2º Domingo Comum

16 de Janeiro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Toda a terra Vos adore, J. Santos, NRMS 94

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Notam-se em algumas pessoas sintomas de doença espiritual: falta de esperança, manifestada por um pessimismo profundo, como se depois desta vida nada mais houvesse a esperar; refúgio cego num materialismo prático; procura de um cristianismo light, sem mandamentos nem sacrifícios, acomodado às más tendências; uma falsa esperança de que a ciência acabará por perpetuar a vida do homem sobre a terra.

São outros tantos «redentores» atrás dos quais as pessoas correm. Procuramos, na intimidade com Jesus Cristo, uma amizade crescente, reconhecendo n’Ele o meu único e insubstituível Salvador?

 

Acto penitencial

 

Embora proclamemos que somos cristãos, damo-nos conta de que também nos deixamos levar por estas ilusões.

Imploremos, uma vez mais, a paciência e a misericórdia de Deus para com os nossos pecados, hesitações e faltas de generosidade e peçamos-Lhe ajuda para nos emendarmos.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

Senhor, por vezes separamos as exigências da fé da vida no dia a dia,

não nos distinguindo, na prática, dos que não receberam o Baptismo.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Cristo, nem sempre temos sido testemunhas da verdadeira Esperança

como fermentos na família, no mundo do trabalho e na vida social.

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

Senhor, encaramos a vida, nas nossas conversas, com frio pessimismo,

Como se não fôssemos filhos de Deus, plenamente confiados em Vós.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus chama o Seu servo (Israel) ainda quando está no seio materno e nele põe as Suas complacências. Entrega-lhe uma missão salvífica concreta: Reunir o Povo de Deus disperso e desterrado, e iluminá-lo com a sua palavra para que, por sua vez, ele seja a luz dos povos.

 

Isaías 49, 3.5-6

3Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». 5E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. 6Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».

 

Temos aqui parte do 2.º poema do Servo de Yahwéh. Praticamente todos os manuscritos hebraicos, bem como as versões antigas, incluindo a Vulgata, acrescentam depois de «meu servo», o aposto «Israel» (uma possível glosa antiga a partir de Is 44, 21, segundo alguns críticos). E este servo, mesmo aparecendo assim como colectividade, não deixa de ser uma figura de Jesus. E Jesus não só é «um Israel» enquanto encarna o Israel ideal, mas Ele é também «o Cristo total», cabeça e membros. Ele é o novo Israel, que, à maneira daquele antigo patriarca, dá origem ao «novo Israel de Deus» (Gal 6, 16), assente não já na descendência carnal dos 12 Patriarcas, mas no alicerce dos 12 Apóstolos do Cordeiro (cf. Apoc 21, 14; Ef 2, 19).

6 «Luz das nações» (cf. Is 42, 6). A missão de Jesus é universal: veio salvar e iluminar todos os homens. Ele proclama-se «a luz do mundo» (Jo 8, 12; 9, 5; 12, 46; cf. 1, 4-5.9); Simeão reconhece n’Ele «a luz para se revelar às nações» (Lc 2, 32). Este v. 6 é citado expressamente por S. Paulo no discurso em Antioquia da Pisídia (Act 13, 47): Cristo é a luz das nações e, com Ele, os seus discípulos, anunciadores do Evangelho são também luz do mundo (cf. Mt 5, 14).

 

Salmo Responsorial    Salmo 39 (40), 2 e 4ab.7-8a.8b-9.10-11ab (R. 8a e 9a)

 

Monição: A Liturgia convida-nos a fazer nossas as palavras que o autor da Carta aos hebreus coloca nos lábios de Cristo, ainda no seio materno, e que Israel repetia ao longo de todo o Antigo Testamento. Oremos nós também com profunda convicção.

 

Refrão:        Eu venho, Senhor,

para fazer a vossa vontade.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança

e Ele atendeu-me.

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;

Não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na saudação que dirige à Igreja de Corinto, deseja-lhe o amor do Pai e seu efeito reconciliar, ou seja, a paz. É este o dom precioso que está prometido a todos nós com a vinda do Salvador.

 

Coríntios l, 1-3

Irmãos: 1Paulo, por vontade de Deus escolhido para Apóstolo de Cristo Jesus e o irmão Sóstenes, 2à Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade, com todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: 3A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco.

 

Começa-se hoje a leitura seguida da 1ª Carta aos Coríntios, respigando trechos selectos.

1 O cabeçalho da Carta é teologicamente muito rico; seguindo o formulário epistolar greco-romano, começa com o nome do remetente (a superscriptio): «Paulo», credenciado como Apóstolo de Jesus por vocação divina, e o irmão Sóstenes, seu colaborador (discute-se se era o chefe da sinagoga já convertido: cf. Act 18, 17).

2 Segue-se o destinatário (a adscriptio): «a Igreja de Deus que está em Corinto», com cláusulas muito expressivas: uma Igreja que não é uma simples assembleia convocada, como no mundo profano, mas é uma assembleia religiosa (a ekklêsía de Deus), na continuidade da comunidade israelita e a sua legítima herdeira (cf. Mt 16, 18), adoptando a mesma designação dos LXX para traduzir o nome hebraico (qahal). Ao especificar, «que está em Corinto», sugere o seu enquadramento na única Igreja de Cristo, universal mas presente nesta Igreja particular. Ao dizer que os seus fiéis «foram santificados em Cristo, chamados à santidade» indica a sua pertença e consagração a Cristo em virtude da sua acção salvadora e de um chamamento (chamados, no original kletoi, tem a mesma raiz de ekklesía, Igreja); trata-se aqui duma santidade ontológica, que, embora não sendo a santidade moral, é uma exigência desta, para que a pertença a Cristo redunde numa identificação com Ele (cf. Rom 8, 29) e não numa vã exterioridade. Notar que a inclusão nos destinatários de «todos os que invocam o Nome…» (alusão ao nome divino, aplicado a Jesus: cf. Act 4, 12; 9, 14.21; Gn 4, 26), sugere que a doutrina da carta é aplicável a todos os cristãos, não só de «qualquer lugar», mas também em qualquer tempo; de facto a carta encerra a resposta a questões muito pontuais e ocasionais, mas apela para princípios perenes e sempre actuais.

3. «A graça e a paz…». Paulo adopta esta dupla saudação, tirando a primeira do mundo grego e a segunda do ambiente judaico, mas enriquecendo-as de sentido cristão: o «khairein» grego (alegria e saúde) passa a ser «kháris» (graça, dom divino) e o «xalôm» judaico passa a ser «eirênê» (uma paz que «vem de» – «apó» (em grego) – Deus e do Senhor Jesus).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14a.12a

 

Monição: Foi para nos salvar que o Verbo – a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – assumiu a nossa frágil natureza.

Aclamemos o Evangelho que nos anuncia tão feliz notícia, cantando aleluia.

 

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós

Àqueles que O receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 29-34

29Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Era d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim virá um homem, que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. 31Eu não O conhecia, mas para Ele Se manifestar a Israel é que eu vim baptizar em água». 32João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele. 33Eu não O conhecia, mas quem me enviou a baptizar em água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e repousar é que baptiza no Espírito Santo’. 34Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».

 

Não deixa de chamar a nossa atenção o facto de que, sendo S. Mateus o evangelista do ano A, comecemos precisamente este ano com um texto de S. João. A Liturgia pretendeu pôr na portada do ano uma leitura de especial significado e riqueza doutrinal; por isso propõe-nos hoje este trecho de S. João, que é uma apresentação solene de Jesus Cristo, Aquele que nos vai falar ao longo de todo o ano – apresentação esta particularmente autorizada –, pois que é feita por «aquele que veio para dar testemunho da Luz» (Jo 1, 8).

29 «João». No texto original não aparece o apelido de «Baptista», pois para o evangelista João não há outro João além do Baptista, uma vez que, por humildade, nunca se nomeia a si próprio. O Baptista, depois de já ter deixado claro perante as autoridades judaicas que não era ele o Messias (vv. 19-27), atesta agora, para quem o cerca, que é Jesus aquele que se espera.

«Eis o cordeiro de Deus» (cf. v. 36): é uma alusão não só ao cordeiro pascal (Ex 12,1,28; cf. Jo 19, 14.36; Apoc 5, 6.12; 7, 14; 1 Cor 5, 7; 1 Pe 1, 19), símbolo da redenção, mas também ao Servo Sofredor (Is 52, 13 – 53, 12) que, inocente, é levado à morte, em vez dos pecadores, para expiação dos pecados. Note-se que a própria palavra aramaica talyá significava tanto cordeiro como servo. Ele «tira o pecado»: o singular tem mais força, pois engloba todos os pecados com todas as suas tremendas implicações.

31 «Eu não O conhecia». João não quer negar um conhecimento pessoal que já procederia dos tempos da infância (cf. Lc 1, 36 ss), mas insiste (vv. 31.33) em que não O conhecia anteriormente na sua qualidade de Messias. Aqui se deixa ver a naturalidade da vida de Jesus (e assim a dos Santos): o que há de mais santo e divino passa despercebido. Esta passagem não contradiz Mt 3. 14, onde se diz que João não quer baptizar Jesus, pois a razão que ele dá não é a de ver n’Ele o Messias, mas a de conhecer a sua superioridade moral, a sua inocência e intima união com Deus.

34 São os Evangelhos sinópticos que relatam com pormenor o Baptismo de Jesus. S. João não conta a célebre teofania do Jordão, limitando-se a dar o testemunho do Baptista após aquela manifestação divina.

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus Cristo, único Salvador

Enviado do Pai.

Salvador do mundo

Chama cada um de nós

• Acolher Jesus Cristo

Atenção aos sinais

Fidelidade ao Espírito Santo

Testemunhas de Cristo

1. Jesus Cristo, único Salvador

Em todos os tempos, com particular incidência em nossos dias, por causa do endeusamento do progresso, as pessoas são tentadas a dispensar Jesus Cristo das Suas vidas, e a recusar-se a aceitá-l’O como único Salvador do mundo.

«Na primeira sessão do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, a 11 de Outubro, o Santo Padre referiu-se ao vasto drama religioso da História, que consiste na sucessiva e incessante queda dos «falsos deuses», isto é, das potências terrenas que vão surgindo e caindo em luta com o verdadeiro Deus; falsos deuses que identificou hoje com os capitais anónimos, as ideologias terroristas, a droga e a vida (des)orientada pela mera opinião pública.

São deuses transitórios certamente, mas que envenenam o mundo enquanto duram, dando lugar a outros e a outros, sem parar, com o que se há-de contar até ao fim dos séculos. As ideologias materialistas e ateias que cobriram o mundo de sangue, e a cuja queda já assistimos, são o mais recente exemplo desta realidade. Aliás, como Chesterton afirmava em 1927 a propósito do comunismo, instalado dez anos antes na Rússia, não há maior certeza do fracasso de uma utopia do que pondo-a em prática. Para ele, o grande perigo seguinte seria o da sobreprodução e do consumismo, que deixaria o homem cego e surdo para os valores maiores da vida. E assim aconteceu.» (Pe. Hugo de Azevedo, Capelania da AESE).

 

a) Enviado do Pai. «Disse-me o Senhor: 'Tu és o meu servo, Israel'.» Embora estas palavras tenham sido dirigidas ao profeta Isaías, em última análise, elas são dirigidas ao Povo de Deus e a cada um de nós em particular.

A Igreja é o Povo de Deus da Nova Aliança, realizada no Calvário, no Sangue do Cordeiro.

Participamos da missão profética, real e sacerdotal de Jesus. Cada um de nós foi resgatado por Ele, para assumir também a Sua mesma missão. A cada um de nós diz o Senhor que nos chamou desde o seio materno. Não há pessoas a mais, ou ao acaso, no mundo. Todas as pessoas foram chamadas à vida e à Igreja por Deus, com amor infinito.

Alguns queixam-se de serem mal-amados, de viverem tristes, sem o amparo de qualquer afecto.

Não é verdade. Cada um de nós foi chamado à vida presente por Deus, com amor infinito, para realizar uma tarefa grandiosa no mundo. Ele deseja viver connosco uma intimidade crescente, até que se torne definitiva no Céu.

 

b) Salvador do mundo. «E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele

As pessoas sonham com uma vida sem sacrifício e tentam sacudir dos ombros o jugo suave e o peso leve da cruz. Procuram adorar falsos deuses, atraídos pela promessa duma felicidade que nunca chegam a gozar.

Estão de moda o prazer dos sentidos, em todas as suas formas, a idolatria do dinheiro e da afirmação pessoal, nos cargos ou nos bens que ostentam com vaidade.

As pessoas caíram na ilusão de construir um paraíso na terra, pondo de lado o amor e substituindo-o pelo ódio. Tornaram-se escravos da máquina do Estado materialista.

Jesus Cristo, de ontem, de hoje e de sempre, vem restituir-nos a esperança e, com ela, a alegria de viver.

Usando sempre as mesmas mentiras, o Inimigo consegue atrair-nos sempre ao engano. Precisamos aproveitar as experiências históricas para modificarmos a nossa conduta.

 

c) Chama cada um de nós. «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra.» Como hei-de participar nesta missão salvadora de Jesus Cristo? Fazendo a vontade do Pai, realizando a vontade de Deus a meu respeito, na vocação a que Ele me chamar.

O importante não é fazer coisas vistosas, ocupar cargos de destaque, brilhando aos olhos dos homens, mas fazer a vontade de Deus, viver com generosidade a vocação pessoal de cada um de nós.

É vivendo a vocação a que o Senhor nos chamou, com generosidade crescente, que seremos a luz do mundo.

As pessoas já não entram no templo para ouvir a Palavra de Deus; desapareceram os sinais do sagrado no mundo do trabalho, do ensino e na grande cidade percorrida pelos homens.

Precisam de encontrar um testemunho vivo de que Deus existe e nos ama no amor gratuito e generoso de cada um de nós ao seu irmão.

Por isso nos falam tanto de uma Nova Evangelização com novos sinais, nova linguagem e novas testemunhas.

Somos chamados a «encarnar» na vida de cada dia a imagem de Jesus Cristo. Interpelemo-nos constantemente: como faria Ele, se estivesse aqui e agora?

2. Acolher Jesus Cristo

A cena do Evangelho passa-se nas margens do Jordão onde João Baptista pregava e administrava um baptismo de penitência. Este não era o Sacramento da Nova lei, pelo qual se infunde a graça santificante, com os dons do Espírito Santo e as virtudes teologais, e se apaga a mancha do pecado original.

Ao recebê-lo, as pessoas proclamavam com este gesto que acolhiam o plano de redenção do Pai. 

 

a) Atenção aos sinais. «Naquele tempo, João baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro [...].»

Como passou junto de João Baptista, Jesus Cristo passa muitas vezes ao nosso lado, para nos ajudar no caminho da santidade pessoal.

Fala-nos por meio daquela pessoa que necessita da nossa ajuda, que nos oferece os seus préstimos, ou mesmo nos trata com pouca ou nenhuma deferência.

Precisamos de muita atenção, vivendo na presença de Deus, para encararmos com fé o que nos quer dizer. Ele interpela-nos a cada instante: pedindo ajuda, falando ao nosso coração, chamando a atenção para algum aspecto da nossa vida.

Com este espírito de fé, conseguiremos ver maravilhas onde outras pessoas não descobrem nada mais além do quotidiano.

 

b) Fidelidade ao Espírito Santo. «João deu mais este testemunho: 'Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele'».

Também recebemos o Espírito Santo, no momento do nosso Baptismo. Como nas margens do Jordão, o Espírito Santo desceu sobre nós, os céus – fechados para nós desde o pecado original dos nossos primeiros pais – abriram-se e o Pai proclamou – referindo-se cada um de nós – o mesmo, embora com a diferença entre filiação de Jesus e a nossa: «Eis o Meu Filho muito amado.»

A partir de então, tornámo-nos filhos de Deus. Foi-nos dado o Espírito Santo para que, com toda a suavidade, nos ajude a formar em nós a imagem viva de Jesus Cristo.

Para o conseguirmos, além de muita graça de Deus, temos necessidade de uma atenção constante às inspirações do mesmo Espírito e de segui-las com prontidão e delicadeza. O nosso exame de consciência de cada noite deve incidir essencialmente nisto: fui dócil ao Espírito Santo em cada momento do meu dia?

Sem este esforço não conseguimos ser imagens vivas de Jesus Cristo que arraste ao Seu encontro aqueles que O perderam de vista ou nunca o conheceram. 

 

c) Testemunhas de Cristo. «Ora eu vi e dou testemunho e que Ele é o Filho de Deus

O nosso encontro com Jesus Cristo em cada Domingo, na Celebração da Santa Missa, deve continuar durante a semana. Saímos do templo com a missão de dar testemunho do Seu Amor, da alegria que infunde em nós e da felicidade para onde nos conduz, pela fé.

A alegria e acolhimento que manifestamos na família, com uma atenção carinhosa a cada pessoa que a integra; a paciência, a cordialidade e a perfeição no trabalho há-de levar as pessoas a interrogar-se: «se esta pessoa tem os mesmos problemas de cada um de nós, qual o segredo deste seu modo de se comportar?»

Havemos de estar sempre disponíveis para «dar às pessoas a razão da nossa esperança.»

Na vida silenciosa de Nazaré, Nossa Senhora e S. José não fizeram coisas extraordinárias. De outro modo, estariam narradas no Evangelho, para nossa edificação.

Foi com o ordinário de cada dia, vivendo-o de modo extraordinário, que ajudaram os seus conterrâneos na sua caminhada para Deus.

 

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos e irmãs,

cheios de filial confiança e amor, ao nosso Pai do Céu,

por intermédio de Seu Filho e nosso irmão Jesus Cristo,

e pela mediação da Sua e nossa Mãe, Maria Santíssima,

para que atenda as nossa humildes e confiantes petições.

Oremos, (cantando):

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

    para que não se cansem de proclamar Jesus Cristo

    como único Salvador do mundo e nosso Caminho,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

2. Por todos os jovens que procuram o sentido da vida,

    para que o encontrem na descoberta do Senhor Jesus,

    como única fonte de Verdade, de felicidade e alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

3. Pelos pais e mães das famílias da nossa comunidade,

    para que sejam testemunhas vivas do Amor de Deus,

    junto daqueles que vivem em cada Igreja doméstica,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

4. Por cada um de nós a celebrar agora esta Eucaristia,

    para que saibamos reconhecer Jesus Cristo que passa

    e corresponder com fidelidade ao encontro com Ele,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

5. Pelos que no trabalho vivem lado a lado com os irmãos,

    para que sejam testemunhas vivas de que Deus nos ama

    e O anunciem com a sua palavra oportuna e com a vida,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

6. Pelos que procuram viver cada uma das vocações da Igreja,

    para que saibam acolher as inspirações do Espírito Santo

    e corresponder-lhes com a docilidade de Nossa Senhora,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

7. Pelos que partiram desta vida e ainda são purificados,

    para o Senhor abrevie este exílio doloroso que sofrem

    e contemplem, felizes, a glória da Santíssima Trindade

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

Senhor, que nos concedeis o tempo de vida na terra,

como tempo de prova para uma eternidade feliz:

fazei-nos solidários com os que partilham este caminho,

para que todos nos encontremos um dia convosco no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Como os dois desanimados que se dirigiam para Emaús, na tarde do Domingo da Ressurreição, estamos com Jesus Cristo que nos iluminou com a Sua Palavra.

Num clima de ainda maior intimidade com Deus, vamos participar no mistério da Transubstanciação, em que Jesus Cristo muda o pão e o vinho, por nós ofertado, no Seu Corpo e Sangue, como no Cenáculo, na noite de Quinta feira santa.

Receberemos depois, se estivermos devidamente preparados, este mesmo Senhor que Se nos oferece como alimento e penhor da Ressurreição final.

 

Cântico do ofertório: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

S. Paulo dirige-se aos fieis de Corinto com as palavras que ouvimos proclamar na segunda leitura: «A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco

A paz e reconciliação a que o Senhor nos conduz é também fruto da generosidade de cada um de nós, perdoando e aceitando ser perdoados.

Com estas disposições salutares,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor preparou para nós a Mesa da Eucaristia, na qual Ele mesmo Se nos dá como alimento.

Avivemos a nossa Fé e renovemos o nosso Amor, para que O recebamos com verdadeiro fruto que nos conduza à vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Preparais a mesa para mim, C. Silva, NRMS 67

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

Ou:  1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos testemunhas de Jesus Cristo em todas as encruzilhadas da vida.

Façamos, um esforço generoso para sermos cristãos nas vinte e quatro horas de cada dia, em todos os ambientes a que Deus nos envia.

 

Cântico final: Terra inteira em paz e amor, J. Santos, 1 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-I: A Igreja, esposa de Cristo

Heb 5, 1-10 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do esposo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

O tema de Cristo, Esposo da Igreja, já tinha sido preparado pelos Profetas. «O próprio Senhor se designou como o ‘Esposo’ (Ev.). E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa ‘desposada’com Cristo Senhor» (CIC, 796).

Nesta união não cabem ´remendos’ como, por exemplo, a desobediência aos mandatos do Senhor. Cristo aprendeu, pelo sofrimento, o que é obedecer (Leit.). Também não cabem a mediocridade de vida nem uma interpretação do Evangelho.

 

3ª Feira, 18-I: Oitavário (I): esperança na unidade dos cristãos.

Heb 6, 10-20 / Mc 2, 23-38

Nessa esperança, nós temos uma espécie de âncora da alma, inabalável e segura.

«A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito que tem a sua origem e modelo na esperança de Abraão (Leit.), o qual foi cumulado das promessas de Deus» (CIC, 1819). Apoia-se no poder de Deus: «O Filho do homem é também Senhor do Sábado» (Ev.).

Durante estes dias do Oitavário procuremos rezar mais intensamente pela unidade dos cristãos. Sendo esta uma preocupação dos últimos Papas, aumentemos a nossa esperança nos esforços que vão realizando para obter esta unidade.

 

4ª Feira, 19-I: Exigências da unidade.

Heb 7, 1-3. 15-17

Jesus disse ao homem: estende a mão. Ele estendeu-a e a mão ficou-lhe curada.

Jesus encontra a oposição dos fariseus por realizar este milagre, por causa da dureza dos seus corações (Ev.). Mas não deixa de fazê-lo.

A unidade dos cristãos é um desejo de Cristo e do Papa, mas encontra também muitos corações endurecidos. Para que o Senhor conceda este dom à sua Igreja exige-se uma «renovação permanente da Igreja, a conversão do coração, com o fim de levar uma vida mais pura segundo o Evangelho, pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo» (CIC, 821).

 

5ª Feira, 20-I: Pedir com fé para que todos se aproximem de Jesus.

Heb 7, 25-8, 6 / Mc 3, 7-12

Na verdade havia curado muita gente e, assim, todos os que tinham padecimento corriam para Ele, a fim de lhe tocarem.

«Frequentemente Jesus pede aos doentes que acreditem. Por seu lado, os doentes procuram tocar-lhe (Ev.), porque saía dele uma força que a todos curava» (CIC, 1504).

Procuremos aproximar-nos do Senhor e rezar por todos os cristãos, porque Jesus pode salvar aqueles que, por seu intermédio se aproximarem de Deus. «Ainda agora, Ele é o nosso advogado, junto do Pai, ‘sempre vivo para interceder por nós’ (Leit.). Com tudo o que viveu e sofreu por nós, uma vez por todas, Ele está para sempre presente, em nosso favor, na presença de Deus» (CIC, 519).

 

6ª Feira, 21-I: Uma nova Aliança.

Heb 8, 6-13 / Mc 3, 13-19

Cristo é, pois, Mediador duma Aliança Nova: uma vez que morreu para remir as faltas cometidas durante a primeira Aliança.

«Desde o princípio da sua vida pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze, para andarem com Ele (Ev.) e participarem da sua missão» (CIC, 551).

Jesus quer estabelecer uma Nova Aliança com o novo povo de Deus: «A lei nova ou lei evangélica é obra do Espírito Santo e, por isso, torna-se uma lei interior de caridade. ‘Hei-de imprimir as minhas leis no seu espírito e gravá-las-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo’ (Leit.)» (CIC, 1965). Peçamos para que se obtenha a unidade de todo o povo de Deus, tal como a quer o Senhor.

 

Sábado, 22-I: Unidade: dom de Cristo

Heb 9, 2-3. 11-14 / Mc 3, 20-21

Jesus entrou em casa. E juntou-se de novo a multidão, de modo que nem se podia tomar alimento.

Jesus consegue reunir à sua volta uma grande multidão (Ev.). E assim tem que continuar a ser, para que todas as confissões cristãs se reúnam à sua volta.

«Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom e um apelo do Espírito Santo» (CIC, 820). Ao longo destes dias todos ouvimos este apelo. Oremos e trabalhemos para obtermos este dom de Cristo.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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