1º Domingo da Quaresma

13 de Março de 2011

 

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Perdoa ao teu povo, Az. Oliveira, NRMS 105

Salmo 90, 15-16

Antífona de entrada: Quando me invocar, hei-de atendê-lo; hei-de libertá-lo e dar-lhe glória. Favorecê-lo-ei com longa vida e lhe mostrarei a minha salvação.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Que sentido tem a nossa vida na terra, se tantas coisas escapam ao nosso controle?

Podemos controlar a nossa vida até certo ponto, mas as surpresas da doença e da morte surgem quando menos o esperamos, de tal modo que não podemos garantir um só minuto de vida.

Ao comprovar esta realidade, surgem dentro de nós as mais elementares perguntas: De onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? São perguntas inteligentes que o homem de todos os tempos coloca a si próprio e aos outros.

A Palavra de Deus que hoje nos é proposta ajuda-nos a encontrar uma resposta a estas perguntas elementares. A nossa vida na terra é um tempo de prova de amor. No final, seremos classificados.

 

Acto penitencial

 

Muitas vezes temos vivido completamente distraídos, como se a nossa vida não tivesse um sentido e uma finalidade

Examinemos com amor a nossa consciência, reconheçamos a humilde condição de pecadores e peçamos ajuda para uma verdadeira emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a cobardia que manifestamos, muitas vezes na vida,

    na luta contra as tentações do mundo, demónio e carne,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a negligência em nos prepararmos para a tentação,

    com a oração fervorosa e a frequência dos Sacramentos,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a falta de arrependimento e propósito de emenda,

    quando temos a infelicidade de ofender ao nosso Deus,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena, vivida com Ele eternamente no Céu, depois de um tempo de prova na terra.

Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, todas as vezes que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, percorremos caminhos de egoísmo, de orgulho e de prepotência e construímos uma vida de sofrimento e de morte.

 

 

Génesis 2, 7-9; 3, 1-7

 

7O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. 8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. 9Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. 1Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: ‘Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do jardim’?» 2A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; 3mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: ‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’». 4A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. 5Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal». 6A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu o fruto e comeu-o; depois deu-o ao marido, que estava junto dela, e ele também comeu. 7Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.

 

O «relato» bíblico das origens, de que hoje se lêem alguns vv., não pode ser lido ingenuamente como um relato histórico daquilo que sucedeu no início do Universo e do ser humano, «porque, não se trata de saber quando e como surgiu materialmente o cosmos, nem quando é que apareceu o homem; mas, sobretudo, de descobrir qual o sentido de tal origem: se foi determinada pelo acaso, por um destino cego ou uma fatalidade anónima, ou, antes, por um Ser transcendente, inteligente e bom, que é Deus. E, se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, qual a razão do mal? De onde vem o mal? Quem é responsável pelo mal? E será que existe uma libertação do mesmo?» (Catecismo da Igreja Católica, nº 284). 

7 «Pó da terra… sopro de vida»: a narrativa tem como ponto de referência não só o facto de que, pela sua corporeidade, o homem pertence à terra e, ao morrer, se reduz a pó, mas também o facto de que, na língua hebraica, «homem» (adam) se diz com o mesmo vocábulo com que se designa a terra avermelhada (adamáh); mas, ao mesmo tempo, o homem está animado por um princípio («sopro») de vida, que não vem da terra. A representação de Deus como «oleiro», independentemente das notáveis semelhanças com outros relatos extra-bíblicos, parece sugerir que o homem está nas mãos de Deus como o barro nas mãos do oleiro (cf. Is 29, 16; Jer 18, 6; Rom 9, 20-21; Job 34, 14-15).

2, 8-9 Um jardim. Nos LXX lê-se «parádeisos»; daqui a habitual designação de «paraíso (terrestre)». O jardim de «delícias» (éden) permite que o leitor pense, mais que num lugar geográfico, num estado de felicidade original e de comunhão com Deus; a «árvore da vida» simboliza a vida em plenitude e a imortalidade (cf. Gn 3, 22); «a árvore da ciência do bem e do mal» é o símbolo da fonte do recto actuar moral, o projecto do Criador, que o homem não pode manipular nem alterar a seu bel-prazer sem cavar a sua ruína.

3, 1-7 Num relato simbólico, numa linguagem cheia de imagens muito expressivas, seja qual for a origem literária destas figuras, deixa-se ver que os males de que o ser humano padece não procedem de Deus, mas do pecado, que, desde a origem, destruiu a harmonia do homem com Deus, consigo próprio e com a criação, com consequências desastrosas que afectam toda a humanidade (cf. a 2ª leitura de hoje: Rom 5, 12-19). Note-se, porém, que uma interpretação literal fundamentalista desta narrativa corre o perigo de levar ao absurdo de considerar a lei moral como algo caprichoso e extrínseco à natureza humana.

1 «A serpente», um símbolo do demónio, cf. Apoc 12, 9, onde se fala da «serpente antiga», o inimigo de Deus e dos amigos de Deus, que aqui aparece também como «caluniador» (este é o significado do seu nome grego, «diábolos»), ao apresentar a ordem divina como má, uma prepotência da parte de Deus (v. 5). Note-se a profunda observação psicológica posta na encenação do processo da tentação: estão aqui representadas as tentações de sempre; primeiro, uma insinuação inocente – «é verdade que Deus vos proibiu...», a que se segue o efeito de começar a prestar atenção àquele a quem não se pode dar ouvidos; finalmente, uma vez aberto o diálogo, no momento preciso, o tentador entra a matar, mentindo descaradamente (cf. Jo 8, 44) – «de maneira nenhuma! Não morrereis! Mas Deus sabe que...» (v. 5). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem no demónio, satanás, ou diabo, um anjo criado bom por Deus, mas que se tornou mau.

5 «Sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal»: Isto não significa alcançar a omnisciência divina, nem adquirir o poder de discernir o bem do mal. Este «conhecer o bem e o mal» corresponde a decidir por si o que é bem e o que é mal; trata-se, portanto, de encenar uma tentação de soberba pela qual a criatura não se conforma com a sua condição de criatura, e não aceita o supremo domínio de Deus.

6 «Fruto… para esclarecer a inteligência». Sendo-nos desconhecido em que consistiu o pecado das origens, porque Deus não no-lo revelou, alguns exegetas procuram então averiguar qual é o tipo de pecado que o hagiógrafo aqui descreve, e vêem nesta linguagem um colorido de magia e feitiçaria (um conhecimento oculto), ou até mesmo uma alusão ao culto das serpentes para a fertilidade, de que o hagiógrafo pretenderia afastar os seus contemporâneos tão atreitos a estes desvios religiosos.

7 «Compreenderam que estavam despidos». Note-se a fina ironia latente no contraste com a promessa sedutora: «abrir-se-ão os vossos olhos» (v. 6); os olhos abrem-se, sim, mas para contemplarem a própria nudez. Assim fica simbolizado o desgosto e a frustração que se segue ao gosto do pecado, e também a noção teológica da ruptura da harmonia primordial, nomeadamente entre o homem e a mulher (cf. 2, 25).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: A Liturgia convida-nos, pelo salmo 50, a pedir ao Senhor que nos purifique dos pecados e renove o nosso coração.

À tomada de consciência da nossa condição de pecadores, proclamada na primeira leitura, respondemos com uma atitude de conversão, insistentemente recomendada nesta Quaresma que agora começa.

 

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura*

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos Romanos, propõe-nos dois exemplos: Adão e Jesus. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive na obediência aos projectos do Pai.

A escolha de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o caminho de Jesus gera vida plena e definitiva.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: Romanos 5, 12-19;        forma breve: Romanos 5, 12.17-19

 

Irmãos: 12Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. [13De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. 14Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. 15Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só pereceram muitos, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a muitos homens. 16E esse dom não é como o pecado de um só: o julgamento que resultou desse único pecado levou à condenação, ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas, leva à justificação.] 17Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça, reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. 18Porque, assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação que dá a vida. 19De facto, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos.

 

Estamos diante dum texto da máxima importância para a Teologia e para a vida cristã. As controvérsias doutrinais contribuíram para que o ponto central das afirmações de Paulo se tenha feito deslocar da justificação pela graça para o pecado, e da obra salvadora de Cristo para a obra demolidora de Adão. É certo que não faria sentido falar da libertação por Cristo do pecado, da condenação e da morte, sem que estes males tivessem entrado de forma poderosa no mundo. Mas Adão não passa duma figura, por antítese, de Cristo, em virtude duma argumentação a fortiori de tipo rabínico (o chamado qal wa-hómer). Mas, ainda que, como pensam muitos exegetas, Paulo não trate directa e expressamente do tema do pecado original (só indirectamente), este texto não deixa de oferecer uma base legítima e sólida para a doutrina proposta pelo Magistério da Igreja, assim resumida no Catecismo da Igreja Católica, nº 403: «Depois de S. Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos transmitir um pecado de que todos nascemos infectados e que é a ‘morte da alma’. A partir desta certeza de fé, a Igreja confessa o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal».

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou ‑ de forma absoluta e definitiva ‑ uma vida vivida à margem de Deus e dos Seus projectos.

Uma vida que ignora os projectos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido. Só a amizade divina e a obediência à Sua Lei nos torna felizes

Aclamemos o Evangelho que nos ensina estas verdades e enche de luz e alegria os nossos caminhos.

 

Cântico: Não só de pão vive o homem, M. Luis, NCT 106

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 4, 1-11

 

1Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demónio. 2Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. 3O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». 4Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». 5Então o Demónio conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: 6«Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». 7Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». 8De novo o Demónio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, 9e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». 10Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». 11Então o Demónio deixou-O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.

 

Antes de mais, convém advertir que as tentações de Jesus não aparecem como uma tentação ocasional qualquer, nem sequer um ataque mais violento, mas como um duelo mortal e decisivo entre dois inimigos irredutíveis. Com efeito, não se trata de umas tentações dirigidas a fazer com que Jesus caia em meras faltas pessoais (gula, orgulho, avareza), mas têm o carácter de um ataque frontal para desvirtuar toda a obra de Jesus, desviando-a da vontade do Pai. Com efeito, «as tentações acompanham todo o caminho de Jesus, e a narração das tentações apresenta-se… uma antecipação, na qual se condensa a luta de todo o caminho. […] Os 40 dias de jejum abrangem o drama da história, que Jesus assume em Si mesmo e suporta até ao fundo». (Bento xvi, Jesus de Nazaré, pp. 57.60).

Uma consideração superficial desta passagem evangélica poderia levar-nos a encarar estas tentações até como ridículas, absurdas ou míticas. Vale pena ver o belo e profundo comentário do Papa na referida obra. Mas vejamos brevemente o enorme alcance de cada uma das três tentações:

3-4 Na primeira tentação, trata-se de fazer enveredar a Jesus pelo caminho das esperanças materialistas do povo que esperava um Messias que lhe trouxesse bem-estar, riqueza, prosperidade, fertilidade, pão e prazer.

5-7 Na segunda tentação, aquele «lança-te daqui abaixo», constitui um apelo à esperança judaica num messias a descer espectacularmente do céu, à vista do povo. Mas Jesus renuncia decididamente à fácil tentação de ser um messias milagreiro e espectacular, dizendo um decidido não a um actuar à base do triunfo pessoal, do êxito humano.

8-10 Na terceira tentação, aparece diante de Jesus a sedução de se mover na linha da esperança popular num messianismo político, vitorioso, dominador dos Romanos e do mundo inteiro, a tentação de reduzir a instauração do Reino de Deus à instauração dum reino temporal.

Ninguém foi testemunha destas tentações, mas Jesus, ao falar aos Apóstolos do Reino de Deus, não deixa de os prevenir contra umas tentações que haveriam de vir a sentir também os seus discípulos ao longo da história. Também assim Jesus «se tornava em tudo semelhante aos seus irmãos, para se tornar um Sumo Sacerdote misericordioso» (Hebr 2, 17). E Jesus aparece a ensinar-nos a resistir, sem dar ouvidos, como Eva, aos enganos do mafarrico, sem entrar em diálogo com ele, mas apoiando-nos sempre na certeza e na luz da Palavra de Deus e na sua graça, que Jesus ensinou a pedir no «Pai-Nosso»: «não nos deixeis cair em tentação» e «livrai-nos do Maligno» (Mt 6, 13).

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus, nossa origem e nosso fim

Saímos das mãos de Deus

Deus criou-nos para a felicidade

A vida é um tempo de prova

• Aprendamos a vencer com Jesus Cristo

A tentação é uma prova de Amor

Preparemo-nos para a luta

Como vencer esta prova

 

1. Deus, nossa origem e nosso fim

Nascemos de olhos fechados, e nem pensámos qual a razão porque estávamos no mundo. Parecia-nos natural viver.

Mas na medida em que a nossa inteligência se foi desenvolvendo, como uma flor que se abre, começaram a surgir as perguntas próprias de um ser inteligente, preocupado com saber as últimas razões das coisas.

Com a luz da Revelação, o Senhor deu-nos a conhecer tudo isto.

Não podemos encarar o texto do Livro do Génesis como uma página de história da humanidade, ou como um compêndio de ciências naturais. Deus revela-nos ‑ servindo-se de imagens tiradas do dia a dia ‑ as verdades fundamentais da nossa existência. 

 

a) Saímos das mãos de Deus. «O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo.»

Cada pessoa humana é uma síntese do universo criado. Participamos do mundo material, pelo corpo, e do mundo do espírito, pela alma imortal.

Quando a Sagrada Escritura narra a criação dos outros seres ‑ plantas e animais ‑ fá-lo em termos diferentes.

Ao criar-nos à Sua imagem e semelhança ‑ com inteligência, vontade e liberdade e coração ‑ Deus revestiu cada pessoa humana de uma dignidade infinita: filhos de Deus e herdeiros do Paraíso. Somos, por isso, capazes de conhecer e amar o Criador, fazendo a Sua vontade.

Formados do barro da terra, quanto ao corpo humano, estamos de passagem no mundo, e vamos a caminho de uma eternidade feliz, depois de termos vencido na terra um campeonato de Amor de Deus. Para nos ajudar a descobrir este caminho, Deus inscreveu na consciência do homem uma lei. Uma vez formada a consciência pela sã doutrina, podemos saber o que devemos fazer e o que é preciso rejeitar.

 

b) Deus criou-nos para a felicidade. «Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado.»

A narração do Génesis faz-nos lembrar um casal que se prepara para acolher o filho que vai nascer, escolhendo o melhor que lhe pode oferecer. Com esta imagem do paraíso terreal, o Senhor quer sugerir-nos isto mesmo: deseja para nós uma felicidade na terra e na eternidade.

O Éden é um lugar aprazível, com dois rios a correr pelo meio, com flores e árvores de fruto.

Quando contemplamos tantas maravilhas em toda a criação postas ao nosso serviço, temos de pensar necessariamente, como pessoas inteligentes, na bondade de Deus para connosco.

Encontramos estes mesmos sinais do amor de Deus para com as pessoas humanas, ao experimentar a dedicação dos nossos pais para connosco, a família toda que se debruça sobre o berço de um pequenino ser e lhe faz festas e a beleza que encontramos no mundo.

Jesus ensinará mais tarde a razão pela qual vemos hoje tanto mal na terra. Ele semeou apenas o bom trigo, o que podia beneficiar o homem; mas o Inimigo veio depois maldosamente semear a cizânia.

 

c) A vida é um tempo de prova. «Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. [...] A serpente replicou à mulher: “De maneira nenhuma! Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal».”»

O pecado dos nossos primeiros pais aparece aqui como um mau passo que foi sugerido pelo demónio ‑ pela serpente infernal ‑ uma desobediência a Deus ingrata e infeliz que transtornou toda a sua vida e teve consequências más incalculáveis sugeridas pelo texto do Génesis: empobrecimento até à nudez, alteração do nosso relacionamento com Deus (passam a ter medo d’Ele, escondendo-se, em vez do trato familiar, porque abalou a filiação divina, dificultou o diálogo com o Pai e tornou difícil a verdade na vida (eles desculpam-se, em vez de reconhecerem a sua situação).

Também a relação com o próximo foi afectada, bem como com a natureza. Antes, Adão celebrava alegremente o aparecimento de Eva; agora acusa-a como culpada e inimiga. A natureza, revoltada contra o homem, depois de muitos suores, só produzirá cardos.

Todo o pecado é a tentativa de construir uma vida feliz sem fazer caso de Deus, de costas voltadas para Ele. Foi assim também na construção da Torre de Babel (cf. João Paulo II, Exort. Apost. Sobre a Reconciliação e a Penitência).

O pecado é o fechar-se em si mesmo, isolado de Deus e dos outros, numa atitude egoísta.

Vivemos hoje esta mesma tentação: “Não precisamos de Deus!” Muitas pessoas, hoje, não fazem nada contra Ele. Ignoram-n’O, como se Ele não existisse.

Na sequência deste relato, Deus sugere-nos o convite à conversão pessoal, para reparar o mal feito.

2. Aprendamos a vencer com Jesus Cristo

a) A tentação é uma prova de Amor. «Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demónio.»

Se Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito (Santo) para ser tentado, então a tentação não é um mal em si. O Espírito Santo não levaria Jesus para o mal.

A tentação oferece-nos a oportunidade de dar uma prova de Amor e fidelidade a Deus, tal como uma competição desportiva é uma oportunidade de conquistar um troféu. Se somos derrotados, é porque nos comportamos como maus desportistas.

O Senhor promete que nunca seremos tentados acima das nossas forças e dar-nos-á as graças necessárias para vencer.

É verdade que temos de contar com os cúmplices internos existentes em nós: são as paixões desordenadas que o desequilíbrio do pecado original causou em nós: a concupiscência da carne (sexualidade, gula), a concupiscência dos olhos (apego às riquezas) e a soberba da vida (orgulho, culto de nós mesmos).

 

b) Preparemo-nos para a luta. «Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome.»

Todo o bom desportista prepara-se cuidadosamente para a competição, treinando-se e prevenindo-se contra a táctica do adversário. Jesus Cristo prepara-Se para este combate singular pela oração e jejum durante quarenta dias e quarenta noites.

O jejum pode apresentar-se sob diversas formas:

‑ na comida e bebida, com referências à qualidade e à quantidade;

‑ nos olhos e nos ouvidos, quando nos abstemos de coisas más e de outras que, mesmo sendo boas, nos custa a passar sem elas (programas de Televisão, restringir o uso do carro, mortificar os olhos, a língua (nas conversas), etc.

‑ A mortificação há-de ser contínua, como os exercícios do atleta, para o manterem em boa forma. 

 

c) Como vencer esta prova. «Respondeu lhe Jesus: “Vai-te, Satanás»

Jesus Cristo luta contra Satanás, usando sempre frases da Sagrada Escritura, como que a sugerir-nos que da Palavra de Deus nos vem a luz para sabermos o que havemos de fazer, na hora da tentação.

O Demónio tenta-nos sempre com a mesma táctica.

‑ Parte, de ordinário, de uma coisa naturalmente boa. Em seguida deforma-a, exagerando, transformando noutro o objecto inicial da tentação.

Nas tentações de Jesus parte da fome (1ª); da Sua missão de Messias que devia ser reconhecida por todos (2ª); e de Ele querer estabelecer um Reino universal (3ª).  

Para nós, pode partir do cansaço, de qualquer carência natural, da amizade, do cuidado das coisas temporais, etc.

‑ Quando nos quer enganar, não nos leva, em geral, a dizer não, mas sim depois. Ele sabe que, por sucessivos adiamentos, consegue levar-nos a faltar ao dever.

Nas três tentações a que se submete, Jesus resume todas aquelas que podemos sofrer:

‑ Voltar todas as nossas preocupações para os cuidados materiais da vida. Depois, o prazer é desligado da sua finalidade: ao comer procura o sabor, em vez da alimentação; na sexualidade, o prazer, em vez de o colocar ao serviço da vida, do amor e da família; no desejo de alcançar um fim (mesmo bom) o Inimigo leva-nos a não olhar aos meios para o conseguir. Um fim bom nunca pode justificar meios que Deus condena.

Preparemo-nos generosamente para uma renovação interior nesta Quaresma, pela fidelidade às promessas do nosso Baptismo.

Recorramos filialmente à ajuda de Nossa Senhora, a fim de alcançarmos a vitória.

 

Fala o Santo Padre

 

«Entrar na Quaresma significa renovar a decisão de enfrentar o mal junto com Cristo.»

Queridos irmãos e irmãs!

Na quarta-feira passada, com o jejum e com o rito das Cinzas, entramos na Quaresma. Mas o que significa "entrar na Quaresma"? Significa começar um tempo de compromisso particular no combate espiritual que nos opõe ao mal presente no mundo, em cada um de nós e à nossa volta. Significa enfrentar o mal e dispor-se a lutar contra os seus efeitos, sobretudo contra as suas causas, até à causa última, que é satanás. Significa não descarregar o problema do mal sobre os outros, sobre a sociedade ou sobre Deus, mas reconhecer as próprias responsabilidades e ocupar-se delas conscientemente. A este propósito ressoa muito urgente, para nós cristãos, o convite de Jesus a assumir cada um a sua "cruz" e a segui-lo com humildade e confiança (cf. Mt 16, 24). A "cruz", por mais pesada que seja, não é sinónimo de infelicidade, de desgraça a ser evitada o mais possível, mas oportunidade para se pôr no seguimento de Jesus e assim adquirir força na luta contra o pecado e o mal. Portanto, entrar na Quaresma significa renovar a decisão pessoal e comunitária de enfrentar o mal junto com Cristo. O caminho da Cruz é, de facto, o único que leva à vitória do amor sobre o ódio, da partilha sobre o egoísmo, da paz sobre a violência. Vista assim, a Quaresma é verdadeiramente uma ocasião de grande empenho ascético e espiritual fundado na graça de Cristo. […]

Papa Bento XVI, Angelus, Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Peçamos confiadamente ao nosso Pai do Céu,

por mediação de Maria Santíssima, Mãe de Jesus,

nos conceda a graça da vitória neste combate,

para merecermos uma coroa eterna de glória.

Oremos (cantando):

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos

    iluminem os nossos caminhos com a Luz do Magistério,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

2.  Para que os casais cultivem entre si o verdadeiro amor,

    como garantia de uma vida de família saudável para todos,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

3.  Para que os jovens e adultos se defendam das armadilhas

    que os exploram e tornam infelizes nesta vida e na futura,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

4. Para que todos os que abandonaram, um dia, a vida de Deus

    compreendam que, sem Ele, a vida não tem qualquer sentido,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

5. Para que as pessoas empobrecidas pela ambição dos outros

    se vejam restituídos à sua dignidade e aos direitos humanos,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

6. Para que os que procuram o poder sem olharem aos meios

    sigam o exemplo de Jesus nas tentações vencidas no deserto,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

7. Para que os nossos irmãos que já partiram para a eternidade

    se encontrem, quanto antes, a contemplar Deus, face a face,

    oremos, irmãos.

 

    Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

Senhor, que nos colocastes nesta vida na terra,

como preparação para uma eternidade feliz,

por um combate generoso por Vós, no dia a dia:

concedei-nos a graça de nos comportarmos

com a generosidade que nos alcance a vitória.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Quando nos chamou à vida, para travarmos na terra este combate de fidelidade pelo Amor, Deus cuidou de todos os meios para podermos vencer.

Iluminou-nos com a Sua Palavra, para conhecermos bem o caminho; agora vai transubstanciar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, para nosso alimento espiritual.

Entremos, pois, recolhidos, como os Apóstolos no Cenáculo, neste grande mistério em que vamos participar.

 

Cântico do ofertório: Caminho pelo deserto, J. Santos, NRMS 69

 

Oração sobre as oblatas: Fazei que a nossa vida, Senhor, corresponda à oferta das nossas mãos, com a qual damos início à celebração do tempo santo da Quaresma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

As tentações do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Jejuando durante quarenta dias, Ele santificou a observância quaresmal e, triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Pelo pecado entrou no mundo a guerra entre os homens, chamados por Deus a viverem na terra como irmãos.

Jesus Cristo dá-nos como preceito que resume toda a Lei o Mandamento novo do Amor.

Com o desejo de o vivermos com fidelidade, perdoemos e aceitemos ser perdoados.

Manifestando estes sentimentos:

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Nem só de Pão vive o homem, ensinou-nos Jesus. Somos alimentados pelo Pão da Palavra e pelo Pão da Eucaristia.

Depois de termos sido alimentados pelo Pão da Palavra de Deus, preparemo-nos agora para O recebermos sacramentalmente, presente na Eucaristia.

 

Cântico da Comunhão: Nem só de pão vive o homem, F. da Silva, NRMS 29

Mt 4, 4

Antífona da comunhão: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

 

ou

Salmo 90, 4

O Senhor te cobrirá com as suas penas, debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o pão do Céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade, nós Vos pedimos, Senhor: ensinai-nos a ter fome de Cristo, o verdadeiro pão da vida, e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao percorremos os caminhos da vida, durante esta semana, ajudemos todas as pessoas que se encontram enredadas nos combates desta vida a usar as armas de Cristo.

Ajudemo-nos mutuamente, como soldados que lutam na mesma frente de combate.

 

Cântico final: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-III: Os caminhos de salvação

Lev 19, 1-2, 11-18 / Mt 25, 31-46

Fala a toda a assembleia dos filhos de Israel e diz-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo!

O Senhor indica-nos um dos caminhos para alcançarmos a santidade: viver bem o amor ao próximo.

Em primeiro lugar, há todo um conjunto de coisas que devemos evitar: não odiar o próximo, não ter sentimentos de vingança, não guardar rancores, não julgar com parcialidade, etc. (Leit). E, depois, pôr mais empenho nas obras de misericórdia, quer espirituais (instruir, aconselhar, consolar, confortar), quer corporais (dar de comer a quem tem fome…) (Ev, citado em CIC 2447).

 

3ª Feira, 15-III: Perdão e cumprimento da vontade de Deus.

Is 55, 10-11 / Mt 6, 7-15

A chuva e a neve, ao descerem do céu, não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a haverem fecundado.

Preparemo-nos para receber abundantes graças de Deus nesta Quaresma (como a chuva e a neve que descem do céu) e procuremos levar a cabo a conversão do coração, que está totalmente polarizada no Pai: é filial (Ev, citado em CIC, 2608).

Estão sugeridos dois caminhos de conversão, incluídos no Pai-nosso: em primeiro lugar, o perdão dos pecados: «se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai vos perdoará» (Ev); depois, o cumprimento da vontade de Deus: «a palavra que sai da minha boca não volta sem ter cumprido a minha vontade» (Leit).

 

4ª Feira, 16-III: A conversão e o sacramento da Penitência.

Jon 3, 1-10 / Lc 11, 29-32

Ergue-te e vai à grande cidade de Nínive e proclama-lhe a mensagem que te direi.

Os habitantes de Nínive aceitaram bem o pedido de conversão que lhes foi dirigido pelo Senhor, através do profeta Jonas (Leit e Ev). É agradável a Deus um coração arrependido (S. Resp).

Há um sacramento que renova o apelo de Jesus à conversão: «É chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão e o esforço de regressar à casa do Pai, da qual o pecador se afastou pelo pecado. É chamado sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do pecador» (CIC, 1423).

 

5ª Feira, 17-III: Consequência da conversão: a oração de fé.

Est 14, 1. 3-5. 12-14 / Mt 7, 7-12

Pedi e dar-vos-ão. Procurai e achareis. Batei e hão-de abrir-vos.

O desejo de conversão há-de levar a uma oração confiada: «O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé… Ele (Jesus) pode pedir-nos que procuremos e batamos à porta (Ev)» (CIC, 2609).

A rainha Ester é um bom exemplo desta oração confiada: «Vinde socorrer-me, que eu estou só e só em Vós tenho auxílio» (Leit); «No dia em que vos invocar, respondei-me, Senhor» (S. Resp). Na oração não deixemos de pedir coragem ao Senhor e que nos socorra nas tentações (Leit).

 

6ª Feira, 18-III: A conversão do coração e o amor ao próximo.

Ez 18, 21-28 / Mt 5, 20-26

Se o pecador se arrepender de todas as faltas que tiver cometido… há-de viver e não morrerá.

Ao olhar para as nossas faltas podemos ficar desanimados: «Se olhardes para as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se?» (S. Resp). Ele pede-nos que abandonemos o nosso mau proceder, que cumpramos os seus mandamentos e pratiquemos as virtudes (Leit). E que confiemos na sua misericórdia (S. Resp).

Além disso pede-nos a reconciliação com o próximo: «O Senhor não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o reconciliar-se com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus» (CIC, 2845).

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial