Quinta-Feira Santa

21 de Abril de 2011

 

Missa Vespertina da Ceia do Senhor

 

Segundo uma antiquíssima tradição da Igreja, são proibidas neste dia todas as Missas sem participação do povo.

De tarde, à hora mais conveniente, celebra-se a Missa da Ceia do Senhor, com plena participação de toda a comunidade local; nela, todos os sacerdotes e ministros exercem o seu ofício próprio.

Os sacerdotes que tiverem concelebrado na Missa crismal, ou tiverem celebrado para utilidade dos fiéis, podem novamente concelebrar nesta Missa vespertina.

Onde o exigir o interesse pastoral, o Ordinário do lugar pode permitir a celebração de outra Missa nas igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos nas horas vespertinas e, em casos de verdadeira necessidade, até da parte da manhã, mas só para os fiéis que de nenhum modo podem tomar parte na Missa vespertina. Deve evitar-se, no entanto, que tais celebrações se façam em proveito de pessoas particulares ou possam prejudicar a Missa vespertina principal.

A sagrada comunhão só pode ser distribuída aos fiéis dentro da Missa. Aos doentes, porém, pode levar-se a comunhão a qualquer hora do dia.

O sacrário deve estar completamente vazio. Para a comunhão do clero e dos fiéis, consagre-se nesta Missa pão suficiente para hoje e amanhã.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos o Senhor que nos salvou, M. Faria, NRMS 1 (I)

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória. Enquanto se canta este hino, tocam-se os sinos, que não voltarão a tocar-se até à Vigília Pascal, a não ser que a Conferência Episcopal ou o Ordinário do lugar julguem oportuno estabelecer outra coisa.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com a celebração da Missa vespertina comemorativa da Ceia do Senhor começa o Tríduo Sacro, o tempo festivo da Páscoa da Ressurreição do Senhor.

Jesus antecipa misteriosamente no Cenáculo, na noite de Quinta Feira Santa, o Sacrifício do Calvário. Celebramos, pois, neste dia, dois grandes acontecimentos: a instituição da Santíssima Eucaristia e a instituição do sacerdócio ministerial.

É, pois, com o espírito neste dois lugares importantes para a nossa fé ‑ o Cenáculo e o Calvário ‑ que desejamos celebrar estes sagrados mistérios.

 

Acto penitencial

 

Juntamente com os sentimentos de gratidão para como Divino Mestre, pela Sua Presença em nossos altares, para ser nosso Alimento, Médico, Conselheiro e Amigo confidente, queremos exprimir a nossa contrição pelos muitos pecados e faltas de Amor para com a Santíssima Eucaristia.

Arrependamo-nos profundamente e prometamos fazer um esforço generoso para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio)

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos reunistes para celebrar a Ceia santíssima em que o vosso Filho Unigénito, antes de Se entregar à morte, confiou à Igreja o sacrifício da nova e eterna aliança, fazei que recebamos, neste sagrado banquete do Seu amor, a plenitude da caridade e da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor dá instruções a Moisés sobre o modo de celebrar a Ceia Pascal. Ele foi para os hebreus o memorial da libertação do Egipto.

Para nós é a figura da Páscoa da Nova Aliança na qual Jesus Cristo ‑ o Cordeiro Imaculado ‑ Se imola por nosso amor na Cruz.

 

 

Êxodo 12, 1-8.11-14

 

1Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: 2«Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. 4Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. 5Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. 6Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. 7Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. 8E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. 12Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. 13O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. 14Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».

 

Temos aqui, num texto de tipo catequético-litúrgico, a promulgação da lei da Páscoa judaica como «instituição perpétua», a ser festejada por todas as gerações (v. 14). Na origem desta festa da «Páscoa» – dum étimo semítico: salto festivo – parece estar uma antiga festa de pastores nómadas, própria da Primavera, a época em que nascem os cordeiros; então sacrificavam um cordeiro recém-nascido e com o seu sangue faziam ritos a implorar protecção e a fecundidade. Também pela época da Primavera parece que havia outra festa, a dos «Ázimos», com o sentido de novidade e rotura com o passado (o fermento). As duas festas vieram a fundir-se numa só. A Torá terá assumido estas duas festas, dando-lhes o novo e profundo significado que neste texto legal fica bem assinalado, para celebrar a libertação do Egipto.

