Nossa Senhora de Lurdes

Dia Mundial do Doente

11 de Fevereiro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor do Universo, F da Silva, NRMS 21

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste dia de festa da nossa querida Mãe do Céu, Nossa Senhora de Lurdes, dia mundial do doente, celebramos a ternura e o sorriso que Deus nos oferece na Virgem Nossa Senhora.

Na sua maravilhosa actividade, Maria, convida-nos a aproximarmo-nos de Jesus Cristo, Fonte de água viva.

Esta fonte jorra no nosso Altar em misericórdia permanente que nos lava, reconstruindo a nossa vida. Altar que é apelo necessário à conversão e à reconciliação.

É Altar que supõe o nosso baptismo, como realidade dinâmica, sempre a crescer, para poder atingir a sua plenitude na comunhão com Deus e os irmãos.

Ouvir Maria e aceitar o Seu convite significa estar disposto a percorrer o caminho do encontro com Deus e com os irmãos.

 

Oração colecta: Vinde em auxílio da nossa fraqueza, Senhor de misericórdia, e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos purificados dos nossos pecados. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos».

Na Jerusalém que Isaías canta, a alegria, a paz, a magnificência são de forma particular experiência dos pequeninos.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. 14Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos».

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe, que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12-14 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus» de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16). «Meninos levados ao colo e acariciados…» À Virgem Maria, «tipo e figura da Igreja» (LG 63) aplicam-se com verdade estas palavras proféticas: Ela é Mãe que acaricia, anima, consola e alegra os seus meninos, necessitados e desvalidos.

 

Salmo Responsorial    Jud 13, l8bcde.19 (R. 15, 9d ou Lc 1, 42)

 

Monição: Louvemos o nosso Deus pelas maravilhas que operou em Maria, nossa Mãe querida. E como Ela deixemos que Deus também possa realizar em nós maravilhas!

 

Refrão:        Tu és a honra do nosso povo.

 

Ou:               Bendita sois Vós entre as mulheres.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 45

 

Monição: «Fazei tudo o que Ele vos disser».

A missão da Virgem Nossa Senhora é convidar a todos os seus filhos a estarem atentos a Cristo e a cumprir o que Ele propõe.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Bendita sejais, ó Virgem Santa Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Apoc 19, 25-27; 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. Ela não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?»(ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum [que acordo] há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Com uma expressão tão contundente, a redacção joanina põe em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que seja chamada «Mulher» em Jo 19, 26, como nas Bodas de Caná.

 

 

Sugestões para a homilia

 

Maria sorri para os pequeninos.

O doce convite.

A cura verdadeira.

Maria sorri para os pequeninos.

Nas aparições de Nossa Senhora a Bernardete é significativo a beleza de Maria, a sua humildade, a delicadeza, o trato e o amor aos pequeninos e frágeis. E da parte de Bernardete a simplicidade, a pequenez e a pobreza.

Atormentada pela doença, pelos problemas familiares, pela ausência de formação escolar. Abandonada aos trabalhos penosos para ajudar a família; a experiência vivida das dificuldades económicas, Bernardete, sente de forma particular o sorriso da Mãe de Deus, naquele dia encantador!

Quando se aproximava do «Gave» para apanhar lenha, que a água fazia juntar nas suas margens, escuta uma voz meiga, uma Senhora bela, e um sorriso deslumbrante que lhe dão consciência que é pessoa amada.

Tal sorriso de Maria traz a Bernardete o sentido da vida, a importância da sua pessoa e a maravilha do sobrenatural! Sorriso que incendiou, porque vindo de Maria, vindo de Deus.

Quando se achava pequena, frágil, sofredora, humilhada vai encontrar o Amor que cura e dá vida. E da sua fragilidade partilhada no sorriso de Maria, vai ser sorriso para milhões, que sentindo a mesma experiência de fragilidade, também eles cantarão agradecidos o poder que neles exerce o Todo-poderoso.

O Evangelho revela-nos Maria uma Mãe sempre atenta e solícita. As pessoas estão felizes com a sua presença e nas horas de dificuldade sentem-se à vontade para expor os seus problemas e dificuldades. Mas o evangelho diz-nos que é Maria que descobre que não há vinho. É Ela que toma a iniciativa. Já assim fora quando parte ao encontro de Isabel para Servir! É sempre assim, como com Bernardete. Sai ao encontro de uma filha pequenina, doente, pobre e frágil, para lhe sorrir e para fazer descobrir como Deus ama os pequeninos: «Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos».

As talhas são enchidas de água. Bernardete escava a nascente de água. Água transformada em vinho, símbolo de Cristo, Messias, e do seu Espírito que renova os corações e a face da terra. A fonte que Bernardete escava é sinal de conversão, transformação, de cura: Curados pelas Chagas de Cristo e pelo seu Sangue, gera-se vida nova, vida no Espírito de Deus que quer renovar totalmente a face da terra, criando corações novos e vidas novas.

O doce convite.

A Palavra de Deus é um convite doce à alegria da Jerusalém, que Maria se tornou modelo e referência, como diz o concilio Vaticano II (LG VIII).

A voz de Maria surge a salientar a solução dos acontecimentos por mais difíceis que eles sejam.

Nas bodas de Caná convida a uma esperança que se fundamenta na docilidade e no compromisso simples, que proporciona ocasião para que se faça o milagre. Em Lurdes, a voz de Maria, surge como doce convite à conversão, pedindo a Bernardete a docilidade e o empenho na missão que a partir de então Deus lhe pedia.

A todos nós, Maria, estende o seu doce convite a uma vida de conversão, de adesão a Cristo no cumprimento do nosso ser de cristãos, que originado no baptismo deve crescer continuamente até à comunhão plena com Deus e com os irmãos. Mas tal supõe viver da fé, da formação, da oração, do espírito de sacrifício, dos sacramentos, da fidelidade à Igreja. Quando assim acontece a Lei de Deus, os Mandamentos e as Bem-Aventuranças são expressão de um amor que se manifesta.

A cura verdadeira.

A cura verdadeira que em Lurdes é proposta passa pelo convite à conversão. Importa saber que não é a arrogância do pensamento, da razão e da ciência que salva o homem, mas Jesus Cristo, que constrói um homem novo liberto do pecado, causador de todos os males e injustiças, e da morte.

É claro que a razão e a ciência são importantes ao ser humano e tanto mais o serão se estiverem verdadeiramente livres, sem serem escravas dos interesses mesquinhos e dos esquemas de morte. Mas necessitamos de crer verdadeiramente, de conversão autêntica, de penitência e oração.

Num tempo de tantos desafios, como será importante ouvir a voz de Maria fazendo-nos o apelo a «fazer tudo o que Jesus nos diz». E aceitar o seu «projecto pastoral»: conversão, penitência, oração.

Todos os dias temos conhecimento do imenso sofrimento que cobre a humanidade. Crianças destruídas pelo aborto, crianças com famílias de risco, crianças e adolescentes abusadas pela prostituição, pela violência, pela droga, pela ignorância, pelo fanatismo. Adolescentes abandonados e jovens à deriva. Famílias sem diálogo, amor e com divisões. Escolas sem vida, sem rumo, sem objectivo, sem verdadeira comunidade geradora de futuro e de pessoas responsáveis. Sociedades loucas e abandonadas às mentiras interesseiras do egoísmo. Meios de comunicação social geradores de sociedades infantis, obesas de imaginação narcisista. Sofrimento originado pelos cataclismos naturais, muitas vezes ocultados e facilitados pela incúria e irresponsabilidade humana. Sofrimento de muitas doenças, algumas bem duras, difíceis e incuráveis. Guerras, fome, miséria…tudo revelador da força do pecado. O mal de tudo e do mundo é somente o pecado. Por isso para o extirpar é necessário conversão, penitência e oração.

Diante do panorama do nosso mundo é imperioso deixar que Cristo actue em nossa vida e em nossa sociedade para transformar a água em vinho da alegria e da esperança.

E para nós também fica a proposta de Nossa Senhora de Lurdes: a termos um coração para acolher, sorrir, amar, crer e comprometer-se. No fundo um coração que convive com a conversão, a penitência e a oração.

 

Fala o Santo Padre

 

«No Evangelho a cura do corpo é sinal da purificação mais profunda, que é a remissão dos pecados.»

