Epifania do Senhor

2 de Janeiro de 2011

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Vós, Jesus Menino, J. Santos, NRMS 76

cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a Manifestação (epifania) do Senhor ao mundo como Verdade, Caminho de Salvação e Vida de Deus connosco; as leituras bíblicas situam-nos em perspectivas de universalismo, abertura, diálogo e comunicação.

Deus toma a iniciativa e propõe-nos que colaboremos.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Jerusalém é apresentada como íman de todos os povos, em sabor cultual; todos (universalismo e pluralismo cristão) lá devem subir em participação.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21, 2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial    Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13(R. cf. 11)

 

Monição: O salmo é um cântico ao rei esperado, o Messias dos rabinos e o Jesus de Nazaré dos cristãos; luz das nações, salvação dos povos, rei de justiça e de paz, a quem o pai deu todos os poderes.

 

Refrão:        Virão adorar-Vos, Senhor,

todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Agora é revelado que os gentios também são herdeiros da promessa; o plano salvífico de Deus em Cristo foi dado a conhecer pelo Espírito Santo aos Apóstolos e S. Paulo descreve-o aos efésios.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser «co-herdeiros» («recebem a mesma herança que os judeus», traduz, parafraseando, o texto português oficial), «com-corpóreos» (isto é, «pertencem ao mesmo Corpo» Místico de Cristo, que é a Igreja una), e «com-participantes na Promessa» («beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 2, 2

 

Monição: S. Mateus alarga o horizonte, restrito ao povo judeu; a nova Sião não é Jerusalém mas Belém; o novo povo é continuação do antigo e ruptura com ele baseada na fé. Há vocação à fé: os magos, os astrólogos e os sacerdotes, e Herodes pelo testemunho daqueles e das escrituras.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc.. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos pagãos para Cristo, o simbolismo dos presentes, a fé e perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura e o sentido de procura do caminho, etc..

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém (Is 60 e Salm 72). Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8, 11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7, 42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento. Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma dita lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados. Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Num 24, 17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio do Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Jesus. Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que a estrela se deslocava de Norte para Sul até parar sobre a casa.

Também se deve considerar um sinal de credibilidade histórica o facto de Mateus apresentar uns Magos à procura de Jesus, pois, posto a forjar um relato edificante, ter-se-ia lembrado de, em vez duns magos, pôr uns reis a caminho de Belém; com efeito o teólogo Mateus ou a sua escola, não podiam ignorar que no Antigo Testamento quem vem a Jerusalém não são nunca os magos, mas «os reis ao esplendor da tua aurora» (Is 60, 3). Mais explícito temos ainda o Salmo 71 (72,), que diz: «Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão-de servir».

 

Sugestões para a homilia

 

a) A igreja é a grande luz.

b) Os gentios são co-herdeiros da Promessa.

c) Abertura à fé e obstáculos à sua difusão.

 

a) A Igreja é a grande luz posta em evidência neste texto, muito poético (Jerusalém ou Igreja) que opõe a verdade ao erro, a luz às trevas.

Na igreja brilha a glória do Senhor, como luz, e é unificadora de todos os povos: para ela são atraídos todos os filhos e filhas de Sião.

Forcemos, queridos amigos de Deus, a nossa saída dos males e do seu exílio e regressemos à amizade com Jesus, Sua Mãe e os exemplos dos santos.

A igreja de Jesus é católica, é universal, ideia referida nas profecias e realizada no N. T., nos evangelhos.

Toda a pessoa é transformada em fonte de luz;

O cristão é luz, caminha à luz de Cristo.

Oferece-se com as obras boas, os seus dias e trabalhos, ao Senhor.

 

b) São Paulo, agora, apóstolo dos gentios, afirma com evidência o que Isaías dera a entender; a salvação messiânica chega a todas – e não só ao povo da Antiga Aliança.

A missão de Paulo é dar a conhecer o mistério da eleição ou escolha, feita por Deus, de todas as nações para a salvação em Cristo.

Deus escolheu-te a ti e a mim para esse trabalho de santificação pessoal. Andar nos caminhos de Deus merece cuidado e atenção; é fácil agradarmos a Deus e sermos Seus amigos.

Jesus revelou todo o Deus, na Sua divina pessoa e no evangelho, para todas as pessoas sem excepção.

Quem não adere – e repudia as maravilhas criadas por Deus –, não terá parte nos Seus benefícios, instituídos para os bem-aventurados.

 

c) S. Mateus une narração pormenores, do A. T., paralelos: refere-se ao nascimento de Moisés, que também escapou da matança; a profecia de Balaão ou a estrela de Jacob, evocada na estrela dos magos;

Salomão que atrai com a sua sabedoria a rainha de Sabá, como agora são atraídos os magos; há um contraste entre a abertura à fé, por parte dos gentios e a repulsa do Messias por parte dos próprios israelitas: Herodes, os sumos pontífices, os letrados e todo o sobressaltado.

Todavia o texto é um exemplo de vocação à fé; os magos, os astrólogos, são chamados por meio de uma estrela, único meio à sua disposição;

Fomos todos, também, chamados aos deveres e obrigações de uma vocação séria para uma felicidade perene e eterna.

Trabalhemos com Jesus e por Jesus, digamos não à possível preguiça.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«A Igreja desempenha a missão da estrela em prol da humanidade.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Com alegria, hoje celebramos a Epifania do Senhor, isto é, a sua manifestação aos povos do mundo inteiro, representados pelos Magos que vieram do Oriente para homenagear o Rei dos Judeus. Ao observar os fenómenos celestes, estas misteriosas personagens viram surgir uma estrela nova e, instruídos também pelas antigas profecias, reconheceram nela o sinal do nascimento do Messias, descendente de David (cf. Mt 2, 1-12). Desde o seu primeiro surgimento, então, a luz de Cristo começa a atrair a si os homens "que Deus ama" (Lc 2, 14), de todas as línguas, povos e culturas. É a força do Espírito Santo que suscita os corações e as mentes a buscar a verdade, a beleza, a justiça e a paz. É quanto o Servo de Deus João Paulo II afirma na Encíclica Fides et ratio: "O homem se encontra num caminho de busca, humanamente infindável: busca da verdade e busca de uma pessoa em quem poder confiar" (n. 33): os Magos encontraram ambas essas realidades no Menino de Belém.

Os homens e as mulheres de todas as gerações, na sua peregrinação, têm necessidade de ser orientados: então, qual estrela podem seguir? Depois de pairar sobre "o lugar onde estava o Menino" (Mt 2, 9), a estrela que guiou os Magos concluiu a sua função, mas a sua luz espiritual está sempre presente na palavra do Evangelho, que também hoje é capaz de guiar todos os homens até Jesus. Essa mesma palavra, que não é senão o reflexo de Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, é ressoada competentemente pela Igreja em cada alma bem disposta. Por conseguinte, também a Igreja desempenha a missão da estrela em prol da humanidade. Mas algo semelhante pode-se dizer de cada cristão, que é chamado a iluminar com a palavra e o testemunho da vida os passos dos irmãos. Como é importante então que nós, cristãos, sejamos fiéis à nossa vocação! Todo o crente autêntico está sempre a caminho no próprio e pessoal itinerário de fé e, ao mesmo tempo, com a pequena luz que traz dentro de si, pode e deve servir de ajuda para quem se encontra ao seu lado e, talvez, sente dificuldade de encontrar a estrada que conduz a Cristo. […]

 

Papa Bento XVI, Angelus, 6 de Janeiro de 2008

 

Oração Universal

 

Deus quer iluminar a humanidade com a palavra e a pessoa de seu filho Jesus. Na fé que recebemos em nosso baptismo, roguemos ao Senhor:

Venha o Vosso reino, Senhor!

 

1.  Pela Santa Igreja, para que, iluminada por Jesus Cristo,

leve a luz do evangelho a todos os homens

e confirme a esperança dos povos, rezemos ao Senhor.

 

2.  Pelo entendimento e fraternidade universal dos povos,

os governos procurem a justiça e a paz, rezemos ao Senhor.

 

3.  Pelas comunidades para que sejam praticantes e de fé,

saibam reconhecer os tempos e a vontade do Senhor.

 

4.  Pelos homens da ciência, para que encontrem Deus vivo e verdadeiro

que dará sentido às suas pesquisas e vida, rezemos ao Senhor.

 

Ó Pai, alargai nossa oração às dimensões do mundo que quereis salvar;

tornai-nos solidários com as aspirações de todos os homens,

nossos irmãos na fé, em Cristo nosso Senhor.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, Tu é a Luz, Az. Oliveira, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

A Eucaristia é uma comunicação, perenemente repetida, de Deus connosco, sob as aparências de pão.

 

Cântico da Comunhão: Vimos a sua estrela, F. da Silva, NRMS 68

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: A minha alma louva, M. Carneiro, NRMS 76

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O gesto de saudação, de paz, de amizade espiritual sincera, seja emblema no nosso dia-a-dia.

 

Cântico final: Uns Magos vindo do além, F. da Silva, NRMS 76

 

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DEPOIS DA EPIFANIA

 

2ª Feira, 3-I: A primeira mensagem de Cristo: A conversão.

1 Jo 3, 22-4, 6 / Mt 4, 12-17. 23-25

A partir de então, Jesus começou a dizer: Arrependei-vos, pois o reino d Deus está próximo.

É esta a primeira mensagem de Jesus, ao começar o seu ministério público. «A primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão, que opera a justificação, segundo a mensagem de Jesus no princípio do Evangelho: ‘Convertei-vos porque está perto o reino dos Céus (Ev.)» (CIC, 1989).

A conversão exige uma renúncia ao pecado e ao que é incompatível com os ensinamentos de Cristo, que é o Anticristo (Leit). É também acreditar no Evangelho, conhecer os ensinamentos do Senhor e fazer que sejam a nossa norma de conduta.

 

3ª Feira, 4-I: A Eucaristia: testemunha do amor de Deus.

1 Jo 4, 7-10 / Mc 6, 34-44

Depois, partiu os pães e foi dando aos discípulos, para que eles os servissem às pessoas.

«Os milagres da multiplicação dos pães… prefiguram a superabundância do pão único da Eucaristia (Ev)» (CIC, 1335). Assim se manifesta o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito (Leit.), sendo a Eucaristia uma das maiores manifestações desse amor.

«Mistério da luz é, por fim, a instituição da Eucaristia, na qual Cristo se faz alimento… testemunhando até ao extremo o seu amor pela humanidade, por cuja salvação se oferecerá esse sacrifício» (RV Maria, 21).

 

4ª Feira, 5-I: Um segredo íntimo de Deus.

1 Jo 4, 11-18 / Mc 6, 45-52

Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.

S. João afirma (Leit.) que «a própria essência de Deus e Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, o seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo» (CIC, 221).

Assim também nós nos devemos amar uns aos outros: «Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação inata e fundamental de todo o ser humano. Porque o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor» (CIC, 1604).

 

5ª Feira, 6-I: O amor ao próximo e o amor de Deus.

1 Jo 4, 19-5, 4 / Lc 4, 14-22

É este o mandamento que recebemos dele: quem ama a Deus, ame igualmente o seu irmão.

«O amor, como o corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou a irmã, que vemos (Leit.). Recusando perdoar os nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840).

Procuremos imitar o exemplo de Cristo, que recebe um mandato do Pai: «Enviou-me a anunciar a boa Nova aos pobres, a proclamar a libertação aos oprimidos e a vista aos cegos, a mandar em liberdade os oprimidos» (Ev.).

 

6ª Feira, 7-I: O Senhor ‘toca-nos’ nos Sacramentos.

1 Jo 5, 5-13 / Lc 5, 12-16

Ao ver Jesus, caiu de rosto por terra e dirigiu-lhe esta súplica: Senhor, se quiseres, podes curar-me.

Jesus ouviu a oração de petição do leproso e, estendendo a mão, tocou-lhe e curou-o (Ev.). «Por isso, nos sacramentos, Cristo continua a ‘tocar-nos’ para nos curar» (CIC, 1504). Ele é o Senhor da vida: «Quem tem o Filho tem a vida» (Leit.).

Quanto à Eucaristia: no ‘Adoro te devote’ pedimos: “Ó doce pelicano! Ó bom Jesus! Lava-me com o teu sangue, do qual uma só gota pode salvar do pecado todo o mundo». Aproximemo-nos também com mais fé do sacramento da Penitência, mesmo que não tenhamos faltas muito grandes ou sejam sempre as mesmas.

 

Sábado, 8-I: Um combate contra o Maligno.

 1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30

Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não leva à morte…Há um pecado que leva à morte.

«Os pecados devem ser julgados segundo a sua gravidade. A distinção entre pecado mortal e venial, já perceptível na Escritura (Leit.), impôs-se na Tradição da Igreja. A experiência dos homens corrobora-a» (CIC, 1854).

Como sabemos que o mundo inteiro está submetido ao Maligno (Leit.), a nossa vida é: «Um duro combate contra os poderes das trevas, que atravessa toda a história dos homens… Empenhado nesta batalha, homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem» (CIC, 409).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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