3º Domingo da Quaresma

27 de Março de 2011

 

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, e respondei-me, F. da Silva, NRMS 94

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje no Evangelho vamos deparar-nos com a súplica da Samaritana a Jesus: «Dá-me a beber dessa água, para que eu não sinta mais sede». Podemos entender esta súplica como o desejo de toda a humanidade inquieta por não conseguir, por seus próprios meios, satisfazer aquela sede insaciável de felicidade que a atormenta.

Examinemos num instante o nosso procedimento, ao tentar saciar a nossa sede de felicidade à margem de Deus, em enganadoras miragens ou nos pântanos de vícios e pecados, e disponhamo-nos a celebrar os santos mistérios pedindo humildemente perdão ao Senhor. (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Monição à Liturgia da Palavra:

 

A água que brota do «rochedo» do deserto (1ª leitura) é um símbolo daquela água que brotará do peito de Cristo aberto pela lança do soldado no Calvário, onde Jesus nos «deu a maior prova de amor para connosco» (2ª leitura). Escutemos Jesus que hoje nos fala da «água viva» (Evangeho): «Se alguém tem sede venha a Mim; e quem crê em Mim que sacie a sua sede!» (Jo 7, 57)

 

Primeira Leitura

 

Êxodo 17, 3-7

 

3Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?» 4Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». 5O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. 6Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. 7E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?»

 

O relato é situado em Refidim (v. 1), um oásis na península do Sinai a cerca de uma dúzia de quilómetros do monte que se considera ser o da grande teofania do Sinai, o Djébel Músa.

O episódio que constituiu uma prova e fonte de litígio, enquadra-se bem na vida no deserto do Sinai, onde abunda a fome e a sede e escasseiam os oásis; a narrativa é apresentada a dar lugar ao nome de dois sítios: «Meribá», que, segundo uma etimologia popular, designa a disputa ou litígio (do povo com Moisés) e «Massá», nome correspondente a prova ou tentação. Este pecado de falta de fé do povo na Providência divina é muitas vezes posto em relevo na Sagrada Escritura: Dt 6, 16; 9, 22-24; 33, 8; Salm 95, 8-9. Também aparece sublinhada a falta de fé do próprio chefe, Moisés, cuja dúvida o levou a bater duas vezes na rocha (cf. Nm 20, 1-13; Dt 32, 51; Salm 106, 32).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

Pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras.

 

Segunda Leitura

 

Romanos 5, 1-2.5-8

 

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 5Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 7Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

 

Dentro do tema central da epístola, a obra da nossa justificação realizada por Cristo, S. Paulo aponta aqui os efeitos desta sua obra salvadora: a «paz» (v. 1), o «acesso à graça», um orgulho santo, e a esperança (v. 2), uma «esperança que não engana», porque tem como fundamento o «amor de Deus». «Esta graça em que permanecemos» é a graça santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 «A esperança não engana», não nos deixa confundidos, um tema desenvolvido a fundo na encíclica Spe salvi. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: «trabalhai com temor e tremor na vossa salvação» (Filp 2, 12). «O amor de Deus foi derramado em nossos corações»; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações «pelo Espírito Santo que nos foi dado». Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um «hábito» permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego («que permanece derramado»); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também «nos foi dado»; Ele é a graça incriada: por isso se pode falar da inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo.

6-8 Este amor de Deus não é uma teoria, pois ele se revela na morte de Jesus pelos pecadores.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 4, 42.15

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Senhor, Vós sois o Salvador do mundo:

dai-nos a água viva, para não termos sede.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 4, 5-42;                          forma breve: São João 4, 5-15.19b-26.39a40-42

 

5Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, 6onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». 8Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. 9Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?» De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. 10Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». 11Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? 12Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?» 13Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. 14Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». 15«Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». [16Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui». 17Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, 18pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». 19Disse-lhe a mulher: «Senhor,] vejo que és profeta. 20Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». 21Disse-lhe Jesus: «Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. 24Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade». 25Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas». 26Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». [27Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?» ou então: «Porque falas com ela?» 28A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: 29«Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?» 30Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. 31Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». 32Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». 33Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?» 34Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. 36Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. 37Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. 38Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».] 39Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, [que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». 40Por isso] os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. 41Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram 42e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

 

A leitura contém uma das mais encantadoras cenas de todo o Evangelho. Um belíssimo diálogo pedagógico inicial conduz a uma proposta misteriosa de Jesus (v.10), que suscita o vivo interesse da mulher, a qual passa da incompreensão (vv. 11-12) ao acolhimento da auto-revelação de Jesus e a tornar-se por fim numa apóstola de Cristo. O diálogo atinge o clímax, o ponto culminante, no v. 26: «(o Messias) sou Eu, que estou a falar contigo!»

5-6 «Sicar», que muitos querem identificar com a Siquém dos tempos dos Patriarcas, destruída em grande parte por João Hircano em 128 a. C., costuma identificar-se com a actual Askar, no sopé do monte Ebal, perto da antiga Siquém e da actual Nablus, a maior cidade dos palestinos (cf. Gn 33, 19; 48, 22; Jos 24, 32. O «poço», com 32 metros, conserva-se na cripta duma igreja feita pelos cruzados sobre as ruínas de templos sucessivamente destruídos, primeiro pelos samaritanos, depois pelos maometanos por duas vezes; em 1863 uma comunidade grega ortodoxa reconstruiu essa cripta, onde o peregrino continua a poder beber água tirada com um balde preso a uma corda.

6 «Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço». João, que pretende demonstrar a divindade de Jesus no seu Evangelho (cf. Jo 20, 31), não descuida deixar ver bem clara a humanidade do Senhor. Eis o belíssimo comentário de Santo Agostinho: «Não é em vão que se fatiga o poder de Deus. Não é em vão que se fatiga Aquele cuja ausência nos causa fadiga e cuja presença nos conforta. (...) Jesus fatigou-Se com o caminho por nosso amor. Encontramos ali Jesus que é força e encontramo-Lo fatigado. Jesus é forte e é fraco. (...) A força de Cristo deu-nos a vida e a fraqueza de Cristo deu-nos a nova vida. A força de Cristo fez que existisse o que não existia; a fraqueza de Cristo fez que não perecesse o que existia. Cristo criou-nos pela sua força e salvou-nos pela sua fraqueza» (In Ioh. Tractus XV, 6).

9 «Sendo eu samaritana». Os samaritanos eram um povo misto, resultado do cruzamento dos judeus não desterrados por Sargão II na destruição do reino do Norte em 721, com os colonos assírios que para ali foram mandados. As rivalidades, que vinham dos inícios da monarquia, com a divisão em dois reinos (cf. 1 Re 12; 17, 24-34), acirraram-se com a reforma de Esdras e Neemias no regresso do exílio, até que se consumou o cisma religioso. Eles consideravam-se autênticos israelitas e seguiam os cinco livros de Moisés (o Pentateuco Samaritano). Mas os judeus consideravam-nos semi-pagãos e cismáticos, pois sobre o monte Garizim tinham chegado a construir um templo, rival do de Jerusalém. O ódio e desprezo dos judeus pelos samaritanos era tão grande que, quando querem insultar a Jesus chamam-no «samaritano» (Jo 8, 48), o que equivalia a chamar-Lhe um renegado, talvez pelos contactos de Jesus com as gentes da Samaria, quando um judeu praticante devia abster-se de todo o contacto com os samaritanos.

10-15 «Se conhecesses…»: conhecer, na linguagem bíblica, não se reduz a estar informado, mas implica uma vivência, como se Jesus dissesse: «Se tu tivesses a experiência da vida que Deus tem para te dar...». «Água viva»: dá-se aqui um mal-entendido, pois a samaritana pensa em água corrente, por oposição à água estagnada do poço, quando Jesus lhe fala assim, recorrendo a um símbolo bíblico tradicional (cf. Is 12, 3; 44, 3; Jr 2, 13; 17, 13; Salm 36, 10; ver Apoc 21, 6; 22, 17) para falar dum dom divino que no IV Evangelho se exprime em diversas categorias sobrenaturais paralelas e que se iluminam mutuamente: vida eterna, salvação, o próprio Jesus, o Espírito Santo, como se explicita em 7, 38-39. A imagem da água viva tem mais força se temos em conta o que diz o Targum acerca dum poço de Jacob que transbordou jorrando água durante 20 anos. 

17 «Tiveste cinco maridos»: O contexto deixa ver que a mulher tinha levado uma vida escandalosa (ver v. 29); embora alguns queiram ver que temos aqui um símbolo do antigo politeísmo dos samaritanos (2 Re 17, 29-41) que adoraram 5 ídolos (na realidade o texto fala de 7) e agora tinham um culto ilegítimo; mas esta hipotética alusão não anularia o valor do acontecimento relatado.

19-24 Ao ver que Jesus penetra nos segredos da sua vida irregular, reconhece que está diante dum profeta, por isso lhe põe a grande questão que opunha os samaritanos aos judeus, a saber, o lugar do culto (cf. Dt 12, 5), que eles celebravam no monte Garizim, mesmo depois de destruído o seu templo cismático por João Hircano. Jesus declara que com Ele tinha chegado a hora em que já não tem sentido essa questão acerca do «lugar», pois o culto antigo ficava ultrapassado e abolido, sendo Ele próprio o novo templo (cf. Jo 2, 19.21). Começava um novo culto «em espírito e verdade»; mas isto não significa um culto mais interior e menos ritualista, como pregaram os profetas, nem que se devam suprimir todos os ritos externos. Trata-se de que Deus é espírito (cf. v. 24), isto é, que infunde uma nova vida, a sua vida divina; por isso o culto tem de corresponder a essa novidade de vida (Rom 6, 19), digamos, um culto que nos envolva na própria vida trinitária: adorar o Pai no Espírito Santo (sob o seu impulso) e na Verdade (através de Jesus que é a Verdade: 1, 14; 14, 6).

35-38 É fácil de descobrir o sentido da alegoria do semeador e dos ceifeiros: nos campos de trigo há um espaço de tempo entre a sementeira e a ceifa, mas no campo de Deus o fruto pode ser imediato, como aconteceu ali; no entanto, o habitual será que se confirme o ditado (v. 37; ver Miq 6, 15; Act 8, 4-25). Os discípulos aparecem como os ceifeiros enviados a colher o que «outros» – os profetas e Jesus principalmente – semearam.

42 «Salvador do mundo»: cf. 3, 17; 12, 47; 1 Jo 4, 14; Is 19, 20; 43, 3; Lc 1, 47; 1 Tm 4, 10; Filp 3, 20; Mt 1, 21; Act 5, 31; 13, 23.

 

Sugestões para a homilia

 

Introdução

 

Continuamos hoje a ter aqui mais uma da série de homilias de carácter doutrinal, que nos propusemos. Neste 3º Domingo da Quaresma, bem como no 4º e 5ª vamos deixar de seguir o Evangelista do ano, para dar lugar ao Evangelho do Discípulo Amado de Jesus.

O tema da água está no centro da Liturgia de hoje: a água no seu sentido material, que acalma temporariamente a sede física, na 1ª leitura, e a água no sentido figurado, que jorra para a vida eterna, saciando plenamente a nossa sede insaciável de felicidade, no Evangelho.

Toda a Sagrada Escritura se pode ver enquadrada dentro de uma grande inclusão, que vai do início do Génesis ao final do Apocalipse.

«O Espírito de Deus pairava sobre a superfície das águas»; o verbo hebraico (merahéfet), que também se podia traduzir por incubava, sugere o projecto divino da maravilha da obra da criação que Deus faz sair do ninho das águas caóticas.

No Antigo Testamento as águas aparecem com um duplo simbolismo paradoxal: por um lado, como sinal de vida, de bênção, de presença salvadora de Deus, e, por outro, de destruição, morte, ausência de Deus. Mas no Novo Testamento a água é sempre sinal de bênção divina, de salvação eterna. A água do rochedo do Êxodo, na 1ª leitura, é, segundo 1 Cor 10, 4, a salvação que brota de Cristo, como uma «bebida espiritual». Na visão dos novos céus e da nova terra com que termina o Apocalipse: «quem tem sede que se aproxime e o que deseja beba gratuitamente da água da vida» (Ap 22, 17; cf. 21, 6). Assim sendo, a água reporta-nos ao mistério da Criação primitiva de Deus e à obra da nova Criação, levada a cabo com a obra redentora de Cristo. Por isso a homilia de hoje vai versar sobre a Criação, de mãos dadas com o Catecismo da Igreja Católica.

O Credo, que vamos recitar a seguir, começa com a profissão de fé em Deus Todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra. Ele é Criador e Providência. Deus pode tudo, o seu poder é universal, mas não é arbitrário, pois é justo, inteligente e pai infinitamente bom e misericordioso. Ele mostra o seu poder no mais alto grau, ao perdoar. Às vezes Deus pode parecer ausente e incapaz de impedir o mal e então só a fé pode descobrir os caminhos misteriosos que Deus tem, para do mal tirar um bem maior; como diz o povo, Deus escreve direito por linhas tortas. É na fraqueza que Deus revela a sua força: assim, no máximo abatimento da Cruz, Ele revela a força da Redenção.

 

 

Deus é o Criador:

 

Que Deus é o Criador de todas as coisas é uma verdade de importância fundamental, pois dá a resposta certa às grandes perguntas de sempre: De onde viemos? Qual é a nossa origem? Para onde vamos? Qual é o nosso fim? De onde vem e para onde vai tudo o que existe? Da resposta dada a estas perguntas depende o sentido e a orientação que damos à nossa vida!

A Ciência procura saber quando e como apareceu o Universo, a Terra e o Homem (a Termodinâmica fala mesmo de 15.000 milhões, 3.000 milhões, um milhão de anos…). Mas a Ciência não é capaz de dizer para quê e porquê tudo existe; pode explicar como é que eu vivo, mas não sabe dizer para que vivo eu.

A razão humana pode chegar a descobrir que a origem de tudo está em Deus Criador. Mas, ao longo da História, a razão humana tentou dar muitas explicações que não convencem e que não estão de acordo com o que nos diz a Revelação divina: assim os antigos mitos das cosmogonias; o panteísmo (Deus seria o mundo em evolução); o emanacionismo (religiões asiáticas para as quais o mundo sai necessariamente de dentro de Deus para retornar a Ele); o dualismo e gnosticismo (dois princípios eternos em oposição: o Bem e o Mal, a Luz e as Trevas, a matéria e o espírito); o deísmo (admite um criador inicial e impessoal, mas que abandona o mundo à sua sorte); o materialismo (nas mais variadas formas, crê numa matéria eterna, evoluindo ao azar).

A Sagrada Escritura, nos 3 primeiros capítulos do Génesis, numa linguagem figurada e simbólica, ensina as verdades fundamentais da Criação de todas as coisas: a sua origem e seu fim; a sua ordem e da sua bondade; a dignidade e da vocação do homem; o drama do pecado; a esperança de obter a salvação. É preciso ter presente que a Bíblia foi inspirada por Deus, não para termos à mão uma explicação científica de tudo, mas para nos deixar ver o seu desígnio amoroso de salvação.

 

O mistério da Criação sintetizado em sete frases:

 

Só Deus é o Criador (na Escritura há um verbo que é usado para Deus: bará: (ברא).

Tudo foi criado para a glória de Deus: não para a aumentar, mas para a manifestar e comunicar.

Tudo é fruto da sabedoria e da bondade de Deus (não de um destino cego nem do azar).

Deus tudo criou do nada, e livremente.

Deus criou um mundo bom e com ordem, embora limitado.

Deus está muito acima de toda a criação (é transcendente), mas também está presente em todas as coisas (de algum modo é imanente).

Deus sustenta e conduz tudo o que criou: não o abandona a si mesmo.

 

Deus tem um desígnio e realiza-o – chama-se a Providência divina:

 

A obra da criação de Deus é perfeita, mas ainda não alcançou toda a perfeição a que Deus a destinou. As disposições pelas quais Deus conduz a sua criação a essa perfeição final são o que nós chamamos a Divina Providência.

Deus não se limitou a dar a existência às suas criaturas, mas também lhes conferiu a dignidade de elas agirem por si mesmas e de serem causa e princípio umas das outras, de modo a que eles cooperem na realização do seu maravilhoso plano.

Aos homens Deus concedeu-lhes o poder de participar livremente neste sábio plano da sua Providência: eles têm a missão de, como actores inteligentes e livres, completarem a obra da Criação e aperfeiçoarem a sua harmonia para o seu bem e o dos seus semelhantes.

 

A Providência divina e o problema do mal:

 

Sabendo que Deus, Criador de todas as coisas, é Todo-poderoso e Bom, não podemos deixar de nos interrogar sobre a existência do mal. Não deveria Deus impedi-lo? Mas precisamos de distinguir duas espécies de mal, o mal físico e o mal moral.

Porque existe o mal físico? Vejamos em quatro pontos, como responde o Catecismo da Igreja Católica:

Deus tem poder para criar um mundo melhor do que este.

Mas a sabedoria e bondade de Deus optou por criar um mundo em estado de caminho, rumo à sua perfeição última.

Ora este evoluir implica tanto o aparecimento de novos seres, como o desaparecimento de outros seres, assim como a existência de seres mais perfeitos e a de outros menos perfeitos; e, a par da construção da Natureza, anda também a sua destruição.

Portanto, enquanto a Criação não tiver atingido a sua perfeição, junto ao bem físico, existe também o mal físico.

Porque existe o mal moral? A resposta é dada em três pontos:

Deus criou também seres inteligentes e livres para eles alcançarem o seu último fim por uma livre escolha e um amor preferencial.

Por serem livres, estes seres podem desviar-se do seu fim, isto é, do Bem (Deus); e de facto pecaram: é o mal moral, ódios, guerras…

Deus não é causa deste mal moral, mas permite-o, respeitando a liberdade da sua criatura. E, dum modo misterioso, do mal Deus sabe tirar o bem: por exemplo, da maldade dos irmãos de José do Egipto; para já não falarmos da morte de Jesus…

Como conclusão, digamos:

“Deus concorre em tudo para o bem dos que O amam” (Rom 8, 28).

O testemunho dos Santos: eles em tudo viam a mão amorosa de Deus…

“O facto de Deus permitir o mal físico e o mal moral é um mistério. Deus esclarece este mistério pelo seu Filho, Jesus Cristo, morto e ressuscitado, para vencer o mal. A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal, se do próprio mal não fizesse sair o bem, por caminhos que só na vida eterna conheceremos plenamente” (Cat. Ig. Cat. 324).

 

O ser humano como criatura de Deus

 

A Sagrada Escritura diz que o Homem foi criado à “Imagem de Deus”; isto quer dizer que:

De todas as criaturas visíveis só o homem é capaz de conhecer e amar o seu Criador.

Só ele está chamado a participar da vida de Deus: foi para isto que ele foi criado.

Por ter sido feito “à imagem de Deus” é que ele tem a dignidade de pessoa: ele não é somente alguma coisa, ele é alguém; ele é capaz de se conhecer, de se possuir, de livremente se dar, de entrar em comunhão com as outras pessoas; pela graça, é chamado a uma aliança de amor com o Criador e a dar-lhe uma resposta pessoal de fé e amor.

“Deus tudo criou para o homem, mas o homem foi criado para servir e amar a Deus e para Lhe oferecer toda a criação” (Ct.Ig.Cat, nº 358).

 

Deus criou o homem como um ser uno, composto de corpo e alma:

Na linguagem simbólica da Bíblia: pó da terra e sopro divino.

O termo alma (ψυχή) na Bíblia designa umas vezes a vida humana, outras a pessoa, mas sobretudo designa o que há de mais íntimo no homem e de mais valor; é o princípio espiritual no homem.

O corpo é humano pelo facto de estar animado pela alma espiritual; ele não é um objecto que o homem possui, mas constitui uma única natureza com a alma, exte­riorizando o interior do homem.

A alma espiritual é directamente criada por Deus; não é uma parte da alma dos pais, nem é produzida por eles. É imortal, pois não acaba quando na hora da morte se separa do corpo; há-de unir-se ao corpo na ressurreição final.

Quando S. Paulo fala de “todo o nosso ser, o espírito, a alma e o corpo” (1 Tes 5, 23), não quer dizer que o espírito e a alma são duas realidades distintas uma da outra, mas simplesmente se refere a duas modalidades dum mesmo princípio: diz-se “alma”, enquanto é princípio da vida sensitiva e diz-se “espírito”, enquanto é princípio da vida intelectual e espiritual, aberto à acção do Espírito Santo.

Também muitas vezes se fala do coração, mas também não é como mais um elemento do homem; no sentido bíblico, o coração designa o mais profundo do ser, em que a pessoa se decide ou não por Deus.

 

Dizer que Deus “homem e mulher os criou” (Gn 1, 27), implica duas coisas importantes:

a igualdade e as diferenças queridas por Deus: “ser homem” e “ser mulher” é uma realidade boa e querida por Deus. Ambos são, com a mesma dignidade, “imagem de Deus”. Deus, sendo espírito puro, não é nem homem nem mulher, mas as perfeições do homem e da mulher reflectem a infinita perfeição de Deus (de pai, de mãe, de esposo…).

que são um para o outro, uma unidade a dois, pois foram criados para a comunhão de pessoas, iguais, mas complementares; transmitindo a vida, cooperam na obra do Criador de um modo único.

 

A Bíblia, ao dizer que Deus criou o homem no paraíso, deixa ver que o ser humano não só foi criado bom, mas também foi constituído num estado de amizade com o seu Criador, e de harmonia consigo mesmo e com a Criação.

 

Deus criou os Anjos

 

Ao professarmos a fé em Deus Criador do Céu..., das coisas invisíveis, não nos estamos a referir-nos às galáxias (Sequeri), mas aos Anjos, que são criaturas puramente espirituais, perfeitíssimas e imortais, dotadas de inteligência e vontade. O seu nome indica a sua função: servidores e mensageiros de Deus. Que os Anjos existem é uma verdade de fé indiscutível.

Toda a Igreja beneficia da sua ajuda misteriosa e poderosa e presta-lhes culto. Em todos os prefácios da oração eucarística a Igreja se une ao louvor que eles prestam a Deus. É muito salutar a devoção aos Anjos da Guarda.

A queda dos Anjos: Houve Anjos que rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus. São os demónios. A Revelação fala-nos da influência nefasta de Satanás no mundo e nas pessoas (é algo misterioso que Deus permita). Jesus, no Pai Nosso, ensinou-nos a pedir que Deus nos livre do Maligno (ou diabo).

 

Conclusões a tirar da fé na Criação

 

Diante das maravilhas que descobrimos no Universo, somos levados a uma atitude humilde de adoração, louvor, agradecimento e amor o Deus Criador; e também a uma atitude de confiança filial em Deus, que tudo governa e conduz para o bem das suas criaturas.

A actividade humana deve ser considerada como uma participação na obra criadora de Deus, por isso o homem não a deve danificar, mas aperfeiçoá-la com o seu trabalho e pô-la ao serviço de todos. O trabalho é o melhor que o homem tem para oferecer a Deus e contribuir para o bem comum. É assim que todo o cristão começa o dia oferecendo-o a Deus e traz para o altar do Santo Sacrifício da Missa o seu trabalho, representado nos dons do pão e do vinho que vão ser consagrados no Corpo e Sangue do Senhor.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus tem sede da nossa fé e do nosso amor.»

Caros irmãos e irmãs,

Neste terceiro Domingo da Quaresma a liturgia repropõe um dos mais belos e profundos textos da Bíblia: o diálogo entre Jesus e a Samaritana (cf. Jo 4, 5-42). Santo Agostinho […], era justamente fascinado por esta narração, e fez um comentário memorável dela. É impossível transcrever numa breve explicação a riqueza desta página evangélica: é preciso lê-la e meditá-la pessoalmente, identificando-se com aquela mulher que, um dia como tantos outros, foi buscar água ao poço e ali encontrou Jesus sentado ao lado, "cansado da viagem", debaixo do calor do meio-dia. "Dá-me de beber", disse-lhe, deixando-a muito perplexa: de facto era totalmente inusual que um judeu dirigisse a palavra a uma mulher samaritana, ainda por cima desconhecida. Mas a maravilha daquela mulher estava destinada a aumentar: Jesus falou de uma "água viva" capaz de saciar a sede e tornar-se nela "fonte de água que jorra para a vida eterna"; além disso, demonstrou que conhecia a sua vida pessoal; revelou que tinha chegado a hora de adorar o único verdadeiro Deus em espírito e verdade; e no final confiou-lhe  coisa raríssima –  que era o Messias.

Tudo isto a partir da experiência real e sensível da sede. O tema da sede atravessa todo o Evangelho de João: do encontro com a Samaritana, à grande profecia durante a festa das Tendas (cf. Jo 7, 37-38), até à Cruz, quando Jesus, antes de morrer, disse para cumprir a Escritura: "Tenho sede" (Jo 19, 28). A sede de Cristo é uma porta de acesso ao mistério de Deus, que se fez sedento para nos aplacar a sede, assim como se fez pobre para nos enriquecer (cf. 2 Cor 8, 9). Sim, Deus tem sede da nossa fé e do nosso amor. Como um pai bom e misericordioso deseja para nós todo o bem possível e esse bem é Ele mesmo. A mulher de Samaria por sua vez representa a insatisfação existencial de quem não encontrou o que procura: teve "cinco maridos" e agora convive com outro homem; o seu ir e voltar do poço para buscar água exprime uma vivência repetitiva e resignada. No entanto tudo mudou para ela naquele dia, graças ao encontro com o Senhor Jesus, que a deixou abalada a ponto de abandonar a bilha de água e correr para contar às pessoas da aldeia: "Vinde ver um homem que me disse tudo quanto fiz. Não será Ele o Messias?" (Jo 4, 28-29).

Caros irmãos e irmãs, também nós abramos o coração à escuta confiante da palavra de Deus para encontrar, como a Samaritana, Jesus que nos revela o seu amor e nos diz: o Messias, o teu salvador "sou Eu, que falo contigo" (Jo 4, 26). Que nos traga este dom Maria, primeira e perfeita discípula do Verbo feito carne.

Papa Bento XVI, Angelus, Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

para que, por meio de Cristo, fonte de água viva,

todos os homens e mulheres

encontrem a vida em abundância.

 

1.  Para que a Igreja actue de tal modo

que todos descubram que Senhor está no meio de nós,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que vivamos com uma fé que se manifesta

e concretiza em obras de amor e de justiça, no «culto em espírito e em verdade»,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que nunca nos esqueçamos que Deus nos ama

e permanece sempre fiel às Suas promessas,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que aqueles que, na nossa sociedade moderna,

morrem de sede de amor, de atenção, de companhia,

encontrem pessoas próximas e solidárias,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos aqueles que vivem no serviço a seus irmãos

nunca desfaleçam pelo cansaço ou pelo desânimo,

oremos ao Senhor.

 

6.  Para que todos bebamos a água viva que vem de Deus, trazida por Jesus,

a única que mata de verdade a nossa sede de infinito,

oremos ao Senhor.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar em Jesus Cristo

a fonte da água viva onde a nossa sede de justiça e santidade

se possa saciar em plenitude.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Quem beber da água, Az. Oliveira, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A samaritana

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Quando Ele pediu à samaritana água para beber, já lhe tinha concedido o dom da fé e da sua fé teve uma sede tão viva que acendeu nela o fogo do amor divino.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Monição da Comunhão

 

Se nos sentimos com as devidas disposições, é o momento de nos aproximarmos da mesa eucarística. Façamo-lo com os sentimentos do enfermo que vai recorrer ao Médico da vida, do pecador que acode à fonte da misericórdia, do cego que se vai encontrar com a luz da claridade eterna, do pobre e indigente que vai ter à sua disposição toda a riqueza do Criador do Céu e da terra.

 

Cântico da Comunhão: Senhor quanta alegria, C. Silva, NRMS 55

Jo 4, 13-14

Antífona da comunhão: Quem beber da água que Eu lhe der, diz o Senhor, terá em seu coração a fonte da vida eterna.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Como a Samaritana, vamos também nós anunciar aos nossos vizinhos e amigos que encontrámos o Salvador do mundo. Ele sempre nos espera, e em particular neste tempo santo da Quaresma para nos dar o seu perdão no Sacramento da Reconciliação.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-III: Os frutos da obediência.

2 Re 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

E havia em Israel muitos leprosos, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado; só foi curado um homem da Síria, Naamã.

Naamã, embora ao princípio se tenha recusado obedecer, depois rectificou, obedeceu e ficou curado (Leit).

Quando cumprimos a vontade de Deus os frutos são sempre abundantes. É este o grande ensinamento da Paixão do Senhor: «Foi em Cristo, e pela sua vontade humana, que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente. Na oração da sua agonia, Ele conforma-se totalmente com esta vontade. Em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados» (CIC, 2824). Embora, às vezes, nos custe, procuremos cumprir a vontade de Deus no cumprimento dos nossos deveres quotidianos.

 

3ª Feira, 29-III: A medida do perdão em Deus e em nós.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-35

Servo mau, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias, tu também, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?

Azarias, em nome do povo de Deus, invocou a misericórdia do Senhor (Leit). E o mesmo se verificou na parábola (Ev). E o perdão é concedido por Deus.

Para perdoarmos aos outros, temos que ir ao fundo do coração: «A parábola do servo desapiedado termina com estas palavras: ‘Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, do fundo coração’ (Ev). É aí, de facto, no fundo do coração que tudo se ata e desata» (CIC, 2843). Se não perdoarmos de todo o coração, «o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-se impenetrável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840).

 

4ª Feira, 30-III: Benefícios do cumprimento dos preceitos do Senhor.

Dt 4, 1. 5-9 / Mt 5, 7-19

Escutai agora, israelitas, as leis e os preceitos que hoje vos ensino, a fim de os pordes em prática.

Que importância têm as leis e os preceitos de Deus? São um caminho seguro para alcançarmos a vida eterna: «Assim podereis viver e entrar na posse da terra que vos dá o Senhor» (Leit).

Além disso, são a pauta pela qual Deus avalia a nossa vida: quem os pratica é grande aos olhos de Deus, e quem não os pratica é pequeno (Ev). Por eles adquirimos uma maior sabedoria sobre o homem e os acontecimentos; e, embora pareçam muito exigentes, são na verdade justos e melhores do que quaisquer outros (Leit).

 

5ª Feira, 31-III: A escuta da Palavra de Deus.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Foi isto que ordenei ao meu povo: Escutai a minha voz. Mas eles não ouviram, nem prestaram atenção.

O povo de Deus, ao longo da sua história, comportou-se quase como o mudo, do qual Jesus expulsou um demónio (Ev). Também agora precisamos abrir os nossos ouvidos para o escutarmos (S. Resp).

Deus nunca se cansou de falar ao seu povo. Enviou os profetas (Leit) e, depois, o seu próprio Filho. Procuremos ler diariamente a palavra de Deus, contida na Bíblia; prestemos mais atenção à proclamação da sua Palavra, durante a Santa Missa, pois é um alimento para fortificar as nossas almas.

 

6ª Feira, 1-IV: Recordações do amor de Deus.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Eu hei-de curar-lhes a rebeldia, amá-los-ei generosamente… Serei como o orvalho para Israel.

Apesar das infidelidades do povo de Israel, Deus perdoa-lhes todas as ofensas e compromete-se a ajudá-los: «amá-los-ei generosamente» (Leit). Por isso, tem todo o direito de nos pedir que o amemos com todas as nossas forças (Ev).

Por amor, Jesus entregou a sua vida pela remissão dos nossos pecados; quis ficar para sempre connosco na Eucaristia. Precisamos contemplar, com frequência, como Deus nos ama, pois faz muito bem à nossa alma: «procuremos ir olhando sempre para os seus favores porque nos despertam para amá-lo mais» (Teresa de Ávila).

 

Sábado, 2-IV: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, conhecimento de Deus, mais que os holocaustos.

As palavras do profeta Oseias têm uma aplicação na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava o seu amor, através da contrição (Ev).

«Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual. O Salmo recorda as palavras do profeta Oseias: ’Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios’ (S. Resp). O único sacrifício perfeito é o que Cristo ofereceu na Cruz. Unindo-nos ao seu sacrifício, podemos fazer da nossa vida um sacrifício a Deus» (CIC, 2100).

 

 

 

 

 

 

Celebração, Homilia e Nota Exegética:     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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