 

Caros irmãos e irmãs

Nas descrições sintéticas da vida pública de Jesus, breve mas intensa, os Evangelhos atestam que Ele anuncia a Palavra e realiza curas de doentes, sinal por excelência da proximidade do Reino de Deus. Por exemplo, Mateus escreve: "Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, anunciando o Evangelho do Reino e curando toda a espécie de doença e de enfermidade no povo" (Mt 4, 23; cf. 9, 35). A Igreja, à qual é confiada a tarefa de prolongar no espaço e no tempo a missão de Cristo, não pode desatender estas duas obras essenciais: evangelização e cura dos doentes no corpo e no espírito. Com efeito, Deus quer curar o homem todo, e no Evangelho a cura do corpo é sinal da purificação mais profunda, que é a remissão dos pecados (cf. Mc 2, 1-12). Portanto, não admira que Maria, Mãe e modelo da Igreja, seja evocada e venerada como "Salus infirmorum", "Saúde dos enfermos". Como primeira e perfeita discípula do seu Filho, Ela demonstrou sempre, acompanhando o caminho da Igreja, uma solicitude especial para com os sofredores. Dão testemunho disto as milhares de pessoas que acorrem aos santuários marianos para invocar a Mãe de Cristo e encontram nela força e alívio. A narração evangélica da Visitação (cf. Lc 1, 39-56) mostra-nos como a Virgem, depois do anúncio do Anjo, não conservou para si o dom recebido, mas partiu imediatamente para ir ajudar a idosa prima Isabel, que havia seis meses trazia João no seu ventre. No apoio oferecido por Maria a esta parente que vive, em idade avançada, uma situação delicada como a gravidez, vemos prefigurada toda a acção da Igreja a favor da vida que tem necessidade de cuidado.[…]

São dois os tempos principais que a hodierna liturgia da Palavra nos apresenta: o primeiro é de índole mariana e liga o Evangelho à primeira leitura, tirada do capítulo final do Livro de Isaías,assim como ao Salmo responsorial, extraído do cântico de louvor a Judite. O outro tema, que encontramos no trecho da Carta de Tiago, é o da oração da Igreja pelos enfermos e, de forma particular, do sacramento que lhes é reservado. Na memória das aparições de Lourdes, lugar escolhido previamente por Maria para manifestar a sua solicitude maternal pelos enfermos, a liturgia faz ressoar oportunamente o Magnificat, o cântico da Virgem que exalta as grandes obras de Deus na história da salvação: os humildes e os indigentes, assim como todos aqueles que temem a Deus, experimentam a sua misericórdia, que altera o destino terreno e deste modo desmonstra a santidade do Criador e Redentor. O Magnificat não é o cântico daqueles aos quais a sorte sorri, que têm sempre "o vento em popa"; é acima de tudo a acção de graças de quem conhece os dramas da vida, mas confia na obra redentora de Deus. É um cântico que exprime a fé provada de gerações de homens e mulheres, que depuseram em Deus a sua esperança empenhando-se pessoalmente, como Maria, para ser úteis aos irmãos em necessidade. No Magnificat, ouvimos a voz de muitos Santos e Santas da caridade; penso em particular naqueles que despenderam a própria vida no meio dos doentes e dos sofredores, como Camilo de Lellis e João de Deus, Damião de Veuster e Bento Menni. Quem permanece por muito tempo próximo das pessoas que sofrem, conhece a angústia e as lágrimas, mas também o milagre da alegria, fruto do amor.

A maternidade da Igreja é reflexo do amor atencioso de Deus, de que fala o profeta Isaías: "Como uma mãe consola um filho / assim eu vos consolo / e em Jerusalém sereis consolados" (Is 66, 13). Uma maternidade que fala sem palavras, que suscita nos corações a consolação, uma alegria íntima, uma alegria que paradoxalmente convive com a dor, com o sofrimento. Como Maria, a Igreja conserva dentro de si mesma os dramas do homem e a consolação de Deus, mantendo-os unidos ao longo da peregrinação da história. Durante os séculos, a Igreja manifesta os sinais do amor de Deus, que continua a realizar grandes obras nas pessoas humildes e simples. O sofrimento aceite e oferecido, a partilha sincera e gratuita, não são porventura milagres do amor? Não é porventura a coragem de enfrentar desarmados o mal como Judite só com a força da fé e da esperança no Senhor, um milagre que a graça de Deus suscita continuamente em muitas pessoas que dedicam tempo e energias para ajudar aqueles que sofrem? Por tudo isto, nós vivemos uma alegria que não esquece o sofrimento mas, ao contrário, o abrange. Deste modo, os doentes e todos os sofredores são na Igreja não só destinatários de atenção e de cuidados, mas antes de tudo e sobretudo protagonistas da peregrinação da fé e da esperança, testemunhas dos prodígios do amor, da alegria pascal que floresce da Cruz e da Ressurreição de Cristo.

No trecho da Carta de Tiago, que há pouco foi proclamado, o Apóstolo convida a esperar com constância a vinda já próxima do Senhor e, neste contexto, dirige uma exortação particular relativa aos doentes. Esta inserção é muito interessante, porque reflecte a acção de Jesus que, curando os enfermos, demonstrava a proximidade do Reino de Deus. A doença é vista na perspectiva dos últimos tempos, com o realismo da esperança tipicamente cristã. "Quem de vós estiver na dor, reze; quem estiver na alegria, entoe hinos de louvor" (Tg 5, 13). Parece que podemos ouvir palavras semelhantes de São Paulo, quando convida a viver todas as coisas em relação à novidade radical de Cristo, à sua morte e ressurreição (cf. 1 Cor 7, 29-31). "Quem está doente, chama para junto de si os presbíteros da Igreja e eles rezem sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. E a oração feita com fé salvará o mundo" (Tg 5, 14-15). Aqui, é evidente o prolongamento de Cristo na sua Igreja: é novamente Ele que age, mediante os presbíteros; é o seu próprio Espírito que age, mediante o sinal sacramental do óleo; é a Ele que se dirige a fé, expressa na oração; e, como acontecia com as pessoas curadas por Jesus, a cada doente é possível dizer: a tua fé, sustentada pela fé dos irmãos e das irmãs, salvou-te.

Deste texto, que contém o fundamento e a prática do sacramento da Unção dos enfermos, obtém-se ao mesmo tempo uma visão do papel dos doentes na Igreja. Um papel concreto na "provocação", por assim dizer, da oração feita com fé. "Quem estiver doente, chame os presbíteros". Neste Ano sacerdotal, apraz-me ressaltar o vínculo entre os doentes e os sacerdotes, uma espécie de aliança, de "cumplicidade" evangélica. Ambos têm uma tarefa: o enfermo deve "chamar" os presbíteros, e estes devem responder, para atrair sobre a experiência da doença a presença e a acção do Ressuscitado e do seu Espírito. E aqui podemos ver toda a importância da pastoral dos enfermos, cujo valor é verdadeiramente incalculável, pelo bem imenso que faz em primeiro lugar ao doente e ao próprio sacerdote, mas inclusive aos familiares, aos conhecidos, à comunidade e, através de percursos desconhecidos e misteriosos, a toda a Igreja e ao mundo. Com efeito, quando a Palavra de Deus fala de cura, de salvação, de saúde do enfermo, entende estes conceitos em sentido integral, sem jamais separar a alma do corpo: um doente curado pela oração de Cristo, mediante a Igreja, constitui uma alegria na terra e no céu, é primícias de vida eterna.

Prezados amigos, como escrevi na Encíclica Spe salvi, "a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade" (n. 38). Ao instituir um Pontifício Conselho dedicado à pastoral da saúde, a Santa Sé quis oferecer a própria contribuição também para promover um mundo mais capaz de acolher e curar os doentes como pessoas. Com efeito, desejou ajudá-los a viver a experiência da enfermidade de modo humano, sem a renegar, mas conferindo-lhe um sentido. Gostaria de concluir estas reflexões com um pensamento do Venerável Papa João Paulo II, que ele testemunhou com a sua própria vida. Na Carta Apostólica Salvifici doloris, ele escreveu: "Cristo ensinou ao homem, ao mesmo tempo, a fazer o bem com o sofrimento e a fazer o bem a quem sofre. Neste dúplice aspecto, Ele revelou até ao fundo o sentido do sofrimento" (n. 30). Que a Virgem Maria nos ajude a viver plenamente esta missão.

 

Papa Bento XVI, Basílica Vaticana, 11 de Fevereiro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Maria Santíssima é o sinal maravilhoso

do que podemos ser quando nos abrimos

à palavra do Senhor e ao Seu projecto.

Por sua intercessão invoquemos a Deus, nosso Pai,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Virgem Imaculada.

Ou: Interceda por nós a Santa Mãe da Igreja.

 

1.  Pelo Papa Bento XVI, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que, seguindo o caminho da fé,

à maneira de Maria Santíssima,

irradiem confiança, alegria e disponibilidade,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos jovens das nossas Dioceses

que sentem o chamamento de Jesus,

para que, dóceis aos apelos de Maria,

escutem a voz  de Cristo e O sigam,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos cristãos, para que,

na fidelidade aos pedidos de Nossa Senhora,

tenham Cristo no centro das suas vidas, actividades e opções;

sejam acolhedores, serviçais e vivam em comunhão eclesial,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos governos de todo o mundo,

por todos os  que se dedicam à investigação científica

e pelos profissionais de saúde;

para que perscrutando as preocupações de Maria

em favor dos pequeninos: as crianças no ventre de suas mães,

os doentes, os que querem desistir de viver,

aceitem o Evangelho de Jesus Cristo,

e sejam defensores da vida humana,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos que se entregam ao serviço dos mais pobres,

para que sintam em Maria estimulo a mais generosidade,

e por Ela, o Senhor lhes dê o seu Espírito

e a perseverança na caridade,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos nós que celebramos a festa

da nossa querida Mãe do Céu,

para que vivamos no cumprimento

de tudo o que Jesus nos pede,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor, que fizeste da Virgem Santa Maria

a Mulher forte, sempre ao lado do seu Filho

e das dificuldades dos Povos,

concedei-nos também a nós a graça

de colaborarmos generosamente

na obra da redenção da humanidade.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Nossa Senhora da Graça, M. Faria, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem; Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora: p. 486 [644-756] e pp. 487-490

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104.

 

Monição da Comunhão

 

Senhor, tantas vezes Vossa Mãe nos pede com insistência a conversão do nosso coração e da nossa vida.

Que eu tenha a docilidade da conversão! Que eu tenha a sabedoria de fazer tudo o que me dizes! Que eu tenha a generosidade do Teu Espírito que me leve a transformar o mundo.

Maria, Mãe querida, sorri para mim como para a Bernardete! Que eu compreenda por esse teu sorriso o infinito amor de Deus na Eucaristia e no encontro com cada irmão, sobretudo os mais frágeis e pequeninos.

 

Cântico da Comunhão: Quero cantar o vosso nome, A. Cartageno, NRMS 111

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste sacramento celeste, fazei que, celebrando com alegria a festa da Virgem Santa Maria, imitemos as suas virtudes e colaboremos generosamente no mistério da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Tendo celebrado o amor de Deus, operado de forma vigorosa nos pequeninos, que as palavras e gestos de salvação que Deus derrama sobre todos, seja acolhido com coração dócil e generoso, dando fruto na construção da vida, da sociedade e do mundo, segundo a vontade de Deus.

Maria está sempre connosco e intercede por nós.

 

Cântico final: Ó Virgem Sagrada, F. da Silva, NRMS 33-34

 

 

Homilia FeriaL

 

Sábado, 12-II: Um sinal de vitória.

Gen 3, 9-24 / Mc 8, 1-10

Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta há-de atingir-te na cabeça.

«Esta passagem do Génesis (Leit.) tem sido chamada ‘Proto-Evangelho’ por ser o primeiro anúncio do Messias Redentor, do combate entre a serpente e a mulher, e da vitória final dum descendente desta» (CIC, 410).

Esta mulher, que é Nossa Senhora, é também a ‘mulher eucarística’, porque nos trouxe o ‘Pão da vida’ à terra. De algum modo colaborou em matar a fome de Deus. Disse Jesus: tenho dó desta multidão; há já três dias não têm que comer» (Ev.). É uma figura da Eucaristia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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