aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ISRAEL

 

HOMENAGEM JUDIA

A PADRE CATÓLICO

 

O padre jesuíta Raffaele de Ghantuz Cubbe recebeu, a título póstumo, a medalha de “Justo entre as Nações”, em cerimónia que se realizou no passado dia 14 de Dezembro no Instituto «Yad Vashem», de Jerusalém.

 

O prémio homenageia os não judeus que arriscaram a vida para salvar vidas do genocídio do regime nazi.

O sacerdote italiano (1904-1983) escondeu três crianças judias no Colégio de Mondragone, perto de Frascati, cidade localizada a cerca de 20 km a sudeste de Roma, onde foi reitor entre 1942 e 1947.

A medalha foi entregue em Roma ao sobrinho do religioso jesuíta pelo embaixador de Israel na Santa Sé, Mordechay Lewy.

Durante a ocupação nazi de Roma, o padre Cubbe e os membros da comunidade onde vivia arriscaram a vida para esconderem Marco Pavoncello e dois irmãos, seus primos, Mario e Graziano Sonnino.

O reitor nunca tentou que as crianças se convertessem ao catolicismo, tendo permitido que completassem os estudos no colégio depois de terminada a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Marco Pavoncello e Graziano Sonnino participaram na cerimónia, juntamente com os seus filhos, netos e sobrinhos.

Na ocasião, o presidente da comunidade judaica de Roma, Riccardo Pacifici, recordou que o seu pai e tio também foram salvos devido à acção de padres católicos.

Raffaele de Ghantuz Cubbe foi vice-presidente da Obra de Assistência Pontifícia, instituída pelo Papa Pio XII para apoiar as vítimas da Segunda Guerra Mundial.

 

 

CHINA

 

PROTESTOS DA SANTA SÉ

 

No passado dia 17 de Dezembro, a Santa Sé divulgou um comunicado a respeito da VIII Assembleia de Representantes Católicos Chineses, realizada em Pequim, de 7 a 9 de Dezembro, que mostra como são difíceis as relações com a República Popular da China.

 

“1. Com profundo pesar, a Santa Sé lamenta a realização, de 7 a 9 de Dezembro, em Pequim, da VIII Assembleia de Representantes Católicos Chineses, imposta a numerosos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos. O modo como foi convocada e realizada manifesta uma atitude repressiva do exercício da liberdade religiosa, algo que se esperava ter sido remetido para o passado na China de hoje. O desejo persistente de controlar a área mais íntima da vida dos cidadãos, isto é, a sua consciência, e de interferir na vida interna da Igreja Católica não faz jus à China. Pelo contrário, parece ser um sinal de medo e fraqueza, e não de fortaleza; de intolerância intransigente, e não de abertura à liberdade e ao respeito efectivo tanto da dignidade humana como de uma correcta distinção entre as esferas civil e religiosa.

“2. Em diversas ocasiões, a Santa Sé havia dado a conhecer, em primeiro lugar aos Bispos, mas também a todos os fiéis, e publicamente, que não deviam participar no evento. Cada um dos que estavam presentes sabe em que medida é responsável diante de Deus e da Igreja. Os bispos em particular e os sacerdotes também terão de enfrentar as expectativas das suas respectivas comunidades, que olham para o seu próprio Pastor e têm direito a receber dele orientação segura na fé e na vida moral.

“3. Sabe-se, aliás, que muitos Bispos e sacerdotes foram forçados a tomar parte na Assembleia. A Santa Sé condena esta grave violação dos seus direitos humanos, particularmente da sua liberdade de religião e de consciência. Além disso, a Santa Sé exprime a sua profunda estima por aqueles que, de maneiras diferentes, deram testemunho da sua fé com coragem e convida os outros a rezar, a fazer penitência e, com as suas obras, a reafirmar a sua própria vontade de seguir Cristo com amor, em plena comunhão com a Igreja universal.

“4. Dirigindo-se àqueles cujos corações estão cheios de consternação e profundo sofrimento, àqueles que se perguntam como é possível que o seu próprio Bispo ou os seus próprios sacerdotes tenham tomado parte na Assembleia, a Santa Sé pede-lhes que permaneçam firmes e pacientes na fé; convida-os a terem em conta as pressões sofridas por muitos dos seus Pastores e a rezarem por eles; exorta-os a continuarem corajosamente a apoiá-los perante as imposições injustas que eles encontram no exercício do seu ministério.

“5. Durante a Assembleia, entre outras coisas, foram nomeados os líderes da assim chamada Conferência Episcopal e da Associação Patriótica Católica chinesa. Relativamente a estas duas entidades, e acerca da própria Assembleia, continuam a aplicar-se as palavras escritas pelo Papa Bento XVI em 2007 na sua Carta à Igreja na China (cf. nn. 7 e 8).

“Em particular, o actual Colégio dos Bispos Católicos da China não pode ser reconhecido como uma Conferência Episcopal pela Sé Apostólica: os Bispos «clandestinos», que não são reconhecidos pelo Governo, mas estão em comunhão com o Papa, não fazem parte dela; ela inclui Bispos que ainda são ilegítimos, e é regida por estatutos que contêm elementos incompatíveis com a doutrina católica. É profundamente lamentável que um Bispo ilegítimo tenha sido nomeado como seu Presidente.

“Além disso, em relação à finalidade declarada de implementar os princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática da Igreja, deve-se lembrar que isso é incompatível com a doutrina católica, que desde o tempo dos antigos Credos professa que a Igreja é «una, santa, católica e apostólica». Por isso, é lamentável também que um Bispo legítimo tenha sido nomeado presidente da Associação Patriótica Católica Chinesa.

“6. Não é este o caminho que a Igreja deve seguir no contexto de uma grande e nobre nação, que atrai a atenção da opinião pública mundial pelas suas significativas conquistas em tantas esferas, mas ainda encontra dificuldades para implementar as exigências de uma autêntica liberdade religiosa, apesar de professar na sua Constituição o respeito dessa liberdade. Para mais, a Assembleia tornou mais difícil o caminho da reconciliação entre católicos das «comunidades clandestinas» e os das «comunidades oficiais», provocando assim uma ferida profunda não só à Igreja na China, mas também à Igreja universal.

“7. A Santa Sé lamenta profundamente o facto de que a celebração da Assembleia acima mencionada, como também a recente ordenação episcopal sem o indispensável mandato papal, prejudicou unilateralmente o diálogo e o clima de confiança que tinham sido estabelecidos nas suas relações com o Governo do República Popular da China. A Santa Sé, ao mesmo tempo que reafirma a sua própria vontade para dialogar honestamente, sente-se obrigada a declarar que os actos inaceitáveis e hostis, como os que acabam de ser mencionados, provocam entre os fiéis, tanto na China como noutras partes, uma grave perda da confiança que é necessária para superar as dificuldades e construir uma relação correcta com a Igreja, em prol do bem comum.

“8. À luz do que aconteceu, o convite do Santo Padre – dirigido em 1 de Dezembro de 2010 a todos os católicos do mundo para rezarem pela Igreja na China, que está a atravessar um momento particularmente difícil – continua a ser premente”.

 

 

TERRA SANTA

 

IMPORTÂNCIA DO

SÍNODO DOS BISPOS

 

A Igreja Católica de Jerusalém destaca a realização do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente como um dos aspectos mais positivos de 2010, defendendo que aquele evento trouxe maior visibilidade às questões que afectam as comunidades cristãs da região.

 

“Durante o Sínodo, pudemos mostrar as nossas feridas e medos, mas ao mesmo tempo expressar os nossos anseios e esperanças”, declara o arcebispo Fouad Twal, na sua mensagem de Natal.

O patriarca latino de Jerusalém, que aproveitou a quadra natalícia para analisar alguns dos acontecimentos marcantes de 2010, definiu o sofrimento actual dos cristãos no Iraque, vítimas de perseguição religiosa, como “uma ferida” que afecta aquele país.

Também aqui o Sínodo foi essencial, pois durante o encontro “condenou-se todo o tipo de violência, fundamentalismo religioso, anti-semitismo ou anti-judaismo”.

Recorde-se que a 24ª assembleia do Sínodo dos Bispos, primeira para a região do Médio Oriente, decorreu entre 10 e 24 de Outubro no Vaticano, tendo como lema “a Igreja Católica no Médio Oriente: comunhão e testemunho. «A multidão dos crentes tinha um só coração e uma só alma»”.

Numa Jerusalém tantas vezes marcada pelo “martírio” e pelo “desejo de paz”, o arcebispo Fouad Twal destaca ainda, como marco de esperança, o reatamento das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestiniana, mediadas pelo Vaticano.

O prelado chama a atenção também para o aumento recorde do número de peregrinos na Terra Santa, que este ano chegou aos 3,4 milhões de pessoas.

O arcebispo Fouad Twal é o patriarca latino de Jerusalém desde 2008, velando actualmente por cerca de 70 mil católicos romanos em Israel, nos territórios palestinianos, na Jordânia e no Chipre.

 

 

PAQUISTÃO

 

ASSASSINATO POR

FANATISMO RELIGIOSO

 

 O governador do Estado do Punjab, Salman Taseer, foi morto no passado dia 4 de Janeiro num ataque armado levado a cabo por um dos seus guarda-costas, pela sua oposição à lei da blasfémia.

 

O assassinato teve lugar em Islamabad, capital do Paquistão, e o autor dos disparos terá revelado à polícia local que agiu por causa das críticas de Taseer à lei contra a blasfémia, defendida pelos radicais islâmicos.

O falecido governador do Punjab, estado mais populoso do Paquistão, no nordeste do país, tinha ainda pedido perdão para Asia Bibi, cristã de 45 anos condenada à morte, de acordo com a referida legislação, por alegadamente ter insultado o nome do profeta Maomé.

Taseer era considerado como uma voz moderada no Partido do Povo Paquistanês, o mesmo partido do presidente Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, duas vezes primeira-ministra do país, assassinada em Dezembro de 2007.

Para o arcebispo de Lahore, Mons. Lawrence J. Saldanha, este novo assassinato “vai tornar praticamente impossível que alguém fale contra a lei da blasfémia”.

Segundo o Relatório 2010 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, da Fundação AIS, esta lei é o “pior instrumento de repressão religiosa” no Paquistão.

Trata-se do artigo 295 do Código Penal paquistanês: a secção B refere-se a ofensas contra o Alcorão que são puníveis com prisão perpétua; a secção C refere-se a actos que enxovalham o profeta Maomé, puníveis com prisão perpétua ou com a morte.

 

 

MOÇAMBIQUE

 

BISPOS APELAM ÀS

AUTORIDADES POLÍTICAS

 

A Conferência Episcopal de Moçambique desafiou as autoridades políticas a contribuírem, com maturidade e honestidade, para o progresso do país, à beira de encetar uma revisão constitucional.

 

“O dia-a-dia faz intuir uma tendência muito forte ao monopartidarismo”, avisam os bispos moçambicanos, num comunicado oficial divulgado no passado dia 11 de Janeiro.

Numa análise à realidade daquela nação lusófona, os Bispos recordam a “amarga experiência de monopartidarismo no passado”, esperando que essa memória “persuada todos os políticos a desistirem dos seus maus intentos”.

Recorde-se que o Parlamento moçambicano aprovou em Dezembro de 2010 um projecto de resolução onde criou uma Comissão ad hoc para efectuar a revisão da Constituição.

“Façam desse exercício uma oportunidade para Moçambique dar um verdadeiro exemplo de democracia”, é o repto lançado pela Conferência Episcopal.

A nota da Igreja Católica moçambicana destaca ainda a persistência de casos de tráficos de seres e órgãos humanos no país.

“Quando a Igreja Católica, em 2004 e 2005, denunciou os primeiros casos conhecidos, muito se fez para afirmar que era falso”, recordam, sublinhando que “hoje, a imprensa está confirmando, com casos, um fenómeno de dimensão planetária”.

Em termos de desenvolvimento social e económico, os bispos católicos saúdam o Governo pela aposta na expansão da rede escolar, pela melhoria verificada ao nível do saneamento básico, do abastecimento de energia eléctrica e na rede viária.

No entanto, a Conferência Episcopal conclui que o país ainda está “longe do mínimo desejável”, pedindo aos responsáveis políticos que abandonem políticas de implementação de megaprojectos, “sem impacto imediato” ou com resultado negativo para a população local.

 

 

ESPANHA

 

JOÃO PAULO II,

PATRONO DA JMJ

 

O Presidente do Conselho Pontifício para os leigos anunciou hoje em Madrid que João Paulo II vai ser o patrono da Jornada Mundial da Juventude marcada para Agosto próximo.

 

O Cardeal Stanislaw Rylko fez a revelação aos mais de 400 participantes no encontro internacional de preparação para a Jornada, que decorreu até ao dia 15 de Janeiro passado, ao divulgar que a beatificação do falecido Papa polaco tinha sido oficialmente marcada para 1 de Maio de 2011.

João Paulo II foi o responsável pela criação destas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), celebradas desde 1985, tendo sido recordado pelo Cardeal Rylko como um “amigo dos jovens”.

A JMJ de 2011 vai decorrer entre 16 e 21 de Agosto, na capital espanhola, com a presença de dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo e do Papa Bento XVI, nos últimos dias do encontro.

 

 

CABO VERDE

 

NOVO BISPO DE MINDELO

 

Bento XVI nomeou como novo bispo da diocese do Mindelo, D. Ildo Fortes, de 46 anos, sacerdote cabo-verdiano do Patriarcado de Lisboa.

 

A decisão coloca um ponto final ao vazio criado desde Julho de 2009, devido à transferência de D. Arlindo Gomes Furtado para a diocese de Santiago.

O novo bispo era, até agora, chanceler da diocese do Mindelo e responsável pela paróquia de São Vicente, na ilha com o mesmo nome.

D. Ildo Augusto dos Santos Lopes Fortes nasceu a 13 de Dezembro de 1964, na ilha do Sal, Cabo Verde, tendo feito o seu percurso de preparação para o sacerdócio nos seminários de Caparide, de Almada e dos Olivais, do Patriarcado de Lisboa.

Ordenado sacerdote em 29 de Novembro de 1992 e incardinado no Patriarcado, depois de passar por várias paróquias, foi enviado para a diocese do Mindelo como missionário «fidei donum» (2005-2007 e de 2008 até hoje). Esperava regressar a Portugal este ano.

A diocese de Mindelo foi criada em 2003, por João Paulo II, englobando 166 mil habitantes (os quais 149 mil católicos).

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial