9º Domingo Comum

6 de Março de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, a prece, M. Carneiro, NRMS 94

Salmo 24, 16.18

Antífona de entrada: Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão, porque estou só e desamparado. Vede a minha miséria e o meu tormento e perdoai todos os meus pecados.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Identificamos o ser cristão – católico – com sentimentos de religiosidade, mais ou menos esclarecidos. Muitos dizem: «Tenho cá a minha fé!». Com certeza falam verdade, mas talvez não tenham a fé em Jesus Cristo, caminho único de Salvação.

Todos os povos de todas as religiões têm manifestações de religiosidade e muitos deles não são cristãos: muçulmanos (oração três vezes ao dia, peregrinação a Meca, etc.); budistas, hindus, pagãos de todas as latitudes da terra...

Ser cristão é ser discípulo apaixonado de Jesus Cristo, isto é, seguidor d’Elena doutrina e na vida de cada dia. Disto nos vai falar o Senhor na Liturgia da Palavra deste 9.º Domingo do tempo comum.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente que não temos conseguido viver a doutrina de Jesus Cristo, quer porque a não conhecemos, quer porque a nossa vontade é fraca e inclinada para o mal.

Peçamos ao Senhor perdão desta falta de coerência e prometamos – contando sempre com a Sua ajuda – um comportamento diferente, a partir de agora.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para o nosso esquecimento e desleixo continuados

    em conhecer melhor a doutrina de Jesus Cristo,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a nossa falta de coerência na vida de cada dia,

    separando a vida dentro da igreja do nosso actuar,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a nossa resistência indelicada à vontade de Deus,

    nos deveres de família, no trabalho e nas diversões,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso e eterno, cuja providência não se engana em seus decretos, humildemente Vos suplicamos: afastai de nós todos os males e concedei-nos todos os bens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés, em nome do Senhor, convida o Povo de Deus a deixar que a Palavra do Senhor seja acolhida no coração de cada pessoa, e envolva e penetre toda a sua vida, marque os seus pensamentos, sentimentos e acções.

A eles e a nós é garantido, quando construimos a vida sobre a Palavra de Deus, a felicidade e a vida definitiva.

 

Deuteronómio 11, 18.26-28.32

Moisés falou ao povo nestes termos: 18«As palavras que eu vos digo, gravai-as no vosso coração e na vossa alma, atai-as à mão como um sinal e sejam como um frontal entre os vossos olhos. 26Ponho hoje diante de vós a bênção e a maldição: 27a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos prescrevo; 28a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, afastando-vos do caminho que hoje vos indico, para seguirdes outros deuses que não conhecestes. 32Portanto, procurai pôr em prática todos os preceitos e normas que hoje vos proponho».

 

O texto pertence à 2ª parte do Deuteronómio, a parte fundamental, em forma de um longo discurso de Moisés, o segundo (Dt 4, 44 – 28, 68), que precede imediatamente o chamado Código Deuteronómico, ou Aliança de Moab (Dt 12, 1 – 26, 15), adiantando as bênçãos e maldições que serão apresentadas de forma mais desenvolvida a concluir o discurso (Dt 27 e 28).

18 No tempo de Jesus, os fariseus tomavam à letra estas palavras, e atavam com fitas à testa e ao braço as chamadas filactérias, umas caixinhas contendo tiras de pergaminho com certas passagens da Lei, como esta: Dt 11, 13-21; 6, 4-9; Ex 13, 1-16 (cf. Mt 23, 5).

 

Salmo Responsorial    Sl 30 (31), 2-3a.3bc-4.17.25 (R. 3b)

 

Monição: O salmista, no meio dos perigos e dificuldade sem que se vê envolvido, invoca o Senhor com toda a confiança e anima todos a procurar refúgio em Deus.

Conscientes da nossa incapacidade para acolher e cumprir a vontade de Deus em cada dia, invoquemos a Sua ajuda.

 

Refrão:      Sede o meu refúgio, Senhor.

 

Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido,

pela vossa justiça, salvai-me.

Inclinai para mim os vossos ouvidos,

apressai-Vos em me libertar.

 

Sede a rocha do meu refúgio

e a fortaleza da minha salvação;

porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,

por amor do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Fazei brilhar sobre mim a vossa face,

salvai-me pela vossa bondade.

Tende coragem e animai-vos,

vós todos que esperais no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na carta aos fiéis de Roma, S. Paulo garante-nos que a salvação resulta do dom gratuito de Deus, tornado presente em Cristo, a Palavra viva do Pai, que veio ao encontro dos homens para os subtrair ao caminho da escravidão, do pecado e da morte.

Alerta-nos, portanto, contra a tentação de auto-suficiência que tantas vezes nos leva a pensar que somos capazes de viver com fidelidade os Seus ensinamentos, sem a ajuda do Alto.

 

Romanos 3, 21-25a.28

Irmãos: 21Independentemente da Lei de Moisés, manifestou-se agora a justiça de Deus, de que dão testemunho a Lei e os Profetas; 22porque a justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os crentes. De facto não há distinção alguma, 23porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus; 24e todos são justificados de maneira gratuita pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus, 25aque Deus apresentou como vítima de propiciação, mediante a fé, pelo seu sangue, para manifestar a sua justiça. 28Na verdade, estamos convencidos de que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei.

 

Em breves mas densas palavras temos aqui expressa a tese central da Epístola aos Romanos: todos os homens tanto os gentios como os judeus são pecadores e estão privados da graça divina e só são salvos pela obra redentora de Jesus, de modo gratuito, não em virtude de se satisfazer uma série de exigências da Lei mosaica, mas pela sua adesão à salvação oferecida.

21 «Foi sem a Lei do Moisés». A salvação trazida por Cristo, embora seja «atestada pela Lei e pelos Profetas», não procede da Lei mosaica, que não tem força para justificar ninguém, mas apenas torna mais patente o pecado. «Manifestou-se agora», isto é, no tempo presente, após a obra salvadora de Jesus Cristo, «a justiça de Deus»: não é a justiça vindicativa de Deus, chamada ira de Deus nesta epístola (Rom 1, 18 – 3, 20). É, pelo contrário, a acção salvadora de Deus que justifica, santifica o ser humano.

22 «Vem pela fé em Jesus Cristo». A fé é a condição básica fixada por Deus para que o homem possa aproveitar-se da salvação trazida por Cristo: o mínimo que Deus pode exigir é que os beneficiários da sua misericórdia reconheçam o valor da morte redentora do seu Filho. «Para todos os crentes sem distinção», pois a salvação é para todos, não apenas para uns privilegiados, uma raça eleita, o povo de Israel, destinatário da Lei; ela é para todos os homens, com a condição de que sejam crentes, isto é, de que tenham fé (v. 28; cf. Rom 1, 17).

23 «Todos pecaram e estão privados da glória de Deus». Aqui trata-se da glória de Deus, enquanto participada pelo homem, uma espécie de revérbero da majestade e presença divina na alma humana, que a Teologia chama graça santificante. Pelo pecado original toda a humanidade ficou privada da graça e amizade divina (cf. Rom 5, 12-21).

24 «Todos são justificados de maneira gratuita», isto é, sem méritos antecedentes do pecador, «pela sua graça», ou seja, unicamente pela benevolência divina, por puro favor, que nenhum esforço humano podia merecer (muitos autores vêem aqui aludido o dom da graça santificante); «por meio da Redenção»: pela obra salvadora de Cristo, que é aqui chamada «redenção». Pergunta-se se este termo indica um resgate pago, isto é, se o sangue de Cristo deve ser entendido como preço de resgate. Que Cristo nos resgatou com o seu sangue é uma verdade de fé, que não pode estar em questão; no entanto, discute-se se, nesta passagem, se quer exprimir isto mesmo, uma vez que a palavra apolytrôsis não engloba necessariamente a noção de resgate, como é o caso de quando os LXX a referem à libertação do Egipto, e também em Lc 21, 28; Rom 8, 23: 1 Cor 1, 30; Ef 1, 14; 4, 30; Hebr 11, 35). Porém, dada a semelhança desta passagem com tantas outras em que se diz expressamente que os cristãos foram «comprados por um preço» (1 Cor 6, 20; 7, 23; Gal 3, 13; 2 Pe 2, 1; Apoc 5, 9; cf. Mt 20, 28; Mc 10, 45; Act 20, 28; 1 Pe 1, 18), é mais provável que neste versículo se expresse a ideia de resgate. Nesta linha se situa a tradução litúrgica ao empregar a palavra «redenção» e não «libertação».

25 «Deus apresentou-o como aquele que expia os pecados pelo seu Sangue», à letra: como o propiciatório. O propiciatório (em grego hilastêrion, em hebraico kapóreth) era a placa de oiro que cobria a arca da aliança e que no dia da festa anual da expiação (o Yiom Kipur) era aspergida com sangue de vítimas pelo sumo sacerdote para a expiação dos pecados do povo (cf. Ex 25; Lv 16). Nesta mesma linha, Jesus seria o novo propiciatório, isto é, o novo meio ou instrumento de expiação, o novo lugar que a misericórdia de Deus nos apresenta e oferece para obtermos o perdão dos pecados. No entanto, a tradução litúrgica preferiu outra interpretação (permitida pelo original grego), a saber, o propiciador: Jesus é, assim, Aquele que expia os pecados. Mas ainda era possível uma terceira tradução: «Deus apresentou-o como um sacrifício expiatório», (como vítima de expiação, traduzem alguns). Esta última tradução, favorecida pelo contexto, em especial pela referência ao «Sangue derramado» – isto é, um sangue de sacrifício –, tem a vantagem de pôr em evidência a doutrina da fé segundo a qual a Morte de Cristo foi um verdadeiro sacrifício de propiciação ou expiação dos nossos pecados, doutrina aliás contida claramente no Novo Testamento (cf. Mt 26, 28 par; 1 Cor 11, 24-25; 15, 3; Ef 1, 7; 5, 2; Col 1, 20; Hebr 1, 12-14; 1 Pe 1, 18-19). «Por meio da fé»: Jesus Cristo realizou o que a Teologia chama a redenção objectiva, mas nós somos justificados pessoalmente, fazendo nossa essa mesma expiação (redenção subjectiva ou aplicada), mediante a fé em Cristo.

28 «O homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei». A tradução litúrgica, por motivo de clareza, explicita: «sem as obras que a Lei de Moisés determina». A principal obra da Lei, que os cristãos judaizantes queriam impor, como elemento indispensável da justificação, era a circuncisão. Na epístola aos Gálatas o Apóstolo tinha-se insurgido muito energicamente contra estes traficantes do Evangelho; nesta epístola, porém, limita-se a expor serenamente o princípio de que a justificação é puro dom gratuito de Deus, não é um prémio devido a obras especiais (as práticas da Lei mosaica), que só uns tantos privilegiados podiam executar. A salvação é para todos, quer sejam judeus, quer sejam gentios; não tem sentido, pois, judaizar para obter a salvação, que é gratuita e universal. Note-se que Lei de Moisés, ao ter o seu pleno cumprimento em Cristo, perdeu a sua vigência no que tem de ritual ou cultural, não no que se refere à Lei moral, que Cristo não veio abolir, mas explicar e levar à sua perfeição (cf. Mt 5).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 15, 5

 

Monição: Temos necessidade de permanecer unidos a Jesus Cristo, como os ramos ao tronco da videira, pela graça santificante.

Renovemos os nossos propósitos de fidelidade e aclamemos o Evangelho que nos ensina estas verdades.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 73-74 (com flauta bisel)

 

Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor:

quem permanece em Mim dá muito fruto.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 7, 21-27

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21«Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. 22Muitos Me dirão no dia do Juízo: ‘Senhor, não foi em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?’ 23Então lhes direi bem alto: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade’. 24Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. 26Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína».

 

O «Discurso da Montanha» de Mateus (Mt 5 – 7), belamente construído a partir de variados e dispersos ensinamentos de Jesus, com o objectivo nos dar, logo de entrada, uma visão global do que poderíamos chamar o programa do Reino dos Céus, atinge aqui a sua conclusão, encerrando-se com chave de ouro.

21-23 O cerne do Reino do Céus está em fazer a vontade do Pai que está nos Céus, sem o qual tudo, a saber, a própria confissão de fé – «Senhor, Senhor» –, bem como os mais singulares carismas – «profetizar em nome de Jesus, expulsar demónios, fazer prodígios» –, tudo é vão. Notar como Jesus fala com uma autoridade suprema, muito superior à dos Profetas, ao apresentar-se como o próprio Juiz dos homens, o que implica uma autoridade suprema e exclusiva de Deus.

24-27 A parábola do homem que constrói a sua «casa sobre a rocha» chama a atenção para a segurança que dão os ensinamentos de Jesus a quem se esforça por pô-los em prática: nada o poderá abalar, nem mesmo as mais fortes tribulações, contradições, ou perseguições; pelo contrário, tentar construir a sua vida fora, ou à margem de Jesus, é «construir sobre a areia», é estar votado ao fracasso e a uma desastrosa ruína final.

 

 

Sugestões para a homilia

 

• Saber o que Deus quer de nós

Conhecer a vontade de Deus

Recordá-la em cada momento

É este o caminho da felicidade

• Cumprir a vontade de Deus na vida

Necessidade de coerência na vida

A verdadeira prudência

Deus é fiel.

Introdução

Moisés exorta e convida cada israelita a fazer dos Mandamentos de Jahwéh uma referência fundamental. A presença da Palavra do Senhor deve ser penetrante e envolvente, abarcando a totalidade da vida do homem – «gravai-as no vosso coração e na vossa alma, atai-as como um sinal e sejam como um frontal entre os vossos olhos».

É por este trecho que se justifica o uso dos «tefilim» – duas caixinhas de couro contendo quatro trechos do Pentateuco, que os israelitas geralmente usam, a partir dos treze anos, durante as orações matinais, excepto aos sábados e dias festivos: uma no braço esquerdo, frente ao coração, e outra na testa, ambas presas com fitas de couro.

Significam que a Palavra de Deus deve estar sempre presente e marcar os sentimentos (coração) e os pensamentos (testa) do crente. Os dois «tefilim» simbolizam também as duas dimensões da vida humana – teoria (testa) e prática (braço), pensamento e acção: tudo deve ser comandado pela Palavra de Deus.

1. Saber o que Deus quer de nós

a) Conhecer a vontade de Deus. «'As palavras que eu vos digo, gravai-as no vosso coração e na vossa alma, atai-as à mão como um sinal' [...]»

A primeira pergunta que o Senhor nos dirige é se conhecemos a doutrina cristã, na qual aprendemos qual é a vontade de Deus a nosso respeito, como havemos de nos conduzir, para Lhe agradar.

Há livros que são fundamentais em nossa casa:

– A Bíblia, guardada com todo o respeito, e disponível para que cada pessoa da família a possa ler e meditar;

– O Catecismo da Igreja Católica, editado depois do Concílio Vaticano II, e depois organizado em perguntas e respostas, para melhor podermos fixar a doutrina, no Compêndio do Catecismo da Doutrina Católica.

Todos os Domingos estas verdades são-nos anunciadas na Celebração da Santa Missa. Quem participa com atenção e devoção na Eucaristia Dominical ouve proclamar e comentar quatro leituras da Sagrada Escritura.

– Há também muitos e bons livros que podemos e devemos ler. Peçamos conselho a quem nos possa ajudar a fazer uma boa escolha.

Sem um esforço para melhorarmos a nossa formação doutrinal, perdemos o gosto de ser cristãos.

 

b) Recordá-la em cada momento. «As palavras que eu vos digo [...] sejam como um frontal entre os vossos olhos

Não basta mostrarmos aos nossos amigos a Bíblia que temos em casa, como um objecto de luxo ou de adorno. É preciso lê-la e meditá-la todos os dias. Quem toma a seu cuidado ler um pouco em cada dia, rapidamente a lê na totalidade.

Poderíamos cair na tentação de pensar que basta o que aprendemos ao preparar a primeira comunhão, a comunhão solene da profissão de fé, ou o crisma. Alguém dizia, com certo humor, que muitos cristãos adultos ainda andam com o fato e sapatos da primeira comunhão.

Ao mesmo tempo que procuramos recordar a doutrina de sempre, recebemos luzes de Deus para saber o que devemos fazer em cada situação concreta.

Iluminados pela Palavra de Deus, podemos então perguntar, – como Saulo às portas de Damasco – quando nos encontramos em dúvida: «Senhor, que quereis que eu faça

 

c) É este o caminho da felicidade. «Ponho hoje diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, [...]; a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus.»

Muitas pessoas – também as que se proclamam católicas — decidiram que a Palavra de Deus está fora de moda – «agora são os novos tempos –, dizem – e é um peso morto que os impede de ser livres.

Por isso, preferem escolher os seus próprios caminhos, indiferentes às propostas de Deus. Acontece isto nos negócios, na vida de namoro e na vida matrimonial, no trabalho, nos programas que escolhem para passar o tempo e em outras circunstâncias da vida.

Quando, porém, as pessoas se fazem surdas aos mandamentos da Lei de Deus e escolhem a auto-suficiência, facilmente caem numa vida de orgulho e de sensualidade, de egoísmo, de opressão e de injustiça, de violência e de morte.

Se todas as pessoas aceitassem dar ouvidos a Deus e às suas propostas, não seríamos todos mais felizes?

2. Cumprir a vontade de Deus na vida

a) Necessidade de coerência na vida. «"Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus."»

Deus pede-nos que sejamos cristãos a tempo inteiro, e não apenas em alguns momentos, a sério e não a fingir que o somos.

A verdade é que somos muito tentados a separar a fé e suas manifestações de vida de cada dia. Confundimos sentimento com cristianismo.

Vamos a Fátima, cantamos, rezamos e comovemo-nos sobretudo na procissão do «Adeus». Mas quem nos ouvir no transporte, na fábrica ou na família, reconhece em nós a mesma pessoa que estava na Cova da Iria?

Para sermos coerentes, temos necessidade de fazer diariamente o exame de consciência, comparando a nossa vida com as exigências de Deus.

Não conseguiríamos uma verdadeira coerência de vida se não pedíssemos a ajuda do Senhor que Ele nos dá especialmente quando recorremos aos sacramentos.

 

b) A verdadeira prudência. «Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha

Tomamos muitas precauções na vida: com seguros, ao assinar papeis, quando recebemos uma pessoa estranha e acautelando os bens onde seja difícil encontrá-los e roubá-los. São tudo exigências da prudência humana, que é também uma virtude.

Jesus fala-nos da virtude da prudência sobrenatural que se concretiza em obedecer às exigências da Palavra de Deus em cada momento.

Construir a casa sobre a rocha é construir a vida de acordo com os ensinamentos e propostas apresentados por Jesus no «sermão da montanha».

Este é o caminho seguro para encontrar um sentido para a própria existência. As dificuldades que encontramos na vida não nos vão impedir de alcançar a vida plena, feliz, se tivermos o cuidado de a construir sobre a Palavra de Jesus.

Muitas pessoas do nosso tempo estão convencidas de que ser cristão é ter o nome inscrito no livro de registos de baptismo da sua paróquia, ou fazer parte duma confraria, ou estar ligado a uma comissão de festas da freguesia, ou aparecer na Igreja nos casamentos, baptizados e funerais…

Há até quem se declare, orgulhosamente, como «cristão, não praticante», como se o «ser cristão» fosse um ofício do qual nos reformamos, ou um passatempo que nos ocupa só nas horas vagas, ou se concretizasse como em ter simpatia por um clube do qual nos recusamos a pagar as quotas… O Evangelho deixa as coisas bem claras: «ser cristão» não é possuir um bilhete de identidade que atesta o nosso baptismo; mas é esforçar-se seriamente por viver, vinte e quatro horas por dia, de acordo com as propostas de Deus.

 

c) Deus é fiel. «Todos são justificados de maneira gratuita pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus…»

S. Paulo convida-nos a contemplar o amor de um Deus que nunca desistiu de nos amar e salvar, apesar de nos deixarmos prender, muitas vezes, pelo egoísmo, pelo orgulho e pela auto-suficiência. Ele continua a vir ao nosso encontro, mostrando-nos o seu amor e fazendo-nos propostas de felicidade.

Quando as pessoas deixam Deus de lado, apesar da carinhosa insistência d’Ele, acabam por se tornar em desencantadas e carentes. E quando descobrem bruscamente as suas limitações – nos dramas da vida, na doença, na velhice, na falência das apostas e das seguranças humanas – e não sabem a que se agarrar, caem no desânimo, na náusea, no cansaço da vida e na depressão.

Não será mais que tempo de redescobrirmos que Deus nos ama, e de reconhecermos o Seu empenho em conduzir-nos rumo à felicidade plena e de aceitarmos essa proposta de caminho que Ele nos faz?

Na Missa de cada Domingo, recebemos um convite do Seu Amor, para darmos um passo em frente na vida.

Com a ajuda de Maria Santíssima, Virgem fiel ao Senhor, seremos capazes de corresponder à fidelidade do Pai com uma generosidade crescente.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com a certeza de que o Senhor é fiel às Suas promessas,

queremos seguir inteiramente o caminho que nos indica.

Peçamos-Lhe agora a ajuda necessária para os fazermos,

apresentando-Lhe as necessidades da Igreja e do mundo.

Oremos (cantando):

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    ensinem a todos os cristãos as exigências da fé na vida,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

2. Para que os cristãos lutem contra o respeito humano

    que os torna cobardes e os impede de amar ao Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

3. Para que todos nós, reunidos a celebrar a Páscoa semanal

    sintamos  a necessidade de melhorar a nossa formação,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

4. Para que os jovens se preparem com a doutrina cristã,

    de modo que ajudem na construção de um mundo novo,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

5. Para que os militantes das obras de apostolado da Igreja

    procurem conhecer e amar cada vez melhor a Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

6. Para que todos os que se perderam no caminho do Céu

    se reconciliem com Deus e recomecem a vida cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

7. Para que as almas dos nossos irmãos que já partiram

    vejam abreviada a sua purificação e entrem na glória,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a viver só para Vós!

 

Senhor, que nos chamastes à vida na terra,

para fazer dela um tempo de prova de Amor,

com a qual preparamos uma eternidade feliz:

ensinai-nos a caminhar com tal prudência,

que nos tornemos sempre dignos dela.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Na Liturgia da Palavra aumentamos, em cada semana, a nossa formação doutrinal, de modo que possamos caminhar com verdadeira prudência para o Céu.

Na Liturgia Eucarística o Senhor faz-Se nosso Alimento, para que tenhamos forças no caminho até à felicidade eterna.

 

Cântico do ofertório: Para vós Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Confiando na vossa bondade, Senhor, trazemos ao altar os nossos dons, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Saudação da Paz

 

O nosso paraíso deve começar, em embrião, na terra, pela paz – fruto da justiça – que fazemos reinar dentro de nós.

Vivamos como irmãos, filhos do mesmo Pai, pois será também esta a nossa vocação na eternidade.

Manifestemos a disponibilidade para vivermos em comunhão de vida.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus disse: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus

A vontade do Pai do Céu, neste momento, é que façamos uma comunhão bem feita, se estamos preparados para ela. A primeira condição é acreditar na Presença Real de Jesus na Eucaristia; é preciso também estar na graça de Deus, depois de uma confissão bem feita, se for necessário. O Senhor pede-nos ainda reverência ao comungar, distinguindo o Corpo e Sangue de Cristo de qualquer outro alimento.

 

Cântico da Comunhão: Senhor quanta alegria é encontrar-Te, C. Silva, NRMS 55

Salmo 16, 6

Antífona da comunhão: Escutai, Senhor, as minhas palavras, respondei-me quando Vos invoco.

 

Ou        

Mc 11, 23.24

Tudo o que pedirdes na oração vos será concedido, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Guiai, Senhor, com o vosso Espírito aqueles que alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, de modo que, dando testemunho de Vós, não só com palavras mas em obras e verdade, mereçamos entrar no reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não nos esqueçamos de que a nossa vida é uma caminhada para o Céu, pela observância da lei do Senhor.

Ajudemos todos os nossos amigos a recordar, dia a dia, esta verdade fundamental.

 

Cântico final: Quero cantar o vosso nome, A. Cartageno, NRMS 111

 

 

Homilias Feriais

 

9ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-III: Edificar a sociedade à luz dos valores evangélicos.

Tob 1, 3-2, 1-8 / Mc 12, 1-12

O homem tinha ainda alguém para enviar: o seu querido filho; e enviou-o por último.

Através desta parábola (Ev.), Jesus faz uma síntese da história da salvação: são enviados os Profetas (os servos) e, mais tarde, o próprio Jesus (o querido filho) que, pela sua Paixão e Morte, nos libertou do pecado e nos devolveu a condição de filhos muito amados de Deus.

Tobit era procurado para ser morto, devido às obras de misericórdia que fazia, mas nunca deixou de fazê-las. Não deixemos de procurar edificar a sociedade, à luz dos valores evangélicos, imitando os exemplos citados.

 

3ª Feira, 8-III: Deus e as realidades temporais.

 Tob 2, 10-23 / Mc 12, 13-17

Jesus replicou-lhes: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

O Senhor distingue os deveres do cristão para com Deus e para com a sociedade (Ev.), mas isso não significa que se tenha uma dupla existência: tanto na vida pública como na privada, o cristão deve inspirar-se na doutrina de Cristo.

 É verdade que há uma justa autonomia das realidades temporais, mas isso não significa que a realidade criada seja independente de Deus e que os homens a podem usar sem referência ao Criador, pois a criatura, sem o Criador, desaparece (Gaudium et spes, 36).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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