Quarta-Feira de Cinzas

9 de Março de 2011

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o tempo favorável, M. Borda, NRMS 53

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

As pessoas doentes sentem grande ansiedade quando necessitam de uma consulta, de um meio de diagnóstico, de uma operação ou de qualquer meio de reabilitação e tardam em conseguir tal oportunidade! Mas, na hora de serem chamadas ficam contentes com a esperança de readquirem uma melhor qualidade de vida, de usufruírem uma vida renovada.

Assim acontece com este tempo de Quaresma que hoje se inicia. A imposição das cinzas é um alerta para nos recordamos que o nosso corpo «material» tem uma vida breve e se há-de converter em pó.

Somos, pois, convidados a vivê-la em responsabilidade consciente numa verdadeira adesão de fé e «conversão ao Evangelho», escutando a Palavra e levando-a para a vida, numa atitude de mudança interior e de prática de atitudes concretas de amor a Deus e aos irmãos.

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta leitura, o profeta Joel apela ao arrependimento, ao jejum e à oração através de uma profunda conversão interior.

 

Joel 2, 12-18

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1, 2 – 2, 17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1, 13).

12-13 «Convertei-vos a Mim de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37, 29; Mt 26, 65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Neovulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36, 22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11, 29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que, sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Pesaroso pela culpa, o pecador descobre que o pecado é sempre, e em primeiro lugar, uma ofensa a Deus. Assim, confessando-o e pedindo perdão começa a purificar-se e a recobrar a alegria.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Evangelho pregado pelos Apóstolos não é uma simples história de Jesus, mas o anúncio da Sua morte e ressurreição, como restabelecimento da condição humana ferida pelo pecado e de reconciliação com Deus, diz-nos S. Paulo nesta leitura.

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio»; os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado), uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral: Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6, 2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49, 8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo diz que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4, 4-5). A expressão paulina é ainda mais expressiva e rica do que a da versão grega de Isaías (LXX): agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. Não há dúvida que a Liturgia pretende fazer uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: Escutai! Não endureçais os vossos corações, diz-nos Deus. Na realidade Ele observa tudo aquilo que hoje estamos a fazer e a intenção com que agimos.

 

Cântico: M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual, mas exige que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10, 3); daqui que são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; 11, 1.28-29), que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10, 9-16). Também a experiência pessoal de todos os santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

Transformação interior

Tempo favorável

Meios concretos de preparação pascal

Transformação interior

A Quaresma é um tempo propício para o reconhecimento das nossas enfermidades interiores, de diagnóstico e da aplicação dos “remédios”, “temperanças” ou reabilitações. Propõe-se-nos como um caminho de transformação, de conversão e de profunda vivência interior, pois o Senhor veio para que «tenhamos vida e a tenhamos em abundância». É, como muitas vezes ouviremos dizer, um tempo oportuno para essa transformação.

Tempo oportuno

Com frequência, as alegrias que experimentamos na nossa vida são muito pobres e superficiais. Parecem-se demasiado com o aparente entusiasmo daqueles que recorrem às drogas para se sentirem numa outra atmosfera de exaltação. Elas não nascem do mais profundo do nosso coração.

Ora, «converter-se» é a oportunidade de fazer uma forte mudança de vida. Não basta adicionar ao nosso viver quotidiano algumas práticas piedosas, próprias deste tempo. Estas não passam de meios para a conversão, pois existem em nós determinadas disposições ou atitudes que são como que um desvio ou bloqueio da nossa «saúde» interior; são fonte de males: uma postura fechada, a não-aceitação de nós mesmos. Converter-se significa crer de verdade na Boa Nova de que Deus tem preparado para nós, seus filhos pródigos, um grande banquete. Para participar nele vale a pena percorrer o caminho que nos separa da casa do Pai. Se o encetamos, a Páscoa será para nós uma grande festa do espírito. Para tal, devemos recorrer aos meios concretos que este tempo oportuno nos proporciona.

Meios concretos de preparação pascal

Sendo a Quaresma é um tempo especialmente «santo» (embora todos o sejam por igual), é uma espécie de um forte «sinal» em que Deus nos oferece superabundância de meios para o conseguir: sermões especiais, celebrações da reconciliação, vias-sacras, retiros, lausperenes... A Quaresma é como que um grande momento de exercícios espirituais que duram até à Páscoa, a fim de confirmarmos com toda a convicção o nosso compromisso baptismal. Era bom que a programássemos reservando tempo e utilizando os meios concretos para intensificar a vivência da nossa fé. Não deve constituir uma renúncia pela renúncia, mas de arranjar tempo e expedientes para os empregar em tarefas e fins produtivos: ler, conviver, visitar doentes, viver a amizade empregando os meios ao nosso alcance como:

Escuta e vivência da Palavra de Deus;

Intensificação da oração;

Frequência assídua da Eucaristia;

Vivência da caridade pela renúncia a pequenas coisas consideradas dispensáveis e empregando o produto arrecadado para partilhar com os mais carenciados;

Centralizando os nossos esforços nas feridas que mais perturbam o nosso interior.

Trata-se afinal de celebrar uma Páscoa viva, o nascimento em nós de algo novo, não só a ressurreição de Jesus, mas a nossa própria ressurreição para uma vida nova.

 

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção + sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar + estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

Cântico: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos,

oremos a Deus nosso Pai,

pedindo que nos ajude

no esforço de conversão interior,

a fim de melhor participarmos

na renovação pascal, dizendo:

 

Senhor, convertei o nosso coração.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que, fiel ao mandamento de Cristo,

confirme a sua reconciliação com todos os homens,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações:

para que respeitando a justiça

sirvam o homem no seu bem-estar

e se esforcem por conseguir a paz,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os baptizados:

     para que aproveitem

este tempo oportuno da Quaresma

utilizando todos os meios concretos de renúncia,

para o seu bem e dos mais necessitados,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos os que precisam de atenção:

     para que sintam concretamente

     que há quem se interesse por eles,

     oremos, irmãos.

 

5.  Por todos nós aqui presentes:

     para que tenhamos a graça de programar

     e viver uma Quaresma que nos conduza

     a uma verdadeira ressurreição pascal,

     oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus e Pai

que nos reunistes hoje neste templo,

ajudai-nos pela força do Espírito

a vivermos este tempo oportuno

como caminho de uma verdadeira transformação interior.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No coro da assembleia, Az. Oliveira, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que o Corpo de Cristo, que vamos comungar, nos sirva de alimento fortificador, para vivermos uma transformação que nos leve a viver a Páscoa como própria ressurreição interior.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor me apontará o caminho, F. da Silva, NRMS 69

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor convida-nos a uma mudança do nosso coração, a fim de vivermos esta Quaresma em conversão efectiva e celebrarmos a Páscoa em alegria, harmonia e paz interior e exterior, connosco, com os outros e com Deus.

 

Cântico final: Da morte e do pecado, J. Santos, NRMS 29

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

CINZAS

 

5ª Feira, 10-III: A parábola dos dois caminhos.

Deut 30, 15-20 / Lc 9, 22-25

Pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe pois a vida, a fim de que possas viver.

Para sermos felizes, temos diante de nós dois caminhos: «o caminho de Cristo, que leva à vida; e um caminho contrário, que leva à perdição (Leit)» (CIC, 1696).

Para escolhermos bem, temos boas sugestões: «Feliz quem confia no Senhor» (S. Resp): apoio na Lei do Senhor, meditando nela noite e dia, e aplicando-a aos acontecimentos da nossa vida. E: «Se alguém quiser vir após mim, pegue na sua cruz todos os dias e siga-me» (Ev): viver bem a penitência dos dias de Quaresma, seguindo o exemplo de Jesus, a caminho do Calvário.

 

6ª Feira, 11-III: O jejum que agrada a Deus.

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

De que nos serve jejuar, Senhor, se vós não o vedes, e fazer penitência, se vós não quereis saber?

Para que a penitência e o jejum quaresmal sejam agradáveis a Deus, devem estar acompanhados por algumas qualidades.

Em primeiro lugar, ter mais sensibilidade para os nossos pecados «Faz ver ao meu povo os seus pecados» (Leit); depois, a contrição: «sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido» (S. Resp); viver bem a caridade: «jejuais sim, mas no meio de brigas e discussões, e aplicando punhadas violentas» (Leit); o sacrifício para podermos recuperar a presença do Senhor: «Virão dias em que o noivo lhes será tirado» (Ev).

 

Sábado, 12.III: Curar as feridas da alma.

Is 58, 9-14 / Lc 5, 27-32

Hão-de chamar-te ‘reparador de brechas’, ‘restaurador dos caminhos para as áreas habitadas’.

«Jesus afirmou: ‘Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam’ (Ev). E foi mais longe, afirmando diante dos fariseus que, sendo o pecado universal, se negam a si próprios aqueles que pretendem não precisar de salvação» (CIC, 588).

Pedimos ao Senhor que nos ensine os seus caminhos (S. Resp). E Ele pede-nos que ‘reparemos as brechas’ no campo da caridade, afastando a opressão e as palavras ofensivas; que vivamos com amor o dia do Senhor, não desviando a atenção para outras actividades não condizentes (Leit).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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