1º Domingo do Advento

28 de Novembro de 2004

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh, que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Entrar no Advento é entrar no tempo da espera inflamada pelo desejo de ir ao encontro do Senhor. A espera é esse tempo que verifica a nossa fé nesta travessia do deserto até chegarmos à terra prometida. O Senhor vem. A tradição cristã distingue três vindas do Senhor. A primeira aconteceu em Belém quando o Verbo divino se fez carne e habitou entre nós; comemoramos essa vinda no dia de Natal que o Advento prepara. A terceira vinda ocorrerá no fim da história quando o Senhor vier julgar os vivos e os mortos; durante o Advento, a Igreja grita: «Vem, Senhor Jesus!» manifestando o seu desejo de ver Deus instaurar o seu reino eterno. A segunda vinda é aquela que ocorre sempre que nós acolhemos o Verbo no nosso coração «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14, 23); o Advento é o tempo propício para o acolhimento dessa palavra que precede a habitação de Deus em nós. Entremos em Advento.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os tempos messiânicos foram descritos pelos profetas como tempos de paz e prosperidade que não serão reservados ao povo de Israel mas serão a herança de todas as nações. Jerusalém será a capital dessa paz messiânica.

 

Isaías 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: 2Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. 3Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». 4Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

 

Esta pequena leitura é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica.

1 «Isaías, filho de Amós», não o profeta do séc. VIII que pregou no reino do Norte, pois em hebraico o nome tem outra grafia.

2-3 Numa visão puramente humana, podia pensar-se que estamos diante dum texto sionista. A verdade é que o texto transcende o campo político e move-se num clima escatológico e messiânico: «Jerusalém», ou «Sião», é imagem da Igreja, «a nova Jerusalém» (cf. Gal 4, 26; Apoc 21, 2-4.10-27), para onde «afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão» (v. 3). Isaías anuncia a conversão dos povos (gentios) ao único Deus, o de Israel, uma conversão que é dom de Deus, mas que também implica esforço humano – «subamos…» e docilidade – «Ele nos ensinará ... e nós andaremos...». Os povos sentir-se-ão atraídos pela sublimidade de uma lei e de uma doutrina, que é a própria «palavra do Senhor». O texto pressupõe um pregador desta palavra, um profeta; e Jesus é o Profeta messiânico por excelência (cf. Act 3, 22; Jo 1, 21; 6, 14; Lc 7, 16). De qualquer modo, a Liturgia do Advento, nesta «palavra do Senhor que sairá de Jerusalém», leva-nos a vislumbrar o Verbo de Deus que se há-de manifestar no mistério da sua Incarnação a celebrar no Natal que se aproxima.

4 A paz messiânica, aqui imaginosamente descrita, não se pode considerar como algo meramente ideal, utópico e irreal; com efeito, com a fundação da Igreja, Cristo lançou no mundo um eficacíssimo fermento de paz e de unidade de todo o género humano; e quando todos os homens aderirem sinceramente a Cristo e à sua Igreja teremos a plena realização desta imagem tão bela como arrojada: as espadas convertidas em relhas de arado e as lanças em foices. É de notar que o Deus da Revelação jamais poderá ser invocado por ninguém como «um factor de guerra»; seria uma forma retorcida e refinada de «invocar o santo nome de Deus em vão», contrariando um absoluto moral bem claro, que é o segundo preceito do Decálogo (cf. Ex 20, 7; Dt 5, 11).

 

Salmo Responsorial    Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

 

Monição: Diante das promessas de Deus o povo responde pela alegria diante de Jerusalém, a cidade da paz, para onde caminham em peregrinação todos os povos.

 

Refrão:        Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,

segundo o costume de Israel,

para celebrar o nome do Senhor;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Pedi a paz para Jerusalém:

«Vivam seguros quantos te amam.

Haja paz dentro dos teus muros,

tranquilidade em teus palácios».

 

Por amor de meus irmãos e amigos,

pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor,

pedirei para ti todos os bens.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A oposição entre a luz e as trevas sempre foi considerada uma metáfora entre a luta do bem contra o mal. Sair do sono significa entrar no caminho da conversão.

 

Romanos 13, 11-14

11Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. 12A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes; 14não vos preocupeis com a natureza carnal, para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura, tirada da parte moral e exortatória da epístola (Rom 12, 1–15, 13), está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de quem espera a vinda de Jesus, pois «o dia está próximo» (v. 12). A Santa Igreja, com estas leituras no começo do Advento, tempo de preparação para o Natal, pretende ajudar os seus filhos a que, ao celebrarem a primeira vinda de Jesus, se preparem também para a sua vinda definitiva.

Há quem pense, com base em Ef 5, 14 que esta passagem do texto da leitura corresponda a um hino baptismal da Igreja primitiva (H. Schlier). Podemos também perguntar-nos se Paulo não estaria a pensar numa proximidade cronológica do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, tendo em conta o que diz em 1 Tes 4, 15.17 e 1 Cor 15, 51-52; a verdade é que não temos aqui qualquer espécie de especulação apocalíptica, mas antes a especificação do que é a existência cristã, a saber, uma vida aberta ao futuro, em atitude de fé e de esperança, abraçando as exigências de vigilância e de renúncia às obras das trevas e à satisfação dos apetites carnais, uma vida nova, que é revestir-se do Senhor Jesus Cristo (v. 14).

11 «Chegou a hora de nos levantarmos do sono» (uma boa esporada para começar o ano litúrgico). O sono é próprio da noite; e a noite é imagem da morte e do pecado, «as obras das trevas», (v. 12); por outro lado, há uma afinidade ontológica entre o cristão e o dia – a luz –, uma exigência do ser cristão, uma vez que Cristo é a luz do mundo: «vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14) e «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 12); o cristão é aquele que deixou iluminar a sua alma, a sua vida, os seus pensamentos, por Cristo, «a luz que brilha nas trevas» (Jo 1, 5), por isso, «a noite vai adiantada» (v. 12), e, embora ainda não seja pleno dia, já temos a luz suficiente para seguir a Cristo e não ao pecado.

12 «Obras das trevas»: o mesmo que obras tenebrosas ou pecaminosas, muitas das quais, como as que aponta o v. 13, se costumam praticar na clandestinidade da escuridão e da noite.

«Armas da luz», são as virtudes, em especial as teologais (cf. 1 Tes 5, 8; Ef 6, 13-17). Notar que esta expressão paulina, armas, uma vez mais põe em evidência que a vida cristã é uma luta diária.

14 «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Revestir-se, na linguagem bíblica, não significa apenas vestir uma farda (nas festas pagãs, os iniciados vestiam-se à maneira da divindade celebrada), mas trata-se duma identificação na linha do ser: assim, no A. T., revestir-se de justiça, de força, etc., corresponde a tornar-se justo, forte, etc. Revestir-se de Cristo é, pois, identificar-se com Cristo, «ter os mesmos sentimentos de Cristo» (Filp 2, 5). O fiel revestido de Cristo, a partir do Baptismo (cf. Gal 3, 27), tem ainda que se deixar impregnar cada vez mais intensamente por Ele nos novos sectores para os quais se vai abrindo a sua vida, ao desenvolver-se. Ser de Cristo é crucificar a sua carne com todo o cortejo dos seus vícios e apetites desordenados (cf. Gal 5, 24).

 

Aclamação ao Evangelho       Salmo 84, 8

 

Monição: A vigilância é indispensável para que os tempos do Messias não nos surpreendam como foi surpreendida a humanidade no tempo de Noé.

 

Aleluia

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

 

Evangelho

 

São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 37«Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. 38Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; 39e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. 40Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; 41de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. 44Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.»

 

O Evangelho de hoje recolhe apenas 8 vv. do que se pode chamar o núcleo ético do discurso escatológico de Jesus em Mateus (Mt 24, 1–25, 46), a saber, a exortação moral à vigilância (Mt 24, 37–25, 30). Neste pequeno trecho podemos considerar três partes: vv. 37-39; 40-41; 42-44.

37-39 «Como aconteceu nos dias de Noé…». Jesus, segundo os ensinamentos morais rabínicos, apela para a lição do dilúvio: as pessoas preocupadas com a satisfação das necessidades imediatas, comer, beber, casar, esquecem o mais importante e são apanhadas de surpresa, sem estarem preparadas para dar contas a Deus da sua vida na hora duma morte inesperada (cf. Sab 10, 4; Hebr 11, 7; 1 Pe 3, 20; 2 Pe 2, 5).

40-41 O carácter imprevisível da vinda de Jesus é ilustrado com dois casos tirados da vida corrente em que uma pessoa se salva e a outra perece, para daqui tirar a lição moral (o nimxal rabínico): «portanto, vigiai, por que não sabeis em que dia virá…».

42-44 A parábola do ladrão vem reforçar a lição moral anterior sobre a vigilância, repetida no v. 44, com outras palavras: «Estai vós também preparados!». Esta incerteza é para nós um bem, um estímulo. Se soubéssemos o dia do juízo, corríamos grande risco de nos desleixarmos em fazer o bem e de nos deixarmos arrastar pelo mal, sendo então muito mais fácil que nos viéssemos a condenar. Devemos estar vigilantes e preparados, como se cada dia fosse o último da nossa vida. O Senhor virá como um ladrão, mas apenas no que se refere ao imprevisto da hora, pois, sendo Ele o melhor dos pais, escolherá a melhor hora para os seus filhos, mas respeitando a liberdade de cada um.

 

Sugestões para a homilia

 

A embriaguez, a glutonaria e a luxúria são os sinais que Jesus dá para descrever o estado daqueles que foram surpreendidos pelo dilúvio e dos que serão surpreendidos pela vinda do Filho do Homem. Jesus enraíza assim a vigilância espiritual numa atitude corporal. Se os que foram e serão surpreendidos se entregavam à embriaguez, à glutonaria e à luxúria, como deve ser a atitude dos que permanecem vigilantes? Eles devem agir opostamente; à embriaguez devem opor a sobriedade, à glutonaria devem opor o jejum, à luxúria devem opor a castidade. A figura paradigmática dessa atitude de vigilância é São João Baptista, ele que não bebia bebida fermentada, comia apenas mel silvestre e gafanhotos e vivia só no deserto. Por isso, Deus deu-lhe o dom de reconhecer em Jesus o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Estar acordado, desperto, com o espírito atento aos sinais dos tempos para não sermos surpreendidos pelo Deus que intervém na história para julgar com justiça para operar a divisão entre os que o esperam e os que se entregam à embriaguez de espírito. A Igreja recorda-nos, particularmente no tempo do Advento, que a preparação para esses tempos escatológicos é extremamente necessária. São Francisco de Sales diz mesmo que nós deveríamos viver cada dia como se ele fosse o último da nossa vida. A segunda vinda do Senhor não nos deve atemorizar mas sim encher-nos de confiança. Em primeiro lugar porque Cristo virá julgar com justiça colocando ordem num mundo desordenado pelo pecado e o Bem vencerá finalmente o mal. Então todos os povos subirão à montanha do Senhor e o grande banquete nupcial de todos os povos começará. Por isso a Igreja suspira durante este tempo do Advento dizendo: «Vem, Senhor Jesus»

 

Fala o Santo Padre

 

«O Advento encoraja-nos a estar vigilantes e conscientes de que o Reino de Deus se aproxima.»

 

1. Com este primeiro domingo do Advento tem início um novo ano litúrgico. A Igreja retoma o seu caminho e convida-nos a reflectir mais intensamente sobre o mistério de Cristo, mistério sempre novo que o tempo não pode esgotar. Cristo é o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim. Graças a Ele, a história da humanidade avança como uma peregrinação para o cumprimento do Reino, que Ele próprio inaugurou com a sua encarnação e a sua vitória sobre o pecado e a morte.

Por isso, Advento é sinónimo de esperança: não a expectativa vã de um deus desprovido de rosto, mas a confiança concreta e certa da vinda d'Aquele que já nos visitou, do «Esposo» que, com o seu sangue, selou com a humanidade um pacto de aliança eterna. É uma esperança que encoraja a estar vigilante, virtude característica deste singular tempo litúrgico. Vigilância na oração, animada por uma expectativa amorosa; vigilância no dinamismo da caridade concreta, consciente de que o Reino de Deus se aproxima, onde os homens aprendem a viver como irmãos.

2. Com estes sentimentos, a comunidade cristã entra no Advento, mantendo o espírito vigilante, para receber melhor a mensagem da Palavra de Deus. Hoje, na liturgia é entoado o célebre e maravilhoso oráculo do profeta Isaías, pronunciado num momento de crise da história de Israel.

«No fim dos tempos diz o Senhor acontecerá que o Monte do Templo do Senhor terá os seus fundamentos no cume das montanhas e dominará as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes... que das suas espadas forjarão relhas de arados, e das suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra nação, e não se adestrarão mais para a guerra» (Is 2, 2-4).

Estas palavras contêm uma promessa de paz mais actual do que nunca para a humanidade […]. Oxalá as palavras do profeta Isaías inspirem a mente e o coração dos crentes e dos homens de boa vontade, […] e contribuam para criar no mundo um clima mais calmo e solidário.

3. Confio esta invocação de paz a Maria, Virgem vigilante e Mãe da esperança. Daqui a alguns dias celebraremos com fé renovada a solenidade da Imaculada Conceição. Ela nos oriente por este caminho, ajudando cada homem e nação a voltar o olhar para o «monte do Senhor», imagem do triunfo definitivo de Cristo e do advento do seu Reino de paz.

 

João Paulo II, Angelus, 2 de Dezembro de 2001

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso, e imploremos a misericórdia

d’Aquele que vem julgar todos os povos com justiça, dizendo:

Ouvi-nos Senhor.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que, fiel a Cristo, espere vigilante a sua vinda,

oremos, irmãos.

 

2.  Por todos os que já em nada esperam e se entregam à embriaguez,

à luxúria e à glutonaria

para que Deus os faça ressurgir do seu sono,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os lideres políticos:

para que tornem as nações e as cidades mais seguras e pacíficas,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos nós aqui presentes:

para que, optando sempre por Deus,

permaneçamos acordados e vigilantes,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai, Vós quereis que todos os homens se

salvem, atendei as nossas orações de modo que, permanecendo sempre

acordados e vigilantes, possamos ir ao encontro Jesus Cristo, o justo

Juiz. Ele que é Deus convosco…

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, que tanto amais o vosso povo, J. Santos, NRMS 95-96

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 (586-698)

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

O banquete que Deus prepara para o seu povo na montanha de Sião para onde deverão caminhar todas as nações realiza-se hoje na Eucaristia em que todos são convidados para o banquete das núpcias do cordeiro.

 

Cântico da Comunhão: Vem, Senhor Jesus, F. da Silva, NRMS 62

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao enviar-nos, Deus exorta-nos à vigilância porque o Senhor está próximo. Transformai as lanças em foices; não levanteis a lança uns contra os outros e assim preparareis os caminhos do Senhor.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª feira, 29-XI: Disposições para a Comunhão.

Is 2, 1-5 ou Is 4, 2-6 / Mt. 8, 5-11

Mas o centurião respondeu-lhe: Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto.

Queremos preparar-nos muito bem para a celebração do nascimento de Cristo. E hoje o Evangelho recorda-nos o exemplo do centurião, que a Liturgia nos aponta como modelo de humildade, antes da recepção da Comunhão.

Sentimo-nos indignos e fracos? «Haverá quem diga: por isso precisamente não comungo mais frequentemente, porque me vejo fraco no amor... E por que te encontres frio queres afastar-te do fogo?» (S. Afonso Mª Ligório). Vamos pois receber o Senhor com muita fé (cf. Ev.), cheios de alegria ( S. Resp.) e com muita paz (cf. Leit).

 

3ª feira, 30-XI: S. André: Participação no sacrifício da Cruz.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

(Jesus) viu dois irmãos: Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam ao mar uma rede, pois eram pescadores.

No dia de S. André recordemos o seu amor à Cruz. «Ó boa cruz...cruz por longo tempo desejada, ardentemente amada...devolve-me o meu Mestre, para que, por ti, me receba aquele que, por ti, me redimiu» (Paixão de S. André).

Estas palavras podem ajudar a nossa preparação para a Missa: desejar apaixonadamente esse encontro com o Senhor; recordar que nela «está inscrito o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas a presença sacramental. É o sacrifício da Cruz que se perpetua através dos séculos» (IVE, 11).

 

4ª feira, 1-XII: Eucaristia: verdadeiro banquete.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar, para todos os povos, um banquete de pratos suculentos, um banquete com excelentes vinhos.

O profeta anuncia a oferta de um banquete por parte do Messias (cf. Leit.). Jesus realizou um dia o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes para saciar uma enorme multidão (cf. Ev.).

Este milagre prefigura a superabundância de pão eucarístico (cf. CIC, 1335). «A Eucaristia é verdadeiro banquete, onde Cristo se oferece como alimento... Não se trata de alimento em sentido metafórico, mas a 'minha carne é, em verdade, uma comida, e o meu sangue é, em verdade, uma bebida' (Jo 6, 55)» (IVE, 16). Tenhamos verdadeira 'fome' de receber o pão eucarístico.

 

5ª feira, 2-XII: A Missa: 'rocha' da vida espiritual.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática será semelhante a um homem prudente, que fez a sua casa sobre a rocha.

O profeta aconselha-nos a confiar sempre no Senhor, a edificar a nossa vida sobre «a rocha eterna» (Leit.). E a melhor maneira é identificar a nossa vontade com a d'Ele, assim como Ele se identificou com a vontade do Pai (cf. Ev.).

É especialmente na paixão e morte de Cristo, que é actualizada na Santa Missa, que vemos esta identificação: «Ali (em Gétsemani) Cristo põe-se no lugar de todas as tentações da humanidade e perante todos os seus pecados, para dizer ao Pai: 'Não se faça a minha vontade, mas a tua'» (RVMariae, n. 22). A Missa é o centro e a «rocha» da nossa vida espiritual.

 

6ª feira, 3-XII: Fé e Eucaristia.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Ia Jesus a passar, quando o seguiram dois cegos, que diziam em altos brados: Tem piedade de nós, Filho de David.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios que acompanharão a vinda do Messias: «os olhos dos cegos hão-de ver» (Leit.).

No entanto, nós sentir-nos-emos muitas vezes como cegos diante do Amigo, porque não descortinamos o Senhor ao longo do nosso dia de trabalho e no Sacrário. «Verdadeiramente, a Eucaristia é mysterium fidei, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceite pela fé» (IVE, 15). Não vemos as chagas sagradas de Jesus, como Tomé, mas procuraremos fazer um acto de fé: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo 20, 26-39).

 

Sábado, 4-XII: A necessidade do bom Pastor.

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35-10, 1. 6-8.

Ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor.

Já o profeta falava do dia da vinda do Messias e «nesse dia, os teus rebanhos pastarão em vastas pastagens» (Leit.). E Jesus exerce esse ofício de bom Pastor (Cf. Ev.)., quando dá a sua vida pelo seu rebanho.

«Para suceder aos Apóstolos na missão pastoral é necessário o sacramento da Ordem... é o sacerdote ministerial que realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo...» (IVE, 28). É pois muito importante fazer nosso o pedido de Cristo: «Pedi, pois, ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua messe» (Ev.). Que Ele nos envie muitas vocações sacerdotais.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Hermenegildo Faria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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