TEMAS LITÚRGICOS

ARS CELEBRANDI: COMO CELEBRAR E ENSINAR

A CELEBRAR A SANTA MISSA

Selecção de textos

 

 

Juan José Silvestre

Professor do Istituto Superiore di Scienze Religiose all'Apollinare

 

 

 

 

Na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis (22-2-2007), Bento XVI lembrou que «se a Santa Missa se vive com atenção e com fé, é formativa no sentido más profundo da palavra, porque promove a conformação com Cristo e consolida ao sacerdote na sua vocação» (n. 80).

Apresentamos una selecção de textos, preparada pelo Prof. João José Silvestre, cuja leitura e meditação pode ajudar os sacerdotes a melhorar cada dia a sua ars celebrandi.

1. A forma externa da celebração é de oração, de diálogo com Deus.

 

"A primeira dimensão é que a celebratio é oração e diálogo com Deus: Deus connosco e nós com Deus. Portanto, a primeira exigência para uma boa celebração é que o sacerdote entre realmente neste diálogo".

 

Encontro do Papa Bento XVI com os sacerdotes da Diocese de Albano, no dia 31.08.2006

 

"E para entrar nesse diálogo: "Mens concordet voci". A vox, as palavras precedem a nossa mente. Normalmente não é assim:  primeiro temos que pensar e depois o pensamento torna-se palavra. A Sagrada Liturgia dá-nos as palavras; nós devemos entrar nestas palavras, encontrar a concórdia com esta realidade que nos precede".

 

    (ibidem).

 

A mesma ideia se exprime para os fiéis na Sacrosanctum Concilium, n. 11: "Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com rectidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão"

 

    (Sacrosanctum Concilium, n. 11)

 

2. "A Eucaristia é um dom recebido pela Igreja que, iluminada pelo Espírito Santo, lhe deu forma"

 

    (Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum caritatis, n. 11).

 

Necessidade de conhecer a estrutura da Santa Missa.

 

"Além disso, devemos também aprender a compreender a estrutura da Liturgia e por que está articulada desta forma. A Liturgia cresceu em dois milénios e também depois da reforma não se tornou algo elaborado apenas por alguns liturgistas. Ela permanece sempre continuação deste crescimento permanente da adoração e do anúncio. Assim, é muito importante, para nos podermos sintonizar bem, compreender esta estrutura que cresceu no tempo, e entrar com a nossa mens na vox da Igreja".

 

(Encontro do Papa Bento XVI com os sacerdotes da Diocese de Albano, no dia 31.08.2006

 

"Isto implica a necessidade de conhecer as rubricas, expressão amadurecida ao largo dos séculos dos sentimentos de Cristo"

 

    (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Inst. Redemptionis sacramentum, n. 5).

 

Rubricas, sinais, palavras e gestos que se encontram contidos nos livros litúrgicos em vigor, em primeiro lugar os da forma ordinária mas também nos da forma extraordinária. Os Romanos Pontífices tem aconselhado repetidas vezes conhecer estas prescrições.

 

Também o recomendava São Josemaria:

 

"Tem veneração e respeito pela santa Liturgia da Igreja e por cada uma das suas cerimónias. - Cumpre-as fielmente. - Não vês que nós, os pobrezitos dos homens, necessitamos que até as coisas mais nobres e grandes entrem pelos sentidos?"

    (São Josemaria Escrivá, Caminho, 522)

 

"Devemos fazer nossas, por assimilação, aquelas palavras de Jesus: «desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum», desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. De nenhuma forma poderemos manifestar melhor o nosso máximo interesse e amor pelo Santo Sacrifício, que observando esmeradamente até a mais pequena das cerimónias prescritas pela sabedoria da Igreja.

E, além do Amor, deve urgir-nos a «necessidade» de nos parecermos com Jesus Cristo, não só interiormente, mas também externamente, movendo-nos – nos amplos espaços do altar cristão – com aquele ritmo e harmonia da santidade obediente, que se identifica com a vontade da Esposa de Cristo, quer dizer, com a Vontade do próprio Cristo".

(São Josemaria Escrivá, Forja, 833)

"Grande mistério, a Eucaristia! Mistério que deve ser, antes de mais nada, bem celebrado. É preciso que a Santa Missa seja colocada no centro da vida cristã e que, em cada comunidade, tudo se faça para celebrá-la decorosamente, segundo as normas estabelecidas, com a participação do povo, valendo-se dos diversos ministros no desempenho das atribuições que lhes estão previstas, e com uma séria atenção também ao aspecto de sacralidade que deve caracterizar o canto e a música litúrgica. Um compromisso concreto deste Ano da Eucaristia poderia ser estudar a fundo, em cada comunidade paroquial, os «prænotanda» da Instrução Geral do Missal Romano"

 

(João Paulo II, Carta apost. Mane nobiscum Domine, n. 17)

 

"A celebração eucarística é frutuosa quando os sacerdotes e os responsáveis da pastoral litúrgica se esforçam por dar a conhecer os livros litúrgicos em vigor e as respectivas normas, pondo em destaque as riquezas estupendas da Instrução Geral do Missal Romano e da Instrução das Leituras da Missa. Talvez se dê por adquirido, nas comunidades eclesiais, o seu conhecimento e devido apreço, mas frequentemente não é assim; na realidade, trata-se de textos onde estão contidas riquezas que guardam e exprimem a fé e o caminho do povo de Deus ao longo dos dois milénios da sua história".

 

(Bento XVI, Ex. Ap. Sacramentum caritatis, n. 40)

 

 "A parte principal da liturgia da palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura com os cânticos intercalares. São seu desenvolvimento e conclusão a homilia, a profissão de fé e a oração universal ou oração dos fiéis. Nas leituras, comentadas pela homilia, Deus fala ao seu povo, revela-lhe o mistério da redenção e salvação e oferece-lhe o alimento espiritual. Pela sua palavra, o próprio Cristo está presente no meio dos fiéis. O povo faz sua esta palavra divina com o silêncio e com os cânticos e a ela adere com a profissão de fé. Assim alimentado, eleva a Deus as suas preces na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro.

    IGMR. n. 55

 

 

"Inicia-se então o momento central e culminante de toda a celebração, a Oração eucarística, que é uma oração de acção de graças e de consagração. O sacerdote convida o povo a elevar os corações para o Senhor, na oração e na acção de graças, e associa-o a si na oração que ele, em nome de toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo. O sentido desta oração é que toda a assembleia dos fiéis se una a Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício. A oração eucarística exige que todos a escutem com reverência e em silêncio".

 

    IGMR. n. 78

 

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Bibliografia prática:

 

- Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum caritatis, nn. 34-70.

 

- Institutio Generalis Missalis Romani, Cap. II (“Estrutura, elementos e partes da Missa”), nn. 27-90.

- Javier Echevarría, Vivir la Santa Misa, Rialp, Madrid 2010.

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Com autorização de www.collationes.org  , Novembro 2010

 

 


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