A ceia pascal é celebrada na noite de 14 para 15 do mês de Nisan (Março/Abril), a noite da lua cheia que se seguia ao equinócio da primavera, pois o 1° dia do mês era o 1º dia da lua nova; então se comiam os pães ázimos, isto é, sem fermento (do grego a-zymê, em hebraico, os matsôth) durante os sete dias da festa, de 15 a 21 de Nisan. O cordeiro imolado recordava aquele outro cordeiro com cujo sangue os israelitas marcaram as suas portas para que «o flagelo exterminador» ali não atingisse ninguém. A própria palavra «Páscoa», com uma etimologia muito discutida, pode provir do étimo psh, que significa saltar, passar por cima de, prestando-se a significar o flagelo mortal que passou ao largo das casas dos israelitas (cf. Ex 12, 27) na região de Guéssen ou Góxen. Neste texto a palavra é entendida como a passagem do Senhor, a fim de libertar o seu povo. O pão sem fermento lembrava a pressa com que os israelitas saíram do Egipto, tendo de levar consigo a massa do pão antes de ter fermentado (Ex 12, 34.39).

No entanto, a celebração da Páscoa não era para os israelitas uma mera recordação agradecida da libertação duma escravidão passada, mas era algo que os orientava para uma libertação futura completa e definitiva, que se haveria de dar com a vinda do Messias. Havia mesmo uma crença judaica em que o Messias viria numa noite de Páscoa: «nesta noite foram libertados, e nela também serão libertos». Esta alegre esperança manifestava-se no costume, que ainda hoje se mantém, de deixar um lugar vazio à mesa, para alguém que chegue na última hora, que afortunadamente poderia ser o profeta Elias, precursor do Messias. De facto, um dia o próprio Messias havia de se pôr à mesa da ceia pascal, rodeado dos seus discípulos, para então inaugurar a era da autêntica e definitiva libertação. Jesus é o verdadeiro cordeiro pascal (1 Cor 5, 7; Jo 19, 36) que se oferece em sacrifício, com cujo sangue somos redimidos e com cuja carne somos alimentados no banquete eucarístico, prelúdio do banquete celeste (cf. Mc 14, 25). Os samaritanos ainda hoje celebram a Páscoa como se descreve neste texto do Êxodo, sem refeição solene, sem vinho e à pressa. Os judeus celebram-na como refeição solene; já era assim no tempo de Jesus, em razão de já terem saído da escravidão para a liberdade; mas, em vez de comerem sentados como habitualmente, comiam recostados sobre esteiras ou divãs, apoiando-se sobre o braço esquerdo, a partir da época helenística (cf. Lc 22, 14).

 

Salmo Responsorial    Sl 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1 Cor 10, 16)

 

Monição: O salmo que a Liturgia nos propõe para meditar, como resposta ao que o Senhor acaba de proclamar para nós, é um cântico de gratidão ao Senhor pelas maravilhas que Ele realizou em nosso favor e uma promessa da nossa fidelidade.

Que o nosso coração acompanhe com piedosa sinceridade o que os lábios cantam, cheios de gratidão.

 

Refrão:        O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Primeira Carta aos Coríntios, S. Paulo apresenta-nos o mais antigo relato da instituição da Santíssima Eucaristia no Cenáculo. É um ensinamento que nos vem da tradição apostólica, verdade de fé.

Todas as vezes que celebramos a Santíssima Eucaristia proclamamos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

 

1 Coríntios 11, 23-26

 

Irmãos: 23Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, 24partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». 25Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». 26Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

 

Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 25 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns quatro anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 «Recebi do Senhor»: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar. «Na noite em que ia ser entregue»: Celebramos hoje uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 «Isto é o Meu Corpo»: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal entendidos. Não diz «aqui está o meu corpo», nem «isto simboliza o meu corpo», mas sim: «isto é o meu corpo», como se dissesse: este pão já não é pão, mas é o meu corpo, isto é, sou Eu mesmo. Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo «ser» também pode ter o sentido de «ser como», «significar», mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue). Jesus não podia querer dizer uma tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice de modo nenhum se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6, 51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura de hoje): «quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor»; e no v. 29 fala de «distinguir o corpo do Senhor».

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou as explicações teológicas (como a da transignificação e a da transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: «Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação» (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 «Fazei isto em memória de Mim». Com estas palavras, Jesus entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 «A Nova Aliança com o meu Sangue»: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24, 8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31, 31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9, 25-28; 10, 10.18).

26 «Anunciareis a Morte do Senhor»: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas oferece-se, de modo incruento, o mesmo sacrifício, renovando e representando sacramentalmente o mistério da mesma Morte que se deu no Calvário.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 13, 34

 

Monição: A maior prova de amor que Jesus nos dá é a Sua Paixão e Morte, antecipada misteriosamente na celebração da Eucaristia.

Cada um de nós é desafiado pelo Senhor a amar os irmãos sem medida, até à morte por eles.

 

Cântico: Dou-vos um mandamento novo, F dos Santos, NCT 126

 

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:

amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

 

 

Evangelho

 

São João 13, 1-15

 

1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, 3Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, 4levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. 5Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. 6Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?» 7Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». 8Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». 9Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». 10Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». 11Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». 12Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? 13Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. 14Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

 

1. «Antes da festa da Páscoa». A ceia de que aqui se fala (v. 2) não é descrita como sendo a Ceia Pascal dos Sinópticos (Mt 26, 17-35; Mc 14, 12-31; Lc 22, 7-39), mas não pode ser outra, por se tratar da mesma da noite em que Jesus foi preso. Se S. João se limita a dizer «antes da festa da Páscoa», sem precisar que era a véspera (a Preparação), é porque ele quer que se entenda a morte de Jesus como a imolação do cordeiro pascal, ao colocá-la no mesmo dia (a Preparação: 19, 31.42) em que no templo eram imolados os cordeiros para a festa; sendo assim, evita intencionalmente o dar à Última Ceia qualquer carácter pascal; e pensamos que esta pode ser uma séria razão para não falar da instituição da Eucaristia, aliás referida no discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6, 51-58). «Amou-os até ao fim», isto é, até à consumação (19, 30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (cf. 15, 13; 1 Jo 3, 16; Gal 2, 20), embora com esta não termine o seu amor, pois «não só até aqui nos amou quem nos ama sempre e sem fim» (Santo Agostinho); a expressão poderia aludir também ao amor posto na realização da Eucaristia de que S. João não conta a instituição, naturalmente por já lhe ter dedicado todo o capítulo VI e, como já se disse, para evitar dar a esta ceia um carácter pascal. Outra tradução possível: «levou o seu amor por eles até ao extremo». Jesus não só amou os seus até ao último momento da sua vida terrena, mas não podia amá-los mais: amou-nos até à loucura da Cruz e da Eucaristia.

3 «Jesus, sabendo...». Lavar os pés era um ofício exclusivo de escravos (1 Sam 25, 41) e os rabinos chegavam a explicitar que só se devia impor esse humilhante serviço a escravos que não fossem da raça hebraica, baseando-se em Lv 25, 39. Jesus, ao sujeitar-se a esse trabalho aviltante, tem bem presente o seu poder e a sua dignidade de Filho de Deus. A oposição decidida de Pedro mostra o profundo choque causado pela atitude do Senhor. Não se pode estabelecer o momento exacto do lava-pés, pois não estavam previstas lavagens dos pés na Ceia, mas apenas o lavar das mãos; o que Jesus realiza é antes de mais uma acção simbólica, à maneira dos profetas. Talvez a discussão travada na Ceia sobre quem seria o maior dos Apóstolos (cf. Lc 22, 24) tenha levado Jesus a dar-lhes uma lição com o seu gesto: é maior aquele que mais serve. Aparecem dois significados no gesto de Jesus: um simbólico e outro de exemplo a imitar. Nos vv. 6-11, sobressai mais o valor simbólico: Jesus é quem purifica os seus dos seus pecados e sem isso não se pode ter parte com Ele (v. 8), purificação que é um efeito da sua Morte redentora. Nos vv. 14-15, Jesus propõe o seu exemplo para ser imitado: «Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros», isto é, prestar aos outros todos os serviços, mesmo os mais humildes e humilhantes. Ter autoridade na Igreja (e também na sociedade civil) não é ter à disposição os outros para ser servido, mas é estar à disposição de todos para os servir eficazmente. A vida cristã consiste em imitar o exemplo de Jesus Cristo: 1 Pe 2, 21; 1 Jo 2, 6; Fil 2, 5; 1 Cor 11, 1; Ef 5, 1; 1 Tes 1, 6...

 

Sugestões para a homilia

 

• A Eucaristia, Páscoa da Nova Aliança

Lavados no Sangue do Cordeiro

Alimento para a viagem

A Páscoa, memorial permanente

• O sacerdócio ministerial, dom para perpetuar a Eucaristia

O sacerdócio ministerial, para servir

Mistério de amor

Cristo é o modelo do sacerdote

1. A Eucaristia, Páscoa da Nova Aliança

a) Lavados no Sangue do Cordeiro. «o seu sangue [...] será espalhado nos dois umbrais e na padieira das casas em que o comerem.»

O Senhor ensina a Moisés como hão-de os hebreus celebrar a Páscoa, carregando de sentido profético esta instituição.

Na sua passagem, o anjo exterminador, ainda em terras do Egipto, antes do êxodo, não entrará nas casas dos Hebreus que tiverem sinalizado as suas casas com o sangue do cordeiro.

O primeiro passo para a nossa salvação é a ablução com o Sangue do Cordeiro imaculado que nos é feita na fonte baptismal. Por ela somos reconhecidos como filhos de Deus, membros no Povo da Nova Aliança.

Um cordeiro sem defeito, imolado sem lhe quebrar osso algum na tarde da sexta feira, véspera da Páscoa, comido por toda a família em celebração festiva, tudo nos recorda a Paixão e Morte do Senhor, imolado na tarde de sexta-feira santa, sem lhe quebrar qualquer osso e servido em Alimento a todos nós na Eucaristia.

A Eucaristia, memorial da Morte do Senhor, lembra-nos a misericórdia do Senhor que nos é oferecida pelos sacramentos da Sua Igreja.

Pelo Baptismo, somos lavados da culpa original e revestidos da vida nova em Cristo; pelo Sacramento da reconciliação e Penitência é-nos restituída, se for necessário, a graça santificante e aumentada esta vida em Jesus Cristo.

Ao mesmo tempo lembra-nos que celebrar a Páscoa é também estar à espera da partida para a grande viagem pelo deserto da vida, até à Terra do Promissão. Não devemos, pois, encarar a nossa vida cristã como algo extático, parado, mas como quem vai a caminho, de olhos postos na meta e com desejo de lá chegar.

 

b) Alimento para a viagem. «Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa. É a Páscoa do Senhor

Esta vida é uma caminhada que empreendemos no Baptismo e tem a sua meta na felicidade eterna, em comunhão eterna com a Santíssima Trindade.

Aquela semente de vida divina que foi lançada em nós na fonte baptismal deve germinar e crescer, até florir na santidade pessoal a que o Senhor nos chama.

A Santíssima Eucaristia é o Alimento indispensável para que realizemos na vida este projecto de Amor. Não é um ornamento fácil para uma festa de família, nem um gesto rotineiro, mas uma ajuda imprescindível para o caminho do Céu.

Quando recebemos a Santíssima Eucaristia com as necessárias disposições

• Aumenta a nossa intimidade com Jesus Cristo, nossa fortaleza. Por isso ela não deve ser recebida com um gesto de fria rotina, mas com cuidadosa preparação, desde o estado de graça à fé viva em todo o nosso actuar.

• Exige de nós um comportamento que se pareça com o do Senhor que recebemos. Trata-se de uma comum+união em cada pensamento, palavra ou gesto. Somos desafiados a resplandecer em nossa vida a luz de Cristo.

• Oferece-Se como nosso Confidente, Médico, Amigo e Companheiro, pela Sua permanência em nossos sacrários.

 

c) A Páscoa, memorial permanente. «Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor

Quando celebramos a Eucaristia, proclamamos a morte do Senhor, o Seu Amor infinito por cada um de nós.

Por isso a Igreja, guiada pelo seu divino Fundador, estabeleceu que tivéssemos em cada domingo a Páscoa semanal. Celebrar o Domingo é para nós uma exigência de fé e de amor.

É o grande acontecimento do primeiro dia da semana. Nele

• Acolhemos a Palavra de Deus. Como Palavra viva, ilumina as circunstâncias particulares de cada um de nós, ajudando-nos a encontrar uma solução para eles.

• Recebemos o Corpo e o Sangue do Senhor, depois de uma cuidadosa preparação que nos ajudará a progredir em santidade.

• Edificamo-nos mutuamente, proclamando a mesma fé, entoando os mesmos cânticos e comungado o mesmo Senhor.

• Somos enviados, ao terminar a celebração, como arautos de Cristo, como os setenta e dois discípulos, a preparar a Sua vinda a todos os corações.

A Eucaristia é, pois, um memorial permanente que ocupa o lugar central da nossa vida em Jesus Cristo.

Como podemos encarar como coisa banal, de pouca importância a celebração eucarística dominial?

«O mistério eucarístico, a presença do Senhor sob as espécies do pão e do vinho é a máxima e mais alta condensação deste novo estar-connosco de Deus. “Tu és, na verdade, um Deus escondido, Deus de Israel” ‑ rezava o profeta Isaías (45, 15). Isto continua a ser verdade; mas ao mesmo tempo podemos dizer: verdadeiramente tu és um Deus próximo, és Deus-connosco. Revelaste-nos o teu mistério e mostraste-nos o teu rosto. Revelaste-Te a Ti mesmo e Te entregaste nas nossas mãos… Nesta hora, deve invadir-nos a alegria e a gratidão por Ele Se ter manifestado; por Ele, o Infinito e o Inacessível para a nossa razão, ser o Deus próximo que ama, o Deus que podemos conhecer e amar.» (Bento XVI, Quinta feira Santa de 2010).

2. O sacerdócio ministerial, dom para perpetuar a Eucaristia

a) O sacerdócio ministerial, para servir. «levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. [...] Depois [...] Começou a lavar os pés aos discípulos

Se Jesus Cristo Se tivesse limitado a instituir a Eucaristia, ela ficaria limitada à Sua presença mortal entre nós. Para a perpetuar, Jesus pediu a cada sacerdote a sua visibilidade: a sua voz as suas mãos o seu pensamento, vontade, rosto... João Paulo II gostava de usar a expressão «impersonar» Cristo.

Ele quis assegurar a certeza da Sua Presença. A validade da consagração não depende da ciência ou santidade do sacerdote. Desde que esteja validamente ordenado ‑ e a Igreja procura assegurar isto com todo o cuidado ‑ Cristo transubstancia o pão e vinho no Seu Corpo e Sangue.

O sacerdote é chamado a uma missão de serviço permanente. Não recebe este poder divino para sua utilidade pessoal, mas para serviço de todos os que o requisitam, embora, pelo exercício da própria missão, alcance a santidade pessoal.

O primeiro serviço que lhe pedem os fieis é um testemunho eloquente da sua fé na Presença Real. Este é prestado pela doutrina proclamada e pelo comportamento ao tratar com o Mistério Eucarístico.

Para que o sacerdote possa exercer este serviço permanente, esta disponibilidade, ele tem de ser identificado, não só pelos que mais de perto convivem com ele, mas por todos quantos se cruzam com ele nos caminhos da vida.

 

b) Mistério de amor. «Compreendeis o que vos fiz

Passados quase dois mil anos, continuamos a ouvir a mesma pergunta de Jesus  e temos de confessar humildemente que ainda não compreendemos:

• O tesouro que é para nós a Santíssima Eucaristia e, consequentemente, o dom do sacerdócio ministerial;

• A doação de Jesus que Se torna Alimento e desce á nossa baixeza, com a prontidão generosa de quem entra num palácio.

• A imprescindibilidade do sacerdócio ministerial. Sem ele, independentemente da sua indignidade, não há Eucaristia nem Sacrário.

Nos Andes do peru, vivia na década de cinquenta do século vinte um sacerdote hemiplégico e vergado ao peso dos anos.

Todos os domingos os paroquianos transportavam-no numa cadeira para junto do altar. Eles mesmos rezavam as orações, proclamavam as leituras; um deles rezava o cânon, até ao limiar das palavras da Consagração.

Nesse momento, colocavam diante deste sacerdote o pão e o cálice com vinho. Com perfeita consciência do que fazia e em voz submissa, como era então indicado, pronunciava as palavras da Consagração. A oração eucarística prosseguia rezada pelo mesmo leigo.

Ao chegar à comunhão, o sacerdote tomava o Corpo e o Sangue do Senhor e os leigos distribuíam a comunhão aos presentes.

Ninguém pode substituir o sacerdote. Não se trata aqui de uma exclamação triunfalista, mas da proclamação de uma verdade de fé. 

 

c) Cristo, o modelo do sacerdote. «Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também

Se Jesus Cristo é o modelo para todo o fiel, é-o, especialmente, no seu ministério, do sacerdote.

Na santidade de vida. Jesus Cristo não prescindia da oração. Dedicava-lhe a noite, antes das grandes decisões da Sua vida pública. Judas deu aos inimigos a indicação de O procurarem no Jardim das Oliveiras, porque já sabia que o Mestre iria para lá. É bom que os fieis surpreendam o sacerdote a fazer oração.

Na disponibilidade. Como Jesus Cristo, atendia quantos O procuravam, sem cansaço nem queixa alguma.

Na preocupação pelos mais carenciados. Jesus atendia com peculiar carinho e paciência as crianças, os doentes. O sacerdote não pode deixar que as pessoas que se acumulam na sua frente o impeçam de ver os que estão longe.

Na preocupação pela unidade. É o tema central da oração sacerdotal de Jesus, depois da Última Ceia. «Nesta hora, em que o Senhor Se oferece a Si mesmo – o seu corpo e o seu sangue – na Santíssima Eucaristia, em que Se entrega nas nossas mãos e corações, oxalá nos deixemos tocar pela sua oração. Oxalá entremos nós mesmos na sua oração, suplicando-Lhe: Sim, Senhor, concede-nos a fé em Ti, que sois um só com o Pai no Espírito Santo; concede-nos viver no teu amor para assim nos tornarmos um só como Tu és um só com o Pai, a fim de que o mundo acredite. Ámen.» (Bento XVI, Quinta feira Santa de 2010).

Pertence aos leigos conduzir os seus irmãos ao muro sacramental, preparando-os condignamente para o Baptismo, Penitência e Eucaristia.

Em cada Domingo vez identificado na missão o sacerdote com o Divino Mestre. Este quadro há-de motivar os presentes para buscar pastores para o rebanho e ajudar cada sacerdote a uma identificação progressiva com Cristo.

Devemos a Nossa Senhora o dom da Eucaristia, pois concebeu pelo Espírito Santo, deu à luz e alimentou o Filho de Deus que Se nos oferece no Altar. Que Ela nos alcance o dom de muitos e santos sacerdotes e possam e queiram dar continuidade à missão de Jesus.

 

Na homilia comentam-se os grandes mistérios que neste dia se comemoram: a instituição da sagrada Eucaristia e do sacramento da Ordem e o mandato do Senhor sobre a caridade.

 

Lava-pés

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus lava os pés sujos dos discípulos e torna-os assim capazes de aceder ao banquete divino.»

Queridos irmãos e irmãs!

São João começa a sua narração sobre como Jesus lavou os pés aos seus discípulos com uma linguagem particularmente solene, quase litúrgica: "Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele que amara os seus que estavam no mundo, levou até ao extremo o Seu amor por eles" (13, 1). Chegou a "hora" de Jesus, para a qual a sua obra estava orientada desde o início. O que constitui o conteúdo desta hora, João descreve-o com duas palavras: passagem (metabainein, metabasis) e agape amor. As duas palavras explicam-se reciprocamente; ambas descrevem a Páscoa de Jesus: cruz e ressurreição, crucifixão como elevação, como "passagem" para a glória de Deus, como um "passar" do mundo para o Pai. Não é como se Jesus, depois de uma breve visita ao mundo, agora simplesmente partisse de novo e voltasse para o Pai. A passagem é uma transformação. Ele leva consigo a sua carne, o seu ser humano. Na Cruz, ao entregar-se a si mesmo, Ele é como que fundido e transformado numa nova maneira de ser, na qual agora está sempre com o Pai e contemporaneamente com os homens.

Transforma a Cruz, o acto da morte, num acto de doação, de amor até ao fim. Com esta expressão "até ao fim" João remete antecipadamente para a última palavra de Jesus na Cruz: tudo foi levado até ao fim, "tudo está consumado" (19, 30). Mediante o seu amor a Cruz torna-semetabasis, transformação do ser homem no ser partícipe da glória de Deus. Nesta transformação Ele envolve todos nós, arrebatando-nos para dentro da força transformadora do seu amor a ponto de, no nosso ser com Ele, a nossa vida se tornar "passagem", transformação. Assim recebemos a redenção ser partícipes do amor eterno, uma condição para a qual tendemos com toda a nossa existência.

Este processo essencial da hora de Jesus é representado no lava-pés numa espécie de profético acto simbólico. Nele Jesus evidencia como um gesto concreto precisamente o que o grande hino cristológico da Carta aos Filipenses descreve como o conteúdo do mistério de Cristo. Jesus depõe as vestes da sua glória, entreita-nos com o "manto" da humanidade e faz-se servo. Lava os pés sujos dos discípulos e torna-os assim capazes de aceder ao banquete divino para o qual Ele os convida. As purificações cultuais e exteriores, que purificam o homem ritualmente, deixando-o contudo tal como ele é, são substituídas pelo banho novo: Ele torna-nos puros mediante a sua palavra e o seu amor, mediante o dom de si mesmo. "Vós já estais limpos, devido à palavra que vos tenho dirigido", dirá aos discípulos no sermão sobre a videira (Jo 15, 3). Lava-nos sempre de novo com a sua palavra. Sim, se acolhemos as palavras de Jesus em atitude de meditação, de oração e de fé, elas desenvolvem em nós a sua força purificadora. Dia após dia somos como que cobertos de várias formas de sujidade, de palavras vazias, de preconceitos, de sabedoria limitada e alterada; uma múltipla semifalsidade ou falsidade aberta infiltra-se continuamente no nosso íntimo.

Tudo isto ofusca e contamina a nossa alma, ameaça-nos com a incapacidade para a verdade e para o bem. Se acolhermos as palavras de Jesus com o coração atento, elas revelam-se verdadeiras lavagens, purificações da alma, do homem interior. É para isto que nos convida o Evangelho do lava-pés: deixarmo-nos sempre de novo lavar com esta água pura, deixar-nos tornar capazes da comunhão convivial com Deus e com os irmãos. Mas do lado de Jesus, depois do golpe da lança do soldado, saiu não só água, mas também sangue (Jo 19, 34; cf. 1 Jo 5, 6.8). Jesus não apenas nos falou, não nos deixou só palavras. Ele ofereceu-Se a Si mesmo. Lava-nos com o poder sagrado do seu sangue, isto é, com o seu doar-se "até ao extremo", até à Cruz. A sua palavra é mais que um simples falar; é carne e sangue "pela vida do mundo" (Jo 6, 51). Nos sagrados Sacramentos, o Senhor ajoelha-se sempre de novo diante dos nossos pés e purifica-nos. Rezemos-Lhe para que do banho sagrado do seu amor sejamos cada vez mais profundamente penetrados e assim deveras purificados!

[…]

Papa Bento XVII, Basílica de S.João de Latrão, 20 de Março de 2008

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste dia em que celebramos com uma alegria contida

a instituição do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor,

peçamos-Lhe que saibamos amar cada vez mais

a doação generosa que de Si mesmo nos faz na Eucaristia.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

1.  Pelo Santo Padre, Bispos e Presbíteros e Diáconos,

    para que nos guiem na fé e no Amor à Eucaristia,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

2. Pelos doentes, participantes no mistério da Cruz,

    para que recebam da Eucaristia toda a fortaleza,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

3. Pelos sacerdotes que nos levam às fontes da Graça,

    para que vivam a dedicação plena ao ministério,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

4. Pelas pessoas que, pelo trabalho, ajudam no culto,

    para que o Senhor as recompense, ajude e conforte,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

5. Pelas famílias, templos e viveiros de vocações,

    para que promovam vocações ao sacerdócio,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

6. Pelos nossos irmãos que faleceram e se purificam,

    para que o Senhor lhes conceda a felicidade eterna,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor,  Pão da Eucaristia!

 

Senhor, que permaneceis nos Sacrários

como Alimento, Médico e Conselheiro:

fazei-nos tratar com reverência e Amor

o tesouro da Santíssima Eucaristia,

para merecermos a glória eterna do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

 Dentro de alguns momentos, Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, vai renovar o mesmo prodígio que ofereceu aos Apóstolos no Cenáculo, na noite de Quinta feira Santa, transubstanciando o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.

Em recolhimento profundo, participemos neste sagrado mistério com fé, humildade e devoção.

 

Cântico do ofertório: Senhor, são muitos os nossos pecados, J. Santos, NRMS 53

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Santíssima Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Jesus Cristo oferece-nos a paz, não como o mundo no-la dá, mas a paz verdadeira que nos faz viver em leal fraternidade.

Esta dádiva tem especial significado neste fim de dia em que Ele nos fala do Mandamento Novo do Amor.

Afastemos de nós todo o sinal de divisão e manifestemos com um gesto indicado pela Liturgia o nosso desejo de reconciliação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Com a fé simples do Apóstolos que realizaram na noite de Quinta feira Santa a sua primeira comunhão, aproximemo-nos do altar para receber o Corpo do Se3nhor.

Façamo-lo com toda a pureza, humildade e devoção com que O recebia Nossa Senhora, com o espírito e o fervor de todos os santos da Igreja.

 

Cântico da Comunhão: Não há maior prova de amor, M. Faria, NRMS 29

1 Cor 11, 24.25

Antífona da comunhão: Isto é o meu Corpo, entregue por vós; este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Fazei isto em memória de Mim.

 

Terminada a distribuição da comunhão, deixa-se sobre o altar a píxide com as partículas para a comunhão do dia seguinte. A Missa conclui com a oração depois da comunhão:

 

Cântico de acção de graças: Vós sereis meus amigos, M. Faria, NRMS 29

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que hoje nos alimentastes na Ceia do vosso Filho, saciai-nos um dia na ceia do reino eterno. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Trasladação do Santíssimo Sacramento

 

Terminada a oração, o sacerdote, de pé, diante do altar, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa por três vezes o Santíssimo Sacramento. Em seguida, toma o véu de ombros, pega na píxide e cobre-a com as extremidades do véu.

Organiza-se a procissão, com círios e incenso, indo à frente o cruciferário com a cruz, e leva-se o Santíssimo Sacramento, através da igreja, para o lugar da reserva, preparado numa capela convenientemente ornamentada. Entretanto canta-se o hino Pange, lingua (Canta, Igreja, o Rei do mundo) – excepto as duas últimas estrofes – ou outro cântico apropriado.

Chegada a procissão ao lugar da reserva, o sacerdote depõe a píxide. Seguidamente, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa o Santíssimo Sacramento. Entretanto canta-se o Tantum ergo sacramentum. Depois fecha-se o tabernáculo ou urna da reserva.

Depois de algum tempo de oração em silêncio, o sacerdote e os ministros fazem a genuflexão e retiram-se para a sacristia.

Segue-se a desnudação do altar e, se possível, retiram-se as cruzes da igreja. Se algumas ficam na igreja, é conveniente cobri-las.

Os que tomaram parte na Missa vespertina não são obrigados à celebração das Vésperas.

Exortem-se os fiéis, tendo em conta as circunstâncias e as diversas situações locais, a dedicar algum tempo da noite à adoração do Santíssimo Sacramento. A partir da meia noite, porém, esta adoração faz-se sem solenidade.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivamos com profundo recolhimento este Tríduo Pascal agora começado, aguardando a madrugada da Páscoa da Ressurreição.

Ajudemos as pessoas que encontrarmos no caminho da vida a seguirem ao encontro de Cristo Ressuscitado.

 

Cântico final: Toda a minha glória está na cruz, S. Marques, NRMS 61

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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