5º Domingo da Quaresma

10 de Abril de 2011

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me, Senhor, J. Santos, NRMS 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O 5º Domingo da Quaresma é chamado o Domingo de Lázaro. No ano A temos o Evangelho da ressurreição deste amigo de Jesus. Num sentido espiritual, também nós precisamos de ressuscitar da nossa tibieza e mediocridade. «Quem ressuscitou Lázaro ainda vive», e com uma vida que já não é deste mundo, por isso transcende o tempo e espaço; para Ele não há distâncias para nos valer. Examinemos o que em nós há de germes de morte (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Monição à Liturgia da Palavra:

 

Na primeira leitura o profeta Ezequiel anuncia da parte de Deus que nos vai tirar um coração de pedra e dar um coração de carne, capaz de amar, dando-nos numa entrega generosa ao serviço de deus e das almas. Na 2ª leitura S. Paulo garante-nos que Cristo nos a vida, ainda que a tenhamos perdido pelo pecado. No Evangelho, Jesus revela não apenas o seu poder divino ao ressuscitar Lázaro, mas também o seu coração tão humano, que chora pelo seu amigo morto,

 

Primeira Leitura

 

Ezequiel 37, 12-14

 

12Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executei».

 

A leitura é extraída da 3ª parte de Ezequiel (cap. 33 – 48), destinada a confortar os exilados em Babilónia com palavras de esperança no futuro.

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas da do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à Terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). É um misterioso anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2ª Leitura de hoje, há-de desenvolver a ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Refrão:        No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

 

Ou:               No Senhor está a misericórdia,

                no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica.

 

Se tiverdes em conta as nossas faltas,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão,

para Vos servirmos com reverência.

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora.

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas.

 

Segunda Leitura

 

Romanos 8, 8-11

 

Irmãos: 8Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. 9Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. 10Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. 11E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.

 

Temos, neste breve extracto de Rom 8, dois modos antitéticos de ser e de viver: segundo a carne e segundo o Espírito. Viver segundo a carne é o mesmo que levar uma vida de pecado, por isso, os que se encontram nesta situação «não podem agradar a Deus».

9-11 Depois de ter falado em geral, S. Paulo dirige-se directamente aos fiéis baptizados: o facto de o Espírito Santo habitar neles subtrai-os ao «domínio da carne». Este habitar do Espírito Santo no fiel é um ponto fulcral da fé pregada por Paulo (cf. 1 Cor 3, 16-17; 6, 19; cf. Jo 14, 23), o que é afirmado por três vezes neste pequeno trecho: vv. 9.11a.11b. Aparece como garantia da vitória sobre a carne (v. 9) e sobre a morte (v. 11). Note-se como o Espírito Santo é chamado tanto Espírito de Deus (o Pai) – nos vv. 9 e 11a –, como Espírito de Cristo (o Filho) – nos vv. 10 e 11b –; com efeito, o Espírito Santo «procede do Pai e do Filho» e nos é «enviado» pelo Pai e pelo Filho.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 11, 25a.26

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 11, 1-45;         forma breve: São João 11, 3-7.17.20-27.33b-45

 

1Naquele tempo, [estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. 2Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente.] 3As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». 4Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». 5Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. 6Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. 7Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». [8Os discípulos disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?» 9Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo». 11Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». 12Disseram então os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». 13Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. 14Disse-lhes então Jesus abertamente: «Lázaro morreu; por vossa causa, 15alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas vamos ter com ele». 16Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele».] 17Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. [18Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros. 19Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão.] 20Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. 21Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». 23Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». 24Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia». 25Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; 26e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» 27Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». [28Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». 29Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. 30Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. 31Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. 32Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido».] 33Jesus, [ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela,] comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. 34Depois perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». 35E Jesus chorou. 36Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». 37Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?» 38Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. 39Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». 40Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?» 41Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. 42Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». 43Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». 44O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». 45Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

 

Neste domingo dito de Lázaro, temos o 7º e último dos sinais do IV Evangelho, que deixam ver Jesus como o Messias, não um messias sem mais, mas aquele que é a própria Vida, capaz de dar a vida aos mortos. É assim que o ponto culminante de toda esta secção (Jo 9) é a solene declaração de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida» (v. 25). Mas toda a grandeza da sua pessoa divina aparece aqui tão profundamente humana, com uma sensibilidade tal que, perante a morte do amigo e a dor e desconsolo das irmãs do defunto, Ele se comove e perturba (v. 33.38), chegando mesmo a chorar (v. 35); Ele é o divino amigo, tão humanamente amigo! (vv. 3.5.11.36).

1 «Betânia» (ver Mt 26, 6; Mc 14, 3) era uma povoação situada na vertente oriental do Monte das Oliveiras, a uns 3 Km de Jerusalém (v. 18), distinta de outra Betânia, na Pereia (1, 28). Corresponde à actual El-Azariyeh, um nome derivado de Lázaro.

2 Porque esta unção do Senhor só é contada no capítulo 12, no Ocidente veio a pensar-se que esta Maria de Betânia seria a pecadora que em Lc 7, 37 tinha ungido o Senhor, o que não parece provável. Nenhuma das duas mulheres se deverá confundir com Maria Madalena (19, 25; 20, 1.18; Lc 8, 2). Foram confundidas no Ocidente inclusive no Missal Romano, até à reforma de Paulo VI.

25-26 São dois versículos paralelos, mas com distinto matiz: Jesus é a «Ressurreição», porque leva os crentes à ressurreição final (v. 25: «viverá») prefigurada na de Lázaro (que ainda não é a ressurreição gloriosa); e é a «Vida», porque dá aos crentes a vida espiritual (sobrenatural), uma vida que não morre (v. 26). Entendido assim o texto, teríamos aqui a síntese da escatologia já presente (tão típica de S. João) e da escatologia do fim dos tempos, compenetrando-se de forma harmoniosa e coerente.

39 «O quarto dia»: todos estão de acordo quanto ao significado simbólico da ressurreição de Lázaro, o que não quer dizer que esta seja um mero símbolo; se assim fosse, deveria ser ao terceiro dia, como a de Jesus, e não ao quarto dia.

44 Deixai-o andar. A tradução litúrgica «deixai-o ir» (para sua casa), embora gramaticalmente correcta, parece imprópria, pois pode fazer supor desinteresse de Jesus pela pessoa do seu amigo Lázaro…

49-53 Temos aqui mais um paradoxo: o último pontífice da Antiga Aliança, sem saber, profetiza a investidura de Jesus como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, selada com o seu próprio sangue. José Caifás (cf. Jo 18, 13-14.28) exerceu a sua função entre os anos 18 a 36 da era cristã.

 

Sugestões para a homilia

 

Introdução

 

O Evangelho de hoje deixa-nos ver a figura de Jesus, perfeito Deus e perfeito homem: com o seu poder divino faz regressar a esta vida o seu amigo morto; com o seu coração cheio de ternura e afecto, mostra-se perfeitamente humano ao chorar com as irmãs que se lamentam da morte de Lázaro.

No seguimento das últimas homilias doutrinais, vamos considerar hoje Jesus no mistério da sua Incarnação, seguindo basicamente o Catecismo da Igreja Católica.

 

O mistério da Incarnação

 

Assim se chama “o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Verbo”, o Filho eterno de Deus:

No Credo professamos a nossa fé acerca do mistério da pessoa de Jesus: “Desceu dos céus, e incarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem”.

O Evangelho segundo S. João, diz logo no início o mistério de Jesus: “No princípio já existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus; por Ele é que tudo começou a existir; sem Ele nada veio à existência. (…) E o Verbo fez-se carne (= incarnou = fez-se homem) e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,1-3.14).

A Igreja sempre manteve a fé no mistério do ser divino-humano de Jesus Cristo, rejeitando todas as heresias que desde o princípio foram surgindo e explicitando a sua fé em vários Concílios Ecuménicos:

Contra os gnósticos que reafirma que Jesus é verdadeiro homem, e não apenas uma aparência de homem.

Contra Ario, define no Concílio de Niceia (325) que Jesus, o Filho, é mesmo Deus: “consubstancial ao Pai”, como repetimos no Credo.

Contra Nestório, define no Concílio de Éfeso (431) que em Jesus só há uma pessoa, que é a divina e por isso Maria pode chamar-se Mãe de Deus.

Contra os monofisitas define no Concílio de Calcedónia (451) que em Jesus há duas naturezas perfeitas: é “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.

O Magistério da Igreja também afirma que em Jesus há uma alma humana, dotada de conhecimento e sentimentos humanos e também que tem duas vontades, em pleno acordo, a divina e a humana (III Concílio de Constantinopla, em 681).

Nos nossos dias proliferam seitas religiosas que se servem do nome de Jesus, mas já não o reconhecem como Deus feito homem, renovando assim heresias antigas e já superadas; assim as Testemunhas de Jeová, os Mórmones, etc., etc., para já não falarmos do movimento New Age.

 

Como se realizou a Incarnação do Filho de Deus

 

No Credo proclamamos: “foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria”.

O Evangelho de S. Lucas conta a Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria e como se deu esse prodígio (Lc 1, 26-38). Quando lhe é anunciada a escolha que Deus tinha feito dela para que fosse a mãe do Messias – “eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David…”, Ela pergunta: “Como se fará isso, pois eu não conheço homem?”. O Anjo explica o plano divino: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo sobre Ti estenderá a sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus.

A Virgem Maria havia de ser mãe, sem a intervenção de homem algum, para que ficasse bem claro que o seu Filho não era um simples homem, mas Deus feito homem, que assumia a nossa natureza humana a partir só do elemento feminino. E Maria, uma vez elucidada acerca do mistério, dá o seu consentimento: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. E, “ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne”! E Deus veio à terra, entrou na nossa história humana – o acontecimento mais assombroso – sem que ninguém se apercebesse! “Coisa impensável, se não tivesse realmente acontecido! Que Deus, o infinitamente transcendente às suas criaturas, o imenso, o infinito, o eterno, se tivesse diminuído até ao ponto de se fazer homem é uma coisa que deixa o nosso coração e a nossa mente profundamente surpreendidos”.

“O evangelista S. Lucas deixa ver que conhece a concepção virginal e sobrenatural de Jesus e que crê firmemente nela. O mistério da sua Incarnação engloba três realidades:

1) que o menino é concebido virginalmente no seio de Maria;

2) que nenhum homem teve intervenção biológica alguma;

3) e que o menino, verdadeiro homem por ser filho de Maria, é ao mesmo tempo Filho de Deus, no sentido mais forte desta expressão, e, portanto, Deus como seu Pai.

Estas três verdades são expressas na referida passagem do Evangelho de S. Lucas, não de maneira especulativa, mas com a simplicidade de quem conta factos dos quais está completamente seguro. Essa é a verdade que o evangelista apresenta a todas as pessoas, qualquer que seja a sua condição e cultura” (J. Casciaro, Jesus de Nazaré, Viseu, Ed. ISPV, 1999, pp. 28).

 

Os mistérios da vida de Jesus

 

Relativamente à vida de Cristo, o Símbolo da Fé apenas fala dos mistérios da Incarnação e da Páscoa. Também os Evangelhos não nos contam tudo o que Jesus fez e disse, pois não foram escritos para satisfazer a nossa curiosidade, mas para acreditemos que Ele é o Filho de Deus que nos salva do pecado e nos traz a vida divina.

Mas toda a vida de Jesus é um mistério, pois em cada uma das suas palavras, em cada um dos seu gestos podemos encontrar algo que Deus nos diz e um modelo de vida que devemos imitar. Nas suas palavras e nos seus gestos Jesus aparece como o caminho a seguir para chegarmos a Deus, uma vida de entrega, tanto na sua vida oculta em Nazaré – vida de família e vida de trabalho – como na sua vida pública de pregação por toda a Palestina.

É de uma extraordinária importância que todos os cristãos leiam e meditem o Evangelho, um livro que sempre nos devia acompanhar. A sua leitura leva-nos a contemplar a vida de Cristo, para nos identificarmos com Ele, vivendo a vida humana duma maneira divina, leva-nos a descobrirmos o amor de Deus e do próximo e a darmo-nos como Ele se deu.

De modo particular, na Semana Santa que se aproxima, vamos reler os quatro os relatos evangélicos da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, considerando recolhidamente o mistério tão impressionante de Deus que se faz homem para nos restituir a vida divina perdida pelo pecado, à custa de tanto sofrer por nosso amor: «amou-me e entregou-se por mim!», exclamava S.Paulo.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus demonstrou um poder absoluto em relação a esta morte.»

Amados irmãos e irmãs

No nosso itinerário quaresmal, chegamos ao 5º domingo, caracterizado pelo Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45). Trata-se do último grande "sinal" realizado por Jesus, depois do qual os sumos sacerdotes reuniram o Sinédrio e decidiram matá-lo; e decidiram matar também o próprio Lázaro, que era a prova viva da divindade de Cristo, Senhor da vida e da morte. Na realidade, esta página evangélica mostra Jesus como verdadeiro Homem e verdadeiro Deus. Em primeiro lugar, o evangelista insiste sobre a sua amizade com Lázaro e com as irmãs Maria e Marta. Ele ressalta o facto de que "Jesus era muito amigo" deles (Jo 11, 5), e por isso quis realizar o grande prodígio. "O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou acordá-lo" (Jo 11, 11) – assim disse aos discípulos, expressando com a metáfora do sono o ponto de vista de Deus sobre a morte física: Deus vê-a precisamente como um sono, do qual nos pode despertar. Jesus demonstrou um poder absoluto em relação a esta morte: vê-se isto, quando restitui a vida ao filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17) e à menina de doze anos (cf. Mc 5, 35-43). Precisamente dela, disse: "Não morreu, está a dormir" (Mc 5, 39), atraindo sobre si o escárnio dos presentes. Mas na verdade é exactamente assim: a morte do corpo é um sono do qual Deus pode acordar-nos em qualquer momento.

Este senhorio sobre a morte não impediu que Jesus sentisse compaixão pela dor da separação. Ao ver Marta e Maria a chorar e quantos tinham vindo para as consolar, também Jesus "suspirou profundamente e comoveu-se" (Jo 11, 33.35). O Coração de Cristo é divino-humano: nele, Deus e Homem encontraram-se perfeitamente, sem separação nem confusão. Ele é a imagem, aliás, a encarnação do Deus que é amor, misericórdia e ternura paterna e materna do Deus que é Vida. Por isso, declarou solenemente a Marta: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre". Depois, acrescentou: "Crês nisto?" (Jo 11, 25-26). É uma pergunta que Jesus dirige a cada um de nós; uma interrogação que certamente nos supera, ultrapassa a nossa capacidade de compreender e exige que confiemos nele, como Ele se confiou ao Pai. A resposta de Marta é exemplar: "Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo" (Jo 11, 27). Sim, ó Senhor! Também nós acreditamos, não obstante as nossas dúvidas e as nossas obscuridades; cremos em ti, porque Tu tens palavras de vida eterna; desejamos acreditar em ti, que nos infundes uma confiável esperança de vida para além da vida, de vida autêntica e repleta no teu Reino de luz e de paz.

Confiemos esta oração a Maria Santíssima. Possa a sua intercessão revigorar a nossa fé e a nossa esperança em Jesus, especialmente nos momentos de maior provação e dificuldade.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Domingo, 9 de Março de 2008

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração

 

1.  Pela Santa Igreja, presente no mundo

para o iluminar com a Doutrina Salvadora de Jesus

a fim de que haja paz e se viva o Amor,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos trabalhadores que contribuem para o progresso da sociedade,

pelos desempregados que procuram trabalho para viverem com dignidade,

pelos empresários que criam riqueza, dando emprego a quem precisa,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelas crianças que vão nascer,

pelos jovens que são a esperança do futuro,

pelos idosos que continuam a ensinar com a experiência adquirida,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelas famílias desunidas, à procura da reconciliação,

pelas famílias que vivem no Amor,

pelas famílias onde cada um é fiel à sua vocação,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos doentes a sofrer em casa ou no hospital,

pelos doentes em angústia e depressão,

pelos doentes que já não têm esperança de cura,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos familiares e amigos falecidos

que recordamos nas nossas orações

e esperamos encontrar um dia no Céu,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-vos atender estas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Dai-nos a vossa misericórdia, M. Simões, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A ressurreição de Lázaro

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Como verdadeiro homem, Ele chorou pelo seu amigo Lázaro; como Deus eterno, ressuscitou-o do túmulo; compadecido da humanidade, fez-nos passar da morte à vida, mediante os sacramentos pascais.

Por Ele Vos adoram no Céu os coros dos Anjos e se alegram eternamente na vossa presença. Com eles também nós proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Se nos sentimos preparados, ainda nunca sejamos dignos de tão grande encontro, aproximemo-nos da Sagrada Comunhão, com a fé da irmã de Lázaro, Marta: «Eu creio, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo».

 

Cântico da Comunhão: Bendiz minha alma, M. Carneiro, NRMS 105

Jo 11, 26

Antífona da comunhão: Aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Iluminados pela Palavra de Deus, fortalecidos com a Eucaristia, vamos no nosso dia a dia dar testemunho d’Aquele que ressuscita os mortos e tem o poder de dar a vida e também muitos acreditarão n’Ele. Que não nos falte a coragem de Tomé, que animou os companheiros a seguir Jesus para Jerusalém, onde O esperava a Paixão e Morte: «Vamos nós também, para morrermos com Ele!»

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-IV: O perdão de Deus e a conversão.

Dan 13, 41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Também eu não te condeno. Vai e doravante não tornes a pecar.

Susana foi injustamente acusada de um pecado de adultério e foi salva de morte certa pela intervenção do profeta Daniel (Leit). O mesmo aconteceu à mulher adúltera, que foi salva por Jesus (Ev).

Os que cometem pecados graves merecem igualmente a morte eterna. Mas devem aumentar a esperança, porque Jesus ofereceu a sua vida para os salvar da morte. «Jesus, porque é Filho de Deus, diz de si próprio: ‘O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados’ e exerce este poder divino» (CIC, 1441).

 

3ª Feira, 12-IV: Um olhar que cura.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente é a imagem da Cruz de Cristo no Calvário. «Já no Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo Encarnado: por exemplo, a serpente de bronze (Leit)» (CIC, 2130).

Quem olhar para Cristo no alto, na Cruz, terá a vida salva. Poderemos fazê-lo meditando nos mistérios dolorosos do Rosário, meditando nas estações da Via-Sacra, olhando para um crucifixo, etc.

 

4ª Feira, 13-IV: A libertação da escravidão.

Dan 3, 14-20. 91-92. 95 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach. Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança n’Ele.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia os três jovens foram salvos e libertados pela confiança em Deus, que é a Verdade (Leit).

Jesus também nos recorda que é a Verdade que nos libertará: «Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. N’Ele nós comungamos a verdade que nos liberta (Ev)» (CIC, 1741). Procuremos chegar ao conhecimento da verdade, que está contida nos ensinamentos de Jesus.

 

5ª Feira, 14-IV: Fidelidade à Aliança.

Gen 17, 3-9 / Jo 8, 51-59

Vou estabelecer uma Aliança contigo e, depois de ti, com a tua descendência de geração em geração.

«A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem na esperança de Abraão, o qual, em Isaac, foi cumulado das promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício (Leit)» (CIC 1819).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. A Eucaristia é memorial da Páscoa de Cristo e também um sacrifício, que se manifesta nas palavras da instituição: este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós (CIC, 1365).

 

6ª Feira, 15-IV: A vitória sobre o demónio.

Jer 20, 10-13 /Jo 10, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (Leit) representa Cristo que veio à terra, entre outras coisas, para vencer o demónio, embora este continue a dispor de algum poder sobre o mundo. Por isso, a nossa vida é um combate contínuo: «Ora um tal combate e uma tal vitória só são possíveis pela oração. Foi pela oração que Jesus venceu o tentador desde o princípio e no último combate da sua agonia» (CIC 2849).

A Cruz é igualmente um recurso para vencer o demónio: «O sinal da cruz significa a graça da redenção que Cristo nos adquiriu pela cruz» (CIC, 1235).

 

Sábado, 16-IV: Meios para conseguir a unidade.

Ez 37, 21-18 / Jo 11, 45-46

Vou reuni-los de toda a parte… farei deles um só povo… Farei com eles uma aliança de paz, uma aliança eterna entre mim e eles.

«Deus promete a Abraão uma descendência… essa descendência será Cristo, no qual a efusão do Espírito Santo fará a unidade dos filhos de Deus dispersos (Ev)» (CIC, 706). A unidade dos filhos de Deus será fruto da entrega de Jesus (Ev) e do dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reuniu uma enorme multidão.

A oração do Pai-nosso ajuda também à unidade: «Rezar o Pai-nosso é orar com e por todos os homens que ainda não o conhecem, para que sejam reunidos na unidade (Ev)» (CIC, 2793).

 

 

 

 

 

Celebração, Homilia e Nota Exegética:     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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