3º Domingo Comum

23 de Janeiro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Salmo 95, 1.6

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Glória e poder na sua presença, esplendor e majestade no seu templo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Os profetas do Antigo Testamento fazem-nos promessas de grandes dons que o Messias há-de trazer ao mundo: uma era de paz e harmonia, com o fim das guerras e de tudo o que nos faz sofrer.

Afinal, se tudo continua do mesmo modo depois da Sua vinda, que verdade se encontra nas suas promessas?

O Santo Padre responde-nos com uma só palavra que exprime o grande dom que Jesus Cristo nos oferece: Deus. E, com Ele, uma vida nova e uma exigência de conduta que nos dará tudo isto.

 

Acto penitencial

 

Imaginamos e sonhamos com uma Redenção de Cristo fácil, que nos trará todos os benefícios, mas, da nossa parte, não queremos fazer qualquer esforço.

Somos tentados pela preguiça, pelo apego ao deixar correr, como se fôssemos alheios a tudo o que se passa no mundo.

Deus quer esperar pela nossa ajuda para transformar a face da terra. E, sem a ajuda do Altíssimo, isto não mudará.

Imploremos humildemente perdão pelo nosso alheamento e peçamos ao Senhor auxílio para começarmos uma vida diferente.  

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para o nosso apego doentio à preguiça e à rotina de vida

    que nos impede de fazer algum esforço para mudarmos,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para as debilidades e hesitações da confiança em Deus

    que nos faz duvidar da veracidade das Suas promessas,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a nossa recusa em participar generosa e activamente

    na construção de um mundo novo, mais justo e humano,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas em que estão mergulhados todos os prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento e do desespero.

Tenhamos confiança! Deus cumpre sempre as Suas promessas no momento próprio.

 

Isaías 8, 23b-9, 3 (9, 1-4)

1Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. 2O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. 3Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 4Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.

 

8, 23b Na Galileia estavam estabelecidas as tribos de Zabulão e de Neftali. Assim como foram estas as primeiras a sofrer as invasões assírias e a ser vítimas dos horrores da guerra e da deportação, também vão ser as primeiras a verem «uma grande luz», terra privilegiada para o começo da pregação de Jesus. Assim é interpretada esta passagem no Evangelho de hoje (Mt 4, 12-16).

9, 3 «Como no dia de Madiã». Alusão à estrondosa vitória alcançada por Gedeão apenas com 300 homens sobre os numerosos exércitos madianitas (cf. Jz 7).

 

Salmo Responsorial    Salmo 26 (27), 1.4.13-14 (R. 1a)

 

Monição: O salmo responsorial proclama a segurança e a felicidade pessoais encontradas no Senhor. Ele é a nossa luz e salvação e o protector da nossa vida. Daqui nasce uma coragem e segurança diante dos perigos e o desejo de viver na Sua Casa.

A Liturgia convida-nos a fazer dele a nossa resposta à proclamação da primeira leitura.

 

Refrão:        O Senhor é minha luz e salvação.

O Senhor me ilumina e me salva.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,

para gozar da suavidade do Senhor

e visitar o seu santuário.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem confiança e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo escreve à Igreja que está em Corinto, fazendo um caloroso apelo à unidade de todos os membros dessa comunidade de discípulos.

Eles tinham-se esquecido de Jesus Cristo e da Sua doutrina. O Apóstolo dos Gentios exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no Baptismo.

 

Coríntios 1, 10-13.17

Irmãos: 10Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. 11Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, 12que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». 13Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Baptismo? 17Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.

 

A primeira parte desta Carta (1 Cor 1 – 6) vai dirigida a corrigir certas desordens na comunidade, a primeira das quais eram certas divisões: grupinhos ou capelinhas.

10 «Falar todos a mesma linguagem», aqui, é ter uma grande unidade de doutrina e de corações: unidade de pensar e de sentir (v. 11).

11 «Cloé». Mulher cristã, cuja família, talvez por motivo de negócios, se deslocava frequentemente de Corinto a Éfeso, onde Paulo se encontrava neste momento.

