aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

 

Foi publicada uma edição especial do Semanário Agência ECCLESIA que assinala as comemorações do centenário da República, implantada em Portugal com a revolução de 5 de Outubro de 1910.

 

A implantação da República foi um ponto de viragem para a Igreja Católica em Portugal, tendo levado a uma «recomposição interna» destinada a enfrentar um «programa intencional de laicização». É a posição assumida pelo historiador António Matos Ferreira, um dos coordenadores da edição.

A publicação conta com a colaboração científica do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa e procura abordar «questões do âmbito da religião na sociedade portuguesa no período da Primeira República».

«A reflexão que se apresenta, acompanhada pela publicação de documentos da época e do levantamento iconográfico e biográfico referentes a acontecimentos e personalidades anteriores e posteriores à República de 1910, pretende contribuir para a memória crítica dos cidadãos portugueses», escreve Matos Ferreira.

A chamada «questão religiosa» é apreciada para lá da alteração do estatuto da Igreja Católica nas suas relações com o Estado, na sua forma «republicana, laica e de separação», frisa Matos Ferreira.

Esta edição especial do Semanário Agência ECCLESIA tem uma tiragem de 10 mil exemplares que, para além dos assinantes deste Semanário, são enviados a responsáveis pelas comunidades (paroquiais e outras) da Igreja Católica, professores de Educação Moral e Religiosa Católica, investigadores de História Contemporânea, centros de História e Departamentos de História das diferentes universidades de Portugal. Pode também ser pedida para agencia@ecclesia.pt.

 

 

LISBOA

 

COOPERAÇÃO IGREJA – ESTADO

SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL

 

No Museu Nacional de Arte Antiga, foi assinado no passado dia 6 de Outubro, o Acordo de Cooperação entre o Instituto dos Museus e da Conservação, representado pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, e a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, representada pelo bispo D. Carlos Azevedo.

 

O Acordo tem por objectivo acções de «salvaguarda do património histórico e artístico nacional, em concreto o afecto ao culto católico».

Entre as suas principais linhas orientadoras, destacam-se as seguintes directrizes:

− consultoria científica e técnica no estudo, conservação e restauro de bens culturais móveis e integrados da Igreja Católica;

− acções de formação sobre boas práticas de conservação e manutenção de bens culturais móveis, junto das Paróquias e Comissões fabriqueiras;

− actualização dos registos de inventário dos bens culturais móveis com protecção legal;

− acções de divulgação, através da edição de publicações de interesse histórico, técnico e científico.

Na mesma ocasião foi apresentada a nova publicação do Secretariado dos Bens Culturais da Igreja, intitulada Invenire.

 

 

VISEU

 

ARRANQUE DO

SÍNODO DIOCESANO

 

O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, antevê «uma reestruturação profunda» das estruturas locais da Igreja Católica durante e após os cinco anos do Sínodo diocesano, que começou no passado Domingo 10 de Outubro.

 

No discurso de abertura da assembleia pré-sinodal, o prelado sublinhou que a renovação deve ser feita «com base na comunhão e assente na organização e na co-responsabilidade» do «bispo, padres, religiosos, institutos seculares e outros consagrados e leigos empenhados».

Perante cerca de dois mil representantes de paróquias, movimentos, congregações religiosas e organismos diocesanos reunidos no Pavilhão Multiusos de Viseu, D. Ilídio Leandro afirmou que pretende consolidar uma «Igreja celebrativa, evangelizadora e com uma presença solidária no mundo».

Após a intervenção de D. Ilídio Leandro, quatro padres apresentaram os documentos do Concílio Vaticano II (1962-1965) que servirão de base à análise da realidade da diocese durante os três primeiros anos do processo sinodal: Lumen gentium (relativo à orgânica eclesial), Sacrossanctum Concilium (dedicado à Liturgia), Dei Verbum (acerca da Bíblia) e Gaudium et spes (sobre a relação entre a Igreja e o mundo).

Depois da descrição da metodologia de funcionamento do Sínodo – órgão consultivo convocado pelo bispo, cujas decisões só podem ser publicadas com a sua autorização –, a assembleia terminou com uma oração.

A partir de agora, a secretaria-geral do Sínodo receberá sugestões individuais e colectivas, que serão sintetizadas num documento que constituirá a base da elaboração de moções, a apresentar até 2013.

Os delegados vão analisar e votar essas propostas até 2015 e no ano seguinte encerra-se solenemente o sínodo, ocasião que coincide com o 500.º aniversário da dedicação da catedral.

Segundo D. Ilídio Leandro, as moções aprovadas pelo Sínodo e a dinâmica gerada até à sua ratificação deixarão a diocese apta a encarar os próximos 20 anos.

O último Sínodo na diocese de Viseu terá sido realizado em 1740.

 

 

AVEIRO

 

PRÉMIO INCENTIVA

VOLUNTARIADO

 

A Confederação Nacional do Voluntariado decidiu distinguir a Instituição Particular «Florinhas do Vouga» com o Troféu Português do Voluntariado 2010, pelo seu trabalho modelo, dentro da área da solidariedade social.

 

«É sobretudo o reconhecimento de um trabalho que envolve imensa gente e uma óptima promoção para o voluntariado dentro da cidade de Aveiro», diz o padre João Gonçalves, presidente da direcção da «Florinhas do Vouga».

Criado em Dezembro de 2007, o projecto «Ceia com Calor» envolve hoje cerca de 90 voluntários, contando ainda com a participação do tecido empresarial local.

«Todos os dias, esses voluntários percorrem as ruas de Aveiro, com o objectivo de darem aos sem-abrigo uma refeição quente, um reforço para a noite», explica o padre João Gonçalves.

Neste momento, são cerca de 35 pessoas sem-abrigo que recorrem a este serviço de apoio. «Muitas delas são nómadas, ora estão na cidade ora partem para outros locais», acrescenta.

Trata-se de um projecto que não seria possível sem a colaboração de diversas padarias e pastelarias locais, que fornecem os bens alimentares. O sacerdote realça ainda a participação da Universidade de Aveiro e de algumas escolas secundárias, com bens e com voluntários.

O projecto contribui para a criação de uma maior relação com os sem-abrigo, permitindo que muitos possam ser acompanhados por técnicos especializados. Alguns deles são imigrantes, que devido à falta de trabalho, caíram na precariedade.

«Há muitas pessoas que podem ser encaminhados para processos de inserção ou de reinserção social, e temos outros, dependentes do álcool ou da droga, que podem ir para tratamento», defende o presidente da «Florinhas do Vouga».

Esta Instituição Particular de Solidariedade Social celebra este mês 70 anos de existência. Fundada em Outubro de 1940, por D. João Evangelista Vidal, na altura o bispo de Aveiro, ela começou por dar apoio às famílias carenciadas e às crianças de rua.

Ao longo dos anos, tem conseguido alargar as suas competências, para áreas como a educação, a toxicodependência e o apoio aos idosos. Ao mesmo tempo, tem construído uma rede de apoio, baseada no tecido empresarial local e no município de Aveiro.

 

 

FÁTIMA

 

SANTUÁRIO PREPARA

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES

 

O Santuário de Fátima e os espaços envolventes vão receber melhoramentos significativos nos anos que antecedem o centenário das aparições marianas (2017).

 

O reitor do Santuário, Padre Virgílio Antunes, revelou na conferência de imprensa do passado dia 12 de Outubro que as obras para desnivelar o trânsito que actualmente passa pela avenida principal de Fátima, dividindo a nova igreja da Santíssima Trindade e o Centro Pastoral Paulo VI, vão começar brevemente.

O túnel, que deverá ser concluído em 18 meses a partir da data do início da construção, terá um custo estimado de 10 milhões de euros, montante que poderá ser parcialmente financiado pela União Europeia, embora o Santuário esteja em condições de assumir integralmente essa verba se o subsídio não for atribuído.

Está também em agenda uma obra que o reitor classificou de «muito difícil e complexa»: a renovação de todo o recinto do santuário, incluindo iluminação, som, pavimento, fluxos circulatórios e planos de evacuação e segurança.

A requalificação vai também incluir o altar do recinto, construído em 1982 para a visita do Papa João Paulo II, e que sempre foi considerado provisório.

O novo altar, que resultará de um concurso internacional, pretende responder às críticas dirigidas ao actual, que tapa a fachada da basílica e parte das colunas (colunata).

As obras, que segundo o padre Virgílio Antunes vão obrigar a transformações bastante grandes, visam tornar o Santuário mais acolhedor e bonito.

O programa das actividades religiosas e culturais do centenário das aparições vai ser apresentado à comunicação social no dia 1 de Dezembro, mas sabe-se já que cada ano, até 2017, vai ser dedicado a um tema.

O primeiro vai propor uma reflexão sobre o «Anjo da Paz» – precursor das aparições marianas – enquanto os restantes seis serão dedicados a Maria, Mãe de Jesus.

 

 

PORTO

 

ESCOLAS CATÓLICAS

LIDERAM RANKING

 

O Colégio Nossa Senhora do Rosário, no ensino secundário, e o Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, no ensino básico, ambos no Porto, lideram o ranking das melhores escolas do país.

 

De acordo com os dados divulgados hoje pelo Ministério da Educação (ME), aquelas duas instituições católicas privadas conseguiram as melhores médias, nas provas realizadas em cada nível de ensino.

«É preciso desmistificar uma ideia que se cria e que, na maioria das vezes, não é correcta, que é esta: 'Escola católica, escola privada, escola de elite'», realça o padre Querubim Silva, delegado da Conferência Episcopal Portuguesa no Conselho Nacional de Educação e Director da Associação Portuguesa das Escolas Católicas.

«Há, por um lado, escolas católicas que não integram a rede pública de ensino, não têm acordos de cooperação com o ME, e podem assim escolher melhor os seus alunos e chegar mais facilmente ao topo das listas», admite o sacerdote. «Mas temos de considerar também os muitos estabelecimentos católicos, de cariz público, que abrem vagas para todos os alunos e conseguem, mesmo assim, atingir resultados significativos».

«Este ranking demonstra, sobretudo, que há um esforço global, da comunidade educativa nas escolas católicas, para conseguir resultados, que não são só as notas, porque as competências são muito mais do que a mera demonstração de conhecimentos» conclui o padre Querubim Silva.

A lista do ME contabiliza os estabelecimentos que realizaram 50 ou mais exames: o Colégio Nossa Senhora do Rosário, do Porto, das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, com 358 provas, obteve uma média de 14,98 entre os seus alunos (numa escala de 0 a 20), repetindo a liderança da lista de escolas com melhores resultados, conseguida no ano passado.

Por sua vez, o Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, com 4,22 (média de 0 a 5), com um total de 72 provas, encabeça a lista dos melhores estabelecimentos do ensino básico.

Olhando para os resultados globais, nos exames nacionais da primeira fase do ensino secundário, eles colocam nove escolas particulares e do ensino cooperativo nos dez primeiros lugares do ranking. Apenas três escolas públicas surge no top 25.

Os dados agora publicados confirmam a tendência que se tem verificado nos últimos 10 anos, acentuando a diferença entre o ensino privado e o público.

Servem também para apoiar a de que o Estado, através do Ministério da Educação, deveria apoiar mais as famílias, para que pudessem escolher o tipo de escola que querem para os seus filhos.

 

 

VIANA DO CASTELO

 

EXPECTATIVA PARA AS

JORNADAS DA JUVENTUDE

 

O responsável da Pastoral Juvenil da Igreja em Portugal mantém a expectativa da presença de 15 mil participantes nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), marcadas para 16 a 21 de Agosto de 2011, em Madrid (Espanha).

 

As mais de cinco mil inscrições até 30 de Outubro sugerem que aquele número pode ser alcançado, até porque ainda faltam dez meses para o evento, diz o Padre Pablo Lima, da diocese de Viana do Castelo.

Outro motivo de satisfação para o director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) é a presença significativa do episcopado português no encontro com os jovens que decorrerá na capital espanhola a 18 de Agosto.

«Neste momento já foram 16 os bispos que confirmaram a sua participação, o que representa um grande número», sublinhou o sacerdote da diocese de Viana do Castelo.

Vai ser publicado por Paulinas o itinerário de formação espiritual para a JMJ, que inclui reflexões sobre a Bíblia, Baptismo, Igreja, Missão, Amizade, Matrimónio, Sacerdócio e Santidade.

Entre 8 e 20 de Agosto, a Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude passou por Portugal, naquela que foi uma ocasião privilegiada para preparar o encontro de Madrid.

O próximo «Fátima Jovem», agendado para 7 e 8 de Maio de 2011, será «o grande encontro de celebração e preparação para as Jornadas», afirmou o Padre Pablo Lima.

 

 

FÁTIMA

 

HOMENAGEM AO BISPO

D. JOÃO PEREIRA VENÂNCIO

 

O Santuário de Fátima lançou a obra «D. João Pereira Venâncio – Servir em tempos de mudança», colectânea das conferências proferidas em 2004, por ocasião do primeiro centenário do nascimento do antigo bispo de Leiria-Fátima.

 

O prelado distinguiu-se por prosseguir o trabalho de difusão da mensagem resultante das aparições marianas de 1917, na Cova da Iria, tendo-se também evidenciado enquanto formador de sacerdotes, educador, bispo e monge.

Além de uma síntese cronológica que abrange a biografia e os acontecimentos mais relevantes da época, o livro inclui o programa completo das celebrações que em 2010 evocam o 25.º aniversário da sua morte, ocorrida a 2 de Agosto de 1985.

D. João Venâncio foi ordenado padre em 1929, no seguimento dos seus estudos de filosofia e teologia na Universidade Gregoriana, em Roma, e em 1954 foi nomeado bispo auxiliar de Leiria-Fátima.

Em 1 de Março de 1957 entregou na Nunciatura Apostólica, em Lisboa, o sobrescrito com a terceira parte do segredo revelado às três crianças durante as aparições de 1917.

A carta escrita a 3 de Janeiro de 1944 pela Irmã Lúcia, à data a única testemunha viva dos acontecimentos, foi posteriormente levada para o Vaticano.

Em 1958, D. João Venâncio tomou posse da diocese de Leiria-Fátima, cargo que ocupou até 1972, tendo sido durante esse período que contribuiu para a concretização da primeira visita de um Papa a Portugal – Paulo VI –, realizada a 13 de Maio de 1967, meio século depois da primeira aparição.

 

 

LISBOA

 

IGREJA DO CORAÇÃO DE JESUS,

MONUMENTO NACIONAL

 

O Conselho de Ministros de 4 de Novembro aprovou o decreto que procede à classificação, como monumento nacional, da igreja do Sagrado Coração de Jesus, perto da Praça Marquês de Pombal.

 

A igreja, da autoria dos arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas, foi inaugurada a 25 de Junho de 1970, é uma das mais centrais da capital portuguesa e serve toda a cidade.

O edifício é apresentado pelo comunicado final do Conselho de Ministros como uma «referência no âmbito da arquitectura portuguesa do século XX, localizada nas proximidades da Avenida da Liberdade».

Prémio Valmor de Arquitectura de 1975, a igreja do Sagrado Coração de Jesus «inova decisivamente no plano da concepção do espaço litúrgico, e que se enquadra numa estética neo-brutalista, manifestada através do recurso a materiais como o betão armado, painéis e blocos pré-fabricados, que nos deu algumas obras de enorme qualidade artística e cultural», indica ainda a nota do executivo.

O projecto executado distingue claramente o espaço destinado à liturgia dos restantes serviços pastorais, numa síntese entre igreja e centro paroquial que aponta a vários aspectos da vida cristã.

No piso inferior, por baixo da igreja, há um grande salão paroquial, que se desdobra numa zona de acolhimento e outros espaços diferenciados. Em anexo a este grande bloco está um imóvel onde se instalam jardim-de-infância, biblioteca, residência do clero, cripta, cartório, salão paroquial e capela mortuária, em vários níveis, onde é possível encontrar um magnífico azulejo setecentista proveniente do templo que veio substituir.

Esta obra apresenta uma solução inovadora, encaixando o volume e as fachadas do templo com o resto da textura urbana, sem destruir a linha de fachadas que dão fisionomia à própria rua.

O espaço interno, com capacidade para cerca de 3 mil pessoas, das quais mil sentadas, põe de parte o esquema nave-santuário para responder às orientações de espaço único da Liturgia. A limitação espacial é superada, com um desenvolvimento muito natural, criando tribunas e deambulatórios.

O depuramento desornamentado que se consegue nesta obra pode surpreender os mais desprevenidos, dado que não são nem a pintura (única nota de cor com as estações da Via-Sacra) nem a escultura (apenas duas imagens, uma de Nossa senhora e outra do orago, o Coração de Jesus) os elementos fundamentais na altura de transmitir as mensagens cristãs.

A luz, filtrada por várias aberturas, a escala sobre-humana destacada pelas paredes desnudadas e a naturalidade dos materiais (betão, madeira, mármore) são os elementos que se destacam.

A zona de celebração eleva-se como um «podium» ou estrado, amplo e separado da alta parede de fundo, que ambienta o altar diante de si, o ambão e a sede presidencial, estando ainda o sacrário inserido nesta dinâmica, incrustando-se na mesma parede.

 

 

FÁTIMA

 

SANTUÁRIO RECORDA

RUY FERRÃO

 

O Santuário de Fátima transmitiu na tarde de 3 de Novembro, através do Padre Luciano Cristino, director do Serviço de Estudos e Difusão, os sentidos pêsames à família enlutada do realizador de Televisão Ruy Ferrão, falecido no dia 2 de Novembro, aos 92 anos de idade.

 

O Santuário recorda uma das mais destacadas figuras da Televisão, que teve a seu cargo, durante largos anos, as emissões televisivas da RTP a partir do Santuário de Fátima, incluindo as transmissões em directo das visitas dos papas Paulo VI e João Paulo II.

O seu profissionalismo destacava-se em todo o trabalho que realizava, a tal ponto que o Santuário de Fátima entendeu homenageá-lo com a oferta de um rosário.

Isto porque, além da dedicação profissional, era grande a devoção de Ruy Ferrão a Nossa Senhora de Fátima e o amor ao Santuário, local que continuou sempre a visitar como extremoso peregrino, mesmo após a aposentação.

Durante o seu percurso profissional, além da realização de sucessos televisivos nas áreas do teatro e das variedades, Ruy Ferrão realizou também alguns documentários relacionados com a história e a mensagem de Fátima, entre os quais «Eram Três Pastorinhos» e «Fátima, história e fé».

 

 

LISBOA

 

CONGRESSO INTERNAIONAL SOBRE

ORDENS E CONGREGAÇÕES RELIGIODAS

 

O Presidente da Conferência Episcopal, D. Jorge Ortiga, encerrou o Congresso Internacional sobre Ordens e Congregações Religiosas em Portugal, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, de 2 a 5 de Novembro passado.

 

Na sua conferência de encerramento, D. Jorge Ortiga afirmou que «se o estudo e o reconhecimento do trabalho realizado pelas Ordens e Congregações suscitam gratidão e admiração, este momento deve tornar-se, também, um estímulo de esperança para confirmar o percurso espiritual e humano e ousar reinterpretar o papel dos carismas na edificação da Igreja e no serviço ao ser humano».

Nesse sentido, animou a continuar à escuta do Espírito: «A vertente da interioridade e do silêncio, não substituindo ninguém, é o ambiente gerador das condições para um acolhimento daquilo que Deus quer dizer à Igreja em Portugal».

Por outro lado, «hoje, o mundo é o campo aberto e inspirado duma presença criativa de soluções. O testemunho torna-se diálogo e este permite o anúncio de verdades em confronto com um pluralismo cultural e religioso. É aqui, numa liberdade interior que nada nem ninguém pode condicionar, que hoje devemos montar a tenda conventual, de modo a gerar vida nova no serviço simples e humilde aos mais carenciados. Tudo isto se pode realizar no maior dos silêncios porque a gratuidade e a generosidade não se compagina com a espectacularização da vida humana».

Finalmente, o encontro com uma cultura marcada pelo pluralismo religioso e pelo agnosticismo – a que Bento XVI chamou o «Pátio dos gentios» –: «O mundo das ciências exactas e da cultura são permanentemente Pátios Abertos ao diálogo entre a fé e a razão na procura progressiva da verdade do Homem, de Deus e do mundo. Sei que este ou estes «pátios» não são confiados só aos religiosos. Hoje, os leigos são chamados a direccionarem o seu compromisso de cristãos para estes ambientes. Esta presença humilde será actuante e abrirá novos caminhos a toda a Igreja se as comunidades religiosas assumirem os seus diversos carismas na formação de um laicado maduro e identificado com os valores do Evangelho».

 

 

ALENQUER

 

NOVO POLO DE

ECONOMIA DE COMUNHÃO

 

Os empresários da Economia de Comunhão (EdC) e o Movimento dos Focolares inauguraram um novo pólo empresarial na Cidadela Arco-Íris, na Abrigada, Alenquer, no passado dia 6 de Novembro.

 

Começado a construir em 2004 num terreno adjacente à Cidadela Arco-Íris adquirido por um grupo de empresários, o Pólo empresarial EdC – Giosi Guella insere-se no âmbito do projecto EdC e tem o nome de uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares.

A Cidadela Arco-Íris é um projecto da Fundação Mariápolis que foi reconhecido como de interesse público pela Câmara Municipal de Alenquer.

Desde o início, previa a criação de condições para pessoas e grupos que ali quisessem desenvolver uma experiência de trabalho, reflexão e convivência social, baseada na solidariedade e no diálogo, através do modelo EdC.

Assim nasceu um edifício vocacionado para escritórios, armazéns, arquivos, actividades produtivas com propósitos sociais e apoio aos desfavorecidos.

Em 2005, era aberto no edifício um Centro de Recursos e Reabilitação Física, financiado durante dois anos pelo Estado (Ministérios da Saúde e da Solidariedade e Segurança Social). Dois anos depois começavam a funcionar valências médicas, medicinas alternativas, grupos de dança, ginástica de manutenção e ballet.

A primeira empresa a estar sedeada no espaço que agora se inaugurou foi a ECNAL, em 2008, uma empresa de consultoria, vocacionada para incentivar a cultura da partilha dos bens e os relacionamentos personalizados.

Já este ano, depois de completos os acessos ao Pólo e o asfaltamento de estradas, foram criadas e instalaram-se no local duas novas empresas de EdC: a SAGEC 18-20, empresa de contabilidade e medicina do trabalho, e a REDCAP, empresa de reciclagem de plástico e de papel.

 

O projecto EdC é uma nova experiência económica de inspiração cristã que se caracteriza por ter origem num movimento espiritual, e que se baseia na divisão dos lucros da empresa em três partes: ajudar os mais pobres, contribuir para a difusão de uma nova cultura e desenvolver a própria empresa.

As empresas que aderem à EdC não são empresas sem fins lucrativos, mas são empresas que operam nos mercados e que concebem a própria actividade industrial como um lugar e um instrumento de comunhão, de fraternidade e, portanto, de justiça.

Esta experiência nasceu na sequência de uma visita de Chiara Lubich a São Paulo, em 1991, onde ficou impressionada com as grandes extensões de favelas que ali existiam.

O primeiro pólo empresarial EdC nasceria no Brasil, em 1998, e em 2006 seria inaugurado o primeiro do género na Europa – Pólo Loppiano –, em Itália.

Actualmente, o projecto EdC envolve cerca de 800 empresas nos cinco continentes, 12 das quais em Portugal (pequenas e médias empresas).

 

 

 

LISBOA

 

REVISTA BROTÉRIA

 

A revista Brotéria, dedicada à relação entre «cristianismo e cultura», passou a estar presente na Internet através do endereço www.broteria.pt.

 

O site, inaugurado no início de Novembro, oferece informações sobre a revista, disponibiliza alguns números em ficheiro «pdf» e inclui um índice dos artigos publicados desde 1938. Passa também a ser possível fazer on-line a assinatura da revista.

Numa segunda fase serão integrados documentos e publicações existentes na biblioteca da Brotéria, composta por 150 mil monografias e mais de 200 publicações periódicas.

A Brotéria foi fundada em 1902 como Revista de Ciências Naturais do Colégio de S. Fiel, pelos padres jesuítas Joaquim da Silva Tavares, Carlos Zimmerman e Cândido Mendes. O seu nome é uma homenagem ao naturalista português Félix de Avelar Brotero (1744-1829).

Em 1907 apareceu organizada em três séries: Botânica, Zoológica e Vulgarização Científica. A última começou a publicar-se a partir de 1925 como Revista de Cultura Geral. A partir de 1932 ficaram as suas séries científicas fundidas na de Ciências Naturais.

 

 

LAMEGO

 

TRÊS BISPOS AGUARDAM

SUBSTITUIÇÃO

 

D. Jacinto Botelho escreveu uma carta a todos os sacerdotes de Lamego, revelando que o Papa aceitou o pedido de renúncia que apresentou ao cargo de Bispo da Diocese.

 

«Em 15 de Agosto último, aniversário da minha ordenação sacerdotal», refere o prelado, «escrevi ao Santo Padre a pedir a minha resignação como bispo diocesano, em virtude de completar os 75 anos de idade, no mês de Setembro».

«O Santo Padre aceitou o meu pedido», revela D. Jacinto Botelho, acrescentado que permanece na condução pastoral da Diocese de Lamego até nomeação do seu sucessor, a qual, refere, «ocorrerá, presumivelmente, daqui a um ano», segundo indicação do Núncio Apostólico.

Após a substituição do bispo emérito de Viana do Castelo, D. José Pedreira, há três dioceses cujos bispos completaram 75 anos de idade: Bragança-Miranda, Coimbra e Lamego.

D. António Montes, Bispo de Bragança-Miranda, celebrou a 30 de Abril passado o seu 75.º aniversário natalício e revelou nesse dia que o Vaticano aceitou o pedido de resignação que apresentou, nesta ocasião.

O mesmo fizera D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, que completou 75 anos em Março e revelou à Diocese que o seu sucessor deverá chegar nos próximos meses.

A eles se vai somar D. João Miranda, bispo Auxiliar do Porto, quando no dia 1 de Dezembro celebrar 75 anos.

 

 

GUARDA

 

OPÇÃO PELO SACERDÓCIO

VAI CONTRA CULTURA ACTUAL

 

Perante a sociedade actual, marcada «pela cedência ao materialismo e ao pragmatismo», voltada «para a valorização do efémero» e onde se faz passar a mensagem de que o centro está «no indivíduo e na satisfação dos seus interesses», a opção pelo sacerdócio como modelo de vida surge como «uma autêntica contra-cultura» – defendeu o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, na sua mensagem para a Semana dos Seminários, que terminou no domingo 14 de Novembro passado.

 

«Num mundo e numa Europa que se querem novos, a necessidade do Sacerdócio Católico está a crescer», considera D. Manuel Felício, desafiando os jovens a colocarem este caminho entre as suas hipóteses de escolha vocacional.

Para levar a cabo a sua missão, «a Igreja precisa de padres», reforça o prelado, que se mostra, no entanto, consciente de que o convite que é feito aos jovens de hoje, para entrarem no Seminário, não acarreta facilidades.

Primeiro, porque os jovens candidatos «estão sujeitos às mesmas solicitações dos outros jovens», e são afectados por «debilidades e tentações comuns aos outros», explica o bispo da Guarda.

Depois, sublinha ainda, porque a própria Igreja «não pode apresentar só bons exemplos da parte daqueles que já são sacerdotes ordenados».

«Há limitações e mesmo erros efectivamente cometidos por nós que já estamos no exercício do ministério sacerdotal, que não escondemos àqueles que se propõem seguir o mesmo caminho de serviço à Igreja e por ela à comunidade humana em geral», conclui o prelado.

Os últimos dados disponibilizados pela Santa Sé mostram que os seminaristas de filosofia e teologia no nosso país são menos, nos últimos anos: de 547, entre diocesanos e religiosos, no ano 2000, passou-se para 444 em 2008 (menos 19%). Lisboa, Porto, Braga, e Funchal são as dioceses com mais candidatos ao sacerdócio.

 

 

LISBOA

 

SOLUÇÕES PARA A POBREZA,

À LUZ DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

 

Perante a falência dos actuais modelos económicos, que tem como principal reflexo o flagelo da pobreza, a Doutrina Social da Igreja procura oferecer pontos de referência claros, apelando à preservação do capital humano, fomentando o desenvolvimento integral da pessoa, trabalhando para a valorização do bem comum.

 

Estas ideias ficaram bem vincadas numa Conferência sobre «Doutrina Social da Igreja, livre iniciativa e pobreza», organizada pelo Acton Institute, em colaboração com o Instituto de Estudos Políticos (IEP), da Universidade Católica Portuguesa.

O evento, que teve lugar no passado dia 9 de Novembro, no edifício central da UCP, contou na sessão da manhã com a participação de D. Filippo Santoro, bispo de Petrópolis (Brasil), membro da Comissão Episcopal para a Doutrina no seu país; João Carlos Espada, director do IEP; Raul Diniz, professor da Escola de Direcção e Negócios (AESE); e o Cón. João Seabra, do Patriarcado de Lisboa.

Durante a sua intervenção, D. Filippo Santoro sublinhou que a mais valia da mensagem eclesial, nos dias de hoje, está na consciência de que «o desenvolvimento económico vai para lá do material, tendo implicações relacionadas com a pessoa humana, ao nível cultural, social e espiritual».

Olhando para a realidade mais recente do seu país, o prelado brasileiro destacou o facto de que, «em 8 anos, mais de 24 milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta, e 31 milhões passaram para a classe média».

Raul Diniz deteve-se mais no papel desempenhado pelas empresas, num mercado actual «onde a ética não domina o âmago das decisões negociais».

De acordo com o professor de Comportamento Humano na Organização e de Ética e Doutrina Social da Igreja, as empresas podem ser, hoje em dia, «uma solução para o desemprego, para o crescimento dos mercados e florescimento da economia». No entanto, para que isso aconteça, «não pode haver uma ética para a empresa e outra para a pessoa individual».

O docente referiu-se ao princípio da subsidiariedade, uma das noções centrais da Doutrina Social da Igreja, e um aspecto fundamental na luta contra a pobreza e exclusão social.

Um principio que, de acordo com o Cón. João Seabra, começou por ser consagrado em 1931, durante o Pontificado do Papa Pio XI, na sua encíclica Quadragesimo Anno.

O Cón. João Seabra deu como exemplo da aplicação do princípio da subsidiariedade a região italiana da Lombardia (Itália), onde o Estado, para além de «apostar na educação, abre portas à liberdade de investimento, levando a que a economia local seja suportada por pequenas e médias empresas, que se auto-sustentam».

Este é um dos exemplos em que a realidade socioeconómica se cruza com os valores defendidos pela Doutrina Social da Igreja, daí resultando o bem comum. No entanto, conclui o Cón. João Seabra, «a Igreja não tem soluções milagrosas, apenas procura colocar o coração de cada pessoa numa posição justa, para resolver o problema humano».

 

 

FÁTIMA

 

GOVERNO LIMITA APOIO

A ESCOLAS PARTICULARES

 

No final da Assembleia Plenária, que decorreu de 8 a 11 de Novembro, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou a sua «grande preocupação» perante «as medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo e, mais ainda, aquelas que agora se anunciam por via jurídica, em relação ao ensino particular e cooperativo».

 

Para a CEP, trata-se de «uma situação que, desde há muito, vem dificultando, em todo o País, a vida e acção destas escolas, levando, de modo progressivo, injusto e programado, ao seu desaparecimento».

A intervenção acontece depois de o Conselho de Ministros do dia 4 de Novembro ter alterado o Decreto-Lei que regula os apoios do Estado ao ensino particular e cooperativo, abrindo a possibilidade de renegociação dos contratos entre o Ministério da Educação e as escolas particulares.

Segundo nota oficial do Governo, a mudança ocorre «em virtude da rede de escolas públicas e a respectiva oferta ter crescido significativamente nos últimos anos». Consequentemente, «o financiamento das escolas particulares e cooperativas pelo Estado, através de contratos, já não necessita de ser tão intenso como era há anos atrás».

Ao «afirmar mais uma vez a defesa do ensino livre», os Bispos vêm precisar que «não se referem apenas às escolas sob a tutela da Igreja Católica, mas a todas as escolas particulares e cooperativas do País, porque estas escolas são um bem nacional necessário».

«Contrariá-lo ou dificultá-lo será sempre um acto antidemocrático e lesivo de direitos constitucionais», comentam.

Os Bispos afirmam que «é bom que o País saiba que as escolas particulares não são apenas os grandes colégios dos meios urbanos», lembrando «centenas de escolas com contratos de associação, que proporcionam um ensino gratuito para todos».

«Estas escolas, cumprindo as exigências legais, dão testemunho de um trabalho sério que se inicia com o ano escolar e se realiza sem interrupções e com professores permanentes, e, com o financiamento recebido do Estado, são sensivelmente muito menos onerosas do erário público que iguais escolas do ensino estatal», defendem.

A CEP diz que, em causa, estão «escolas que, na sua maioria, são pioneiras como promotoras eficazes do direito ao ensino em muitas zonas de Portugal desde há décadas, e que continuam a realizar um serviço público qualificado, reconhecido no campo escolar pelos pais e comunidades locais».

O texto episcopal assinala que o apoio do Estado ao ensino particular e cooperativo «não deve ser entendido como supletivo do ensino público, mas como reconhecimento prático da liberdade de ensino e do direito dos pais a escolherem a educação que desejam para os seus filhos».

 

 

LISBOA

 

PRESÉPIOS EMBLEMÁTICOS

 

Os «Itinerários Temáticos» da Câmara Municipal de Lisboa dão a conhecer alguns dos presépios mais emblemáticos da capital, que poderão ser visitados.

 

Presépio da Sé de Lisboa: deve-se a Machado de Castro, único conjunto assinado e datado pelo Mestre. Foi, segundo a tradição, encomendado por um beneficiado para a Basílica Patriarcal. Constitui um importante elemento representativo do gosto artístico do escultor, obra realizada quando este ainda se encontrava ocupado com as obras do convento de Mafra.

Presépio da Madre de Deus: obra-prima da escultura barroca em Portugal, merece um olhar atento pela arte de Dionísio e António Ferreira. Trata-se de um exemplo da mestria dos artistas que trabalhavam o barro, entre o final do século XVII e o início do século XVIII.

Presépio da Basílica da Estrela: é um dos mais espectaculares presépios setecentistas portugueses, moldado por Joaquim Machado de Castro, no século XVIII, que, a par de outras obras realizadas para a Família Real Portuguesa, garantiu que o seu nome ficasse indissociável dos presépios nacionais.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial