio necessários como sendo sanitários, parques de estacionamento e apoio para peregrinos”.

O edifício a concurso deverá ter capacidade para cerca de 2000 pessoas sentadas e tem de conjugar o Santuário com a casa da beata Alexandrina.

O objectivo desta iniciativa é fomentar, entre estudantes de arquitectura, “a revitalização e valorização da construção de edifícios e espaços sagrados e tomar consciência das potencialidades que estes locais têm para cativar as pessoas”.

Serão premiados os melhores trabalhos para um edifício religioso concreto, “respeitando todas as condicionantes legais e regulamentares aplicáveis ao tipo de edificação”.

 

 

LISBOA

 

PRIMEIRA LICENCIATURA EM

DIREITO CANÓNICO

 

A cerimónia de entrega de diplomas aos novos Licenciados em Direito Canónico, pelo Instituto Superior de Direito Canónico da Universidade Católica Portuguesa, decorreu no passado dia 9 de Fevereiro na sede daquela instituição.

Este grupo é o primeiro que obtém a Licenciatura em Direito Canónico, após a frequência do Curso no Instituto Superior de Direito Canónico, de 2006 a 2009.

No ano em que se comemora o centenário da “Lei da Separação”, é uma oportunidade para se promover a liberdade religiosa e os estudos de direito eclesiástico no nosso país, nomeadamente os referentes às relações Igreja-Estado.

A oração de sapiência foi proferida pelo cónego João Seabra sobre o tema: «Reino Fidelíssimo e República Laica: vicissitudes da liberdade religiosa»

A Universidade Católica Portuguesa pondera a possibilidade de iniciar no ano lectivo de 2011/12 o segundo ciclo da licenciatura em Direito Canónico, que se prolonga durante seis semestres.

A conclusão do curso proporciona a candidatura a cúrias diocesanas e de institutos de vida consagrada, tribunais eclesiásticos e assessoria em instituições eclesiais e sociais, oferecendo também a oportunidade de construir uma carreira no domínio do ensino ou da investigação.

Os interessados, que devem ter completado as cadeiras do primeiro ciclo, podem enviar a pré-inscrição até 28 de Fevereiro.

O Instituto Superior de Direito Canónico, autorizado pelo Vaticano em Dezembro de 2004, tem como finalidade promover a investigação científica e docência universitária, editar publicações e prestar apoio às estruturas da Igreja Católica.

 

 

SANTARÉM

 

300 ANOS DA IGREJA CATEDRAL

 

Santarém vai assinalar a 21 de Maio o terceiro centenário da sua catedral com a realização de um Colóquio.

 

A comemoração dos 300 anos da Sé, antiga igreja do Colégio dos Jesuítas, e do Seminário de Santarém, vai beneficiar da conclusão do inventário dos seus bens, salientou o padre Joaquim Ganhão, director da Comissão Diocesana para os Bens Culturais.

A iniciativa conta com a participação de especialistas no campo da talha, pintura e escultura, prevendo-se também intervenções sobre a presença da Companhia de Jesus e do Seminário de Santarém.

“A nossa catedral é uma espécie de elogio da beleza da Igreja e da fé”, refere o sacerdote, realçando que ela é uma “das mais jovens do país”.

O padre Joaquim Ganhão deseja que a sessão se realize quando já estiverem a serem concretizados os trabalhos de requalificação da igreja e dos espaços onde vão ser instalados o museu da Sé e o arquivo diocesano.

O projecto da Rota das Catedrais, em que se enquadram estas obras, resulta de um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Igreja Católica com o objectivo de requalificar aqueles edifícios.

 

Inventariação do património

 

A diocese de Santarém iniciou a inventariação do seu património mas ainda não sabe quando vai terminá-la. O trabalho retoma um estudo realizado antes da criação da diocese, em 1975, explicou o padre Joaquim Ganhão, adiantando que a actual investigação tem proporcionado uma “ideia muito mais precisa do património das paróquias e das comunidades”.

“Por vezes chegamos a uma paróquia e está lá um baú que nunca ninguém teve curiosidade de ver, e ao abrir-se encontram-se surpresas”, afirma o responsável, que também salienta a dimensão pedagógica deste trabalho.

“Ao mesmo tempo que se vai fazendo o inventário, temos a oportunidade de sensibilizar para as boas práticas as pessoas que habitualmente manuseiam as peças e cuidam das igrejas”, refere.

O sacerdote prevê que o apuramento dos bens culturais da Vigararia de Santarém esteja concluído até ao fim de 2011, iniciando-se então a mesma pesquisa noutras zonas da diocese, um processo que qualifica de “quase milagroso” face aos recursos e “campos de ataque” atribuídos à Comissão.

O departamento integra uma técnica que quando executa trabalho de campo é auxiliada por voluntários locais, incluindo os párocos, tendo já sido equacionada a hipótese de abrir a inventariação a estudantes de arqueologia durante o seu período de férias.

 

 

LISBOA

 

BEATIFICAÇÃO DA

MADRE MARIA CLARA

 

A beatificação da Madre Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899) vai ter lugar a 21 de Maio, no Estádio do Restelo, Lisboa, anunciou a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, fundada pela futura Beata.

 

Segundo o comunicado oficial, “espera-se um significativo número de participantes, não só de Portugal, como delegações dos 14 países” onde se encontra a Congregação.

A escolha do Estádio do Restelo fica a dever-se ao seu espaço amplo, no qual as pessoas podem estar sentadas.

O presidente da celebração ainda não é conhecido, mas a irmã Fátima Martins adianta duas hipóteses: “D. José Policarpo ou o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato”.

«Maria Clara, um rosto de ternura e da misericórdia de Deus» é o lema escolhido para a celebração, que vai ser preparada com iniciativas de divulgação e formação sobre a futura Beata.

Nos próximos tempos será publicada uma obra sobre Madre Maria Clara e na celebração de 21 de Maio "será distribuído um opúsculo (30 a 40 páginas) sobre a vida e obra” da religiosa.

O ritual da beatificação inclui a leitura da Carta Apostólica e a “chamada procissão das relíquias”, que neste caso será “um osso da Madre Maria Clara”.

O processo conheceu o seu ponto culminante quando, no dia 10 de Dezembro de 2010, Bento XVI assinou o Decreto de aprovação do milagre atribuído à intercessão da Irmã Maria Clara, relativo à cura de uma católica espanhola, Georgina Troncoso Monteagudo, afectada por um grave problema de pele.

 

Madre Maria Clara

 

Libânia do Carmo Galvão Meixa de Moura Telles e Albuquerque nasceu na Amadora, em Lisboa, a 15 de Junho de 1843.

Recebeu o hábito de Capuchinha, em 1869, escolhendo o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.

A futura Beata foi enviada a Calais, França, a 10 de Fevereiro de 1870, para fazer o noviciado, na intenção de fundar, depois, em Portugal, uma nova Congregação.

Abriu a primeira comunidade em S. Patrício – Lisboa, no dia 3 de Maio de 1871 e, cinco anos depois, a 27 de Março de 1876, a Congregação foi aprovada pela Santa Sé.

A «Mãe Clara», como é popularmente conhecida, morreu em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1899 e o processo de canonização viria a iniciar-se em 1995.

Os seus restos mortais repousam na Cripta da Casa-Mãe da Congregação, em Linda-a-Pastora, onde acorrem inúmeros devotos a implorar a sua intercessão junto de Deus.

Esta religiosa do séc. XIX vai juntar-se, assim, a cinco portugueses beatificados nos últimos dez anos: os Pastorinhos Francisco e Jacinta, de Fátima (13 de Maio de 2000); frei Bartolomeu dos Mártires (4 de Novembro de 2001); Alexandrina de Balasar (25 de Abril de 2004, no Vaticano) e Rita Amada de Jesus (28 de Maio de 2006, em Viseu). Também neste período foi beatificado o Imperador Carlos de Áustria (3 de Outubro de 2004), que faleceu no Funchal.

A estas beatificações soma-se a canonização de Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, que aconteceu a 26 de Abril de 2009, no Vaticano.

A beatificação, que antecede a canonização (declaração de santidade), é o rito através do qual a Igreja Católica propõe uma pessoa como modelo de vida e intercessor junto de Deus, ao mesmo tempo que autoriza o seu culto público, normalmente em âmbito restrito (diocese ou família religiosa).

 

 


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