12 As «divisões» e contendas não correspondem a cismas ou heresias, mas a grupos ou capelinhas que tomavam, uns um partido, outros outro, baseados no prestígio dos excepcionais pregadores que ali passaram (Paulo e Apolo), ou numa autoridade especial (Pedro), ou baseados outros ainda talvez numa ligação directa e carismática a Cristo, sem a mediação de qualquer autoridade apostólica. (Note-se que a expressão «eu sou de Cristo» também podia ser uma exclamação, um aparte de S. Paulo).

13 Paulo, sem ceder nada no que se refere à sua autoridade apostólica na comunidade de que ele tem a responsabilidade da direcção, por ser o fundador dela, não tolera que haja um grupo que invoque o seu nome, fundando-se num mero prestigio ou ascendente pessoal seu; o que ele quer é «que só Cristo brilhe», e com uma primazia absoluta!

17 «Cristo não me enviou para baptizar…». A Bíblia de Vacari traduz, explicitando o sentido: «Cristo não me deu tanto a missão de baptizar, quanto a de pregar...» Com efeito, como Apóstolo, ele tinha a missão de baptizar (Mt 28, 19), mas a maior eficácia da sua actuação levava-o a não perder tempo com o que os seus colaboradores podiam fazer perfeitamente, seguindo nisto o exemplo de Jesus e de Pedro (Jo 4, 2; Act 10, 48).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 4, 23

 

Monição: Podemos estar confiantes nas promessas do Senhor. O Seu poder não diminuiu, nem Ele se esqueceu de nós.

Aclamemos o Evangelho que nos anuncia esta consoladora certeza e nos enche de alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Jesus proclamava o Evangelho do reino

e curava todas as doenças entre o povo.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 4, 12-23    Forma breve: São Mateus 4, 4, 12-17

12Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. 14Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: 15«Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: 16o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». 17Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo».

[18Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 19Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». 20Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. 21Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os 22e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. 23Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.]

 

A Liturgia, depois de no Domingo passado, com as palavras do Baptista, nos ter feito a solene apresentação de Jesus que nos vai falar ao longo do ano no Evangelho, faz-nos hoje a sua apresentação com as palavras do Evangelista do ano A, Mateus, o qual situa Jesus a pregar só depois da prisão do Baptista e após ter deixado de vez Nazaré, pois ninguém é profeta na sua terra (cf. Mt 13, 53-58). Diz que Jesus «foi habitar em Cafarnaum», «a sua cidade» (cf. Mt 9, 1), a base da sua actividade, junto ao lago de Genesaré, atravessada pela via maris, a estrada do Mar (v. 15) que ligava Damasco ao Mediterrâneo, um centro comercial importante, de que hoje só restam as ruínas, a uns 3 km a Sudoeste da entrada do Jordão no lago e a 36 km de Nazaré. Mas o Evangelista não vê nesta deslocação de Jesus uma simples estratégia, ele vê o cumprimento duma profecia (Is 8, 23) que acredita Jesus como o Messias. O texto citado tem um enorme alcance: trata-se de apresentar a pregação de Jesus como a grande luz que nas trevas brilha para todo o povo.

15 «Galileia (em hebraico gelil significa região) dos gentios». Sobretudo a partir das invasões assírias do séc. VIII a. C. e das deportações levadas a cabo, foram trazidos para aqui muitos colonos estrangeiros, gentios, daqui este nome «região dos gentios» (em virtude da sua população mista), que depois passou a chamar-se simplesmente «Galileia».

17 O «Reino dos Céus»: como aqui (e quase sempre), S. Mateus diz «dos Céus (a tradução litúrgica não corresponde ao original grego), em vez de «de Deus» (cf. Mc 1, 15), (evitando assim nome de Deus inefável). A expressão tem o sentido de «o domínio de Deus» sobre todos os homens (o reinado de Deus), um tema já frequente na pregação profética. Há uma grande diferença de sentido relativamente às ideias correntes na época, em que o reinado de Deus tinha uma conotação teocrática: Deus era o Rei de Israel não apenas no campo espiritual, mas também temporal e Ele haveria de vir submeter a este domínio político todos os povos da terra. O Reino de Deus que Jesus prega é um reino espiritual, de amor e santidade, onde se entra pelo arrependimento dos pecados, pois é um domínio de Deus nas almas; daí a mensagem fulcral do Evangelho: «arrependei-vos».

18-22 Jesus não se limita a anunciar, como João Baptista, que «o reino de Deus está próximo», mas começa já a sua instauração com palavras e obras (cf. v. 23). E estes versículos falam de um primeiro passo, a escolha dos primeiros discípulos, que hão-de integrar o grupo dos Doze, sobre que Jesus fundará a sua Igreja. Segundo Jo 1, 35-52, estes quatro já conheciam Jesus, mas agora trata-se duma chamada para serem seus discípulos. É maravilhosa a sua disponibilidade e generosidade que os leva a deixar tudo logo (euthéôs), sem mais considerações, «o barco», «as redes», «o pai». Jesus continua a chamar em todos os tempos os homens ao apostolado e é preciso responder com igual prontidão e entrega.

 

Sugestões para a homilia

 

• O plano da salvação de Deus

A salvação, passagem das trevas à Luz

A alegria da fé

A liberdade dos filhos de Deus

• Deus pede a nossa colaboração

Acolher a Luz

Conversão pessoal

Difundir a luz

 

O texto da primeira leitura pertence, provavelmente ao final do séc. VIII a. C.. Os assírios (que em 721 a. C. conquistaram Samaria, a antiga capital do reino de Israel) oprimiam e humilhavam as tribos do Povo de Deus instaladas na região norte do país (Zabulão e Neftali); as trevas da desolação e da morte cobriam toda a região setentrional da Palestina.

No sul, em Jerusalém, reina Ezequias. O rei, desprezando as indicações de Isaías (para quem as alianças políticas com os povos estrangeiros são sintoma de grave infidelidade para com Jahwéh, pois significam colocar a confiança e a esperança nos homens e correr o risco da corrupção em contacto com os Egípcios), envia embaixadas ao Egipto, à Fenícia e à Babilónia, procurando consolidar uma frente contra a maior e mais ameaçadora potência da época – a Assíria. A resposta de Senaquerib, rei da Assíria, não se faz esperar: tendo vencido sucessivamente os membros da coligação, volta-se contra Judá, devasta o país e põe cerco a Jerusalém (701 a.C.). Ezequias tem de submeter-se e fica a pagar um pesado tributo aos assírios.

Por essa época, desiludido com os reis e com a política, o profeta teria começado a sonhar com uma intervenção de Deus para oferecer ao seu Povo um mundo novo, de liberdade e de paz sem fim. Este texto pode ser dessa época, e é com este pano de fundo que temos de o analisar.

1. O plano da salvação de Deus

Os profetas do Antigo Testamento anunciam coisas maravilhosas que haveriam de acontecer quando o Messias viesse ao mundo salvar-nos.

Jesus Cristo veio ao mundo há mais de dois mil anos e continuamos com insegurança, falta de paz, injustiças e perseguições aos cristãos, de tal modo que nos sentimos estrangeiros na própria terra.

Que nos falta ainda, para que se cumpram as promessas de Deus, prometendo um mundo melhor?

 

a) A salvação, passagem das trevas à Luz. «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz»

Muitas vezes, no Antigo e no Novo Testamento, a salvação é apresentada como a passagem das trevas para luz. O Senhor fala-nos uma linguagem tirada da nossa vida de cada dia, para que O possamos compreender. S. João diz-nos que o Verbo é a Luz verdadeira que veio a este mundo para dissipar as trevas do erro e da mentira.

Jesus mesmo, referindo-Se à Sua presença neste mundo, anima-nos a caminhar enquanto temos luz. O demónio é chamado «o príncipe das trevas».

Nós também falamos frequentemente da Luz da Fé.

No entanto, a nossa tentação é preferir as trevas à luz. Há pessoas que preferem viver na ignorância religiosa e fogem de qualquer meio de formação «para – como dizem – não terem responsabilidades». É uma atitude irresponsável e perigosa, como a da pessoa que não se quer ver ao espelho nem andar em plena luz do dia, para não verificar como está suja e mal vestida.

O doente, pelo facto de não querer saber qual doença que tem, não aparece curado.

É verdade que quando uma pessoa sabe que está enferma, tem de alterar os seus hábitos e aceitar restrições e incómodos para se curar... mas vale a pena. 

 

b) A alegria da fé. «Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento

O Senhor ilumina a nossa vida com a luz da fé – das verdades que nos ensina – e ajuda-nos a descobrir o seu sentido.

Não é no progresso material e no conforto que está o segredo da nossa felicidade e alegria, mas na fé vivida com todas as suas exigências. A luz da fé ajuda-nos a descobrir os verdadeiros valores da vida presente e a sua relação com a vida futura.

Nunca houve tanta facilidade de viver e tanto progresso ao serviço do homem. No entanto, este progresso volta-se muitas vezes contra a pessoa humana, e todos estamos de acordo em que já se viveram dias mais felizes na terra.

Na vida espiritual, depois da vinda de Jesus Cristo ao mundo, não há mais nada a descobrir, nem a modificar. Encontramos com frequência algumas pessoas que estão à espera de que os Mandamentos da Lei de Deus sejam modificados, ao sabor das suas paixões.

O Senhor indicou-nos o caminho da alegria na terra e da felicidade no Céu de uma vez para sempre. Ou aceitamos seguir este caminho, ou ficaremos fora do Paraíso definitivamente.

 

c) A liberdade dos filhos de Deus. «Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor

Quando uma pessoa começa a desorientar-se na sua relação com Deus, principia imediatamente a criar dependências e a tornar-se escrava das paixões, de necessidades criadas e até das outras pessoas.

O Senhor veio ensinar-nos e ajudar-nos a conquistar a verdadeira liberdade perante nós mesmos e perante os outros.

Temos de proclamar a liberdade na vida sobre a tirania dos bens, da sensualidade e do orgulho.

Muitos mártires sacrificaram a vida para conservar esta liberdade. (Santa Joana Molla, em defesa da filha que estava no seu seio, Santa Maria Goretti, mártir da pureza e S. João de Brito mártir da fé, e tantos outros.

O Senhor deseja quebrar as nossas cadeias de escravidão, mas só o fará se for ajudado por nós próprios.

2. Deus pede a nossa colaboração

Saiu Jesus de Nazaré onde trabalhara como carpinteiro até aos trinta anos, e mudou a residência para Cafarnaúm – cidade à beira do Mar da Galileia – dando princípio à Sua vida pública.

É precisamente nesta praia que vai começar a escolha dos Apóstolos: Pedro e André, Tiago e João.

S. Mateus vê neste procedimento de Jesus a realização da profecia de Isaías. A luz que brilha naquela região é o próprio Jesus, luz do mundo. O Senhor dirige-se aos menos considerados em Israel, para os evangelizar. A Galileia era considerada uma terra de infidelidade. Assim se compreende a resposta de Natanael, quando lhe dizem que Ele é desta terra (de Nazaré): «Da Galileia poderá sair alguma coisa boa

 

a) Acolher a Luz. «para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou

Quando Jesus Se mete na nossa vida e O deixamos entrar, a alegria toma conta de nós. 

Eva Lavalière, grande convertida do princípio do século XX, conheceu os troféus da glória mundana no palco e o descaminho da imoralidade. Tinha sido educada sem princípios. Uma vez convertida, afirmava que no trocaria a felicidade que agora tinha, por nada deste mundo. O mesmo poderiam dizer muitos convertidos.

O Senhor oferece-nos muitas oportunidades para esclarecermos as nossas dúvidas e alargarmos os nossos conhecimentos de doutrina. É preciso um esforço para as aproveitar, embora isto, eventualmente, possa exigir de nós algum sacrifício.

Não basta saber, para ser virtuoso. Acolher a luz não exige apenas aprender umas quantas verdades, mas pôr em prática as suas exigências.

 

b) Conversão pessoal. «Desde então, Jesus começou a pregar: 'Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo'

Na Sua pregação, o Senhor tem o cuidado de nos ensinar em que consiste a conversão pessoal a que nos chama.

A nossa conversão começa pelas ideias, pela mente. Não é somente a resposta a um impulso sentimental. Deus, que nos criou com sensibilidade, inteligência e vontade, pede a entrega de todo o nosso ser.

Acreditamos demasiado nos impulsos do sentimento. Vamos a uma peregrinação a Fátima e comovemo-nos com a procissão do adeus, voltando para casa convencidos de que já estamos melhores. Mas, por vezes, logo no caminho, pelas conversas e atitudes, verificamos que aquilo que aconteceu foi como uma bátega de chuva que não penetrou na terra, deixando-a enxuta a escassos centímetros da superfície.

É indispensável aprofundar a nossa formação doutrinal porque, quando não somos levados pela cabeça para Deus, ficamos num sentimentalismo estéril que não nos ajuda a mudar ou, pelo menos, a perseverar.

Vêm depois os propósitos firmes da vontade, para emendar algo que está mal. Também aqui pode haver ilusões da nossa parte que nos levam ao desânimo. Será preciso começar e recomeçar a luta espiritual muitas vezes, sem desanimar com as derrotas.

Esta luta cansa-nos, porque gostaríamos de mudar num momento e nunca mais termos o trabalho de pensar nisto. Mas talvez não sejam estes os planos de Deus.

 

c) Difundir a luz. «Disse-lhes Jesus: 'Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens'. Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O

Passando junto ao Mar da Galileia, Jesus escolheu os primeiros Apóstolos. Por eles e com eles, vai continuar a Sua missão salvadora no mundo.

Todas as pessoas têm uma missão na vida que Deus lhes quer entregar: no casamento, na vida sacerdotal ou religiosa, no celibato apostólico no mundo, por amor do Reino dos Céus.

Primeiro modo de difundir a luz do Evangelho é o testemunho de vida. S. Paulo, na Primeira Carta aos fieis de Corinto, chama a atenção para um testemunho essencial dos cristãos: o da unidade na caridade.

A unidade manifesta-se na caridade das palavras, gestos e atitudes. Qualquer conversa de crítica ou murmuração é contra a unidade.

Pede-se-nos o perdão generoso das ofensas recebidas. Perdoar é esquecer, destruir a factura da dívida, para que nunca mais apareça à luz do dia, nas nossas conversas e pensamentos.

Virá depois a palavra amiga e oportuna, a encorajar as pessoas no caminho de Deus.

A tudo isto nos convida com insistência o Senhor em cada Celebração da Eucaristia Dominical. Somos uma família que se reúne a convite do Senhor.

Que a Santíssima Virgem, Mãe de todos nós, nos ajude a cumprir este programa que o senhor nos entrega.

 

Fala o Santo Padre

 

«O reino de Deus é a vida que se afirma sobre a morte,

a luz da verdade que dissipa as trevas da ignorância e da mentira.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Na liturgia de hoje o evangelista Mateus, que nos acompanhará ao longo de todo este ano litúrgico, apresenta o início da missão pública de Cristo. Ela consiste essencialmente na pregação do Reino de Deus e na cura dos doentes, para demonstrar que este Reino se fez próximo, aliás, já veio entre nós. Jesus começa a pregar na Galileia, a região na qual cresceu, território "periférico" em relação ao centro da nação hebraica, que é a Judeia, e nela Jerusalém. Mas o profeta Isaías tinha prenunciado que aquela terra, destinada às tribos de Zabulão e de Neftali, teria conhecido um futuro glorioso: o povo imerso nas trevas teria visto uma grande luz (cf. Is 8, 23-9, 1), a luz de Cristo e do seu Evangelho (cf. Mt 4, 12-16). A palavra "evangelho", no tempo de Jesus, era usada pelos imperadores romanos para as suas proclamações. Independentemente do conteúdo, elas eram definidas "boas novas", isto é, anúncios de salvação, porque o imperador era considerado como o senhor do mundo e os éditos como anunciadores de bem. Aplicar esta palavra à pregação de Jesus teve portanto um sentido muito crítico, ou seja: Deus, não o imperador, é o Senhor do mundo, e o verdadeiro Evangelho é o de Jesus Cristo.

A "boa nova" que Jesus proclama resume-se nestas palavras: "O reino de Deus o reino dos céus — está próximo" (Mt 4, 17; Mc 1, 15). O que significa esta expressão? Certamente não indica um reino terreno delimitado no espaço e no tempo, mas anuncia que é Deus quem reina, que é Deus o Senhor e o seu senhorio está presente, é actual, está a realizar-se. A novidade da mensagem de Cristo é portanto que Deus n'Ele se fez próximo, já reina entre nós, como demonstram os milagres e as curas que realiza. Deus reina no mundo mediante o seu Filho feito homem e com a força do Espírito Santo, que é chamada "mão de Deus" (cf. Lc 11, 20). Aonde chega Jesus, o Espírito criador leva vida e os homens são curados das doenças do corpo e do espírito. O senhorio de Deus manifesta-se então na cura integral do homem. Com isto Jesus quer revelar o rosto do verdadeiro Deus, o Deus próximo, cheio de misericórdia por todos os seres humanos; o Deus que nos faz o dom da vida em abundância, da sua própria vida. O reino de Deus é portanto a vida que se afirma sobre a morte, a luz da verdade que dissipa as trevas da ignorância e da mentira.

Rezemos a Maria Santíssima, para que obtenha sempre à Igreja a mesma paixão pelo Reino de Deus que animou a missão de Jesus Cristo: paixão por Deus, pelo seu senhorio de amor e de vida; paixão pelo homem, encontrado em verdade com o desejo de lhe oferecer o tesouro mais precioso: o amor de Deus, seu Criador e Pai.

 

Papa Bento XVI, Angelus, 27 de Janeiro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor constituiu-nos como membros da Sua família,

para que nos ajudemos mutuamente no caminho do Céu.

Manifestemos a verdade desta exigência da nossa vida,

pedindo ao Pai por Jesus, no Espírito Santo, por todos.

 Oremos (cantando):

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos e demais Pastores da Igreja,

    para iluminem as nossas vidas com a doutrina de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

2. Pelas pessoas que não encontram sentido em suas vidas,

    para que o Senhor as conforte com a luz da Sua doutrina,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

3. Pelos que sentem muita dificuldade em mudar de vida,

    para que o Senhor os ajude a seguir os Seus caminhos,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

4. Pelos pais e mães de família e demais educadores cristãos,

    para que sintam a responsabilidade de dar bom exemplo,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

5. Por todos nós, a participar nesta Celebração da Eucaristia,

    para ajudemos fraternalmente os que vivem ao nosso lado,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

6. Pelos catequistas e todos os que anunciam o Evangelho,

    para que anunciem com a própria vida que Cristo vive,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor os nossos caminhos!

 

7. Pelos fieis defuntos que partiram de junto de nós para Deus,

    para a nossa amizade se manifeste pelos nossos sufrágios,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos!

 

Senhor, que passais continuamente junto de nós,

convidando-nos a seguir-Vos com generosidade:

dai-nos a alegria de Vos seguirmos sempre na vida,

para eternamente estarmos convosco no Paraíso.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

A luz de Deus desce abundante sobre nós, em cada Celebração da Eucaristia, pelo anúncio da Sua Palavra.

Somos convidados a imitar Nossa Senhora, de quem o Evangelho diz que guardava todas as palavras no Coração.

Preparemo-nos agora, ainda mais recolhidos, para celebrarmos o mistério da Transubstanciação do Pão e do Vinho no Corpo e Sangue do Senhor, e para O recebermos, se estivermos devidamente preparados.

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, 38

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, e santificai os nossos dons, a fim de que se tornem para nós fonte de salvação. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Saudação da Paz

 

As pessoas que vivem ao nosso lado esperam de nós o testemunho da caridade, vivido na unidade.

Nem sempre é fácil esquecer as ofensas e agravos, perdoando de todo o coração aos que nos magoam.

Num gesto em que desejamos exprimir o desejo de perdoar e ser perdoados,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Também neste momento o Senhor – presente na Eucaristia – passa ao nosso lado, convidando-nos a segui-l’O e a recebê-l’O na Santíssima Eucaristia.

Deus convida-nos a receber este alimento divino, para que nos tornemos mais amigos de Jesus Cristo e O imitemos na vida.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor é minha luz e salvação, F. dos Santos, NCT 224

Salmo 33, 6

Antífona da comunhão: Voltai-vos para o Senhor e sereis iluminados, o vosso rosto não será confundido.

Ou:  Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, nós Vos pedimos que, tendo sido vivificados pela vossa graça, nos alegremos sempre nestes dons sagrados. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levamos desta Missa um duplo encargo: viver a vida de Jesus Cristo e dar testemunho da Sua doutrina e vida diante daqueles com quem vamos conviver durante a semana.

Não nos esqueçamos de cumprir esta missão que o mesmo Senhor nos confia.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor, um cântico novo, J. Santos, NRMS 36

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-I: Vitória sobre o Demónio

Heb 9, 15. 24-28 / Mc 3, 22-30

Mas foi agora, que Ele manifestou, de uma vez para sempre, para destruir o pecado pelo seu sacrifício.

Jesus enfrentou o Demónio quando foi tentado no deserto. «Jesus vence o Diabo: ‘amarrou o homem forte para lhe tirar os despojos (Ev.). A vitória de Jesus sobre o tentador, antecipa a vitória da paixão» (CIC, 539).

A morte redentora de Cristo destruiu o pecado (Leit.). Quando formos tentados olhemos para a Cruz, para um crucifixo; invoquemos os nomes de Jesus e de Maria. Ambos venceram o demónio e nós, com a ajuda deles, também o conseguiremos. Assim esperamos para vencermos o demónio, causador da divisão dos cristãos.

 

3ª Feira, 25-I: A conversão de S. Paulo: A conversão pessoal e a unidade.

Act 22, 3-16 ou 9, 1-22 / Mc 16, 15-18

Caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

S. Paulo deduzirá destas palavras de Jesus a doutrina do Corpo Místico de Cristo: «Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (Leit.), a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus» (CIC, 598). Evitemos a ofensas a Deus e ao próximo, e levemos a cabo a nossa conversão pessoal.

A conversão contribuirá para a expansão da Igreja, que alcançará todos os povos: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas» (Ev.).

 

4ª Feira, 26-I: S. Timóteo e Tito: Como viver num ambiente agressivo.

2 Tim 1, 1-8 ou Tit 1, 1-5 / Lc 10, 1-9

Ide, e olhai que vos mando em missão como cordeiros para o meio dos lobos.

Timóteo e Tito foram dois discípulos e colaboradores de S. Paulo. Devido ao aparecimento de muitos falsos mestres começavam a aparecer doutrinas erróneas. Da sua prisão em Roma, S. Paulo escreve estas Epístolas pastorais, recomendando-lhes para cuidarem dos pastores e dos fiéis, para se manterem firmes na fé que ele lhes tinha ensinado. Estavam como cordeiros no meio de lobos (Ev.).

Situação idêntica se verifica nos nossos tempos. Cada um de nós há-de sentir a responsabilidade de nos mantermos firmes na fé e ajudar os outros a fazerem o mesmo.

 

5ª Feira, 27-I: Iluminar o ambiente.

Heb 10, 19-25 / Mc 4, 21-25

Jesus: Traz-se porventura, a lâmpada para se pôr debaixo do alqueire ou do leito? Não se traz para ser posta no candelabro?

Procuremos pôr toda a nossa confiança nas promessas de Cristo: «Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel (Leit.)» (CIC, 1817). Podemos confiar plenamente na verdade e na fidelidade das palavras de Deus. Esta Verdade, que é Cristo, há-de iluminar o nosso dia e cada uma das nossas acções: a lâmpada não se pode pôr debaixo do leito (Ev.).

Também nós devemos iluminar o ambiente em que vivemos e trabalhamos. A luz, com que iluminamos, é a nossa conduta irrepreensível e alegre.

 

6ª Feira, 28-I: Crescimento e perseverança.

Heb 10, 32-39 / Mc 4, 26-34

O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas a sementes. Mas, depois de semeada, começa a crescer.

Como o grão de mostarda (Ev.), tudo o que é grande começa por ser pequenino. Assim acontece com a graça que Deus lança nas nossas almas; com o amadurecimento das pessoas; com as virtudes.

Para que este crescimento vá produzindo fruto é preciso sermos perseverantes: «É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus e obter perseverança para a cumprir (Leit.)» (CIC, 2826). Procuremos nunca abandonar o que começamos, mesmo que nos pareça que está parado.

 

Sábado, 29-I: Como vê Deus a nossa fé?

Heb 11, 1-2. 8-19 / Mc 4, 35-41

Jesus disse-lhes: Por que estais assim assustados? Como é que não tendes fé?

Jesus entristece-se por causa da pouca fé dos seus discípulos (Ev.).

Pelo contrário, «A Epístola aos Hebreus insiste particularmente na fé de Abraão: ‘Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu sem saber para onde ia (Leit.)» (CIC, 145). Procuremos não somente guardar a fé e dela viver, mas também professá-la, dar firme testemunho dela e propagá-la (CIC, 1816). Jesus poderia alegrar-se com a nossa fé ou entristecer-se por a não vivermos?

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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