Santa Maria Mãe de Deus

D. M. da Paz

01 de Janeiro de 2011

Na Oitava do Natal do Senhor

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Te cantamos, M. Borda, NRMS 10 (II)

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Ou:  cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste dia, a liturgia coloca-nos diante de evocações diversas, ainda que todas importantes. Celebra-se, em primeiro lugar, a Solenidade da Mãe de Deus: somos convidados a olhar a figura de Maria, aquela que, com o seu sim ao projecto de Deus, nos ofereceu a figura de Jesus, o nosso libertador. Celebra-se, em segundo lugar, o Dia Mundial da Paz, um dia em que os cristãos se reúnem para rezar pela paz. Celebra-se, finalmente, o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada percorrida de mãos dadas com esse Deus que nunca nos deixa, mas que em cada dia nos cumula da sua bênção e nos oferece a vida em plenitude. As leituras de hoje exploram estas diversas coordenadas e evocam todos estes motivos que unem nesta primeira Eucaristia de ano novo.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura, sublinha-se a dimensão da presença contínua de Deus na nossa caminhada, como bênção que nos proporciona a vida em plenitude.

 

Números 6, 22-27

22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».

 

24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada. É tripla e crescente: com três palavras a primeira; com 5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome das Três Pessoas da SS. Trindade.

Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.

 

Salmo Responsorial    Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R. 2a)

 

Monição: Sabemos que o Senhor não abandona os que n’Ele confiam. A sua misericórdia corresponde à nossa esperança.

 

Refrão:        Deus Se compadeça de nós

e nos dê a sua bênção.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os seus caminhos

e entre os povos a sua salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura, a liturgia evoca outra vez o amor de Deus, que enviou o seu «Filho» ao nosso encontro, a fim de nos libertar da escravidão da Lei e nos tornar seus «filhos». É nessa situação privilegiada de «filhos» livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-Lhe «papá».

 

Gálatas 4, 4-7

Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.

 

O texto escolhido para hoje corresponde à única vez que S. Paulo, em todas as suas cartas, menciona directamente a Virgem Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o pai, o que parece insinuar a maternidade virginal de Maria.

5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a da nossa filiação divina.

6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá» é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior parte não sabiam hebraico (daí o cuidado de traduzir a palavra), parece querer manter a mesma expressão carinhosa e familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra original de Jesus.

 

Aclamação ao Evangelho        Hebr 1, 1-2

 

Monição: O Evangelho mostra como a chegada do projecto libertador de Deus (que veio ao nosso encontro em Jesus) provoca alegria e contentamento por parte daqueles que não têm outra possibilidade de acesso à salvação: os pobres e os débeis. Convida-nos, também, a louvar a Deus pelo seu cuidado e amor e a testemunhar a libertação de Deus aos homens.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas.

Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

 

Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora do dia de Natal (ver notas supra).

21 Repetidas vezes se insiste em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente, significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh que salva».

 

Sugestões para a homilia

 

Mãe de Deus e nossa

Paz: um caminho a fazer

Mãe de Deus e nossa

Celebramos neste dia aquela humilde serva onde a Palavra de Deus encontrou pleno acolhimento e encarnou para habitar no meio de nós na pessoa de Jesus Cristo. Por isso hoje a proclamamos: «Santa Maria, Mãe de Deus!»

Por essa razão Ela é também nossa Mãe. E sob a sua bênção e protecção colocamos a nossa vida e o novo ano, dispostos a corresponder, como Ela, às esperanças que Deus e os outros põem em nós. Será o modo mais eficiente de contribuirmos para que o novo ano seja, de facto, um bom ano para todos.

Paz: um caminho a fazer

«Não há caminho para a paz. A paz é o caminho!» Não há fórmulas mágicas para chegar à paz mas há que viver numa luta contínua pela paz que é inseparável da Justiça.

Há que começar a caminhar. Comecemos por pequenos passos: uma reconciliação, um perdão, uma aproximação carinhosa, um serviço delicado, uma palavra e um diálogo, uma denúncia límpida, uma luta valente.

Mais vale um gesto pacífico do que muitos discursos sobre a paz. Um gesto cada dia, até que termine este ano. É que «o caminho da paz é um caminho que nunca termina. Mas com os teus gestos, no Mundo haverá mais paz». (M. Gandhi)

Sob a protecção da Mãe de Deus e nossa, peçamos-lhe que nos ajude a dar passos concretos e genuínos na promoção da paz entre todos: ser verdadeiro ser justo, ser responsável, ser tolerante, ser dialogante, ser solidário, trabalhar honradamente, manter a palavra dada, ser crítico e saber aceitar a crítica, estar aberto à utopia.

Saibamos também acolher as palavras do Santo Padre que, na sua mensagem para este dia, nos lembra que «a liberdade religiosa é um caminho para a paz».

Um ano de 2011 feliz e abençoado!

 

Fala o Santo Padre

 

«O Filho de Deus fez-se homem para nossa salvação e a Virgem tornou-se verdadeira Mãe de Deus»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Iniciámos um novo ano e faço votos por que ele seja para todos sereno e proveitoso. Confio-o à celeste protecção de Nossa Senhora, que hoje a liturgia nos faz invocar com o seu título mais antigo e importante, o de Mãe de Deus. Com o seu "sim" ao Anjo, no dia da Anunciação, a Virgem concebeu no seu seio, por obra do Espírito Santo, o Verbo eterno, e na noite de Natal deu-O à luz. Em Belém, na plenitude dos tempos, Jesus nasceu de Maria: o Filho de Deus fez-se homem para nossa salvação e a Virgem tornou-se verdadeira Mãe de Deus. Este dom imenso que Maria recebeu não está reservado só a ela, mas a todos nós. De facto, na sua virgindade fecunda Deus doou "aos homens os bens da salvação eterna... porque por meio dela recebemos o autor da vida" (cf. Oração da Colecta). Portanto, Maria depois de ter dado uma carne mortal ao Unigénito Filho de Deus, tornou-se Mãe dos crentes e da humanidade inteira. […]

 

Papa Bento XVI, Angelus, 1 de Janeiro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Invoquemos a intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus,

para que nos alcance de seu divino Filho

o dom da fé, da unidade e da paz,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Rogai por nós.

 

Santa Maria, Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das Virgens.

R. Rogai por nós.

 

Mãe de Cristo, Mãe da divina graça, Mãe do Redentor.

R. Rogai por nós.

 

Virgem pobre e humilde, Filha de Sião, Serva do Senhor.

R. Rogai por nós.

 

Arca da Aliança, Porta do Céu, Estrela da manhã.

R. Rogai por nós.

 

Fonte de beleza, Esplendor da Igreja e Senhora nossa.

R. Rogai por nós.

 

Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos.

R. Rogai por nós.

 

Rainha do mundo,

R. Rogai por nós.

 

 

Deus, Pai de misericórdia,

ouvi as súplicas dos vossos filhos

e fazei que, por intercessão da Virgem Maria,

nos dediquemos ao serviço do próximo aqui na terra

e mereçamos ser recebidos no reino dos Céus.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Santa Maria, Mãe de Deus, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que dais origem a todos os bens e os levais à sua plenitude, nós Vos pedimos, nesta solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: assim como celebramos festivamente as primícias da vossa graça, tenhamos também a alegria de receber os seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na maternidade] p. 486 [644-756]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Os pastores, ao encontrarem o Menino na gruta, glorificam e louvam a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido: é a alegria pela libertação que se converte em acção de graças ao Deus libertador. Também se tornam porta-vozes desse anúncio libertador, provocando a admiração de quantos tomavam contacto com o seu testemunho.

Que a comunhão do Corpo de Cristo nos torne outros «Cristos», mensageiros da libertação e da paz que em todo o momento glorificam o nome de Deus.

 

Cântico da Comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 66

Hebr 13, 8

Antífona da comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Recebemos com alegria os vossos sacramentos nesta solenidade em que proclamamos a Virgem Santa Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja: fazei que esta comunhão nos ajude a crescer para a vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Maria «conservava todas estas palavras e meditava-as no seu coração». Quer dizer: ela era capaz de perceber os sinais do Deus libertador no acontecer da vida. O Ano Novo que hoje começa convida-nos a ter, como Maria, a sensibilidade de estar atentos à vida e de perceber a presença – discreta, mas significativa, actuante e transformadora – de Deus, nos acontecimentos banais do nosso dia a dia. Assim, o ano de 2011 será um ano de paz. Feliz ano novo!

 

Cântico final: O Povo de Deus Te aclama, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial