8º Domingo Comum

27 de Fevereiro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, Az. Oliveira, NRMS 112

Salmo 17, 19-20

Antífona de entrada: O Senhor veio em meu auxílio, livrou-me da angústia e pôs-me em liberdade. Levou-me para lugar seguro, salvou-me pelo seu amor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Caímos no desânimo com muita facilidade, passando de um optimismo infantil a um pessimismo doentio.

Onde estará a verdadeira razão deste nosso comportamento que, por vezes, tanto nos faz sofrer?

É verdade que o momento em que vivemos, encarado sem a luz da fé, torna-se propício a que vejamos tudo escuro: falta de estabilidade económica e no trabalho, insegurança a todos os níveis de convivência humana, e a luta contra as doenças que surgem continuamente.

O Senhor toma-nos carinhosamente pela mão, na Liturgia da Palavra de hoje, para nos ajudar a descobrir e a combater as causas deste pessimismo.

 

Acto penitencial

 

Teimamos em caminhar sozinhos na vida, enfrentando as dificuldades sem contarmos com a ajuda de Deus.

Falta-nos a luz da fé – alimentada pela formação doutrinal – para encararmos todas estas dificuldades à luz de Deus.

Arrependamo-nos, peçamos ao Senhor perdão, e prometamos, com a Sua ajuda, emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: duvidamos facilmente da Vossa amizade

    e deixamo-nos convencer de que estamos sós na vida.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: abandonamos a oração diante dos problemas,

    como se orar fosse actividade inútil para a nossa vida.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor: temos difundido o pessimismo à nossa volta,

    como se não tivéssemos o melhor e amoroso dos Pais.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías profetiza a restauração de Sião, a um Povo que se julga abandonado de Deus, a sofrer no cativeiro de Babilónia.

Será um milagre do Senhor que, à luz do Novo Testamento, ganha todo o seu significado e nos conforta com esta certeza: Deus nunca nos abandona.

 

 

Isaías 49, 14-15

14Sião dizia: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». 15Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei.

 

Ao anunciar a restauração de Jerusalém dsstruída (vv. 14-26), o profeta começa por levantar o ânimo do povo abatido e humilhado, apelando para o amor de Deus que é um amor cheio de afecto, ternura e compaixão. É uma das mais belas e expressivas passagens de toda a Sagrada Escritura.

14 «Sião». Era a cidadela da capital, Jerusalém, que aqui, como noutras ocasiões, representa todo o povo. Sião, que significa «lugar seco» era a fortaleza conquistada por David aos Jebuseus, na colina oriental de Jerusalém (Ofel), que se começou a chamar cidade de David, e para onde ele transladou a arca. Quando Salomão construiu o templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca da aliança, também se começa a dar a esse local o nome de Sião. Também o nome de Sião passou a designar toda. a cidade ou todos os seus habitantes (filha de Sião) e por vezes, como aqui, todo o Povo de Israel. Daqui se segue que a Igreja, «o novo Israel de Deus», passa a ser designada também como Sião, tanto na sua fase peregrina (Heb 12, 22), como celeste (Apoc 14, 1). Ora, como a sede da primitiva Igreja de Jerusalém foi o Cenáculo, passou a considerar-se como Monte Sião a colina ocidental onde este se situa. Hoje a Arqueologia desfez esta confusão topográfica e demonstrou cabalmente que a primitiva Sião, cidade de David, é a colina oriental (Ofel), a sul da esplanada do templo.

 

Salmo Responsorial    Sl 61 (62),  2-3.6-7.8-9ab (R. 6a)

 

Monição: O salmista proclama que só em Deus encontramos um refúgio seguro, no meio de tantos perigos e incertezas.

Para nós, que acreditamos na verdade da nossa filiação divina, este salmo é um convite para que nos abandonemos confiadamente nas mãos de Deus, embora façamos tudo o que está ao nosso alcance para vencer as dificuldades. Cantemos, pois, esta alegre certeza que a fé nos proporciona.

 

Refrão:        Só em Deus descansa, ó minha alma.

 

Só em Deus descansa a minha alma,

d’Ele me vem a salvação.

Ele é meu refúgio e salvação,

minha fortaleza: jamais serei abalado.

 

Minha alma, só em Deus descansa:

d’Ele vem a minha esperança.

Ele é meu refúgio e salvação,

minha fortaleza: jamais serei abalado.

 

Em Deus está a minha salvação e a minha glória,

o meu abrigo, o meu refúgio está em Deus.

Povo de Deus, em todo o tempo ponde n’Ele

a vossa confiança,

desafogai em sua presença os vossos corações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na primeira Carta aos fieis de Corinto, S. Paulo apela à nossa fidelidade, vivendo com o olhar posto em Deus.

Com ele, também nós podemos dizer: o que me preocupa não são os julgamentos que os homens fazem de mim, mas os do Senhor.

 

1 Coríntios 4, 1-5

1Todos nos devem considerar como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. 2Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis. 3Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano; nem sequer me julgo a mim próprio. 4De nada me acusa a consciência, mas não é por isso que estou justificado: quem me julga é o Senhor. 5Portanto, não façais qualquer juízo antes do tempo, até que venha o Senhor, que há-de iluminar o que está oculto nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da parte de Deus o louvor que merece.

 

Em face das divisões que havia em Corinto por causa de os cristãos dali pretenderem arvorar os pregadores do Evangelho em protagonistas e representantes de facções diversas, São Paulo procura dar a verdadeira imagem do que é o ministério cristão (1 Cor 3 – 4); tanto Paulo como Apolo são meros servidores (diáconoi – cf. 1 Cor 3, 5) dos fiéis e colaboradores de Deus (synergoi 3, 9), e de modo algum chefes políticos ou representantes de tendências ou simpatias populares.

1-2 Os Apóstolos (e assim todos os detentores de funções jerárquicas) devem ser considerados como aquilo que realmente são: «servos de Cristo» (hypêrétai, um termo grego que designa um empregado subalterno) e «administradores dos mistérios de Deus» (em grego, oikonómoi, gerentes). O administrador não é o seu dono, por isso, a norma de toda a sua conduta tem que ser a fidelidade: fidelidade ao Senhor e à Igreja, procurandoi dar a resposta adequada aos direitos que cada um dos fiéis tem dentro do Povo de Deus (cf. Lc 12, 42-44). A missão da Hierarquia é uma missão de serviço humilde; com estas palavras, São Paulo desautoriza todas as espécies de clericalismo. Os mistérios de Deus, são todos os meios sobrenaturais de salvação, em particular a Pregação e os Sacramentos.

3-4 São Paulo dá o exemplo de não se conduzir ao sabor dos juízos humanos. O discípulo de Cristo, e muito particularmente um seu ministro, não pode ter medo de críticas, de rótulos de qualquer sinal, de criar antipatias, de remar contra a maré, aliás, pôr-se-ia no caminho da infidelidade.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 64b. 69b

 

Monição: Há-de ser à Palavra do Senhor que devemos prestar atenção, e não à dos homens, porque só o Senhor nos guia para uma eternidade feliz.

Aclamemos o Evangelho que nos enche de alegria com estas verdades.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

As Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida;

Vós tendes palavras de vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 24-34

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24«Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25Por isso vos digo: «Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? 26Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? 27Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? 28E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; 29mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 30Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? 31Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ 32Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. 33Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. 34Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».

 

Tínhamos começado a ler nos domingos comuns, que se seguiram ao Tempo do Natal, o sermão da montanha, que agora retomamos; neste ano não houve lugar para o 6º e 7º Domingo do Tempo Comum, por isso já estamos a meio do capítulo 6 de S. Mateus,

24 «Ninguém pode servir a dois senhores». O trabalho dum escravo era tão absorvente que não lhe restava tempo para atender a outro senhor que não fosse o seu. Esta realidade bem conhecida por todos é o ponto de partida para Jesus estabelecer um princípio de vida moral: sendo Deus o fim último do homem, nada nem ninguém se pode ocupar o seu lugar. O fim último do homem é Deus, a Quem há que servir e amar sobre todas as coisas, não ficando lugar para quaisquer espécies de ídolos. E aqui temos uma aplicação concreta: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro», em aramaico, «mammona» uma palavra que o 1º Evangelho, dirigido a judeus-cristãos, conserva sem a traduzir para grego; trata-se duma alusão às riquezas, o dinheiro, que aqui aparece como que personificado. «Os bens da terra não são maus; pervertem-se, quando o homem os toma como ídolos e se prostra diante deles; mas tornam-se nobres, quando os converte em instrumentos para alcançar o bem, numa missão de justiça e de caridade. Não podemos correr atrás dos bens económicos como quem procura um tesouro; o nosso tesouro (...) é Cristo e n’EIe se há-de concentrar todo o nosso amor, porque onde está o nosso tesouro, aí está também o nosso coração (cf. Mt 6,21)» (S. Josemaria, Cristo que passa, n.° 35).

25-34 «Não vos inquieteis». Jesus não diz que não nos ocupemos das coisas que se referem ao alimento e ao vestuário, mas que não nos preocupemos com desassossego e perturbação dessas coisas. É como se dissesse: «Não vos preocupeis excessivamente com os bens materiais, ainda que necessários à vida; não estais sobre a terra para aqui viverdes imersos em pensamentos de coisas materiais, sois filhos de Deus, bem superiores às flores do campo e às aves do céu. Deus pensará em vós, mais do que pensa nas outras criaturas e vos dará o necessário» (Bíblia de Vacari).

27 «Acrescentar um só côvado…». O côvado equivalia a 45 cm. Não é a inquietação e a falta de serenidade que leva a aumentar os bens materiais, como também não faz aumentar a duração da vida (antes pelo contrário!), ou melhor (dito com uma certa ironia), a própria estatura, como temos na tradução litúrgica.

32 «Os pagãos…». É próprio deles a inquietação com que se movem na vida. É próprio dos filhos de Deus a serenidade e a confiança no Pai do Céu.

33 «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça». Esta justiça é a justiça indispensável para entrar no Reino de Deus, isto é, o cumprimento da sua vontade.

«Tudo o mais vos serão dadas por acréscimo», segundo comenta Santo Agostinho: «não corno um bem no qual devais fixar a vossa atenção, mas como um meio pelo qual possais chegar ao sumo e verdadeiro bem» (Sobre o Sermão da Montanha, 2, 24).

34 «Não vos inquieteis com o dia de amanhã». Trata-se duma sentença comum à sabedoria humana, que aparece também nas literaturas romana, grega, judaica e até egípcia. Mas, na boca de Jesus, tem um sentido novo: não se trata já da resignação e indiferença estóica, ou duma técnica epicurista para saborear em cheio o prazer do momento que passa, mas sim duma atitude de fé viva na Providência divina e de confiança filial no Pai celeste, que conduz à paz e serenidade de espírito. As palavras de Jesus não significam de modo nenhum qualquer apelo à inactividade dum falso piedosismo quietista.

 

Sugestões para a homilia

 

• Vencer a tentação do desânimo

O porquê dos nossos desânimos

Os sinais da bondade de Deus

O Senhor ama-nos sempre

• Acolher a bondade do Senhor

Viver o desprendimento

Confiar no Senhor

Ser fiel

1. Vencer a tentação do desânimo

a) O porquê dos nossos desânimos. «Sião exclamou: 'O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-me'.»

É uma realidade que nos deixamos tentar muitas vezes pelo desânimo. Podemos estar doentes, com tendência para ver tudo com óculos escuros. Muitas vezes, porém, as causas são outras:

• Temos apego à nossa própria vontade. Queremos o que Deus não quer, ou fugimos do que Ele quer de nós.

• Falta-nos a confiança em Deus. Só confiamos e estamos contentes quando o Senhor nos faz a vontade. O mistério da cruz repugna-nos e revoltamo-nos contra ele.

• Em última análise, na raiz de tudo isto encontra-se a nossa falta de fé. Esquecemos ou não temos presente a verdade fundamental da nossa filiação divina. Esta solidão interior prejudica-nos e leva-nos ao desânimo. Fazemos lembrar uma criança mergulhada no escuro, com a mãe ao seu lado que lhe manifesta a sua presença falando-lhe carinhosamente, embora o filho não a veja; indiferente a tudo isto, a criança chora inconsolável

 

b) Os sinais da bondade de Deus. «Mas pode a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do fruto das suas entranhas

Antes de nos pedir que confiemos n’Ele, o Senhor manifesta-nos a Sua bondade pelo comportamento de algumas criaturas. Parece dizer-nos: «Abre os olhos e vê!»

As mães, mesmo tão limitadas nas suas possibilidades, com defeitos, guardam intocável o afecto e carinho para com os filhos. Até os animais nos dão exemplo disto, guiados pelo instinto, tratando das crias, e mudando-as de lugar, quando algum perigo as ameaça.

Também os santos são pequenos vislumbres do coração misericordioso de Deus. Comove-nos uma Beata Teresa de Calcutá que se entrega aos mais pobres dos pobres; o Venerável João Paulo II que se entrega sem restrições aos cuidados do rebanho, até ao esgotamento; santa Joana Beretta Molla, médica, falecida aos 39 anos, para salvar a vida da filha que deu à luz. A enumeração podia continuar. Eles são como os faróis que, na escura e tempestuosa noite, enviam sinais para o alto mar, indicando o porto seguro.

Mas, enquanto o farol não vai ao encontro dos marinheiros, Deus está connosco na barca para nos ajudar.

 

c) O Senhor ama-nos sempre. «Pois, ainda que ela o esquecesse, Eu não o esqueceria

Deus ama-nos sempre, seja qual for o caminho por onde andamos transviados. É o mistério insondável da Sua misericórdia.

Quanto mais doentes, pequeninos e indefesos são os Seus filhos, mais lhes manifesta o Seu Amor.

Deus, nosso Pai, é mil vezes mais generoso para connosco do que todas as mães da terra juntas.

Sendo assim, nenhuma situação neste mundo justifica o nosso desânimo, porque podemos contar sempre com Ele.

Recolhamo-nos em oração, quando a escuridão do desânimo se abater sobre nós.

2. Acolher a bondade do Senhor

a) Viver o desprendimento. «Ninguém pode servir a dois senhores: [...] Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro

A confiança em Deus deve ser acompanhada duma diligência para fazer tudo o que está dentro das nossas possibilidades, para resolver os problemas. Quando estamos doentes, por exemplo, o primeiro cuidado há-de ser consultar o médico e obedecer-lhe.

Está fora de dúvidas que temos de procurar diligentemente o sustento de cada dia e, na condição de fieis correntes que vivem no mundo, amealhar algumas economias, para um tempo de crise.

Mas este cuidado não nos pode levar a passar por cima da Lei de Deus, lançando mão de todos os meios.

É que, se não vivermos com uma preocupação de fidelidade à lei do Senhor, pode chegar o momento em que não hesitamos em usar todos os meios – também os ilícitos – justificando-os com um fim bom que procuramos.

 

b) Confiar no Senhor. «Não vos inquieteis, no tocante à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir

Depois de termos feito tudo quanto se encontra ao nosso alcance, abandonemo-nos a uma grande confiança no Senhor.

Ele não prometeu excluir da nossa vida a cruz do sofrimento. Nossa Senhora dizia a santa Bernadette Soubirous, a vidente de Lurdes: «Não prometo fazer-te feliz na terra, mas no Céu.» A Imaculada Conceição referia-se, com certeza, à felicidade como os homens a entendem geralmente. A sua família continuou com graves dificuldades económicas, o pai foi injustamente acusado de ter roubado um pedaço de madeira, e ela sofreu a asma até ao fim da vida. Jovem religiosa, ainda, foi preciso sentá-la numa cadeira – estava-se em Fevereiro gelado, em Névers – e trazê-la para junto da janela para que pudesse respirar nos últimos momentos da vida.

Mas podemos ter a certeza de que o Senhor escolhe sempre o melhor para nós. Apresentemos-Lhe os nossos pedidos, mas deixemos Deus escolher.

Que admirável exemplo de confiança nos dá o Santo Job, nas paragens longínquas do Antigo testamento!

 

c) Ser fiel. «O que afinal se requer nos administradores é que cada um deles se mostre fiel

S. Paulo toma conhecimento de que há grandes divisões na Igreja de Corinto e ele mesmo não escapa à calúnia. Tenta ajudá-los a afastar este mal, dando-lhes doutrina que é para todos os tempos, exortando-os a serem fieis.

Como se manifesta esta fidelidade? Encontramos na sua carta algumas indicações práticas.

• Examinar o nosso comportamento na presença de Deus, sem nos preocuparmos com o que as pessoas podem dizer de nós. É diante do Senhor que havemos de tomar as nossas decisões, e não sob a pressão das apreciações que o nosso comportamento pode causar nos outros, nem sempre bem formados ou bem intencionados.

• Manter a consciência limpa, sem esquecer que deve estar bem formada, para não nos iludirmos. Não faltam pessoas que estão continuamente a dizer que estão de consciência tranquila, quando até um cego vê que estão submersos no mal. Não falamos de consciência tranquila, mas limpa. É a Palavra de Deus que a purifica.

• Não julgar os outros. As críticas e murmurações são uma fonte de inquietação para os que as fazem e os que as sofrem.

O Senhor não nos entregou a missão de julgar, nem possuímos todos os dados para o podermos fazer com justiça.

• Participação na Missa Dominical. O Senhor ilumina as trevas do nosso coração especialmente no encontro com Ele em cada Domingo e dá-nos forças, na Eucaristia, para cumprirmos as exigências que ela nos ajuda a descobrir.

A paz que buscamos, numa confiança ilimitada no Senhor, não dispensa, pois, este encontro com Ele no primeiro dia da semana.

Em casa de Isabel, Maria manifesta a maior tranquilidade e alegria, apesar dos problemas que se acumulam no horizonte da sua vida, porque confia no Senhor.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor ama-nos com loucura de Pai

e deseja que vivamos em alegria e paz.

Deixa, porém, os estes bens dependentes

da nossa oração com fé e perseverança.

Apresentemos-Lhe, por intercessão de Maria,

todas as necessidades que nos preocupam.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

1.  Por todos os Pastores a quem Deus confiou a Igreja,

    para que sejam no mundo testemunhas da confiança,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

2. Pelos oprimidos pelas dificuldades desta vida,

    para que se aproximem confiadamente de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

3. Por todos nós, membros do Povo de Deus,

    para que vivamos com optimismo até ao Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

4. Por todos nós, filhos de Deus, nesta Eucaristia,

    para que demos sempre testemunho de confiança,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

5. Pelos pais, sinais visíveis do amor de Deus por nós,

    para que ajudem os filhos a caminhar para o Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

6. Por todos os fieis defuntos que estiveram connosco

    e agora aguardam a participação na felicidade eterna,

    para que, por intercessão de Maria entrem no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

Lembrai-Vos, Senhor, que somos Vossos filhos

e confiamos inteiramente na Vossa paternidade.

Ajudai-nos a seguir pelos caminhos que nos ensinais,

para possamos contemplar-Vos eternamente na glória.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.  

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor veio em nosso auxílio, na Liturgia da Palavra, para iluminar os caminhos da nossa vida.

Agora, vai preparar-nos o Banquete da Eucaristia, para nos fortalecer nesta caminhada para o Céu.

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que nos concedeis estes dons que Vos oferecemos e nos atribuís o mérito do oferecimento, nós Vos suplicamos: o que nos dais como fonte de mérito nos obtenha o prémio da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Quando não fazemos esforço para cultivar a paz e a concórdia com todos, sofremos e fazemos sofrer.

O Senhor convida-nos a que alimentemos interiormente o desejo de perdoar e aceitarmos o perdão, manifestando com um gesto estes sentimentos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Como o Apóstolo João, nas margens do lago, depois da pesca miraculosa, também cada um de nós, ao aproximar-se da Eucaristia, pode exclamar: «É o Senhor!»

Se estamos preparados para o fazer, aproximemo-nos com esta certeza que nos dá a fé, e comunguemos com amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: Os meus olhos viram a salvação, S. Marques, NRMS 88

Salmo 12, 6

Antífona da comunhão: Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez, exaltarei o nome do Senhor, cantarei hinos ao Altíssimo.

 

Ou:

Mt 28, 20

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciais com os vossos dons sagrados, concedei-nos, por este sacramento com que nos alimentais na vida presente, a comunhão convosco na vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos agora, em todas as encruzilhadas do mundo – na família, no trabalho e nos momentos de lazer – testemunhas de uma firme confiança em Deus.

 

Cântico final: Nesta santa eucaristia, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-II: Os pecados graves e a clemência de Deus.

Sir 17, 24-29 / Mc 10, 17-27

Bom Mestre, que hei-de fazer para ter como herança a vida eterna?

Quem não se esforçar por viver de acordo com a resposta de Jesus arrisca-se a não alcançar a vida eterna. Os pecados mortais têm uma matéria grave: «a matéria grave é precisada pelos dez mandamentos, segundo a resposta de Jesus ao homem rico: ‘Não mates, não furtes, (Ev.). A gravidade dos pecados é maior ou menor…» (CIC, 1858).

Apesar da gravidade dos pecados, podemos contar sempre com a misericórdia divina: «Como é grande a clemência do Senhor, e o seu perdão para quantos a Ele se convertem» (Leit.)

 

3ª Feira, 1-III: A generosidade de Deus e a nossa.

Sir 35, 1-12 / Mc 10, 28-31

Não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, que não receba agora, no tempo actual, cem vezes mais casas e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.

A generosidade de Deus fica bem patente nestas palavras de Jesus (Ev.). A generosidade de Deus é incomparavelmente maior do que a nossa. Somos convidados a tentar pagar na mesma moeda: «Dá ao Altíssimo consoante Ele te deu»; «Não te apresentes diante do Senhor de mãos vazias» (Leit.).

A generosidade está em dar a Deus o melhor da nossa vida: «Cristo é o centro de toda a vida cristã. A união com Ele prevalece sobre todas as outras, quer se trate de laços familiares, quer sociais (Ev.)» (CIC, 1618).

 

4ªFeira, 2-III: A partilha do sofrimento de Cristo.

Sir 36, 1-2. 5-6. 13-19 / Mc 10, 32-45

Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que eu vou beber?

Para obter um lugar na vida eterna é preciso partilhar primeiro o cálice com o Senhor, isto é, participar na sua Paixão, Morte e Ressurreição.

A nossa resposta há-de ser igualmente: Podemos! Com os nossos sofrimentos completamos, de certo modo, o que falta à Paixão de Cristo (Col 1, 24). Aprendamos a oferecer ao Senhor as contrariedades, a enfermidade, a dor, etc. E melhoremos a nossa participação na Eucaristia, oferecendo a nossa vida diária. E peçamos ao Senhor: «Recompensai aqueles esperam em vós com firmeza» (Leit.).

 

5ª Feira, 3-III: Deter o senhor com a nossa oração.

Sir 42, 15-25 / Mc10, 46-52

Bartimeu: Jesus, Filho de David, tem piedade de mim. Jesus parou e disse: Chamai-o.

Jesus passa continuamente ao nosso lado durante o dia. Aproveitando algum momento durante o trabalho, peçamos-lhe que nos oiça: «Deus queira que, dando-nos conta da nossa cegueira, sentados junto ao caminho das Escrituras e ouvindo Jesus que passa, o façamos parar junto de nós com a força da nossa oração» (Orígenes).

Imitemos o Senhor: «Ele sonda o abismo e o coração do homem» (Leit.), ajudando aqueles que estão ao nosso lado, procurando ouvi-los e descobrir os seus problemas, e dar-lhes uma boa solução.

 

6ª Feira, 4-III: O Senhor encontra frutos dignos na nossa vida?

Sir, 44, 1. 9-13 / Mc 11, 11-26

Mas, ao chegar ao pé dela (da figueira) nada encontrou senão folhas.

Cada dia, o Senhor espera encontrar alguns frutos na nossa vida: trabalhar muito e com perfeição; melhorar a vida familiar, através das virtudes, como a compreensão, a alegria, o optimismo; o cuidado da vida de oração, etc. «Tu também deves procurar não ser uma árvore estéril, para poderes oferecer a Jesus, que se fez pobre, o fruto de que Ele tem necessidade» (S. Beda).

Alguns de nós não deixamos rasto, como se não tivéssemos nascido: faltaram os frutos. Mas outros podemos ser virtuosos, e as nossas obras não serão esquecidas (Leit.)

 

Sábado, 5-III: Direito de recristianizar a sociedade?

Sir 3, 1-11. 16-17 / Mc 12, 18-27

Os escribas e os anciãos: Com que direito fazes tudo isto? Quem te deu o direito de o fazeres?

A pergunta feita a Jesus pode ser igualmente feita nos nossos dias: Por que queres implantar os valores cristãos na sociedade? Os filhos de Deus têm um direito de recristianizar a sociedade actual, como fizeram os primeiros cristãos, procurando dar bom exemplo nas actuações privadas e públicas; desejar que todos sejam felizes, sem esquecer que isso só é possível com a ajuda de Deus.

É na oração e na leitura dos documentos do Magistério que encontraremos boas fontes: «Quando ainda era jovem, procurei abertamente a Sabedoria nas minhas orações» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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