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COMENTÁRIO

 

 

O FEMINISMO RADICAL E O MARXISMO

 

 

O feminismo radical não busca a igualdade ou a equidade entre os sexos, mas um confronto o mais exacerbado possível. O método consiste em atacar a família de todas as maneiras possíveis. A base intelectual desta ideologia é o marxismo mais antigo, pois, embora económica e politicamente vencido, não acontece o mesmo na modernidade tardia que o usa de modo muito consciente.

 

 

Cito do livro Del sexo al género de Isabel Llanes, publicado recentemente na editorial EUNSA (Pamplona 2010), o seguinte:

“Para Marx, toda a história é uma luta de classes, de opressor contra oprimido; é uma batalha que só poderá ser resolvida quando os oprimidos se tornem conscientes da sua situação, se levantem em revolução e imponham uma ditadura dos oprimidos. Na sua visão de futuro, ele acreditava que a sociedade devia ser totalmente reconstruída para emergir uma sociedade sem classes, livre de conflitos, que asseguraria para todos uma paz e uma prosperidade plenas, utópicas...”

Engels relata a história da mulher e diz que a primeira opressão contra ela se deu pelo matrimónio, o homem torna-se proprietário da mulher. A libertação da mulher passa pela destruição da família.

Nesta linha, a feminista Sulamith Firestone declara que isso consegue-se quando a mulher se apodera do controle da reprodução, o controle sobre o seu próprio corpo; incluindo, é claro, a contracepção e o aborto.

A relação sexual será indiferente e polimorfa, heterossexual, homossexual, bissexual, travesti; o que importa é a igualdade total entre homem e mulher, e deve-se superar a barreira reprodutiva seja como for. São muitas as mulheres, desde Simone de Beauvoir às mais recentes, que odeiam a maternidade.

O fim desses feminismos não é uma vida melhor da mulher, mas desconstruir a sociedade, usando o famoso verbo do pós-moderno Derrida. Isto consegue-se através da linguagem, da educação, da propaganda, das mudanças de leis. O inimigo já não é a discriminação (não defendida hoje por ninguém), mas a própria distinção de sexos, pois se não houvesse homens e mulheres não existiria subordinação.

Como o biológico se pode mudar muito pouco, tende-se a mudar o cultural que envolve o sexo. Assim, tratar-se-á de desmaternizar as mulheres, pois a maternidade seria uma alienação e uma escravidão feminina. O termo família é desconstruído, chamando com esse nome a qualquer relação sexual ou reprodutiva.

Podíamos continuar, mas sugiro a leitura do livro de Llanes, que pormenoriza esse feminismo radical.

Os marxismos económico e político foram vencidos no seu próprio terreno, ao gerarem pobreza e miséria e destruírem a vida social. O feminismo radical seguirá infelizmente o mesmo caminho: frustração da mulher, esterilidade, doenças mentais crescentes, suicídios, pobreza.

Podemos dizer que, se foram suficientes setenta anos para revelar a mentira económica e política do marxismo, é muito possível que dure menos este renovado engano, pois a família é muito mais forte do que os problemas económicos, e o amor interpessoal entre homem e mulher mais poderoso que a separação entre amor e sexo.

 

ENRIQUE CASES

Temes d’Avui online (10-XI-2010)

Revista de teologia (Barcelona)


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